sábado, 31 de maio de 2008



Por Gustavo do Carmo, via e-mail



No dia 20 de abril a Dica da Segunda foi o ótimo site histórico Memória Viva ( http://www.memoriaviva.com.br/ ), criado pelo jornalista Sandro Fortunato, que ganhou vários prêmios e está completando dez anos em 2008 e fazia aniversário naquela data. Na ocasião prometi uma entrevista com o seu editor. E é o que você vai acompanhar agora aqui no Tudo Cultural.

Ele fala do surgimento do site, da sua forma de pesquisa, de como começou a disponibilizar as edições online das antigas revistas O Cruzeiro, O Malho e Careta, dá a sua opinião sobre a burocracia das bibliotecas e critica duramente o Wikipédia.


Por que o Memória é dedicado às personalidades já falecidas? Tem planos para fazer biografias vivas?
É mais fácil trabalhar com quem já morreu porque eles não costumam reclamar. Brincadeira à parte, é realmente complicado lidar com o ego no mundo dos vivos. Sempre pensei em fazer do Memória Viva um Memória Viva dos Vivos, mas além de muita gente que eu gostaria de colocar lá já ter seu próprio site, encontrei alguns obstáculos: o homenageado não entender a função do trabalho, não ter contato com a Internet e até por isso desconhecer sua importância como veículo de informação, querer interferir no trabalho a ponto de descaracterizá-lo e por aí vai. Para compensar essa "falta", criei em 2004 o Memória Viva Hoje, uma área mais quente, de jornalismo, que cumpriria essa função através de entrevistas e depoimentos. Digo "cumpriria" porque nunca consegui colocar no ar, com alguma regularidade, o material produzido. Todos são no nível da entrevista/depoimento do Anselmo Duarte ( www.memoriaviva.com.br/anselmo.htm ). Duvido alguém encontrar um material sobre ele, na Internet, como o publicado pelo Memória Viva. E olha que nem está na íntegra. Como esse, foram feitos outros maravilhosos com os jornalistas e escritores José Louzeiro e Gonzaga Jr., com o diplomata Lauro Moreira (que foi casado com a poetisa Marli de Oliveira e teve como padrinhos de casamento Clarice Lispector e Manuel Bandeira), com Maria Mathilde e Fernanda Dias (filha e neta de Cecília Meireles e Fernando Dias), só para citar alguns. Tudo inédito. Parte disso ainda irá ao ar, mas acredito mesmo que as íntegras dos depoimentos acabarão, um dia, em livro.


A Luz Del Fuego era uma das personalidades admiradas que você procurava quando decidiu criar o site?
Luz de Fuego deu origem ao Memória Viva. Eu havia lido uma biografia dela em 1996 ou 1997 e estava fascinado por sua história. Quando surgiu a web, quis saber mais. Como? Onde? Não havia nada. Tomei o caminho contrário. Fiz um site para ela no antigo Geocities. Como não exisitia nada parecido na época e tudo na web brasileira era novidade, imediatamente ele começou a ser mostrado nas revistas e cadernos especializados. Gostei do resultado, da idéia, e no mês seguinte - abril de 1998 - já entrava no ar o Memória Viva.

Quando você teve dificuldades de encontrar as tais biografias, você pesquisava apenas por prazer ou precisava fazer algum trabalho, como a monografia da faculdade?
Nunca nada relacionado ao Memória Viva foi iniciado ou esteve ligado a alguma obrigação ou atividade externa. Tudo sempre foi produzido exclusivamente para ele. Desde o início, quando minhas fontes de pesquisa eram apenas os livros que existiam em meu quarto até os dias de hoje quando viajo para qualquer parte do Brasil atrás de uma matéria ou para fazer uma pesquisa. Se você vasculhar o Memória Viva, principalmente o Memória Viva Hoje e o Blog, vai perceber que já fiz matérias em várias cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas, Distrito Federal, Paraná e Rio Grande do Norte, dentre outros lugares. Foi (e é!) um prazer que virou ofício. Como faço tudo sozinho - desde a pesquisa mais básica até a disponibilização de qualquer material no site - muitas vezes sou atropelado por mim mesmo. Costumo dizer que o Memória Viva, que virou uma referência de pesquisa, como está no ar hoje, pareceria um trabalho de ensino fundamental se comparado ao material produzido e que nunca foi ao ar. Tudo isso começa a desembocar em outra vias. No momento, estou escrevendo a biografia de Appe ( www.memoriaviva.com.br/appe ) e pesquisando para outra, a de Carlos Estevão ( www.memoriaviva.com.br/carlosestevao ), ambos desenhistas da revista O Cruzeiro ( www.memoriaviva.com.br/ocruzeiro ). Paralelamente, outras pesquisas foram acontecendo. Há sites, criados há anos, para Getúlio Vargas, Carlos Lacerda e Lima Barreto (esse entrará no ar em 2008). São gigantescos e com tanto material inédito, raro ou pouco conhecido, necessitando de tanto cuidado, principalmente, com revisão de texto, que acabaram sendo colocados no final da fila. Nenhum desses trabalho daria uma monografia da faculdade. Dariam, no mínimo, uma tese de doutoramento. Só que sem a chatice e embromação que geralmente as acompanham. Minhas áreas são comunicação e preservação histórica. Desejo que todos tenham acesso ao conhecimento e possam entender qualquer informação dada.

Como você faz as pesquisas dos seus biografados?
Da mesma forma que qualquer outro pesquisador: caindo em campo. Como sou jornalista, a primeira coisa é recorrer a fontes primárias. No caso, o mais comum são os familiares mais próximos. Em seguida, vou a qualquer acervo ou pesquisa anterior que seja confiável. Já fiz pesquisas em várias bibliotecas e acervos de Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Londrina, Natal, etc. Na Biblioteca Nacional foram raras e quase nunca relacionadas a algo para o Memória Viva.

Você concorda que a Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro tem muita burocracia para os pesquisadores? É preciso consultar (com dificuldade) no computador e preencher corretamente e totalmente o formulário de catalogação, senão eles não entregam o material que você pediu. Você já se estressou alguma vez ao fazer pesquisa lá?
Dificilmente me estresso com alguma coisa. Ainda mais com o mau humor de gente que é paga para atender os outros. Não tenho culpa alguma pelas frustrações alheias. Existe sim, na maioria das bibliotecas - e um caso terrível é o da Biblioteca Nacional -, uma burocracia que atrapalha muito o bom andamento de qualquer pesquisa. Também há uma diferença entre pesquisadores experientes e/ou reconhecidos e o público comum. Quando você se impõe e mostra que sabe o que quer, você acaba conseguindo o que está buscando. O Memória Viva é suficientemente conhecido para facilitar meu acesso a muitos acervos que, normalmente, não estão abertos ao público comum. Eu até acho necessário que exista uma biblioteca como a Nacional do Rio, que preserve "tudo que existe", mas dificultar acesso ao conhecimento é um contrasenso para uma instituição que deveria justamente prover isso. Foi o que pensei em fazer com o Memória Viva quando o criei: dar acesso irrestrito à informação e ao conhecimento.

Como você decidiu levar o conteúdo da Cruzeiro para a internet? E as demais (O Malho e Careta)?
Em 2002, eu trabalhava na Secretaria de Comunicação Social do Senado Federal e estava colaborando com a edição de uma revista. Havia uma matéria sobre o centenário de Juscelino Kubitschek e no Senado, por incrível que pareça, só havia uma foto oficial de JK. O "editor do Memória Viva" entrou em ação e saiu buscando imagens de JK. Voltei com mais de cem, boa parte delas conseguidas em exemplares da revista O Cruzeiro. Durante a pesquisa, xeroquei ou digitalizei tudo que achei interessante, nas revistas, para futuras biografias no Memória Viva. No ano seguinte, o site foi para sua primeira final no Prêmio iBest. Achei que era hora de colocar novo material nele. Pensei em algo relacionado a O Cruzeiro. Ainda elaborando como seria isso, surgiu a idéia de fazer um site para a revista como se ela ainda estivesse chegando às bancas. A cada semana eu colocava uma nova edição. Foi um grande barato. Mantive isso por quase um ano. Dava um trabalho danado! Depois de colocar umas 40 edições, passei a colocar só eventualmente alguma especial. Careta e O Malho apareceram no rastro dessa experiência com O Cruzeiro, mas já com algumas modificações como a apresentação da página original, que era uma curiosidade demonstrada, por e-mail, pelos internautas.

As revistas que você resgata são suas ou emprestadas? Se forem suas, você já as tinha antes do site ou comprou no sebo depois do sucesso do site?
Coleciono revistas desde minha infância. Primeiro quadrinhos, depois revistas semanais e, depois dos 20 anos, revistas antigas. O interesse e a coleção aumentaram consideravelmente com o trabalho do Memória Viva. Parte do que vai ao ar é de meu acervo pessoal, mas há também muito material pesquisado e digitalizado a partir de outros acervos.

