sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Por Dudu Oliva

Algumas  reflexões...

No final, confundi. Não é  o livro, mas, é o  filme. 


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quinta-feira, 30 de agosto de 2018

João Paulo Mesquita Simões






A linha editorial dos CTT Correios de Portugal, é de uma excelente qualidade gráfica, e enriquecida com os selos de reconhecimento artístico e filatélico, várias vezes premiados internacionalmente.

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quarta-feira, 29 de agosto de 2018



Merda.

Assim que coloco o primeiro pé na casa percebo um fluxo morno e me sinto molhada entre as pernas. O local abandonado, sua cerâmica no chão com várias rachaduras, paredes descascando e lâminas da luz solar atravessando as janelas quebradas mostrando nuvens de poeira que flutuam por todo lado, nesse lugar sem móveis, mas abarrotado de histórias, contaminado por uma tristeza que forma uma camada densa e poluída, aqui foi o meu primeiro lar há mais de 30 anos. Desde então eu nunca mais tive um lugar para chamar de meu. Nem mesmo de lar.
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de Miguel Angel (in memoriam)

Sem uma gota de vento nesse amanhecer, Amanda campeava pela vereda estreita e barrenta no início de um destino impensado, e sentiu:

que lhe doíam as nádegas;
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terça-feira, 28 de agosto de 2018



Um antigo presente que havia dado estava jogado num canto. Desconsolado.


Depois de um longo dia, mais reflexões.


Respira fundo. Logo ali tem um intervalo.


Celular tocando e ele nem ligando.


O problema era que sempre aparecia um problema.


Por Lucas Beça
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segunda-feira, 27 de agosto de 2018



Conto de Gustavo do Carmo


Aqui na empresa ninguém fala comigo. O Almeida foi bastante cordial nos primeiros dias e me apresentou ao pessoal. Na semana seguinte passou a me tratar com a mesma frieza polar dos meus colegas, dos quais não decorei o nome. Não faço o menor esforço para guardar o nome de quem não gosta de mim.

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sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Por Dudu oliva


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quinta-feira, 23 de agosto de 2018





João Paulo Mesquita Simões


Foi há 130 anos que José Maria Eça de Queirós, lançou a primeira edição do famoso romance "Os Maias".

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quarta-feira, 22 de agosto de 2018



28 de junho




Ela vem do outro lado da rua, seu corpo esguio deslizando sobre a faixa de pedestre. Seus cabelos curtos e acobreados emolduram o rosto fino. Os olhos possuem um brilho como duas chamas bruxuleantes, acima das profundas olheiras.

Na mão ela traz um copo de café expresso. 75 mg de cafeína.
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de Miguel Angel (in memoriam)

Como vinha fazendo a cada noite, o soldado paraguaio se esgueirou pelos atalhos por ele descobertos e foi chegando perto da trincheira inimiga. Podia ouvir as conversas e as cantorias dos distraídos soldados brasileiros à vontade. Cravando-a na terra úmida a cada braçada, a faca agarrada na mão direita o ajudava a se arrastar com ligeireza. Prometera aos companheiros que caçoavam dele pelo fracasso em investidas anteriores, que essa noite degolaria um macaco brasileiro. A aguardente que bebera impulsionava-lhe a valentia. Ouviu claramente alguém cantar acompanhando o tanger de uma viola. Mal iluminado pela distante fogueira invadindo a noite com seu cheiro queimado, havia chegado perto o bastante para visualizar o quepe de um oficial assomando pela trincheira. Sorte melhor não esperava. Seria a sua noite de glória! Seria condecorado se voltasse com a cabeça e o quepe? Seria justo. E os companheiros aprenderiam a respeitá-lo. Promovido a Cabo? Justo. A china pretendida o aceitaria na hora. E a mãe dela ia parar de enxotá-lo da porta. Sogra orgulhosa de candidato com divisas lustrosas de oficial do exército do Mariscal, ia negar casamento?
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terça-feira, 21 de agosto de 2018



Estressou-se. Demorou pra se desestressar.


Tentava esquecer aquilo que se foi.


Copos descartáveis para todo mundo da festa!


A ficha caiu tarde demais.


Tenho que parar com isso, disse o bêbado ao tomar uma pinga às oito e meia da manhã.


