domingo, 31 de outubro de 2010

Por Ed Santos

HISTÓRIAS DO AMADEU - Nº 3






Eu já disse que o Amadeu é supersticioso? Não? Pois ele é. E muito! O Amadeu não saia de casa sem colocar sua moeda da sorte no bolso. Era daqueles que fazia da superstição uma religião. Nas peladas de terça-feira à noite, só entrava em campo com o pé direito. E fazia o sinal da cruz três vezes quando o juiz apitava o início da partida. Que coisa!

Quando o Amadeu saiu – escondido da Marilda – para se encontrar com a Flavinha e irem juntos comprar o computador, ele sofreu um acidente. Foi atropelado por uma moto. Foi tudo muito rápido, meio inexplicável.

No hospital, a Marilda pergunta como aquilo foi acontecer. E ele explica:

- Tava andando pela calçada e quando dobrei a esquina do bar do Arnaldo, tinha um cara pendurado numa escada. Sei lá que ele tava fazendo, pintando a fachada talvez. Num vi direito. Só vi que a escada era uma dessas bem grandes, e aberta ocupava toda a calçada. Eu como não sou bobo nem nada, claro que não ia passar debaixo da escada, desviei e tive que andar no meio fio. Meu, o semáforo tava fechado, e o único espaço que havia, era justamente onde eu estava. Por azar o mesmo lugar que os motoboys chamam de corredor. Aí já era!

- E ele te socorreu? Alguém te ajudou? Quem te trouxe pra cá?

- Vim de ambulância. O cara chamou. Deu a maior assistência. Gente boa ele. Se vê que é honesto, trabalhador.

- Amadeu, Amadeu!

- Fazer o que, aconteceu. Nem meu amuleto me salvou dessa.

- E agora, como você está? Dói muito?

- Não. Tô bem. Acho que daqui uns dias já tiro o gesso e começo a fisioterapia. Pelo menos foi isso que o médico disse.

É. O Amadeu passou por uma que não estava nos planos. Com todo aquele cuidado, não conseguiu sair ileso. Mas, tem nada não. Isso passa. Ele mesmo disse que logo vai começar a fisioterapia. E o médico confirmou. No acidente ele torceu o tornozelo e teve algumas escoriações. Coisa pouca.

- Vâmo embora? – perguntou a esposa.

- Tem que chamar um táxi.

- Não precisa, laguei pra Flavinha e ela ta lá embaixo estacionando o carro. Aliás, ela até falou que vocês iam se encontrar. Pra quê?

- Vâmo embora que depois eu explico. Cuidado aí com meu pé.

No outro dia, lá vai o Amadeu pra clínica carregado pela filha e pela esposa.

- E aí, tá longe?

- Não, é logo ali do lado daquele veterinário – respondeu Flavinha.

- Onde?

- Ali! Tá vendo aquela moça com um gato preto no colo?

- Filha! Gato Preto não, né!
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sábado, 30 de outubro de 2010


Por Gustavo do Carmo

Leito:
No leito de morte, o pai implorou ao filho para que ele estudasse para um concurso público. Seus aparelhos foram desligados.

Brincadeira:
Adorava fingir para o filho que tinha morrido. O rapaz se desesperava no início, mas sacou a artimanha. Um dia descobriu que não era brincadeira quando o corpo começou a putrefar.

Tatuagem:
Quando seus dois filhos nasceram tatuou o rosto das crianças em cada braço. Vinte anos depois, decidiu fazer uma cirurgia para removê-las. O casal de filhos o traiu, roubando-lhe todo o seu dinheiro guardado.

Reunião:
De tanto ouvir a mãe o tio falando do reencontro das famílias de ambos os pais, o menino sonhou com o mesmo entre os seus. Cresceu e esteve para se casar. Realizou o sonho de reunir as famílias dos pais divorciados. Mas não teve festa porque a noiva o abandonou no altar para ficar com seu amigo.

Mal-amado:

Era tão mal amado pela família que quando ele morreu ninguém pressentiu nada.

Gás:

Ligou o gás para se suicidar. Matou a família inteira com a explosão na cozinha. Ele sobreviveu.

Incomunicável:

Desesperou-se quando ficou incomunicável com a família. Foi quando aconteceu de tudo.

Dúvida:

Não teve dúvida. Comprou uma bicicleta, casou-se e formou uma família de ciclistas, com a exceção da filha do meio, que virou freira.

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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

