quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018



por Miguel Fernandez (in memoriam)


Mas, paulatinamente, os intervalos daqueles chiliques foram encurtando e o que antes se manifestava por meio de triviais alterações de comportamento – como perder por instantes a noção de quanto o cercava ou responder absurdos a perguntas banais – provocando zombarias entre fregueses e agregados –, transformou-se na ênfase de um generalizado estremecimento corporal no meio de uma noite que despertou aterrorizada a tia, deitada a seu lado. Esta senhora, agreste iletrada e nada afeita em complicados, bastando-lhe saber que toda massa de pão resulta da mistura de farinha de trigo, água e fermento e o lucro de sua venda chegar a mais de 100% do investido, na essência de todo e qualquer fenômeno inexplicável, haverá, para tudo elucidar indiscutivelmente, o misticismo; destarte, o primeiro consultado a descobrir o cerne, foi o padre domingueiro que, numa breve observação, afiançou tratar-se de artimanhas do demônio. Porém, devido à continuidade dos acessos convulsivos, o segundo consultado – a muito rogo e custo, não em reis, mas em convicção –, foi um médico que após sucinta análise, diagnosticou a mesma doença acolhida por Martinho Lutero – com tamanha maldição, que a somou ao inventário das pestes rogadas à Igreja Católica, entre sífilis, escorbuto, lepra e carbúnculo -, com o insinuante codinome latino de morbus demoniacus: epilepsia.


Quiçá por menos mórbido ou demasiado antigo, o epíteto dos egípcios fora sepultado com suas múmias: Nesejet: doença enviada pelos bons deuses. No entanto, a versão escolhida e difundida aos quatro ventos pela santíssima e supina ignorância, foi a estigmatizada por Lúcifer, Belzebu, Lusbel, Satã ou Asmodeu, entre os cristãos. Exu, Leba e Cariapemba, entre os orixás; Jurupari, Anhangá e Caipora, para os ameríndios.


E para D. Adelaide, o diagnóstico clínico não passava da opinião de quem não entende de possessões, e pôs um fim a suas considerações em compartilhar leito e volição, provocando o distanciamento, que se alargou até um habitáculo adaptado às pressas nos fundos do sobrado, onde o jovem instalou-se de cama propriu, a ocultar dos serventes e clientes da padaria, as possessões satânicas que ela apostava seu sobrinho ser receptor. Mesmo submetendo-se às subsequentes e aterradoras mandingas mandadas realizar pela viúva galega, os acessos continuaram incólumes às feitiçarias e benzas. Acabando por abrir mão da empreitada que o exorcizaria devolvendo-o à sua cama e ao balcão da padaria, D. Adelaide, derrotada pelo suppositum posseiro, substituiu o vazio do leito pela renúncia.



Encafofado no meio de esquecidas plataformas de madeira e formas de pães, repletas de aranhas nos seus recônditos, engolfado entre sacos de farinha, passou-se o trajeto da puberdade durante o qual, com pavor de ser enviado para alguma prisão, asilo ou lazareto, destino de muitos dos portadores da mesma síndrome, esquivou-se de situações que pudessem precipitar um ataque em público. Como decorrência, seu interesse em descobrir origem e cura tornou-se impulso cada vez mais persistente e aflitivo...

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() Do capítulo: "No resumo dos antecedentes hereditários, gestacionais
e obstétricos do Dr. Fernando Garcia", extraído do romance "Moscas e Aranhas de Guerra" de Dalton W. Reis
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terça-feira, 27 de fevereiro de 2018


Cobalto é um homem pobre que está andando pelas ruas. Ele é pobre e isso não é motivo para ele viver sua vida de forma miserável. É apenas um fato. Seu nome é Cobalto, e nunca ele soube o porquê de ter esse nome. Sua mãe se recusava a dizer, falando que estaria escrito em seu testamento e aí então ele poderia lê-lo quando ela morresse. O testamento era uma folha de caderno escrita à mão escondida dentro da gaveta de calcinhas.

