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terça-feira, 19 de março de 2019



- 41
Humm, eu escrevi 41 e me lembrei da música #41 do Dave Matthews Band que você sempre tinha em alguma playlist, ou em algum CD.
Até esqueci o que eu ia escrever.
Talvez amanhã eu lembre.


- 42
Sai com a Karen.
Acho que você ia gostar dela.
Ela é muito simpática, gentil e até que bonita.
Tomamos um café em uma padaria e comemos um x-salada cada.
Ela disse que gostou e se divertiu bastante.
Que adoraria sair comigo outra vez.
Antes de nos separarmos eu me aproximei e dei um beijo suave em sua boca. Ela sorriu.
Ela sorriu.


- 43
Hoje o meu chefe me disse que vai mesmo fechar a locadora. Em no máximo dois meses ele estará em alguma praia descansando.
Vamos abrir normalmente até o final do mês porque o aluguel já está pago e vamos avisar os clientes do “encerramento de atividades”. Essa é a mensagem oficial, ele disse.
No próximo mês os DVDs vão ser empacotados e levados para o meu apartamento. Segundo ele, não quer mais ver uma capa de DVD na frente dele por um bom tempo ou mesmo assistir qualquer coisa.
As últimas contas vão ser acertadas e eu estarei dispensado.
Como se isso fosse nobre, como um soldado voltando da guerra.
Ele me falou que se eu quiser posso abrir o meu próprio negócio, tem um salão pequeno do lado da locadora que ele conseguiu pela metade do preço pra mim. Eu poderia vender os DVDs e os livros e revistas que ele também vai se desfazer.
Ou eu posso trabalhar como gerente no supermercado do irmão mais novo dele.
A decisão é minha.


- 44
Eu e a Karen meio que começamos a namorar. Ela até está ajudando a empacotar os DVDs.
Ela acha que eu devia tentar montar o meu próprio negócio. Até porque, se eu não conseguir manter, a vaga no mercado está assegurada.
Acho que vou fazer isso mesmo.
Agora o apartamento está menos silencioso. Mas não é a mesma coisa sem você.
Não mesmo.


Parte 11 do conto de Lucas Beça
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segunda-feira, 18 de março de 2019



Conto de Gustavo do Carmo

Eram casados há quase vinte e cinco anos. Prestes a comemorem bodas de prata. Tinham dois filhos gêmeos adolescentes. Mas não faziam sexo há um ano. Na última vez foi de luz apagada. E Fabrício não gostou.

Arianna estava macia demais. E seus seios estavam muito espalhados quando deitada e finos demais quando em pé, mais parecendo um saco vazio. Aliás, quando ela ficava por cima, Fabrício sentia falta de ar. Quando acordava, já iluminado pela claridade do dia, se assustava com a sua aparência. Arianna estava ficando obesa e seu rosto já a identificava como tal.
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quinta-feira, 14 de março de 2019

João Paulo Mesquita Simões


Neste dia, é lançada a obra de poesia épica de Luís Vaz de Camões, considerada por excelência, a "epopeia portuguesa".

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terça-feira, 12 de março de 2019



- 37
Hoje eu fui na minha primeira reunião com os outros viciados.
É bem simples, você compartilha e ouve o que os outros compartilham. Talvez isso te motive. Estou sem fumar faz quatro dias. E está sendo um perrengue.
Lá tem várias figuras, mas o mais estranho é o cara viciado em beber água.
Sério, água. Na verdade eu não devia estar tirando sarro disso. O cara tem tanto descontrole que ele bebe e bebe água a ponto de passar mal. Já chegou a ir pro hospital por isso.
Essa manhã eu me livrei do último maço que eu tinha aqui em casa, dentro de uma gaveta.
Um dia de cada vez.


- 38
Tirando o som da televisão, aqui em casa é um completo silêncio.
Eu sinto falta da sua voz.


- 39
Eu não tenho mais ido visitar você porque eu não aguento mais te ver definhando naquela cama de hospital.
Desculpe, mas não dá.
Toda vez que eu entro naquele quarto, com aquele cheiro que todos os hospitais têm, e vejo você lá, cada vez mais magra, os braços imóveis, o rosto desidratado, o tubo na sua garganta, a máscara de oxigênio, o fraco barulho do batimento cardíaco que sai dos aparelhos, os soros que entram pelas suas veias...
Eu consegui por um tempo, mas acho que não dá mais.