Por Lucas Beça
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segunda-feira, 20 de agosto de 2018


Crônica de Gustavo do Carmo

Quando o médico do CTI falou para a minha irmã que a minha mãe estava com infecção urinária, saí do centro intensivo (depois de ter me recuperado de um quase desmaio), atravessei o longo corredor do hospital e fui chorar copiosamente no banco próximo à janela.
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quinta-feira, 16 de agosto de 2018



João Paulo Mesquita Simões



No passado dia 9 de agosto, celebrou-se o Centenário do Armistício.

Portugal emitiu um selo e um bloco para eternizar a efeméride.

O selo, com um valor facial de 0,91 euros, tem uma tiragem de 105 mil exemplares e apresenta a fotografia do "Cabo Sementes", por Arnaldo Garcez, pertencente à coleção da Liga dos Combatentes.

Esta fotografia, datada de 1916, corresponde ao "tipo de soldado português na Grande Guerra", segundo informação da Biblioteca Nacional de Portugal.

O bloco filatélico, com um valor facial de 1,5 euros e uma tiragem de 40 mil exemplares, apresenta uma fotografia da "Parada da Vitória", realizada em Londres a 29 de junho de 1919, e faz também parte do espólio da Liga dos Combatentes.


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quarta-feira, 15 de agosto de 2018