Ele anda tranquilamente, até que vê, no chão, uma nota de 10 reais. 10 reais! Mas que felicidade, Cobalto! 10 reais! Ele não faz cerimônia alguma. Dá um mergulho em direção a nota, para que ninguém mais a veja ou que o vento a leve embora. As pessoas em sua volta sentiram um pouco de desconforto com aquele homem sem graça pulando e esticando os braços a algo no chão, mas em poucos segundos voltaram a encarar o destino, indo pra cá ou pra lá.

Mas o vento acha que seria mais legal que ele fizesse algum esforço para conseguir aquela nota de 10 reais. Ela voa na direção da rua. Ele vai atrás. Um carro vem a toda velocidade. Cobalto pega a nota nas pontas dos dedos e por pouco não é atropelado.


Ele segura a nota bem firme, para que não escape e tira a sua carteira velha do bolso. Tinha aquela carteira há mais de 20 anos. Estava caindo aos pedaços. Ele olhou para o outro lado da rua e viu uma loja de um e noventa e nove. Uma daquelas em que hoje em dia a maioria das coisas não custa um e noventa e nove. Atravessou e entrou na loja.

Saiu da loja com uma carteira nova, e a felicidade estampada no rosto.
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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018


Crônica de Gustavo do Carmo

Já começo dizendo que sou de direita e vou votar no Bolsonaro. A não ser que apareça outro candidato mais linha dura contra a violência urbana no Brasil. No entanto, por mais hipócrita que esteja parecendo aqui, não gosto de falar de política.

Além de motivar brigas desnecessárias por causa de opiniões divergentes (e eu mesmo sou esquentado e reconheço que não tenho paciência para debater), o assunto é muito chato. Só assisto a noticiário político quando tem algum fato novo. Me dá nojo. Ainda mais quando ouço alguém defendendo o Lula. 

Aliás, me dá raiva desse pessoal otimista com a prisão desse safado, que não vai ser preso nunca! Às vezes, até as opiniões de direita também me enchem o saco, para ser mais justo.

Discutir política faz mal para a saúde. Psicológica e física. Estraga amizades e casamentos. Pode até provocar uma morte. Sei muito bem que é preciso conhecer o candidato certo e honesto e votar com consciência. De preferência, sem revelar para ninguém (mesmo assim, acabei revelando) e sequer influenciar.  

Gosto, sim, de ficar relembrando as eleições passadas, tentar lembrar todos os candidatos eleitos nos últimos pleitos para prefeito e governador do Rio e São Paulo e presidente da República e acompanhar a marcha da apuração no dia da eleição. Só isso. Fora de época, prefiro conversar sobre outro assunto. 
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domingo, 25 de fevereiro de 2018

CONVIDADO DO MÊS - Poeta Álvaro Alves de Faria*




         AQUELE HOMEM

Sou aquele homem que não voltou,

que saiu de casa ao amanhecer

e se perdeu para sempre.



Sou aquele homem da fotografia na parede

da casa fechada por dentro.



Sou aquele homem que inventou a tarde,

mas não viu anoitecer.

Sou aquele homem que se perdeu sem saber.



Aquele que não soube nunca,

sou aquele que não soube.



Sou aquele homem que desapareceu,

aquele que acreditou,

e ao se ausentar de si mesmo

sentiu o vazio absoluto de todas as coisas.



Sou aquele homem que se foi

e quando pensou em voltar

não tinha mais tempo,

era tarde demais.



Sou aquele homem que se desfez

depois de enlouquecer

e enlouquecido

tentou refazer o seu destino.



Sou aquele homem que engoliu

um rio

e se afogou adormecido.



Aquele que falou sozinho

diante do espelho

se vendo do avesso.



Sou aquele homem que falava com as pedras

palavras desesperadas

que saltavam da boca

como gafanhotos doentes.



Aquele homem que conversava com os santos

numa igreja sem portas

e que dizia silêncios

em sílabas de gesso.



Sou aquele homem

que enfiou um punhal no coração

como um poeta romântico do século 18.



