domingo, 30 de novembro de 2008

Mesmo triste com a morte da minha tia Neuza tive forças para comemorar discretamente os 3 anos do Tudo Cultural.

Espero fazer uma festa melhor e mais alegre para comemorar os 4 anos em 2009, com mais convidados.

Meus agradecimentos a participação e votos do Miguel Angel, do Ed Santos e do João Paulo Simões neste dia que era para ser de alegria, mas acabou sendo triste. Obrigado também aos colaboradores que participaram em 2008: Dudu Oliva, Rachel Souza e Alex Giostri; dos convidados Rafael Souza (o pai da Rachel) e Pedro Bondaczuk, que também me convidou para participar do site Literário do Comunique-se, e dos entrevistados Celamar Maione, Carlos Gerbase e Sandro Fortunato.

O Tudo Cultural e sua equipe a partir de hoje entra de férias. Mas darei uma passadinha aqui para deixar alguns contos de Natal e Ano Novo e os meus colaboradores estão convidados a fazer o mesmo. Espero contar com a participação deles, de novos convidados e entrevistados em 2009. Voltamos definitivamente na segunda quinzena de janeiro (talvez antes, talvez depois) com um novo visual e, se der certo, novas atrações, além das tradicionais Dica da Segunda, Resenha da Quinzena e Entre Algumas Linhas.

Um Feliz Natal, um próspero 2009 e até janeiro.

Saudações
Gustavo do Carmo
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sábado, 29 de novembro de 2008





Pediu-nos o Gustavo que hoje, cada um de nós escrevesse qualquer coisa no Blogue de forma a assinalar o terceiro aniversário do Tudo Cultural.
Antes de mais, quero deixar aqui expressos os meus Parabéns ao Tudo Cultural e ao seu criador, Gustavo do Carmo, que tem sabido gerir este magnífico blogue, onde cada colaborador fala sobre os mais variados temas.
É para mim uma honra trabalhar como primeiro estrangeiro aqui.
Gosto da Blogosfera, de escrever, e, por isso, não vou mudar o meu tema. Vou continuar a falar da Filatelia neste terceiro aniversário próximo da quadra natalícia que se avizinha.
Uma outra forma de apresentar a Filatelia, é através de quadros feitos com selos que podemos colocar nas paredes das nossas casas. Foi o que eu fiz com uma emissão de 2004 dedicada ao Natal. A imagem em si, não está muito perfeita devido ao vidro do quadro.
É uma emissão de quatro selos mais bloco, mostrando o caminho de José e Maria, e o bloco representa o Presépio da pintora do século XVII, Josefa de Óbidos, que se encontra no Museu de Arte Antiga de Lisboa.
É de rara beleza, esta emissão! E por se ver mal no quadro, deixo-vos também o bloco, para que possam apreciar esta bela pintura tão real.
Espero que gostem.
Desejo a todos umas Festas Felizes, e até 2009!
Feliz Natal, Bom Ano para todos e respectivas Famílias.

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Assim como nas mais diversas formas de comunicação, na música usamos vários sinais gráficos para indicar os sons e os silêncios. É a chamada escrita musical. A grosso modo, estes sinais indicam quais sons devem ser emitidos e qual a duração de cada um deles.

Existem dois conjuntos de sinais: os que representam as notas e sua duração, e os que representam o silêncio entre as notas, e por quanto tempo esse silêncio deve permanecer.

Neste ano, ganhei de presente um espaço pra colaborar com o TC, e espero ter usado o espaço da melhor forma possível. Porém, como usada na música a pausa é necessária, e tomara que seja uma "pausa de fração de semifusa".

Até 2009!!!

Ed Santos


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Por Gustavo do Carmo

O emprego do prefixo ex, acompanhado de um hífen, indica aquele substantivo que já não tem validade para quem o utiliza: ex-presidente, ex-governador, ex-prefeito, ex-jogador, ex-modelo, ex-integrante de banda, ex-marido, ex-mulher, ex-namorada e por aí vai.

O poder do ex é tão grande que ele já tem pernas para andar sozinho. Muita gente fala: “Aquele ali é o meu ex”, “A relação com a minha ex é muito boa”, “Esse aí na foto é o meu ex”, etc, etc. Sumariamente, ex já é passado.

