segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Por Gustavo do Carmo, com informações da Divulgação



Fazia tempo que eu não indicava um livro de ficção na segunda-feira. Portanto aí está.

Purgatório não é um lançamento, mas merece ser lido. Foi escrito por Mario Prata, autor de novelas da Rede Globo como Estúpido Cupido e Sem Lenço Sem Documento.

O livro conta na íntegra a história de Dante e Beatriz. Dante é casado com Gema, mas seu verdadeiro amor é Beatriz, que há 25 anos vive na França. Ao voltar para o Brasil, o avião em que ela viajava cai na Baía de Guanabara e ela morre, como pressentiu seu fiel amigo gay Virgílio. Mesmo depois de morta, Beatriz continua se comunicando por e-mail com o amado, direto do Purgatório, intensificando o sentimento de Dante pela namorada de adolescência. A temática que os envolve é a idéia de pecado e de culpa. Esta obra é uma mescla de romance, humor e crítica na medida certa, escrita por quem é mestre nisso. Em breve faço uma resenha.

SOBRE O LIVRO: Purgatório. de Mário Prata. Editora Planeta, 267 páginas. Preço de capa: R$ 39,90.
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domingo, 28 de setembro de 2008

Por Ed Santos

De Aldir Blanc todo ouviu falar. Se não, pelo menos já ouviram O Bêbado e o Equilibrista dele e de João Bosco, sucesso na voz de Elis Regina. Mas e do dentista do Aldir? O musico como todo filho de Deus tinha suas necessidades de cura, suas dores de amores e suas dores de dente, que noite à dentro martelam como um bate-estaca no maxilar.

Diz o poeta que poesia é a mais humilde das artes, e ainda cita que os tijolos estão para os operários assim como a palavra está para o poeta, só que a diferença – não muito intensa, é verdade – é a forma da concepção. O operário segue as orientações de um construtor, que segue as orientações de um engenheiro obediente ao projeto de um arquiteto. O poeta não. O poeta assume as quatro funções de sua obra.

E a musica para o músico? O compositor compõe, o instrumentista toca e o intérprete põe alma à letra. Na minha humilde opinião o músico é utilizador assíduo e freqüente das funções do poeta e do operário, porém o diferencial é a parceria. O poeta é uno, excelso. O operário, obediente, submisso, auto-ordenado. Já o músico, além das características dos nobres confrades, precisa de parceiros, e muitas vezes essas parcerias acontecem de forma inusitada e necessariamente envolta a sentimentos concebíveis apenas através da alma.

Alguém disse que o homem escreve para matar a morte. Eu diria que quem faz música a faz para viver a vida. E a vida sem dor não é possível. É necessário sentir, sofrer, perder. Faz parte, sempre. Dores, dores, grandes incentivadoras da criação. Inclusive a dor de dente.

O Aldir Blanc tem como um de seus parceiros o violonista e compositor Guinga, que é dentista de profissão, e que eventualmente atende o colega. Uma dor como vemos, pode ser motivadora de criação. Nesse caso, literalmente.
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sábado, 27 de setembro de 2008

Por Gustavo do Carmo

A primeira editora que publicou o meu livro fez uma revisão de texto meia-boca, mas bem que tentou distribuir e divulgá-lo. Até em versão digital. Depois de seis meses, o romance, pelo qual paguei para publicar e tive que me virar para distribuir e divulgar, não rendeu o esperado e foi retirado da vitrine. Agora está lá escondido no arquivo do site da editora, perdido em meio a infinitos e indecoráveis códigos de domínio. É mais fácil acessar a página do livro por aqui no blog, clicando na capa. Mas tudo bem. O romance não é muito bom, mesmo. Tem muita bobagem que eu botei no livro.

Procurei outra editora para bancar a publicação da minha coletânea de contos. Consegui. A revisão feita às pressas se repetiu. Só que não houve edição digital e muito menos divulgação. O convite para o lançamento só me foi entregue exatamente na véspera do evento. A data foi agendada logo no primeiro encontro que tive com eles, só que eu não podia divulgar porque estava com medo de acontecer algum atraso. Mesmo sem ainda receber o convite e o projeto gráfico do livro, mandei e-mails e telefonei para os meus amigos, convidando para o lançamento. Apenas uma semana antes. Em apenas um mês o livro também foi escondido no arquivo do site. Seria normal se o meu não fosse o único a sair da vitrine. O da minha amiga, lançado um mês antes, ainda ficou por mais algum tempo. Para quem eu divulgava pedia para acessar o site, ligar ou ir pessoalmente à editora. Ninguém me respondeu se navegou, ligou ou foi até a Lapa. Ou melhor, quase ninguém. Ao ligar para saber notícias do livro, o telefone e o celular do editor não atendia. Imagina o comprador. E o sobrado onde fica a editora estava em reformas.

Entre esses dois livros fiz duas oficinas literárias. A primeira usou como promessa de marketing a possibilidade de editar um livro com os textos dos alunos, produzidos dentro ou fora do curso. Cobrou 50 reais para isso logo na divulgação. A professora e organizadora do curso adoeceu gravemente. Nem sei se sobreviveu. O livro não saiu, a coordenadora da faculdade que abrigou a oficina não deu mais satisfação e a história foi esquecida. A segunda prometeu apenas um blog. O livro foi decidido no decorrer do curso. Felizmente os dois saíram.

A página da internet com os nossos textos saiu escondida no portal da entidade social, com os mesmos códigos indecoráveis dos meus livros oficiais e ainda deletaram um conto meu. Exatamente o que tinha a ver com o tema da oficina: falar de um bairro carioca da zona norte. O livro também saiu. Depois de nove meses e um breve mal-estar com o professor do curso. Mas foi apenas de lembrança para as colegas da oficina, que nunca publicaram um livro, com a promessa de comercializá-lo futuramente. E o futuro ainda está distante. O professor que organizou o curso empurrou para uma colega do centro cultural onde trabalhava. A mulher não deu mais notícias e o rapaz disse que estavam sem contato.

Uma jornalista de uma afiliada do interior do Rio da maior emissora de televisão do país me procurou para me entrevistar como um fã do canal, que inaugurava a sua nova sede. Viajei a essa cidade do interior especialmente para isso. Só porque encontrei, por acaso, a repórter na rua horas antes do combinado e dei um breve depoimento, ela já se deu por satisfeita e cancelou a visita, sem dar nenhuma satisfação. E ainda mandou dizer que não estava quando eu ligava para pedir explicações. Explicações que eu só obtive indiretamente por terceiros. E ainda assim acusado de ter tido ataque de estrelismo. Dois meses depois, um jornal local de televisão daqui do Rio se interessou em divulgar uma reclamação de falta de sinal de trânsito no meu bairro. Ligaram três vezes para remarcar para outro dia. Sempre acontecia um imprevisto. Mas as outras reclamações iam para o ar. Na quarta vez, desisti e pedi educadamente para esquecer. Sem mágoas.

Com as entrevistas eu não queria aparecer (embora seja bom ter alguns segundos de fama), e sim fazer amizade com os jornalistas e aumentar a minha rede de relacionamentos pessoais, importante para o mercado,

Agora um ex-amigo se recusou a fornecer informações oficiais sobre um filme que ele produziu e que eu me prontifiquei a divulgar nas próximas semanas. Alegou motivos contratuais. Mentira, não quis perder tempo com o meu blog, mesmo. Descaradamente me boicotou. Depois vem com discursos hipócritas de que encontrou dificuldades para finalizar o filme.

Os colegas de faculdade e pós-graduação me esqueceram. Uns só me procuram para me dar parabéns no meu aniversário. Nada mais do que isso. Quando eu os procuro ou me tratam friamente ou se acham cobrados e ofendidos. Depois quando eu reclamo, sou criticado com adjetivos de dramático, chantagista, perigoso, revoltado, estressado, precipitado, desequilibrado, imaturo e infantil. E me fazem mais retaliações.

É, com todos esses problemas que eu citei acima, mas tirando três boas exceções que ainda não estão me remunerando (porém, já estou me cansando de trabalhar de graça), por mais que eu batalhe e estude para conseguir o que eu quero chego à conclusão de que eu estou mesmo desprestigiado no mercado. Assim fica difícil ter o retorno rápido que um jornalista me garantiu há oito anos.
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sexta-feira, 26 de setembro de 2008


Sei que é errado sublinhar ou escrever num livro. Mas, ao ler um, que está todo marcado a lápis e escrito ao lado: importante!!, começo a me perguntar, o que levou uma certa pessoa a destacar certos trechos do texto?
Além do conteúdo do livro, há uma interpretação de outro indivíduo; que sublinha e que faz lembretes, nos trechos que considera importantes. Leio as partes grifadas e contraponho com as que acho relevantes. Pegar ou comprar um livro assim, é como levar dois livros em um: o autor narra e o segundo, interpreta a sua maneira, tentando estruturar o pensamento de escritor. Tento articular o meu ponto de vista, com o que estar sublinhado e com o que o escritor argumentou.
E quando há poemas e dedicatórias? Sem querer, entramos em contato com a vida do outro. Ficamos sabendo de confissões, amores e desabafos. Começo a imaginar como foi a vida do primeiro dono daquele livro, porque ele escreveu certa coisa, porque desenhou um coração, que no meio dele estava os nomes Valdinho e Soninha ou grifou um frase do livro e ao lado escreveu: é assim que muitas vezes, eu me sinto.
Acho que sou um pouco vouyer. Gosto de observar a vida alheia. É como espreitar às janelas, olhar pelo buraco da fechadura e ler cartas de outras pessoas.
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quinta-feira, 25 de setembro de 2008



O Pato Donald (nome original Donald Fauntleroy Duck em inglês) é um personagem de histórias em quadrinhos e desenhos animados dos estúdios Walt Disney. É um personagem marcado pela teimosia e por sua voz rouca.
O Pato Donald foi criado em 9 de Junho de 1934, vindo a ser um dos desenhos de maior sucesso e repercussão dos estúdios Disney. Foi dobrado por Clarence Nash, descoberto pelo próprio Walt Disney nas ruas de Los Angeles e responsável pela voz inconfundivelmente rouca do personagem.
Foi um personagem que me marcou e continua a marcar.
Apesar da minha idade – não sou velho! Não pensem! – ainda hoje gosto de ligar a TV no Canal Disney e ver estas maravilhosas personagens que nada têm a ver com os desenhos animados de hoje.
São desenhos calmos, sem violência e com muito humor.
Presto a minha homenagem ao Walt Disney, por nos ter proporcionado tantos momentos felizes.
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Há algumas semanas, deixei um artigo sobre a biografia daquele que foi o grande impulsionador dos Descobrimentos. Não voltei a falar neste assunto propositadamente, uma vez que, a seguir a esta série, se seguem as de Santo António e de D. Carlos, que aqui já falei. Imediatamente a seguir, vem a série alusiva ao caminho marítimo para a Índia. Por isso, quis juntar estas duas emissões alusivas às descobertas portuguesas para, de uma certa forma, lhes dar continuidade histórica.