João Paulo Mesquita Simões

Como já foi largamente escrito neste Blogue, o selo teve a sua origem em Inglaterra pela mão de Sir Rolland Hill.
Ao longo dos tempos, o selo foi evoluindo no seu aspecto gráfico e também na diversidade das cores, textura e valores, que variam de país para país.
Aqui há pouco mais de um par de anos, em Portugal, criou-se um selo muito sui géneris; ou seja, qualquer um de nós que deseje fazer um selo, pode executá-lo.
Perguntar-me-ão os Leitores como é isso possível?
É muito simples.
Imaginem os Leitores que vão de férias (agora que se aproxima o Verão aí no Brasil), tiram umas fotografias bem engraçadas numa praia, e decidem enviar um postal a um familiar ou amigo.
Querem que o selo que vai circular nesse sobrescrito, tenha um cunho pessoal: um selo onde você Leitor, está representado, ou uma paisagem do local onde está a passar férias.
Como se faz?
Vai aos Correios, imprime uma folha A4 com a imagem do selo que pretende fazer, e destaca um para o sobrecrito que quer fazer circular.
Quanto custa?
São caros. Pode ir aqui em Portugal dos 25 aos 100 euros. Depende do conteúdo da imagem.
Estes selos têm valor no futuro?
Sinceramente, para mim não.
Sou filatelista há quarenta anos e de todos os selos que tenho, sei que todos eles estão representados nun catálogo, seja ele nacional ou internacional. São os catálogos que nos dão a cotação dos selos.
Para o "meuselo", não existe um catálogo e difícilmente irá existir, porque são selos autocolantes feitos a partir de uma fotografia nossa, que faz parte do nosso arquivo pessoal e nunca será posta em catálogos nacionais ou estrangeiros. Logo, não tem qualquer valor filatélico.
Esta imagem, foi retirada do site dos Correios de Portugal, especialmente para vos mostrar o que é o "meuselo".
Se têm amigos ou familiares que sejam Filatelistas, ou se no vosso país também existe esta nova versão do selo, perguntem qual o interesse. Porque para mim, é uma perda de dinheiro e de valores filatélicos.
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terça-feira, 26 de outubro de 2010

de Miguel Angel

Despacho encontrado entre os pertences de Lord Russell enviado por Edward Thorntom
sobre a situação do Paraguai



 
Assunção,
Setembro 6 de 1864.
Confidencial

Senhor:

É lamentável observar, durante minha breve estada nesta cidade, que o Governo da República não tem melhorado sob a autoridade de seu atual magistrado. Assim como foi despótico durante a presidência do pai, tem-se voltado certamente mais tirânico desde que seu filho Solano López chegou ao poder. Pratica-se o mesmo sistema inquisitorial na sua mais ampla extensão. O número de espiões é imenso; na verdade não existe um individuo na República, a quem não se lhe ensine que, por dever à sua pátria e pela obediência devida às autoridades, tem que dar constantemente parte fidedigna dos atos privados e das palavras de seus vizinhos. As famílias estão bem inteiradas de que seus serventes fazem constantes visitas ao Departamento de Polícia com o propósito de relatar tudo o que acontece em suas casas, e sabem que alguma admoestação de parte delas, terá como conseqüência imediata, falsas denúncias que poderiam ameaçar sua liberdade e expô-las aos castigos mais severos. Nem sequer na presença dos filhos se atrevem a expressar seus pensamentos. A cidade está cheia de policiais e espionam cada casa, e até interrogam, no meio da noite, qualquer pedestre solitário, a respeito de quem é de onde vem e aonde vai. Perseguem qualquer pessoa suspeita, e até na porta do quarto do clube onde eu morava, se postava um indivíduo, vestido com as roupas comuns do país, que, segundo me disse um amigo paraguaio, tratava-se de um espião que vigiava a todos os que vinham me visitar e, naturalmente, dava parte de todos eles.
As prisões estão cheias dos chamados presos políticos, muitos dos quais pertencem às melhores famílias; tem entre eles quatro sacerdotes que foram aprisionados na época da eleição do Presidente, acusados de ter tentado levantar uma revolução.

(...)