Na Dica da Segunda mencionei a antiga revista Realidade, da Editora Abril. Por que seu conteúdo ainda não foi disponibilizado?
Porque o título pertence a Editora Abril e seria preciso autorização ou uma parceria para que fosse possível viabilizar algo assim. Não está nos meus planos fazer isso porque seria um trabalho gigantesco e muito caro. Tenho uma coleção completa de Realidade e, por isso mesmo, resolvi fazer a catalogação. Inicialmente porque isso auxilia em minhas próprias pesquisas. Como também pode auxiliar nas de outras pessoas, resolvi compartilhar a catalogação e disponibilizá-la no Memória Viva. Começa a ir ao ar (os dois primeiros anos) a partir da primeira semana de maio. Será possível pesquisar os títulos das matérias publicadas, quem estava presente em cada edição, temas, palavras-chaves, mas o conteúdo não será disponibilizado.

O que acha do relançamento das revistas Rolling Stone e Mad?
Ambos são títulos americanos, de grande sucesso e longevidade, que têm histórias ramificadas no Brasil. É importante saber que, apesar de manter certas características, elas são bem diferentes hoje em relação a quando foram lançadas, tanto nos Estados Unidos quando aqui. A Rolling Stone americana, quando apareceu, e sua versão brasileira nos anos 70 tratavam do movimento de contracultura, que para muitos existiu somente nos Estados Unidos. Teorias a a parte, aqui tínhamos ecos disso. Ainda assim, o tratamento era diferente. A versão brasileira era mais desbundada, mais "fã"; a americana era mais crítica. RS se impôs no mercado editorial americano, virou uma lenda e hoje tem versões espalhadas por todo o mundo. É uma revista de variedades. Acho legal que exista por aqui. Mais legal quanto mais material nacional tiver nela. Ficar traduzindo matéria gringa e empurrando a cultura deles goela abaixo dos brasileiros é uma idiotice. Quanto a MAD, é mais uma questão de "quem quer editar agora" do que relançamento. A MAD brasileira é a cara do Ota. Enquanto ele fizer parte, a MAD será sempre a MAD. Se ele sair, vai virar revistinha traduzida por boyzinho que pensa que falar em inglês é sinônimo de inteligência. Sendo assim, particulamente, prefiro comprar a original.

A Seleções era uma revista de grande sucesso nos anos 50. Hoje em dia fica bem escondidinha no jornaleiro. Sua atual estratégia de marketing é a venda de assinaturas através daquela promoção de prêmios de caráter duvidoso. Você acha que eles deveriam mudar o conceito e o formato para concorrer com Veja, Época e IstoÉ? Tem planos de divulgar a versão antiga da revista?
A Seleções tem uma proposta completamente diferente de uma revista semanal de jornalismo. É uma revista "para a família", de leitura amena. Não tenho qualquer plano em relação a ela até porque meu foco é voltado para revistas brasileiras. Seleções é mais uma versão.

Você gostaria de ver reeditadas as revistas que você resgata no Memória Viva? Acredita que elas fariam sucesso no mercado de hoje?
Seria interessante fazer edições comemorativas. O mundo mudou, o mercado mudou, o público mudou e o jornalismo mudou (para pior, infelizmente). Elas teriam que mudar para fazer sucesso hoje.

O que você acha daquele especial "Por toda a minha vida" da Rede Globo? Por enquanto é limitado à música, mas acha que deveria falar de outras personalidades? Você alguma vez se sentiu plagiado com o programa?

Assisti a um ou dois, muito de passagem. Não gosto muito dessa mistura de má pesquisa histórica disfarçada de jornalismo misturada com novelinha. Se for feito com seriedade e de forma criteriosa, acho ótimo. Colocar o povo para ouvir Elis Regina sempre vai ser melhor do que enchê-lo do lixo que aí está. Plagiado?! Claro que não. Antes de mim já faziam trabalhos como esse e, espero, continuem surgindo muitos outros. Mas aconteceu algo interessante em relação a outro programa da Globo, o Linha Direta Justiça. Houve um tempo em que eles estavam abordando histórias com as quais eu estava trabalhando. Eu achava estranhíssimo ver uma chamada na tevê sobre algo com o qual eu estava envolvido. Parecia perseguição! "Nos bastidores", isso me rendeu uma tremenda experiência pela oportunidade de comparar um trabalho com fins comerciais a ser exibido em um veículo de comunicação de massa com outro com fins memorialísticos. Várias vezes vi nos programas o aviso de que "Fulano (algum envolvido na história) não quis falar à reportagem" e eu pensava "Mas comigo ele falou".

Com o wikipeédia, as pesquisas na internet agora estão mais fáceis. Isso não atrapalha a audiência do site?
Mais fáceis para quem NÃO pesquisa, para quem quer tudo mastigado. A Internet é gigantesca e eu não sou a Globo e nem mesmo tenho uma empresa com fins lucrativos para querer ter toda "a audiência" para mim. Quantos mais sites como o Memória Viva - que preservem nossa cultura, nossa História e ofereça informação e conteúdo gratuitamente, melhor. Isso de forma confiável e criteriosa, o que, definitivamente, não é o caso da Wikipedia. Eu jamais confiaria em qualquer coisa escrita lá (em inglês e em alemão, são muito boas, mas em português é uma desgraça). Mas se você fizer algumas pesquisas nela - e nem precisa se esforçar muito - vai encontrar muita coisa copiada do Memória Viva. Algumas vezes, creditada.

Já postou algum dado lá?

Não e nem perderia meu tempo com isso. Amanhã alguém poderia tirar a informação correta que deixei e colocar uma besteira qualquer no lugar.

Acredita naquela máxima de que "Todo brasileiro tem memória curta"?
O Memória Viva nasceu do FATO de que brasileiro tem memória curta. Muito curta, por sinal. Não lembra em quem votou nas últimas eleições; não lembra dos podres acontecidos em governos passados... Mas "TODO brasileiro" é uma generalização. Grande parte; não todos.

A entrevista foi respondida por e-mail entre os dias 14 e 23 de abril. A novidade é a seção Número 1, com a capa da primeira edição de várias revistas históricas, entre elas a Realidade, que ainda não teve a prometida catalogação anunciada em maio.
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sexta-feira, 30 de maio de 2008


KENDRA DA SILVA

Sentia mais prazer com o jogo de sedução do que o sexo em si; tinha nojo das secreções e dos cheiros. Mantinha a região pélvica sempre lisa.
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quinta-feira, 29 de maio de 2008


Foi em 1852 que se deu em Portugal a Reforma Postal promulgada pela Rainha D. Maria II. Mas só em Julho do ano seguinte saiu uma emissão idêntica à que tinha saído em Inglaterra, mas com o perfil da soberana portuguesa, inspirado no modelo inglês.
O desenho foi confiado a Francisco de Borja Freire, que segue directrizes combinadas, enviando depois o desenho para gravação. Depois de feita e aprovada a gravura, é fabricada, multiplicando assim as chapas da gravura em folhas de cinquenta ou cem unidades cada uma, sendo depois entregues à Casa da Moeda.
Estava então criado o primeiro selo português, sem qualquer taxa, pois podia circular em cartas de qualquer valor.


Selo de D. Maria de 25 reis de 1853.



D. Maria II “nasceu num domingo de Ramos a quatro de Abril de 1819 em terras brasileiras. Seus pais, rei D. Pedro IV e sua mulher a arquiduquesa Leopoldina de Áustria, tiveram a sua primeira filha no Palácio da Boavista. Ali vivia a família real fugindo aos Franceses que tinham invadido o reino. (…) Não teve na pia baptismal mais do que um nome pomposo e um título, como se impunha à sua condição de futura rainha – Maria da Glória Joana Carlota Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de Paula Isidora Micaela Rafaela Gonzaga, princesa da Beira e do Grão-Pará (…).




1º Centenário do Selo Postal 1$00
Desenho de Jaime Martins Barata
Impressão: Heliogravados, N. V. John . Enschedé en Zonen, de Haarlem
Circulou de 3 de Outubro de 1953 até 26 de Julho de 1956.
Papel esmaltado, denteado 14 x 13 ½.
Legenda “PORTUGAL” sobre fundo dourado.