Feito o esclarecimento, analisemos então a emissão de treze selos comemorativos do 5º Centenário do Nascimento do Infante D. Henrique.

O desenho desta emissão é igual para todos os selos que a constituem. O Infante D. Henrique sentado, apoiando a sua mão direita sobre a esfera armilar e a esquerda sobre o Globo. A seus pés, um leão, símbolo do poderio dos portugueses.

O desenho destes selos deve-se a José Veloso Salgado, litografados até ao valor de 100 reis e a talha doce os restantes. Circularam entre 4 e 13 de Março de 1884 em papel pontinhado leve, em losangos e denteado 14.

As cores destes selos eram laranja para o de 5 reis, lilás rosa para o de 10 reis, castanho para o de 15 reis, violeta para o de 20 reis, verde para o de 25 reis, azul para o de 50 reis, carmim para o de 75 reis, verde amarelo para o de 80 reis, castanho sobre amarelo para o de 100 reis, carmim sobre rosa para o de 150 reis, azul sobre laranja para o de 300 reis violeta sobre violeta claro para o de 500 reis e cinzento preto sobre sépia para o de 1000 reis.

A imagem com a série completa, foi retirada do site http://selosportugal.com/slide_show.html?picture=picture1.jpg&show=Portugal_Monarquia_1853_-_1910
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quarta-feira, 24 de setembro de 2008



Vão deixar saudades
Por Gustavo do Carmo

Depois de dois anos e dezenas de episódios termina a campanha Bichos da Ford. O objetivo foi mostrar que as condições de compra para um carro da empresa eram tão favoráveis que pessoas de todas as classes sociais podiam comprar. Só não comprava quem era bicho. E foram exatamente estes que se sentiram rejeitados.

O hipopótamo manhoso, o cachorro estressado, a zebra metida a esperta e a simpática vaca muda que tossia ou voava, de acordo com o ditado popular, tentaram durante todo esse tempo comprar um carro da Ford. Mas eram sempre desacreditados pela girafa estraga-prazeres que, de óculos escuro e colares, no melhoe estilo perua, os faziam se tocar com o bordão: "Hello! A gente é bicho, baby! Bicho não compra carro".

Os planos foram muitos: invadir a concessionária cavando buraco, comprar por telefone usando nome de gente, fazer fórmulas matemáticas, usar máscara, tentaram a ajuda do Bel vocalista do Chiclete com Banana e até contrataram um motorista que, por ingenuidade também era bicho - uma hiena debochada. Em alguns os bichinhos se mostraram conformados e cantavam música sertaneja (Vou Chorar, de Leandro e Leonardo), andavam de helicóptero pela fábrica, iam ao cinema (o cachorro e a vaca tiveram até um romance no escurinho), freqüentaram a escola, sonhavam (o cachorro dirigindo e cantando funk), corriam atrás de carro (mais uma vez o cão que dizia "eu que sou cachorro tenho que correr atrás de carro") e se reuniam no Natal.

Eis que finalmente conseguiram realizar o sonho: apelaram para São Nunca, justamente o protagonista da antiga campanha de varejo da marca. O gordinho barbudo caía sempre do céu quando as pessoas diziam que só teriam um Ford no dia de São Nunca. E a prece foi feita pela zebra e o hipopótamo. Com todos dentro do carro, realizando o sonho e mandando o gordinho tocar eles finalmente se despediram, felizes da vida por andar em um Ford, cantando o bordão: "Aha! Uhu! É Nós de Eco!" (em referência ao jipe Ecosport, um dos produtos da marca). Com este filme, a série teve o seu último capítulo, tanto que ganhou até a legenda "O Fim".

Os bichos cairam na graça popular porque não são de verdade e nem bonecos em formato real. Foram caracterizados como fantoches de pelúcia. O sucesso gerou um DVD educativo sobre o trânsito, distribuído de brinde nas concessionárias e um site interativo na internet ( www.bichosdaford.com.br ). Ganhou também um blog com os vídeos da campanha: http://bichosford.blogspot.com . Mas houve quem se sentiu ofendido, argumentando que a campanha passava uma mensagem subliminar de que os animais são as classes menos favorecidas.

Polêmica á parte, os bichos foram criados e manipulados por Fernando Gomes, diretor do programa infantil Cocoricó da TV Cultura. A criação da campanha é da dupla Theo Rocha e Fábio Brandão, que tiveram a companhia de Ricardo Chester na direção. A equipe é da agência JW Thompson.

Com o desejo dos bichos realizado, a campanha deve finalmente ser substituída por outra. Se criarem uma continuação e a agonia deles continuar vai perder a graça. Portanto, é melhor nos despedirmos da bicharada que não só já merece um lugar na galeria de clássicos da publicidade brasileira como vai deixar saudades.





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domingo, 21 de setembro de 2008

O nosso colaborador dominical Ed Santos tem agora o seu próprio blog, onde está publicando seus contos, crônicas e poemas.

Acesse pela foto abaixo ou pelo endereço http://www.ocioduroderoer.blogspot.com/


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Por Ed Santos

Só viu de longe. A menina com seus quinze, dezesseis anos leva a pasta verde debaixo do braço. Por onde passa deixa um rastro de vulgaridade e um cheiro de desodorante de segunda. Ela espera um fusca bege passar e atravessa a rua sobre aquele tamanco ridículo. Viu que se não apertasse o passo, o motoboy tinha pegado. Ele buzinou, ela parou e mostrou o “pai-de-todos”, seguido de um sonoro, mas delicado “filho-da-puta”!

Parou na barraquinha de doces e comprou um tablete de chicletes do mais vagabundo. O que ela estava mascando já sem doce, foi desprezado no asfalto quente. Teria o destino semelhante a muitos outros que grudam no chinelo da dona Maria.

Ele estava sentado no banco do ponto de ônibus do outro lado da rua, só olhando. Contou os passos dela; foram cento e quarenta e três desde o fusca bege até a barraca de chicletes. A típica jovem que mora na periferia e saiu de casa para estudar, mas ganha a rua e vai pra vida. Não estudava nada, mas era escolada. Bolha de sabão soprava ao vento, segue sem destino e mal sabe que chegada a hora, estoura.

Ele acompanha os oitenta e sete passos dados da barraca até ela desaparecer na rampa de acesso à bilheteria. Nesses duzentos e trinta passos ficaram fotografados seus segredos. Ela ganha a vida pelo prazer dos outros e não tem certeza se é feliz com essa disponibilidade doada.

Levanta-se o súdito do contemplar, dá nove passos até entrar no ônibus e mais sete até a catraca, depois mais três até sentar-se. O problema todo não é a jovem que vende o corpo, quanto ela cobra, quantos clientes atende por dia. O problema também não é como estaria a família dela agora. E que horas iria voltar? O que lhe incomodava era o fato de que quando ela parou para comprar chicletes na barraquinha, teve a impressão de vê-la olhando pra trás, como que se desconfiando que estava sendo observada. A dúvida era potente e pairava sob a cobertura daquele ponto de ônibus. Teria ela realmente olhado para trás? Será que ele foi percebido? Se ela olhou pra trás, possivelmente deu mais um passo, então a somatória seria duzentos e trinta e um, e não os iniciais duzentos e trinta.

Deu onze passos e desceu do ônibus pelo menos com a certeza de que quando ela voltou a caminhar depois de comprar os chicletes, sacanamente tirou a calcinha da bunda por debaixo da saia.
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sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Por Gustavo do Carmo


Meu sonho sempre foi ser vendedor de carros. Aprendi a gostar deles desde criança. Aos 12 me tornei fanático. Do lado do meu prédio havia uma concessionária de veículos (hoje está na outra calçada, à frente do edifício) que eu adorava visitar e conhecer os novos carros. Mas ao mesmo tempo tinha vergonha de entrar nos carros. Achava que os vendedores não iriam gostar muito de ver alguém mexer no carro e sujá-lo, sem nenhuma intenção de compra. Eu mesmo, recentemente, já fui educadamente expulso pelo dono da mesma concessionária que eu citei acima, apenas porque tirava fotos de um lançamento para o meu blog.

Quando eu estava na faculdade e saía para procurar estágio de jornalismo, eu aproveitava e deixava os meus currículos em algumas concessionárias de Botafogo. Virei motivo de chacota entre os meus colegas. Mas não me importei.

Já adulto, meu sonho de ser vendedor de veículos aumentou. Mas não pôde ser realizado. Primeiro porque não tenho carteira de motorista. Foi uma opção minha de não querer dirigir depois que eu fui reprovado duas vezes no exame de direção no trânsito do Detran. Segundo porque eu ainda sou muito tímido. Extremamente tímido.

Se como cliente eu fico sem graça de entrar em uma concessionária, sem nenhuma intenção de compra e o vendedor achar que eu estou querendo fazê-lo de bobo, sondando alguma coisa ou mesmo fotografando, imagine se eu estivesse no lugar dele. E, finalmente, vendedor tem que mentir que o carro não tem defeitos, disfarçar para espantar alguns visitantes que não têm cara de quem vai comprar o carro e saber empurrar o produto sem amedrontar o potencial cliente.

