domingo, 31 de dezembro de 2017

Conto de Gustavo do Carmo 



Toca o celular. Selton atende e ouve uma voz conhecida, mas de péssimas lembranças. 


— Alô, Selton? 


Ele desliga o celular. Queria evitar conversa com aquela senhora desagradável. O celular tocou novamente. 

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quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Resultado de imagem para selos ano novo portugal madeira


João Paulo Mesquita Simões





2017 está quase a terminar.

Durante este ano, falei-vos de emissões saídas em Portugal, e algumas saídas no Brasil.
2018, será outro ano. Um ano que vou planear em termos de filatelia. Com certeza, não fugirei muito ao que até aqui tenho feito. Vou tentar inserir emissões vossas e, provavelmente, darei uma outra visão da Filatelia.

Irei, talvez, falar de temáticas minhas, como as faço, e porquê.

Mas para terminar este último post deste ano, deixo-vos, à semelhança da passada semana, uma emissão de selos autoadesivos da Madeira, com o tema "Passagem de Ano".

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terça-feira, 26 de dezembro de 2017


Ele comprou um sorvete para ver se isso tirava um pouco da dor de cabeça que estava sentindo por conta da quantidade de álcool que acabara de ingerir. Pagou, pegou o sorvete e, ainda desnorteado, pegou o celular e ligou para ela, que estava atrasada de novo. Talvez ele dissesse para cancelarem e marcar para outro dia, até porque... Ele não estava cem por cento.

Tropeçou em seus próprios pés. O celular foi para o chão. Ele viu a tela trincada. O sorvete esparramou pelo chão.

Vendo-o de quatro, ali, cansado, alcoolizado, um caco, ela aproximou-se dele.

Ao invés de ajudá-lo, cruzou os braços e ficou parada, com um riso de escárnio no rosto. Todas as pessoas simplesmente passavam por eles. Ele pegou o celular. Tirou a gota de sorvete que caíra sobre a tela agora trincada. Ficou de joelhos. Percebeu que as calças esfolaram, quase a ponto de rasgar. Suspirou e deixou o corpo se curvar.

Virou-se para o lado e viu-a ali parada, observando-o com os braços cruzados e o riso de escárnio no rosto. Assustou-se um pouco. Ela semicerrou os olhos (ainda com o sorriso) e disse:

“O que você está fazendo aí... De quatro?”

Ele a olhou o mais furioso que conseguiu.

“Valeu por ajudar, hein?”, disse quase balbuciando, tentando se levantar.

Ela o ajudou, e ao se encontrarem de pé, olharam-se. Ele desviou o olhar para frente. Ela riu um pouco mais. Começaram a andar.


Derradeiro conto do ano de Lucas Beça
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segunda-feira, 25 de dezembro de 2017



Conto de Gustavo do Carmo


I

Numa festa familiar de Natal, a tia pergunta para o sobrinho:

— E as namoradas, Arthurzinho?
— Não tenho nenhuma, tia.
— Que isso, como pode um homem tão bonito como você não ter namorada?
— É que na verdade eu não sou bonito. E também sou meio bobo. Tenho déficit de atenção, acho que também tenho Síndrome de Asperger.
— Que bobagem! Você não tem nada. É também muito esperto e lindo.
— Não foi isso que ouvi a senhora dizendo para a minha mãe. Pelas minhas costas eu ouvi você perguntar a ela se eu tenho algum probleminha de cabeça.
— Eu não disse nada disso. Você anda inventando.
— Aí! Está me chamando de louco.
— Não estou te chamando de louco! Estou é muito decepcionada com você pensar isso de mim. Acho que você tem mesmo problema de cabeça.
— Está vendo? Para me humilhar diz que eu sou doente. Agora quando eu assumo que não sou normal não gosta. Acha que eu me faço de vítima e que invento doença para fugir das minhas responsabilidades.

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quinta-feira, 21 de dezembro de 2017



João Paulo Mesquita Simões









Em 7 de abril de 2015, os CTT - Correios de Portugal emitiram uma coleção de selos da Ilha da Madeira, relativos ao Natal e Fim de Ano, que são festividades culturais e religiosas que atraem imensos turistas às ilhas.

As ruas são decoradas e, depois, há os espetáculos de fogo de artifício, muito apreciados, e que já foram considerados os melhores do mundo.

