domingo, 28 de fevereiro de 2010

Por Ed Santos




Enquanto a massa polar derrete e o sol esquenta cada vez mais nos trópicos, ele simplesmente sua as mãos de tanto movimentar manches e apertar botões coloridos.
Quando a criação lhe informou que ele seria alguém não relutou, mas desconfiado, desceu a escadaria da realidade e foi-se para o que sempre quis fazer. A maior ânsia era controlar a vida alheia, e nas madrugadas frias, após despejar-se sobre a manta fedorenta e lilás, tentava dormir por duas horas, mesmo sabendo que não conseguiria.
Então levantava, saía e andarilhava até voltar suado e com  preguiça. Vez por outra trazia nas mãos um livro. Lia-o, devorava-o e devolvia-o, para depois amanhã trazer outro. E assim ia.
De noite, a mesma coisa. Tentava transferir para o virtual a sua vontade frenética e seu desejo verde de ser alguém. Mas como? No ócio? Ia percorrendo o trajeto, sem  ao menos saber onde iria chegar ao certo. Cada fase escondia uma surpresa. Cada moeda dourada que conseguia colher era motivo de euforia e brilho, muito brilho. As etapas iam ficando cada vez mais turvas e difíceis. No início, tudo era belo. Os arbustos pela trilha escondiam flores com fragrâncias docemente delicadas. Os animais todos receptivos e mansos. O céu azul com um brilhante e amarelo sol aceso. No meio do percurso, via que as coisas começaram a mudar. Tinha que se defender dos animais que cada vez mais demonstravam-se ferozes, e as árvores tornaram-se plantas perigosas e ameaçadoras. Nem o céu manteve sua coloração original e de azul celeste, passou a cinza-avioletado. Trevas?
Na continuidade, em  cada passo, agora dado em maior intervalo de tempo, ficava registrado uma trajetória cautelosa. Desde aquele tempo em que sujava a manta, seu desejo era simplesmente chegar. E o céu cinza-avioletado ajudou a desvendar que nunca será necessário buscar nada. As moedas douradas vão aparecendo por aí. Cabe apenas dar uns pulos, levantar as mãos e alcançá-las. Os poderes adquiridos e a experiência acumulada em cada etapa ajudam a perceber melhor cada passo dado e aumenta a defesa.
Em algum momento alguém  lhe disse que cabe a cada um buscar o seu pote de ouro. Mas não há potes para todos. No jogo da vida, ele pode aparecer do nada, mas também pode simplesmente ficar lá quieto no seu canto e passar despercebido. Ele simplesmente ignora a segunda opção e continua a caminhar. Farta-se de moedas douradas, e a cada pulo, ganha uma vida. 
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sábado, 27 de fevereiro de 2010

Por Gustavo do Carmo


Não vou escrever esta crônica para dizer que eu prefiro conviver com pessoas antipáticas. Pelo contrário. Não deveria existir antipatia no mundo. E nem estou desconfiando de todos os simpáticos. Mas compreendo os antipáticos e acredito que alguns deles são mais confiáveis do que aqueles que concordam com todas as suas opiniões, que sempre te tratam bem e estão sempre sorrindo para você. A traição de uma pessoa simpática dói mais do que o “fora” de um antipático.

O antipático não te dá confiança à primeira vista. Mas ele pode te ajudar nas horas mais difíceis. E mesmo com a sua antipatia ele te ajuda. Ajuda você a não ser bobo e ingênuo, a não acreditar sempre em tudo e te faz amadurecer. Claro que nem todos os antipáticos ajudam. Tem gente arrogante até a alma.

Algumas pessoas mal intencionadas sempre fingem ser gentis e cordiais. Os contistas-do-vigário, por exemplo, são simpáticos e quando ganham confiança, te passam para trás. Roubam tudo que é seu. Lembra da história do Marconi Ferraço da novela Duas Caras? Tirando alguns excessos de licença poética, isso acontece na vida real.

Ainda da ficção uso as personagens que aparecem misteriosas e de caráter dúbio nas novelas e filmes, mas que no final se revelam grandes heróis. Em contrapartida, tem aqueles bonzinhos que mudam de lado. Alguns nem chegam a mudar. Antipáticos permanecem como vilões e os simpáticos são os mocinhos. Melhor assim.

Na vida real, os maiores exemplos de simpáticos que não são confiáveis são os políticos (além dos estelionatários, claro). Do outro lado temos os queridos antipáticos. Aquelas pessoas que ficaram famosas por seu talento profissional e também pelo mau-humor com que tratavam fãs e jornalistas.

