domingo, 14 de junho de 2009

AS HISTÓRIAS DO AMADEU - BARBA II

Por Ed Santos

 

Depois de um tempo me acostumando com o processo de fazer a barba, comecei a pesquisar quais eram as melhores formas para a execução daquele trabalho que agora me acompanharia pelo resto da vida. Usei os mais diversos aparelhos, desde aquela lâmina que corta dos dois lados até o mais atual dos atuais com amortecedores duplos e fita lubrificante.

Tanto tempo fazendo a barba e nunca fiquei satisfeito com os aparelhos que usei. Não sei se é algo que só incomoda à mim, mas todo aquele ritual tem suas mais diversas formas para ser executado. Parece que a gente não consegue fazer sempre do mesmo jeito, e na mesma hora.

Pior que fazer a barba com aparelho com as lâminas cegas são os pelos encravados. Aquilo começa a coçar, inflama e o rosto da gente fica parecendo uma chuteira. Ai então vem as dicas dos amigos. Uma delas é fazer a barba debaixo do chuveiro, que dizem deixar os poros mais abertos facilitando a ação das lâminas. Hoje não faço mais a barba desse jeito porque a gente gasta muita água. Também já usei aquelas espumas de menta, as loções e gel pós barba daqueles que ardem até na alma mesmo a gente não tendo se cortado.

Os cortes, capítulo à parte fazem parte do ato de fazer a barba de todo homem. Quem nunca se cortou pelo menos uma vez na vida fazendo a barba? Pior que se cortar é esconder o corte com band-aid, aquele curativo ridículo que esconde o corte, mas divulga sem escrúpulos que a gente teve um acidente de percurso.

E de quanto em quanto tempo a gente deve fazer a barba? Tem gente que diz que de dois em dois dias é o melhor, mas tem gente que faz todo dia, principalmente por obrigação da profissão. Eu, no início fazia sempre quando os pelos começavam a incomodar e a coçar. Já tentei fazer todo dia também, mas meu rosto ficou feito pimenta. Hoje faço um dia sim, um dia não.

Parece ser tudo muito simples e rotineiro, mas dia desses descobri uma nova forma de fazer a barba. Lavei bem o rosto com água quente, espalhei uma boa espuma refrescante que ganhei da Marilda no dia do meu aniversário, e separei o gel pós barba (o que eu tenho não arde muito não, depois eu falo o nome dele pra vocês) e abri a porta do armário para pegar o meu aparelho. Uso um bem simples, daqueles que fazem o básico, sem muita frescura, mas não encontrei o bendito. Olhei pro espelho e lá tava aquele velhinho de barba branca que a gente pensa que existe e que geralmente aparece em Dezembro. Eu tinha esquecido de comprar o aparelho e tava sem nenhum em casa. Mesmo com o rosto cheio de espuma não me desesperei e vi que na prateleira de baixo havia um aparelho rosa, com cheiro e tudo mais. Nunca havia percebido as características de um aparelho feminino. Não tive dúvida. Fui lá abri o pacote e usei o aparelho da Marilda. Confesso que fiquei com receio em usá-lo, mas diante da situação, eu não tinha outra opção. Então deslizei o aparelho rosa pelo rosto e... Confesso que foi a barba mais bem feita que já fiz na vida.

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