E tem gente que gosta de inovar e empregar o ex em substantivos incomuns, como o futuro ex-prefeito que chama a sua coluna na internet de ex-blog. Uma página que não podia ser blog, segundo a lei eleitoral, e virou um ex-blog.

Portanto, se o ex-prefeito pode, eu também posso inventar. Então está criado o ex-carioca.

Os espíritos-de-porcos vão dizer: “Ah! Não se usa esse prefixo em gentílicos”, “Ninguém deixa de ser carioca, paulista ou mineiro”. “Ninguém deixa de ser brasileiro”. Deixa sim. E principalmente brasileiro, pois existe o documento que comprova o abandono pátrio: a naturalização.

O ex-carioca, vamos ficar neste exemplo, é aquele que deixa de ser carioca. No entanto, o ex-carioca não é aquele que deixa a cidade do Rio apenas para aproveitar uma oportunidade única e ganhar o seu sustento, mas ainda quer ser carioca da gema. O ex-carioca não é aquele que trabalha em outra cidade e conta os dias para chegar o final de semana e voltar saudoso para casa, após uma semana estafante.

O ex-carioca é aquele que abandona a sua cidade. Ou mesmo o seu estado. Mesmo que o gentílico para quem nasce no estado do Rio seja fluminense, eu também considero os fluminenses como cariocas. Então, niteroienses, petropolitanos e outros papa-goiabas que abandonam o estado do Rio merecem ser chamados de ex-cariocas sim.

O ex-carioca é aquele que pede pra sair. É aquele que procura oportunidade em qualquer lugar só para sair do Rio. E ainda faz loucuras para sair daqui. Até arrisca a vida de si e a dos outros. É aquele que vai morar em outro estado, principalmente em São Paulo, e quando volta (mais por obrigação, contrariado, do que por saudade) fica comparando as nossas mazelas com as qualidades do seu novo lar. Da sua nova cidade natal. E ainda acusa a sua ex-cidade de ter lhe negado oportunidades que nunca foram buscadas ou até recusadas pelo próprio reclamante. Mal sabe ele que é um dos maiores culpados pela cidade (inclusive o estado) estar pior do que a sua nova casa.

O ex-carioca é aquele que se esqueceu do lugar onde nasceu. É aquele que incorpora até o sotaque da nova terra. È aquele que ainda faz declarações de amor à sua nova pátria. É aquele que já não merece mais ser chamado de carioca.

O prefixo ex pode ser usado para outros gentílicos também: ex-mineiro, ex-paulista, ex-capixaba, ex-baiano, ex-pernambucano, ex-brasiliense..., ex-brasileiro (destes há muitos e mesmo assim ainda são idolatrados). Mas só o ex-carioca rima com Iscariotes. Judas Iscariotes.
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Gustavo do Carmo

A fita, na qual o pai gravou as primeiras palavras da filha mais velha, registrou o desabafo conjugal de Sofia. Ela dizia, aos prantos, depois do marido ter recusado o seu convite de ir ao cinema naquele domingo de verão, que ninguém a acompanhava em seus passeios. Previu que a menina, ainda bebê, seria a sua fiel companheira em qualquer lugar que fosse.

Foi apenas uma falsa previsão feita no calor da emoção provocada pela discussão. A filha cresceu, se tornou uma mulher independente, já casada e lhe deu netos. Sofia só não imaginava que o seu filho mais novo, nascido dois anos depois daquela gravação, seria o seu maior companheiro.

Só que não era Manfredo quem acompanhava a mãe. Dona Sofia era quem acompanhava o caçula. Quando menino de colo ele queria ir ao parquinho jogar bola e era a mãe quem o levava. Dona Sofia estava presente em todas as festinhas escolares do filho e, também, nos torneios de futebol mirim do clube do bairro.

Sofia era a única presença garantida no vestiário do time. Os companheiros encarnavam, a senhora ficava constrangida, mas Manfredo nem se importava. Afinal era ele quem insistia. Sempre com o mesmo pedido:

— Vamos comigo, mãe?