Sincero e compreensivo do jeito que eu sou, me convenci de que eu não tenho mesmo vocação para ser vendedor. Como diz o Dudu Oliva num conto que ele escreveu: é melhor esquecer tudo e partir para um outro sonho. Por isso, decidi ser jornalista para falar a verdade sobre os carros que eu gosto. Mesmo não dirigindo.
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... quando a vi pela primeira vez, senti o meu corpo se abrir. O meu coração se dilacerava. Ela era linda e inteligente. Eu queria que ela me dissesse tantas coisas. Como tem imaginação!!! Ou você está errando menos no português, parabéns, o seu texto está muito bom!!!!!!!!! Contudo, ela permanece silenciosa, marca com canetas vermelhas o que errei. Sinto como se tivesse me estraçalhando com um punhal. – Passo por e-mail os textos corrigidos.– diz secamente. Como desejo rasgar seu vestido levemente transparente... Pergunto se gostou do meu último conto. Ela dá um sorriso e diz simplesmente: –sim–. Noite densa, pego o dicionário e a gramática. Tento não repetir as palavras e entender as regras gramaticais. Nunca tive paciência em moldar o que escrevo, boto no papel e pronto. Sempre levei broncas por isso. Mas, ela não diz nada, só que pelo seu rosto e olhares, percebo que ela não gosta do meu estilo literário. Lê porque é o seu trabalho. Perguntei, uma vez, de que autores ela gostava. Disse alguns nomes esquisitos que nunca ouvi falar. Lembro-me de uma ocasião, que fui a uma reunião de escritores novatos. E fiquei boiando na conversa. Todos comentavam de escritores novos, que estavam tendo boas críticas. Fiquei com cara de bobo. Alguns perceberam e ficaram cochichando sobre mim. Bem, não quero falar sobre isso. Acho que ela gosta de filmes europeus, com certeza! Deve ir com alguns amigos pra museus, vernissagens(nem sei como se escreve essa porra!), conversar sobre literatura num bar tradicional da Zona Sul ou dá uma reunião em sua casa, com vinhos e queijos e ficar debatendo sobre a miséria do mundo, olhando livros de fotos artísticas que só tem pessoas miseráveis. O namorado dela é escritor e tradutor, resumindo, um intelectual. Ela parece ser quente na cama. Devem transar sempre de madrugada, depois dele ter acabado aquele romance, que tinha feito nos tempos vagos e que está uma obra de arte, com certeza. O namorado dela é meio conhecido, escreve crônicas para uma revista. Uma vizinha minha me confessou que se masturba pensando nele e que as caspas espessas da sua cabeça ficam cravadas nas unhas dela. "Todo intelectual tem caspa", disse-me uma vez. Não concordei, eu tenho caspa e não sou intelectual. As pessoas adoram estereótipos. Cada um com o seu cada um, caralho!!! Não vou fugir mais, vou me declarar para ela. Mas se o namorado metido dela estiver lá, que se foda!!!!!!!!!! Meto porrada no filho da puta!!!! Mas ela é budista e não come carne vermelha. Vai sentir nojo de mim. Levo duas horas para chegar ao seu apartamento aconchegante. Eu moro distante de tudo. Demoro quarenta a duas horas para chegar nos lugares. Na janela do apartamento dá pra ver a praia, será que ela transa com namorado de janela aberta? Não posso ficar pensando nessas coisas. A REVISORA: é o título do romance que quero escrever, mas não posso dar para ela corrigir. Vai descobrir a paixão e os desejos baixos que sinto por ela. FODA-SE!!!!!!!!!!! Vou mostrar. Primeiro tenho que revisar antes. Não!!! Entrego assim mesmo...

Alguns meses depois:
G. saiu para caminhar. S. deixou um recado na secretária eletrônica:
– G. você sumiu? Você deixou um texto e nunca mais voltou. Aliás, gostei muito dele. Confesso, que não gostava muito do que escrevia, mas eu não sei o porquê, esse romance me tocou bastante. Lógico que precisa de muitos ajustes. Você ainda coloca muitos pronomes possessivos. Precisa cortar alguns excessos para que o texto seja mais fluído. Necessita também escolher mais as palavras, não as repetir tanto. O B. está na França, fazendo um mestrado em Sorbonne. Se você puder, poderíamos conversar um pouco. Que tal às dez da noite na minha casa. A gente pode ver algum filme ou conversar sobre sua produção literária. Comprei um empadão de soja divino, que sempre encomendo de um restaurante aqui perto de casa. Me liga, beijos.

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http://dudv-descarrego.blogspot.com/
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quinta-feira, 18 de setembro de 2008


Desde 1140 que D. Afonso Henriques tentava conquistar Lisboa aos Mouros que só veio a conseguir em 1147 depois de um apertado cerco e com a ajuda dos Cruzados vindos de França. Lisboa era então uma cidade recém-cristã quando, na sua catedral, foi a baptizar Fernando Martins de Bulhões filho de D. Teresa Tavera e de Martinho de Bulhões, seu maridoFernando Martins de Bulhões, nasceu em Lisboa a 15 de Agosto de 1195. Desde muito novo que demonstrou tendências religiosas, frequentando a Sé de Lisboa, São Vicente de Fora, rumando depois para Coimbra para o Convento de Santa Cruz e o Convento de Santo Antão – Ordem de São Francisco de Assis – que mais tarde veio a designar-se Convento de Santo António dos Olivais. Em 1220, muda o hábito de Santo Agostinho pelo hábito Franciscano, passando a chamar-se António. Embarcou para África mas, vítima de doença, teve de regressar. O barco onde vinha foi fortemente atacado por uma tempestade levando-o à costa da Secília. Nesta ilha transalpina, teve oportunidade de demonstrar as suas qualidades de orador, aperfeiçoou os seus estudos e ensinou teologia. Passou a chamar-se São Francisco de Assis. Percorreu outros países em missão. São atribuídos inúmeros milagres ao Santo português que veio a falecer aos 36 anos em Pádua a 13 de Junho de 1231.No verso de cada selo, foi impressa a azul, tipograficamente na Casa da Moeda, a seguinte inscrição com oração em Latim:”Centenário de Santo António MCXCV * MDCCCXCV” “O língua benedicta, quase Dominum semper benedixisti et adios benedicere docuisti : nunc perspecue cernitur quanti meriti fueris apud deum” S. Boaventura. (Cuja tradução é: “Oh língua bendita, que sempre louvaste o Senhor e ensinaste os outros a louvar: agora claramente se vê quanto merecimento tiveste junto de Deus”). S. Boaventura.








(In: Carlos Kulberg, “Selos de Portugal, vol 1”)







O dia 13 de Junho é portanto dia de Santo António, feriado municipal em algumas localidades, motivo de festejo.É também conhecido como o santo casamenteiro. Quem não conhece as noivas de Santo António? Surgiu esta emissão da “Comissão de Festas do Centenário do Centenário do Nascimento de Santo António”, com o objectivo de angariar verbas para a “Associação Protectora da Infância Santo António de Lisboa”.Os selos de 2,5 reis e 100 reis, foram desenhados por António Monteiro Carvalho, e os de 150 reis a 1000 reis, desenhados por Carlos Reis. O selo de 2,5 reis foi gravado em madeira por Manuel Diogo Neto e impressos na Casa da Moeda. As cores desta série de selos, foram escolhidas por Augusto José da Cunha, sendo as taxas de 2,5 reis a duas cores. A ideia de lançar estes selos foi boa, mas fracassou economicamente. Assim, uma emissão de 9 280 000 selos do Continente, foram vendidos apenas 1 982 989 selos, sendo os restantes queimados pela Casa da Moeda.Circularam de 13 a 30 de Junho de 1895.



(Baseado em texto de Carlos Kulberg, Selos de Portugal Álbum 1)













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Por Gustavo do Carmo


Aqui na empresa ninguém fala comigo. O Almeida foi bastante cordial nos primeiros dias e me apresentou ao pessoal. Na semana seguinte passou a me tratar com a mesma frieza polar dos meus colegas, dos quais não decorei o nome. Não faço o menor esforço para guardar o nome de quem não gosta de mim.

Sei que tem um gordinho, boa praça, muito simpático, que conversa com todo mundo no escritório. Ele é representante comercial. Passa o dia inteiro na rua, tentando conquistar novos clientes. Às vezes, viaja. Quando volta, passa o dia inteiro contando o que viu na rua e em suas viagens, algumas para o exterior. Conta para todo mundo. Menos para mim.

O piadista oficial do escritório é o gerente de vendas. Também não guardei o seu nome. É um magrinho de pele negra, também muito simpático. O mais engraçado em suas piadas são as dramatizações e a sonoplastia que ele faz quando conta para os colegas. Menos para mim.

Lúcia, acho que é esse o seu nome, é a contadora. Uma senhora muito bondosa com os seus colegas e até com os novos funcionários. Considera todos como filhos. Exceto a minha pessoa.

No meio dessa panelinha, tem gente antipática, sim. Geraldo, o estagiário, se acha o máximo. Mas tem uma popularidade... Ih! Consegui lembrar com certeza o nome de alguém! Ele me odeia. É o único que fala comigo. Para me provocar. E tem um louro de cabelos arrepiados que destrata todo mundo e vive reclamando da empresa. Ninguém gosta dele, de quem sempre falam mal pelas costas. Tentei fazer amizade com ele, mas levei um fora. Ouvi dizer que está com os dias contados no escritório. Levou um ultimato. Nem o Almeida agüenta mais.

Eu também me acho um bom funcionário. Faço tudo o que me pedem. Mesmo não sendo a minha função. Sou o responsável por redigir todos os memorandos e circulares da empresa. Ainda faço a coleta de tudo o que é publicado na mídia sobre ela. Quando peço o material que preciso, os meus colegas atendem. Mas passam tudo sem dizer uma palavra. Se não estivessem satisfeitos, me mandariam embora.

Só o Almeida me deu o seu celular e o e-mail. Qualquer coisa que eu precisasse, poderia ligar para ele. Um dia eu precisei. Precisava avisar que ia faltar, não lembro o motivo. Ele me atendeu friamente. Sabia que era eu pelo identificador. Quando lhe disse que eu ia me ausentar naquele dia, foi compreensivo. Até um pouco simpático. Sequer se interessou pelo motivo da falta. Mesmo assim expliquei e ele me cortou seco, dizendo que eu não precisava justificar. Desliguei o telefone. Já os meus colegas não me deram seus telefones. Tampouco me chamavam para almoçar com eles. Iam sempre a um restaurante a quilo nas redondezas do escritório, que ficava na Barra da Tijuca. Enquanto eu ia ao shopping próximo comer um hambúrguer com fritas, refrigerante e a minha solidão.

Voltava muito cedo do almoço. O gordinho, o rapaz negro, a contadora, o Almeida e o Geraldo chegavam sempre em grupo. Riam com as piadas do gerente. Eu me divertia ouvindo tudo aquilo, mas sentia uma ponta de tristeza por ser rejeitado por eles. Quando eu tentava me aproximar do grupo para entrar na conversa e tentar me enturmar, todos saíam dizendo que estava na hora de trabalhar.