Sou aquele homem quase lírico

que chamava os pássaros

para uma ceia de sementes.



Aquele homem que rezava

com os anjos expulsos do céu,

sem saber que eu estava

expulso de mim.



Sou aquele homem que amou 30 mulheres

e matou-se por amor 29 vezes.



Sou aquele homem que ao jogar xadrez

fugiu com a Rainha

para um castelo medieval.



Aquele que diante de Deus

pediu para ser destruído,

mas como castigo deixou-me viver mais.



Sou aquele homem que amou

mulheres de porcelana,

com sexo de porcelana,

boca de porcelana,

beijo de porcelana,

língua de porcelana.



Sou aquele homem de porcelana
que se quebra como uma xícara

que cai da mesa.



Sou aquele homem que saiu para dar uma volta

e esqueceu de regressar.


*ÁLVARO ALVES DE FARIA, jornalista, poeta e escritor. Autor de mais de 50 livros no Brasil, em vários gêneros, como romances, ensaios literários, mas é fundamentalmente poeta. É também autor de Teatro. Tem 18 livros publicados em Portugal e 7 na Espanha. Traduzido para 13 idiomas. Foi o iniciador do movimento de recitais públicos de poesia em São Paulo, no final dos anos 60. Dedicou-se por 15 anos à poesia portuguesa. Como crítico literário no jornalismo cultural recebeu por duas vezes o Prêmio Jabuti e por três vezes o Prêmio Especial da Associação Paulista de Críticos de Arte. Uma das vozes mais importantes da geração 60 dos Poetas de São Paulo.   

Twitter https://twitter.com/alvaro_de_faria 

Site http://www.alvaroalvesdefaria.com/
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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Por dudu oliva




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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018



João Paulo Mesquita Simões




Para obliterar as cartas, utiliza-se um carimbo, geralmente redondo, com o nome do local de onde partiu e a data, geralmente colocada no canto superior direito do envelope.

Para publicitar eventos nacionais, e/ou imagens, ou dizeres, um retângulo do lado esquerdo, é colocado na carta com esse objetivo

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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Por Miguel Angel (in memoriam)



Óleo s/ tela 27x35cm ©MAF



As ventas dos cavalos paraguaios dilatavam-se pelo esforço da furiosa corrida, cujo galope levantava o pó seco da estrada se grudando ao suor de espuma branca a lhes cobrir os beiços.
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terça-feira, 20 de fevereiro de 2018


Eu tenho que dormir. Eu tenho que dormir. E esse é o problema. Eu tenho que dormir porque tenho que acordar cedo, porque eu tenho que pegar um ônibus e chegar lá naquele lugar que eu me comprometi a ir, e se eu acordar meia hora mais tarde, eu perco o ônibus. Se eu perder o ônibus...

E isso sempre acontece. Sempre, sem exceção. É incrível. Eu tento dormir mais cedo, não adianta. E não adianta você falar pra eu não me preocupar, pra eu relaxar, pra eu contar carneirinhos, pra eu contar um pra quando eu inspiro e dois pra quando eu respiro, e voltar ao um de novo, e assim por diante, porque não vai adiantar. Estou te dizendo. Acredite em mim. Eu não tenho motivos para mentir pra você, seja lá quem você for.

Você provavelmente vai dizer que isso é bobagem, mas não é. Não pra mim. Não, eu não sofro de insônia, eu sou só um idiota com um relógio biológico interno desregulado, quebrado, estragado, parado, inexistente.

Ou, o que é ainda mais provável, você vai dizer que “olha só, isso acontece comigo também.” Não, isso não acontece com você. Esse, aliás, é o pior pensamento, a pior forma de se solidarizar com o meu caso. Na verdade eu não dou a mínima pro seu sono. Se você tem insônia, parabéns. Você toma uns remédios e apaga, ou você não quer tomar remédios, acha que eles te deixam estranho, ou sei lá o quê, aí então você merece ter insônia e ser um zumbi mesmo.

