segunda-feira, 30 de junho de 2008

Por Gustavo do Carmo

No Rio de Janeiro, uma sucedeu a outra no canal 6, hoje ocupado pela Rede TV!. Mas foi da Imprensa Oficial de São Paulo a iniciativa de editar em livro a trajetória dessas duas saudosas emissoras que fizeram história na televisão brasileira.

A Manchete nasceu em 1983 e morreu há nove anos. De propriedade de Adolpho Bloch, marcou época com o seu jornalismo independente e sua dramaturgia de qualidade. As minisséries Marquesa de Santos e Dona Beija, sem falar da novela Pantanal, hoje reprisada com os mesmos sucesso e polêmica no SBT, foram os seus ícones.


Sua antecessora no Canal 6, a Tupi de Assis Chateaubriand não se destacou na dramaturgia. Ela inventou a teledramaturgia, principalmente o conceito de telenovela com Sua Vida me Pertence (de 1951) e produziu outras como Beto Rockfeller, Éramos Seis, Mulheres de Areia e A Viagem (a segunda, regravada pelo SBT e as duas últimas pela Globo nos anos 90), além de seriados como O Vigilante Rodoviário e Sítio do Picapau Amarelo. Também foi referência no jornalismo com o Repórter Esso. O outro pioneirismo foi exatamente ser a primeira emissora de televisão do Brasil. Em São Paulo, inaugurou o meio de comunicação mais importante do país em setembro de 1950. No Rio, chegou no ano seguinte, sediada no prédio do antigo Cassino da Urca.

O livro Tupi: Uma Linda História de Amor, é assinado pela atriz Vida Alves, protagonista do primeiro beijo na boca da telenovela brasileira (com Walther Forster em Sua Vida me Pertence) e hoje presidente do instituto Pró-TV.

"Começo aqui um momento gostoso de minha vida. Vou passar para o papel, com todo o meu amor, a história da implantação da televisão no Brasil. E isso é importante para mim e também para você que me lê. Por quê? Respondo com segurança: Porque nem eu nem você sabemos viver sem televisão e temos curiosidade sobre ela... ... Quem, como eu, carrega dentro de si essa história quase desde o começo da carreira profissional, ao colocá-la para fora o faz com sofreguidão, com entusiasmo. Aliás, para mim, que nos últimos 12 anos só faço tentar registrar a memória da televisão, como presidente da Pró-TV, falar e escrever sobre isso não é apenas dever. É missão. É prazer. É amor." ela diz no texto de divulgação.

Já o Rede Manchete: Aconteceu, Virou História foi escrito por Elmo Francfort, radialista, pesquisador, responsável pelo site Museu da Tv - http://www.museudatv.com.br/ e assessor da Presidência da Pró-TV. Ele diz na divulgação: "A Manchete deixou bem claro na história da televisão que aqui esteve para se transformar em uma grife de televisão de qualidade, de credibilidade, profissionalismo, capricho, criatividade e ousadia. Esteve na busca eterna de seus ideais, na superação dos limites e também acabou abusando, como poderão ver neste livro. Promoveu a cultura e o debate em suas coberturas, mas passou da mais tecnológica emissora do país à que precisava mais urgentemente da renovação dos seus equipamentos. Foi um cometa que passou pela história."

Ambos os livros fazem parte da Coleção Aplauso (já famosa por biografar grandes atores) da Livraria da Imprensa Oficial SP. Pode ser comprado por 30 reais em qualquer livraria e é a Dica da Segunda desta semana.

Mais informações: http://livraria.imprensaoficial.com.br/

Observação: Em São Paulo, a Manchete era transmitida no Canal 9, que foi originalmente concedido à TV Excelsior, que aqui no Rio pegava no 11. Esta concessão, por sua vez, foi vendida para Sílvio Santos montar a TVS. Para criar o SBT na sua cidade adotiva e lá radicar a matriz de sua emissora, o empresário carioca obteve como concessão o Canal 4, que era da Tupi. Este canal originalmente era o 3, mas como havia interferência técnica do 2 da Cultura, foi autorizada a mudança em 1960.
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domingo, 29 de junho de 2008

Por Ed Santos

Fui convidado pra ir num baile esses dias e topei na hora. Faz muito tempo que eu não saia pra dançar. Não era um baile daqueles que a gente ia na adolescência. Na minha época, a gente dançava os famosos passinhos e na “seleção de lenta”, convidava as meninas pra dançar de rosto colado.

Hoje, aliás, já há um tempo, ninguém dança os passinhos, muito menos de rosto colado. Nos bailes atuais, que mudaram de nome - hoje são as “baladas” - as pessoas dançam todas de maneira diferente, cada um do seu jeito, no seu ritmo.

Mas voltando ao convite que recebi, não se tratava de uma balada dessas. Era um jantar dançante lá no bairro da Liberdade. Confesso que fiquei curioso em saber como seria um baile, digo, jantar dançante na Liberdade. Um bairro de origem e predominância oriental. Então, lá fui eu.

No local, funciona um restaurante durante o dia, e nas noites de sábado eventualmente acontecem os bailes, digo jantares.

Quando cheguei na portaria, ouvi um forró-pé-de-serra muito bem tocado pela banda. Fui entrando e quando cheguei na pista, vi que não se tratava de nenhuma banda. Era um casal de japoneses munidos de uma parafernália de teclados. Vocês já viram alguma cena semelhante? Japonês tocando forró? Achei um tanto estranho, mas lembrei de quando eu mesmo tocava numa banda quando era mais jovem, onde o percussionista era japonês também. Mas isso é uma outra história.

Na pista, os mais variados tipos: casais bem vestidos, professores de dança e seus alunos, outros professores de aluguel (eles cobram pra dançar com as pessoas sem par). Me emocionei com um casal de idosos. Eles apresentavam uma disposição imensa pra dançar. Desfilavam por toda a pista, os mais variados ritmos que a competente dupla tocava lá no palco.

Havia um senhor de calça preta, camisa branca, terno branco com listras pretas, sapato bicolor e gravata borboleta. A elegância daquele senhor era incrível. Mas cá prá nós, você já viu alguém que não o Jô Soares, usando gravata borboleta? Até hoje eu só vi alguém usando este acessório em casamento. Ou é o noivo ou o padrinho.
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sábado, 28 de junho de 2008

Por Gustavo do Carmo


Algumas pessoas vieram me perguntar se o meu primeiro livro, Notícias que Marcam, é uma coletânea das notícias do país e do mundo que me marcaram. Não. Não é. É um romance ambientado nos bastidores da redação de um telejornal. As notícias marcaram o protagonista, Cassio James, desde a sua época de faculdade. E não a mim.

As notícias marcantes para a personagem do romance foram o casamento da menina por quem ele era apaixonado, a transferência do seu melhor amigo para os Estados Unidos, o convite para o seu primeiro emprego e outras que eu deixo para o leitor descobrir no livro.

O primeiro a identificar esta dubiedade do título foi o meu editor. Foi ele quem me sugeriu colocar a palavra Romance na capa para não confundir. Mesmo assim, muita gente ainda me pergunta.

Claro que nunca me senti ofendido nem incomodado com isso. Pelo contrário. Acho até que eu despertei nessas pessoas a curiosidade delas em saber qual(is) foi(foram) a(s) notícia(s) que mais me marcou(aram). Assim, se o leitor que já viu o meu livro por aí ficou com a mesma dúvida e conseqüente curiosidade, vou revelar a vocês e às pessoas que me perguntaram sobre o título do romance a notícia que mais me marcou.

No entanto, infelizmente, ela não é boa. Notícias trágicas marcam mais do que as boas. As boas são mais previsíveis. E estou me referindo a notícias externas, ou seja, jornalísticas. Em breve, vou tentar lembrar a notícia pessoal que mais me marcou e conto em outra crônica.