No meio dessa turminha, de vez em quando, estava a recepcionista. Cláudia é o seu nome que eu vi pelo crachá. Que mulher linda! Morena, olhos verdes, cabelos lisos e negros, lábios e queixos finos, pernas bem torneadas, seios médios para grandes. Geralmente os deixava decotados. Apaixonei-me na hora. Pena que ela não suporta nem me ver. Ela fica tão nervosa quando a observo que sai correndo sem disfarçar.

Ai, ai! Tenho vontade de deixar a empresa. Se eu soubesse que ia trabalhar neste clima, preferia ter ido para cadeia, como eu quase fui. Um dia, estava desesperado para arrumar um emprego. Cansei-me de tantas frustrações. Tantos nãos.

Sou formado em letras. Mas tímido e sincero demais para passar nas entrevistas. Contava tudo o que não podia quando o entrevistador me perguntava sobre os meus defeitos. Sem falar dos e-mails com o meu currículo que eu mandava e não tinham resposta.

Um dia, quis mostrar que era alguém. Já havia enviado um currículo para essa empresa onde trabalho, por correio mesmo. Atendi ao anúncio de um jornal que precisava de um auxiliar administrativo. Mandei. Não tive resposta. Fiquei tão decepcionado que, num gesto de extremo descontrole, invadi o prédio envidraçado na Barra com uma arma de brinquedo e uma faca de verdade.

Fui recebido com simpatia pela Cláudia. Ela me perguntou o que eu desejava. Respondi que era um emprego.

— Infelizmente, não temos vaga.

— Como não?! Semana passada, mesmo, mandei o meu currículo para cá.

— Mas ela já foi preenchida. Lamento.

— Tão rapidamente assim??? Não pode! Foi para algum apadrinhado. Só pode ser.

Já nervosa com o meu destempero, a recepcionista ameaçou, já com o telefone na mão:

— Olha, eu vou chamar a segurança se o senhor não se acalmar.

— CHAMA QUE EU QUERO VER!!!!

Em um minuto apareceram três seguranças, daqueles bem fortes. Ao sentir a aproximação deles, pulei para dentro do balcão, me agarrei àquele corpo lindo e, por trás, apontei a arma de brinquedo para a sua cabeça, tomando-a como refém. Ameacei:

— SE APROXIMAREM-SE DAREI UM TIRO NELA!!!! AFASTEM-SE!!!!!

Sussurrei em seu ouvido que ela poderia ficar tranqüila, que eu não ia fazer nada de mal. Só pedi para ela falar para os seguranças e o Almeida que eu estava armado e ia matá-la. Subi com ela para o décimo andar. Comecei a gritar que ia matar a recepcionista e me suicidar em seguida se não me dessem um emprego.

Vieram a polícia e a imprensa. Além, claro, dos meus queridos colegas de trabalho. A contadora, mãe de todos, até passou mal. Plantão em todas as emissoras de televisão e rádio. A negociação durou quinze horas. O delegado insistiu se eu queria um carro ou um helicóptero para fugir. Eu me cansava de dizer que não. Dizia que eu queria um emprego nesta empresa. Era a mais importante da cidade. Mas voltavam a prometer um carro se eu soltasse a refém. Não queria nada disso, pôxa! Já estavam enchendo o saco. Acabei soltando a moça, mas fui para a janela. Ameacei pular se não me dessem um emprego e ainda me prendessem.

O Almeida teve pena de mim. Ofereceu o emprego que eu queria e onde eu trabalho atualmente. Ele pediu para a polícia arquivar o caso de seqüestro e perturbação da ordem pública. Disse que resolveu tudo. Iria me empregar e eu começaria na tarde seguinte. Para fazê-lo cumprir a sua palavra, ameacei fazer tudo de novo se eu fosse para casa, me preparasse para o trabalho e fosse barrado. A situação se acalmou. A polícia e a imprensa foram embora.

Voltei para casa. Pedi desculpas aos meus pais pela vergonha que os fiz passar. Eles pararam de falar comigo. Tomei um banho bem demorado. Coloquei uma camisa social e uma calça. Tive que passar a roupa e engraxar os sapatos. Eu morri para os meus pais. Peguei a minha pasta executiva e saí para o meu primeiro emprego na tarde do mesmo dia em que o seqüestro acabou.

Não fui barrado. A imprensa voltou para acompanhar o primeiro dia do homem que seqüestrou uma empresa para pedir um emprego. O Almeida foi bastante cordial comigo e me apresentou ao pessoal. Na semana seguinte passou a me tratar com a mesma frieza polar dos meus colegas, dos quais não decorei o nome. Não faço o menor esforço para guardar o nome de quem não gosta de mim.

Claudinha ganhou licença. Ficou traumatizada. Quando voltou e me viu trabalhando normalmente, fez um escândalo e ameaçou se demitir. O Almeida e as colegas de recepção convenceram-na a ficar. Em solidariedade, os meus colegas de escritório decidiram me boicotar. Ela passou a fugir de mim descaradamente.

Paguei o meu preço para conseguir o meu emprego na marra e sem ser preso por seqüestro. Perdi o carinho dos meus pais e ganhei a antipatia dos meus colegas.

Achei melhor pedir demissão ao Almeida, depois de seis meses de trabalho e tratamento ruim. Quando saí da sua sala, fui surpreendido com uma faixa confeccionada pelos meus colegas de escritório:

“POR FAVOR, PIMENTA!!!! NÃO DEIXE A NOSSA EMPRESA. VOCÊ É O NOSSO MELHOR FUNCIONÁRIO!”
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terça-feira, 16 de setembro de 2008


Suzana dos Santos Schneider era loira, gordinha clara, olhos azuis, herdados do pai (dentista alemão, jurara a mãe, que fora assistente dele e conhecera a cadeira dos pacientes sem abrir a boca, só as pernas, e devia ser verdade, porque ela era mulata.) Suzana andava pelas ruas do bairro, para onde tinha mudado recentemente, numa bicicleta cor de rosa, sacudindo o rabo herdado da mãe, um no selim e o outro, de cavalo, no penteado. Todos os dias, sempre à hora da sesta, quando as ruas do bairro estavam quase vazias, passava como se deslizando, graças à força de um empurrão invisível dado no início da rua em declive, pela porta da casa de Oscar que, ao voltar da escola, sentava na soleira da porta, a bocejar a modorra depois do almoço.
Ao passar, manobrando o guidão com a jovial destreza de seus aparentes quinze anos, ela olhava com seus olhos azuis para ele com a brevidade que o recato permitia e logo se perdia na esquina próxima. Minutos depois de contornar a quadra, voltaria a passar e repetir seu olhar, às vezes acrescido de um sorriso tão breve que Oscar duvidava de tê-lo notado. Mas seu coração o via, provocando o palpitar agitado da certeza. Mas sua covardia e a dúvida das intenções dela lhe manietavam qualquer iniciativa.
Uma semana nesse ir e vir e ainda não sabia onde ela morava. Mas sabia a hora em que ela desapareceria, para retornar só no dia seguinte, à mesma hora. E o Onã que havia nele a imaginava virgem, nua e sua. E lhe indicava maneiras de chegar nela: jogar-se na frente da bicicleta quando ela passa-se! Jogar uma flor em sua direção! Um beijo! Um grito!
Na segunda volta do décimo dia, Suzana, o destino, ou ambos, resolveram facilitar o encontro: O pneu da bicicleta rosada murchou a poucos metros dele. Desamarrando as algemas do embaraço de seus tornozelos, ele chegou perto dela, e de pé a seu lado, perguntou:
– Furou o pneu? – abaixada ao lado da bicicleta examinando a roda, ela levantou o rosto vermelho de exercício e iluminado de olhos azuis, e respondeu:
– Parece. – ao sorrir, seus lábios grossos deixaram à mostra pequeninos dentes e seu decote, pequeninos peitos juvenis. – Vou ter de andar até em casa. Resolveu ela, erguendo-se.
– Deixa eu te ajudar. – propôs ele e, segurando o guidão, se apresentou: – Meu nome é Oscar.
– O meu é Suzana. – disse ela sorrindo, deixando-o conduzir o veículo, andando a seu lado.
“Pronto” suspirou Oscar, com a alegria exagerada da mocidade.
Na rua atrás do mesmo quarteirão, ela parou à porta de uma casa.
– Pronto. Chegamos. – disse ela. – Obrigada pela ajuda.
– Tem como arrumar o pneu? – perguntou ele.
– Tenho um estepe.
– Posso trocar para você agora.
– Não tem pressa. – disse Suzana retomando o guidão e roçando a mão dele. – Mas, pode ser. Quer entrar? – convidou.
– Claro. – respondeu Oscar sem saber mais o que dizer ou pensar com tamanha sorte.
– Vem comigo. – Ordenou a moça, abrindo a porta e entrando. Ele foi atrás, arrastando a bicicleta. No pequeno quintal, pendurado num prego na parede, o estepe. Suzana logo foi abrindo um pequeno baú e dele tirou algumas ferramentas.
– Servem estas? – disse ela.
– A chave ou um alicate bastam. – Suzana lhe estendeu a de fenda e ficou bem perto dele, a observar.
Manipulando parafusos e excitação pelo calor que o hálito perfumado dela lhe provocava, Oscar distraiu-se e a chave de fenda foi lhe rasgar um dos dedos; o sangue jorrou, molhando o chão. Suzana, condoída, disse:
– Ai! Coitado. – Segurando-o pelo braço, ordenou: – Vamos limpar essa ferida, vem comigo.
Ele foi atrás dela, e atravessando cozinha e sala, ela explicou o silêncio da casa. – Minha mãe esta no serviço. – Na porta do banheiro ordenou: – Entra aqui. – Abrindo a porta do armário espelhado, mostrou remédios diversos: – Minha mãe trabalha num posto e traz monte de remédios. Deixa vê esse dedo. – Oscar estendeu a mão. – Tadinho. – sorriu ela e lambeu a ferida. O resto do sangue do corpo dele provocou-lhe uma ereção instantânea que não conseguiu segurar, nem esconder. – E esse aí? Também quer remédio? – zombou ela, e riu do rubor dele. – Primeiro este aqui. – E puxou o braço até ele encostar o corpo inteiro atrás dela, que abriu a torneira e lavou o dedo machucado por um minuto, no qual a ferida ardeu e o falo doeu de inchaço. – Não queremos uma infecção nem hemorragia, certo? E lambuzou o dedo com uma pomada e a seguir enrolou gaze que prendeu com um esparadrapo. – Pronto, assim minha mãe cura meus machucados. Como este aqui! – E levantou a saia até o inicio das coxas e da calcinha para mostrar o joelho e a cicatrização de uma pequena lesão. O priapo de Oscar latejava mais que o dedo enfaixado e não pode evitar pôr a mão sobre o volume da calça, tentando esconder. – E esse aí? Quer algum remédio? – sorriu Suzana.
– Sim. Não. – disse ele, prendendo a respiração.
– Tadinho. Deixa ver esse dodói. – Oscar a deixou afastar a mão cobrindo a braguilha e ficou imóvel. – Ta com medo? – brincou ela. – Não vai doer nada. – E acariciou o vulto com carinhoso desprendimento. O embaraço de Oscar contrastava com a licenciosidade dela e sem precisar desnudar o “tadinho” ele sentiu o gozo molhar a cueca. Sufocado pela vergonha que lhe tirara o fôlego, saiu correndo. Enquanto atravessava a sala e a cozinha, ouviu a risada dela ecoar no banheiro. Saiu à rua e em dois quarteirões, entrava em sua casa e, num pulo, em seu quarto. E até a noite, deitado na cama dividida com Onã, relembrou tudo em detalhe e, imaginado o que não acontecera, molhou o lençol algumas vezes, até o sol raiar.
Apavorado de vergonha pelo que poderia ter acontecido, sem aparecer na porta da casa por dois dias, escreveu e reescreveu um bilhete pedindo desculpas e prometendo mundos e fundos de amores devidos e por dar.
No terceiro dia foi sentar-se na soleira da porta, dobrando e desdobrando, lendo e relendo o bilhete, aguardando ela passar.
Mas nesse, e no quarto dia, Suzana não apareceu na rua.
A angustia do mistério e do desejo lhe insuflaram a valentia que o levaram em direção da casa dela. Ao chegar à esquina do quarteirão, viu Suzana acompanhada de um rapaz que, segurando a bicicleta com um pneu murcho, entrava na casa atrás dela.
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domingo, 14 de setembro de 2008