Para acompanhar Manfredo ao médico e passear no shopping, Sofia não se importava. Ao primeiro, só ia porque tinha a certeza de que homem só vai ao médico acompanhado de uma mulher. Já no templo do lazer gostava mais quando ia com a família: Manfredo, a outra filha, os dois juntos e até o marido, de vez em quando. Mas o constrangimento aumentava quando o filho insistia que ela o acompanhasse nos passeios com os amigos. E ele já tinha quinze para dezesseis anos. E quando a mãe não podia ir, Manfredo tinha a sua alternativa: também não ia.

Quando seu menino se transformou em um homem adulto, aos dezoito anos, Dona Sofia teve esperanças de que ficaria livre dos convites do filho. Pura ilusão. Ainda teve que acompanhá-lo nas noitadas, viagens com os colegas da faculdade e até na entrevista de emprego.

Manfredo foi aprovado e começou a trabalhar aos vinte anos como estagiário de uma agência de publicidade. Como, se a mãe não larga do pé dele? Felizmente, neste dia deixou a mãe esperando na recepção.

E é este o segredo para Dona Sofia acompanhá-lo em todos os lugares que ia sem atrapalhar: ela ficava apenas na espreita. Manfredo não precisava da companhia permanente da mãe. Só a sua proximidade no local já bastava para deixá-lo tranqüilo.

E foi assim que ele marcou o nosso primeiro encontro. Nos conhecemos num bate-papo na internet e começamos a conversar. Depois de alguns meses de muita conversa e namoro virtual, sugeri que precisávamos nos ver pessoalmente. Manfredo propôs um bar num shopping. Ele descreveu para mim, sem mentir, todas as suas características físicas: branco, cabelos pretos e cacheados, olhos verdes, óculos de aro fino, altura média e um pouquinho de barriga. Manfredo também me disse que estaria com uma camiseta azul.

Chegou o dia. Eu ansiosíssima para conhecê-lo. Levei um susto quando vi um rapaz com as mesmas características dele entrando no bar acompanhado de uma senhora baixinha, gordinha, de óculos e cabelos tingidos de louro, aparentando uns setenta anos. Caramba! Será que ele trouxe a mãe para o nosso primeiro encontro? Eu estava sentada na cadeira da copa do bar e este homem sentou-se na mesa com a mãe. Fiquei aliviada. Por pouco tempo.

Cinco minutos depois, eu tinha me virado de frente para o balcão e de costas para a entrada e as mesas quando alguém me tocou. Era ele. Manfredo. O mesmo rapaz que eu conheci na internet. E que chegou ao bar acompanhado da mãe. Ele só me reconheceu porque eu era a única morena clara de cabelos longos, lisos e pretos, olhos levemente puxados e seios médios sentada sozinha no balcão.

Por pouco não joguei o drink na cara dele. Mas ele era tão bonito que fiquei com pena. E também apaixonada. Na nossa primeira conversa física, ele sequer mencionou a mãe. Nos beijamos. Somente uma hora depois ele decidiu me levar à sua mesa e me apresentar à Dona Sofia, que se tornou presença constante em todos os nossos encontros.

Um dia, já íntima da família e com dois anos de namoro, criei coragem e perguntei a Dona Sofia, na lata, porque o filho sempre a levava em todos os lugares que ia. Não que eu não gostasse dela, me desculpei assim. Mas falei com sinceridade que em alguns casos a presença dela era inconveniente. Ela me respondeu que ele, desde criança, sentiu-se superprotegido pela mãe e que ficou com pena da tal fita que ouviu aos seis anos de idade. Ela tentou afastar-se do filho. Mas ele a convidava sempre com a mesma pergunta:

— Vamos comigo, mãe?

A cada vez, o tom da pergunta era ainda mais carente. E acabava ficando piedosa. Procurou até um psicólogo para curar a mania do filho. Mas não adiantou, confessou que já estava dependente da companhia de Manfredo. Se sentia sozinha e abandonada pela filha independente e o marido que pediu o divórcio. O terapeuta só serviu para diminuir o constrangimento. Foi o clínico quem sugeriu que Dona Sofia ficasse apenas por perto e não participar ativamente dos compromissos de Manfredo.