Chega de suspense. A notícia que mais me marcou foram duas. Duas mortes em dois dias, em acidentes distintos. Duas equipes de jornalistas da Rede Globo mortas em serviço. O Jornal Nacional transmitiu tão bem a emoção do fato ou criou um clima tão fúnebre para homenagear os seus profissionais que eu, na flor dos meus seis anos, fiquei impressionado e lembro até hoje. Finalmente escrevo uma crônica sobre isso.

Em junho de 1984, a Petrobras fazia aquele tradicional jabá para comemorar o recorde da produção da Bacia de Campos. Convidou jornalistas de todas as emissoras do Rio: Globo, Bandeirantes, Manchete e TV Educativa. Quatorze profissionais, entre repórteres, cinegrafistas, operadores e produtores embarcaram num avião Bandeirante da TAM, que na época só fazia vôos fretados. Infelizmente, o avião chocou-se contra um morro próximo a Barra de São João. Morreram todos.

Os da Globo eram o repórter Luiz Eduardo Lobo e o cinegrafista Dario Duarte da Silva. Também estavam entre as vítimas os operadores de VT Levi Dias da Silva e Jorge Antônio Leandro.

Uma morte dessa forma abala qualquer um. E a Globo não poderia tratar de outra forma. O que ela não esperava era a perda de outra equipe em outro acidente no dia seguinte. Desta vez, na estrada. A Veraneio em que viajavam o repórter Samuel Wainer Filho e o cinegrafista Felipe Ruiz derrapou na pista molhada e bateu em uma árvore na RJ-124, altura de Rio Bonito, voltando exatamente da cobertura da morte dos colegas. Os dois também perderam a vida.

Na minha inocente infância eu não sabia nem o nome dos jornalistas. Só descobri duas décadas depois, lendo o livro Jornal Nacional – A notícia faz história, lançado para comemorar os 35 anos do principal jornal da emissora. Na mesma obra também descobri que o Samuel Wainer era filho do fundador do antigo jornal Última Hora com a jornalista, escritora e socialite Danuza Leão e sobrinho da cantora Nara Leão.

Lobo e Dario (como o autor das imagens) aparecem nos vídeos do site Memória Globo, lançado recentemente. Foram eles que reforçaram a equipe liderada pelo hoje veterano André Luiz Azevedo na cobertura da polêmica greve da Companhia Siderúrgica Nacional.

Bem, o que me sensibilizou não foi exatamente a notícia da morte dos jornalistas (que eu nem conhecia) e sim a homenagem que o Jornal Nacional prestou a eles. Lembro da voz embargada do Cid Moreira (ou do Berto Filho, se estiver esquecido) anunciando a morte dos colegas. Só não me recordo para qual equipe exibiram o microfone e a câmera abandonados sobre a bancada vazia enquanto os créditos subiam em silêncio. Só tenho certeza de que foi a notícia que me marcou até hoje. E eu só tinha seis anos.
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sexta-feira, 27 de junho de 2008

A BRISA DA ALTA MADRUGADA

Foi embora e a única companheira foi a brisa da madrugada.

NA RODOVIÁRIA

A mãe não vê mais o filho no horizonte. Tímidas lágrimas escorrem, desmanchando um pouco a máscara de mulher rígida. A filha mais nova finge não perceber, olhando ao céu azul.

- ADEUS!!!

Ela foi embora sem hesitação. No início o esposo ficou triste. Mas depois, começou a ter um caso com a vizinha da frente, que era muito prendada e gostava de servi-lo. Já a antiga esposa virou cantora de bar e escritora de livros eróticos. Hoje em dia, os dois estão muito felizes.


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quinta-feira, 26 de junho de 2008

Entre 1855 e 1856, circularam em Portugal, selos de D. Pedro V, cabelos lisos – impressão em relevo. Foram impressos um a um, dispostos irregularmente em folhas de vinte e quatro exemplares não denteado, utilizando papel liso mas de várias espessuras – fino, médio e espesso.
O cunho destes selos foi também desenhado por Francisco Borja Freire, o mesmo autor dos cunhos de D. Maria II.
Esta emissão só circulou catorze meses, embora tenham sido feitos vários cunhos para cada selo.
1956 – 1958 – Ao que parece, não para retratar o soberano com cabelos anelados, mas sim, para rectificar o seu penteado, que indevidamente apareceu na emissão anterior, com risco posto à direita, foram postos em circulação novos selos, após a aclamação do monarca.
Foram também impressos um a um, e dispostos irregularmente em folhas de vinte e quatro exemplares não denteados. Utilizou-se papel liso, fino, médio e espesso com cunhos de burilagem simples, dupla e quatro cunhos para os selos de 25 reis rosa. Foram reimpressos em 1864, 1885 e 1905.


Baseado num texto de Carlos Kullberg “Selos de Portugal vol. 1 (1853/1910)”




D. Pedro V “O Esperançoso”, 30º rei de Portugal, nasceu em Lisboa no real Paço das Necessidades a 16 de Setembro de 1837, onde também faleceu a 11 de Novembro de 1861. Era Filho de D. Maria II e de seu marido D. Fernando. Chamava-se D. Pedro de Alcântara Maria Fernando Miguel Rafael Gonzaga Xavier João António Leopoldo Victor Francisco de Assis Júlio Amélio.
Educado primorosamente, assim como os seus irmãos, pelos melhores professores de Lisboa, e principalmente por sua mãe, que teve sempre a justíssima reputação de boa educadora, revelou desde muito novo, as qualidades que o ornavam, a sua notável inteligência, a sua tendência para um perseverante estudo e as mais nobres e mais elevadas qualidades de espírito e de coração. Foi jurado e reconhecido príncipe real e herdeiro da coroa pelas cortes gerais de 26 de Janeiro de 1838.
Após a morte de sua mãe, ficou seu pai como regente até que D. Pedro atingisse a maioridade para poder governar os destinos de Portugal. Empreendeu com seu irmão D. Luís, uma viagem de instrução e recreio pela Europa.
A bordo do Mindelo, partiram de Lisboa rumo a Londres, passando pela Bélgica, Holanda, Prússia, Áustria, França e Saxe-Coburgo-Gotha, voltando a Londres, donde regressaram a Lisboa.
Completados os 18 anos a 16 de Setembro, prestou juramento em sessão solene nas cortes. Grandes festas foram realizadas em Lisboa para solenizar o novo rei que grandes infortúnios começaram desde logo a assinalar o seu reinado.
A cólera, a febre-amarela que fizeram várias vítimas, assolaram a capital. D. Pedro, apesar dos conselhos dos seus homens mais chegados, não se inibiu de ir aos hospitais visitar os enfermos e sentar-se mesmo ao pé deles. Foi por isso adorado pelo povo que lhe chamou o rei santo.
Em 1858, casou com a princesa de Hohenzollern-Sigmaringen, D. Estefânia Josefina Frederica Guilhermina Antónia, segunda filha do príncipe soberano do
Hohenzollern-Sigmaringen, Carlos António Joaquim e de sua mulher D. Josefina Frederica. O carácter da jovem rainha, estava em harmonia com D. Pedro V.
Passeavam-se pelas serras de braço dado, bem como pela cidade o que incutia no povo um sinal de amor no casamento do seu rei e amor no trono.
Em1858, D. Pedro funda em Lisboa os altos estudos literários que não existiam em Portugal, e que depois da morte dele pouco desenvolvimento tiveram. Em 1859, morre sua esposa. Ficou destroçado. Mas mesmo com tão grande desgosto, escreveu vários estudos filosóficos, dedica-se à esgrima, música, tocando muito bem piano, bom atirador e exímio desenhador. Fazia caricaturas com grande facilidade. visitava frequentemente Alexandre Herculano que, a propósito deste, escreveu Bolhão Pato: “Foi a primeira vez que vi Alexandre Herculano chorar como uma criança” (Memórias II) aquando da morte de D. Pedro V.

