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terça-feira, 23 de julho de 2019


- Levanta desse sofá, pelo amor do caralho de--
- Opa! Aí não – disse Joca, o Leão, que estava esparramado no sofá do meio. Ele tinha segurava o controle remoto da TV, que usava toda vez que as propagandas começavam. Com a outra mão ele alisava sua juba.
- Ah, falou o que ganha dinheiro matando gente! Virou religioso agora?
Joca resolveu não comprar a briga. Voltou a sua atenção para a televisão. Ela ficava irritava por qualquer coisa, mas aquilo já estava passando dos limites. Seu irmão estava no outro sofá, pernas cruzadas sobre a mesa de centro e o notebook no colo.
- Uma semana! Uma semana. Você levanta, toma café da manhã, vai pro computador, almoça, volta pro computador... Todo dia! Porra, vai ficar desse jeito até quando?
O irmão desviou os olhos de peixe morto para ela.
- Você ia ficar mais feliz se eu levantasse, saisse e ficasse o dia inteiro num café, longe dos seus olhos? Eu não ia estar fazendo a mesma coisa? Hã?
- Ah, cala a boca! Você me dá nos nervos! Puta que pariu!
- Eu é que pago as tuas contas, então não me enche o saco.
- É, aplicando golpe na internet. Meus parabéns!
- Ué, quer que eu volte a matar gente com o Joca? Porque eu volto.
- Ah, não, aí você é que ia voltar a me encher o saco – Joca não se conteve.
- Não, é que... – ela deixou sua voz sumir e sentou-se no sofá, ao lado do irmão.
Ele voltou sua atenção à tela do computador.
- Eu vou sair pra beber. Quer alguma coisa?
- Não, não...
- Quer ir junto? Hein, Joca?
- Humm, tá, deixa eu pegar o óculos a gente já vai.
Ele se levantou e foi para o seu quarto. Voltou de lá com um dos seus óculos escuros gigantes.
Na rua, andando em direção ao bar mais próximo, o qual eram fregueses fiéis, ela tentou quebrar o gelo.
- E então?
- O quê?
- Nada, só querendo jogar conversa fora.
- Humm, então tá. Deixa eu ver... Acho que eu vou parar com essa vida, sabe... De mercenário. Parar de matar.
- Por quê?
- Ah, eu já tô num ponto em que eu tenho dinheiro suficiente que se eu parar hoje eu não preciso mais trabalhar pelo resto da vida--
- Ei, então por que você não paga aluguel?
- Ah, para com isso. O teu irmão deixa eu morar lá pelas mil e uma vezes que eu salvei a vida dele.
Ela fez uma careta, mas deixou passar.
- Então, o que você vai fazer da vida?
- Sei lá... Vou viver um dia de cada vez. Que nem os alcoólatras.
Ela riu.
Entraram no bar. Pediram duas garrafas e se sentaram numa das mesas no fundo.
- Mas e você?          
- O que tem eu?
- Não tem nada que você queira fazer da vida além de apurrinhar eu e o seu irmão?
- Ah, vou fazer o quê? A gente tá bem e... É isso. A vida é isso mesmo. Ou sei lá, virar um maluco obcecado por trabalho que só para pra viver depois dos 60 anos, se aposentam e aí voltam a trabalhar por que não sabem o que fazer da vida além daquilo – ela parou um pouco. Tomou um gole de cerveja e continuou. – Talvez eu volte a viajar. Desde aquele mochilão pela Europa eu nunca mais saí da cidade.
- Ei, talvez eu te acompanhe.
- É, pode ser.
Os dois já tinham um histórico juntos com várias separações e reconciliações. No momento estavam dando um tempo. Sem rótulos. Sem nada pra fazer.


Conto de Lucas Beça
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segunda-feira, 22 de julho de 2019


Conto de Gustavo do Carmo

Pedro dá um caloroso abraço no pai, Seu Henrique. Eles se sentam à mesa. Ficam frente-a-frente. Henrique, um senhor de setenta anos, cabelos brancos e ralos, pele morena enrugada, principalmente nos olhos cansados, entrega uma carta amassada ao filho:

— Chegou esta carta para você. Eu nem quis ler.