É, eu sou um zumbi. Eu sou o cara que não quer tomar remédios, mas não porque fico achando que “ai, comprimidos me deixam meio zonzos, eu não me sinto eu mesmo”, mas por que o meu terror é não conseguir acordar na hora no dia seguinte. E se eu não conseguir acordar na hora não porque eu fui dormir tarde, mas porque eu apaguei, aí eu vou passar o dia zonzo, me sentindo culpado, e—

Mas que merda. Todo dia é a mesma coisa. Todo dia a porra do meu cérebro acha que a melhor hora do dia pra ter ideias, uma atrás da outra, é às duas e meia da manhã. Não, duas e meia já passou faz tempo. Já passa das três da madrugada. E sabe o que vai acontecer? Eu vou acabar conseguindo dormir lá pras quatro, quatro e meia. Mais uma vez.
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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018



Conto de Gustavo do Carmo


Passava pela porta da igreja quando uma mendiga, suja e de cabelos desgrenhados, gritou com voz sôfrega:

— Moço, dá uma ajuda aí?

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domingo, 18 de fevereiro de 2018




Venho até nossos leitores do Tudo Cultural, anunciar que o próximo dia 27 de março (3ª feira) será realizado, no Rio de Janeiro, o X Concurso Brasileiro de Sommeliers. Ao qual pode interessar aqueles que acompanham por aqui o Roteiro do Vinho. Vale lembrar que o vencedor será um dos dois representantes brasileiros no Concurso Pan-americano de Sommeliers, a ser realizado em maio, no Canadá.

Inscrições abertas:

ABS-Rio: (21) 2285-0497 / 2265-2157 / 2421-9640 / abs@abs-rio.com.br
ABS-SP: (11) 3814 7853 / 3814 1269 / contato@abs-sp.com.br


                                       CURIOSIDADE

 Sommelier

 O sommelier é o especialista que trabalha em restaurantes, bares e lojas do setor. Geralmente, são responsáveis por todo o processo que envolva as bebidas, desde da compra e recebimento das mercadorias até a elaboração da carta. Possuem um conhecimento aprofundado sobre vinhos, cervejas e outras bebidas.

A profissão surgiu antes do século XVII, na França, e era o responsável por transportar o fermentado e, curiosamente, tinha a obrigação de provar o seu conteúdo, antes de servido, para comprovar que a bebida não havia sido envenenada. Tempos depois, a função mudou para o especialista que garante produtos de boa qualidade.

Hoje, uma de suas funções mais importantes é servir os vinhos aos clientes, esclarecendo dúvidas e dando informações sobre o exemplar que ele está consumindo.

Além disso, o sommelier planeja e organiza o serviço de vinhos em empresas de eventos gastronômicos, hotelaria, restaurantes, supermercados, enotecas e em comissariaria de companhias aéreas e marítimas. Também faz a gestão do abastecimento e armazenagem dos produtos. Esse profissional também ministra cursos para a formação de novos sommeliers.

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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Por  dudu oliva




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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

de Miguel Angel (in memoriam)


De idade indefinida, a pequena indígena, trazida pela mão da anciã, apareceu no estabelecimento e o unico traje que aparentava usar, era a negra cabeleira que se espargia nas espáduas cobrindo-a quase toda, permitindo entrever apenas o resto de poncho desgrenhado que vestia por baixo. À interrogação inevitável, a velha nativa lhe respondeu tratar-se de sua neta. E à socapa, avisou que o senhor da casa estava ciente. Neta de índia, sorrateira deve ser. Igual à avó. Concluiu Amanda, numa primeira suspeita malévola.

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terça-feira, 13 de fevereiro de 2018


Eu estava sentado no banco de trás. Meu padrinho parou no sinal vermelho. Minha madrinha, no banco do passageiro, olhava no celular os horários para assistir ao filme. O primeiro 3D que veríamos.

Um homem veio em nossa direção.

Encostou-se à porta e perguntou ao meu padrinho se ele tinha uns trocados.