(Baseado em www.arqnet.pt/dicionario/pedrov.html)





D. Pedro Cabelos Lisos D. Pedro Cabelos Anelados
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Grande vulto da Literatura Portuguesa do século XX, Fernando Pessoa nasceu em Lisboa a 13 de Junho de 1888.
Passou a sua juventude em Lisboa, tendo após a morte de seu pai, rumado para a África do Sul, onde bebeu a cultura daquele país que teve influência decisiva ao nível cultural e intelectual, pondo-o em contacto com os grandes autores de língua inglesa.
Regressa a Portugal com 17 anos, para continuar os seus estudos. Não é grande estudante, tendo desistido do seu curso. Como dominava bem a língua Inglesa, trabalha com empresas comerciais.
Ficou sobretudo conhecido como grande prosador do modernismo (ou futurismo) em Portugal. Expressando-se tanto com o seu próprio nome, como através dos seus heterónimos. Entre estes ficaram famosos três: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis. Sendo que as suas participações literárias se espalhavam por inúmeras publicações, das quais se destacam: Athena, Presença, Orpheu, Centauro, Portugal Futurista, Contemporânea, Exílio, A Águia, Gládio. Estas colaborações eram tanto em prosa como em verso.
O seu percurso intelectual dificilmente se descreve em poucas linhas.
Fernando Pessoa morre a 30 de Novembro de 1935 . Em 1988, por ocasião do centenário do seu nascimento, os seus restos mortais foram transladados para o Mosteiro dos Jerónimos em Belém. Em vida apenas publicou um livro em Português: o poema épico Mensagem, deixando um vasto espólio que ainda hoje não foi completamente analisado e publicado.



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FOTO: Divulgação Rede Record


FOTO: Divulgação Rede Globo





Por Gustavo do Carmo

Na sexta-feira passada o ator André Valli morreu aos 62 anos. Deixou nas crianças dos anos 70 e 80, hoje adultos na faixa dos trinta anos, a eterna lembrança do Visconde de Sabugosa, o sabugo de milho do Sítio do Picapau Amarelo, abandonado entre os livros de Dona Benta, que ganhou vida na imaginação de Narizinho como um homem culto e sensível.

André Valli nasceu no Recife em 1943. Aos 22 estreou na peça Roda Viva, de Chico Buarque, em 1965. Ainda no teatro ia realizar o seu grande sonho: viver Dom Quixote de La Mancha. Foi destaque nos filmes O Vampiro de Copacabana e O Casamento. A exibição do primeiro pela TV Brasil parecia ser um pressentimento. Já a Rede Globo o exibiu como uma homenagem póstuma.

Na televisão estreou na novela O Cafona, de 1971. Participou também de Escrava Isaura, mas foi interpretando o Visconde do Sítio do Picapau Amarelo, na adaptação da obra de Monteiro Lobato pela Rede Globo entre 1977 e 1986, que ele ficou mais conhecido. Logo depois atuou em Selva de Pedra. Seus papéis mais recentes na Globo foram em Laços de Família e Senhora do Destino. O último em Hoje É Dia de Maria. Desde 2006 era contratado da Record, onde atuou nas novelas Cidadão Brasileiro e Vidas Opostas. Faleceu em casa, em Copacabana, vítima de um câncer no fígado que descobriu tarde demais.

Esta foi a estréia do novo espaço de curiosidades do Tudo Cultural. A idéia era fazer uma Biografia em 15 Linhas, mas não coube e o que eu tinha a dizer não podia ser censurado. Portanto, decidi flexibilizar o limite desta seção, que deve ter entre 15 e 30 linhas como diz o nome e abrirá espaço para contar um perfil, uma história ou uma homenagem póstuma, como é o caso do ator André Valli. O plano é fazer do Entre 15 e 30 Linhas uma seção semanal, publicada e escrita em forma de rodízio pelos nossos colaboradores, todas as quintas-feiras.
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terça-feira, 24 de junho de 2008

Em silêncio entrou no quarto, fechando a porta atrás de si; só então respirou mais calmo. As batidas do coração, que lhe pareceram ecoar ruidosas pela escuridão da casa, diminuíram ao constatar que ela dormia profundamente; boca aberta e leve gargarejar o demonstravam.
Reavivou-se a náusea e a determinação de realizar nessa última noite o planejado. Aproximou-se da cama, e sem demora espalhou espesso líquido debaixo dela até esvaziar a garrafa, guardando-a novamente no bolso do casaco. O forte cheiro do produto dilatou-lhe as narinas e fez seus olhos lacrimejarem. A mulher na cama mexeu-se de leve. Ficou imóvel até ela se aquietar. Caixa de fósforos na mão, acendeu o primeiro, que se apagou no mesmo instante; mordeu o lábio inferior, engolindo um palavrão. Segundo fósforo aceso, dessa vez cuidou para não se apagar, protegendo-o com a mão em forma de concha. Cuidadosamente, abaixou-se e aproximou a chama na mancha que o líquido formara debaixo da cama. Quando o fósforo chiou e apagou-se ao contato com ele, receou ter enchido a garrafa com o produto errado. Agora o cheiro mais intenso aumentava sua excitação. Leve gemido da mulher o paralisou novamente. De joelhos ao lado da cama, curvou-se até seu rosto ficar bem perto do chão. No sono inquieto, ela esticou o braço e a mão, pendurada na borda da cama, roçou-lhe de leve a cabeça. Sobressaltado, acreditando-se descoberto, afastou-se de um pulo. Já tinha na mão a garrafa vazia que retirara do bolso, pronto a quebrá-la na cabeça, mas ela imobilizou-se e continuou a dormir. Devia se apressar, o cheiro nauseante já estava tomando conta do quarto. Voltou a riscar outro fósforo. Dessa vez, em contato com o líquido, a chama foi espalhando-se aos poucos embaixo da cama. Esperou alguns segundos, até se certificar que o fogo atingia os extremos dos lençóis e parte das cortinas da janela. De costas para não perder nenhum detalhe, foi afastando-se em direção à porta.
Antes de sair e apesar da inquietação, não conseguiu evitar um sorriso diante da certeza do êxito alcançado. Tudo conforme projetara durante tanto tempo nas suas vigílias. Fechou a porta suavemente; andando pelo corredor, pé ante pé, chegou às escadas; no topo pareceu-lhe ouvir barulho proveniente da cozinha, no térreo. Estranhou. Tinha certeza de estarem sozinhos na casa; ou teria sido do quarto que deixara? Ela acordara? Se assim fosse, certamente uma gritaria histérica já teria tomado conta da casa. Embora apreensivo, impelido pela curiosidade, acabou voltando. Ao chegar à porta encostou o ouvido; o burburinho vinha do interior do quarto. De um puxão abriu a porta, e então o coração palpitou agitado, a respiração parou na boca aberta e os olhos se abriram atônitos diante da imagem fora do roteiro planejado: sentada no meio da cama, ilhada por línguas de fogo que cresciam aos poucos, imobilizada pelo terror e ao mesmo tempo tremendo como folha de papel, tão branca como os lençóis, a mulher olhava-o fixamente. Antes de perceber naquele mirar qualquer vislumbre de súplica ou espanto, repentina convulsão fez o corpo dela primeiro se contrair, depois se retesar e tombar como se tivesse levado uma pancada no peito. Iluminado pelas chamas, via-se vômito escorrendo pescoço abaixo. Os maxilares pareciam mastigar um grito engrolado pela espuma que se seguiu, formando pequenas bolhas de ar no canto da boca. Os dedos dela, trêmulos, agarravam os lençóis em chamas, e no desvario jogava sobre si mesma o fogo que, depois de alcançar o travesseiro, queimava seus longos cabelos. O gemido que não conseguia articular parecia formar um nó na garganta; somente agudo estertor saía por ela. Os estalos da madeira e o tamanho das chamas aumentaram. De repente, apoiando-se sobre o cotovelo, estendeu-lhe a mão em forma de garra; foi apenas um segundo agonizante, pois nova convulsão a sacudiu, e dessa vez sua violência fez a cama tremer. Nauseado, retendo a respiração, saiu do quarto e trancou a porta.
Correu até a escada e lançou-se degraus abaixo em direção ao térreo, sem importar-se com mais nada a não ser fugir dali. Abriu a porta da rua, parou um instante para respirar o ar da noite profunda e logo a seguir, num pulo, escondeu-se nas sombras do jardim e vomitou. Depois esperou. Esperou até ver as línguas de fogo assomarem pela janela do quarto. Ficou ali até as chamas, queimando as cortinas de veludo, tornarem-se fragorosas e expandirem-se, iluminando o jardim, refletindo-se faiscantes na órbita de seus olhos bem abertos, para captar cada minúcia de sua pirotecnia. Esperou ouvir os vidros da janela se estilhaçarem pelo calor. Piscou quando, minutos depois, outras janelas da casa explodiram em turbilhão de faíscas. Sentiu o cheiro de livros sendo incinerados, sabia que naquele momento ardiam as roupas e as portas, inclusive as secretas. Não se mexeu até estar convicto de as maçanetas se terem torrado, inflamado os móveis e os quartos, escadas e candelabros derretidos. Ouviu lustres, garrafas e cristaleiras explodirem num iluminado pipocar de festa e chiados de cimento sucumbirem ao calor das labaredas. Faltou-lhe ar ao vislumbrar paredes se abrasando até caírem com fragor, mergulhando em poça de fagulhas, e logo os tijolos viraram brasas, e cinza seu ódio. Adivinhando o corpo calcinado, misturou-se aos apavorados vizinhos e curiosos, que, fascinados pelo espetáculo pirotécnico, nem deram pela sua presença. Só então, iluminando-lhe as costas a luz do vulcão que o libertaria dos incômodos do passado, desapareceu em direção ao amanhecer. O mar o esperava.
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1° capítulo do romance "A Cena Muda" copyright: Miguel A. Fernandez
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domingo, 22 de junho de 2008