— Mas ela está aberta.
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quinta-feira, 18 de julho de 2019

João Paulo Mesquita Simões


A 29 de maio, comemorou-se o centenário do eclipse solar, visível em Sobral (Brasil). São-Tomé, e Lisboa.
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terça-feira, 16 de julho de 2019



- 77
Eu dei a ideia para que fizéssemos uma festa de aniversário a dois. Apenas eu e ela.
Um jantar romântico, alguma coisa desse tipo.
Dei argumentos também:
1º) Minha mãe odiava festas. E ela não viria pra cá só por conta de uma festinha de aniversário idiota. Essa é a minha mãe.
2º) Os pais dela também não fariam esse esforço.
3º) Quais outros amigos eu tinha, além de você, do Robinson, do meu ex-chefe e... bom, só vocês.
Ela disse que iria pensar no meu caso.


- 78
Tenho ido às reuniões frequentemente. Não falto nenhum dia.
Obviamente, há alguns dias em que a vontade de fumar cresce, mas eu tento me lembrar das histórias dos meus colegas e ela passa.
Às vezes tenho que chupar uma daquelas pastilhas.
Em último caso, se a vontade é muito grande, eu saco o tal cigarro eletrônico, e parece que o meu cérebro muda ao ver o formato do cigarro, mesmo que não tenha o mesmo efeito.
E sim, eu sei que você faria uma piadinha sobre o que eu acabei de escrever.
Eu conheço você.


- 79
Hoje eu tive um dia tranquilo. Acordei, fiz café, eu e a Karen comemos e fomos para a loja.
Ao meio-dia ela saiu para ir almoçar. Depois que ela voltou, eu fui e ficamos abertos até às seis.
Passamos no mercado e compramos um pacote de salsichas para fazer cachorros-quentes. Ao chegarmos em casa, colocamos as salsichas para cozinhar. Ela foi tomar banho e eu arrumei a mesa.
Jantamos, eu fui tomar um banho e então pegamos um DVD da pilha com centenas de títulos e assistimos. Até que era um filme mais ou menos.
Depois que o filme acabou ficamos zapeando os canais por um tempo até que ela ficou com sono e foi dormir.
Eu peguei uma das folhas em branco e comecei a escrever esta carta.
Essa é a minha vida agora.


- 80
Eu fiquei sabendo que o Robinson está internado em uma clínica para reabilitação voluntária por um conhecido que apareceu lá na loja.
Peguei o endereço com o homem. Não era longe. Como o movimento estava pouco, Karen ficou tomando conta da loja e eu fui até lá.
Porém ao chegar, uma das funcionárias disse que ele não estava em condições de receber visitas.
“Talvez em alguns dias”, ela me disse.


Parte 20 do conto de Lucas Beça
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segunda-feira, 15 de julho de 2019



Conto de Gustavo do Carmo

Caminhava com a esposa, Mariana, na rua do bairro de subúrbio onde moravam. Como sequela de um acidente de automóvel aos 17 anos, se apoia mancando em uma bengala desde então.

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terça-feira, 9 de julho de 2019






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segunda-feira, 8 de julho de 2019


Microcontos de Gustavo do Carmo



Derby
Depois da vitória emocionante no Derby, o cavalo ficou esquecido na chuva. Os tratadores correram para retirá-lo.


Louros
Deitou em cima dos louros. Foi a única coisa que sua amiga Vitória achou para ele não dormir no chão depois que perdeu tudo o que tinha.
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quinta-feira, 4 de julho de 2019

João Paulo Mesquita Simões



Beber chá, é tido como um evento social.

Historicamente, o uso do chá como erva para curar maleitas, ajudar a despertar, não é clara.
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terça-feira, 2 de julho de 2019






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segunda-feira, 1 de julho de 2019


Gustavo do Carmo

Somente aos quinze anos Michel descobriu quem era a sua mãe. Foi criado pelo pai, Roberval, funcionário público, enquanto ela, Yvonne, jornalista, viajava o mundo como correspondente internacional de uma emissora britânica de televisão.

Quando começou a namorar Roberval, Yvonne era apenas uma repórter de jornal local e ele um imaturo dependente do dinheiro do pai. Quando engravidou de Michel, obrigou o namorado a fazer um concurso público ou arrumar um emprego. Roberval estudou e foi aprovado na Caixa Econômica Federal. Casaram-se antes do bebê nascer. Antes de Michel completar quatro meses de vida, Yvonne foi transferida para São Paulo, ainda de licença-maternidade.

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