O sistema de sua Excelência parece ser o de deprimir e humilhar; se algum sujeito demonstra um pouco mais de talento, liberalidade ou independência de caráter acha-se logo algum pretexto mesquinho para jogá-lo na prisão; se há oportunidade para enriquecer, estão sempre à mão os meios para empobrecer-lhe. Com exceção da família do Presidente, ninguém possui nem sequer uma fortuna moderada, e um de seus próprios irmãos, que há incorrido em seu desagrado, intenta em vão livrar-se da pobreza sob qualquer sacrifício.
Não pode haver nenhuma justiça onde os juizes não são pagos e são instrumentos servis do Presidente, onde sua Excelência revisa cada sentença, e ainda depois de ditada, às vezes a revoga.
Considerando tudo, os impostos são enormemente altos.
(rasurado)
Os direitos de exportação são dos 10 aos 20 por cento sobre o valor. Impõe-se um dizimo em espécie sobre todo gênero de produto agrícola ou animal. Todo comerciante, pequeno traficante ou manufatureiro, deve pagar uma pesada patente, mas os impostos que gravitam muito pesadamente sobre as classes mais pobres, são o trabalho forçado, o uso de carretas e animais para o serviço público, sem remuneração, e a apropriação de gado e outros víveres para o exército, sem pagamento.
(...)
 A razão dada para esta medida é a atitude hostil do Brasil com a República do Uruguai, mas eu suspeito que o motivo principal é o temor constante que tem o Presidente de que estoure uma revolução em sua própria Pátria. Esses recrutas não recebem pagos, e o gado para alimentar-lhes se toma dos proprietários sem pago, e os couros, que não se devolvem, são curtidos pelos soldados.
O aniversário do Presidente foi no dia 24 de julho último. Desde então a população de Assunção e de outras muitas vilas da República foram obrigados a dedicar-lhe banquetes, bailes e outras festas, e quer-se fazer crer ao corpo diplomático e a outros estrangeiros que elas são manifestações espontâneas, mostrando o entusiasmo do povo em favor do Presidente. Faz poucos dias celebrou-se uma missa a expensas das senhoras da cidade, pela prosperidade e bem-estar do Presidente, e na mesma noite se deu um baile em honra de sua Excelência. Na missa, o bispo disse um sermão quase raiando a blasfêmia, pela quantidade de elogios e adulações amontoados sobre o Presidente,
(rasurado)
Para sufragar os gastos de estas festas, se exigiu a contribuição de todas as classes [sociais], não se esqueceu nem ao menos dos presos políticos; (ilegível) Ergueu-se um tablado em uma das praças públicas, onde se fez dançar as classes baixas, e se postaram sentinelas para impedir que as mulheres se retirassem, mesmo que estivessem cansadas. Uma infeliz que observou quão duro era ver-se forçada a bailar quando se padecia fome, foi levada ao Departamento de Policia e castigada com cem golpes (açoites) dados com um pau, e muitas outras foram desterradas ao interior por culpas análogas.
Como o Presidente está ansioso de que seus concidadãos não se agitem em questões políticas, se cuida pouco de caírem em vícios de todo gênero, e é extremada a imoralidade que permeia o país. Sua Excelência mesmo tem dado o mau exemplo; aparte de uma quantidade de suas concidadãs que tem cedido a seus desejos, provavelmente com a maior repugnância, existe uma inglesa, que se chama a si mesma Mrs. Lynch, que o seguiu desde Paris em 1854. Desde então esta mulher tem vivido em Assunção, em meio, relativamente, ao maior esplendor.
Com certeza ela possui grande influencia sobre o Presidente, e suas ordens, expedidas imperiosamente, são obedecidas com a mesma presteza e com igual servilismo que as do próprio Presidente. Foi ela a que iniciou e organizou as festas a que é aludido. (ilegível) Apenas necessito dizer a sua Senhoria com quão fundo e amargo ódio a olham as senhoras nativas.
(...)
Tenho uma opinião desfavorável do conhecimento militar do oficial paraguaio, ou da destreza do soldado no manejo das armas de fogo, mas ambos possuem, seguramente, uma boa qualidade: a obediência cega.
Diante da descrição imperfeita da situação política desta República com que acabo de aborrecer a sua Senhoria, caberia supor que semelhante tirania, como não titubeio em qualificá-la, não poderia durar muito. Não obstante, penso que nenhum cambio seja iminente. A grande maioria do povo é suficientemente ignorante como para crer que não tem país algum tão poderoso ou tão feliz como o Paraguai, e que esse povo há recebido a benção de ter um Presidente digno de toda adoração.
(rasurado)
Haveria três ou quatro mil que sabem mais e para quem a vida sob tal governo é uma carga. Entre eles a falta de confiança recíproca é tão grande, que não parece possível nenhuma combinação, e eu não acredito que exista um homem que se atreva a confiar seus sentimentos, com respeito ao governo, a seu irmão ou a seu amigo mais querido, por temor de ser denunciado... (ilegível)
É considerado necessário assinalar este despacho como "Confidencial", pois sua Senhoria pode imaginar facilmente que sua publicação faria que Assunção não fosse uma residência plácida para mim, ou ainda para outros ministros ingleses, e a possibilidade de ser útil a meus compatriotas, ante o governo paraguaio, diminuiria muito se seu conteúdo fosse conhecido.

Tenho a honra de ser, com o mais alto respeito,
Meu senhor.
De sua Senhoria o mais obediente Humilde Servidor
Edwd. Thortom.

Muito Honorável
Conde Russell K. G.
1864 Assunção, Setembro 6.
Mr.Thorton N 76
 Confidencial.

Recdo. Nov. 6.
Por R. M. S. Mersey.
Situação actual del Paraguay.
Tirania ejercida por el
Presidente sobre los Ciudadanos
(F. O. 63.110. Nº 76).

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Extraído de "Los origenes de la guerra de la Triple Alianza", Pelham Horton Box.
Fragmento do romance "Sobre Moscas e Aranhas de Guerra" de Dalton Reis
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domingo, 24 de outubro de 2010

... vai chover, vai secar só não vai derrubar o que for de seu lugar. Filho e filho, mãe e pai toda vida é uma porta por onde se entra e sai...
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sábado, 23 de outubro de 2010


Texto: Gustavo do Carmo
Fonte de consulta: Wikipedia

Edison Arantes do Nascimento nasceu no dia 23 de outubro de 1940 na cidade mineira de Três Corações. É filho do ex-jogador de futebol João Ramos do Nascimento, apelidado de Dondinho e Celeste Arantes, já falecidos. Seu nome de batismo foi escolhido em homenagem ao inventor americano Thomas Edison.

O apelido Pelé surgiu quando Edison ainda tinha três anos e torcia pelo goleiro do time no qual jogava seu pai, o São Lourenço. O menino gritava "Defende Bilé" e ficou sendo chamado assim, só que os outros meninos entenderam Pelé. Em 1945, aos cinco anos, a família Nascimento se mudou para Bauru, no interior de São Paulo.

Pelé queria começar aos 11 anos no Canto do Rio, daquela cidade. Mas o clube exigia idade mínima de 13 anos para jogar. Seu Dondinho incentivou o filho e seus colegas a fundarem um time: o Sete de Setembro. Aos 14 anos foi jogar no juvenil do Bauru Atlético Clube, chamado de Baquinho por causa da sigla BAC. O técnico Valdemar de Brito, um dia, foi treinar os garotos e acabou levando Pelé para o Santos Futebol Clube, onde estreou no time profissional aos 16 anos. Em sua primeira temporada fez 20 gols.