Onde eu estava?
Ah sim, no quarto dela.
Janelas com cortinas.
Na cama, um lençol desenhado com cogumelos.
Um pôster de Rick Martin.
Escova de cabelo rosa.
A cama dela era macia e sentamos na ponta, um ao lado do outro.
Meu coração palpitava forte e minha camisa recendia a desodorante. Podia sentir uma gota de suor deslizar na minha têmpora esquerda.
Eu estava beijando Ellen.
Não, na verdade ela estava me beijando.
Mas isso foi ontem. Onde estou agora?
Ah sim, na fila do supermercado.
Música entediante saindo de caixas de som ocultas.
Pirâmides de latas de extrato de tomate e ervilha.
Espera, o que é isso preso ao bolso da minha camisa?
Um button.
Um sorriso.
Um emoticon?
Isso me faz lembrar de várias coisas, menos o que ele está fazendo ali e de onde veio. Comprei? Alguém me deu?
Ghost in the Shell.
Watchmen.
Afinal, o que estou mesmo fazendo aqui nessa fila? Na minha mão tem uma garrafa de vodca e um pacotinho de salame fatiado. Mas e o button?
Alguma coisa aconteceu antes de Ellen e o quarto dela.
Ah sim, o enterro da minha tia.
A cada hora morre uma pessoa neste maldito mundo e ninguém ainda se acostumou com essa porra.
Minha tia.
Minha melhor amiga.
Um dia antes estávamos, como sempre, conversando. Ela, mais velha que eu 20 anos, era a única pessoa com quem eu realmente me sentia à vontade para conversar. Então ali estávamos mais uma vez, batendo papo.
Coca-cola.
Pizza.
Batata frita.
No dia seguinte: ela morre.
Assim. Apenas assim.
Ela não me avisou. Não me mandou uma mensagem ou deu sinais de que ia embora para sempre.
Tudo no corpo dela desprendia vida. Uma vida sofrida e se esvaindo aos poucos como uma ampulheta, claro, mas nenhum indício de que ia terminar sem uma introdução dramática.
Apenas foi. E eu tive ódio disso.
Após o enterro, Ellen me consola. Não bebi nada, mas acho que por causa da situação, estou, sim, bem embriagado.
Ela me leva até seu quarto, para continuar me consolando.
Ellen, amiga.
Ellen, paixão antiga.
Ali, sob o manto do luto, vulnerável, Ellen faz o que eu queria fazer com ela há muito tempo.
Minha tia morta.
Essa é a simplicidade da morte, a indiferença do coração.
Ele bate e então para de bater.
Cessa a repetição.
Sem ele bombeando, o sangue simplesmente busca as partes inferiores do corpo, para se acumular ali como pequenos lagos vermelhos.
Livor mortis.
É hora das bactérias e dos vermes fazerem festa naquele belo corpo de minha amada tia.
Canais de Havers.
Glândulas de Lieberkühn.
Ilhotas de Langerhans.
Minha tia estava aqui ontem. Não está mais aqui hoje. Acabaram as conversas e eu perdi minha melhor amiga.
O exército da morte avança pelas profundezas escuras e úmidas de seu corpo sem vida.
Cápsula de Bowman.
Coluna de Clarke.
Nosso corpo basicamente é uma divisão de territórios loteados com nomes de homens que já morreram.
No quarto de Ellen: ela está deitada na cama e levanta a blusa.
Está sem sutiã.
Minha língua lambendo.
Meus lábios chupando.
Meus dentes mordendo.
Até então eu achava que o tesão residia no meu pau, mas então percebi que ele habita no estômago, em explosões ácidas e por vezes sobe até a garganta, como a bile.
A minha mão resvalou abaixo de seu umbigo e ela retirou as calças.
Calcinha branca.
Pelos pubianos.
Meus dedos deslizaram pelos seus pelos macios.
Dedos úmidos.
De repente eu não senti nada.
Uma ereção que não veio.
Uma oportunidade que se foi.
A sensação pulou de meus dedos para a minha garganta.
Minha tia monopolizava meus pensamentos.
Um buraco negro abriu em meu peito e me engoliu.
Sai dali correndo e pensando que talvez nos próximos dias eu seria considerado homossexual.
Mas e o button?
Lápides ladeavam as ruas do cemitério.
Umas imponentes, como se houvesse algum orgulho na morte.
Outras apenas uma cruz de madeira fincada na terra seca com mato crescendo em alguns pontos.
O túmulo de tia era de mármore negro, mas de que isso importa?
Mulheres chorando.
Homens de cabeça baixa num silêncio reverente.
No túmulo negro meu reflexo é apenas uma sombra.
Não morria somente uma parente. Não era apenas a irmã de minha mãe, a filha de meus avós, a cunhada de meu pai ou a tia de minha irmã.
Morria eu e minhas alegrias.
Uma dor sólida e pesada reside ou dentro ou do lado de meu peito e pulsa como se fosse um outro coração.
Sai da casa de Ellen e corri para o mercado.
Ah, agora estou entendendo.
Então não foi ontem. O ontem que falei ainda é hoje. Estou aqui depois de ter saído correndo da casa de Ellen. E estava lá depois de sair do cemitério.
Agora entendo a vodca e o salame.
Estou bêbado antes mesmo de pagar essa vodca? Eu já havia bebido bastante antes?
Amnésia alcoólica.
Tenho certo temor de que meu cérebro não consiga mais produzir memória de curto prazo e que a minha cabeça não seja capaz de criar sequer uma breve lembrança que eu possa esquecer.
