terça-feira, 24 de julho de 2018

Jorge e o visitante – Parte 4



Jorge estava sentado na beira da cama. O alien ao seu lado balançava as perninhas batendo no colchão fazendo um barulho estranho. Jorge quebrou o silêncio.


“Não... Não, não, não. Isso não é possível. Não pode ser. Você é real? Mas você sumiu quando eu comecei a tomar os remédios.”

“Bom, eu não queria que você surtasse de novo. Se você começasse a dar pitis lá no hospital aí é que você não ia sair mesmo.”

Humm... Então eu sou... Um campeão? Como um soldado?”

“Mais ou menos. Você é um dos soldados que será a linha de frente contra essa raça alienígena.”

“Ah...”, disse Jorge fracamente.

Tudo aquilo era muita coisa para aceitar. Na verdade ele passou os últimos meses tentando fugir daquilo que ele pensava ser apenas uma alucinação. Mas não era. Não era mesmo. E essa ideia era tão louca quanto a de que ele estava louco. Era muita coisa.

Uma raça alienígena querendo invadir o planeta, o recrutamento de soldados para o combate pela Terra, e ainda ali no Brasil. Quer dizer... Ficção-científica geralmente acontecia nos Estados Unidos nos filmes. De preferência em Nova Iorque, não é mesmo?

Mas aquilo não era um filme. Era sua vida. E se ele se recusasse?

“Por que eu?”

“Porque sim.”

Jorge franziu o cenho. Aquilo não era resposta suficiente.

“Olha, Jorge, você não é o único. Centenas de humanos foram selecionados para isso. Eu não sei o motivo por que você foi escolhido. Não é o meu departamento. Mas você foi, então tem alguma coisa que te faz mais apto a defender o seu planeta.”

O homem então olhou para baixo. Colocou os cotovelos sobre os joelhos, pensativo.

“E se eu me recusar?”

“Como é que é?”

“Se eu me recusar, não fizer nada?”

“Me dá a sua mão.”

Ele colocou a mão perto do alien. Ao ter sua pele encostada na dele, milhões de coisas passaram por sua cabeça. Viu diversas imagens horríveis. Um futuro horrível. Um futuro onde não seria possível viver. Jorge ficou catatônico. Perdido por alguns minutos, sem saber o que fazer.


Quarta parte do conto de Lucas Beça

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