terça-feira, 1 de dezembro de 2009

EDITORIAL

Este ano, infelizmente, não deu para comemorar os quatro anos do Tudo Cultural no dia 29 de novembro. Eu tive os meus imprevistos, como a enfermidade grave de mais uma tia (no ano passado foi a morte de outra), e os problemas pessoais que enfrento há anos. Meus colaboradores também devem ter tido os seus.
Com toda equipe devidamente perdoada resta anunciar que o Tudo Cultural entra de férias a partir de hoje. Espero voltar durante o Natal e o Ano Novo com contos inéditos temáticos e iniciar a temporada 2010, definitivamente, bem inspirado, disposto e com muitas novidades na terceira semana de janeiro.
Aos meus colaboradores Dudu Oliva, Miguel Angel, João Paulo Simões e Ed Santos, além do único entrevistado do ano, o escritor Jean Wyllys, e a todos que visitaram e comentaram em 2009, agradeço pela dedicação, assiduidade e participação. Feliz Natal e um Ano Novo de muitas realizações.
Gustavo do Carmo

domingo, 29 de novembro de 2009

PRIMEIRA PÉROLA

Por Ed Santos

Algum tempo atrás o Arnaldo Jabor lançou um livro. O título: “Pornopolítica”. Em se tratando de Jabor, normal, ele adora inventar palavras e vez por outra é um tanto polêmico. O Pasqüale está no seu encalço. A minha mulher, professora de Literatura no ensino médio, recentemente pediu pros seus alunos lerem, resumirem, analisarem, criticarem e entregarem digitado e impresso em papel sulfite A4, Arial 12, espaço duplo – que é pra ela poder ver melhor. Dois graus e meio de miopia nos dois olhos. Tudo isso pro próximo bimestre.

Os alunos entregaram os trabalhos e a minha querida e míope professora de Literatura mostrou-se totalmente ansiosa. Até parece que sabia da qualidade dos resumos que os alunos providenciariam. Naquela noite, já deitada na cama ela tira um punhado de folhas avulsas de dentro de um envelope pardo:

- Estou doida pra corrigir isso. Quero ver as idéias deles!

- Marizete! Você vai ler tudo isso na cama mulher?

- Sim senhor. E nem venha me atrapalhar nesse trabalho aqui! Sexo hoje neném, nem pensar! Só um pouquinho de pornô... escrito.

- Mas...

- Nem mas, nem meio mas! Você não imagina a sensação que estou sentindo. Tenho que ter cautela. O resultado dessa correção pode ser um vitalizador e tanto pras nossas noites.

- Não sei o que você viu nesse livro do Jabor. Depois que leu, ficou assim!

- Não é o livro é o título. Você viu a perfeição da palavra? Existe coisa mais original: P-o-r-n-o-p-o-l-í-t-i-c-a! Nooosssaaa!!! O Aurélio deve ter se revirado no caixão.

- Aurélio? Que Aurélio criatura?

- O Buarque de Holanda! Não teve a chance de ouvir algo tão sublime

- Meu Deus. Pirou mesmo!

•••

Na primeira correção...

- Sempre achei esse tal de Otávio um ótimo aluno, vou começar por ele.

“A Pornopolítica tomou conta das nossas vidas, ela se infiltrou em nossa casa através da mídia escrita, falada, rádio, tv e internet. Os homens adoram, mas as mulheres odeiam. No caso das que fazem programas, essas estão sempre preocupadas, pois pra fazer sexo com políticos elas até cobram mais caro.

- Meu Deus, que decepção!

- O que foi Marizete?

- O Otávio nem leu o livro, tenho certeza!

- Xi! Tô vendo que sexo hoje, sem chance!

DIFÍCIL TALENTO - TERCEIRO CAPÍTULO

Por Gustavo do Carmo

Crédito da foto: www.projetomaringa.blogspot.com

Enquanto um assustado Agostino se recompunha do soco que levou, Elielton gritava:

— SEU PILANTRA! EU TE DISSE PARA NÃO MEXER COM A MINHA FILHA!!!

— Mas o que eu fiz?

O pai de Michelle começa a cobrir o ex-amigo de pescoções enquanto dizia:

— E ainda é cínico! Filho da puta!