Mais uma homenagem ao centenário da morte de Machado de Assis




Local: Auditório do Rio Datacentro da PUC-RJ
Endereço: Rua Marquês de São Vicente 225, Gávea
Rio de Janeiro - RJ

Preços:
Profissionais - R$ 160,00
Estudantes - R$ 80,00

Informações: (21) 2294-9336 e 2239-7199

e-mail: secretaria@escolalacaniana.com.br


Programação:

SEXTA-FEIRA – 26/09/2008

09:00 ÀS 09:30H – ABERTURA E ENTREGA DE CREDENCIAIS
09:30 ÀS 10:00H – LEITURA DE CONTO: “NOITE DE ALMIRANTE”
ELISABETH BITTENCOURT (Psicanalista, Membro da ELP – RJ)
10:00 ÀS 11:00H – MESA REDONDA: “O RISO COMO RECURSO CONTRA A MELANCOLIA”
PALESTRANTES: RITA FRANCI MENDONÇA (Psicanalista, Membro do CEL – RS)
ABÍLIO RIBEIRO ALVES (Psicanalista, Membro da ELP - RJ)
Debatedor: LUCIANA ABI-CHAHIN SAAD (Psicanalista, Membro da ELP - RJ)
11:00 ÀS 11:15H – HORA DA LEITURA
11:15 ÀS 12:15H – ESPAÇO CONFERÊNCIA: ANTÔNIO SERGIO MENDONÇA (Professor Titular de Fundamentos da Arte - UFF: Livre docente em Letras – UERJ e Diretor de Ensino do CEL – RS)
DEBATEDOR: ABÍLIO RIBEIRO ALVES (Psicanalista, Membro da ELP - RJ)

12:15 ÀS 14:00H – ALMOÇO

14:00 ÀS 14:10H – HORA DA LEITURA
14:15 ÀS 15:15H – MESA REDONDA: “FANTASIA E CRIAÇÃO : O DESEJO NA OBRA MACHADIANA”
PALESTRANTES: ANA PAULA GOMES (Psicanalista, Membro da ELP – RJ)
RITA DE CÁSSIA MAIA (Psicanalista, Membro da ELPV – ES)
DEBATEDOR: MARIA CECÍLIA BRETAS (Psicanalista, Membro da ELP – RJ)
15:15 ÀS 15:30H – HORA DA LEITURA
15:30 ÀS 16:30H – ESPAÇO CONFERÊNCIA: “A EXPRESSÃO DO TEMPO NA FICÇÃO MACHADIANA”
CONFERENCISTA: LEODEGÁRIO DE AZEVEDO FILHO (Professor Emérito da UERJ, Titular da UFRJ, Presidente de Honra da Academia Brasileira de Silologia e Dr. Honoris Causa pela Universidade Fernando Pessoa do Porto – Portugal).
DEBATEDOR: MARIA TERESA MELLONI (Psicanalista, Membro da ELP – RJ)
16:30 ÀS 17:30H – LEITURA DRAMATIZADA: “HISTÓRIAS DA MEIA-NOITE”
SOLANGE JOUVIN (Psicanalista, Membro da SPID, Dramaturga e Diretora de Teatro)


SÁBADO – 27/09/2008

09:30 ÀS 11:00H – MESA REDONDA: A ESCRITA DO OLHAR: UMA ELABORAÇÃO LITERÁRIA
PALESTRANTES: ANGELA CASSOL (Fonoaudióloga e Psicanalista, Membro da ELPV – ES)
ERNESTO SHöNLE (Psicanalista, Membro do CEL – RS, Mestrado em Psicologia pela UNISC-RS e Doutorando em Educação pela UFRGS)
JOSÉ LUIS JOBIM (Professor Titular de Teoria da Literatura – UERJ e Professor Titular de Teoria da Literatura – UFF)
DEBATEDOR: SANDRA FELGUEIRAS (Psicanalista, Membro da ELP – RJ)
11:00 ÀS 11:10H – HORA DA LEITURA
11:15 ÀS 12:45H – ESPAÇO CONFERÊNCIA: LUCIA SERRANO PEREIRA (Psicanalista, Membro da APPOA) E AGOSTINHO RAMALHO
(Psicanalista, Professor de Filosofia do Direito e Filosofia Política)
DEBATEDOR: MIRIAM CELLI DISKANT (Psicanalista, Membro da ELP – RJ)
12:45 ÀS 14:30H – ALMOÇO

14:30 ÀS 14:40H – HORA DA LEITURA
14:45 ÀS 16:15H – MESA REDONDA: MACHADO: UMA ESCRITA À BRASILEIRA
PALESTRANTES: ELIANA YUNES (Professora de Literatura e Teoria Literária da PUC - Rio)
ROBSON DE FREITAS PEREIRA (Psicanalista, Membro da APPOA)
LUIS ALBERTO PINHEIRO DE FREITAS (Psicanalista, Membro da SPID, Pós-Doutorado em Ciência da Literatura – UFRJ e Autor de: Freud e Machado de Assis: Uma interseção entre psicanálise e literatura – Mauad).
DEBATEDOR: ANDRÉ LUIS DE OLIVEIRA LOPES
16:15 ÀS 17:15H – ESPAÇO CONFERÊNCIA: TERESA PALAZZO NAZAR (Psicanalista, Membro da ELP – RJ, ELPV - ES e Ecole Lettre Lacanienne – Paris)
DEBATEDOR: ANA BENJÓ (Psicanalista, membro da ELP – RJ)
17:15 ÀS 17:25H – HORA DA LEITURA
17:30 ÀS 19:00 – MESA REDONDA: IRONIA E PAIXÃO
PALESTRANTES: ANA BENJÓ (Psicanalista, Membro da ELP – RJ)
ANA CLÁUDIA BEZZ (Psicanalista, Membro da ELP – RJ)
PATRICK PESSOA (Doutor em Filosofia pela UFRJ e Autor do livro: A segunda vida de Brás Cubas)
DEBATEDOR: MIRTA FERNANDES (Psicanalista, Membro da ELP – RJ)
19:00 ÀS 20:00H – LEITURA DRAMATIZADA: O ESPELHO
Apresentação do Núcleo de Folguedos Populares “As três Marias”
Concepção: Juliana Manhães



DOMINGO – 28/09/2008

09:30 ÀS 10:30H – MESA REDONDA: “O FEMININO E AS MULHERES DE MACHADO DE ASSIS”
PALESTRANTES: ELISABETH BITTENCOURT (Psicanalista, Membro da ELP – RJ)
DARLENE VIANA GÁUDIO ANGELO (Psicanalista, Membro da ELPV - ES)
DEBATEDOR: ROSÂNGELA SARAIVA (Psicanalista, Membro da ELPB - DF)
10:30 ÀS 10:40H – HORA DA LEITURA
10:45 ÀS 11:45H – MESA REDONDA : “DOS MORTOS QUE FALAM AO LUTO DO PAI”
PALESTRANTES: CRISTINA RIBAS (Poetisa, Doutora em Teoria da Literatura, Professora do Departamento de Comunicação da PUC – RIO e Professora do Departamento de Letras da Faculdade de Formação de Professores da UERJ)
MONICA VISCO (Psicanalista, Membro da ELP – RJ)
DEBATEDOR: ANDREA MATHEUS TAVARES (Psicanalista, Membro da ELP – RJ)
11:45 ÀS 13:00H – ESPAÇO CONFERÊNCIA: LUIS ANTONIO AGUIAR (Mestre em Literatura pela PUC – Rio, Escritor e Autor de: Almanaque Machado de Assis)
DEBATEDOR: EDMÉA DE MELLO (Psicanalista, Membro da ELP - RJ).

Veja também: Dica do livro Quem é Capitu?

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Por Ed Santos


Num dia, como sempre, acordei pensando nos filhos que tenho; na pequenina e no adolescente. Diz o ditado que “criamos os filhos para o mundo”, e sinto que entre meus dedos eles não tardarão em escorrer.

Quando eu era dependente dos meus pais (leia-se entre 0 e 16 anos), lembro que meu pai nunca conversou abertamente, assim, de pai pra filho. Isso era papel da mãe. Também não me lembro de vê-los, meu pai e minha mãe, discutindo, isso era raríssimo. Se o fizessem, com certeza não seria na minha frente.