Por um bom lado, isso ajudou a controlar os desejos sexuais de Manfredo, pois eu também só queria transar depois do casamento que aconteceu em três anos. Manfredo já estava formado em publicidade e trabalhando como diretor de criação da agência. Ganhava bem. Assim que foi promovido, contratou Dona Sofia como sua secretária.

Casamos no Outeiro da Glória numa cerimônia muito bonita e uma festa bastante luxuosa. Chegamos e saímos da igreja e da recepção num Jaguar. Papai, que era rico, também colaborou para a elegância da festa. Fomos passar a lua-de-mel em Dubai.

Não me surpreendi, mas não gostei quando encontrei Dona Sofia no avião e depois na recepção do hotel sete estrelas. Tivemos a nossa primeira noite de amor, três anos depois de nos conhecermos naquele bar do shopping. Tive cinco orgasmos e gemi de prazer como uma leoa. Por sorte, nenhum dos hóspedes e funcionários hotel ouviu. O quarto tinha bom isolamento acústico. A exceção foi Dona Sofia, que assistiu a tudo no quarto como uma espectadora de filme pornô.
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Em 2005 eu cursava pós-graduação em Gestão da Cultura na Estácio. Depois de um início de ano muito difícil, a coisa melhorou no final, inclusive com o acerto da publicação do meu primeiro romance que sairia em março do ano seguinte. Novamente de bem com a vida e animado com o curso que já estava na metade, decidi criar um blog com a intenção de divulgar as diversas manifestações culturais existentes no país (cinema, teatro, dança, artes plásticas e, principalmente, literatura, tema da primeira postagem no blog, televisão e ainda publicidade, onde eu também tenho formação), celebrar o clima de amizade que eu vivia com os meus colegas, aos quais dei a oportunidade de sugerirem pautas, produzirem conteúdo, e ainda me especializar em outra área do jornalismo além dos carros.

O texto que inaugurou o Tudo Cultural, lá no Blog-se foi uma resenha do romance "As cinco pessoas que você encontra no céu", de Mitch Albom. Ainda assim como um teste, pois fora um dos trabalhos de módulo do curso. Da mesma forma foi o texto da primeira colaboradora do blog, Geiza Mariah, a quem agradeço muito, apesar do afastamento atual, por ter cedido a sua resenha sobre o livro "Memórias de minhas putas tristes", de Gabriel Garcia Marquez. Também já falei de uma mostra de teatro na UFRJ, um debate teatral, uma exposição sobre Nise da Silveira, documentário no cinema sobre Vinicius de Moraes, comemorei o aniversário da Rádio Globo (tendo como fonte o texto do amigo Eduardo Sander, o Patolino, colega do Blog-se) e o Dia Nacional do Samba, inclusive com a programação do tradicional trem (e ainda repeti no ano passado, com a devida atualização). Até já anunciei o cancelamento de um show da Zizi Possi. Eu também já publiquei algumas biografias, obituários (infelizmente), acompanhei lançamentos do cinema durante três semanas, falei de outras exposições e comentei muitos programas e comerciais de televisão, meio que também faz parte da cultura brasileira.

Em junho de 2006, iniciei o segundo capítulo da história do Tudo Cultural. Diminuí as biografias e a divulgação de eventos (na falta de colaboração) e tentei tornar o blog mais pessoal, com textos mais comentados em vez de ficar fazendo chupagem na internet e concorrer com demais meios de comunicação, já que a informação corre muito rápida e eu não tenho pique de acompanhar. Tentei abrir um espaço para falar de futebol, por causa da Copa do Mundo. Também não deu certo. Vieram outros compromissos pessoais, como a conclusão do curso de Gestão da Cultura e fiquei novamente afastado.

Em agosto daquele ano, criei as sementes para a terceira fase do TC e publiquei um texto de ficção, de minha autoria, pela primeira vez. Indecisos foi o meu primeiro conto escrito em série. A partir de então, tornei o blog mais literário, sem deixar de fazer as resenhas de livros do mercado editorial. Postei outros contos e, pela primeira vez, oficialmente, uma crônica, sobre Maurício de Sousa, o criador da Mônica. Logo depois, lancei As Quatro Discípulas, uma novela em texto, batizada de novela on-line. Cancelei o projeto por falta de tempo e outros motivos.