Na quinta de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, Maria da Glória vai ter uma infância despreocupada e feliz, educada e muito amada pelas camareiras do palácio e pelos pais. Aos 7 anos, essa alegria é interrompida abruptamente com a morte da mãe. O pai será o seu grande amigo e protector (…). Estava-se no ano de 1822 e a nossa princesa contava com dois anos e meio quando nas margens do rio Ipiranga se dá o grito da independência do Brasil. Em Portugal morre entretanto D. João VI e seu filho, D. Pedro IV, residente no Brasil, vai ter de optar entre ser imperador do Brasil ou rei de Portugal.
Escolhe o Brasil e, em 1826, abdica do trono de Portugal, em nome da filha Maria, apenas com sete anos (…). Esta menina começa a pouco e pouco a aperceber que vai deixar de ser criança e que o seu destino lhe vai impor uma conduta diferente da das outras meninas da sua idade. Aos nove anos é mandada para a corte de Viena para ser educada pela avó materna, mulher de Francisco I (…).
Tem 15 anos quando sobe ao trono D. Maria II, 29º monarca português e a segunda rainha reinante da nossa História (…). O seu primeiro ministério, presidido pelo duque de Palmela, encontra a oposição das Câmaras. Mas, por agora e por motivos políticos, é prioritário que a rainha se case e dê um herdeiro ao País.
Às rainhas de Portugal estava vedado o casamento com estrangeiros e mesmo na Carta Constitucional de 1836 esse preceito ficara expresso. As Câmaras tiveram, pois, de reunir para autorizar que a rainha pudesse casar com um estrangeiro.
Dos diversos noivos que lhe estavam destinados, a madrasta vai-lhe escolher o seu próprio irmão. Fica decidido o casamento com Augusto de Leuchtenberg, neto de Maximiano da Baviera.
(…) O noivo morre dois meses depois. Ainda mal refeita do acontecimento, decidem casá-la de novo com Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha ministro dos Negócios Estrangeiros do primeiro Governo Constitucional (…).
Temos de admirar esta rainha que consegue manter a cabeça fria, com um povo em pé de guerra permanente e em casa com uma prole numerosa para educar.
Nos seus 19 anos de reinado, soube sempre ser rainha e mãe ao mesmo tempo, pois, em todas as crises políticas que o país atravessou, estava sempre D. Maria à espera de um filho e as obrigações como governante nunca foram descuradas por esse motivo (…). Se não tivesse sido uma rainha de pulso, não teria acabado o seu reinado já sem guerras civis e proporcionando aos seus filhos que foram reis, reinados com uma certa estabilidade (…).
No seu reinado, apesar das vicissitudes por que passou, houve tempo para o progresso. Em 1835, já fora estabelecido o ensino primário gratuito. Em 1836, por acção de Sá da Bandeira, é decretado o fim do tráfico de escravos nas colónias portuguesas a sul do Equador. O primeiro selo postal a circular em Portugal tinha a sua efígie em branco, moedas de ouro, prata e as primeiras de cobre (…).
A rainha tinha paixão pelo teatro, gosto esse que lhe ficara dos tempos vividos na corte de França.
Vai empenhar-se, apoiada por Garrett, para que se construa um teatro que será edificado no Rossio sobre as ruínas do Palácio da Inquisição – O teatro D. Maria II, segundo projecto de Fortunato Lodi. As obras vão decorrer entre 1842 e 1846. O tecto tinha pinturas de Columbano Bordalo Pinheiro que foram destruídas no incêndio de 1964 (…).
Em 1838, vai comprar o antigo convento dos monges de S. Jerónimo. O palácio começou a ser edificado em 1844. É o mais belo exemplar da arte romântica do nosso país (…).
Infelizmente D. Maria II não pode desfrutar muito deste local maravilhoso, visto que vem a morrer de parto a 15 de Novembro de 1853 (…).”


(Texto gentilmente cedido pela Senhora D. Maria Luísa Paiva Boleo lançado no site www.oleme.pt em 21-02-2005)



150 Anos do Primeiro Selo Português emitido em 13 de Março de 2003.
Designer: Eduardo Aires
Picotado 12 x 12 ½ e impresso na Imprensa Nacional Casa da Moeda.


Nunca Roland Hill pensou que a sua invenção corresse o mundo e tivesse tantos adeptos!
Por outro lado, o selo português - além de abordar os temas mais diversos, também é um múltiplo de arte, altamente apreciado em todo o mundo, designadamente por filatelistas dos quatro cantos do globo.
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terça-feira, 27 de maio de 2008

Flagrante de Madame Magda numa pausa de folgedos
eróticos na sua mansão,
enquanto o carnaval explodia na Av. Paulista.



E virou jardineiro dos bons. Meio sem graça na terra dos outros. Então cismou, queria um pedaço de terra para ele. Qualquer pedaço. O mundo era grande. Alguma devia ter por aí, esperando por ele.
Aí, então... então apareceu Madame num domingo de Carnaval. Que fruta rara! Lindura maior nunca vira, maior que o alvoroço dos aviões no céu. Brilhavam os olhos verdes igual alface até mais que o metal voador ao sol. Sinhá olhava ele parecendo querer abocanhar. Assim que ficou claro o que ela queria, ia negacear? Sem mais porquês foi atrás dela com a roupa do corpo: o uniforme de jardineiro. Uniforme! Uniforme era sinal de obediência cega ao que dá na telha dos mandantes, coisa prometida nunca mais. Verdade que agora obedecia - assim, por dizer - aos gostos da lady, mas de forma diferente. Neste caso foi mais cômodo obedecer. Eram desfrutes divertidos. Ela o mimava com presentes e borós que ele não gastava em besteiras, não. Guardava direitinho até virarem contos. Dia viria e estaria pronto para comprar sua terrinha. Só dele e das verduras, plantas. Algumas galinhas, bichos variados... um sítio, assim o chamego com a lady terminar. Terminar? Lembrou o verso que roubou dela: "regaço sólido que sacia quente / minha doce febre. / Pelo e pele / solidez incauta / balanço e aconchego / de meus peitos". Aquele namoro não estava ficando chameguento demais? Tem ditado que diz amor demais enjoa, como o alimento mais gostoso embrulha o estômago, quando comido sem moderação.
Será mesmo, crioulo?
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(Extraído do romance 'A Cena Muda' - Copyright Miguelaf)
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segunda-feira, 26 de maio de 2008

FOTO: DIVULGAÇÃO

Com informações da divulgação.

Estreou na última quinta-feira, aqui no Rio de Janeiro, o musical A Noviça Rebelde. A peça é uma adaptação do texto original norte-americano The Sound of Music, de 1959, que tinha Mary Martin no papel da noviça Maria Rainer. Seis anos depois ganhou a clássica versão cinematográfica que consagrou Julie Andrews. A primeira montagem brasileira do espetáculo reabriu o célebre Teatro Casa Grande, no Leblon, que foi totalmente reformado depois de ficar cinco anos fechado. A casa agora tem o patrocínio da operadora telefônica Oi, que vinculou seu nome ao estabelecimento.

A obra narra a história de uma jovem mulher, Maria, que não está conseguindo se tornar freira e começa a se questionar quanto à escolha. Quando o capitão Georg Von Trapp escreve ao convento solicitando que uma governanta cuide de seus sete filhos, Maria aceita a oportunidade como uma fuga de seus problemas.

Na casa da família, o viúvo capitão está constantemente viajando. Quando está em casa, educa os filhos como comanda os marinheiros de seu navio. Quando Maria chega, percebe que as crianças sentem falta da mãe e do amor do pai. Com o passar do tempo, conquista o carinho e respeito de todos na casa, inclusive do capitão.

A trama também mostra o nascimento do amor entre a amável noviça e o rígido militar austríaco, tendo como pano de fundo o clima de guerra que abalava o mundo no fim dos Anos 1930.

Kiara Sasso e Herson Capri são as estrelas do musical. Famoso pelas novelas da Rede Globo em que alterna papéis de herói e vilão, Herson enfrenta o desafio de cantar pela primeira vez em uma peça. Por outro lado, Kiara Sasso é mais conhecida no teatro. Também cantora, tem experiência de 15 musicais, entre eles A Bela e a Fera e o Fantasma da Ópera.

Produzida por Charles Möeller e dirigida por Cláudio Botelho, A Noviça Rebelde tem 44 atores. Os atores mirins que interpretam os sete filhos do capitão Von Trapp foram escolhidos numa seleção na qual se inscreveram 500 crianças. O elenco também a participação de Ada Chaseliov e Fernando Eiras. A produção exigiu ainda 15 músicos, 80 técnicos, 11 cenários e 300 refletores. O musical tem seis sessões semanais de quarta a domingo (sendo duas sessões aos sábados) fica em cartaz no Casa Grande até dezembro.

Oi Casa Grande
Rua Afrânio de Melo Franco 290, Leblon
Horário:
Quarta, quinta e sexta às 20h30
Sábado às 16h e 20h
Domingo às 16h
Telefones:
Bilheteria - (21) 2511-0800
Administração - (21) 3114-3716 / 3114-3712
Mais Informações: http://oicasagrande.oi.com.br
Ou clique diretamente na foto
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domingo, 25 de maio de 2008

Por Ed Santos


A água clara que caída do chuveiro, viaja pelo corpo de Clara, toma rumos que não me interessa, diante do que representa o banho. O banho de Clara é tudo, mas o chuveiro... Esse sim é fundamental. Já pararam pra pensar? A Clara já.
A Clara dá uma importância danada pro chuveiro dela. Chama de “meu amorzinho” o tal chuveiro. O prazer dela é chegar todo dia de noitinha, e entrar debaixo dele. É assim desde quando eu vi pra cá. Quando ela abre o registro parece iniciar um ritual. Parece preparar-se prum mergulho no mar. Engraçado é que ela faz até o gesto; junta as mãos como se estivesse pronta pra fazer uma oração e mesmo sem saber nadar, entra embaixo d’água. Tchbum!
Outro dia descobri porque a Clara gosta mais do chuveiro do que da água. Ela chegou do trabalho, e como de costume preparou-se pro banho. Levou a mão ao registro e ao girá-lo, o chuveiro recusou-se a brotar água. Clara enrolou-se numa toalha e foi interfonar: “Adalberto, não tem água no prédio?” Diante da negativa do porteiro, ela voltou ao banheiro e com lágrimas nos olhos, parou na minha frente. Não, ela não estava chorando pela falta d’água, e sim porque o “meu amorzinho” estava ali, inerte, sem sequer jorrar uma só gota do líquido precioso. Ela olhou bem pra mim e disse: “Quando eu era criança lá na roça, tomava banho no rio, ou na bacia. Agora que vivo na cidade, de que adianta ter todos os recursos, água encanada e tudo mais, se o ‘meu amorzinho’ não estivesse aqui pra me ajudar a tomar um banho? No rio daqui é que não entro!”
Entendi, naquele momento, o que o chuveiro representava para Clara. Pena não poder fazer nada para ajudá-la. Pena. Ela então chegou mais perto ainda e encostou a mão em minha face dizendo: “Ah, espelho, espelho. Só você pra me ouvir!”
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sábado, 24 de maio de 2008

Por Gustavo do Carmo



A famosa pergunta lembrada no antigo comercial daquela sumida companhia telefônica (é a Intelig) já nem é mais usada pelos caixas de supermercado e pequenos comerciantes. Arredondam logo o valor da mercadoria para cima.