Hoje, as coisas mudaram, e não é o experto aqui o primeiro a descobrir isso, claro. Os pais respeitam os filhos numa inversão de papéis incontrolável. Os filhos estão cada vez mais distantes dos seus pais, como se estivessem antecipando sua escapada para o mundo.

Então, pensei que meu erro enquanto pai, e pelo menos até o momento, foi o de ser participativo (eu acho que sou – às vezes), coisa que o meu pai não foi muito. Não seguir exemplo, nesse caso, talvez tenha sido o erro. Mas sigo tocando. Entretanto, me orgulho (coisa de pai) muito de nunca deixar de cumprir sequer uma promessa, ou melhor, de sempre cumprir com minha palavra.

Quando tenho a necessidade de me impor como pai, sempre, em qualquer circunstancia, cumpro o que digo. Se um de meus filhos me pede algo que não posso dar, digo logo, assim como quando prometo que vou dar um corretivo qualquer quando eles não seguem as regras, eu realmente faço valer minhas palavras.

No mesmo dia que pensei em tudo isso, caiu-me nas mãos uma frase do escritor Jules Renard, que aqui descrevo: “Raramente faço promessas, mas quando faço não as cumpro.”

É disso que se alimenta a consciência humana, da hipótese de que todas as opiniões são relativas. Ou não.
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sexta-feira, 12 de setembro de 2008

A mãe tinha comprado um patinho de vidro azul, para enfeitar a estante da sala. A sua filha de um ano ficava fascinada, com aquela coisa azul, que não sabia o que era. Ela era mais viva do que humana e ainda estava aprendendo, a construir um olhar sobre mundo em que vivia.



O pai odiava os enfeites que a mulher comprava para casa. Era um homem seco e sarcástico. Teve a idéia de pegar a filha no colo, deixando a nanem tocar no patinho. A mãe só escutou o barulho de algo se partindo. Correu para sala. Quando olhou para o chão, viu estilhaços azuis.



De repente, sentiu um ódio mortal e pensou: "Ele não quer deixar, que eu tenha nada" . Pensou na filha, resolveu varrer os cacos para preparar o almoço. Com o tempo, esqueceu da maldade do marido. Tinha assuntos mais importantes.



Anos mais tarde, com a morte do marido, encheu a casa de patinhos de vidro azul; colocou quadros de fundo espelhados por toda a casa; comprou uma pequena fonte e colocou no canto da sala; arranjou uma mesinha de centro, repleta de porta-retratos da família.



Arrumou a casa do seu jeito, sem implicâncias do marido, que sempre dizia: – Isso é muito cafona; – Você não tem gosto mesmo–. Pela primeira vez, ela se sentiu dona da casa e uma liberdade plena.



Todo final de semana preparava um almoço gostoso e uma sobremesa deliciosa para a filha, o genro e os netos. Era uma boa avó, mas a única coisa que ela não permitia, era que mexessem nas suas bugigangas. Não deixaria mais ninguém quebrá-las.

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http://dudv-descarrego.blogspot.com/

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quinta-feira, 11 de setembro de 2008

















Situada no Litoral Centro de Portugal, a Figueira da Foz já era povoada na Idade da Pedra.
O povoado foi-se constituindo em torno da igreja matriz.
Importante porto de pesca, desde muito cedo, era visitada pelos turistas que vinham nas barcaças rio abaixo, até à Foz onde amarravam os barcos a uma figueira. Daí a origem do nome do povoado.
Beneficiando de boa praia, mar e serra, cedo se tornou um ponto turístico de renome.
De povoado a vila e de vila a cidade em 1882, a Figueira da Foz teve o seu desenvolvimento turístico, comercial e industrial em finais do século XIX e durante o século XX.
É no verão que os turistas procuram a Figueira da Foz para passarem as suas férias, frequentando o casino, praia, provando a sua gastronomia.
Hoje, continua a ser a rainha das Praias de Portugal. Seu hino, pode ser ouvido no link abaixo, e as imagens da cidade e sua bandeira, expostas neste blogue.




Deixo tambem um link de um blog meu, para saberem um pouco mais da minha terra.


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É, sem dúvida, a figura mais universal da história de Portugal, sendo frequentemente identificado com a Expansão quatrocentista. Quinto filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre, D. Henrique nasceu no Porto a 4 de Fevereiro de 1394 tendo vivido a transição entre duas épocas. Uma, a Idade Média, onde as motivações guerreiras e religiosas prevaleciam e uma Idade Moderna onde os valores Renascentistas prevaleciam. Esta dicotomia vai reflectir-se na personalidade do nosso Infante, que se torna um homem exemplar com um gosto imenso pelo estudo, destemido na guerra, obstinado nas decisões, casto e abstémico. Fisicamente, o Infante D. Henrique é-nos retratado com um grande chapelão bolonhês, cara pensativa, cabelo e bigode aparados embora outras figuras nos apareçam por exemplo na estátua dos Jerónimos onde surge de cabeça descoberta e longos cabelos e barbas. No seu túmulo na Batalha, a sua estátua mostra um homem de rosto cheio e cara totalmente rapada. Agora qual destas imagens corresponde à verdadeira, é uma incógnita.


(Baseado em “Nova enciclopédia Larouse vol. 12)


Embora estejamos ainda a tratar os selos da Monarquia, achei por bem apresentar este envelope com moeda do Centenário do nascimento do Infante D. Henrique, por o representar de duas formas. A primeira – o selo – que embora vendo-se mal, nos mostra o chapelão bolonhês. Na moeda, o Infante com a cabeça descoberta.
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quarta-feira, 10 de setembro de 2008


Duas biografias em uma única mulherPor Gustavo do Carmo

A atriz Maitê Proença, que somente agora retorna em Três Irmãs, estava afastada das novelas globais há três anos. Neste tempo dedicou-se ao programa Saia Justa, do canal a cabo GNT, ao teatro e à literatura. Nesta última atividade fez sucesso com o livro Entre ossos e a escrita, uma coletânea das crônicas que ela escreveu para a revista Época, organizada pelo selo Agir, do Grupo Ediouro. No início deste ano publicou, pela mesma editora, a sua segunda obra, Uma vida inventada.
Neste novo livro, Maitê, brilhantemente, criou duas histórias em um único livro, mas que se relacionam entre si. Não podemos chamá-lo claramente de romance e nem de biografia porque é difícil distingüir o que é real e o que é fantasia. Acertadamente a autora ajudou o leitor a identificar, visualmente, qual história era a ficção (escrita com letras pequenas) e quais eram as suas memórias (no tamanho normal). Mas, pelo que a atriz dar a entender no subtítulo (Memórias trocadas e outras histórias), também há verdade na estória e algumas mentiras na sua história.

A realidade salta aos olhos na parte fictícia, sobre a menina de doze anos, seu alter-ego, que vai morar com o pequeno irmão caçula em uma hospedaria luterana depois que o seu pai matou sua mãe a facadas quando descobriu uma traição conjugal. O pai foi internado numa clínica de repouso para escapar da prisão. Quando cresce, quis desbravar o mundo para descobri-lo, mas acabou descobrindo a si mesma. Esta é a verdadeira história da atriz, que compreensivelmente não gosta de comentá-la em público, mas já é conhecida. Talvez por esse motivo, a tragédia tenha entrado nesta parte.

A biografia de Maitê foi reservada para as memórias das andanças que ela fez pelo Brasil e pelo mundo com o primeiro namorado na adolescência e também depois de famosa, a descoberta do sexo e das drogas, o início da carreira de atriz e a relação com a filha adolescente, única que teve na vida, e o ex-marido, pai da menina. Este e outros personagens foram mencionados através de falsas iniciais. Sem falar das reflexões sentimentais sobre a carreira de atriz, a fama, a busca espiritual, a vida cotidiana e o falso moralismo da sociedade.

A leitura foi rápida pela facilidade da linguagem e envolvente pelo interesse por detalhes íntimos que a atriz jamais contou em entrevistas na imprensa. O lirismo não foi tão exagerado. A história da menina acabou me agradando mais do que a vida real da própria autora. É porque, em um certo momento, a biografia de Maitê se transformou em um entediante guia de viagens proibitivas para leitores da minha classe social. Verdadeiras ou não, em Uma Vida Inventada temos duas biografias em uma única mulher dentro de um mesmo livro.


SOBRE O LIVRO

Uma vida inventada - Memórias trocadas e outras histórias
Maitê Proença
Editora Agir
2008
Formato (a x l): 23x15,5 cm
214 páginas
Preço sugerido: R$ 29,90

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segunda-feira, 8 de setembro de 2008


O evento acontece nesta terça-feira (9/9) na Igreja Santa Cruz dos Militares (Rua Primeiro de Março, 36 - Centro)
Mais detalhes no site http://www.musicanasigrejas.com.br
Quem preferir ampliar a imagem, basta clicar nela.
Esta foi uma dica do leitor Lauro Henrique Alves Pinto.
O Tudo Cultural aceita dicas de qualquer leitor, desde que se encaixe no perfil do blog. Também temos interesse em divulgar filmes, shows, peças independentes e exposições produzidos por qualquer visitante. Não é uma ação entre amigos como alguns pensam. Tanto que dois dos meus colaboradores são paulistas e um é português que eu não conhecia até me procurarem. E ainda não os conheço pessoalmente, mas espero poder conhecer.
Ninguém é obrigado a divulgar aqui. Mas negar o direito à informação é incoerente para alguém que foi perseguido pela censura do regime militar.
Embora o Tudo Cultural ainda tenha poucos acessos, mas crescentes, os eventos culturais aqui divulgados têm a chance de ganhar mais visibilidade e o leitor ainda pode repassar a informação para amigos e familiares. O popular boca-a-boca. Só lamentamos que alguns produtores, que dizem encontrar dificuldades para a captação de recursos, ainda discriminam o blog e assim perdem um canal de divulgação que pode fazer falta no futuro.
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domingo, 7 de setembro de 2008

Por Ed Santos
Dez/06

No telejornal ouço a notícia:
“Tempo bom com sol no início da manhã, mas com pancadas de chuva no fim da tarde”.

Acho que vai dar praia. O feriado prolongado promete e não guento mais ir no clube e ver sempre as mesmas caras! Penso em largar o escritório mais cedo e descer a Imigrantes no fim da tarde. O Paulinho que se vire sozinho.

- Alô, Marli? Vamos aproveitar o final de semana na praia. Vá arrumando as malas aí e deixe que eu pego as meninas no colégio. Vou sair mais cedo daqui. Me espera pronta!

