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terça-feira, 2 de junho de 2020



Ele pegou o dinheiro que Helen havia lhe dado pela televisão e desceu as escadas em direção ao apartamento da síndica.
Bateu na porta.
A senhora abriu a porta e o olhou com cara de poucos amigos.
- Bom dia, dona Teresa. Como vai a senhora?
Ela levantou as sobrancelhas um pouco.
- Hummm.
- Bom, bom, ele disse.
Entregou o dinheiro a ela.
- Aqui. O dinheiro do restante do aluguel.
Ela pegou. Contou. Colocou na prateleira próxima a porta.
- E o desse mês?
- Então, tô providenciando.
- Hummm.
Ficaram em silêncio durante um tempo. Ele desviou o olhar.
- Então... Eu já vou indo, deixar você com os seus afazeres.
Ele ia saindo. A velha ficou olhando ele.
Então ele parou. Deu meia volta.
- A senhora não.... Hã... Sabe de alguém que está precisando pra trabalhar não? Qualquer coisa.
Ela ficou pensando.
- Trabalha bem?
- Opa, claro.
Ela olhou para o teto, como se procurasse alguma coisa.
- Eu estou precisando de alguém para limpar os corredor. A mulher que limpava foi visitar a mãe doente no norte e só vai voltar daqui a duas semanas. E precisa pintar o corredor do térreo também.
- Claro, claro, faço sim. Eu mesmo que pintei o apartamento quando eu entrei. Pode ficar tranquila.
Ela ficou encarando Augusto.
- Hummm... Eu pago 80 pra mulher. Tá bom pra você?
- Tá ótimo, dona Teresa.
- E 80 também pela pintura.
Só 80 pela pintura?, pensou. Mas não podia recusar.
- Sim, sim, pode comprar a tinta.
Ela olhou para o teto novamente.
- Então tá. Hoje eu compro a tinta. Quando chegar eu te aviso.
Augusto saiu dali contente pra caralho por dentro. Mas não deixou transparecer. Era um profissional.


Último capítulo do conto de Lucas Beça


Primeiro capítulo
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segunda-feira, 1 de junho de 2020



Conto de Gustavo do Carmo

Honório tinha seis anos quando começou a acreditar que o pai era o seu super-herói preferido. Desenhava-o, muito bem, com corpo musculoso e armadura do Super-Homem.
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terça-feira, 26 de maio de 2020



Augusto estava mal. Tossia a cada cinco minutos. A garganta arranhava. O nariz escorria. O corpo estava todo dolorido.
Um amigo tinha vindo sábado à noite para assistir um filme e passou gripe para ele.
Tinha deitado na cama e se coberto. Na cabeceira um copo de água, para amenizar a irritação da garganta. Não adiantava muito.
O celular tocou. Mensagem.
Lentamente ele pegou e desbloqueou o celular.
--Tudo certo pra hj a noite?--
Era Helen. Era pra ser o segundo encontro deles.
--Acho que não vai dar. Tô meio mal. Gripe--
--Putz. Que droga--
--Pois eh--
Os três pontinhos dela ficaram se movimentando por alguns segundos.
--Eu tô indo ai--
Ele escreveu que ela não precisava.
--Daqui a pouco eu tô aí--
Ele se rendeu.
---Tomou alguma coisa?--
--Nao.---
Ele pensou melhor.
--Vinho conta?---
Embaixo ele colocou um kkkkkkk.
--Seu bobo--
Ele esperou ela completar.
--Jaja eu chego
Bjs--
Ele colocou o celular sobre a cômoda novamente.
Agora teria que sair da cama para atender a porta.


Quarto capítulo do conto de Lucas Beça


Primeiro capítulo
Próximo capítulo
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quinta-feira, 21 de maio de 2020


João Paulo Mesquita Simões




Vê-se, na Internet, sobretudo em páginas do Facebook, muita gente a vender selos.


Uns são filatelistas que querem vender ou trocar algumas das suas coleções por outras, outros são pessoas que herdaram uma coleção de selos e, como nunca colecionaram nem sabem o que lhe hã de fazer, colocam à venda, por vezes com preços irrisórios.
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terça-feira, 19 de maio de 2020



Ela apertou o interfone.
- Oi, é... Sou amiga do Rafael, ele falou que você tá vendendo uma TV...
- Sim, sim. Pode subir.
Ele ficou um pouquinho nervoso. Aquela mulher estaria em seu apartamento em alguns segundos. E ele ali, com uma camisa velha, e moletom.
Deu alguns socos no saco de pancada. Foda-se, pensou.
Ele abriu a porta. Ela o cumprimentou. Viu que tinha um piercing no nariz.
- Você é o Augusto, né?
- Isso, isso. Disse, apertando a mão quente dela. Pode entrar.
- Brigada.
Ela deu um risinho.
- Que legal, você luta.
Ele não entendeu se foi uma pergunta.
- Naah, só brinco de vez em quando.
Ela encostou a mão na lona. Deu um soquinho.
Ele viu a bunda de perto. Era linda. Ela usava uma calça preta justa.
- Eu também lutava. Mas sério.
- Ah...
Era só o que conseguia pensar.
Ele estava hipnotizado.
Ela se virou. Ele desviou o olhar. Ela sorriu. Em um dos caninos estava outro piercing.
- Ah, é... Você quer alguma coisa, café, água...?
- Um cafezinho, pode ser.
- Ok.
Augusto deu alguns passos e já estava na cozinha. Pegou uma caneca do armário.
- Você é a...
- Oi?
- Seu nome?
- Ah, é Helen. Desculpa.
- Sem problema. Helen é um nome bonito.
- Sério? Essa é a sua jogada?
Ele ficou sem graça. Esqueceu onde ficava a cafeteira por alguns segundos.
- Não, eu só...
- Relaxa.
Ela sorriu e andou até a TV.
Ele colocou café na caneca.
- Açúcar?
- A-hã. Uma colher só.
Ele ouviu a TV ligando.
Levou a caneca até ela.
- Aqui.
- Brigada.
Ela tomou um gole.
- Então essa é a tal?
- Essa mesmo.
Ficaram olhando.
Era uma TV de tubo, de 29 polegadas.
- Quanto você tá pedindo?
- Quatrocentos.
- Mesmo? Tudo isso?
Ele olhou para ela.
- Quanto você acha que vale?
Ele sentou-se no sofá. Ela cruzou os braços, analisando a TV.
Helen fez biquinho antes de falar.
- Ah, sei lá, uns duzentos.
Ela tomou mais um gole de café. Olhou para ele, que disse:
- Só duzentos?
- Ah, é uma velharia. Deve ter uns vinte anos.
- É, mais ou menos.
Ela se sentou no sofá. Olhou para Augusto.
- E então, qual é a sua contraproposta?