Em 1957 foi convocado pela primeira vez para a Seleção Brasileira, atuando num Brasil x Argentina pela Copa Roca. Marcou um gol logo na estreia, mas o Brasil perdeu por 2x1. Em 1958 foi convocado para a Copa do Mundo da Suécia. Mesmo machucado, estreou na terceira partida, contra a URSS. Não fez gol mas começou a brilhar na partida seguinte, fazendo o gol da vitória sobre o País de Gales. Na semifinal contra a França (3) e na decisão contra a Suécia (2), fez mais cinco gols e o Brasil conquistou seu primeiro título mundial. Foi apontado como o Rei do Futebol. Se contundiu no segundo jogo da Copa de 62, no Chile, e ficou o resto do torneio fora. Mesmo assim, o Brasil foi bicampeão.

Em 1969 foi o primeiro jogador de futebol a registrar a marca de 1.000 gols. Foi de pênalti, num jogo contra o Vasco da Gama no Maracanã. Em 1970, no México, quase foi cortado por João Saldanha, que levou a pior com a sua demissão. Pelé deu tudo de si e o tricampeonato para o Brasil. Pelé deixou a Seleção em 1971, num amistoso de despedida no Maracanã contra a Iugoslávia que terminou em 2x2.

Em 1974 se despediu do Santos, onde foi Campeão Paulista 10 vezes, do Torneio Rio-São Paulo 4 vezes, da Taça Brasil e Roberto Gomes Pedrosa 6 vezes e duas vezes campeão da Libertadores e Intercontinental (1962/1963). Foi para os Estados Unidos atuar pelo Cosmos, de Nova York, único time que defendeu além do Santos. Lá foi campeão norte-americano.

Pelé foi casado duas vezes (com Rosemere Cholbi e Assíria Lemos) e teve sete filhos, sendo dois extra-conjugais, como Sandra Regina Machado, quem o jogador se recusou a aceitar afetivamente como filha, se negando até a comparecer ao seu enterro em 2007. Seu filho do meio Edson Cholbi Nascimento foi vice-campeão brasileiro como goleiro do Santos em 1995. Mas foi preso por tráfico de drogas em 2005.

Depois que largou a carreira, Pelé tem sido cantor, ator, empresário, namorou e promoveu a Xuxa, formou-se em Educação Física e deu aula. Em 1995 foi Ministro Extraordinário dos Esportes, quando criou a Lei Pelé. Ajudou a revelar os dois mais recentes talentos do Santos: Robinho e Neymar. Seus dois desafetos são Romário e o argentino Maradona.
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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

João Paulo Mesquita Simões

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terça-feira, 19 de outubro de 2010




Sem uma gota de vento nesse amanhecer, Amanda campeava pela vereda estreita e barrenta no início de um destino impensado, e sentiu:
que lhe doíam as nádegas;
que as roupas ásperas roçavam parecendo lixa, os bicos dos seios tesos de frio;
que o vapor saindo das ventas do animal lhe avisava da bebida quente ainda não bebida. E de calor; que horas depois iria maldizer e abrasaria todos os espaços, incluindo as sombras.
Nesse momento, outra vez o frio fazia tiritar o corpo todo e os dentes dar mordidelas nos beiços fazendo-os parar de tremer. No entanto, a calma circundante lhe despertou a precaução aprendida. Esgueirando-se, depressa conduziu o animal ocultando-se no matagal mais próximo. Cuspindo insetos que lhe entraram na boca, enxotando com a mão nuvem de mosquitos os circundando, ambos ficaram quietos e ela pôs o ouvido à escuta; só por uns segundos, depressa os insetos começaram a atacar o focinho, as orelhas e a boca dela e do animal que mastigou o cabresto, resmungando e exalando nuvens de vapor pelas ventas. Com as mãos agarradas nas crinas do animal, qual numa homilia de angustia e temor, Amanda começou a falar miudinho na orelha do animal frases que a partir desse dia, pronunciaria como um segredo sempre que a circunstância lhe fosse adversa: "Malditos. Maldito Calor. Maldito Frio. Maldita guerra. Maldito Brasil. Maldito Paraguai. Maldito Alfonso. Maldito Chico. Maldita fome". Aparentando atenção ao sussurro, o bicho pareceu acalmar-se. Para seu alivio, porque depressa a espera e a cautela deram resultado: da esquina formada pela curva do caminho, o burburinho e os barulhos que teriam alarmado os bichos da mata se aproximavam, recomeçando a inquietar o cavalo. Amanda encostou mais a boca nas orelhas tesas do animal repetindo o zunzunzum da oração: "Malditos. Maldito Calor. Maldito Frio. Maldita guerra. Maldito Brasil. Maldito Paraguai. Maldito Alfonso. Malditos...".
Surgindo na curva do caminho, perto da enramada onde estava oculta, "Maldita guerra. Maldito Brasil. Maldito Paraguai", mostravam-se os donos das vozes: numerosas famílias de índios surgiram em lenta marcha, a maioria de crianças, velhos e mulheres, carregando todo tipo de bagagens.
Cogitou Amanda sobre a ausência dos mais jovens e fortes: estariam armados e vestidos de soldados, talvez alguns deles no seu encalço?
Resolveu conservar-se invisível à parentela de seus adversários que deviam ser muitos, e, no seu caso, dos dois lados!
- Cunhã?
A voz aguçada veio do chão. Apreensiva, Amanda procurou a origem. E a encontrou quase entre as patas do animal: curumim, de certo desviado do grupo vigiado, olhava-a curioso.
Acorda Amanda!
Amanda adivinhou que alguém em seguida viria em busca dele; com expressão hostil, lhe fez sinais para se afastar. Assustada, a criança saiu em disparada dando berros.
Lembra Amanda?
Tencionando escapar saíste galopando, e num ímpeto aquele índio robusto apareceu de algum lugar onde estivera na espreita, e pulando sobre a montaria te derrubou e no chão te agarrou e depois, sem se importar você espernear dando gritos de dor e de ódio, te arrastou pelos cabelos.
Lembra?
Não.
"Maldita guerra. Maldito Brasil. Maldito Paraguai"
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Extraido do romance "Sobre Moscas e Aranhas de Guerra"
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sábado, 16 de outubro de 2010