Já são três da tarde, tomo o último cafezinho da Dona Socorro e me despeço. Liguei pro colégio das crianças avisando que vou busca-las mais cedo. Temos um sol de rachar. Desabotôo a camisa, afrouxo a gravata e boto Pink Floyd pra tocar. Caminho da roça.

- Paiê! Põe meu CD do Rebeldes?

- Agora não! Tô ouvindo meu som. Depois é a vez de vocês.

- Droga! Sempre que vamos viajar, papai põe essa música chata.

Pronto. Pegamos a Imigrantes. A ansiedade é geral dentro do carro.

- Meninas, quando pararmos pra comer não quero que tragam biscoitos pra dentro do carro hein? Comam por lá mesmo. Aqui, só uma balinha de coco. Amor, você pode mudar essa música aí? Põe um axé pra combinar com o feriadão. Olha que dia lindo! Quando chegar quero logo tomar um chopinho no quiosque. Que pena que a mamãe não veio. Adoro tomar um chopinho com ela.

Eu não conseguia mais ouvir meu CD. O barulho tava demais naquele carro. As meninas discutindo sobre qual era o carinha mais bonito do tal Rebeldes - meu Deus, onde elas descobriram isso -, e Marli, em outro mundo, tagarela com sua mãe no celular. Bem que poderia falar mais baixo.

No primeiro sinalizador luminoso: “Transito Lento”. Tentei descobrir onde estava e percebi que nem tínhamos passado pelo pedágio. Eram cinco e meia. Sabe como é, né? Antes de pegar a estrada, a Marli tinha sempre que passar no mercado, e fazer suas compras.

Olhei pro alto. O céu já não era o mesmo que às duas horas da tarde. As nuvens estavam sobrepondo o azul, mas aí pensei que era porque estávamos na serra do mar. Lá embaixo tá sol.

Depois de quase uma hora pra atravessar o pedágio, consegui colocar o CD do Pink Floyd pra rolar de novo, pois as meninas dormiam lá atrás, e a Marli aqui na frente também. Só percebi porque desviei a atenção pra dentro do carro, depois de perceber que estava garoando. Mas o otimismo sempre fala mais alto e lá embaixo com a certeza tá calor!

No entroncamento, a descida pela Anchieta era obrigatório. Ainda bem, porque a Marli não suporta passar por aquele túnel imenso da pista nova. Prefere os outros mais curtos da Anchieta.
O trânsito agora está ótimo. Vinte quilômetros por hora. Até aqui andamos o suficiente pra chegar na descida da serra, e chove desde as sete horas da noite. Agora estou ouvindo Rebeldes já pela segunda vez, e o pior é saber que por aí vem Harmonia do Samba. A Marli a-d-o-r-a o tal do Xandy.

São nove horas, e enfim chegamos. O apartamento estava com aquele cheiro terrível de naftalina, mas mesmo de agasalhos resolvemos abrir as janelas pra ventilar, pelo menos até ir dormir. O chope no quiosque já era.

Cansados da viajem rápida, fomos dormir, e eu pensando em como será o dia de amanhã...

Às sete levanto e Marli já está preparando o café.

- Você vai ter que pedir o guarda-chuva emprestado pro porteiro se não quiser comer pão molhado. A padaria é na esquina, logo ali, mas parece que o mar está encima da gente e não na frente. Puta que pariu! Que chuva!

Se as meninas não tivessem trazido o Banco Imobiliário, não sei o que faria após ter completado as duas palavras cruzadas que eu trouxe.

A minha paciência tava no limite e pensei que minha pressão ia chegar no céu. Vocês assistiram Um Dia de Fúria, com o Micheal Douglas? Não sabia mais o que fazer pra passar o tempo, e resolvi: amanhã subo a serra.

Antes de dormir tomei um chá de camomila e pus os fones de ouvido. Adivinha se não era Pink Floyd? Quando a Marli veio deitar, depois de apartar a quadragésima sétima briga das meninas. Criança já dá trabalho livre, imagine presa num apartamento minúsculo, e com um belo mar interditado lá fora?

Voltemos à cama. Eu dizia que acabara de tomar um chá, até achei que depois que a Marli deitou, iria rolar pelo menos um sexozinho. Tirei os fones e fui me chegando.

- Sai pra lá, que pra ajudar acabei de menstruar!

Que vida! Botei a bosta do fone de novo e fui dormir.

No outro dia, olhei pela janela e vi que a chuva estava parando, mas percebi que estava coberto com dois edredons.

- Marli vamos tomar café no rancho da pamonha. Acorda as meninas e vamo embora desse lugar. De hoje em diante só vou vir pra Campos de Jordão no inverno. Pelo menos não chove. E praia só na Bahia.

- E meu chope?

- Hoje eu compro um engradado de cerveja e você se acaba de beber. Aproveita e chama sua mãe pra ir lá em casa. Liguei pro Paulinho e ele disse que ta um sol de rachar lá em cima!
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sábado, 6 de setembro de 2008

Por Gustavo do Carmo


Um dia, um amigo reclamou comigo que eu divulguei a peça Os Produtores, com o Miguel Falabella, como a Dica da Segunda do Tudo Cultural. Ele disse que o meu blog deveria ser mais alternativo, mais underground. Achou que eu dei cartaz demais para um evento que já era amplamente divulgado pela mídia.

Como todo bom ouvidor, concordei e respeitei a sua opinião, como todo leitor merece, reservando-lhe o direito de sugerir e reclamar. Entretanto, eu divulgo livros, filmes, eventos e cursos que eu gosto e quero compartilhar com os meus leitores. Mas estou aberto a sugestões de qualquer visitante. Basta me pedir. Inclusive desse amigo, a quem esclareci esta posição.

Pois bem. Meses depois esse amigo me enviou, por e-mail, um recorte escaneado em jpeg do Jornal do Commercio. Um breve clipping com uma reportagem na imprensa sobre o filme roteirizado e dirigido por ele - estrelado por uma famosa atriz que ultimamente tem feito muitos papéis coadjuvantes - que está para ser lançado no circuito.

Logo me ofereci para divulgar o filme no meu blog, como a Dica da Segunda(-feira). Respondi ao e-mail pedindo o cartaz oficial do filme, a sinopse, ficha técnica com o elenco e duração. Se possível algum depoimento da atriz e do diretor que eu achava ser meu amigo. Me propus até a entrevistá-los. Pedi isso tudo por e-mail. Ele gastaria apenas alguns quilobytes da caixa de itens enviados e algum tempo para procurar. Não pedi ingresso vip para a família inteira, não pedi presente, brindes e nem mordomia nenhuma.

Eis que ele me respondeu que o contrato com a produtora ou distribuidora o impedia de me enviar o release. Disse que o meu blog não tinha o perfil para divulgação. Mas eu não queria patrocínio. Não ia cobrar nada de dinheiro. Queria apenas divulgar voluntariamente o trabalho de um amigo. Apenas pedi que ele me ajudasse a divulgar o Tudo Cultural, sem obrigação nenhuma. Respondi educadamente tudo isso para ele, achando estar desfazendo um mal-entendido de que talvez eu quisesse anunciar o filme como publicidade.

Assim que chegou setembro, data prevista para a pré-estréia ou o próprio lançamento, refiz a solicitação. Ele repetiu as supostas justificativas contratuais e ainda as requintou com o argumento de que rejeitaram uma entrevista para o jornal O Dia porque não era do público deles. Além disso, disse que o Tudo Cultural foi vetado por causa do baixo número de hits (acessos). Tudo bem. Não desminto nenhuma informação. Só fiquei com uma dúvida.

Eu querendo divulgar o filme, com toda a boa vontade, sem exigir nenhuma remuneração financeira, sou proibido? O meu blog vai denegrir a imagem do filme? Eu queria apenas dar a sinopse da produção e ilustrar com o cartaz. Não ia fazer nenhuma crítica.

Será que se eu pesquisasse, colocasse o cartaz e escrevesse com as minhas próprias palavras e os devidos créditos à divulgação eu seria processado?

Seria se eu disponibilizasse um vídeo com a íntegra do filme, copiasse os depoimentos e não desse crédito nenhum ou desse a mim mesmo, e inventasse uma entrevista fictícia. Mas não. Queria apenas divulgar o filme, ajudando um amigo, ou melhor, um ex-amigo. E ele me negou informações.

Queria porque não quero mais. Ele e sua produtora ou distribuidora que fiquem com a arrogância dos veículos de comunicação de primeira linha. Só não venham depois culpar o alto preço dos ingressos, a ditadura de Hollywood, a falta de incentivo do governo e da iniciativa privada, a falta de interesse e cultura do público, etecetera e etecetera se o filme não durar uma semana em cartaz.

Eles não são obrigados a me conceder entrevista e nem mesmo a me enviar o material. Mas me senti ofendido, traído, humilhado, discriminado, censurado e boicotado por um falastrão que se fez de amigo. Depois vem reclamar na divulgação que enfrentou dificuldades para captar recursos para a produção. Seu filme intelectual de esquerda, com uma atriz que deve ter atuado por pena, favor ou em troca de um cachê parcelado em vinte vezes, me mostrou, só na divulgação, que além do sonho por Cuba, a censura e a discriminação também são possíveis.
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Por Gustavo do Carmo


Eu juro que não estou fazendo jabá. Juro que não estou fazendo propaganda gratuita. Garanto que eu não estou escrevendo esta matéria fumando uma cédula de cem reais, porque eu nem fumo. Também não estou cheirando uma onça pintada (a ilustração da nota de 50, que fique bem claro) porque não cheiro. Tampouco não está caindo nenhuma chuva de dinheiro. Pra finalizar o meu juramento, não tem ninguém do Spoleto encostando uma arma nas minhas costas ou na minha cabeça, me obrigando a escrever esta crônica.

Claro que a última justificativa foi apenas uma brincadeira, mas o que eu quero dizer é que vou escrever para elogiar o Spoleto de forma honesta e sincera. Sem nenhuma intenção de ganhar alguma coisa em troca, seja dinheiro ou vale-massa para o resto da vida. Escrevo apenas porque eu queria há muito tempo fazer uma crônica sobre a rede de massas e a inspiração surgiu agora.

