domingo, 1 de fevereiro de 2009

QUEDA DE SISTEMA II

Por Ed Santos

Eram 06h47. Acordei atrasado pra variar, e nem tomei banho. Peguei as chaves e sai. Só quando estava dobrando a primeira esquina percebi que estava chovendo porque tive que ligar o limpador do pára-brisas. A Dona Helena chega religiosamente as 07H00, toda quinta-feira faça chuva ou faça sol, e eu saio pro trabalho às sempre que dá, às 07h30.

Na noite anterior trabalhei até tarde e não lembrei de passar no caixa eletrônico, então saí correndo pra poder tirar dinheiro pra pagar a diária. Moro próximo do centro da cidade, é só descer uma rua que já estou lá. Fui no banco que tenho conta, e adivinha? Sim, todas as telas dos caixas eletrônicos estavam desligadas, sem nenhum sinal de vida.

Segui para a XV de Novembro e parei o carro. A chuva apertou e eu não tinha guarda-chuvas, mas tinha que descer. Atravessei a rua correndo, e entrei em outro banco na esperança de usar aquele serviço de transferência eletrônica que interliga diversos bancos. Tudo bem que eu iria pagar uma taxa (o que não é novidade nenhuma em se tratando de serviços bancários), mas tinha que pagar a Dona Helena. Depois que consegui abrir a porta de vidro já todo molhado, tive a enorme surpresa de encontrar os caixas todos vazios, e funcionando! Que maravilha! Só não consegui efetuar minha transação porque na tela aparecia uma teimosa mensagem: “Sua instituição financeira está temporariamente sem comunicação. Favor tentar novamente mais tarde.”

A chuva apertou. São 07h15 e eu atravesso a rua agora para o lado par. Já não me importo com a água. Entro em outro banco pra ver se conseguiria pagar minha diarista, mas já sem um pingo (sem trocadilho!) de esperança. Não consegui sacar nenhum centavo e a mensagem na tela era “Sem comunicação com sua instituição.” Agora a saída era ir no caixa eletrônico do posto de gasolina que fica no lado oposto do centro. Lá sempre dá certo, aliás, não sei por que não fui direto pra lá.

Agora sim. Desço todo molhado do carro, mas isso não me incomodava mais. Nem percebi que além da chuva ter parado, estacionei o carro na cobertura do posto. Podia cair o maior toró que eu não iria me molhar. Mais. Ninguém na fila, o terminal aparentemente funcionando normalmente. Entrei. Digitei o valor senha, letras de segurança, data de nascimento e cruzei os dedos. “...Aguarde enquanto processamos sua transação ...”. “..Retire seu dinheiro”. Agora sim, tudo certo. Peguei minhas notas, e ao me virar pra sair, alguém que aguardava do lado de fora perguntou:

- Tá funcionando?

- Para a felicidade da Dona Helena, sim!
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