Costumava chegar atrasado nos dois frequentes compromissos que tinha: o emprego e a pós-graduação. Chegava sempre com uma hora de atraso. Um dia chegou tarde demais. O curso já tinha acabado fazia uma hora e o patrão o demitira havia uma hora.
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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

João Paulo Mesquita Simões



Algumas imagens e vídeos da Exposição Mundial de Filatelia Portugal 2010, que decorreu em Lisboa no Parque das Nações de 1 a 10 de Outubro.
Busto da República à entrada e o logotipo da Exposição


Vista geral da Exposição



Placard Brasileiro com o selo "Olho de boi"
Um ângulo da Exposição



Outro ângulo da Exposição


O Penny Black primeiro selo do Mundo da colecção particular da Rainha Isabel II



O primeiro selo de Portugal com a efígie de D. Maria


Sobrescrito e selos de D. Maria









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domingo, 10 de outubro de 2010

Voltar sempre é bom, acho que quase estou pensando em continuar...
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sábado, 9 de outubro de 2010

Por Gustavo do Carmo Crédito da Imagem: O Grito, de Edvard Munch (1893)

— Amor, me dá um ósculo?
— Não.
— Por favor, Benzinho?
— Agora não posso, Dedé. Estou tentando fazer uma conta que não está batendo com a féria do dia. Depois eu te dou.
— Eu quero agora!
Benvindo se estressa e grita:
— Porra, Derlaine! Já falei que agora eu não posso! Não está me vendo concentrado aqui nas contas da livraria?
— Ah, dá um tempinho, vai. Você está cansado! Eu só quero um beijinho!
— Eu estou cansado, mas preciso terminar estas contas, poxa!
— Se você não me der um beijo eu me jogo desta varanda.

Derlaine se encaminha para a varanda da sala do apartamento, que fica no oitavo andar.

— Ó, eu estou me sentando no parapeito. Se não vier eu jogo o meu corpo para trás.

Preocupado e já com medo da esposa cumprir a promessa, Benvindo corre para evitar a tragédia. Felizmente, consegue puxá-la para si. Ela cai sobre ele, que vai ao chão de costas. Os dois finalmente se beijam. Benvindo cede à chantagem de Derlaine e esta consegue o que queria.
Mas Benvindo acaba gostando do beijo e pede mais. É atendido, mas logo ele pede para fazer sexo.

— Você não estava ocupado, não queria fazer conta?
— Eu deixo pra fazer amanhã.
— Só porque você quase me fez me jogar pela janela eu não vou transar com você.
— Não vai não?
— Hum, hum, rosna em tom negativo.
— Então tá.
Benvindo se levanta, calça um sapato, pega a jaqueta e as chaves do carro e vai em direção à porta.
— Aonde você vai?
— No bordel procurar uma amante. Se eu pegar uma doença venérea a culpa será sua.
— Está bem. Eu faço.

Os dois fizeram o melhor sexo do casamento. Mesmo assim Benvindo encerra o ato com um ar angustiado. Ele se senta na cama e confessa para a esposa que o movimento da livraria está fraco e que está se sentindo doente. Descobriu algo estranho na garganta e disse estar com medo de ter desenvolvido um câncer e deixar os filhos desencaminhados.

A preocupação maior é com a filha do meio, Irene, que se formou em comunicação social, não conseguiu emprego por causa da timidez, mas se recusa a estudar para um concurso público. O problema é ainda mais grave porque Irene beira os trinta anos, é solteira e ainda quer ser escritora. A irmã, Tássia, três anos mais velha, é casada e concursada do Banco do Brasil. Costuma apoiar o pai na cobrança para a irmã ser aprovada no concurso público. Considerada por Irene como a sua melhor amiga, aproveita este sentimento para fazer chantagem contra a irmã imatura ameaçando não falar mais com ela se ela não estudar.

Outro medo é não ver o filho caçula Gabrielzinho crescer. O menino tem apenas nove anos e é muito mimado. E exatamente neste dia em que os pais acabaram de transar, Gabrielzinho encontra o pai saindo do quarto e pede:

— Pai, sabe aquele carrinho de controle remoto que vimos no shopping no sábado?
— Sei não, meu filho.
— Você compra ele pra mim?
— Gabriel, o papai tá duro.
— Mas eu queria ele, pai. Gabrielzinho diz com a voz embargada e os olhos marejados.
— No seu aniversário o pai te dá.
— Mas eu quero hoje! O meu aniversário é só daqui a oito meses. O menino começa a se alterar.
— Hoje eu não posso, Gabriel! Não acabei de dizer que eu estou duro? Repreende Benvindo.
— Se você não me der o carrinho hoje eu fujo de casa.
— Está bem, vamos lá no shopping agora.
— Oba!