Na minha vida pessoal, tive casos de simpáticos que me enganaram e me boicotam, mas não assumem (este segundo faço questão de colocar no presente). Os primeiros prometeram oportunidades, mas não cumpriram. Quando eu os cobrei, não gostaram. Assumiram a sua antipatia e me esqueceram. O antipático não promete nada. Dependendo do que você falar ou pedir, ele nem deixa você chegar perto dele. Eu mesmo confesso que sou um simpático falso. Às vezes, sou antipático.

O antipático não é um mau caráter. Sua antipatia é apenas por timidez e uma opção pessoal de não demonstrar sua confiança facilmente para ninguém que não lhe interessa. Por isso, respeito os antipáticos. Eles são humanos. E autênticos.
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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Por dudu oliva

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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Uma sequência de selos dos Açores, desde o surgimento do selo no nosso País, até aos nossos dias.
Um vídeo muito interessante, que nos leva a conhecer toda a Filatelia Açoreana, desde postais máximos, séries, carimbos de 1º dia.
Música de fundo de Rão Kiao, músico português de origem indiana.

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domingo, 21 de fevereiro de 2010

Por Ed Santos


Rosa de Ouro diz: Oieeeeeee......

Rosa de Ouro diz: quero te fazer um convite


Rosa de Ouro diz: vo fazer o niver do meu filho no sitio dia 24 de fevereiro


Rosa de Ouro diz: vc bem que poderia vir e trazer a plebe né


Carlos Alberto diz: a galera foi passar o final de semana na praia... fiquei sozinho, eu e eu....e o vinho... comprei um chileno


Rosa de Ouro diz: ahhhhhhhhhhhhhhh


Rosa de Ouro diz: e pq num me ligou


Carlos Alberto diz: até pensei, mas não te achei na rede... imaginei que tava fora...


Rosa de Ouro diz: ahhhhhhhhhhhhhh vai


Rosa de Ouro diz: p estas coisas tem um aparelho chamado celular...sabia


Rosa de Ouro diz: tira muits duvidas das pessoas


Carlos Alberto diz: sei que sim...


Carlos Alberto diz: na realidade quando isso acontece, é o tempo pra ficar sozinho entende???


Rosa de Ouro diz: sim...


Rosa de Ouro diz: entendo...


Rosa de Ouro diz: ai se eu naum tiver uma costelinha p dividir um sofa e ficar sem fazer nada no final de semana...ahhhhhhhhhhhh.................to infeliz.....


Carlos Alberto diz: coisa de viado.


Rosa de Ouro diz: kakakakaka


Rosa de Ouro diz: meu...eu as vezes acho que eu que naum so normal


Carlos Alberto diz: eu tenho certeza que não sou!!!


Rosa de Ouro diz: nunca vi um ser que necessita tanto de pele....cheiro...calor....rs


Carlos Alberto diz: tanho essa necessidade também... quero o meu cheiro!!!!


Carlos Alberto diz: mas o calor alheio... rerere...


Rosa de Ouro diz: kakakakaka


Rosa de Ouro diz: calor sem cheiro num rola


Rosa de Ouro diz: cada pele tem o seu


Carlos Alberto diz: é isso.


Carlos Alberto diz: os dois se completam, meu cheiro, e o calor alheio!


Rosa de Ouro diz: eu so a quimica em pessoa...rs


Rosa de Ouro diz: rs...


Rosa de Ouro diz: vc é cheiroso


Carlos Alberto diz: sou modesto.


Carlos Alberto diz: sua temperatura, a quantas anda?


Rosa de Ouro diz: quente....................muito quente......................rs


Carlos Alberto diz: jazz


Rosa de Ouro diz: nem vo falar nd..rs


Carlos Alberto diz: só sente.....


Rosa de Ouro diz: olha


Rosa de Ouro diz: num provoca...


Carlos Alberto diz: sacaneei agora né?


Rosa de Ouro diz: é mas vc brinca com fogo


Carlos Alberto diz: isso eu faço muito bem.


Rosa de Ouro diz: é...mas e dai...só brinca?


Carlos Alberto diz: tá me tirando?????rsrsrs


Rosa de Ouro diz: naum...


Rosa de Ouro diz: curiosidade


Carlos Alberto diz: ah tá, é que pareceu meio são tomé.


Rosa de Ouro diz: se brinca com fogo pode se queimar...ai sim sente o calor...ahhhhhhhhhhhhhhh...entendeu


Carlos Alberto diz: risco é uma coisa que sempre me perseguiu...


Rosa de Ouro diz: hum...


Rosa de Ouro diz: gosto disso


Carlos Alberto diz: agora cá pra nós, vinho, perfume e calor... cê quer o que?


Rosa de Ouro diz: todos


Rosa de Ouro diz: perfume não


Carlos Alberto diz: pára!!!


Rosa de Ouro diz: vinho...pele ...cheior...calor...


