sábado, 15 de agosto de 2015

TUDO NA CABECEIRA - O QUE EU JÁ LI: PARC' ROYAL

TEXTO E FOTOS: GUSTAVO DO CARMO E REPRODUÇÃO DO YOU TUBE (FOTO DA AUTORA)


No final de 2013, li no caderno Prosa e Verso, do jornal O Globo, uma matéria sobre o livro Parc' Royal - Um Magazine na Belle Époque Carioca, de Marissa Gorberg, editado pela G. Ermakoff. Já em janeiro do ano seguinte, "me dei" o livro como presente de Natal atrasado. 

O título conta a história do Au Magazin Parc' Royal, uma ampla loja de departamentos administrada pelo imigrante português José Vasco Ramalho Ortigão, filho do escritor José Duarte Ramalho Ortigão, que funcionou no Centro do Rio de Janeiro entre os anos de 1873 e 1943, quando foi destruída por causa de um incêndio. 


O Au Parc Royal, que funcionou na maior parte do tempo no Largo de São Francisco, mas teve uma filial na avenida Central (hoje Rio Branco), inovou, não só por vender produtos dos mais diversos segmentos do varejo e dividi-los em departamentos, como também por demarcar um preço fixo, vender por catálogo, criar anúncios de oportunidade, atender ao universo infantil e valorizar o culto à beleza e sedução feminina, entre outros. Trouxe para o Brasil um conceito que já existia (e existe até hoje) na Inglaterra em lojas como Harrod's e Selfridges (cuja história recentemente virou minissérie na TV a cabo). 

A Mesbla, a mais famosa loja de departamentos que os brasileiros têm lembrança, foi inaugurada em 1912, como filial da francesa Mestre et Blatgé, e concorreu com o Parc Royal por alguns anos. Assim como a também finada Casa Sloper. Hoje, o conceito da Parc Royal está presente, em menor tamanho, em lojas como Americanas, Leader Magazine, Renner, Riachuelo, CeA, Wal Mart e Carrefour (por que não?). Os atuais shopping centers têm ocupado o lugar das lojas de departamentos, mas a catarinense Havan (sem querer fazer propaganda), está tentando trazer este conceito de volta. 

Bem, voltando à resenha, Parc Royal é um livro sofisticado (tem formato 23x28 cm, capa dura, miolo com papel brilhante, muitas fotos antigas e ilustrações, lombada com acabamento de linho e gravação dourada em estampa quente) e caro (comprei por algo em torno de 80 reais, mas hoje já está custando R$ 99). É mais fácil de achar na Livraria da Travessa e livrarias mais refinadas. 

Impresso na China em 4 cores com design de Victor Burton, é um livro de arte, para ficar exposto na mesa de centro. Aqui em casa está na estante da sala. Andava até meio esquecido, pois eu ainda estava lendo outros livros. Lia aos poucos, enquanto esperava o meu computador inicializar e se conectar à internet.

A autora Marissa Gorberg

Por se tratar uma extensão do projeto de mestrado em História, Política e Bens Culturais, que a autora Marissa Gorberg defendeu na Fundação Getúlio Vargas, tem toda aquela introdução com linguagem acadêmica, repleta de dissertações sócio-econômicas. Já o resto do livro foca mais na moda e no comportamento (especialmente feminino) nos setenta anos em que o Parc Royal existiu do que na sua história, concentrada no primeiro capítulo.

A extinção do Parc Royal foi relatada logo no encerramento do primeiro capítulo, o que esfriou a curiosidade da leitura, e também no posfácio de Alberto Dines. Pelo menos o livro é enriquecido com fotos do interior da loja (de autoria de Augusto Malta) e reproduções dos anúncios, muitos deles uma verdadeira obra de arte. Para os estrangeiros há um apêndice com todo o texto (sem as fotos, pois suas legendas já eram traduzidas no decorrer do livro) em inglês.



Avaliação
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Autor: Marissa Gorberg
Design: Victor Burton
Gênero: História
Ano de edição: 2013
Págs: 190
Formato: 23 x 28 cm
ISBN:   9788598815275
Preço: R$ 99

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