segunda-feira, 28 de setembro de 2015

ARROGÂNCIA


Por Gustavo do Carmo

Por que pessoas talentosas e competentes são tão arrogantes? Não escrevo este texto para tentar responder a esta pergunta, mas para expor os fatos e desabafar as minhas experiências com as decepções que eu tive com esses talentos.

Todas as pessoas que fazem um ótimo trabalho, que eu tenho o maior prazer de ler, assistir ou prestigiar, são arrogantes quando eu as procuro para dar uma dica ou uma informação, pedir algum favor ou até para elogiar. Parece até que querem que eu puxe o saco sempre.


Meus exemplos escolhidos para esta crônica são: um especialista em novelas, que tem um site ótimo que conta a história de todas elas; um aspirante a jornalista esportivo, também dono de um site bem informado sobre futebol e banalidades diversas da mídia; o editor de um site de automóveis que, além de mostrar as novidades do mercado, também conta a história dos carros do passado, a editora-chefe do programa de um canal a cabo que mostra imagens jornalísticas raras e uma apresentadora paraibana de telejornal famosa por seus comentários sinceros. Fora outros que não citei para não alongar o texto.

O especialista em novelas já debochou das sugestões que eu dei, mas as usou, além de ter me respondido com um e-mail grosseiro. Isso anos atrás. Recentemente troquei algumas mensagens com ele, que me respondeu educadamente, não sem antes me dar uma bronca por tentar conversar pelo Twitter. A penúltima dele foi ter bloqueado um seguidor do meu Twitter sem explicação. Bloqueei-o em solidariedade ao meu amigo.

O jornalista esportivo demorava para responder às minhas dúvidas e sugestões de pauta. Mas bastava expor o meu bairrismo fluminense e criticar a ditadura cultural de São Paulo para ele me repreender rapidamente. Ele rompeu comigo e me bloqueou do Twitter só porque eu defendi uma brincadeira sobre as pessoas nascidas em setembro que foram concebidas no Natal. Pra isso ele reagiu rapidinho enquanto demorou um dia para agradecer aos parabéns que dei a ele no seu aniversário dias antes.

O jornalista de carros me repreendeu por usar uma foto do site dele, mesmo eu tendo pedido autorização e dado os devidos créditos. Pediu pra eu não usar mais as fotos. Obedeci, mas me deu vontade de não visitar o site nunca mais. Só continuo visitando porque ele é muito bom. Porém, não sou mais tão assíduo como antes.

A editora-chefe do programa de TV coordenou uma pós-graduação de telejornalismo que eu cursei, mas que só me deu dor de cabeça, insônia e aborrecimento. Abandonei o curso, mesmo faltando duas matérias para terminar. Além de descobrir que não tinha talento nenhum para aparecer no vídeo (falta de talento que uma professora fez questão de destacar), fui traído pela colega por quem tinha mais consideração. Ela ficou fazendo corpo mole para que eu desistisse de fazer o programa final com ela para depois ficar dizendo que fui eu quem não quis fazer parte do grupo dela. Ninguém me acolheu e fiquei sozinho, sem ter como fazer o trabalho final desta forma. Ia passar mais um vexame. Quanto a tal coordenadora do curso, mandei meus contos por e-mail para ela, que também é escritora de livros infantis e tem contrato com uma grande editora, me indicar para a mesma. Sequer me respondeu.

 O que me dói é saber que eu fui o único desse ninho de cobras traiçoeiras que não se deu bem profissionalmente com essa pós-graduação. Talvez porque não sou traiçoeiro. Só não processei a coordenadora e a faculdade porque não tenho provas e nem fundamento jurídico. Esses ex-colegas falsos e esnobes não têm talento algum e consigo boicotar o trabalho deles. Mas não consigo deixar de assistir ao tal programa editado pela coordenadora. 

O novo exemplo é de uma apresentadora de telejornal de rede que foi importada da Paraíba, justamente, por um comentário sincero sobre o carnaval, que desagradou bastante empresários do seu estado natal. Ela foi demitida lá e se mudou para São Paulo.

Recentemente, ela fez um novo comentário sobre um marginal amarrado no poste no Rio por jovens do Flamengo. Falou tudo o que eu não tenho coragem de dizer nem nas redes sociais. Já comentei várias vezes no blog dela, concordando com as suas opiniões e manifestando o meu apoio. Ela sequer aprovou o meu comentário. Ela está fazendo abaixo-assinado pela defesa da liberdade de expressão e pela defesa dela mesma, que está sendo acusada de incentivar a violência. Embora concorde com tudo o que ela disse no famoso comentário, me recuso a assinar. Pra ela aprender a deixar de ser esnobe. 


 Tem gente que ainda diz que pessoas talentosas podem ser arrogantes. Que merecem. Eu não acredito. Tem gente talentosa muito mais humilde. Será que eu serei arrogante assim se eu ficar famoso? Estou com medo. 

Um comentário:

Carlos Onofre disse...

Gostei do seu post, concordo em termos,só discordo quanto a [R.S.] acredito que a quantidade de emails que ela recebe deva ser demais para identificar o seu, e assim como seu contato outros também devem ser ignorados,talvez não por arrogância.
Também já passei por uma situação similar, hoje as pessoas são desconfiadas demais e com motivo, quando vc é humilde ou pelo menos se esforça a ser reconhecendo a superioridade de outras pessoas em algumas tarefas isto é visto como falsidade, infelizmente.
As pessoas tem tempos diferentes para cada coisa, assim como vc se desenvolveu rápido para ler,interpretar e se expressar clareza outros podem levar muitos anos para ter 10% de sua habilidade, por outro lado vc pode mesmo ser mais "atrasado", se puder utilizar esta palavra para se expressar com naturalidade frente a câmeras, isso é normal e seus colegas podem ser ignorantes quanto a isso, aconteceu com Eistein em outro contexto,apenas para citar um exemplo.
Eu sou atrasado na minha profissão, já vi colegas se desenvolverem bem mais rápido do que eu e o que me incomoda é que é algo que eu amo ou sou viciado, simplesmente não consigo abandonar.
Alguns dizem que a persistência nestas condições produzem bons resultados, digo isto pois me pareceu pelo seu comentário que seu objetivo seria produzir matéria em vídeo obviamente com qualidade condizente com a escrita e este mba de deu uma esfriada.
Finalizando, registrei este comentário como pessoa absolutamente neutra,não lhe conheço, não sei dizer se o que sua coordenadora disse está certo ou errado no seu caso, mas que talvez fosse de ajuda este feedback, no sentido de te incentivar a produzir este material.
Muitas vezes os "especialistas" erram feio, vide o caso Paul Potts.

Saudações!

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