Terceiro capítulo do conto de Lucas Beça


Primeiro capítulo
Próximo capítulo
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segunda-feira, 18 de maio de 2020




Por Gustavo do Carmo

Apaixonado por Sônia, Rangel confidenciou:

— Sonhei que eu me casei com você e nós tivemos três filhos.

O rapaz levou um tapa humilhante na cara. Ouviu a amada reclamar:

— Isso é para você aprender que sonhos ruins não se contam. Foi assim que o meu pai, supersticioso fanático, me ensinou.  

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terça-feira, 12 de maio de 2020


Helen estava emburrada. Olhava para fora, na janela do ônibus. Mais um dia.
Mais um dia perdido por um salário e meio que não dava pra mais nada.
Os olhares dos homens para ela quando ela entrava no ônibus a aborrecida. O barulho do ônibus. A senhorinha da esquina onde ela trabalhava havia lhe dito que ela precisava sorrir mais. Isso a deixou mais puta ainda. Nada aliviava as merdas do dia a dia. Não tinha ninguém em sua casa velha quando chegava.
Não tinha mais amigos. E isso se deve a algo que ela fez no passado.
Sua culpa. Que ela pagasse o que deveria pagar.
Desceu do ônibus e passou pela senhorinha filha da puta. Esse seria seu último dia trabalhando ali. Logo logo estaria com a sua loja, como sempre quis. Faria isso nem que fosse dar errado. E não daria. Ela não iria deixar que isso acontecesse.


Segundo capítulo do conto de Lucas Beça


Primeiro capítulo
Próximo capítulo
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segunda-feira, 11 de maio de 2020

Microcontos de Gustavo do Carmo



Filhos da Revolução
Eram os filhos da Revolução. Se tornaram caretas só para se rebelarem contra a mãe.


Braços abertos
Foi recebido de braços abertos e quatro pedras na mão pela mãe do amigo morto que ele tinha esnobado. 
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quinta-feira, 7 de maio de 2020



João Paulo Mesquita Simões



A UNESCO distinguiu a Língua Portuguesa.

O dia 5 de maio, passa a ser, a partir deste ano, o Dia Mundial da Língua Portuguesa.
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terça-feira, 5 de maio de 2020


Ele tinha marcado de se encontrar com a mulher na porta do prédio do seu apartamento. Não sabia como ela era. Tinha perguntado a um amigo se ele não conhecia alguém que estava precisando de uma televisão. Ele estava vendendo a sua.
O amigo então lembrou-se de uma amiga que estava abrindo uma loja e precisava de uma.
Ele tomou o seu café. Olhou pela janela. Havia pouco movimento na rua. Era umas seis e meia.
Não costumava acordar cedo. Mas esse era o único horário que ela poderia ir ver a tal televisão.
Estava com sono. Havia dormido pouco. Acordou no meio da noite com uma ambulância passando a toda na rua e não conseguiu mais pegar no sono.
Tomou mais uma caneca de café. Talvez fizesse efeito, pensou. Pegou um pedaço de pão de forma quase duro, seco e passou margarina. Queria um café dos deuses. Com bis, cereal de chocolate, presunto e queijo e tudo mais, mas não podia se dar ao  luxo. Era por isso que estava vendendo a televisão. Precisava de dinheiro. Pagar umas dívidas, sair da forca.
E além do mais, não assistia TV mesmo.
Levantou-se da mesa, que ficava na sala, ao lado da janela e foi até o aparelho. Ligou-o. Para ver se ainda estava funcionando. Estava. Apareceu uma rodovia. A voz de uma repórter dizia algo sobre os números de mortes no período, que tinham aumentado.
Desligou. Pronto. Não ficaria com cara de bobo caso a TV não funcionasse.
Voltou à janela. Debruçou-se. Viu uma mulher na sarjeta. Um homem passou por ela. Ela pediu dinheiro. Ele fingiu que não era com ele. Parecia bêbada ou drogada. No mínimo bêbada.
Atravessando a rua, a uma outra mulher chamou sua atenção. Tinha um belo par de peitos, e uma bela bunda também. Estava um pouco acima do peso, mas não era ruim.
Ela desapareceu debaixo do toldo do portão do prédio.
O interfone tocou.
Era ela.


Primeiro capítulo do conto de Lucas Beça


Próximo capítulo
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