segunda-feira, 22 de agosto de 2016

TARDE DEMAIS 31 – SEPARAÇÃO



Conto de Gustavo do Carmo


Durante cinco anos, Adamastor prometeu para Verlaine que iria se separar da sua esposa. Ele não pôde pedir o divórcio assim que assumiu o seu caso amoroso porque precisava resolver algumas pendências profissionais, matrimoniais e familiares. 

Além de Adamastor trabalhar na empresa do pai de Dora, sua esposa, ele precisava discutir a divisão de bens, preparar os filhos pré-adolescentes e... faltava-lhe coragem também.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Simetria passo a passo - Calçada Portuguesa

João Paulo Mesquita Simões







No dia 28 de Julho, os CTT Correios de Portugal lançam uma emissão filatélica dedicada à Calçada Portuguesa com quatro selos que a representam, nomeadamente no Jardim da Estrela em Lisboa, na Praça Velasquez no Porto, no Funchal na ilha da Madeira, e no Jardim Duque da Terceira nos Açores, além de um bloco com quatro selos da calçada portuguesa em Macau, Espanha, Brasil e Estados Unidos da América.
Foi no século XIX, onde as grandes correntes humanitárias se desenvolveram na Europa e fomentaram as grandes viagens e o Revivalismo, que Lisboa se revestiu da Arte Nova. Eusébio Cândido Pinheiro Furtado, Tenente de Armas da Cadeia do Castelo de São Jorge, promoveu um novo conceito de empedrar o chão ao estilo de mosaico, com pedras brancas e pretas, que passou a denominar-se calçada-mosaico.
Como primeira experiência utilizou o próprio átrio do presídio, depois, a uma nova escala, pavimentou a emblemática Praça Dom Pedro IV (Rossio). O trabalho desta Praça resultou num empedrado de 8712 metros quadrados, coberto de ondas a preto e branco. Com o crescimento da cidade, novas ruas foram pavimentadas com este conceito, passando a designar-se definitivamente por Calçada Portuguesa.
O Passeio Público encheu-se de elementos gráficos ligados à história da cidade, como caravelas e delfins. Nos anos 40 do século XX, a Calçada Portuguesa tem o seu expoente máximo na elaboração de grandes pavimentos como os da Exposição do Mundo Português e do Estádio Nacional e, mais tarde, já nos anos 60, a arte sai definitivamente à rua para ser admirada por todos. Nos finais do século XX, a Expo‘98 convidou alguns novos artistas-plásticos a desenhar para a calçada desenhos mais arrojados.
Para além de muitas cidades portuguesas, em alguns locais do mundo, onde a presença portuguesa teve influência, foi também aplicado este conceito, como é possível ver no bloco filatélico desta emissão nos quatro selos que constam no mesmo.
Esta emissão é composta por quatro selos e um bloco: um selo da calçada portuguesa em Lisboa, com o valor facial de 0,47€ e uma tiragem de 135 000 exemplares; um selo da calçada portuguesa no Porto, com o valor facial de 0,58€ e uma tiragem de 110 000 exemplares; um selo da calçada portuguesa na Madeira com o valor facial de 0,75€ e uma tiragem de 135 000 exemplares; um selo da calçada portuguesa nos Açores com o valor facial de 0,80€ e uma tiragem de 115 000 exemplares; e o bloco com o valor de 1,88€ e uma tiragem de 45 000 exemplares.
As ilustrações estiveram a cargo do atelier B2 Design e os selos têm um formato de 40 X 30,6 mm enquanto o bloco tem um formato de 125 X 95 mm.
As obliterações de primeiro dia serão feitas nas Lojas dos Restauradores em Lisboa, Munícipio no Porto, Zarco no Funchal, e Antero de Quental  em Ponta Delgada.

In: https://www.ctt.pt/ctt-e-investidores/comunicacao-e-patrocinios/media/noticias/ctt-homenageiam-a-calcada-portuguesa-com-emissao-filatelica 


Bloco com quatro selos da calçada portuguesa em Macau, EUA, Brasil e Espanha



FDC com a série

 


 

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

VERDE E AMARELA



Conto de Gustavo do Carmo

“Você ainda é muito verde para a função.” Amarildo sempre ouvia isso. Desde procurar emprego até conquistar mulheres. O problema é que Amarildo já tinha 35 anos. Idade mais do que madura. Mas estava sempre verde. Sempre amarelava nas horas mais importantes.

Cursou jornalismo. Não fez estágio porque seu currículo ainda era muito verde para ter chances de uma vaga. No final do curso, estava verde porque não tinha experiência. Formou-se verde e branco. Branco de virgem no mercado e também no sexo.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

PIETAS I

PIETAS, pintura do artista barroco Roberto Ferri
 Mini-Conto de Weverton Galease


  Piedade era carioca, fez um tour pela cidade maravilhosa antes mesmo de nascer. Seu pai Omar era bairrista de Paquetá, já sua mãe Ara de raízes do samba, era do Andaraí. Omar e Ara se conheceram em Santa Cruz numa festa entre amigos em comum num dos carnavais, desce uma gelada aqui outra ali, ambos acabaram pegando um táxi no auge da noite, e se encaminharam a um motel em São Conrado, queriam se conhecer melhor...claro que a gelada infiltrada no sangue os fez agir assim no impulso.
 
  Ali, naquele belo quarto, os dois começaram a namorar como nunca antes, havia alguns brinquedinhos ali, mas que ficaram de lado, os dois se garantiram tanto que dali pouco mais de dois meses, numa cruzada no Maracanã, Ara disse a Omar que estava grávida, os dois haviam se visto apenas aquele dia de carnaval, mas não se tornaria em um amor de carnaval, Ara não ficou ao abandono, e então Omar a convidou para ir até Botafogo, só pra dar uma volta mesmo, papo vai, papo vem, e não é que os dois começaram a se gostar, isto naturalmente.

  Então, resolveram após outros dois meses a irem morar juntos, ficaram pelas bandas de Paquetá, já que a casa de Omar era própria, o tempo foi passando e no auge dos nove meses de gravidez, nascia na Barra da Tijuca, a menina Piedade.
 
  Omar nunca soube o porque deste nome, que foi escolhido por Ara, e também nunca imaginou que Piedade não era sua filha, pois Ara já estava grávida antes daquela festa de carnaval, apenas usou Omar para se manter na sociedade tão cara em que se vive, pois Piedade não era uma virtude de Ara.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

MICROCONTOS - VERDADE

Microcontos de Gustavo do Carmo




Lá Fora
— A Verdade está lá fora. Disse a empregada. 
— Deixa ela esperando. Estou mais interessada na Mentira da TV. 


Dono
Se achava o dono da verdade. E era mesmo. Só ele tinha direitos para escrever a biografia de um conhecido cantor. Processou um pobre blogueiro. Ganhou a causa.