Quando Agostino se prepara para reagir, tentando devolver o soco, Elielton sacou da cintura da calça uma peixeira e, com ela em riste, ameaçou, entre os dentes:

— Eu vou te matar, seu desgraçado. Mexeu com a minha filha, mexeu comigo!

Os outros peões largaram a obra e correram para assistirem à briga. Agostino tentou se defender:

— Eu não fiz nada com a Michelle! Eu juro pela minha mãe!

— Mentiroso! Você fez sim! Mas eu te ajudo a se lembrar: Você humilhou a minha filha e a deixou chorando!

Um outro pedreiro interveio na discussão e perguntou:

— Que isso, Agostino? Você andou molestando a filha do Elielton?

— Eu não molestei nunguém!

— Eu não falei que você a molestou! Eu falei que você a humilhou! Levou ela para fazer teste de vôlei sem estar preparada e ela foi reprovada. Agora não quer mais jogar vôlei. Está morrendo de vergonha! Chora o dia inteiro!

— Eu só queria ajudá-la! Não fiz por mal!

— Não fez por mal, mas fez errado! Eu e minha família não temos dom para sermos artistas. Se eu que sou pai não gostei de ser humilhado, imagina a minha filha, que só tem doze anos! Você vai me pagar pela humilhação que fez a minha menina passar! Eu fiquei chateado com você quando foi comigo, mas perdoei. Mas com a minha filha eu não perdoo. Finalizou com um golpe da peixeira que acertou apenas o ar, por pouco não feriu Agostino.

Este se cansou das ofensas do companheiro de trabalho mal-agradecido e reagiu desabafando:

— Ah! Quer saber? Vocês são dois ingratos! Realmente eu errei, sim! Errei ao ver um talento que vocês dois não tinham! Passem bem!

Agostino pediu demissão.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

MICROCENA

Por dudu oliva



quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Como remover manchas de ferrugem em selos

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O que a vida deu a vocês, mulheres? Deu-lhes o homem!

de Miguel Angel


(Para ler as partes 1,2,3,4, clique aqui)


A port
a do quarto se abre violentamente e ruidosamente, dele saem Pedro e Sônia, acalorados na discussão.

SÔNIA
E quando segurei o bando do Zeca, pra garantir teu pinote pelos fundos.

PEDRO
Com certeza tu deu pra todos eles! Devia era me agradecer por ter facilitado essa chance.

SÔNIA
Cê tem razão. Até hoje lembro daquela suruba. Tava pensando ligar pro Zeca. Tenho certeza que a turma ia topar. (Ele a segura pelo braço com brutalidade) Me larga!

PEDRO
Então, vai ligar pro Zeca? Não vai fazer isso, não. Sabe por quê? Porque tu não vai prestar mais depois da surra que vai levar.

Ágata levanta com a intenção de interferir, mas antes de dar um passo, a porta do outro quarto se abre e entra Mário; arruma gravata que não existe no colarinho manchado de sangue, como suas mãos e pés. Pedro larga Sônia, Marlene abre os olhos, muda de espanto.

MÁRIO (Desatinado)
(A cada "Tom", muda inflexão, atropelado por emoções diversas)
O que a vida deu a vocês, mulheres? Deu-lhes o homem! Que mais podem querer? (Tom) Não vou permitir, porra! Não é essa a regra do jogo. Não pode me aprontar dessas. (Tom) Eu não comprei ela? (Tom) Ela estava lá, me olhando, tremendo. Pensei que a emoção, que o amor... (Tom) Que medo é esse minha filha? Sorria. É como casamento: sua virgindade é minha juventude. Estou aqui, sangue primeiro. (Tom) Mas não eram lágrimas de medo, eram de ódio! E aquele sangue contaminado agora dentro de mim! (Tom) A vejo naquela brancura da cama, submissa e mentirosa. (Tom) Veio até aqui pra me desgraçar? (Tom) A maldita se vingou em mim de todas suas desgraças. Com a faca da doença maldita ela me usou! Com a minha retalhei tua vida! (Tom) Que será de minha família? Dos filhos? Herdeiros de minhas propriedade. Elas são minhas! Me pertencem! Eles terão que vir comigo, não é mami? Envenenaremos seus milkshake se for necessário, mas virão conosco, aqueles malditos fedelhos! (Tom) Eu tinha poderes para viver um século a mais! Mas, agora? Por que eu, mami? Tem tantos que merecem essa maldição. O mundo todo! Por quê eu?