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quarta-feira, 20 de dezembro de 2017


Suzana dos Santos Schneider era loira, gordinha clara, olhos azuis, herdados do pai (dentista alemão, jurara a mãe, que fora assistente dele e conhecera a cadeira dos pacientes sem abrir a boca, só as pernas, e devia ser verdade, porque ela era mulata.) Suzana andava pelas ruas do bairro, para onde tinha mudado recentemente, numa bicicleta cor de rosa, sacudindo o rabo herdado da mãe, um no selim e o outro, de cavalo, no penteado. Todos os dias, sempre à hora da sesta, quando as ruas do bairro estavam quase vazias, passava como se deslizando, graças à força de um empurrão invisível dado no início da rua em declive, pela porta da casa de Oscar que, ao voltar da escola, sentava na soleira da porta, a bocejar a modorra depois do almoço.
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terça-feira, 19 de dezembro de 2017


O chamado Papai Noel ajeitou sua gravata verde e vermelha sobre a camisa branca. A mulher atrás da câmera fez um sinal de positivo indicando que podia começar.

“Olá a todos. Provavelmente não me reconhecem por conta da mítica imagem que vocês têm de minha pessoa como um velhinho gordo vestido de veludo.  É, esse mesmo, o "Papai Noel". Primeiro eu não tenho oitenta anos, não sou gordo, nem tenho filhos. Não mesmo. Então pelo amor de Deus, não me chamem de "Papai". Garanto que vocês não chamam nem os seus pais de papai, então...”

Noel parou e tomou um gole de água.

“Bem, mas uma coisa vocês tem que ter crédito. As luzinhas e as cores verdes e vermelhas. Dão um bom clima. Bacana.”

“Ah, e as renas se aposentaram há muito tempo. Agora uso um dirigível, que é muito mais eficiente do que elas. É claro que isso foi uma bênção, por que o número de crianças aumentou bastante nos últimos séculos e as renas estavam precisando de um merecido descanso. Estão em alguma fazenda nos trópicos. Mas eu até que gostava da companhia delas. Às vezes elas conversavam comigo.”

“Devo dizer que vi alguns filmes natalinos e, desculpe-me a palavra, mas são uma porcaria. Lá está o velho gordo com um saco minúsculo que não daria para presentear nem trinta crianças. E querem que eu acredite que ele entrega presentes para todos desse jeito. E os efeitos especiais então, parece que fazem o filme em dois meses. "Ah, já estamos em outubro, vamos fazer qualquer coisa pra lucrar um pouquinho no natal". Que é isso? Por favor! Se vão fazer qualquer coisa, que seja bem feita. Mas não posso reclamar tanto quanto a isso, já que tem algum ouro perdido sempre, que vale a pena passar duas horas na frente da TV.”

“Isso: TV. Ou vocês acham que eu moro em uma casinha de madeira no meio do pólo norte? Minha mansão é grande, mas não tão grande quanto a fábrica. Meus camaradas duendes trabalham duro o ano todo fazendo enfeites natalinos para vender e conseguir dinheiro para comprar os presentes dessas crianças mal agradecidas que crescem e começam a dizer: "Eu já sou grande, eu sei que Papai Noel não existe." Sim, o gordinho de óculos não existe mesmo, mas o Sr. Mosmorel existe sim. Isso, esse é meu nome, Noel é só apelido. Aqui ó!”

Ele tira sua identidade do bolso e mostra para a câmera. “Viram?”

Ele toma mais um pouco de sua água e continua.

“Bom, para fechar, já que a produtora aqui está dizendo que o tempo está acabando, queria dizer que essas crianças me tiram do sério. Todo ano é um celular, tablet, ipad, iphone, inãoseioquemais. Um mais caro que o outro. Era tão bom quando elas se contentavam com um cavalinho de madeira, uma boneca ou uma bicicleta.”

“De quem é a culpa de toda essa imagem que fizeram de mim ou do natal no geral eu não sei. Fica com você o poder de decisão. E escuta, produtora, pode colocar o nome da matéria: A verdade sobre o “Papai Noel”. Isso, entre aspas. Pega esse papai e enfia no cu. Ih, é mesmo, não pode falar palavrão, né? Desculpe. Bom é isso, foi bom desabafar.”

Ele se levanta da cadeira.

