sábado, 26 de abril de 2008

ENTREVISTA - CARLOS GERBASE

Por Gustavo do Carmo, via e-mail


Na segunda passada, dei o filme 3 Efes como a Dica da Segunda. Hoje apresento uma entrevista com o seu diretor Carlos Gerbase.

Portoalegrense, Gerbase é cineasta, escritor, músico, membro da Casa de Cinema de Porto Alegre e professor de cinema da PUC-RS. Além de 3 Efes produziu os filmes Tolerância e Sal de Prata, seus maiores sucessos. Como músico, foi baterista e vocalista da banda de rock Replicantes nos anos 80. Aventurou-se na literatura com a antologia de contos "Comigo, não!", de 1987 e seu último foi o romance "Professores", lançado no ano retrasado. O mais vendido foi o didático “Cinema: direção de atores”.


Por que a idéia de lançar o filme em quatro mídias diferentes (cinema, dvd, tv e internet)?
A idéia veio da constatação que num lançamento tradicional (começando pelas salas e deixando “janelas” entre as mídias) o filme não teria a menor chance. Aliás, quase nenhum filme brasileiro tem. Assim, comecei a negociar com todos os segmentos que mostraram interesse pelo filme (que estava em seu primeiro corte), já falando em lançamento simultâneo. A receptividade foi excelente. Foram esses contratos de pré-venda que me permitiram finalizar com qualidade e chegar às salas do sistema RAIN.

3 Efes é uma história original ou é adaptação de algum outro texto?
É uma história original, que já escrevi pensando em rodar com baixíssimo custo.

Dos livros que você publicou, qual(is) deu(deram) maior satisfação de escrever? E qual o mais vendido?
O mais importante, literariamente falando, é o romance “Professores”. O que mais vendeu foi “Cinema: direção de atores”, que está na segunda edição.

Entre os seus trabalhos (filmes, livros e o roteiro da minissérie Memorial de Maria Moura), qual o mais importante?
Acho que ainda é o filme “Inverno”, em super-8, porque nele comecei meu trabalho mais autoral e ousado.

Os seus três últimos filmes têm cenas de sexo e nudez, mesmo que a edição suavize a cena. Nesta nova fase do cinema nacional, que acabou com a imagem de "pornochanchadas" que os filmes brasileiros tinham, alguma atriz ainda resiste a tirar a roupa para os seus filmes?
Sempre converso a respeito quando faço o convite. Explico detalhadamente como vai ser a cena e pergunto se há algum problema com nudez ou simulação de ato sexual. Se há, é melhor dispensar o ator, ou a atriz, ou verificar se há algum outro papel disponível para ele/ela. Respeito, acima de tudo, o que as pessoas querem fazer, para que elas façam com prazer. Depois, ensaio essas cenas como todas as outras, de modo que, no set, não haja qualquer problema ou constrangimento. Sei de atrizes que não gostam, ou não querem, fazer cenas com nudez. Acho que isso limita um pouco as suas carreiras. Mas é um problema delas, e não meu. Depois que estou com o elenco escolhido, sei exatamente o que posso pedir de cada um.

Alguma atriz deu muito trabalho para fazer essas cenas?
Nunca tive problemas nesse campo, pelas razões listadas acima.

Agora falando do 3 Efes. Segundo a divulgação do filme, fasma é uma palavra grega que significa "viver em sociedade". Mas qual outra definição você daria?
“Fasma”, na semiótica, seria o signo. Nas teorias de narrativa, a capacidade de representação. Na psicologia, a imaginação.

O que te motivou a reunir numa mesma história, temas como fome, vida em sociedade e sexo?
Foi uma brincadeira (mais ou menos séria) com a tal teoria dos 3 Efes, que existe mesmo, e é de autoria do meu primeiro professor de cinema, Aníbal Damasceno Ferreira.

Por que os três "efes" são o apetite do homem?
Porque eles são a base para que o ser humano exista, enquanto ser biológico individual, enquanto espécie e enquanto segmento de uma base social.

Explicando o significado dos Três Efes para o público, amigos, parceiros e patrocinadores, logo vem à cabeça a palavra Fome, Fasma e Foda (falando palavrão mesmo). Enfrentou alguma resistência ou crítica ao falar o sinônimo chulo da palavra sexo?
Substituí “foda” por “sexo” porque era exatamente assim que o professor Aníbal Damasceno procedia em suas aulas.

Em qual meio o filme obteve melhor média de audiência?
Foi na Internet. Mais de 150 mil pessoas já assistiram ao filme.

Qual meio está te trazendo mais lucro?
Todos os meios foram quase que igualmente lucrativos.

Como está sendo o retorno financeiro geral da estratégia?
Muito bom. Aconteceu o previsto: as pessoas escolhem onde e como ver. Mas é importante destacar que o filme só se tornou viável devido ao seu custo muito baixo (cem mil reais).

Até quando o 3 Efes estará na internet?
O contrato com o Terra é de 2 anos, mas provavelmente vamos prorrogar.

Pretende levar o filme para as livrarias?
Não.

Pretende lançar outro filme com a mesma estratégia?
Sim, contanto que a produção também seja parecida.

Qual será o seu próximo trabalho? E em que fase de produção ele está?
Tenho dois projetos aguardando concursos federais. Se eles receberem alguma dotação orçamentária, ótima. Se não, já vou começar a pensar numa produção semelhante aos 3 Efes.

Qual o último recado para os leitores do blog?
Chamo a atenção para o novo site da Casa de Cinema de Porto Alegre – www.casacinepoa.com.br – que tem muitas novidades, entre elas um blog com textos de minha autoria, mais Jorge Furtado, Giba Assis Brasil e Luciana Tomasi.

Um comentário:

dudv disse...

Gostei muito da entrevista, parabéns!!!

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