Acontece muito quando eu vou comprar refrigerantes em um mini-mercado de Bonsucesso, onde moro. Se o total da compra é de R$ 10,98 e eu dou onze reais, eles não retornam o troco, sem nenhuma cerimônia. Quando soma R$ 6,96 e dou dez reais para agilizar a fila, evitando catar as moedinhas no bolso da minha calça, que serve de porta-níqueis, eles dão apenas três reais, sem os quatro centavos ou mesmo cinco.

Por educação e para não passar a imagem de pão duro e ranzinza, nas primeiras vezes eu nem me importava. Mas a frase da freguesa do comercial não saía da minha cabeça: “E se fosse o contrário? Eu poderia ficar te devendo um centavo?”. Até que na décima vez, eu não agüentei e perguntei ironicamente: Vem cá? Vocês vão me dar um desconto nas próximas compras, não vão? Contrariada, a caixa me deu os quatro centavos que faltavam. Quatro centavos. Não é nem mais 1 centavo que eles sonegam de troco ao cliente.

Quando o cliente repete na vida real a atitude da moça do comercial, os balconistas e caixas abrem aquele sorrriso amarelo de constrangimento e nos deixam sem resposta, que é NÃO. O centavo que não faz falta para o consumidor de classe média comum, faz para o comerciante. Se todos os clientes deixarem de pagar a diferença a mais, o caixa do comércio teria um prejuízo e tanto. Mas a receita que eles já têm com o troco que sonegam (e de alguns que até rejeitam) já equilibra e até dá ainda mais lucro.

A sonegação do pequeno troco incentiva a inflação. Era o que sempre diziam a cada mudança de moeda. No tempo do corte dos três zeros, quando 1.640 cruzados se transformaram em 1,64 cruzados novos, os comerciantes arredondavam logo para NCz$ 1,65 ou até para NCz$ 1,70. No início da entrada em vigor do Real, em primeiro de julho de 1994, ocorreu a mesma coisa. O troco ficou ainda mais difícil porque os preços do Cruzeiro Real eram divididos pelo índice chamado URV e o quociente geralmente saía quebrado. A campanha da mídia para valorizar o troco era ainda mais intensa.

O comércio se defende, até hoje, pondo a culpa da sonegação do troco, com razão, na falta de moedas e na mania do comprador de pagar com dinheiro inteiro. O Banco Central reforça o estoque de pratas, mas não adianta. Quatorze anos depois (nada de arredondar para quinze), as pessoas que se lembram dos centavos não percebem que nem ouvem mais a velha pergunta: Posso ficar te devendo 1 centavo? Dá vontade de pagar tudo com balinha.

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Esta crônica foi publicada há um ano no extinto blog Livro Aberto, da Lunna Guedes, para o qual eu tive o prazer de colaborar por alguns meses e que me inspirou a montar a minha equipe de colaboradores semanais. Hoje, queimei a minha língua. Pelo menos no Supermercado Prezunic. Tive a coragem de perguntar se eu poderia ficar devendo 1 centavo numa compra de R$ 160,36. E a resposta foi sim. Sem nenhum sorriso amarelo. Se o comercial ainda está vivo na memória das caixas de supermercado eu não tenho certeza, mas o mundo não está perdido.
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sexta-feira, 23 de maio de 2008


Escrevia com tanto sentimento que quando alguém visitava seu blog, lágrimas adocicadas minavam da tela do computador, provocando curto-circuito.

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quinta-feira, 22 de maio de 2008



Pequeno e frágil rectângulo de papel, impresso de um lado e gomado do outro, o papel é feito a partir de uma pasta branqueada de fibras vegetais, que se espalham em camadas finas e regulares sobre uma rede. Depois de solidificar, é tratado e reduzido às dimensões desejadas. Incorporam-se na pasta fios de seda, estes, não sendo dissolvidos nem branqueados, aparecem distintamente no papel acabado.
Papel pontinhado Papel estriado






Textura. Se a rede onde é depositada a pasta for uniformemente entrelaçada, não deixa marcas e obtém-se um papel “não texturado”. Se, pelo contrário, é constituída por fios regularmente dispostos, o desenho formado por estes transmite-se à pasta, ficando o papel “texturado”. Do mesmo modo passam à pasta as configurações de peças que se incorporem na rede, conseguindo-se assim o P apel pontinhado papel filigranado.
Nos nossos selos usaram-se dois tipos de papel texturado: o avergoado ou estriado que, quando vistos contra a luz, mostra uma pauta de linhas paralelas e pontinhado em losangos, com linhas cruzadas formando losangos regulares. Todos os restantes são texturados.
Acabamentos. Conforme o fim a que se destina, podem dar-se vários tipos de acabamento ao papel. Um dos mais sofisticados consiste em revesti-lo de uma camada de gesso obtendo-se o chamado papel porcelana, cuja superfície brilhante permite uma impressão nítida. Tocado por uma ponta de prata, fica marcado de negro.
Cunho – Designa-se por cunho a peça geralmente gravada, que se destina à impressão de um selo.
Para os selos de relevo do Continente, de elevada tiragem, foi necessário abrir mais do que um cunho da mesma taxa. As diferenças entre esses cunhos, reconhecidas nos selos por eles impressos, revestem-se da maior importância para os coleccionadores, aos quais se abre por esta via, vastíssimo campo para estudo, especialização das suas colecções, muitas das vezes pela aquisição apenas de exemplares a preços reduzidos.
Goma – Têm-se usado várias quantidades de goma nos selos de Portugal e ex- Colónias. A actual fobia que se está a verificar por parte de certos coleccionadores em adquirir selos novos sem charneira, têm feito aparecer no mercado inúmeras séries melhor ou pior regomadas. Recomenda-se por isso, o maior cuidado na verificação das características da cola de cada selo, nomeadamente a sua cor, espessura, uniformidades, estalados naturais, etc.
Denteado – Os denteados mais correntes, são de três tipos; de linha, de pente ou de grade. Os de linha são feitos por ferramenta constituída por uma única fiada de cortante – linha – que vai picotando uma a uma, todas as linhas e colunas de selos que constituem a folha, deixando cortados irregularmente os cantos de cada selo. Isto não acontece com os outros dois tipos, em que os quatro cantos ficam sempre cortados de maneira idêntica. Com efeito, a ferramenta de pente tem, para além de uma fiada de cortantes, um conjunto de outras dispostas perpendicularmente - pente – que perfuram uma carreira de selos em três dos seus lados. Descendo sucessivamente de carreira em carreira, fica toda a folha picotada. A ferramenta mais completa é constituída por uma quadrícula de cortantes – grade – que numa só descida perfura toda a folha.
Estabeleceu-se internacionalmente que a medida de um denteado se exprime pelo número de dentes existentes num comprimento de dois centímetros. Assim, quando se diz que o denteado de um selo é 12, é porque tem 12 dentes por cada 2 cm de comprimento. Assim, D. 12, indica que o selo tem a medida igual nos quatro lados. D. 12 x 11 ½ , o selo é denteado 12 no topo e na base e 11 ½ em ambos os lados. D. 12 a 14, os selos têm várias medidas de denteado compreendidas entre 12 e 14.
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terça-feira, 20 de maio de 2008

FOTO: REDE GLOBO



Roda e não empolga
Por Gustavo do Carmo

Primeiro foram as chamadas. Trilha imponente, efeitos visuais modernos com toques clássicos e a exaltação ao ambiente da história: a São Paulo do final dos anos 50 (enaltecer SP é com a Globo mesmo). O elenco de primeira já estava escolhido. Foram apresentados ao público no teaser que antecedeu o lançamento. Neste, aliás, brincavam de ciranda, título da novela. Uma brincadeira de criança tão ingênua e divertida. O telespectador não sabia que a idéia seria aproveitada na abertura, só que com figurantes. Prometia anunciar uma grande novela.

E a abertura ficou linda. Simples e objetiva. As moças que dançam a ciranda são belas. E a música Redescobrir de Gonzaguinha e Elis Regina combinou perfeitamente. Prometia abrir os capítulos de uma grande novela. Pelo menos na abertura acabou com o mito de que tudo do passado é melhor. A primeira adaptação de Ciranda de Pedra, romance de Lygia Fagundes Telles foi ao ar em 1981, escrita por Teixeira Filho. Era ambientada na São Paulo dos anos 40. E naquela época não existia Projac e nem computação gráfica para reviver a fotografia da cidade-ambiente na primeira metade do século XX. A abertura parecia uma cena da novela, só que com figurantes. A trilha era Céu Cor-de-rosa do Quarteto em Cy. A versão 2008 de Ciranda de Pedra, assinada agora por Alcides Nogueira, prometia ser totalmente superior a versão 81.