Bem, sou fã do Spoleto há quase três anos. Virou a minha melhor alternativa para saborear uma comida de verdade - que não seja hambúrguer do McDonald’s ou do Bob’s e pizza - na hora do almoço fora, sem recorrer aos restaurantes self-service a quilo, que eu detesto. Comida caseira só gosto de comer na minha casa ou na casa de alguém. E gosto de me servir sozinho, sem uma multidão atrás de mim ou na minha frente fazendo o mesmo.

E olha que eu já tive preconceito com o Spoleto. Eu já o conhecia bem antes de 2005. Estava para almoçar com um amigo no Botafogo Praia Shopping quando sugeri o restaurante de letreiro vermelho-vinho com faixas verticais amarelas. Queria experimentar. Mas ele, traumatizado, recusou dizendo que o restaurante era tão ruim que já serviu até para terminar namoro. Recorremos ao velho quilo. Passei sete anos com medo.

O medo acabou num dia em que eu estava no Rio Sul, fazendo compras com a minha mãe. Passava pela praça de alimentação. Não queria quilo e nem Bob’s. Muito menos perder tempo em restaurante a la carte.

Uma funcionária do Spoleto me viu na fila e explicou o sistema. Descobri que serviam capelletti ao molho branco e criei coragem. Pedi vários daqueles condimentos. Até quando eu podia pedir. O cozinheiro colocou tudo no prato, misturou com o molho, depois com a massa recém-saída do caldeirão, pôs no prato e na bandeja e só faltou pedir o refrigerante e pagar. Bem rápido. Mais rápido até que o McDonald’s. A minha mãe comeu no self-service.

Claro que a rapidez tem um preço. A massa é um pouco crua. Mas dá para comer bem. Engorda, claro. Mas não dá saciedade e tenho o prazer de almoçar fora sem dizer que eu só faço a dieta do palhaço (com hambúrguer). Outro ponto fraco? Tem sim: aquele rocambole de chocolate chamado Rigoletto que é tão doce que não tem gosto de nada. É também um fast-food caro. Outro dia estive em Cabo Frio e paguei 25 reais para comer o capelletti e o polpetone. Uma sugestão? Que os refrigerantes sejam de máquina. Combinariam mais com o gosto das massas.

Depois que eu conheci o Spoleto, fiquei viciado. Em qualquer lugar que eu vou e preciso comer fora, recorro a ele. Desde que eu esteja sozinho, porque pareço ser o único da família que gosta do Spoleto. Estava quase enjoando, inclusive do raviolli de camarão, quando eles lançaram o polpetone. Voltei a comer.

Apesar de gostar tanto, não como no Spoleto todo dia. Tento fugir para não enjoar do restaurante. Mas em qualquer lugar que eu passo, vejo um: Norte Shopping, Barra Shopping, Botafogo Praia, Rio Sul, Copacabana, Ipanema, Leblon, Largo do Machado, Tijuca, Cabo Frio, Petrópolis... São Paulo. Tem na Espanha e no México também, mas ainda não fui até lá. Só não tem em Bonsucesso. E agora tem até imitação do serviço. Juro que não estou fazendo jabá.
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sexta-feira, 5 de setembro de 2008

O menino pega escondido a caneta de ouro de estimação do pai, que havia ganhado do avô do menino, quando se formou na faculdade:
– Filho, você é dotô, como tô orgulhoso. O garoto corre para o quarto, pega uma folha e começa a desenhar.
Vai aos aposentos da mãe. Vê uma echarpe sobre a cama. Gostava de ir à janela para que o vento a esvoaçasse. Imaginava que voava no tapete mágico, que nem na história de Aladim. A echarpe foi presente de um antigo namorado de sua mãe. Ela nunca deixou de amá-lo, mas gostava do marido também. Aliás, seu coração havia lugar para os três homens de sua vida...
Ele começa a brincar com um carrinho de madeira, que foi feito pelo seu avô paterno, quase não v0a. Não sabia o motivo do avô não visitá-lo.
Larga o brinquedo, vai ao quarto fechado pela mãe. Pega a chave da porta, escondida junto com as jóias. Quando entra no recinto, a primeira coisa que faz: olhar a foto da irmã morta. Era uma moça de dezoito anos e havia morrido de uma estranha hemorragia. Ninguém falava no assunto, o garoto só escutava frases soltas dos empregados. A foto da irmã foi tirada em Petrópolis, estava com um vestido azul que a avó materna lhe deu de presente. Sobre a cama, havia uma boneca loira de olhos azuis que o pai comprou nos Estados Unidos, quando viajou a negócios. O garoto imaginava que ela era sua princesa, inventava histórias cheias de aventuras e que era um guerreiro, que a salvava das situações mais perigosas.
De repente, uma xícara se quebra. O grito da mãe o assusta e vai ver o que está acontecendo. Vê o rosto da mãe desfigurado. Ela quase bate na empregada, por quebrar a frágil relíquia. O vendedor do antiquário lhe disse que pertencera a um rei famoso de nome complicado. Mas, ainda bem que não foi o uísque de doze anos do patrão, presente do embaixador inglês. O salário da empregada seria descontado até o dia da aposentadoria. O pai chega com o carro que toda vida sonhou em possuir. Nunca se cansa em olhar a casa antiga e espaçosa. Lembra-se que a mulher lhe diz sempre:
– Foi habitada por pessoas influentes.
A noite avança. Todos foram dormir. O menino dorme com um livro nos braços. A velha bá o lia para ele, quando era mais novo. Quando cresceu, a mãe dispensou os seus serviços. Não queria concorrência. Ele sempre se lembrava da "bá".
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http://dudv-descarrego.blogspot.com/
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quinta-feira, 4 de setembro de 2008

São muito variados os erros na filatelia portuguesa.

Mas afinal, em que consistem estes erros?

Um erro em Filatelia, consiste numa má cunhagem, omissão de uma letra, palavra, ou erro no desenho que se pretende representar. Estes erros, que na maioria são considerados crassos, na Filatelia, podem valer fortunas! Por exemplo, na emissão de D. Carlos (1895-1896), aparecem exemplares sem algarismos do valor ou com algarismos invertidos (na imagem, deslizamento do valor à direita).

Mas os erros na filatelia não se ficam por aqui. Citem-se sobrecargas e sobretaxas invertidas, diferenças de acentuação, por exemplo Guiné, Guinè; Portuguêsa, Portuguesa; Reis, Réis, de cor, deslocamentos do cunho, fundos, etc. e far-se-á a ideia dos muitos erros que possam existir.

É o que se passa com o selo do último artigo que trazia uma desfocagem.

Se o Leitor está recordado, a palavra “PROVISÓRIO” estava desfocada. Ora, este simples facto, faz com que este selo se valorize ainda mais. Porquê? Porque foram poucos os selos que saíram com este erro, são poucos os coleccionadores que o têm logo, o seu valor, é maior. E há muitos filatelistas que só coleccionam selos com erros.






D. CARLOS



Deslizamento da impressão do valor facial para a direita.

D. LUIZ

Dupla impressão da sobrecarga PROVISORIO.
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Sem falsa modéstia, um poema neste dia tão especial para mim. Um presente do amigo Rafael Nazareno, convidado que inaugurou o Tudo Cultural do Blogspot em fevereiro. Muito obrigado, Rafael.

Devaneio

Amigo meu dos olhos tristes, há quanto tempo não nos vemos?
Há quanto tempo não sonhamos
Que ainda nessa vida realizaremos nossos pequenos sonhos?
Outro dia desses lembrei de você.
Uma criança triste se aproximou, apertou meu peito ternamente, fez rolar uma lágrima cristalina.
Saí correndo com medo do cotidiano e pulei do vigésimo andar com um sorriso no canto da boca.

Texto originalmente publicado no blog Um café para dois. de Rachel Souza, filha do autor e amiga do blog.

www.rachel-souza.blogspot.com
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Por Lauro Henrique Alves Pinto*

Quando Sigismund von Neukömm nasceu, em 1778, na Áustria, Mozart tinha 22 anos e estava retornando de Paris a Salzburg, cidade onde ambos nasceram. Nesta ocasião, o compositor austríaco Haydn tinha 31 anos e já era o músico mais famoso da região. Haydn, professor de ambos, exerceu influência decisiva no estilo clássico que eles adotaram em suas composições.
Neukömm, que também estudara filosofia e matemática na Universidade de Salzburg, tornou-se organista e depois Mestre-do-Coro do teatro local e Mestre-de-Capela do Teatro Alemão em S.Petersburgo na Rússia, importante centro de cultura musical.

Em 1815, Neukömm decidiu instalar-se no Rio de Janeiro, a convite do príncipe D.João VI. Pesou na decisão o fato de que a jovem princesa Leopoldina de Habsburgo, sua conterrânea, fora prometida em casamento ao príncipe D.Pedro, cuja cerimônia ocorreria a 5 de novembro do ano seguinte.

O brilho incomum de Neukömm, difundindo a estética de Haydn e Mozart, eclipsou os músicos da corte e ele assumiu o cargo de Mestre-da-Capela real. Permaneceu no Rio de Janeiro até 1821 quando retornou à Europa, para ocupar importantes cargos em Viena, antes de ir-se para a Inglaterra e a Escócia onde tocou e compôs bastante. Lá, era sempre consultado na escolha dos órgãos das igrejas e suas registrações, comparecendo depois para tocar e improvisar nos concertos inaugurais.

Neukömm viveu 80 anos e deixou um acervo de mais de 2.000 obras, para piano, órgão, voz, coro, transcrições de sinfonias para o órgão além de óperas, música para o teatro, um melodrama, concertos, 48 missas e 8 oratórios, 200 canções e muitas composições menores. A sua obra é muito linda e está praticamente inédita, seja em gravações, partituras editadas, referências bibliográficas. Por isto não é conhecida.

No momento em que celebramos o bicentenário da passagem da família real portuguesa pelo Rio de Janeiro, é justo e necessário recolocar esta música em seu lugar de destaque.

(*) Lauro Henrique é pianista, professor e especialista em gestão cultural. Foi coordenador do curso de pós-graduação em Gestão da Cultura da Universidade Estácio de Sá até 2005.
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segunda-feira, 1 de setembro de 2008

O Tudo Cultural apareceu como dica do Blog do Leitor do jornal gratuito Destak, que é distribuído nos pontos de maior movimento do Rio. Clique na foto e vá folheando até a página 15.

Mas esta é a edição de São Paulo. Quem ganhou a versão carioca e viu se saiu aqui, agradeço quem escanear e me enviar que eu colocarei no blog.

É o Tudo Cultural na mídia.


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