- 40
Uma das clientes me chamou pra sair, acredita? O nome dela é Karen. Ela tem cabelo curto, loiro, sempre veste jeans e uma blusa com capuz. Parece tímida, fala pouco, mas hoje ela me chamou pra sair com ela.
Deixou o número e disse pra eu ligar pra ela hoje.
O que você diria pra mim? Será que eu devo ligar? Não estou muito no clima de encontro, ou só um café, ou seja lá o que for...
Não tenho ninguém mais com quem conversar, a não ser você, que não pode responder.
O meu chefe? O Robinson? A minha mãe? Meu Deus, quantas poucas pessoas eu tenho na minha vida. E você era a mais especial.
Que merda.


Parte 10 do conto de Lucas Beça
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segunda-feira, 11 de março de 2019


Microcontos de Gustavo do Carmo



Desajeitado
Era tão desajeitado que, quando foi abraçar a esposa grávida, apertou sua barriga e provocou o aborto do que poderia ser seu único filho.


Notícia
Corria atrás da notícia. Mas a notícia corria dele. Só dava barrigada.

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quinta-feira, 7 de março de 2019


João Paulo Mesquita Simões

Artefactos de cartão, pano, cera, ou plástico, representam a cara ou parte dela, com o intuito de cobrir o rosto para disfarce da pessoa que a usa.

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quarta-feira, 6 de março de 2019

Seja bem-vindo! Venha, venha, eu vou te apresentar o local. Sinta-se em casa. Só tenha cuidado com o chão, pode estar um pouco escorregadio, ou pegajoso.
Esse cheiro é bastante peculiar, não é? É uma mistura de fluídos corporais com açúcar. Você pode sentir um certo enjoo no início, mas não se preocupe, ele vai passar. O olfato humano se acostuma facilmente com odores, sejam eles quais forem. Você sabia que nosso nariz pode sentir até 10 mil tipos de aromas, mas ele ainda luta por um único cheiro e nossa capacidade olfativa é reduzida enquanto envelhecemos? Curioso, não é?
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terça-feira, 5 de março de 2019



- 33
Eu fui pra São Paulo.
Não quero falar sobre minha visita na casa da minha mãe. Você conhece ela. Sabe como ela é.
Mas uma coisa aconteceu.
Eu estava no metrô e uma mulher entrou pedindo esmola. Ela dizia como a vida estava difícil, que estava sem emprego, os filhos estavam passando necessidade, etc. e tal...
Várias pessoas deram moedas, algumas até notas. Eu tinha um sanduíche que eu tinha feito pra comer na viagem, mas não tive fome, então não comi. Resolvi dar o sanduíche para a mulher.
Ela chegou perto de mim, eu tirei o lanche da mochila, estendi a ela e disse: “Olha, eu tenho esse lanche que eu não comi. Pode levar.” Ela olhou pra mim com uma cara de desdém e falou: “Mas você não tem dinheiro, não?”
Eu fiquei estupefato. Não sabia o que dizer.
O trem parou e as portas se abriram. Ela disse: “Tá bom”, e pegou o lanche da minha mão de má vontade e saiu.
As pessoas que estavam vendo a cena desviaram o olhar quando eu olhei pra elas.


- 34
Decidi que vou parar de fumar.
Comprei um daqueles cigarros eletrônicos e uma caixa de pastilhas.
Achei até um grupo para viciados aqui na cidade. São viciados de vários tipos, mas só de álcool pra baixo. As reuniões dos viciados em drogas pesadas são em um grupo diferente.
Tomara que dê certo.
Você sempre insistiu para eu parar. Dizia brincando que esse era o meu único defeito.


- 35
Eu não consegui arrumar um martelo, então eu comprei um suporte e deixei o quadro de pé na minha mesa.
Te ver ali, sorrindo, me deixa um pouco feliz.


- 36
O Robinson parou de ligar depois que eu contei pra ele que eu estava escrevendo essas cartas.
Ele disse que eu estava ficando louco e simplesmente foi embora.
Me arrependo até o último foi de cabelo por ter contado isso a ele.
Idiota.


Parte 9 do conto de Lucas Beça
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segunda-feira, 4 de março de 2019


Conto de Gustavo do Carmo

Em uma viagem a Londres com a irmã e o cunhado, Ariel conheceu Audrey, uma bela inglesa ruiva de seios fartos, aspirante a modelo, que já fez alguns ensaios de calcinha e topless, que não lhe deu muito dinheiro. Por isso, para se sustentar, trabalhava como garçonete no restaurante do hotel onde o turista brasileiro se hospedou.
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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019



João Paulo Mesquita Simões





Por Decreto de 25 de fevereiro de 1869, era abolida a escravatura em todos os territórios de Língua Portuguesa.
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