O menino conseguiu o que queria. Voltou seis horas depois, já brincando com o carrinho e empanturrado de lanche. Pai e filho são recebidos por Derlaine que os pergunta se querem jantar.

— Não. Eu e o Gabriel comemos muito no shopping.
— Por que não me avisaram antes?
— Ele insistiu que eu fosse comprar um carrinho de controle remoto pra ele. E você sabe como o Gabriel é. Não pode sentir cheiro de lanchonete que pede para comer.
— Eu passei o resto da tarde fazendo janta pra você e ninguém come, porra! Eu estou com o braço doendo de tanto mexer panela! Grita Derlaine.
Já irritado, Benvindo reclama:
— Alguém te mandou fazer janta, por acaso?
— Mas eu faço todos os dias. É a minha obrigação de dona-de-casa. Lavei roupa a manhã inteira! Fui ao supermercado antes de te pedir aquele beijo! As minhas varizes estão queimando! Acho que eu vou morrer!
— Deixa de bobagem, Derlaine! Ninguém morre por fazer serviço de casa!
— É o que você pensa! Olha como as minhas pernas estão inchadas! Olha as minhas varizes: como estão pretas! Mas eu tenho que fazer todo o serviço de casa sozinha! Não tem ninguém pra me ajudar! Não tenho marido, não tenho filhas, não tenho empregada. Quando eu morrer todo mundo vai ficar chorando de remorso no meu caixão!

Derlaine termina de falar e cai aos prantos no sofá. Não sem antes quebrar um vaso de enfeite que estava sobre a mesa de centro. Igualmente nervoso, Benvindo contra-ataca:

— Vai ficar fazendo drama? Eu faço também! Eu trabalho o dia inteiro na livraria para sustentar a boa vida de vocês! E olha que a livraria está quase falindo! O movimento do dia mal dá pra pagar os fornecedores! Mas ainda assim tenho que pagar conta de água, luz, telefone, internet, tv a cabo, brinquedos para o Gabrielzinho. A Irene bem que podia trabalhar na livraria! Mas ela não quer! Depois diz que quer ser escritora!
— A Irene não deu certo na livraria! Ela tentou trabalhar lá. Você quem não quis!
— Então ela pode muito bem arrumar outro emprego. Nem que seja de faxineira! Bem que ela podia estudar para um concurso público! E vou mandar ela fazer isso agora!

Benvindo vai ao quarto de Irene, que escutou a discussão dos pais e se deitou de bruços na cama, chorando. Ele bate a porta, mas não é atendido.

— Irene! Irene! Abra essa porta!
Benvindo decide arrombá-la. Diz logo:
— Olha, a sua moleza vai acabar, hein? Eu estou quase fechando a livraria! Você vai se inscrever agora naquele concurso público para a Procuradoria Geral da União e quero ver você estudando!
— Eu não vou fazer, porque eu não vou passar! Concurso público não se passa e nem consegue estabilidade com essa facilidade toda!
— Estudando você passa! Vai ter que se matricular no cursinho! Na favela da esquina tem um comunitário que não cobra nada!
— Para, pai! Para de me humilhar! Eu não vou fazer cursinho para concurso público em favela! Você não me apóia em nada! Diz a moça aos prantos.
— Se não fizer eu te expulso de casa!
— Então me expulse! Aliás, quer saber? Eu vou embora de casa, mesmo! Irene pega a bolsa de viagem, põe as suas roupas e vai dizendo: — Eu vou embora dessa casa, sim! Não aguento mais morar aqui! Tudo tem que economizar. Eu sei muito bem que o movimento da livraria está bom! Você está usando isso é para fazer chantagem e mandar a gente economizar! Mas não vou cair nessa!
— Ah, é? Eu vou te mostrar as notas promissórias da dívida que eu tenho! Eu vou te mostrar o exame médico que eu fiz! Eu vou morrer e deixar vocês à míngua para aprenderem a me dar valor e a economizar!
— Se você me expulsar de casa eu vou à favela da esquina, sim! Mas para comprar drogas! Você vai ter uma filha viciada! Vou vender tudo aqui de casa para comprar maconha! Ou você prefere que eu me suicide?

Irene pega o estilete que estava usando para fazer artesanato e encosta no pulso.

— Eu vou me matar, hein?
— Está bem, minha filha. Depois a gente conversa!

Durante a discussão de Benvindo com a filha o telefone toca. Derlaine atende. Era Tássia, que ligava desesperada.

— O que foi minha filha?
— O Claudir me chamou de gorda! Dá pra vir aqui?
— Ai, filha. Eu estou cansada! Acabei de discutir com o seu pai.
— Mas você nunca me dá atenção, mãe! Se fosse a Irene ou o Gabriel você estaria correndo para atender.
— Não é isso, Tássia! Acho que você não pode exigir que eu me desloque até a essa hora da noite só para te consolar porque o teu marido te chamou de gorda!
— Mas ele me bateu, mãe! Eu estou toda roxa! Se você não vier eu vou beber até ficar em coma alcoólico.

