terça-feira, 7 de março de 2017

Quem é você?


Tum, tum, tum.


O Cowboy parou na frente da porta do bar. Um trabalhador malcheiroso da mina de carvão passou por ele. A portinhola ainda estava rangendo, para dentro e para fora. Ele entrou. Passou por uma mesa onde um grupo de idiotas jogava cartas. Estavam bebendo e fumando.  Em seus coldres pistolas impunham medo nos pouco preparados. O cowboy não era um desses.


Uma prostituta aproximou-se dele, enquanto sentava-se na banqueta de frente para o balcão.

“Olá, garanhão. Está com vontade de se divertir essa noite.”

Ele não respondeu. Talvez se a ignorasse ela o deixaria em paz. Ele só queria uma dose e uma boa noite de sono antes de sair daquela cidade medíocre.

“Uma garrafa da melhor bebida que tiver.”

“Tem certeza?”, perguntou indignado o barman. “São mais de...”

O cowboy tirou duas notas grandes e jogou em cima do balcão. O atendente foi logo pegando as notas antes que o forasteiro mudasse de ideia. Pegou um copo de vidro e colocou ao lado da garrafa.

A prostituta continuava a estudar o cowboy. Tinha um belo corpo e seria uma noite muito boa. Não era como aqueles velhos que ela costumava atender. Talvez até desse um desconto.

“E então, cowboy? Vamos lá pra cima pra ver...”

“Não enche!”

Ele pegou a garrafa e o copo e foi em direção à janela do lado oposto do estabelecimento. A moça não poderia perder a oportunidade. A porta rangeu novamente e um velho bonachão entrou. Ela passou a mão no pescoço do cowboy.

“Espera aí garotão!”

Ele virou-se e segurou a prostituta pela mão. Apertou com força.

“Eu já disse. Não enche.”

Ela deu uma risada quando ele a soltou. Continuou a andar. Ela tentou novamente. O cowboy deu-lhe um empurrão de leve. Ela não se machucou, mas foi o suficiente para que todos que estavam ali no bar levantassem. Alguns até colocaram a mão nas pistolas. Um dos que levantaram apontou o revolver para o forasteiro.

“Quem você pensa que é, hein? Quem é você pra vir aqui bater nas nossas mulheres? Essa aí é a minha preferida, se machucar ela...!”

O cowboy aproximou-se daquele que estava apontando a pistola para ele. Ele levantou o chapéu e estudou o homem. Cheirava a bebida barata.

“Quer saber quem eu sou? Hã? O que quer saber? O meu nome? O que eu faço pra pagar as contas? Pra quem eu trabalho? Se eu trabalho? Hã? Vamos, diga!”  

Ele aumentava o tom de voz a cada palavra.

Quando tirou o revolver do coldre o homem se assustou. A prostituta se encolheu de medo. O forasteiro apontou a arma para a parede. Havia algumas folhas gastas, com os dizeres Morto ou vivo pregadas na parede.

Ele deu um tiro na cabeça de um desenho parecido com ele. Todos se abaixaram. Ele colocou a pistola no coldre novamente e fixou o seu olhar no homem. Ele colocou o copo e o encheu com o líquido que acabara de comprar.

“Isso responde à sua pergunta?”

Ninguém ousou responder.

Ele estendeu o copo para a prostituta. Ela pegou com as duas mãos por medo de deixar cair por conta da tremedeira.

“Desculpe se fui um pouco rude. Situações assim me deixam um pouco nervoso.”

Ele ajeitou o chapéu novamente e saiu do bar bebendo direto da garrafa.


Na folha com o rosto dele estava o pistoleiro mais caro do Oeste.

Apenas O Cowboy.


Conto de Lucas Beça

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