Eu fiquei observando. Olhei para os lados. Havia poucas pessoas no cruzamento. O homem estava mais para um mendigo/bêbado do que para um possível assaltante. Minha madrinha continuava a olhar o celular. Relaxei um pouco.

Humm, disse meu padrinho. Ficou olhando para o sujeito. Depois desviou o olhar para o farol. Ainda vermelho.

Voltou-se para o homem. Minha madrinha pôs o celular de lado e passou a observar a interação com mais atenção.

Mas olha, disse o homem, não vou mentir não, viu. É pra tomá umas pinguinha.

Ele já estava meio mamado. Embolava as palavras.

Ah, é mesmo? Meu padrinho deu uma risadinha e pegou duas moedas do console.

, ele disse ao entregar as moedas.

Ô, moço. Brigadão mesmo, Deus abençoe.

Ele falava com alegria. Havia ganhado o dia, de certo.

Meu padrinho acenou com a mão. O farol abriu.

Ele arrancou com o carro.

Nós rimos.

Pelo menos esse foi honesto, disse minha madrinha ou meu padrinho.

Não me lembro muito bem. Talvez ele não tenha dado moeda nenhuma para o bêbado.

Mas o homem foi honesto. Disso eu lembro.
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segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018


Microcontos de Gustavo do Carmo


Carnavalesco
Fantasiava demais. Era carnavalesco.


Climão de carnaval
Entrou no climão de carnaval. Interveio na discussão do casal de namorados durante o desfile do bloco.
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domingo, 11 de fevereiro de 2018


 Você já deve ter perguntado há alguém, coisas do tipo, "o que eu sou para você?", e teve como resposta a palavra 'Tudo'.
 Confesso que é uma palavra que me incomoda e muito, pois, o que é o 'tudo' pra mim? - Não basta dizer que é apenas o contrário do nada, 'tudo' é uma palavra forte, porém desequilibrada, para mim, 'tudo' engloba coisas boas e ruins, ou seja, se a pessoa quis dizer que sou bom para ela, mas diz isso com a palavra 'tudo', para mim não é o suficiente!
 
  Pare para analisar, coisas ou fatos do seu dia a dia, ao qual poderia enquadrar esse perfil ao qual vos digo. A palavra 'tudo'.
  Não, eu não gosto desta palavra como resposta, seja lá qual for a pergunta, com ou sem sentimento. Não sinto que esta palavra demonstre 'carisma' em um diálogo entre um casal, amigos, ou até em momentos difíceis.
 
  A palavra 'tudo' no dicionário significa 'a totalidade das coisas, dos seres', 'o que de fato conta, o que é importante, essencial'.
  Mas não consigo imaginar algo que seja essencial, mas que seja um 'tudo'. Pois soa como bom e ruim ao mesmo tempo.
 
  Há algum tempo atrás, nosso patrão do 'Tudo Cultural', Gustavo, compartilhou uma leitura do livro 'A Teoria de Tudo'¹, ao qual retrata uma biografia e não algo filosófico a cerca de um 'tudo'.
  O nosso próprio espaço ao que vos escrevo, 'Tudo Cultural', trás esta desequilibrada, porém, forte palavra, o que é cultural por aqui? 'Tudo'! Vejam, que neste 'Tudo', englobam-se vários temas, desde um microconto a uma peça de teatro²...
 
  Particularmente nesta prosa, tenho a ousadia de querer saber de nossos leitores e colaboradores, o que significa a palavra 'Tudo' em sua vida?
  Assim como rotulei no início, como sentiria-se ao ouvir alguém dizer que você é 'tudo' para essa pessoa, ao questioná-la sobre o que você é para ela.