Em fevereiro de 2007, a terceira fase do Tudo Cultural amadureceu e o blog ganhou o seu primeiro colaborador fixo: Eduardo Oliveira Freire ou Dudu Oliva, que se tornou o primeiro "colunista" fiel e assíduo do blog. As mesmas qualidades como autor ele já tinha desde junho de 2006, quando começou a comentar aqui.

Quando eu fiz uma contagem de todos os visitantes do antigo Tudo Cultural para o aniversário do ano passado, mais de cem postagens eram do Dudu. Logo depois entrou a amiga Rachel Souza, que postava quando quiser.

Em abril de 2007, fui convidado para escrever no antigo blog de Lunna Guedes. Participei lá por vinte semanas, entre contos inéditos, reprises daqui do Tudo Cultural, uma crônica e participações de meus convidados (na verdade, convidadas, pois todas foram mulheres). Em retribuição, no mesmo mês em que eu iniciei no Livro Aberto, fiz o convite e Lunna entrou no time do Tudo Cultural trazendo muitos leitores participantes com ela. O TC ainda ganharia mais uma colunista: Érika dos Anjos. Em agosto eu deixei de escrever no Livro Aberto, mas a parceria com a Lunna continuou por uns tempos.

Comecei 2008 com um novo colaborador, o roteirista e escritor Miguel Angel, que estreou em fevereiro e posta todas as terças-feiras. Ao mesmo tempo, lancei este espaço, o Tudo Cultural Blogspot. Em abril, devido ao limite de memória disponível para fotos do Blog-se, mudei-me definitivamente para cá e ganhei um novo colaborador: Ed Santos, que adoça os domingos dos leitores do nosso blog com seus contos e crônicas. Um pouco antes, ganhei o meu primeiro colaborador importado. Direto de Portugal, João Paulo Simões conta a história, todas as quintas-feiras, dos selos postais do seu país. João, também colabora com a seção Entre Algumas Linhas, uma idéia minha que ganhou esse nome definitivo para não ficar preso a limites de tamanho de texto. A intenção inicial era contar uma história de qualquer coisa em 15 linhas. Devido a minha dificuldade de resumir as coisas, criei uma tolerância Entre 15 e 30 Linhas. Além do João, eu e o Ed Santos participamos algumas vezes desta seção.

Para que o Tudo Cultural seja atualizado diariamente, criei outra atração para preencher as segundas-feiras. Na verdade, o resgate do costume de dar dicas culturais no início da história do blog. Só que agora a seção é chamada de Dica da Segunda, que encerrou temporariamente suas atividades em 2008 e volta em janeiro do ano que vem. As resenhas literárias, presente desde o primeiro post, voltaram com força mensalmente. Revezando com os comentários sobre comerciais de televisão, as resenhas são publicadas quinzenalmente e são agora chamadas de Resenha da Quinzena.

Diante da dificuldade de conciliar sua participação no post com os seus compromissos pessoais, infelizmente, tive que dispensar a amiga Rachel Souza. Em seu lugar entrou o dramaturgo, professor e escritor Alex Giostri que começou a postar uma oficina para atores quinzenalmente às quartas.

Enfim, obrigado a todos os leitores que não comentaram no Tudo Cultural nesses dois anos, aos que participaram com textos e envio de pautas, aos meus colunistas, ex-colunistas e todos aqueles que comentaram nesses três anos. Infelizmente este ano não tive como resgatar o nome de todos os participantes.

O aniversário de 3 anos do Tudo Cultural será lembrado de uma forma mais light. Em vez da maratona de postagens de vários convidados, espero apenas que todos os colaboradores atuais postem hoje. Da minha parte postarei uma crônica - que espero que não crie polêmica, é apenas a minha opinião - e um conto inédito.

Mas ontem perdi o clima para comemorar. Minha tia, Neuza, que desde o início do ano lutava contra um câncer, morreu na manhã desta sexta-feira. Fiquei abalado, mas, em homenagem a ela, faço este especial, infelizmente em luto.

A partir de domingo, o Tudo Cultural pára por um mês e meio (quero aproveitar estas férias para superar este momento difícil para mim e minha família, principalmente minha mãe). Voltamos entre a segunda quinzena de janeiro e o início de fevereiro com novidades visuais e no conteúdo.