Claudir, um homem magro, honesto e calmo, toma o telefone da esposa e esclarece para a sogra.

— Dona Derlaine. Eu juro que não fiz nada contra ela. Eu apenas reclamei que ela estava comendo muito pavê e disse que ela ia ficar gorda.
— Mas por que você bateu nela? Pergunta Derlaine secamente.
— Eu apenas a sacudi, minha sogra. Ela começou a fazer um escândalo só porque eu pedi para ela moderar no pavê. Não precisa vir a essa hora.

Tássia puxa o telefone e grita para a mãe ouvir.

— É mentira, mãe!
— De qualquer forma eu vou até aí.
Tássia desliga o telefone e vibra com o que conseguiu. Claudir bufa e resmunga.
— Se eu soubesse que a sua família fazia jus ao seu sobrenome jamais me casaria com você.

E se Benvindo soubesse que teria uma família tão dramática, abandonaria o sobrenome Drähm, herdado do avô alemão.

No dia seguinte, Benvindo vai ao consultório do psicanalista. Meia hora depois a recepcionista o chama pelo nome completo.

— Benvindo Lobo Drähm!
— Sim.
— O senhor já pode entrar.
— Ah, tá! Obrigado.

Na sala do consultório, Benvindo desabafa todas as chantagens e dramas familiares da véspera e dos outros dias.

— Senhor Benvindo. O senhor alguma vez já experimentou tentar não ceder às chantagens da sua família?
— Já e não consegui. Eu fico com pena. E com medo de acontecer realmente alguma tragédia.
— Em compensação o senhor entra no jogo e alimenta a situação. Tente ser mais firme ou o seu sobrenome será cada vez mais adequado à sua família. Passar bem.

Quando chega da consulta, morto de cansaço e estressado com o trânsito, Derlaine o recebe pedindo um ósculo.

— Ah, de novo não, Derlaine.
— Se você não quiser que me dar um beijo de novo, já sabe o que vou fazer se não me der.
— Vai fundo que hoje eu não vou cair na sua chantagem.
Derlaine se encaminha para a varanda da sala do apartamento.
— Ó, eu estou me sentando no parapeito. Se não vier eu jogo o meu corpo para trás.

Benvindo finge não ouvir a ameaça da esposa. Só não conseguiu ignorar o grito de Derlaine e o estrondo seco um minuto depois.
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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

por dudu oliva

É o elemento fundamental para viver em sociedade. Pois a colaboração entre as pessoas mantem o equilíbrio nas relações sociais. Ela pode ser instituída por contrato escrito ou oral, depende das necessidades individuais e coletivas.

Porém, muitas vezes, este conceito da troca é reduzido, principalmente, na educação: “Se você for bom aluno, ganhará um prêmio e se for ruim, castigo.”. Esta relação de recompensa é muito complicada, pois a vida é uma imensidão, onde existe o inesperado a cada esquina. A pessoa que faz tudo certinho, não significa que obterá sua recompensa.

Portanto, precisa-se pensar profundamente sobre os significados da troca e como são espelhados de acordo com os interesses e os valores de cada indivíduo.

O que me levou a abordar o tema foi que tenho certa preocupação com as pessoas que acham que sendo boas, só ganharão recompensas e se observarmos ao longo do cotidiano, isto não é verdade.
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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Foto e texto: Divulgação

Dia 06 de Outubro estréia o espetáculo Carrosel, com direção de Adriano Garib, no consagrado palco da sede da Companhia dos Atores, na Lapa, Centro do Rio de Janeiro. Em cena o elenco conta com o ator Elias Hatab, além de Ana Maria Lima, Ana Paula Tavares, Bella Moraes, Carol Lopes, Cecília Vaz, Cintia Felicio, Daniela Garcia, Danielle Oliveira, Fabio Oliveira, Felipe Miguel, Gustavo Berriel, Helena Alvine, Marcello Andreata, Raphael Antony e Robson Santos, todos jovens atores formandos de 2010 da CAL.

O espetáculo se apropria de uma série de episódios alheios e memórias pessoais do elenco - e do autor peça - para convertê-las em ficção, o que confere uma atmosfera de catarse à obra, e resulta em personagens extremamente diversos “São histórias simples e prosaicas - e algumas extraordinárias -, colhidas por todo o grupo de criação da peça durante cerca de dois meses. O resultado é uma dramaturgia aberta, porosa, que requer do performer a recriação e ficcionalização dos episódios selecionados.”, conta diretor da peça, Adriano Garib – que também participa como ator do filme Tropa de Elite 2, com estréia prevista para outubro deste ano.

Na peça o ator Elias Hatab interpreta três personagens: o Irmão do meio da “Família Peixes’, um Matador de Aluguel e o Namorado da cantora da casa noturna Carrossel, que dá nome a peça; além de dançar bolero na abertura do espetáculo.

O Irmão de Família Peixes é um jovem é do tipo ‘lagardão’, desleixado de uma família um pouco diferente das outras, em que a mãe, que sustentava toda a família, foi tragicamente assassinada enquanto os filhos e o pai estavam fora. O pai não conseguindo viver na casa onde o fato aconteceu, pega os filhos e caiu no mundo. “Eles passam a viver como itinerantes parando onde dá e ficam o dia todo, ouvindo música, bebendo, fumando, lendo horóscopo antigo. Chamam-se Família Peixes, porque todos são de peixes, só a mãe, que morreu, era de Aquário. Ou seja, o aquário quebrou e os peixes ficaram sem nenhuma proteção” conta Elias Hatab.