Produzir lembranças, que coisa esquisita.
Tem um ar quente atrás de mim e é uma senhora gorda fungando em meu cangote.
Isso me enoja.
Me aborrece.
Ela e sua gordura que a faz ter movimentos lentos e tediosos.
Bato o pé no chão com impaciência e a fila finalmente começa a andar.
Passo a língua nos lábios e ainda está aqui o gosto de Ellen.
Sal.
Ácido.
Creme hidratante de maçã.
Na minha mão direita ainda posso sentir a carne macia de seu seio, na ponta dos dedos o néctar seco de sua fenda.
A moça do caixa olha para mim com a expressão de quem está vendo um mendigo que não come há semanas. Ela masca um chiclete e todas as suas linhas de expressão parecem se mover em câmera lenta.
Cabelos desgrenhados.
Roupa amarrotada.
Estou falando de mim, não da moça.
Ela sequer olha nos meus olhos, como se eu fosse apenas mais uma coisa que passa na vida dela e a vontade que eu tenho é de lhe dar um tapa na cara.
Apenas quero sair dali. Embalo minhas coisas, passo o cartão e vou embora.
Meu quarto não tem janelas com cortinas nem minha cama tem um lençol com cogumelos.
Pôster de System of a Down.
Guitarra.
Estante com livros de Stephen King.
Uma edição capa dura da revista número 1 de Sandman.
Antes de abrir o salame e a garrafa de vodca, sentado na cama, olho para minhas mãos e aproximo os dedos do nariz.
Cheiro de boceta.
Ellen.
Ah, agora você aparece, ereção?
Meu corpo é tão desobediente que me entristece.
Meu pau duro.
O corpo de minha tia duro.
Ambos temos rigor mortis.
A caneca de Tron na escrivaninha.
Um gole de vodca.
Uma fatia de salame.
Um gole de vodca.
Uma fatia de salame.
Ah, o button.
Passo a mão no rosto e sinto a barba rala, o óleo na pele, mas minha mão trava em alguns pontos que provavelmente foram sulcos criados por lágrimas.
Uma moça de cabelos cor de areia e sardas escorrendo de sua testa, ela me diz “Jesus te ama!” e me dá o button.
Onde eu a vi mesmo?
Moça das sardas, passei a contar os dias achando assim que se o fizesse não estaria perdendo tempo.
Onde ela está agora?
Ah, lembrei, eu a vi no velório.
Seus lábios não se abriam num sorriso, mas um sorriso podia ser visto em seus olhos cinzentos. Por trás deles ela guardava uma esperança vítrea que eu jamais irei possuir.
Onde estou agora?
Ah sim, estou no velório.
Espera aí. Eu não estava bebendo?
Um caixão de madeira com cor de vinho e no meio dele, envolvida por ridículas flores brancas, está minha tia.
Olhos fechados.
Lábios vermelhos, mas um vermelho desbotado, sem vida.
Claro que é sem vida!
Tudo ali agora é morte, não apenas os cabelos, pelos e unhas, cada centímetro de seu corpo agora é a imagem da morte, como uma pedra, um pedaço de madeira, um maço de cigarro.
Parece estar dormindo.
Gostaria de dormir com você.
“Jesus te ama!” Eu conheço a passagem dos minutos, só preciso preenchê-los com alguma coisa.
Ellen e seus seios firmes.
A vodca e seu cheiro de álcool.
O salame, seu cheiro me lembra o aroma acre das partes íntimas de Ellen?
Sou homem, por isso gosto de ter razão.
Um arroto pelo nariz me faz sentir o cheiro apimentado da vodca.
Mas espera aí. Estou no meu quarto bebendo ou no cemitério?
Ou no velório?
Certamente não no quarto de Ellen.
Será que eu devo beber e voltar para Ellen? Ainda posso sentir a reverberação residual do tesão.
Seus seios, poderiam me consolar. Passo a achar que não estou atrás de sexo e sim de um consolo materno. Ellen e seus seios macios e firmes, me consolando, como um bebê diante da indiferença macabra da vida.
Pseudosinceridade.
Jesus me ama, mas parece que o tempo está sendo arrancado de mim a mordidas.
Lembro dos olhos de Ellen quando levantei da cama e sai correndo.
O desejo deixou os olhos dela como uma alma deixa o corpo.
Um gole de vodca.
Uma fatia de salame.
Pego o maço de cigarro e o barulho do fósforo explodindo para acender o cigarro me acorda de um sonho que eu tenho sem dormir.
Tenho apenas 16 anos, mas tanto os vincos no meu rosto quanto os fios prateados na minha cabeça teimam em dizer que eu tenho mais.
Faz frio aqui dentro e me envolvo com um manto quente de tristeza.
Minha tia e seu cigarro formando espirais de fumaça.
Ela e sua pele branca com veias visíveis que lembravam rios azuis indo desaguar em algum mar misteriosos sob suas roupas.
As flores brancas cobrem seu busto, mas lembro deles e do meu desejo de enterrar ali meu rosto e esquecer o mundo. Isso me faz lembrar de um poema de Baudelaire, Os Faróis.
“Goya, lúgubre sonho de obscuras vertigens,
De fetos cuja carne cresta nos sabás,
De velhas ao espelho e seminuas virgens,
Que a meia ajustam e seduzem Satanás”
Onde ela está agora?
Onde eu estou agora?
Ah sim, eu estou aqui.