Eu sei que todo mundo já recomendou e todo mundo já viu, mas tive uma semana tão agitada para colocar os meus trabalhos em dia que eu não tive tempo para pensar numa dica melhor para esta segunda-feira. Então eu sou o milésimo-primeiro a indicar este vídeo, um documentário produzido pela MGM, mostrando imagens da cidade do Rio de Janeiro gravadas em 1936, que fez muito sucesso no You Tube.

Chamado de "City of Splendour" mostra imagens de um Rio pacato que já se foi e não voltará mais. Primeiro pelo crescimento da cidade. E segundo por causa do abandono dos governos federal, estadual e municipal, dos seus cidadãos e meios de comunicação que preferem bajular o famoso estado vizinho e ainda têm o descaramento de criticar o local onde nasceu, além do culto da sociedade à desordem urbana, social e cultural, promovendo uma irreversível inversão de valores.

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Por Ed Santos

Existe coisa mais chata que uma reunião de negócios com o chefe? Daquelas em que devem ser apresentados todos os números, se as metas foram cumpridas e tudo o mais? Acho que o pior mesmo é o dia que antecede a reunião. Você tem que preparar a pauta, correr atrás de um monte de coisa. É um saco! E quando a reunião é numa terça-feira? Piorou, porque você tem que preparar tudo na segunda-feira, e cá pra nós, segunda-feira por si só também já é um saco!
Lembro, que depois das festas de final de ano e do carnaval, meu chefe enviou um e-mail convocando para a primeira reunião do ano. Era pra apresentar todos os números do ano passado. Ele queria saber se tínhamos atingido as metas anuais de vendas de todos os produtos da empresa, e adivinha pra quando foi marcada a reunião? Se você chutou terça-feira, acertou! Pra ser mais preciso, ele marcou pro dia 12 de fevereiro de 2008, a primeira terça-feira útil pós-carnaval.
O e-mail foi enviado na quinta, dia 31 de janeiro às sete da noite. Não havia mais ninguém no escritório. Na sexta, dia primeiro, o pessoal só foi ler as mensagens depois das dez, e só deram atenção aos textos relacionados à festa de Momo e aos convites para os bailes mil que entupiam as caixas-postais.
Nos dias de ressaca, ou seja, quarta-feira de cinzas, quinta e sexta, muita gente não foi trabalhar. Alguns emendaram, outros ligaram avisando que não conseguiram subir a serra e desligaram antes de terminar a ligação e os mais expertos já haviam agendado alguma visita com um cliente qualquer. Só o bobão aqui que pegou no batente. E o motoboy.
No escritório deserto, pude ligar a tv da recepção e deixá-la no volume máximo, desfilei de meias pelos corredores e travei uma batalha terrível com o computador numa partida de paciência que teimava em não terminar. No relógio já passam das três e meia: “Tchau Robocop!”, me despedi do motoboy, que tinha esse apelido por causa das várias peças de platina que tinha pelo corpo.
Na segunda-feira, já dia 11, fomos oficialmente avisados da reunião e saímos feito loucos à procura de números e dados. A apresentação precisaria ter alguns gráficos e o relatório deveria estar perfeito. Sai do escritório as oito, mas com a sensação de missão cumprida, e de que teria um ano cheio de trabalho pela frente.
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sexta-feira, 20 de junho de 2008

O nobre encontrou um casal de camponeses. Amavam-se. Dilacerou o homem com a espada e possuiu a mulher. Depois, retornou ao castelo.

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quinta-feira, 19 de junho de 2008


São muito variados os erros na filatelia portuguesa.
Mas afinal, em que consistem estes erros?
Um erro em Filatelia, consiste numa má cunhagem, omissão de uma letra, palavra, ou erro no desenho que se pretende representar. Estes erros, que na maioria são considerados crassos, na Filatelia, podem valer fortunas!
Se estiverem lembrados, no primeiro post que coloquei neste blogue, um frase de um autor desconhecido dizia que “um erro em filatelia pode valer uma fortuna". Por exemplo, na emissão de D. Carlos (1895-1896), aparecem exemplares sem algarismos do valor ou com algarismos invertidos (na imagem, deslizamento do valor à direita).
Mas os erros na filatelia não se ficam por aqui. Citem-se sobrecargas e sobretaxas invertidas, diferenças de acentuação, por exemplo Guiné, Guinè; Portuguêsa, Portuguesa; Reis, Réis, de cor, deslocamentos do cunho, fundos, etc. e far-se-á a ideia dos muitos erros que possam existir.
É o que se passa com o selo de D. Luís que traz uma desfocagem da palavra “PROVISÓRIO”. Ora, este simples facto, faz com que este selo se valorize ainda mais. Porquê? Porque foram poucos os selos que saíram com este erro, são poucos os coleccionadores que o têm logo, o seu valor, é maior. E há muitos filatelistas que só coleccionam selos com erros, o que valoriza muitíssimo as suas colecções.
Mas há muitos mais selos portugueses com erros. Apresento só estes dois, uma vez que estou a tratar do período da Monarquia em Portugal. Futuramente, voltarei a este assunto.











Deslocação à direita do valor facial de 50 centavos








A palavra "PROVISÓRIO" desfocada
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terça-feira, 17 de junho de 2008


Lei que incentiva o dedo-durismo

"Lei de Hugo Chávez pune quem não colaborar com serviço secreto.
Foi promulgada semana passada pelo presidente venezuelano Hugo Chávez uma lei que obriga cidadãos comuns, estrangeiros e até membros do Judiciário a 'cooperar' com os serviços de inteligência estatais. A punição para quem se negar 'a atender os requerimentos feitos por organismos do Estado nos assuntos relacionados com a defesa da nação' pode chegar a até seis anos de prisão."