Ele se joga no colo de Marlene, soluçam. TEMPO. Mário "apaga". Marlene o afaga, compreensiva.

MARLENE
Meu pobre menino. Que foi que eles te fizeram? Tudo bem, meu querido. Já acabou. Vamos embora? As crianças esperam a gente pro jantar. Vamos agora?

PEDRO
Que negócio é esse? Quem pensa que é, essa vaca? Ta querendo ir pra onde?

ÁGATA
Deixa eles irem. De que adianta...

PEDRO
T’amos nesta merda por causa dele e vai deixar assim, de barato? Comigo não, cara-pálida! Esse otário vai ficar aqui até a gente se safar dessa.

MARLENE
Pelo amor do sagrado coração de Jesus! Não vê que este homem está destroçado de arrependimento?

MÁRIO
Estou, estou!

MARLENE
Graças a Deus, a razão voltou nessa cabeça pecaminosa!

PEDRO
Cabeça pecaminosa? Vem cá. Vou te mostrar o que ele fez na “cabeça pecaminosa” daquela putinha lá no quarto! Vem cá.

Pedro vai agarrá-la, Ágata tenta impedi-lo.

ÁGATA
Não precisamos mais gente metida nisto. A dona aí nem sabe onde está. ...

PEDRO
A “dona” dele vai saber o que o "filhinho" faz quando sai pra passear. Te afasta, velha. E tu, santificada de uma figa, vem cá!

Pedro a agarra. Marlene se deixa levar atarantada com a violência. Pedro a empurra quarto adentro, fechando a porta com estrondo. Se posta na frente desta desafiador. TEMPO. Campainha soa. Todos se entreolham. Ágata abre e entra Zelador.

ZELADOR (Tom profissional, mas bisbilhoteiro)
Tava passando perto de sua porta e não pude deixar de ouvir barulhos e gritos provenientes deste apartamento. A senhora sabe, que depois de certa hora é proibido quebrar o silêncio no prédio. O direito ao repouso dos outros moradores é...

PEDRO (Entendendo a intenção do outro de descobrir a verdade)
Repouso? Vou é quebrar o silêncio desta pocilga pra te mandar pro repouso eterno, seu alcagüete de merda!

Pedro avança na direção dele, mas Sônia se interpõe. Pedro se afasta.

ÁGATA
Pode deixar, a gente maneira na bagunça. Estamos comemorando, entende?

ZELADOR
“Mmmsei.”

Canção religiosa se ouve vindo do quarto por onde saiu Marlene. Todos se entreolham.

ÁGATA (ao Zelador)
Taí, a visita "de classe" tá cantando pra Deus! Tá ouvindo? E agora vai dando o fora!

No momento que Zelador sai com cara de incrédulo. Marlene entra vindo do quarto, sem deixar de cantar; suas roupas estão sujas de sangue como suas mãos.

MÁRIO
Cuidado com esse sangue! Tá empestado. Precisa limpar!

MARLENE (Absorta, divagando, recita salmos. Os outros falam por cima, sem ligar para ela)
"Está alguém entre vós aflito? Ore.
Está alguém contente? Cante louvores.
Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do senhor...”

PEDRO (Aumentando o tom) Eu tó fodido! Preciso sair deste hospício. Pela última vez, Sônia. Decide logo.

MARLENE
“E a oração da fé salvar o doente, e o Senhor o levantar ; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados...”

ÁGATA (Quase gritando. Para Pedro)
Você, pode ir. Não precisamos de homens como você!

SÔNIA
Gruda essa matraca e não te mete, velha. Com meus homens eu me viro.

MARLENE
Irmãos, se algum de entre vos se tem desviado da verdade, e alguém o converter, saiba que aquele que fizer converter do erro do seu caminho um pecador salvar da morte uma alma, e cobrir uma multidão de pecados...

Mário permanece junto a Marlene tentando freneticamente limpar o sangue das mãos dela, que continua com o salmo.

ÁGATA
Só sei que quando um homem se manda na pior hora de uma mulher, só pode ter...

