terça-feira, 7 de agosto de 2018

Olha só o que eu vou fazer



Vou escrever um conto.

É, é isso. Vou escrever um conto!

Vou escrever esse conto e depois mais outro e mais outro. E aí, quando eu tiver uns 20, vou botar tudo num livro e vender.

É, vou fazer isso mesmo.

Mas primeiro vou ter que arranjar dinheiro pra pagar a gráfica. É, vou ter que economizar. Mas depois que tiver com tal livro na mão, tudo certo.

Sabe o que eu vou fazer?

Vou pegar os livros, acho que, sei lá, uns 500, 1.000, botar no meu carro velho e sair por aí vendendo.

Uma semana em cada cidade.

É, é isso mesmo que eu vou fazer.

Mas eu vou escrever sobre o quê?

Acho que a primeira história vai ser de ação. Tem que ter morte, sangue, tem que vim de dentro. Tem que derramar sentimento. O cara que vai ler tem que sentir a dor do personagem. Tá entendendo?

Primeiro o cara acorda. Toma café sai de casa. E aí

...

Ele leva um soco. Cai.

Corta pra ele num sofá. Um cara de terno está de frente pra ele. Olha só... E aí esse cara de terno começa a perguntar alguma coisa em russo pra ele. Mas ele não fala russo, ele não entende.

Não, não, russo não, muito estereotipado, sabe... O cara de terno é comum. O cara é forte, mal elemento, coisa ruim mesmo, mas não vai ser russo, não.

Então, ele começa a socar o cara, falando pra ele que ele ter que contar o que ele sabe.

E aí, pensa só: uma superheroína entra em ação. Ela é fodona. Bate no cara, derruba ele.

O cara está a salvo. Puta que pariu, que foda! Aí, sabe o que acontece?

Ela solta o cara e ele mata ela. Caralho, que foda! Sabe por que ele faz isso? Porque era armação.

Ele armou pra ela e ela caiu direitinho.

Eu sou bom mesmo ou não sou?

Hein, hein?

Ai, ai, ai. Ai, ai, ai!

Ele vence. O vilão, que você, trouxão, que achava que era a vítima, mata ela e triunfa.

É, é isso aí!

Agora só falta pensar nos outros 19.


Conto de Lucas Beça

Um comentário:

Unknown disse...

Está no caminho, muito bom.

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