A ONG Controle Cidadão denuncia que esta lei chavista cria uma "espionagem social" semelhante ao sistema cubano – e que é uma ameaça à imprensa.
PS: Parece que recentemente, O Gorila voltou atrás...

Mas essa 'lei', largamente utilizada em Cuba, onde existe um 'olheiro cidadão' do estado, em cada esquina, pronto a descobrir espiões em cada casa, já foi utilizada no Paraguai, pelo ditador paraguaio Francisco Solano López, nascido em Assunção, que por oito anos deflagrou a famigerada Guerra do Paraguai, contra o Brasil, o Uruguai e a Argentina, resultando numa massacrante e humilhante derrota para o povo paraguaio. Filho e sucessor do presidente paraguaio Carlos Antônio López e nomeado general-de-brigada (1845), foi enviado à França, onde freqüentou a corte de Napoleão III. Neste paríodo (1853-1855) estudou o sistema militar prussiano, comprou armas e munições e conseguiu a ratificação de tratados comerciais com a França e o Reino Unido. De volta à Assunção foi nomeado ministro da Guerra e da Marinha e iniciou uma modernização do exército paraguaio implantndo internamente o sistema militar prussiano. Com a morte do pai (1862), foi eleito pelo congresso presidente da república por dez anos, assumiu o governo e deu continuidade à sua política de desenvolvimento econômico. Contratou mais de 200 técnicos estrangeiros para introduzir inovações tecnológicas: implantou a primeira rede telegráfica da América do Sul, redes de estradas de ferro, promoveu a instalação de indústrias siderúrgicas, têxteis, de papel e de tinta. Investiu na construção naval, fabricação de canhões, morteiros e balas de todos os calibres e instituiu o recrutamento militar compulsório. Sem contar com um litoral para expandir o comércio externo de seu país, assumiu uma política expansionista frente ao Brasil e à Argentina e desencadeou a mais sangrenta das guerras americanas (1864-1870). Julgando o momento apropriado, ordenou a captura do navio Marquês de Olinda, que se dirigia ao Mato Grosso pelo rio Paraguai, desencadeando a Guerra do Paraguai. Com um efetivo de cerca de oitenta mil homens e tendo amplo apoio popular, no início obteve êxitos e deteve as tropas aliadas da Tríplice Aliança formada por Brasil, Argentina e Uruguai. Durante cinco anos, com as milhares de vidas perdidas e o conflito evoluindo desfavoravelmente para o Paraguai, sua posição foi enfraquecendo junto com a popularidade. Para calar os opositores, mandou executar centenas de compatriotas, acusando-os de conspiração (1868), inclusive seu irmão Benigno. Após a batalha de Cerro Corá, foi encontrado quando tentava atravessar o rio Aquidabã; ao tentar fugir do cerco de um destacamento brasileiro comandado pelo general Correia da Câmara, foi executado. De uma população inicial de cerca de 1,3 milhão de paraguaios, após a guerra restavam pouco mais de 200 mil. Por muitos anos, foi retratado pela historiografia apenas como um aventureiro, e herói nacionalista por recentes revisionistas de esquerda. Atualmente é considerado um herói nacional no Paraguai e seus despojos estão guardados no Panteão dos Heróis, em Assunção.

Num capítulo do romance "Moscas e Aranhas de guerra" de Dalton W. Reis, é reproduzido um despacho oficial de Edward Thorntom encontrado entre os pertences do Conde Russell K. G, sobre a situação do Paraguai em 6 de Setembro de 1864, utilizando a mesma manobra castrista e recente tentativa de Hugo Chavez na Venezuela: o Dedo-durismo.
Leia o cap. clicando aqui:
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domingo, 15 de junho de 2008

Por Ed Santos

O cara sai lá do interior do país, larga tudo pra trás. Deixa casa, família, história e vai pra cidade grande tentar a sorte. Não é tão fácil e simples assim ele sabe disso, e seu coração se esconde atrás da máscara que foi obrigado a vestir para encarar tudo. É o baile da vida que começou!

Os obstáculos não deixam de fazem parte, e cada caminhada parece uma prova de atletismo valendo medalha. Eita ouro difícil de se conseguir! Aqui essa história de “o importante é competir”, é pura balela. Se não ganhar, óbvio, perdeu. E o matuto até agora não ganhou nada infelizmente.

Ele peregrinou por todos os lados, atravessou da periferia até o lado norte da cidade e por muitas vezes, de lá, viu o sol se por. Pelo menos uma coisa boa.

Catava latinha, papelão, garrafa pet e enquanto esperava por uma vaga no cortiço em frente, contemplava o entardecer e se virava pela calçada mesmo. Um dia depois de várias viagens com o seu possante carrinho de mão com roda de ferro enferrujado, deitou-se na grama de uma praça no centro. Ruas movimentadas e iluminação densa. Passou por ali um infeliz, e o assaltou friamente. Nem pra procurar quem realmente tem dinheiro, o infeliz. Foi no mais fácil, aquele que não poderia reagir a esta deprimente abordagem social. Os doze contos que tinha no bolso furado da calça surrada e suja de óleo, foram surrupiados. Paciência.

O matuto, caboclo, tabaréu, sentiu-se com falta de ardor, e deixou-se cair em prantos pelos cantos da cidade. Não sorria mais ao conseguir recolher do chão uma latinha de cerveja jogada pela janela do carro amarelo parado no farol, muito menos sentia-se feliz em recolher as garrafas pet que boiavam no córrego que passava por detrás do cortiço tão imponente, e que transformou-se em seu alojamento fixo, desde então.

Depois do tombo, ele conseguiu se restabelecer, e voltou a sorrir diante de suas catanças, mas logo veio outra. O quarto úmido que dormia, habitava um mosquito, por nome Aedes sei lá o que. A doença instalou-se e a convalescença teimava em não acontecer.

Morreu o matuto. Apesar de breve, houve luto no cortiço. Das esquinas continuam sendo surrupiadas as latinhas, e dos bueiros, as garrafas pet pelo menos. A cidade agradece, mas sente falta do matuto, caboclo, tabaréu que não pulsa mais pelas vias, que ninguém sabe onde está e que não fará falta alguma, a não ser para um mosquito.
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quinta-feira, 12 de junho de 2008






Foi esta a primeira emissão portuguesa de selos comemorativos. A ideia foi lançada pela Câmara Municipal do Porto, aquando das comemorações do centenário do Infante D. Henrique.
O objectivo, era angariar fundos para a estátua do Infante na cidade onde nasceu.
Desenhados por José Veloso Salgado, tendo sido os selos de 5 e 100 reis litografados em folhas de 100 e os selos de 150 e 1000 reis gravados a talhe doce e impressos em folhas de 25, estes trabalhos foram efectuados em Leipzig, por Giesecke & Devrient. O papel é levemente pontinhado em losangos e denteado a 14.
Circularam durante dez dias – de 4 a 13 de Março de 1894 – no Continente e nos Açores com sobrecarga “Açores”. Para serem obliterados, desenhou-se um carimbo especial com os dizeres “1394 – CENTENÁRIO – 1894”.
Desta emissão fizeram-se 60 exemplares, distribuídos pelas estações postais das capitais de distrito. Mas esta série não teve a saída que se esperava e, dos 3 676 269 selos postos à venda no Continente, só 1 066 115 foram vendidos, queimando-se na Casa da Moeda os restantes!