Rosa de Ouro diz: um depois do outro


Rosa de Ouro diz: depois do calor...


Rosa de Ouro diz: sera o que vem...


Rosa de Ouro diz: vc sabe?


Carlos Alberto diz: sei.


Rosa de Ouro diz: diz...


Carlos Alberto diz: fumaça e cinza.... para os pessimistas....


Rosa de Ouro diz: brigadu hem...
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sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Por Dudu Oliva



Albertina, esposa de um médico vienense muito bem-sucedido (Fridolin), narra a ele uma fantasia sexual. A partir daí, na mesma noite, ele faz uma viagem vertiginosa entre a realidade e o sonho. Sua aparente tranqüilidade é abalada com a fantasia da esposa, ele se sente traído por ela. Ao decorrer da história, Fridolin entre em contato com seus desejos reprimidos e aventuras eróticas que se assemelham a um sonho delirante. o cineasta norte-americano Stanley Kubrick baseou-se neste pequeno romance de Arthur Schnitzler, para fazer seu último filme: De Olhos Bem Fechados(1999), com Tom Cruise e Nicole Kidman nos papéis principais.


Quando retorna para casa, Albertina revela a ele que sonhara que estava num bacanal no qual o marido era condenado à morte, coincidindo com a experiência que ele teve, ao ir a um baile de mascarados de penetra, onde passara por experiências que nunca pensara em provar. A história possui muitos elementos psicológicos, principalmente analisados pelo psicanalista Freud. “ Um sonho é a realização de um desejo.”. Portanto, Fridolin sentiu realmente traído pela mulher. Também, a narrativa mostra o conflito entre a razão e o instinto: “ Somos feitos de carne mas temos de viver como se fôssemos de ferro.”( Freud). Fridolin passa o tempo inteiro a sofre uma angústia, devido a sua posição e os desejos que brotaram nele, quando ouviu a revelação da esposa.

Ao terminar de ler o livro, comecei a pensar em algumas questões como, por exemplo: se realmente deve revelar tudo para o outro, mesmo os sonhos e pensamentos mais íntimos? Ou há necessidade de ocultar algumas verdades com fantasias e máscaras para proteger uma relação afetiva? Será que é preciso dizer a verdade sempre ou há coisas que somente nos dizem respeito? Eu acho que existem certas coisas que ninguém precisa saber. São inofensivos segredos e desejos íntimos, os quais carregamos para a tumba.
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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010


João Paulo Mesquita Simões



Fez vinte anos no passado dia 11, que Nelson Mandela foi liberto do longo cativeiro, por ter lutado contra o racismo e a violação dos direitos humanos na África do Sul.

Estudou Direito em Joanesburgo e em 1942 aderiu ao Congresso Nacional Africano (ANC). Percorreu o país para organizar a resistência política contra o apartheid. Por causa desta iniciativa, foi preso e condenado a pena suspensa. Durante os anos 50 lutou contra a repressão dos brancos e foi muitas vezes perseguido, detido e preso.

Em 1960, o ANC foi banido e Mandela organizou uma greve nacional de três dias e saiu do país ilegalmente para fundar o Umkhonto we Sizwe (Lança da Nação). Quando regressa à África do Sul em 1964, foi condenado a prisão perpétua e, após várias pressões internacionais, é enfim liberto pelo presidente Klerk em 1990. Em 1991 torna-se presidente do ANC e, em 1993, Klerk e Mandela formam um governo de unidade nacional com eleições livres pela primeira vez. Ambos recebem o Prémio Nobel da Paz.

Mandela torna-se o primeiro Presidente negro da África do Sul de 1994 a 1999.

O bloco aqui apresentado é da República do Mali e apresenta-nos Mandela com a Princesa Diana numa das suas visitas à África do Sul. Esta peça faz parte da minha colecção de selos de Diana.


(Baseado no Livro “1000 anos de Personagens Famosas”)
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domingo, 14 de fevereiro de 2010

Por Ed Santos


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sábado, 13 de fevereiro de 2010

Por Gustavo do Carmo



Crédito da foto: storebodes.blogspot.com/2009/05/rei-momo.html , blog de Thais Linhares

Moacir sempre comeu de tudo. Desde os saudáveis legumes e verduras até os pecaminosos fast-foods norte-americanos, passando pelo churrasco também. Obviamente, preferia esses últimos, embora nunca tenha rejeitado as comidas naturais.



Seus pais fizeram a parte deles. Da mesma forma que o obrigaram a comer verduras e legumes nos seus primeiros cinco anos de vida, acostumaram-no com mimados passeios no McDonald’s, Bob’s, Gordon, ofereceram-lhe cachorro-quente e pizzas e o recompensavam com saborosos e suculentos doces e sorvetes quando comia toda uma sopa de cenoura com inhame. Adorava um rodízio: churrascos, massas, pizzas, sushi, petiscos...