Hemerson Miranda

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de Miguel Angel (in memoriam)


Arrastada pelo grupo que a capturara, Amanda, condenada às sevícias se renovando em crueldade ao sabor da escolta que a vigia; à alimentação rala que não demove a fome nem supre carências, às noites friorentas, à chuva que encharca os ossos, ao coaraci queimando a pele e o ar que respira, as ameaças de morte com que tentam aterrorizá-la são badaladas de bons augúrios para quem a vida tornou-se pesadelo e a cada noite fantasia nunca mais despertar. 
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terça-feira, 14 de agosto de 2018



Roberto ouvia metal pesado.

Deitado em sua cama, nada além do som em seus ouvidos. Nada existia.

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segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Microcontos de Gustavo do Carmo



Vá com medo mesmo
Foi com medo mesmo, como lhe obrigaram. Deu tudo errado. O medo atrapalhou-lhe. 


Caravana
A caravana não passou. Ficou com medo dos cães que ladravam. Não acreditava no velho ditado. 
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sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Por Dudu Oliva


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quarta-feira, 8 de agosto de 2018




(esse conto é baseado em histórias reais)


Os genes são uma coisa assombrosamente interessante. Foi a informação genética que moldou o formato do nariz e do rosto de minha avó, que minha mãe herdou e que depois eu herdei. Algo no jeito como inclinamos um pouco a cabeça para um breve sorriso e como os olhos quase se fecham por completo nesse ato também foram passados de geração. Isso e mais um tsunami de informações que residem em longas estruturas filamentosas dentro das células, fazendo dos genes manipuladores indiferentes, sem empatia, que nos controlam como em um teatro de marionetes. Mas me pergunto se outra característica similar e constante na vida dessas três mulheres é também resultado de informação genética. Ou memética.
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de Miguel Angel (in memoriam)



garoa intermitente enlameou todos os caminhos por onde Ezequiel conduz o bando de índios e negros, cobertos de noite: "bom pro caçador, ruim pra caça" pensa ele, porque sabe.
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terça-feira, 7 de agosto de 2018



Vou escrever um conto.

É, é isso. Vou escrever um conto!

Vou escrever esse conto e depois mais outro e mais outro. E aí, quando eu tiver uns 20, vou botar tudo num livro e vender.

É, vou fazer isso mesmo.

Mas primeiro vou ter que arranjar dinheiro pra pagar a gráfica. É, vou ter que economizar. Mas depois que tiver com tal livro na mão, tudo certo.

Sabe o que eu vou fazer?

Vou pegar os livros, acho que, sei lá, uns 500, 1.000, botar no meu carro velho e sair por aí vendendo.

Uma semana em cada cidade.

É, é isso mesmo que eu vou fazer.

Mas eu vou escrever sobre o quê?

Acho que a primeira história vai ser de ação. Tem que ter morte, sangue, tem que vim de dentro. Tem que derramar sentimento. O cara que vai ler tem que sentir a dor do personagem. Tá entendendo?

Primeiro o cara acorda. Toma café sai de casa. E aí

...

Ele leva um soco. Cai.

Corta pra ele num sofá. Um cara de terno está de frente pra ele. Olha só... E aí esse cara de terno começa a perguntar alguma coisa em russo pra ele. Mas ele não fala russo, ele não entende.

Não, não, russo não, muito estereotipado, sabe... O cara de terno é comum. O cara é forte, mal elemento, coisa ruim mesmo, mas não vai ser russo, não.

Então, ele começa a socar o cara, falando pra ele que ele ter que contar o que ele sabe.

E aí, pensa só: uma superheroína entra em ação. Ela é fodona. Bate no cara, derruba ele.

O cara está a salvo. Puta que pariu, que foda! Aí, sabe o que acontece?

Ela solta o cara e ele mata ela. Caralho, que foda! Sabe por que ele faz isso? Porque era armação.

Ele armou pra ela e ela caiu direitinho.

Eu sou bom mesmo ou não sou?

Hein, hein?

Ai, ai, ai. Ai, ai, ai!

Ele vence. O vilão, que você, trouxão, que achava que era a vítima, mata ela e triunfa.

É, é isso aí!

Agora só falta pensar nos outros 19.


Conto de Lucas Beça
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segunda-feira, 6 de agosto de 2018


Conto de Gustavo do Carmo
Ilustração de Lucas Beça

Foram quarenta anos de espera. Hélio, finalmente, arrumou uma namorada. Nunca havia beijado antes. Em dois meses de namoro, já beijou e transou. Enfim perdeu a virgindade. Para Hailane, Hélio também foi o seu primeiro namorado. Antes dele, já namorou com cinco mulheres. Com uma delas foi casada por cinco anos.
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sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Por Dudu Oliva


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quinta-feira, 2 de agosto de 2018


João Paulo Mesquita Simões


Por proposta dos Correios de Portugal, e com o apoio da Direção Geral do Património Cultural, foi lançada a 9 de maio, uma emissão comemorativa do património cultural em Portugal, sendo o selo o veículo de expressão plástica e vocação universalista.

O selo, é assim, num valor simbólico, o instrumento da memória de um povo, que apesar de todas as novas tecnologias ao seu alcance, mantém o seu suporte físico.

Composta por seis selos, esta emissão sintetiza o exercício nem sempre fácil de mostrar o nosso património, já por si bastante diversificado como monumentos, paisagens, todo o tipo de artes que estamos habituados a ver.









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