(baseado no texto de Carlos Kulberg)



Biografia do Infante D. Henrique


É, sem dúvida, a figura mais universal da história de Portugal, sendo frequentemente identificado com a Expansão quatrocentista.
Quinto filho de D. João I e de D. Filipa de Lencastre, D. Henrique nasceu no Porto a 4 de Fevereiro de 1394 tendo vivido a transição entre duas épocas. Uma, a Idade Média, onde as motivações guerreiras e religiosas prevaleciam e uma Idade Moderna onde os valores Renascentistas prevaleciam.
Esta dicotomia vai reflectir-se na personalidade do nosso Infante, que se torna um homem exemplar com um gosto imenso pelo estudo, destemido na guerra, obstinado nas decisões, casto e abstémico.
Fisicamente, o Infante D. Henrique é-nos retratado com um grande chapelão bolonhês, cara pensativa, cabelo e bigode aparados embora outras figuras nos apareçam por exemplo na estátua dos Jerónimos onde surge de cabeça descoberta e longos cabelos e barbas. No seu túmulo na Batalha, a sua estátua mostra um homem de rosto cheio e cara totalmente rapada. Agora qual destas imagens corresponde à verdadeira, é uma incógnita.

(Baseado em “Nova enciclopédia Larouse vol. 12)

Este envelope com moeda do Centenário do nascimento do Infante D. Henrique, apresenta-o de duas formas.
A primeira – o selo – que embora vendo-se mal, nos mostra o chapelão bolonhês. Na moeda, o Infante com a cabeça descoberta.




Porque no passado dia 10 se comemorou em Portugal o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, não quis deixar de prestar homenagem aos Navegadores portugueses que se meteram mar dentro, no Desconhecido para descobrir novas terras e levar a Fé e a Língua Portuguesa a povos que nem sequer sabiam se existiam.
Foi com os Navegadores portugueses que o Mundo ficou conhecido. Provou-se que a terra era redonda e conheceram-se os Oceanos.
Aos Portugueses espalhados pelo Mundo, aos países que os acolheram e aos Países de Língua Oficial Portuguesa, deixo aqui a minha homenagem.
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segunda-feira, 9 de junho de 2008


Em 43 anos de atividade a TV Globo construiu uma história de qualidade e influências sociais, em todos os sentidos, sejam bons ou maus. O poder da emissora é tão grande que quem a elogia está sujeito a severas críticas, gerando desconfianças de que ela está por trás das intenções ou que o elogio é interesseiro. Chega a ser proibido defender a Globo e obrigatório criticá-la.

Estou vivendo este dilema agora. Elogio a Rede Globo pela qualidade técnica de sua imagem, de suas produções, especialmente as novelas (nem todas) e seu jornalismo, incluindo as competentes coberturas esportivas, além da importância que ela obteve dentro da sociedade. Mas a critico pelo nível de alguns programas e pelo privilégio que ela dá aos telespectadores de São Paulo, estado que concentra todas as suas concorrentes, quando deveria ser a porta-voz do telespectador do Rio de Janeiro, onde nasceu.

Mesmo com a forte divulgação que já tem, a Dica da Segunda desta semana é o seu novo projeto na internet: o portal Memória Globo. O site foi produzido para se tornar um banco de dados da história da emissora de televisão fundada em 1965, no Jardim Botânico. Contém verbetes referentes ao perfil dos seus programas, telejornais, atores, apresentadores, jornalistas, grandes coberturas jornalísticas, entre outros. É uma enciclopédia online. Há também vídeos com depoimentos de profissionais da casa (alguns muito piegas) e coberturas jornalísticas, principalmente de casos que se tornaram polêmicos como o da Proconsult (a empresa de computação da apuração dos votos das eleições de 1982 para governador no Rio), as greves da Companhia Siderúrgica Nacional em Volta Redonda, a cobertura das Diretas Já e a edição do debate presidencial de 1989 entre Collor e Lula. Casos mais antigos como o da concessão para as organizações Globo, que teria sido facilitada pelo apoio do grupo à ditadura militar, e a parceria com o grupo norte-americano Time-Life são documentados apenas por reproduções de jornais.

No entanto, por ter estreado apenas no último sábado, muitas páginas ainda não estão prontas, o que se espera que sejam finalizadas rapidamente, pois o portal é muito interessante e terá grande finalidade nas pesquisas históricas. Peca apenas por não ter um índice remissivo de vídeos.

Antes que me critiquem por essa dica quero esclarecer que me disponho a divulgar trabalhos importantes de outras emissoras e pequenos projetos culturais.

www.memoriaglobo.com.br
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domingo, 8 de junho de 2008

Por Ed Santos



Fiquei só espiando. Ele estava já há uns vinte minutos ali a dormir. Tinha ido ao centro de manhã e como era sábado, encontrou alguns amigos pela rua. Foram comer alguma coisa e depois é isso aí que eu vejo.
Lógico que devem ter tomado aquela cachaça “braba” que cheira forte e de longe se sabe até quanto tempo ela ficou envelhecendo. Ele é extremamente metido à besta, e quando acordar vai dizer: “beber cachaça é uma arte, não é como tomar pinga no boteco!”. Essa eu já ouvi várias vezes.
Ele chegou suado da rua e foi pra sala. Tirou só um sapato. Colocou o pé direito na almofada e o esquerdo ficou no chão. Nem percebeu que o pé que estava calçado era o que estava na almofada. Desabotoou a camisa e ligou a televisão. Antes do intervalo, já estava roncando. Os meus amigos lá fora devem viver pensando em como eu consigo habitar debaixo do mesmo teto que esse escroto de barriga grande. Eles não sabem que o sacrifício é muito maior do que imaginam. Esse apartamento fede!
Ele continua lá roncando. Agora, uma indelicada e intrigante baba escorre-lhe a boca. A cena é patética e ponho-me de costas, recusando-me infinitamente a compartilhar com aquele momento ordinário e caótico. Mas não tem jeito, volto a olhar.
O ócio do moribundo naquele cenário é uma tortura. Como posso aceitar essa inconveniência? Já já ele começa a esvaziar os intestinos. Tudo aqui é nojento, cheira a mofo. O que fazer pra manter a minha dourada veste imune a todas essas interferências aromáticas? Aquilo tudo impregnava qualquer coisa, ainda mais minha roupa, tão bela, da cor da gema do ovo.
Segundo ato. Um novo personagem vem enriquecer a cena. O zumbido de uma abelha interrompe aquele apagão, e seu pouso certeiro é fundamental para resgatar o barrigudo babão à luz.
Como um caracol, se rasteja até o controle remoto que havia deixado sobre a outra poltrona e muda o canal. Para num programa desses que falam sobre a natureza, animais, etecetera, e me olha, enfim. Do alto da minha ingenuidade tento um contato, um único contato quem sabe. Talvez ele ao menos sorria neste fim de tarde quente de sábado. Qual nada! Ele fez foi gritar comigo: “Canta canário de merda!”. Todo sábado é assim. Quando vejo ele daquele jeito, fico triste e não canto.
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sábado, 7 de junho de 2008

Por Gustavo do Carmo

Hoje é aniversário do meu pai. Por isso, vou homenageá-lo falando de futebol e reprisando uma crônica publicada no Dia dos Pais do ano passado, na qual tentei explicar porque eu torço para dois clubes aqui no Rio de Janeiro: Flamengo e Botafogo.