Foi crescendo e dando prioridade ao sabor em detrimento à saúde. Moacir viveu a infância como um simpático menino gordinho, de bochechas suculentas e paupáveis. Na adolescência tornou-se o gordinho brincalhão e atrapalhado da turma. Chegou à faculdade com a mesma fama, no entanto, muito mais gordo.


Moacir definiu-se um adulto obeso, ansioso e deprimido. Não conseguiu emprego e nem namorada. Foi discriminado por todo mundo pela sua gordura. Amigos, mulheres e recrutadores de recursos humanos o rejeitavam. Os da faculdade e outros cursos que ele fez para se especializar o abandonaram depois da conclusão.

Também era tímido e tinha déficit de atenção e transtorno de ansiedade social. O que o atrapalhava nas entrevistas. Atingiu os trinta anos ainda dependendo das rendas do seu pai que, obviamente, perdeu a paciência e começou a lhe cobrar.


Obrigava-o a prestar concurso público ou arrumar um emprego qualquer, mesmo os mais humildes. Quando não tinha sucesso em suas exigências o aterrorizava com crises financeiras ou ameaças de deserção.
— Eu vou morrer falido e deixar você e sua mãe desencaminhados.


Moacir fazia a sua parte. Distribuía currículos, procurava contatos e fazia alguns concursos. Tímido em excesso, se atrapalhava nas entrevistas. Mas sua obesidade piorava a situação. Moacir ficava em dúvida se era reprovado por ser tímido, ansioso, desatento ou obeso.


A mãe, por sua vez, o defendia das cobranças profissionais do pai. Mas só nos momentos de discussão violenta, na hora do desabafo. Quando ficavam sozinhos, também dava umas broncas. Acusava o filho de preguiçoso e o obrigava a fazer dieta. Moacir tentava, mas não conseguia. A ansiedade e a depressão o levavam a comer tudo de volta. Já fazia questão de engordar de propósito para ter um ataque cardíaco e morrer.

Voltando ao pai, ele dava uma trégua nas cobranças profissionais. Mas mudava o foco para o seu peso. Numa das inúmeras discussões o velho ironizava:


— Você está se preparando para se candidatar a Rei Momo?
— Ainda não. Mas sabe que o senhor me deu uma ótima ideia?

Moacir, que já era apelidado de Momo desde criança, embora nunca fosse esse o seu sonho, decidiu se candidatar a Rei do Carnaval. Teria a rainha e as princesas, belas mulheres, em sua volta. Receberia a chave da cidade das mãos do prefeito e abriria o desfile das Escolas de Samba.

Gostava de sambar e decidiu ir à Cidade do Samba se inscrever. Foi desclassificado. Na hora da pesagem descobriu que estava acima dos 150 kg de limite máximo para ser elegível. Pesava 200 kg. Era uma nova norma politicamente correta do incentivo à vida saudável.

Frustrado, seguiu até o Centro e afogou as mágoas num restaurante do McDonald’s. Só saiu de lá rebocado.
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Por dudu oliva


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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010




João Paulo Mesquita Simões






Sobre o selo
No selo estão representados os pratos salgado e doce da culinária brasileira, que receberam influência portuguesa: o cozido completo, feito de carnes e legumes, e o quindim, cujos ingredientes principais são gemas de ovos, açúcar e coco. No canto inferior esquerdo, visualizam-se os quindins e, acima, o cozido, disposto em prato de porcelana. O contraste de texturas e cores dos ingredientes do prato salgado se completa com o pirão, acompanhamento adequado para degustação do cozido. As flores e os azulejos portugueses, na parte superior, complementam o conjunto com leveza. Foram utilizadas as técnicas de fotografia e computação gráfica.
A Valiosa Contribuição Lusitana à Gastronomia Nacional!

Com esta emissão, os Correios confirmam, por meio da Filatelia, o compromisso de propagar os valores culturais nacionais e sua importância para o povo brasileiro, ao mesmo tempo em que destacam a culinárhttp://www.selosefilatelia.com/PastaLancamentos/022.htmlia portuguesa, que proporcionou inestimável contribuição à gastronomia do Brasil.

“Alimentação revela origens, civilidade, comportamentos, culturas. A gastronomia é a história cultural dos alimentos. Sua essência é a mudança, a temporalidade, a visão do passado como processo contínuo de perspectivas sobre tendências, sobre o constante e o eventual”. (Araújo et al.,2005).