O elenco da nova versão, como na primeira, também é de primeira linha. Eva Wilma foi substituída por Ana Paula Arósio. Adriano Reys por Daniel Dantas. Armando Bógus virou Marcelo Anthony. Norma Blum foi trocada por Ana Beatriz Nogueira. As então jovens atrizes Lucélia Santos, Priscila Camargo e Sílvia Salgado deram lugar a três novatas: Tammy di Calafiori, Ariela Massoti e Ana Sophia Folch. Mônica Torres e José Augusto Branco são os únicos remanescentes da primeira produção. Suas antigas personagens agora são de Paola Oliveira e Osmar Prado. Com todas essas qualidades, Ciranda de Pedra prometia ser uma grande novela no horário das seis, que poderia render recordes de audiência.

Mas não está. E a Globo sentiu isso intensificando as chamadas e se defendendo com a teoria de que o brasileiro acessa a internet neste horário. Pode até ser. Mas muita gente acessa a internet com a televisão ligada na novela. O problema não é o horário. É a própria história que está engessada. Roda, roda, roda e não sai do lugar desde que estreou há três semanas (no dia 5 de maio). Ficou presa no Dr. Natércio prendendo a esposa Laura no quarto ou a humilhando. A filha Virgínia preocupada com a mãe, enfrentando o pai (provavelmente adotivo) e a governanta mau caráter Frau Herta enquanto a irmã mais velha só fica rezando sem ajudar a mãe e a do meio paquerando o namorado da irmã politicamente correta. Do outro lado, o galã Dr. Daniel lutando para salvar a amada das garras do marido vilão. Quando sai disso, acaba voltando a estaca zero e começa tudo de novo. No núcleo secundário, o empresário dono da fábrica preocupado com o gerador com defeito; o filho bon vivant namorando a filha da mocinha e brigando com o pai e a irmã jogando tênis. Ao mesmo tempo, o personagem do Bruno Gagliasso procurando emprego para depois trabalhar honestamente e ainda paquerando a Cléo Pires (está previsto que ele dispute o amor de Virgínia com o bon vivant Conrado). Já o núcleo cômico reúne as figuras das novelas anteriores: a pensão (presente em Desejo Proibido, Eterna Magia e O Profeta), o barbeiro (das duas últimas novelas) a briga de marido, mulher e sogra (de Alma Gêmea) e a jovem de bem pretensiosa, esperta e divertida que acaba aprontando situações engraçadas (O Profeta, Alma Gêmea e Chocolate com Pimenta). Aliás, o personagem de Caio Blat é muito parecido com um malandro que ele interpretou em Esplendor. Além de tudo isso, os atores principais não estão conseguindo transmitir a emoção de suas personagens. Parecem que estão interpretando para o diretor durante a gravação e não para o telespectador.

A culpa da pouca audiência de Ciranda de Pedra também pode estar no fato de ser mais uma novela de época no horário das seis. Esse tipo de novela realmente é mais interessante, culto e educativo do que as tramas atuais. O problema é que esta já é a sexta novela consecutiva do horário ambientada no passado. A situação piora com a reciclagem dos mesmos tipos de personagens secundários. Agora que Ciranda de Pedra está no ar, resta torcer para os atores se soltarem mais (sem gritar. chorar demais e transmitir emoções piegas) e a trama ter mais ação, pois até a brincadeira de roda se abre e avança.
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domingo, 18 de maio de 2008


"Olhe nos meus olhos (Larousse Brasil, 256 páginas, R$ 39,90) é uma tocante e bem humorada narrativa de alguém que cresceu com a Síndrome de Asperger, numa época em que esse diagnóstico não existia. Desde criança John Elder Robison tinha dificuldades em relacionar-se. Na adolescência os problemas se agravaram e, apenas aos 40 anos, Robison foi diagnosticado com essa forma de autismo. Essa súbita compreensão transformou a maneira como Robson se via – e como via o mundo a sua volta." (Divulgação)

Acabei me interessando pelo livro e me identificando com algumas características da Síndrome de Asperger. Por isso, é a Dica da Segunda desta semana.

SOBRE O LIVRO

Olhe nos Meus Olhos - Minha Vida com a Síndrome de Asperger
John Elder Robison
ISBN: 978-85-7635-281
Formato: 15,7 x 23 cm
256 páginas
Editora Larousse Brasil
Preço sugerido: R$ 39,90www.larousse.com.br
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Por Ed Santos

A Nanda adora cachorro. Tem três poodles: a Vida, o Otávio Cezar, e a Pretinha. Outro dia fui com ela levar a Vida no veterinário. Engraçado recepção de consultório de veterinário. Parece que você tá no pediatra. Você chega a moça pergunta se tem hora marcada ou é emergência, depois pede o nome e sobrenome. “Aguarda só um minuto tá?”, diz após ver a ficha cadastral. Sentamos, eu e a Nanda de frente prum painel, cheio de fotos das “gracinhas” que o doutor atende. Na sala, fora as latidas comuns, o silêncio entre os donos não demora a ser quebrado pela senhora com a gata no colo:
- O que ela tem que tá tão quietinha? É ela ou ele?
- É ela. Deu mau jeito nas costas. Tava subindo as escadas lá de casa, e de repente começou a gritar. Parecia uma criança chorando. – disse a Nanda esboçando tristeza.
- Essa raça é muito delicada né? Qual o nome da menina?
- Vida.
- Que linda! Eu. Tenho dois lá no sítio também. O Pupo e o Otelo. Vivem com minha menina aqui.
- E a gata o que tem? – perguntou Nanda, curiosa desta vez.
- Tem um tumor aqui no pescoço, tá vendo?
- Coitada, deve doer né?
- Ela sofre muito. Tive que trazer ela pro apartamento, porque lá no sítio os meninos, que são muito peraltas, não deixam ela em paz, né bebê? – responde a dona enquanto acaricia a gata. Aliás, uma bela duma gata. Enorme, forte, com os olhos inebriantes.
Engraçado o papo das duas. Falam como se estivessem falando de crianças mesmo.
A dona que carregava no colo um papagaio todo enrolado num pano, contribuiu com a conversa, e também a me convencer de que estavam falando de crianças que eram seus filhos, sim senhor.
- Meu filho aqui também tá sofrendo um bocado.
- O que aconteceu com teu bicho?- interroga a dona da gata.
- Ele tá estressado. A namorada dele morreu há um mês, e desde então ele tá assim. Fica se bicando todo até sangrar. Tá todo machucado. Tenho feito medicamento e curativo. A cada dois dias venho aqui, mas ele ainda não melhorou.
Fiquei mais convencido ainda quando vi que as histórias que escutávamos ali perturbaram a Nanda. A minha amiga tratava seus bichos com o mesmo carinho que àquelas pessoas, e vi que ela ficou triste e preocupada com a Vida.
Num outro canto um senhor com um passarinho inteiramente da cor vermelha, dentro de uma gaiola toda imponente, não parecia tão apreensivo quanto seus companheiros de recepção. A curiosa e falante dona da gata se dirigiu à ele:
- E o seu passarinho, o que tem?
- Ele veio pruma sessão de aromoterapia, pra reforçar a penugem, não é nada grave não.
- Graças a Deus né? Um bicho tão lindo você tem. Nunca vi assim todo vermelho.
- Veio da Austrália, e tá estranhando o clima aqui. Mas o doutor disse que ele vai ficar bom.
O que percebi é que as pessoas além de tudo têm a necessidade de falar, de contar seus problemas e de expor suas necessidades e as dos seus bichos. Acho que elas querem na verdade, é sentir orgulho dos “filhos-bichos” (ou será bichos-filhos?), que têm. Afinal são uma gracinhas.
A Nanda, emotiva que é, ainda bem que não viu a cena. Chegaram dois rapazes e uma senhora segurando uma caixa de papelão, os três chorando. A recepcionista pergunta se foram eles que ligaram minutos antes, e diante da afirmativa, sai da sala abrindo uma porta lateral e logo vem uma assistente do doutor. O doutor estava atendendo a Vida. A assistente leva a caixa e minutos depois chama os três. Todos naquela sala olham-se preocupados, e ao mesmo tempo curiosos. “É a Flora, gatinha deles que não tá muito bem”, diz a recepcionista, percebendo o clima e o silêncio na sala.
Pronto, mas um bicho com nome de gente.
Logo, saem os três chorando mais ainda e com a caixa de papelão vazia nas mãos.
- Deus levou minha filhinha! – chorava a senhora amparada pelos dois rapazes.
Um deles se dirigiu à recepcionista pedindo para que ela providenciasse tudo.
A Vida, continuava lá dentro sendo avaliada pelo doutor.
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sábado, 17 de maio de 2008

Conto de Gustavo do Carmo


Os ratos serpenteavam pelo meio-fio. Baratas passeavam pelos bueiros. Os pardais piscavam ávidos para multar motoristas que avançarem o sinal. Os meninos de rua cheiravam cola sem cerimônia. Um deles desfilava com a sua pistola prateada como um vampiro sedento pelo sangue de suas vítimas, especialmente motoristas de carros de luxo.

Dona Marta e Regina caminhavam pela rua do subúrbio, sem medo de tudo isso. Pareciam protegidas, pois ninguém as ameaçava. Só um velho tarado parou na sua frente, abriu o sobretudo que o cobria e exibiu o seu pênis longo e flácido. Elas nem se importaram. O malandro com a canivete escondida, que perguntou para onde elas iam, foi ignorado e não reagiu.