Sempre fui daquelas crianças que "viravam a casaca”. Ainda não entendia de futebol, mas queria torcer de qualquer maneira por um time. Só que, indeciso, mudava de time a cada semana. Já torci até para o Cruzeiro, sem saber que ele era de Belo Horizonte e de outro estado. Minha mãe comprou uma camisa do clube mineiro, daquelas da coleção da Hering. Depois, com um pouco de influência da minha mãe e da televisão, que dava grande destaque a boa fase do Flamengo no início dos anos 80, decidi torcer para o rubro-negro. Mas, logo depois, dizia que torcia para o Vasco, para o Fluminense e, depois de algumas conversas com o meu pai, virava botafoguense doente como ele.
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sexta-feira, 6 de junho de 2008


Por Dudu Oliva

1) O que são os minicontos?
Se o Conto é definido como uma narrativa breve e concisa, contendo apenas uma ação, geralmente limitada a um ambiente e com um número restrito de personagens, seria simples pensar que um miniconto seria apenas um conto pequenino. No entanto, ao contrário, o microconto não é nada fácil pois pede que o autor saiba narrar um episódio em sua totalidade, de forma concisa. Há que existir, como na vida, cenário, significado, personagens, mas, sobretudo, independência e unicidade, e ainda um espaço aberto... o miniconto tem futuro ! rss!O subtexto, espaço para a imaginação do leitor, é o que mais me encanta neste tipo de literatura, pois a brevidade em si não é um valor, mas a possibilidade de deixar espaço para a imaginação do leitor. O miniconto não é um circuito fechado, ele está aberto para a percepção única de cada um que o lê.

2) Como este estilo se adequa ao mundo de hoje?
A escrita breve, sucinta não é coisa nova e vamos falar, também sobre isto neste evento mas, nos dias de hoje a concisão é o elemento mais desejado da comunicação. Tudo pede para ser rápido eficaz e ocupar pouco espaço. Pessoalmente, acho que a humanidade tende a se comunicar de forma cada vez menos verbal. A melodia e a imagem parecem ser mais universais e reduzem ainda mais as fronteiras. Então, a comunicação verbal ficaria muito pobre se não a exercitarmos de forma rápida, curta mas, de preferência, mantendo a graça e a beleza, sem a frieza das formas técnicas.

3) Por que resolveu promover este evento no Espaço Sesc?

Comecei a perceber que em algumas cidades do mundo, como Lisboa, Barcelona, Buenos Aires e, em alguns estados brasileiros, como São Paulo e Rio Grande do Sul, o movimento para criar, estudar e pensar os minicontos tem possibilitado grupos de estudo, encontros e publicações. No Rio de Janeiro isto ainda é muito incipiente e, como me ressinto com o fato da cidade ter abandonado seu destino cultural, tive esperança de acordar o carioca para este processo criativo. O Espaço Sesc é um lugar único no Rio e nos deu todo o apoio para realizar este desejo.

4) Há critérios para escrever um miniconto?
Como o ser humano tem a tendência para "normatizar e classificar" tudo, muitos já teorizam a respeito e tentam enquadrar os minis em várias categorias segundo numero de palavras e de toques. Quando comecei a escrever desta forma, creio que no ano 2000, havia um site chamado Falaê. Ali, havia um desafio chamado 300 toques onde os contos deviam ser escritos com este tamanho, incluindo os espaços. Acho que se pode escrever microcontos, minis e até nanocontos desde 50 letras até 600 caracteres mas, se não houver uma história criativa com muitas possibilidades em aberto, não se desperta, no leitor, esta coisa mágica que é a parceria dele com as possibilidades impensadas até pelo próprio autor.

5) Dois escritores gaúchos irão conversar no Espaço Sesc em Copacabana sobre os minicontos, conte um pouco sobre eles.
Escolhi chamar escritores gaúchos porque Porto Alegre é o lugar onde os minicontos mais e melhor se desenvolveram até então. Laís Chaffe e Marcelo Spalding são dois escritores do grupo Casa Verde, que trabalham em prol da boa literatura. Laís Chaffe está à frente da editora de mesmo nome, que tem publicado livros de minicontos, da coleção Lilliput.Marcelo Spalding acabou de defender sua tese de mestrado sobre minicontos e também é responsável pelo site Veredas, onde irá publicar os contos escritos pelos participantes da oficina do dia 14 de junho dentro deste evento do Espaço Sesc. http://www.casaverde.art.br/
http://www.artistasgauchos.com.br/veredas/
Além destes escritores empolgados com os minicontos, vou abrir o evento no dia 12 como enamorada que sou por estas histórias tanto desafiadoras quanto divertidas e ainda conto com a participação do Roberto Oliveira, enciclopédico pesquisador, que vai nos dar um apanhado dos textos curtos na literatura ao longo do tempo. Espero que este evento seja muito construtivo, criativo e, acima de tudo, bastante divertido.
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Angela Schnoor, idealizadora do projeto Minicontos e muito menos, no Espaço SESC - Rio de Janeiro. http://idealiapolaris.blogspot.com/
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Fiz uma outra entrevista com o jornalista e advogado Mhário Lincoln:
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quinta-feira, 5 de junho de 2008




Uma Mostra Filatélica, é uma exposição de colecções de selos aberta ao público em geral.
Cada coleccionador, apresenta o tema com que vai concorrer, é feito um catálogo da Mostra e podemos encontrar os mais variados temas expostos em vitrinas verticais.
Ora, no passado mês de Maio, entre os dias 17 e 30, decorreu na vila da Pampilhosa – situada na região centro do País – a 16ª Mostra Filatélica do Núcleo desta vila.
Houve a edição de carimbo comemorativo dos CTT e sobrescrito emitido para o efeito. Do catálogo desta Mostra, pode saber-se que os dinossauros também povoaram a Terra há muitos milhões de anos, e que filatelicamente, esta temática está pouco representada em Portugal. Este carimbo emitido pelos CTT a partir de uma proposta do Núcleo, vem contribuir para o desenvolvimento desta temática em Portugal. De autoria do Biólogo, Ilustrador científico, Designer, Fernando Correia natural daquela vila, representa o lagarto alarmante.
É enorme a importância deste carimbo, pois deverá ser o único emitido em Portugal.
Estas mostras são muito importantes, pois vivemos hoje numa sociedade onde as novas tecnologias são dominantes e, escrever uma carta, colocar-lhe um selo e pô-la no correio, está a tornar-se uma raridade. O Correio Electrónico é muito mais rápido e prático neste sentido.
Assim, há que alertar sobretudo os mais jovens, sensibilizá-los para a questão do Coleccionismo, nomeadamente da Filatelia, pois começam a rarear os filatelistas e o selo poderá vir a cair em desuso.
Não vamos pois deixar que isto aconteça. É necessário que este Hobbie perdure, passe de geração em geração, e não fique só nas mãos daqueles que desde sempre tiveram as suas colecções e um dia as deixarão aos seus filhos.
Darão eles continuidade?
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terça-feira, 3 de junho de 2008




Booooba!
Por Gustavo do Carmo

Quando chegou ao mercado brasileiro em 2006 a Fischer América criou para a versão brasileira da tradicional cerveja mexicana um filme em que balões representando desejos brotavam da cabeça das pessoas. Esses balões tampavam o sol e só a abertura de uma cerveja Sol os estourava e devolvia o brilho do astro-rei.

Já naquela época eu comentei no Tudo Cultural do Blog-se (reprise atualizada abaixo) que o nível do comercial estava acima da cultura do público-alvo e exigia atenção para ser compreendido. Mas tinha qualidade, tanto na idéia quanto na trilha sonora. Em seu primeiro verão a Fischer criou a campanha "Vamo aí!" com o ator Henri Castelli. Já era adaptada aos potenciais consumidores: com mulher bonita de biquíni na praia e muita festa.

No ano passado a Femsa, dona da marca, lançou a Sol Shot, uma embalagem que promete manter a cerveja gelada por mais tempo. Naturalmente, o investimento na divulgação foi alto, o que acabou transformando a Shot no carro-chefe da marca e, ultimamente, representante da Sol na mídia. Mais uma vez a Fischer usou o humor como mote da campanha. As mulheres de biquíni e a roda de amigos não faltaram. Mas agora só aparecem no final, reforçando o bordão do comercial: "Gelaaaada!".