As particularidades das cozinhas regionais brasileiras coexistem, em grande parte, em função da originalidade da integração entre os novos produtos, trazidos pelos portugueses e africanos, e os nativos, utilizados pelos indígenas. Importantes áreas do País também receberam forte influência da culinária de outras culturas, por meio dos imigrantes, principalmente italianos, alemães e japoneses. A gastronomia no Brasil apresenta marcantes diferenças entre as regiões, porém se observa a presença comum de alguns alimentos tradicionais, como a mandioca.

O Brasil, habitado por índios de diversas tribos, foi descoberto e colonizado por lusitanos, cuja culinária recebeu a influência moura no cultivo de açafrão, tomilho, cebola, e nas combinações alimentares harmoniosas, apesar da reduzida variedade de ingredientes. “A monocultura adotada pelos portugueses afetou a gastronomia nacional. O padrão alimentar do brasileiro era monótono: mandioca e derivados, frutas nativas e carnes de caça, cada vez mais raras”. (Freyre,1933). O predomínio das culturas lusa, indígena ou africana variou conforme a região. Em Pernambuco, no entanto, se equilibravam as três influências. A alimentação refletia os hábitos da população, mesmo com as dificuldades para aquisição e transporte de alimentos.

Os portugueses trouxeram bovinos, ovinos, caprinos, suínos, e aves, como galináceos, patos, gansos. Plantaram figo, romã e cítricos nos quintais. Semearam arroz, melão, melancia. Nas hortas cultivaram abóbora, gengibre, mostarda, hortelã, manjericão, cebola, alho, berinjela e cenoura. Recompuseram a mesa farta da metrópole lusa do século XVI: galinha cozida, assada, arroz de forno, perus, leitões, cabritos e, também, a arte da doçaria. O que não se produzia no Brasil, como azeite doce, azeitona, queijo do reino, se importava.

A história do doce no Brasil começa com a chegada dos colonizadores, que trouxeram os primeiros exemplares, dentre eles o Farfém da Beira, bolo com recheio, o primeiro aqui degustado. O doce, em nosso País, assim como em Portugal, teve grande importância nas relações sociais e familiares, muito ofertado em visitas; lá, em sua maioria, eram feitos com açúcar, ovos, farinha de trigo, leite de vaca e manteiga, enquanto aqui se utilizavam, entre outros ingredientes, o ovo, a goma de mandioca, o leite de coco e frutas tropicais. Com climas e solos variados, o Brasil dispunha de frutas nativas, já utilizadas pelos indígenas, e mais tarde contaria com os produtos portugueses e africanos introduzidos. Foram então sendo substituídos os ingredientes lusos tradicionais pelos nativos, como as suculentas frutas tropicais, bem como o melado, a rapadura e o açúcar cristal, propiciando a criação de deliciosas iguarias.

Raquel Braz Assunção Botelho Professora Adjunta – Departamento de Nutrição Universidade de Brasília

DETALHES TÉCNICOS
Edital nº 21 Arte: Luciana Bricio Processo de Impressão: ofsete Folha: 30 selos Papel: cuchê gomado Valor facial: R$0,90 Tiragem: 600.000 selos Picotagem: 11,5 x 12 Área de desenho: 35mm x 25mm Dimensões do selo: 40 mm X 30 mm Data de emissão: 8/8/2008 Local de lançamento: Brasília/DF Impressão: Casa da Moeda do Brasil Prazo de comercialização pela ECT: até 31 de dezembro de 2011 (este prazo não será considerado quando o selo/bloco for comercializado como parte integrante das coleções anuais, cartelas temáticas ou quando destinado para fins de elaboração de material promocional.) Versão: Departamento de Filatelia e Produtos/ECT.

Peças filatélicas montadas com base no selo, no FDC e no carimbo comemorativo de primeiro dia de circulação.






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domingo, 7 de fevereiro de 2010

Por Gustavo do Carmo



Quando li no Prosa & Verso, d’O Globo, uma matéria sobre a nova biografia da Clarice Lispector, escrita pelo norte-americano Benjamin Moser, logo me interessei. Corri à internet para saber do seu preço. Esperava que custasse uns 45 reais. Quase caí para trás quando descobri que o livro “Clarice,” custa R$ 79. Com uma promoção feita pela FNAC ou a Saraiva na internet até sai por 56. Fui pessoalmente a uma livraria e vi que o livro é bem grosso e tem capa dura. Mas será que esse livro merece custar quase 80 reais?


Confesso que só tenho acompanhado o mercado literário e me viciado em livros apenas nos últimos cinco anos. Com o dinheiro contado e não podendo comprar compulsivamente, tenho percebido que o livro também tem o seu custo-benefício.