As duas mulheres não se assustaram nem com o camburão da polícia correndo na contramão da rua e com o tiroteio que começou a pipocar minutos depois. Continuavam observando a cena na alta madrugada: a dupla de travestis que fazia ponto na rua, o barrigudo careca caído bêbado na calçada, o grupo de jovens voltando da festa às gargalhadas, a prostituta se deixando possuir pelo cliente e os primeiros trabalhadores no ponto de ônibus. A lua começava a perder força com o azul anil do céu.

Tudo o que Regina queria era comprar a primeira fornada do pão que saía às cinco da manhã na padaria do bairro. Reconstituindo um momento que viveu aos sete anos, quando a sua mãe, Dona Marta, a levou para esperar o pão sair quentinho.

Naquela época, o estabelecimento era mais simples e a cidade mais calma, sem pardais, menores armados e tiroteios. Mas já tinha drogas, sexo, bêbados, malandros e tarados. Trinta e cinco anos depois, Dona Marta, já uma frágil anciã, levava a filha para atender um pedido nostálgico, que poderia ser o último, pois Regina já fora desenganada pelos médicos que diagnosticaram um tumor cerebral.
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sexta-feira, 16 de maio de 2008

Olhou pela janela, tudo em ruínas e corpos espalhados.

“ Pelo jeito ficarei sem Internet por algum tempo. Que tédio.”

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http://dudv-descarrego.blogspot.com/
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quinta-feira, 15 de maio de 2008

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segunda-feira, 12 de maio de 2008


Já está no ar o número 10 da revista virtual de micronarrativas Minguante. Eu participo com um microconto O Primeiro Vício. O nosso colaborador Dudu Oliva também está presente com três pequenos textos: Você é um viciado, Sacura Severina e Voyeur.

A próxima edição sai em agosto. Quem quiser participar deve enviar um texto com até 200 palavras (o word ajuda a contar) com o tema Desejos para o e-mail participar@minguante.com até o dia 15 de julho.

www.minguante.com
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domingo, 11 de maio de 2008

Por Ed Santos - em homenagem ao dia das mães.

Se eu pudesse, você não ficaria todo aquele tempo me paparicando, me beijando sem parar e me abraçando quando eu nasci. Se eu pudesse, eu ficaria dentro da sua barriga pra sempre. Aquilo sim é que era abraço.

Se eu pudesse, você não ficaria preocupada quanto tive febre pela primeira vez. Se eu pudesse, eu ficaria lá na sua barriga. Lá sim era quentinho.

Se eu pudesse, você não ficaria nervosa a me ver recusar aquele delicioso frango com quiabo, e aquela salada de beterraba divina que você fazia pro almoço. Se eu pudesse, eu seria embalado eternamente em seus braços, como quando você me amamentava.

Se eu pudesse, você não choraria ao me deixar no portão do colégio no meu primeiro dia de aula. Se eu pudesse, terminaria todo meu aprendizado sentado no tapete da sala, enquanto você me ensinava a montar um quebra-cabeça. Quer escola melhor que essa?

Se eu pudesse, você dormiria cedo e não me esperaria chegar da faculdade, muito menos acordaria antes de mim, pra preparar o café da manhã, antes de eu sair pra trabalhar. Se eu pudesse, eu te daria um beijo de boa noite, e outro de bom dia, sem que você ao menos acordasse.

Se eu pudesse, você não teria feito nada. Se eu pudesse, eu teria feito tudo. De novo.

Você não teria ido embora.
Eu não teria ficado triste.
Você não perderia a vida.
Eu não perderia a mãe.

Se eu pudesse, você estaria aqui. Se eu pudesse, eu choraria de novo no teu colo. Que falta ele faz!

Se eu pudesse, tudo transcorreria normalmente como manda a natureza:
Quando a gente é criança, a mãe é mãe.
Quando a gente é jovem, a mãe é amiga.
Quando a gente amadurece a mãe vira filho.

Se eu pudesse, não teria amadurecido.
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sábado, 10 de maio de 2008

Conto de Gustavo do Carmo

Zulmira teve dois filhos e um casamento necrosado de trinta e cinco anos. Viveu aparentemente feliz durante a infância deles, Silvana e Geraldo. Talvez fosse para esconder o seu sofrimento conjugal. O ex-marido Aldair sempre foi e ainda é um ótimo pai para os filhos. Nunca faltou com carinho e amor.

Aldair também sempre foi um ótimo genro, cunhado, tio e primo para a família de Zulmira. Só não foi um bom marido. Não que ele agredisse a esposa, até porque isso ele nunca fez. Mas Aldair nunca deu atenção à mulher com quem foi casado por três décadas e meia. O casamento já nasceu praticamente morto. Morreu clinicamente já na lua-de-mel. Silvana e Geraldo nasceram de alguns suspiros.

Logo aos seis meses de casamento, Zulmira começou a desconfiar que o marido tinha uma amante. Aldair dava margem quando chegava em casa apenas no dia seguinte. Este dizia que estava trabalhando e que Zulmira era muito ciumenta. Mas ela tinha certeza que ele tinha outra. Durante quinze anos, a desconfiança era a mesma. Só mudava a fulana de acordo com a época. Por isso, Zulmira passou anos sofrendo em silêncio para passar uma imagem de felicidade para os filhos.

As crianças já desconfiavam. Costumavam flagrar a mãe chorando ou o pai dormindo na sala. Principalmente Silvana, a mais velha. Quando tinha quatorze anos, junto com Geraldo, três anos mais novo, redescobriu a fita cassete que gravaram quando eram bebês. Ouviram, junto com as suas primeiras palavras, a lamentação da mãe, discutindo com o pai. Zulmira dizia que a filha quando crescesse iria acompanhar a mãe em todos os lugares e seria a sua companheira em todas as horas.

A farsa acabou quando Geraldo completou quinze anos. Ficou sem chão. Não chorou nem reagiu com tranqüilidade. Zulmira e Silvana fizeram um escândalo. Zulmira achou um bilhete de amor e um barbante para medir o dedo da amante, sua melhor amiga e mãe dos amigos gêmeos de Geraldo. Passados alguns anos, todos se acostumaram com a traição de Aldair. Só não aceitaram a amante.

Silvana começou a namorar. Passou a dar mais atenção ao namorado do que à Zulmira. Depois Silvana se casou e foi morar em Petrópolis. Passou a visitar a mãe somente uma vez por mês. Dois anos depois, Aldair foi morar com a outra mulher. Finalmente o casamento acabou. Teve coragem de se divorciar.

Não fosse por Geraldo, ficaria sozinha. Passava todos os finais de semana suspirando de tanto reclamar do abandono da filha e do marido. Dizia ao filho mais novo que ele era o seu companheiro. Mas não deixava de recomendar que ele não se prendesse a mãe. Desempregado, solteiro e até um pouco preguiçoso, Geraldo acabou se tornando a única companhia da mãe. Zulmira acertou a profecia que fez quando Silvana ainda era um bebê que balbuciava as primeiras palavras. Só errou o filho.

Um dia, Geraldo finalmente arrumou uma namorada. Zulmira se desesperou. Ficaria totalmente sozinha. Mas não queria atrapalhar a felicidade do filho. Mais uma vez. Geraldo recusara uma oportunidade de emprego em Porto Alegre porque não queria deixar a mãe sozinha. Continuou morando com ela. Continuou desempregado.

Geraldo acabou arrumando emprego no Rio mesmo. E como publicitário, como sempre sonhou. Deixou de almoçar em casa, como sempre fazia. Dona Zulmira só não deixou de fazer comida porque o filho fazia questão de jantar em casa. Geraldo conheceu Graciane na agência.

Às vezes, Geraldo precisava trabalhar na sexta-feira à noite. Só chegava em casa no sábado de manhã. Zulmira suspirava: “Fiquei mesmo sozinha. Primeiro o Aldair. Depois a Silvana. Agora o Geraldo também”.

O trabalho realmente não podia esperar. Já Graciane, sim. Ela teve que se adaptar à preocupação de Geraldo com a mãe. Só saía com a namorada uma vez por mês. Não que ele quisesse fugir da irmã, mas aproveitava o dia de sua visita para não deixar a mãe sozinha. Graciane, com certeza, odiava. Nas demais semanas, o programa era em casa nas sextas-feiras. Aos sábados, chamava até o pai para fazer companhia à ex-mulher. Quando seu Aldair não podia, tentava uma amiga da mãe. Quando tinha que deixar a mãe sozinha, ligava de hora em hora. Graciane detestava.

Graciane adorava a sogra. Mas odiava a preocupação obsessiva de Geraldo com a mãe. Dona Zulmira adorava a nora. Mas ficava com ciúme quando o filho dava mais atenção à namorada. Disfarçava puxando conversa.

Um dia, Graciane perdeu a paciência e deu um ultimato a Geraldo. Ou ele parava de se preocupar em deixar a mãe sozinha ou ela terminava o namoro. Geraldo preferiu a mãe. Graciane terminou o namoro.

Passado um ano, reataram. Acabaram se casando. Mesmo assim, Geraldo não saiu de casa. Foi morar com a esposa... E a mãe, Dona Zulmira.