Em ‘O Solitário e Seus Bonecos’, Elias interpreta o Matador de Aluguel, um homem frio, seco e prático, que tem como profissão matar pessoas, sendo que aceita apenas ‘serviços’ de pessoas que queiram matar a si mesmas e paguem por isso “Ele acha que o trabalho dele é uma caridade, uma vez que ele só mata uma pessoa se ela mesma quiser morrer e pagar pelo serviço. Maior desafio para eu fazer, já que eu sou completamente diferente desse cara, estou tendo que trabalhar o contratipo. Esse personagem foi um presente do Garib (diretor)!” revela Elias, entusiasmado.

Já no personagem do Namorado, o ator vive a típica história de duas pessoas que se amam e não sabem se comunicar. Elias Hatab encarna um jovem ‘reclamão’ que implica com a amada por coisas absurdas e o resultado disso são discussões e brigas intermináveis “É bem divertido fazer esse rapaz chato!” diz Elias.

FICHA TÉCNICA:

Produção: Márcia Quarti – CAL / Direção: Adriano Garib / Assistente de Direção: Rúbia Uchôa./ Texto: Criação coletiva sob supervisão de Adriano Garib/ Iluminador: Wilson Reiz / Figurinos: Paola Giancoli / Elenco: Ana Maria Lima, Ana Paula Tavares, Bella Moraes, Carol Lopes, Cecília Vaz, Cintia Felicio, Daniela Garcia, Danielle Oliveira, Elias Hatab, Fabio Oliveira, Felipe Miguel, Gustavo Berriel, Helena Alvine, Marcello Andreata, Raphael Antony e Robson Santos

SOBRE A PEÇA:

Carrossel

Local: Sede da Companhia dos Atores

Datas: 06, 07, 12, 13, 14, 15 e 16 de outubro, às 20 horas.

Endereço: Rua Manoel Carneiro, 10, Lapa, Rio de Janeiro/RJ.

Informações: (21) 2242-4176

Ingressos: R$ 20,00 (inteira) R$ 10,00 (meia)

Capacidade: 47 lugares

Duração: 140 minutos

Classificação etária: 14 anos

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sábado, 2 de outubro de 2010


Por Gustavo do Carmo

Acordei com um negócio dourado reluzindo no meu dedo. Mais precisamente no anelar direito. Era uma aliança. De noivado. Nunca namorei na minha vida. Nem sei como essa joia brilhante foi parar na minha mão, envolvendo a minha falange.

Puxando a minha memória não consigo me lembrar onde arrumei essa aliança. Será que eu fiquei bêbado? Será que no meu período de suposta embriaguez alguma mulher colocou a sua aliança no meu dedo? Será que alguém me dopou? Caí no golpe Boa Noite Cinderela às avessas? Será que quando acordar vou ter que me casar com uma mulher feia e gorda?

Que interesse teria alguma mulher de me dar um golpe da barriga? Sou feio, gordo e, ainda por cima, pobre. E desempregado. Mal tenho renda. Me sustento com a aposentadoria que a minha mãe deixou ao morrer e eu não comuniquei ao INSS.

Mas agora consegui me lembrar. Gastei o seguro-desemprego, que ganhei do meu último emprego de office-boy de uma distribuidora de peças, numa aliança de ouro de baixo quilate. Mandei gravar o nome da minha noiva imaginária e terminei o dia no bar da rua da joalheria, enchendo a cara.

O ajudante do dono do bar e alguns bebuns de plantão me trouxeram de volta pra casa. Me deixaram na minha cama, tiraram meus sapatos, minha calça jeans e meu casaco. Me cobriram, me deram um beijo paternal de boa noite, apagaram as luzes e foram embora.

E hoje acordei com esta aliança de noivado reluzindo no meu dedo anelar direito. Uma aliança que eu nunca vou usar de verdade, já que eu nunca vou ficar noivo de alguma mulher na minha vida. É apenas um sonho.

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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Por dudu oliva

Publicado nos Estados Unidos por uma editora pequena, A Cabana repercutiu muito sucesso com o entusiasmo e da indicação dos leitores. Tornou-se um fenômeno de público.

Durante uma viagem, a filha mais nova de Mack Allen Phillips é raptada e há indícios de que ela foi assassinada são por um psicopata em uma cabana abandonada. Há quatro anos vivendo em uma depressão profunda, causada pela culpa e pela saudade da menina, Mack recebe um estranho bilhete, aparentemente escrito por Deus, convidando-o para voltar à cabana onde aconteceu a tragédia.

As respostas que Mack encontra surpreenderam os leitores, levando a pensar em valores como amor, respeito, compaixão e perdão já tão esquecidos nossa sociedade individualista.
Com uma narrativa simples, levanta questões profundas sobre o perdão, a redenção e a fé. O enredo prende o leitor e suspense envolve a cada página. É um tipo de romance que serve com ponte para outros conhecimentos filosóficos e religiosos, os quais os indivíduos podem se aprofundar ou não.

A cabana mostra a verdadeira essência da comunhão com Deus e critica estereótipos que as pessoas e as Instituições religiosas produzem no consciente e no inconsciente coletivo.
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