Até lá.

Gustavo do Carmo

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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Para comemorar a travessia aérea do Atlântico Sul por Gago Coutinho e Sacadura Cabral, pensou-se em fazer uma emissão de selos cujo produto da venda seria para pagar as despesas dos festejos da cidade de Lisboa. Mas esta ideia foi abandonada.A 23 de Outubro, os senhores António Carneiro de Vasconcelos – banqueiro – e Leandro Menezes Camacho – médico – contrataram com o governo em moldes mercantis a emissão desta série, destinado à especulação. Foram litografados em folhas de 100 selos com denteado 14, e utilizando papel pontinhado em losangos, pela firma Waterlow & Sons Ltd. de Londres. O desenho, de que se desconhece o autor, tem de original a caravela e a cercadura, sendo o restante em fotografia; representa as efígies do Presidente Pessoa do Brasil, do Dr. António José de Almeida, Presidente da República Portuguesa, de Gago Coutinho e de Sacadura Cabral, vistas do “Pão de Açúcar” e de Torre de Belém, e ao centro uma caravela de 1500 (descoberta do Brasil) e o avião “Lusitânia” 1922 (primeira travessia aérea do Atlântico Sul). As cores foram baseadas nos selos “Ceres”. Foram emitidas 125.000 séries que por contrato só poderiam ser levantadas da Casa da Moeda pelos dois senhores que tinham contratado com o Governo, além das quantidades entregues aos correios que foram as seguintes: 20.000 selos de 1 c. castanho claro, 48.070 selos de 2 c. amarelo, 165.000 selos de 3 c. ultramar, 20.070 selos de 4 c. verde amarelo, 15.700 selos de 5 c. bistre, 91.500 selos de 10 c. tijolo, 45.350 selos de 15 c. preto, 25.700 selos de 20 c. verde, 351.200 selos de 25 c. rosa, 3.700 selos de 30c. castanho amarelo, 11.700 selos de 40 c. castanho escuro, 31.500 selos de 50 c. amarelo laranja, 5.500 selos de 75 c. lilás, 6.000 selos de 1$00 azul, 3.700 selos de 1$50 sépia, e 2.700 selos de 2$00 verde.Circularam de 30 de Março a 1 de Abril de 1923, e de 6 a 8 de Setembro de 24.
(Baseado de Carlos Kulberg, Selos de Portugal Álbum II 1910/1953)
Infelizmente, não possuo nenhum selo desta série, pelo que desta vez o artigo não vai ilustrado com o selo, mas antes com uma imagem da época, alusiva ao feito.Como o Leitor deve calcular, este hobbie é caro e nem sempre o Coleccionador tem todas as peças para poder ilustrar o seu artigo.Penso, contudo, que a descrição acima, dá uma ideia do selo em si e tudo farei para que sempre que possível, o Leitor possa ver a imagem do selo ou selos referidos nos textos desta secção.
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segunda-feira, 24 de novembro de 2008



Texto: Divulgação


TEATRO PARA TODOS é uma iniciativa e realização da Associação de Produtores de Teatro do Rio de Janeiro e patrocínio da Oi. A idéia é revitalizar, aproximar e renovar o público teatral, além de contribuir na formação de novas platéias. Durante 31 dias o carioca poderá desfrutar e apreciar os melhores espetáculos em cartaz na cidade a preços acessíveis.


A 6ª Campanha TEATRO PARA TODOS acontece de 21 de novembro a 21 de dezembro de 2008. Em sua sexta edição, a Campanha consagrou-se como um dos maiores eventos teatrais cariocas. Este ano, 60.900 ingressos estão disponibilizados para o público, totalizando 44 espetáculos, entre adultos e infantis. Os maiores sucessos da temporada teatral poderão ser adquiridos a preços populares: R$ 5,00; R$ 10,00; R$ 15,00, R$ 20,00 e R$ 25,00.