Geraldo nunca abandonou a mãe. Voltou a dar mais atenção a ela quando Graciane morreu atropelada, saindo apressada da casa do amante. Geraldo continuou sendo o companheiro de Dona Zulmira em todas as horas.

Esta foi a minha homenagem ao Dia das Mães. Que todas as mães tenham um domingo feliz. E não sofram como a Dona Zulmira, claro.rsrs
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Por Gustavo do Carmo




Eu acho que estou com ‘comemorice’: mania de comemorar demais. No final de novembro do ano passado, comemorei os dois anos do meu blog Tudo Cultural com uma maratona de textos meus, de colaboradores e convidados. No início do ano lembrei a primeira década da única viagem que eu fiz ao exterior escrevendo uma crônica, a primeira deste ano, além de eu falar dos táxis ingleses nos meus fotologs sobre carros. Agora é a vez de comemorar os dois anos do meu primeiro e, até agora, único livro publicado, o Notícias que Marcam.

O aniversário do lançamento oficial é no dia 11 de maio. Oficial porque ele fez a sua pré-estréia na Bienal do Livro de São Paulo de 2006. Para aqueles que acham que São Paulo é o centro do país, foi um ótimo lugar para se debutar no mercado. Pena que não vendeu nada. Por isso, fiquei apreensivo com a noite de autógrafos aqui no Rio. Morri de medo de não ir ninguém. Ninguém que eu convidei, claro. Pois o evento seria no Shopping Rio Sul, dentro de uma livraria num dia comum, ou seja, movimentado.

Convidei todo mundo que podia. Os colegas da pós-graduação que eu fazia na época foram os primeiros. Algumas senhoras até sugeriram que eu contratasse um buffet para o coquetel. Eu não ia fazer, mas elas insistiram tanto que eu acabei desembolsando 400 reais. Depois convidei os parentes. Principalmente um primo de segundo grau que me incentivou bastante. Em seguida, a minha lista de contatos na internet. Até jornalistas eu convidei. E até minha irmã, que não me apoiava muito, convidou os amigos dela. Ah! Pra não falar mais um “até”, convidei os fregueses da loja de auto-peças do meu pai em Santa Cruz da Serra. Os meus dois ex-colegas de faculdade, com os quais eu estava brigado, só foram convidados porque eles inspiraram uma personagem (sim, os dois inspiraram a mesma personagem) da história do livro.

O dia era ingrato. Noite de uma quinta-feira. Todo mundo cansado. E eu ainda fazendo festa para mim. Felizmente, 34 pessoas compraram o livro. Todas elas meus convidados. Fiquei feliz pela presença deles. Um desses dois que viraram personagem foi um dos primeiros a chegar. O outro não foi. O meu primo que me incentivou fugiu do hospital (onde estava internado com dengue) para me prestigiar. Depois apareceram as minhas primas mais próximas (uma delas com o filho de nove anos que começou a ler o meu livro), as minhas primas mais chiques, o meu tio (que eu considero como avô), o meu primo com a mulher, o filho adolescente e uma outra prima, as minhas tias paternas, uma delas minha madrinha com seu esposo, que é meu tio de estimação e também meu padrinho de batismo e incentivador, as amigas da minha mãe, a amiga do meu pai com o marido e a filha pequena, os amigos da minha irmã e até (olha a palavra aí de novo) o meu dentista. Da turma da pós-graduação (que era composta por umas trinta pessoas), só apareceram duas. Uma delas foi a primeira a chegar à livraria. A outra apareceu logo depois.

A mulher que insistiu para eu contratar o bufê sequer deu as caras. Nem os editores paulistas. Muito menos a diretora de eventos da rede de livrarias que produziu o evento. Os jornalistas só ficaram no sonho mesmo. Já os freqüentadores da loja ignoraram a minha presença. Ignoraram que estava acontecendo uma noite de autógrafos. Mesmo com o alto-falante anunciando a cada quinze minutos. Eu até tentei convencer um casal a comprar, mas ruim de lábia que eu sou, não compraram.

Não saí decepcionado. Fiquei feliz com a festinha particular que a editora e a livraria organizaram para mim. Me emocionei com a presença dos parentes e amigos que eu não via há muito tempo. Saber que eu estava feliz naquele 11 de maio de 2006 eu sabia. Só não sabia que dois anos depois eu iria sofrer de ‘comemorice’, uma mania de comemorar sem muita necessidade, cujos principais sintomas são a saudade e o desejo de escrever.
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sexta-feira, 9 de maio de 2008



O PLANO PERFEITO

Era um profissional impecável e, aparentemente, um homem cordato. Todavia, quando descobriu ser outro a ocupar o cargo X, que almejava há muito tempo, arquitetou um plano para assassinar seu concorrente. Foi pego meses depois. O IP do computador que usava foi rastreado e descobriram que tinha um blog, no qual narrava, passo a passo o crime que cometera. O Titulo do blog: O PLANO PERFEITO
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quinta-feira, 8 de maio de 2008


Depois do aparecimento do selo em Inglaterra e do sucesso que teve, outros países lhe seguiram as pisadas, pois viam naquele rectângulo uma mais valia. Por todo o mundo começaram a aparecer catálogos e revistas filatélicas, intercâmbios internacionais, associações nacionais e regionais que só as guerras têm conseguido diminuir dando origem a espécies filatélicas, algumas raras e valiosas nos países ocupados ou recuperados.
O primeiro coleccionador conhecido foi o Dr. Gray, do Museu Britânico, que em 1841 deu início a uma das mais notáveis colecções conhecidas. Aos poucos, a Filatelia foi alargando fronteiras, estendendo-se por todo o mundo, dando origem a belíssimas colecções, multiplicando coleccionadores, valorizando-se colecções.
A pouco e pouco, a Filatelia começou a interessar aos Governos que viram ali uma fonte de receita. O interesse comercial que os governos põem na Filatelia, é a repetição de emissões comemorativas e na emissão de blocos que contêm todas as espécies de uma emissão.
O objectivo da Filatelia é coleccionar selos postais, procurando apurar a maior quantidade de espécies em melhor qualidade quanto à conservação, cor, margens, picotado, etc.. No entanto, a expansão extraordinária do selo restringiu o âmbito do filatelista moderno que não tem possibilidades de comprar sequer a saída de novas emissões. E isto porquê?
Muitas colecções quando saem para os correios, não chegam ao balcão para venda, pois são logo remetidas para os assinantes filatélicos que, comodamente as recebem em casa.
Por outro lado, as dificuldades técnicas e monetárias, também impedem a boa organização de uma colecção, dando origem a especializações dentro da Filatelia que se pratica limitada a colecções de uma ou mais nações. Esta especialização pode ir ainda mais longe e, dentro de cada tipo de selos de um país, ir buscar variedades que distinguem exemplares do mesmo tipo: filigranas, erros, tipos de papel, e outras particularidades que podem não interessar ao filatelista que abrange outros horizontes, como por exemplo a Filatelia Temática onde se podem ir buscar os mais variados temas.
Encontramos nesta área colecções muito diversificadas. Há quem se dedique a coleccionar só Automóveis, Fauna, Barcos, Escutismo, Prémios Nobel e muitos mais temas. Contudo, o Filatelista aprende. Aprende Geografia, História, Simbologia e outros assuntos que podemos vir a encontrar num simples selo. É um bom entretenimento que, para ser bem desempenhado, exige cuidado, limpeza, dedicação, delicadeza manual e sobretudo… muita paciência!
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domingo, 4 de maio de 2008



Estréia hoje, às 18h15, na Rede Globo, a novela Ciranda de Pedra, baseada no romance homônimo de Lygia Fagundes Telles.

Escrita por Alcides Nogueira, dirigida por Carlos Araújo e produzida por Denise Saraceni, Ciranda de Pedra é uma nova adaptação do livro de Lygia e não um remake da novela exibida em 1981, que tinha Eva Wilma, Armando Bógus, Adriano Reys, Norma Blum e as então jovens atrizes Priscila Camargo, Sílvia Salgado e Lucélia Santos no elenco. A antiga versão foi assinada por Teixeira Filho, com direção de Herval Rossano e assistência de Reynaldo Boury e Wolf Maia.

A nova Ciranda de Pedra tem no elenco Ana Paula Arósio, Daniel Dantas (interpretando um vilão depois de muito tempo), Marcelo Anthony, Ana Beatriz Nogueira (retornando à Globo depois de alguns anos na Record) e as novatas Tammy di Calafiori, Ana Sophia Folch e Ariela Massoti.

A história é ambientada na São Paulo de 1958 (a novela original se passava nos anos 40) e gira em torno de Laura, uma mulher moderna e dedicada às artes, casada com o arrogante e conservador advogado Dr. Natércio Prado. Oprimida pelo marido, Laura tem uma crise de depressão e é internada num hospício por Prado. É tratada pelo Dr. Daniel, um médico honesto e carinhoso que se apaixona por ela.

Laura se separa de Natércio e de suas duas filhas mais velhas que teve com ele: Otávia e Bruna. Vai morar com Daniel e sua filha mais nova, Virgínia. Anos depois, em dificuldades financeiras, as duas voltam a morar e a sofrer nas mãos de Prado e da nova governanta Frau Herta. Principalmente depois do advogado saber que Virgínia é filha do Dr. Daniel.