A maioria dos livros do mercado tem um preço justo. Custam na faixa de 35 e 40 reais, mas compensam pelo bom conteúdo, não pela espessura. Claro que poderiam custar bem menos. Por exemplo: um livro de bolso deveria custar no máximo 10 reais. Os de tamanho médio no máximo 30 reais. Os mais grossos, entre R$ 40 e R$ 50. Acima de R$ 60, só os com mais de 1.000 páginas e os de arte.


Quando fui lançar o meu primeiro livro, Notícias que Marcam, a editora queria vender por 32 reais. Pedi o valor de vinte e nove porque eu sou autor desconhecido e ninguém queria investir mais de trinta reais num livro inexperiente. E ainda teve gente que achou caro.


Voltando aos autores conhecidos, tenho prestado bastante atenção nos livros do escritor, jornalista português e âncora da RTP, José Rodrigues dos Santos. O Codex 632 e A Filha do Capitão custam nas livrarias brasileiras entre 55 e 70 reais. A biografia do ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso custa R$ 70. As de Nelson Rodrigues, Garrincha e Carmem Miranda, escritas por Ruy Castro, têm preço original na faixa dos sessenta. Se tornaram os meus sonhos de consumo. Vale a pena pagar tudo isso?


Por outro lado, livros blockbusters como Harry Porter, Crepúsculo e Dan Brown são grossos e custam entre R$ 30 e 40. Esses livros têm em média umas 500 páginas. Porém, nunca gostei desse gênero.


Um bom custo/benefício que eu achei foi do livro A rotativa parou!, escrito por Benício Medeiros, que conta a história do fim do jornal Última Hora. Seu preço de capa é 29,90 reais. No entanto, ele não é grosso, mas o tema é interessante. Vale quanto custa? Talvez. Ainda não o li.


A minissérie Dalva & Herivelto, exibida pela Rede Globo no início do ano, motivou as vendas de dois livros de custo/benefício quase oposto ao outro. Minhas Duas Estrelas, sobre o casal principal da história, escrito pelo seu primogênito Pery Ribeiro, sai por 39 reais. Preço razoável pelo seu volume. Só que há também a versão escrita por Yaçanã Martins, que fala do pai Herivelto Martins com sua mãe Lurdes Torelly (Herivelto como conheci). Publicado pela editora Espassum, com sua espessura fina poderia custar uns 20 ou 25 reais. Mas seu preço é de R$ 38,40. Caro, né?


Outro exemplo de dois custos/benefícios de um mesmo assunto ou autor são as coletâneas de Nelson Rodrigues reeditadas pela Agir. O primeiro da série A Vida Como Ela É, aquele ‘tijolão’ de 100 contos, custa 62,90 reais. Vale a pena. A diagramação é boa e as letras são grandes.
O segundo volume, intitulado “Elas gostam de apanhar”, tem preço de R$ 36,90. O custo/benefício é médio como a sua espessura. A coisa começa a encarecer com o quarto livro da série (o terceiro é uma edição de bolso chamada O Marido Traído): Não tenho culpa de que a vida seja como ela é custa R$ 44,90. O benefício é bom, mas para quem já leu os outros livros, deve estar enjoado. Ou não? Será que Nelson Rodrigues enjoa?


Já os romances do autor são um pequeno assalto. Começam nos 41,90 e chegam até aos 65. E as crônicas? Tem um chamado A Menina Sem Estrela que chega a R$ 69,90. Quer uma saída? Há alguns títulos de Nelson Rodrigues ainda editados pela Nova Fronteira que custam na faixa dos vinte reais.


Quer os títulos que eu citei? Procure nos sebos ou nos sites de troca de livros. O http://www.trocandolivros.com.br/ é ótimo. Quer livros de domínio público? Acesse http://www.dominiopublico.gov.br/ e baixe-os em PDF. Eu já estou fazendo isso para adquirir esses livros muito caros. Os de bom custo/benefício eu tenho prazer de comprar nas livrarias.

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sábado, 6 de fevereiro de 2010

Por Ed Santos

“Desde ontem tô meio estranha. Com uma coisa aqui na barriga”. Foi assim que recebi o bom dia da Irene esta manhã. Ela tinha se revirado na cama a noite toda, e eu com meu sono leve acompanhei sua dança dos lençóis. Ela nunca havia reclamado de nada semelhante durante estes anos todos.

Nos últimos meses, vamos combinar que o bicho pegou lá em casa. Reforma, contas pra pagar, corre-corre de fim de ano, e o bendito poodle que teve um problema lá nas costas que teve que ficar internado durante uma semana. O tal do cachorro-de-madame lá de casa, não satisfeito com os petit gateaus providenciados diariamente pela dona Irene resolveu agora dar despesa maior com diárias no veterinário e florais para a coluna.

