terça-feira, 7 de julho de 2015

A ARTE DE SER

Mini-Crônica de Weverton Galease

MAYWEATHER E NADAL
SÍMBOLOS DO BOXE VS TENNIS

Imagem retirada de bansheemann7.com 
Quando acaba uma partida de tênis, os dois jogadores mal se falam. Trocam aperto de mão ainda chispando de ódio. 

Já no boxe, após socarem-se, inchados, sangrando, abraçam-se efusivos. Há afeto no abraço, reconhecimento - quase sempre - do talento e coragem alheios. Entre dois homens que se enfrentam fisicamente, após o máximo de tensão e raiva, surge admiração, o respeito, brota a amizade. 

O tênis é ao mesmo tempo o mais violento e o mais civilizado dos desportos. É tão violento, que se transformou no mais distinto e elegante. São 2 horas de uma pancadaria como não há outra em qualquer desporto. Dois seres humanos, com um tacape nas mãos, esbordoam uma bola com energia potente, por horas. É jogo silencioso. Olhar de lince, ação de espreita, jogo limpo, cada qual em seu território, nenhuma promiscuidade física, os debatedores olham-se ao longe, não se misturam, não se roçam, não sentem o cheiro do outro, tudo, sempre, civilizado, anti-séptico, vestidos de branco, toalha para o suor. E, no entanto, odeiam-se talvez porque jamais consegue transformar a raiva em atrito real, confronto entre forças físicas em choque. 

No boxe, o oposto. Luta dramática, agônica, a resistência em seu limite, abraços, baba, suor, sangue, cuspe, cheiros, a um passo da humilhação pela queda, a derrota patente, o cansaço, a superação, força, técnica e resistência misturadas, exaustão, estresse e o enorme orgulho, ao final, de haver logrado superar não o adversário, mas, sobretudo a si mesmo.

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