sábado, 23 de maio de 2015

TUDO NA CABECEIRA - O QUE EU JÁ LI: LIGHT - A HISTÓRIA DA EMPRESA QUE MODERNIZOU O BRASIL

TEXTO E FOTOS: GUSTAVO DO CARMO


Já terminei de ler Light - A História da Empresa que Modernizou o Brasil, do canadense Duncan McDowall, especialista em história econômica. A tradução foi de Helena Maria Andrade do Nascimento e a edição é da Ediouro, patrocinada pela Light com o apoio do Governo do Estado do Rio de Janeiro.

O livro marcou a reestreia da seção Tudo na Cabeceira, no Tudo Cultural. Daquela pré-resenha (quando até então eu tinha lido por volta da metade) ao final, demorei quase dois meses. É que a leitura é muito difícil, com muitos termos técnicos e financeiros, além das letras pequenas, que cansam. Cheguei a pular muitas partes para adiantar.


São dez capítulos além da apresentação, prefácio, introdução, pósfácio, apêndices com estatísticas, notas, agradecimentos e índices, totalizando 559 páginas. O livro foca no período a partir do nascimento da empresa no Canadá, em 1899, com a primeira concessão em São Paulo, até o fim do governo de Getúlio Vargas. A nacionalização do grupo, com a venda das concessões de energia para a Eletrobrás, é citada apenas superficialmente no epílogo. A venda da parte paulista para a Eletropaulo foi mencionada no prólogo.

O que salva a história da Light da chatice total são as biografias dos diretores e investidores. Há algumas passagens curiosas, como a morte do financista belga Alfred Loewenstein, que nos anos 20 tentou comprar a Brazilian Traction Light dos canadenses através da compra maciça de ações e agressivos relatórios contra a diretoria da empresa. Ele voava de volta de Londres a Bruxelas, após mais uma de suas investidas, quando se levantou no avião para ir ao banheiro e, não ficou claro se se jogou do avião ou errou a porta do toalete, caindo na costa francesa.

Outro diretor que teve uma morte trágica foi Fred Pearson, que se afogou após a embarcação Lusitânia, na qual viajava com a sua esposa Mabel, também morta, ser torpedeada por um submarino alemão durante a primeira guerra mundial em 1915.

Nem só de tragédias morreram os antigos diretores. A maioria foi por doença mesmo. Não podemos esquecer de Asa Billings, que foi presidente do grupo Light até 1946 e homenageado três anos depois e cinco meses antes da sua morte com o seu nome no reservatório de Rio Grande, em São Paulo, que é popularmente conhecido como represa Billings. Já Antônio Galloti foi o primeiro brasileiro a dirigir a companhia.



A Light nasceu como uma subsidiária da Toronto Street Railway Company, empresa que prestava o serviço de bondes puxados por burros na metrópole canadense. Quando decidiu modernizar os veículos, passando a impulsioná-los com energia elétrica, a concessionária se fundiu à companhia ferroviária do empreiteiro William Mackenzie (seu filho Alexander Mackenzie também foi presidente da empresa), que colocou o seu sobrenome na frente da pomposa denominação citada acima. A companhia decidiu crescer para outros países e investiu no Brasil.

Apesar de ser uma empresa símbolo do Rio, a primeira investida da Light no país foi em São Paulo, com a criação, em Toronto, da São Paulo Tranway, Light and Power Company, em 1899. A energia viria da usina de Santana do Parnaíba, em 1901. A primeira concessão para explorar o serviço em São Paulo foi obtida pelo engenheiro italiano radicado em Montreal Antônio Gualco, em parceria com o seu sócio brasileiro Antônio de Souza, sogro de Carlos de Campos, amigo do italiano e filho do presidente de São Paulo Bernardino de Campos. Com a morte de Gualco, a Toronto Railway herdou a concessão, que se estendeu à distribuição de energia à cidade. 

Somente em 1904 a Light chegou ao Rio, com a criação da Rio de Janeiro Tranway Light and Power Company e o fornecimento vindo da usina de Ribeirão das Lajes. Para ganhar a concessão de bondes e luz aqui teve que enfrentar poderosos lobbys políticos a favor da família Guinle, que também tentou operar em São Paulo. Aliás, os Guinle aparecem como os vilões da história da Light. Em 1912 as duas companhias se fundiram e criaram a Brazilian Traction Light and Power. A Light inicialmente também distribuiu gás e telefone. A herdeira desta empresa é a Brascan - Brasil-Canadá Ltda. - que hoje administra o Shopping Rio Sul.

Comprei o livro há quatro anos em uma feira literária na Praça Porto Rocha, em Cabo Frio. E em promoção: por 10 reais. Na ocasião eu também comprei o livro Aconteceu na Manchete. Seu preço atual de capa é de R$ 81.90, mas na Saraiva está em promoção por R$ 77,81. Por esse preço, é claro que eu não compraria. 



Avaliação
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Light - A história da empresa que modernizou o Brasil
Autor: Duncan McDowall
Tradutora: Helena Maria Andrade do Nascimento
Gênero: História
Ano de edição: 2008
Formato: 15.5 x 23 cm
Págs: 559
ISBN: 9788500022180
Preços: R$ 81,90
R$ 77,81 na Saraiva 

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