Não sei quem inventou essa história de pet. É pet daqui, pet de lá. No meu tempo de criança (primeiro neto - fui criado com a minha avó e tias – será esse o problema?) lembro que o Duque nunca precisou ir no veterinário. O vira-latas do meu avô respeitava todos de casa, mas se aparecesse alguém de fora ele já mostrava os caninos e avançava sem piedade. E não lembro em momento algum de alguém levando ele no veterinário por mais que fosse uma diarréia mal cuidada. Naquele tempo as rações eram pouco comercializadas e os cachorros fartavam-se com a raspa do tacho. Nos momentos de gratidão da minha vózinha, o cão era feliz em saborear uma deliciosa polenta com arroz e pé de frango.

O certo é que aquela indisposição da Irene era uma dor de estômago proveniente de uma gastritezinha adquirida por conseqüência do stress e da rotina atribulada. Mas olha só, nem disso as pessoas eram acometidas em tempos passados. Quando um tinha dor de estômago, era porque muito provavelmente havia comido alguma coisa que não descera bem. Stress não existia.

Fiquei muito bravo com a Irene porque sempre pedi pra ela se alimentar melhor, cuidar mais da saúde e fazer exercícios físicos. Ela tentando me agradar, até comprou um daqueles simuladores de caminhada vendidos nos canais de TV. Já faz pelo menos uns seis meses que ele tá lá no armário guardado. Outra coisa que sempre peço é que ela pense mais em si própria, e forço: “Deixa essa maquina de lavar roupa pra depois e senta aqui do meu lado pra gente se curtir um pouco!”, e a resposta: “Pérai que to terminando aqui! A gente precisa fazer as coisas primeiro, depois descansa!”. Eu sempre defendi que primeiro eu tenho que ficar bem pra fazer “as coisas”, e não fazer “as coisas” primeiro pra depois ficar bem. Um dia a gente se acerta.

Então, depois de uns bons goles de leite gelado diariamente e de suco de couve tomado sem açúcar e em jejum todo dia, a Irene pôde enfim, voltar a dormir bem, e acordar melhor. Parece que tirou o pé do acelerador. Eu é que continuei com minha ingrata insônia e meu sono de bebê. Agora são o poodle não para de latir à noite toda, e eu, dormir que é bom...

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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