PEDRO
Quem tá na pior é tu, velha. Sermão a esta altura do enterro? Já basta aquela pirada! (Para Mário) E esse aí? Não diz nada? Ô, meu, te manca que a coisa tá preta por tua causa, tá sabendo? (Sinalando Marlene) Pára com essa merda aí!

(Pedro tenta chegar perto de Mário, com óbvia intenção de violência, mas ele se joga no colo de Marlene. TEMPO. Marlene ajuda ele se levantar, encontra o paletó, ajuda-o a vestí-lo. Pedro faz menção de detê-los.)

ÁGATA
Deixa ele, Pedro. É melhor assim. Já foram castigados e condenados. Como todos nós, aliás.

PEDRO
Condenado? Eu não, peru! Vou picá a mula deste necró, tá sabendo? E é pra já! Sônia, como é?

Sônia olha para Ágata. Soa a campainha.

MARLENE
Sinos dos Anjos do senhor?

ÁGATA
Anjo coisa nenhuma! É aquele merda fofoqueiro de novo, quer ver?

SÔNIA
O que ele tá querendo?

PEDRO (Levando uma mão na cintura)
Querendo chumbo grosso na bunda, isso sim!

Ágata abre a porta, furibunda. Fica estática de sorriso amarelo.

ÁGATA
Excelência? Hoje? Mas... Mas hoje não é seu dia... "Seu" Inocêncio.

Atrevidamente entra Anjo. Furiosa, baixinha e miúda como uma criança. Atrás dela, Inocêncio. Vestido com elegância rebuscada, muitas gramas de gel no penteado impecável. Olha para as pessoas que não esperava ver, meio constrangido e temeroso.

INOCÊNCIO (Sinalando)
Dona Ágata...Eu. Esta aqui é...

ANJO (Furiosa. Desafiadora.)
-"Anjo de merda?" Foi o que ouvi? Quem foi a perua? Não conheço ninguém neste mocó. (Para Pedro, insinuante) Ou conheço?

sábado, 21 de novembro de 2009

CONVERSAS EM TEMPO DE MSN - V

Por Ed Santos


Brontosaurortiz:: caí.

Cristina_bela: A BOM PENSEI QUE TINHA FECHADO NA MINHA CARA

Cristina_bela: MACHUCOU ?

Brontosaurortiz:: não sei porque, ms tinha certeza absoluta que diria isso.

Cristina_bela: QUAL DAS DUAS FRASES ? JA ME CONHECE !

Brontosaurortiz:: a primeira...

Brontosaurortiz:: depois a segunda...

Cristina_bela: NOSSA!!!!

Cristina_bela: TO MUITO PREVISÍVEL

Brontosaurortiz:: vc sempre foi imprevisível...

Cristina_bela: VC ACHA ?

Brontosaurortiz:: acho.

Cristina_bela: PORQUE ?

Brontosaurortiz:: lembro que quando a gente conversava com mais frequencia, eu esperava alguma palavra e recebia outra.

Cristina_bela: É ? ISSO É MAL ?

Brontosaurortiz:: não chegou a fazer mal, ao menos pra mim.

Cristina_bela: A ENTÃO TA BOM

Brontosaurortiz:: vc tem ciencia disso né?

Cristina_bela: DE QUE NÃO FEZ MAL OU DE QUE SOU IMPREVISÍVEL ?

Brontosaurortiz:: de que é imprevisível?

Cristina_bela: É, ACHO QUE SOU MESMO....

Cristina_bela: ATÉ P/ MIM RS

Brontosaurortiz:: pois é...

Cristina_bela: AI QUE MEDO

Brontosaurortiz:: de que?

Cristina_bela: DE MIM RSRS

Brontosaurortiz:: eu também...rsrs

Cristina_bela: VC ?

Cristina_bela: O QUE EU POSSO FAZER COM VC?

Brontosaurortiz:: é mesmo né? acho que nada.

Cristina_bela: pois é já nunca nos vemos, só se alem de imprevisível eu ficar descontrolada kkkkkkkkkkkk

Brontosaurortiz:: se nos víssemos sem segurança eu correria algum risco?

Cristina_bela: não sei sou imprevisivel rs

Cristina_bela: tbm, vc tem medo ...

Brontosaurortiz:: apenas nunca corri o risco.

Cristina_bela: é.