Ciranda de Pedra também tem no elenco Osmar Prado, Walderez de Barros, Max Fercondini, Bruno Gagliasso, Cléo Pires, Paola Oliveira, Leandra Leal, Caio Blat, Clarice Niskier, José Rubens Chachá, entre outros. Mônica Torres e José Augusto Branco são os remanescentes da primeira versão.
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por Ed Santos


Omar era um cara sério, trabalhador, super gente boa. Tinha umas dívidas aí, como todo bom brasileiro. Procurava manter suas contas em dia, e não suportava a idéia de ficar devendo. Certo dia ia caminhando pela rua e encontrou uma carteira. Antes de abaixar pra pegá-la, olhou pros lados pra ver se alguém estava olhando. Só depois de ter certeza que não estava sendo observado, trouxe o objeto pra si.
Só tirou a tal carteira do bolso quando chegou em casa, e mesmo assim, com a consciência pesada.
Ficou só observando o formato, a cor, o volume, o valor sentimental. Em momento algum, sequer pensou no dinheiro que poderia haver naquela carteira.
- Trocou de carteira meu amor?
- Não! Achei na rua quando vinha pra casa.
- E quanto tem aí?
- Ainda não vi.
- Abre aí Omar! Vê logo o que tem dentro. Quem sabe tem uma grana preta ai dentro? A prestação do carro tá atrasada, esqueceu?
Omar então lembrou da ocasião em que era criança e havia perdido sua caixa de canetinhas Silvapen, no pátio do colégio. Nunca mais encontrara. Teve também aquela vez em que sua bola de capotão caiu na casa de Dona Diva, e ela não devolveu.
Voltou à carteira e num impulso, abriu-a. Um documento de identidade em estado deplorável. Não soube distinguir o que era a foto 3x4 e o que era a impressão digital. Apenas o nome do cidadão.
Em outro compartimento, havia um cartão bancário, um cartão do dentista, que no verso trazia os horários de consulta – tava mal de boca o cara! –, e um bilhete: “Igor, o Andrade pediu pra você ligar urgente. Falou que precisa da grana hoje! Bj. Ana”. Pelo visto ainda devia pra alguém.
“Não tem porque ficar com isso. Vou devolver”. – Pensou ele.
No outro dia, ao caminhar pelo mesmo trajeto de sempre, em direção ao trabalho, Omar segue calmo seu percurso. Passos curtos, em pausado andamento, vai se aproximando do local onde encontrou a carteira.
Chegando no local, reduziu mais ainda os lentos passos e, olhando para os lados, em tom desconfiado, abaixou-se para amarrar o sapato e deixou cair a carteira do bolso. Levantou-se, e seguiu.
Alguns metros depois, sente uma mão no ombro:
- O senhor deixou cair ali atrás.
- Obrigado rapaz, mas não é minha.
- É sua sim, eu vi quando caiu. Foi quando o senhor abaixou pra amarrar o sapato.
Omar, sem graça, batendo nos bolsos, disfarçou:
- É minha mesmo. Obrigado.
- De nada. É que aprendi que não devemos nos apoderar de nada de outra pessoa. Questão de princípio, se é que me entende.
- Entendo sim rapaz. Entendo sim. – disse Omar guardando a carteira e seguindo ao trabalho novamente com seus calmos passos. Quem sabe um dia encontre o dono.
Foi caminhando com o pensamento na carteira e em sua atitude de tentar devolvê-la, agindo conforme seus princípios. Muito prudente. Mas pecou por aceita-la novamente quando o rapaz o surpreendeu.
De qualquer forma, pensando pelo lado racional, foi até bom ele ficar com a carteira. Amanhã vence outra prestação do carro.
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sexta-feira, 2 de maio de 2008

Por Gustavo do Carmo


Em um prédio antigo na Barata Ribeiro, quase esquina com a Hilário de Gouveia, mora Margarete. Uma bela mulher de quarenta e cinco anos, pele enxuta sem nenhuma ruga, apesar da idade. Cabelos compridos e ondulados castanhos claros, corpo atlético sem nenhuma barriga. Todas as quintas-feiras ela recebe a visita de Danilo, um jovem forte e bonito, moreno, olhos verdes, cabelos longos e lisos, presos em um rabo de cavalo.

Margarete é bem casada com um empresário, pai dos seus dois filhos. É Danilo quem faz companhia a Margarete durante todas as manhãs de quinta-feira, embora fique apenas duas horas. O marido trabalha o dia inteiro. As crianças estão na escola. Conversam, assistem TV, brincam. Por volta de meio-dia, já almoçado, Danilo deixa o apartamento de Margarete prometendo voltar na próxima quinta.

Danilo segue caminhando pela Barata Ribeiro, atravessa a Siqueira Campos e dá na Nossa Senhora de Copacabana. Na quadra seguinte, entra na Figueiredo de Magalhães e termina a caminhada em um prédio, também antigo. Lá, visita Teresa, uma bela jovem de vinte e cinco anos, loira, cabelos lisos, recém-casada, recém-formada em direito e recém-desempregada. Seu marido é militar e está sempre viajando. Só vê a mulher nos finais de semana. Às quintas, quem vê Teresa é Danilo, que lhe faz companhia. Conversam, assistem TV, brincam.

Às quatro da tarde, Danilo deixa o prédio de Teresa e caminha com destino à Constante Ramos, onde costuma consolar Regiane, uma bancária de trinta e poucos anos. Alta, pele clara, cabelos ruivos cacheados, forte de corpo e mentalidade, mas frágil emocionalmente por ter perdido o marido em um acidente de carro há seis meses. Reginaldo era o amor de sua vida. Namoravam desde a adolescência. Foram casados por apenas cinco anos. Regiane ficou um mês de licença. Nesse tempo foi apresentada à Danilo pela amiga Maribel, prima do rapaz.

Danilo devolveu à Regiane o prazer de viver. Graças ao seu apoio emocional, Regiane voltou ao banco onde trabalha. Os primeiros encontros eram nas manhãs de quinta-feira. Mas passaram para depois das quatro quando Regiane retornou da licença. Aliás, Danilo chega sempre antes de Regiane, pois tem a chave do seu apartamento.

A noite começava a cair sobre o mar de Copacabana, os prédios acendiam as suas luzes, as ruas a iluminação pública, lojas e hotéis os seus letreiros luminosos. Danilo já estava na Avenida Atlântica, quase perto do Forte. Faltava visitar Nathália, uma jornalista paulista que veio transferida para o Rio apresentar o jornal local da tarde na TV.

Nathália é uma morena de olhos claros, cabelos ondulados, seios fartos sempre escondidos pelo tailleur que usa na redação e no estúdio localizado na Lagoa. Trabalha até as cinco da tarde. Depois corre para o apart-hotel em Copacabana, onde está morando, só para encontrar Danilo, um dos dois únicos homens que têm o direito de ver o seu decote e algo mais. O outro é o seu marido Gilberto, um deputado estadual que a aguarda ansiosamente em São Paulo todos os finais de semana.

Um dia, exatamente no mesmo em que Danilo visitou Margarete na Barata Ribeiro, Teresa na Figueiredo de Magalhães e consolou Regiane na Constante Ramos, Gilberto decidiu fazer uma surpresa a sua jornalista favorita. Visitou Nathália em seu apart-hotel. Encontrou-a nua na cama ao lado de Danilo.

Este se vestiu sem nenhuma pressa, deu boa noite ao casal, saiu tranqüilamente do quarto, deixou o hotel e tomou, na Nossa Senhora de Copacabana, o ônibus da linha 484 com destino ao subúrbio, indiferente à reação do marido traído.
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“UÓLACE”
Quando conheceu as pinturas de Monet, desistiu da operação de miopia.


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quinta-feira, 1 de maio de 2008




Decorria o ano de 1840. As pessoas continuavam a comunicar por carta mas sem franquia sendo essa paga no destino.
Um dia, uma estalajadeira escocesa recebe uma carta dos seus familiares a cobrar no destino. Como era pobre e não podia pagar aquela quantia, disse ao carteiro que conhecia as letras dos familiares e, que por isso, estavam todos bem de saúde.
Ora acontece que um homem que se encontrava na estalagem, ao ouvir isto, pagou os dois xelins para que a senhora ficasse com a carta. Este homem era Roland Hill, o pai do selo que, propôs uma taxa fixa a pagar pelos expeditores. As cartas eram postas em pequenos sacos com os lados gomados, o que não foi aceite pela população. Achavam aquilo ridículo e os sacos foram todos queimados. Só ligaram e deram valor à etiqueta que acompanhava o saco porque lhe viam comodidade.
Então, Hill abriu um concurso entre todos os artistas e homens da ciência tendo aparecido 2 600 planos e 1 000 desenhos. Como não ficou satisfeito com os resultados, esboçou ele próprio um projecto com o perfil da Rainha Vitória tendo no topo a palavra Postage e em baixo a inscrição da taxa. Mandou cunhar e, por ser negro, chamou-se Penny-blac e custava um dinheiro.
Estava apresentado o primeiro selo do Mundo que circulou a partir de Maio de 1840. Estava também lançado o que viria a ser o mais potente sinal posto na mão de alguém.
O sucesso foi enorme em Inglaterra, que outros países lhe seguiram o exemplo. As máquinas não davam vazão perante tanta procura.




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