de Miguel Angel


Depois de dias de saques e degolas, fuzilamentos e violações, a fazenda de D. Eduardo Antunes teve o azar de cruzar o caminho do coronel paraguaio Barrios, um dos condutores da bem sucedida incursão em território brasileiro. Avistando a sede da fazenda, o coronel ordenou a tropa avançar pela propriedade, cercar todo gado à vista e invadir a casa sede. Sem nenhum oponente de monta, a missão foi concluída em poucas horas; o mandante estrangeiro foi chegando à residência, encontrando-a quase coberta pela fumaça dos incêndios nos pastos, estrebarias e manjedouras; a um canto do edifício, alguns prisioneiros, a maioria de pretos idosos, já reunidos em grupo, esperam apreensivos. O coronel deteve seu cavalo à frente da sede a contemplar o sucesso da empreitada. Subitamente, do seu interior, surgiu um homem encanecido, de garrucha e peito aberto se postando na sua frente e, apontando a arma ao comandante, ordenou raivoso:
– Saiam de minhas terras, seus paraguaios de merda!
A coronhada dada por um diligente soldado o lançou por terra aos pés do chefe invasor, junto com a garrucha depressa inutilizada a botadas. A valentia impertinente condenou o velho ao açoite como inicio de exemplo aos candidatos a ousadias e, após ordens gritadas em conciso discurso, ao fuzilamento, junto com todos os outros prisioneiros ali reunidos.
– Senhor coronel! Peço-lhe em nome de Nossa Senhora. – suplicou de braços abertos em rodopio, a mulher branca que surgiu do grupo de prisioneiros, arrastando uma velha senhora tentando detê-la, agarrada à saia; assustado, o cavalo do Coronel recuou com o imprevisto; no bamboleio o paraguaio desequilibrou-se e teve de segurar-se na sela. Súbito, um soldado adiantou-se e agarrou o braço da mulher com a intenção de quebrá-lo, mas o coronel o deteve com um gesto.
– Quem me enfrenta? – perguntou o oficial nervoso, do alto de sua montaria. O soldado, puxando-a pelo cabelo, expôs seu rosto à pergunta.
– Meu nome é Raquel. Sou filha daquele varão que o senhor mandou açoitar e fuzilar.
– Porque merece! Quem vai me impedir?
– Não serei eu, senhor! Mas, Deus! E a justiça dos homens justos e cristãos.
– Onde estão eles? No Mato Grosso? No Brasil? – zombou o oficial e a soldadesca gargalhou ruidosamente.
– Não senhor. Quero crer que na minha frente!
– Silêncio! – ordenou num grito o coronel, um tanto confuso com a ilação.
A soldadesca calou. A mulher mais velha, apavorada, insistia em tirar a outra dali, mas esta, esquivando-se no empurra-empurra, permitiu acidentalmente a idosa ir ao chão.
– Quem é essa velha? – vociferou o paraguaio, incomodado com a interrupção.
– Minha mãe, senhor. – respondeu a mulher, ajudando-a a se erguer. E continuou, valente. – Uma velha cristã que o senhor mandou fuzilar!
O oficial hesitou um segundo.
– Mandei?... Sim!
E concluiu categórico:
– Inimigo se fuzila!
– Esse ancião, estas mulheres e aqueles velhos escravos, são seus inimigos, senhor?
– Todos os brasileiros são!
– O Brasil está repleto deles, senhor. Vai fuzilar todos!
– Como fiz com todos os abusados que apareceram na minha frente!
– Estou na sua frente. Mas poupe minha família.
– Atrevida! – mordeu o oficial desmontando, desembainhou a espada e acercou-se dela. Nas faces incendidas da mulher e no porte, altivez; na mirada, repulsão. Nesse instante, uma jovem dona surgiu do interior da casa e, atabalhoadamente, juntou-se à outra.
– Outra louca? Quem é essa? – quis saber o invasor, surpreso.
– Volta pra dentro Beatriz! – ordenou apreensiva a chamada Raquel, forcejando para apartá-la de si.
O militar olhou-a detidamente demonstrando apreço pela bela mocidade que via, e concluiu:
– Sua irmã, parece. – Embainhando a espada, chamou: – Tenente! – O solicitado perfilou-se. – Quero essa mulher hoje na minha barraca. Vou ensinar a estas brasileirinhas atrevidas a comportar-se diante de uma autoridade paraguaia.
– Si, senhor! Qual delas? – confundiu-se o oficial.
– Estúpido! Escolha!
O tenente agarrou a mais jovem com brutalidade, mas o superior conteve-o com um berro:
– Comporte-se, tenente! Cortesia é a mais evidente prova de civilização de um exército. Não quero que andem dizendo que os paraguaios são mal educados. Não precisa de violência com mulheres de categoria. Mesmo sendo brasileiras.
Remontando, ordenou:
– Mande evacuar a tropa desta região, tenente! Vamos embora. – Cravou os olhos em Raquel e emendou: – Por enquanto. – Afrouxou as rédeas e as esporas arranharam o flanco do animal que partiu imediatamente à frente do pelotão em ordem-unida e pelo retrasado tenente que conduzia o cavalo montado pela moça chamada Beatriz.
O pó levantado pela tropa não se assentara e a velha senhora acudia o marido, sangrando de uma ferida na fronte, ainda curvado no chão.
– Velho teimoso! Quase te matam! – queixou-se a esposa.
– Teimosia maluca que quase nos mata a todos! – disse Raquel, olhando o bando de soldados se perder na distância, e ajuntou. – Então, dom Eduardo, achou que essa espingarda velha ia deter o exército paraguaio? – Ajudando a mãe a alçar o homem. – Desta vez, passou. Vamos cuidar das feridas. – Alguns escravos correram amparar os amos. Dando uma olhada em redor, Raquel chamou. – Ezequiel! – Os pretos se entreolharam. – Mais outro preto fugido. – concluiu.
– Meu Deus, Raquel. Que vão fazer com minha filha? – angustiou-se a velha senhora esfregando as mãos no peito formando uma cruz.
– Ninguém mandou aquela tonta dar uma de valente. – zurziu com dureza a irmã da sequestrada.
– Salvou a vida de teu pai! As nossas! – criticou o ferido D. Eduardo, recompondo-se aos poucos. Raquel calou. Fez uma pausa e chamou de novo – Ezequiel! – sem esperar réplica foi entrando na casa, suas ordens retumbaram pelo edifício avarandado. – Limpem tudo! Recolham as galinhas e os bichos que restaram, apaguem o fogo na estrebaria, sepultem os mortos e curem os feridos. – A última ordem gritada ecoou pelas matas: – Encontrem Ezequiel!

Num matagal não muito distante, o grupo formado por alguns negrotes e vários índios ouve o nome retinir na lonjura e param o trote. Exultante, o nomeado esclarece aos companheiros:
– É sinhá Raquel! Conseguiram sobrevivé aos paraguaios! Volto lá! Vosmecês continuem pro arraiá. – O grupo aquiesce e continua a cavalgada. O negro Ezequiel comanda a sua, atrás do chamado.
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Extraído do romance "Sobre Moscas e Aranhas de guerra" de Dalton W. Reis
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