Links citados acima;
¹ post sobre o livro 'A Teoria de Tudo', http://tudocultural.blogspot.com.br/2015/11/tudo-na-cabeceira-o-que-eu-ja-li-teoria.html

² post da peça de teatro, 'A Família Drähm', http://tudocultural.blogspot.com.br/2013/07/a-familia-drahm.html 
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sábado, 10 de fevereiro de 2018


Por dudu oliva


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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018


João Paulo Mesquita Simões







No passado dia 21 de outubro, os CTT - Correios de Portugal, lançaram uma emissão conjunta entre Portugal e França.
Todos nós conhecemos a qualidade dos nossos selos, e o quanto são apreciados e desejados pelos quatro cantos do Mundo.
No entanto, ao olharmos para esta série de dois selos, reparamos em diversas diferenças:
O tamanho do selo que é mais comprido que os nossos, o desenho simétrico e a perspetiva, que em nada têm a ver com a beleza dos selos nacionais.
Tudo isto tem uma razão. Esta emissão foi feita em França!

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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Por Miguel Angel (in memoriam)


De repente, o primeiro plano de Laura apareceu na frente, filtrando e obscurecendo - como abençoado íris -, o Fausto inamistoso e a sedenta platéia de sorriso estúpido... o despenteado, o hálito e o olhar bovino de Laura indicavam que sumira para beber escondida. Sentou ao seu lado e grudou no seu ouvido:

– Lauro, larga esse copo... Vem comigo, deixa te mostrar uma coisa...
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terça-feira, 6 de fevereiro de 2018


Começa assim:

Você está fazendo alguma coisa e o telefone toca.

Já reparou que ele nunca toca quando não estamos fazendo nada?

Você para o que está fazendo e vai até lá. Atende no quarto ou quinto toque.

“Alô...?”

“Alô. Quem é?”

Meu amigo, eu não reconheci a sua voz. Nunca ouvi parecida na vida. Eu não vou simplesmente te dizer o meu nome.

“Quem tá falando?”, você pergunta, já com um pouco de irritação na voz.

“Aqui é o Siclano.”

Siclano, você pensa. Não, não conheço nenhum Siclano. Nunca conheci nenhum Siclano na minha vida.

Aí há dois caminhos a ser seguido:

1) Você pergunta: “Com quem é que você quer falar?” Aí o cara fica encurralado. Vai ter que te dizer. Mas infelizmente, às vezes (mais vezes do que gostaria), não tenho essa destreza toda e acabo utilizando o segundo caminho.

2) “É o Lucas.” E pronto, você começou com desvantagem a conversa.


Então é assim. Ó, para não esquecer.

Está prestando atenção? Ótimo.

Se você for ligar pra algum desconhecido, pra alguém com quem você nunca falou na vida, que não conhece e nunca viu mais gordo, faça da seguinte maneira, depois de ouvir a pessoa dizer “Alô?”, “Aloa?”, “Aloar”, “Ooi” ou suas outras variações:

“Oi, aqui é Fulano. Queria com Tal falar a respeito disso e daquilo outro...”, ou “... Aqui é o Mané. Eu queria falar com Beltrano. Ele está?”

Combinado?
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segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018


Conto de Gustavo do Carmo

Quando criança queria ser muito rico. Não realizou porque não tinha como correr atrás. Era muito novo.

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domingo, 4 de fevereiro de 2018



 Estamos à mesa em Querétaro, uma cidade mexicana, a qual de uns cinco anos para cá, está surpresa por ter ocorrido um 'boom' em suas produções e vendas de vinhos. No entanto, esse fato está ligado à sua história da própria região.



  Após a chegada dos espanhóis ao México, algumas culturas locais já produziam bebidas de videiras selvagens, como as agora chamadas Rupestris, Berlandieri e Labrusca, que foram combinadas com mel e outras frutas.



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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018




Deixo aqui a segunda imagem da folha da Índia sobre o Taj Mahal e sua arquitectura.


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João Paulo Mesquita Simões






As redes sociais são hoje um meio de comunicação formidável. Nomeadamente para a filatelia.

É nas redes sociais que encontramos diversos grupos de todos os países, das mais variadas temáticas filatélicas, e é assim também, que se fazem amigos virtuais para troca e venda de selos.

Foi assim que encontrei um rapaz indiano, muito simpático, de uma educação extrema, e desde há dois anos que trocamos selos.

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