Pena que o humor não foi bem utilizado. A finalidade do novo produto deve ter congelado não só a sede do público, o rapaz e as duas meninas que aparecem no final do vídeo como também os neurônios dos publicitários. Uma campanha que poderia ser engraçada acabou se tornando boba demais. Começaram com um único filme, mas neste ano, lançaram mais dois.

O primeiro mostra um meteorologista de cabelos desgrenhados explicando a causa das altas temperaturas em uma palestra entediante. Até que um braço mecânico desce com uma garrafa de Sol Shot coberta de gelo. O tal professor com cara de louco, que havia acabado de dizer quente, toca na garrafa e grita "Gelaaaaada!". Então entram as meninas congeladas e a galera cantando o slogan.





No segundo, um casal está sentado numa praça, fantasiado de bicho de pelúcia, o que sugere que tenham encerrado o expediente em alguma festa infantil, quando a mulher reclama com voz estridente que a relação dos dois está esfriando. O mesmo braço mecânico desce e o homem diz o slogan. Parece a mais normal, mas é a com diálogo mais complicado e o som mais abafado, quase inaudível. A terceira beira a idiotice: um rapaz pedala numa engenhoca que mistura bicicleta ergométrica com ventilador e uma idosa reclama insistentemente "Calor! Calor! Calor!". Até a garrafa descer e a senhorinha gritar: "Aaaai! Gelaaaada!". Tem gente que acha engraçado, mas eu acho deboche. No final das duas o mesmo encerramento do filme da palestra que, a princípio, lembra um antigo comercial da batata Ruffles em que o palestrante falava de fissura.

A Sol Shot foi criada para ser gelaaaaada! Por conseqüência a campanha para ser engraçaaaaaaada! Mas acabou se tornando boooooooooba!
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Texto publicado em 22 de outubro de 2006 em http://www.tudocultural.blog-se.com.br/blog/conteudo/home.asp?idBlog=13113&arquivo=mensal&mes=10&ano=2006

As campanhas de cerveja continuam trabalhando para emburrecer ainda mais o consumidor, com exceção da Skol Lemon e da novata Sol.

Antarctica - Continua usando e abusando da sensualidade da atriz Juliana Paes, que agora ganhou um bar exclusivo: o BAR DA BOA, com garçonetes de roupas justas e decotadas. É mais uma ação de marketing (que será usada realmente em breve) do que um comercial. O primeiro filme é a apresentação do bar. Já no segundo, a imbecilidade é total com os freqüentadores batendo na mesa para cair a última gota de cerveja e depois torcem para que caia a camisa tomara-que-caia da "dona" Juliana. Ridículo. Nota atualizada: Não é que o filme voltou a ser exibido?

Nova Schin - Criou o bem bolado "Ou seja, cerveja", mas nada de cultural acrescenta à sociedade. O filme apresenta diversas figuras e frases contraditórias como a bela mulher (ser daqui), o extra-terrestre (ser de fora), o cara-de-pau que pega a cerveja do bêbado (ser alto), cuja atitude é ser baixa, o bonitão que tem uma pinta grande (ser boa pinta), uma outra mulher bonita, que está de costas (ser do contra), o homem magro e atencioso (ser gente-fina), o tímido (ser assim) e finalmente a loira bronzeada (ser assado). É engraçado de tão ridículo. Atualização: Foi substituída pela campanha "Pega Leve". Primeiro com a cantora Ivete Sangalo. Atualmente usando o estresse com humor.

Sol - A famosa marca mexicana está sendo fabricada no Brasil como uma cerveja popular e concorrer com Nova Schin, Antarctica, Skol, etc, substituindo a Kaiser, que será uma Premium. A campanha criada pela Fischer, que há dois anos fez Zeca Pagodinho trair a Brahma para cair no bordão "Experimenta", está muito acima do público que consome as potenciais concorrentes. Quem vê os balões brancos surgindo na cabeça das pessoas e cobrindo o céu, a princípio não entende nada. Mas é preciso prestar atenção para perceber que os balões são os desejos não realizados que se espalham pelo ambiente e cobre o Sol, além de ser uma indireta contra a Brahma, que dizia refrescar pensamento.

Skol Lemon - É a mais bem produzida das campanhas de cerveja, com uma avalanche de limões invadindo a fábrica. Não tem sido mais exibida.
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domingo, 1 de junho de 2008

Por Ed Santos


Domingo passado fui à feira, e havia um cara vendendo plantas numa banca. Algo diferente para quem sai de casa pensando em comprar frutas, verduras, peixe, e comer um pastelzinho. Rosas, flores de vários tipos e cores, árvores frutíferas e as tais leguminosas. Ao passar em frente àquela banca, ouvi alguém comentar que o dia da árvore era comemorado em 21 de setembro por ser próximo ao início da primavera.

Pensei nessa coisa de meio ambiente, reciclagem, preservação, etc., e percebi a real importância da natureza em nossas vidas.

Vejam bem, não que eu seja um idealista, ou um modelo e exemplo de cidadão, mas acho que me senti importante pra natureza, assim como ela é pra mim. Sou importante sim. Do meu jeito, preservo a natureza. Não lavo a calçada com a mangueira, deixo juntar várias peças de roupa pra lavá-las de uma vez, não demoro no banho, e procuro fazer coleta seletiva de lixo. Procuro ser responsável, e faço pelo menos a minha parte.

Sejamos justos: nossos atos são tão importantes pra natureza, quanto ela é importante pra nós. É uma troca. E não vá pensando que estamos em situação confortável. Não estamos. Vejam só a importância do dono da banca de flores. Já pensou se ele não tivesse as flores pra vender? Independente do motivo, um é importante pro outro e isso inclui as outras pessoas também.

E quando você dá flores pra sua namorada ou pra sua esposa em datas festivas? Também não é importante pra elas? (Nesse caso, não. Na realidade é mais importante elas receberem flores em qualquer data, e sem qualquer motivo.)

- Amigo, gostaria de presentear minha esposa, o que você sugere?
- Do que ela gosta?
- Ora, de flores em geral. Mas não queria levar um desses ramalhetes com uma dúzia de rosas vermelhas. Muito “brega”.
- Ah, tá. É alguma data especial?
- Não, apenas quero presenteá-la.
- Poxa! Muito difícil dar flores pra alguém sem motivo nenhum.
- É que minha esposa é muito importante pra mim. E eu quero vê-la mais contente. Sempre.
- Ah, tá! Olha, o que acha desse copo-de-leite aqui?
- É lindo, né? Quanto custa?
- Pro senhor vou fazer um precinho camarada.
- Obrigado amigo. Vou levar.
- Faço um arranjo com essas fitas aqui?
- Sim. Pode fazer.
- E um cartão, quer?
- Legal. Escreve aí: “Para minha eterna flor, com carinho. Beto.
- E o nome dela no envelope, não vai por?
- Sim. “Para Margarida”.
- Margarida? Ela tem nome de flor.
- Por isso que ele é minha eterna flor!
- Ah, tá.

Comprei a planta, e levei-a pra casa. Minha mulher adorou, lógico. Tivemos um dia maravilhoso. Se não tivesse encontrado a tal banca na feira, talvez não teria tido um dia como aquele.

Quando a gente se preocupa com o outro, temos o mesmo em troca. Somos energicamente ligados e tudo o que fazemos, recebemos de volta. Com a natureza não é diferente. Eu procuro fazer minha parte, não maltratando a natureza, e ela me retribuiu com aquele copo-de-leite. Então, que tal se nós cuidássemos mais dela? Se nós fizermos isso, com certeza ela vai cuidar mais da gente. Aí nossos filhos quando estiverem adultos e irem à feira, poderão trazer um copo-de-leite pra quem eles gostam. Poderão ainda ter nos olhos o reflexo da beleza das flores quando chegar a primavera...
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