Livraria Cultura

sábado, 12 de junho de 2010

SEXO EXPLÍCITO


Por Gustavo do Carmo

Ivan esperou vinte e cinco anos para conhecer Mislaine e perder a sua virgindade. E tirar a dela também. A primeira vez do casal foi em um motel. Descobriram como era bom o prazer do sexo. Já namoravam oficialmente há seis meses quando tiveram a primeira conjunção carnal.

Foram apresentados às respectivas famílias dois meses depois da iniciação. Primeiro aos pais da moça. Era um sábado de sol. Almoço de família. Ivan conheceu também os tios e os avós maternos de Mislaine. Todos ficaram encantados com ele. À noite, quando os parentes foram embora e todo mundo estava preparado para dormir, Ivan e Mislaine, acomodados no mesmo quarto pela mãe da menina, sentiram um clima durante o beijo de boa-noite e transaram pela segunda vez.

Na semana seguinte, foi a vez de Mislaine conhecer a família do namorado. Os pais gostaram da menina, mas não demonstraram a calorosa receptividade que o filho recebeu na casa da namorada. Mesmo assim, transaram pela terceira vez, na cama de solteiro de Ivan. Tendo a presença da irmã Marian, que dormia na outra cama.

Ivan e Mislaine começaram a perceber que bastava os dois ficarem a sós para se relacionarem. Um desejo tão forte e avassalador despertava em ambos. 

Semanas depois, na casa de Ivan, ele recebeu os tios que moravam no interior de Minas. O casal apaixonado terminou o jantar e, fugindo da conversa chata da visita, foi descansar no quarto. Ouviram música romântica juntos, compartilhando o MP3 de Mislaine. O clima esquentou. Transaram de porta aberta, exatamente na hora em que os tios estavam indo embora. A senhora de setenta e quatro anos, tia de Ivan, abriu a porta e encontrou o sobrinho nu, possuindo a namorada que urrava como uma leoa. Envergonhada, a mãe do rapaz chamou o filho furiosamente enquanto a velhinha, disfarçava apenas com uma bondosa frase:

— Não incomoda eles, não.

O grito da mãe o fez voltar para a realidade. Então, se ofereceu:

— Desculpa, tia. É que pintou um clima e nós não resistimos. Eu abro a porta lá embaixo para a senhora.

— Não precisa, Ivan.

O casal foi duramente repreendido pelos pais do garoto, que repetiu a justificativa que dera para tia e prometeu não fazer mais sexo fora de hora. Não conseguiram cumprir. Dias depois, fizeram sexo na casa de Mislaine. Na sala. Na hora do almoço. Em cima da mesa. Ivan foi expulso a pontapés pelo pai da moça, que assumiu a culpa pela cena constrangedora, que continuava em todas as reuniões familiares. Desde um simples encontro na casa de Ivan até a festinha de aniversário de dois anos do priminho de quarto grau de Mislaine.

O tesão exagerado do casal tornou-se um grande problema. Uma patologia. Para os seus familiares. Porque os dois queriam mesmo era curtir. Intimidade já não existia mais. A relação só tinha graça se tivesse mais e mais testemunhas.

O pai de Mislaine arrumou uma terapeuta. Logo na primeira consulta, o clima esquentou e transaram loucamente no consultório. A psicanalista assistiu a tudo, incrédula e espantada. Na segunda sessão, já se masturbava com as fantasias de Ivan e Mislaine. Na terceira, participou de um ménage-a-trois.

A mania de Ivan e Mislaine de fazer sexo em público agravou-se. Já faziam em todos os lugares. Primeiro no banheiro de aviões e ônibus. Depois no banheiro de discotecas e shoppings, não importando se tinha gente ou não, se era o masculino ou feminino. Com o tempo, passaram a fazer na Praça de Alimentação, no meio do shopping. Até na rua. De preferência, bem movimentada.

Parecia não ter cura esta atração doentia. Foram separados e internados à força. Cada um num hospício diferente. Ivan morreu primeiro, de abstinência. Liberada para ir ao seu velório, Mislaine, aos prantos, beijou o amado. Aproveitou para se despir e curtir o seu último momento de prazer com o ex-namorado. Seria presa por necrofilia se já não estivesse louca e fulminada sobre o caixão.

3 comentários:

Joao Paulo Mesquita Simoes disse...

Gustavo,

Chama-se a isto, "apanhados com a boca na botija". Mas realmente passou a ser doentio.
Bom texto!

Abraços

tela disse...

que coisa de louco

Lina disse...

LIndo texto!