“O quê? Tem que deixar uma mensagem bonitinha? Tá bom”, ele se senta de novo de dá um sorriso. “Pessoas, os presentes não importam, mas sim os cérebros de vocês, que podem julgar o que é certo para viverem em harmonia. Não, não escutem o coração. O coração não faz nada além de manter o sangue circulando. Menos poesia e mais atitude, por favor.”

O cameraman corta a tomada.


Conto natalino de Lucas Beça
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segunda-feira, 18 de dezembro de 2017


Conto de Gustavo do Carmo

Teve uma noite inesquecível. Perdeu a virgindade com a mulher dos seus sonhos: uma linda morena clara de seios fartos, chamada Joyce, uma escritora famosa com quem fez amizade na internet. Mesmo assim, Depreciano encerrou a deliciosa relação e se levantou enfadonho, desanimado. Isso chateou a moça, que perguntou:
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sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Por  dudu oliva






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quinta-feira, 14 de dezembro de 2017




João Paulo Mesquita Simões




Com votos de Boas Festas para os Leitores, Colaboradores e, claro, o Patrão do Tudo Cultural!
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quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

miguelaf/guache/papel

Ana Paula mal desfez as malas ao chegar e, no dia seguinte, pouco antes de encher a mala com renovadas mudas de roupas, disse a Lenilson, “conheci alguém” e voltou para Minas , onde havia passado alguns dias de férias, sozinha-sem ele - um descanso que resolveram dar ao casal depois de dez anos morando juntos, e conhecera esse alguém na casa da amiga comum que a hospedara.

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terça-feira, 12 de dezembro de 2017


Perguntou se o seu hambúrguer caseiro estava bom.
- Tá bom – eu respondi.
- Tá bom nada: Tá bom pra caralho!
Verdade.


Pegou o velho caderno para encontrar uma receita de família. Acabou fazendo omelete. E abriu um vinho para acompanhar.


Ela acordou e bebeu um pouco da garrafa ao seu lado na mesa. O celular já pronto para ser alcançado, mas algo a lembrou. Ela não precisava fazer isso. Poderia apenas voltar a dormir. Era domingo. Mas é claro que ela tinha que pegar o celular.


- Muito obrigado, muito obrigado. Está tudo indo como devia. O meu hambúrguer do jeito que eu gosto. O White Russian, a maionese... A sua companhia... Tudo ótimo. ... Quer provar? Por quê? Ah, você e sua mania de ser saudável!


- Estou muito cansada. Não consegue ver?
- Naa. Pra mim está tudo bem. Parece ótima.
- É, mas não estou.
- Nossa.
- É.
- É.
...
- Essa conversa vai a algum lugar?


Um gol aos 49’ é muito mais memorável do que aos 02’.
  

Por Lucas Beça
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segunda-feira, 11 de dezembro de 2017


Microcontos de Gustavo do Carmo


Vermelho e preto
Fechou o ano com a conta no vermelho. A coisa ficou preta para ele. Decidiu parar de torcer pelo Flamengo.


Comércio
Era mulher de fechar o comércio. Sugava todo o dinheiro dos comerciantes com quem se envolvia e os deixava na falência.
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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Trecho de romance de Miguel Angel Fernandez (in memoriam - 1948-2017)

Foi na segunda-feira, ainda estava acamado, mas a febre e as dores no corpo todo haviam passado. Estava mais era fingindo para não ir à escola. Então ela entrou no quarto quase às escuras, cuidando para não fazer barulho, parecendo procurar algo. Ele fingiu que dormia, mas a observava entre-pestanas. Ela revirou alguns objetos, e quando se preparava para sair:

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terça-feira, 5 de dezembro de 2017


Dormiu pouco. Acordou tarde. Não viu nada da cidade.


O enfeite metálico na forma de um violinista ficava no canto de sua escrivaninha. Via-o todos os dias. Já nem lembrava que o tinha.


- Oi.
- Oieee!
- Menos, menos...


O mundo ia acabar no dia seguinte.
Tomou mais uma cerveja.


Tatuou uma palavra em japonês e descobriu que estava errada. Dava uma desculpa e ia embora toda vez que via um oriental.


- Um café, por favor. Pode ser preto, com açúcar, adoçante... Você que sabe. Pra mim tanto faz.
  

Por Lucas Beça
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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017


Conto de Gustavo do Carmo

Moça bonita parada no ponto de ônibus em Copacabana. Estava de vestido de alcinha florido. Branca, magra, cabelos curtos, mas femininos. Cortado à altura dos ombros. Do jeito que eu gosto. 

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