Os ingressos estarão à venda no quiosque fixo da campanha, instalado na Cinelândia, no quiosque volante, que irá percorrer diversos bairros da cidade, pelo site (http://www.ingresso.com/), Modern Sound, postos Petrobrás credenciados, Posto Shell (São Bento, Niterói) e Lojas Americanas e Americanas Express.


http://www.teatroparatodos.com.br (acesso também pelo logotipo)


Esta é a última dica da segunda-feira de 2008.
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domingo, 23 de novembro de 2008

Por Ed Santos


- Como é que é. A gente vai sair ou não vai?

- Peraí! Tô terminando de parafusar este treco aqui. É rapidinho!

Eles tinham combinado de almoçar fora no feriado e não queriam ir pra cozinha. Fazia tempo que não ficavam à toa em casa sem fazer nada. Acordaram tarde, o Julio Henrique foi buscar pão já eram 09h40min. Depois de lerem o jornal de domingo (era quinta-feira, feriado) os dois foram enfeitar a fachada da casa com a iluminação de Natal, mas aí aperta um parafuso aqui, coloca uma lâmpada ali, o tempo passa e já eram quase 13h00min quando conseguiram sair.

Iam num restaurante perto, mas no meio do caminho a Marlei, diz:

- Vamos naquele restaurante que a gente foi no dia dos pais?

- Marlei não é longe demais? A Duda tá com fome e tá quase dormindo aí no teu colo.

- Ah amor, vamos lá vai. Depois a gente vai comprar os CDs pra fazer o backup do computador.

- Tá bom, vai.

E foram. Almoçaram e depois foram comprar os CDs. Compraram também pilhas e lâmpadas para repor a do quarto da Duda que tinha queimado na noite anterior. Isso era por volta das 15h30min. 

- No caminho, o Julio Henrique avista uma placa: “Apartamento de três dormitórios, amplo e com sacada”.

- Olha, como a gente tá procurando.

- Cê tá procurando é sarna pra se coçar! Vamos embora.

- Vamos dar uma olhada, vai. É logo ali na frente, nesta mesma rua.

- A gente vai fazer o backup que horas? 

- Ah, a gente faz no sábado. Não tenho aula não.

- Tá bom. Rapidinho.

Pararam em frente do prédio o os olhos da Marlei brilharam. Ela viu que era exatamente do jeito que ela queria. O corretor apareceu no portão e foi logo se apresentando. Não pareceu ser daqueles corretores chatos que vão logo pegando caneta e bloco de notas pra fazer um “cadastro sem compromisso”. Ele foi bem bacana, deixou os dois à vontade.

Ele mostrou todas as dependências do apartamento decorado, falou dos benefícios do imóvel, infra-estrutura, comodidade, metragem, etc. Enquanto ia discursando, o casal prestava atenção em todos os detalhes, mas o Julio Henrique dispersou várias vezes por causa da Duda que não parava quieta e ficava correndo pra lá e pra cá dentro do stand de vendas. Só parou um pouquinho depois que o corretor levou-os ao playground. A Duda adorou o lugar e deixou finalmente os pais conversarem direito.

Tudo conversado, dúvidas tiradas, cartões, telefones e e-mails trocados, e a promessa de um breve contato.

- Então a gente entra em contato, ok?

- Ok seu Julio. A gente se fala. Pensa com carinho na proposta. Tenho certeza que o senhor e sua família vão fazer um bom negócio.

- Pode deixar. Obrigado

Antes de dar a partida, o Julio Henrique olha pelo retrovisor e a Marlei pisca o olho direito:

- Cada vez que a gente sai pra comprar alguma coisa, a gente volta com um sonho diferente né?

- É. Agora é ir pra casa e fazer as contas pra ver se dá pra pagar.

- Caramba, você já decidiu?

- Marlei a gente tem que aproveitar as oportunidades e realizar o sonho de comprar nossa casa nova.

A Duda, que de boba não tem nada pra uma menina de três anos, depois de ficar calada prestando atenção na conversa dos pais, tira a chupeta da boca e pergunta:

- Pai, você pinta meu quarto de rosa?

Boa compra o Julio Henrique fez, saiu de casa pra comprar CDs e voltou com o sonho de um financiamento imobiliário debaixo do braço.
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sábado, 22 de novembro de 2008

Conto de Gustavo do Carmo


Zuleide só cortava o cabelo com o Fred. Só ele sabia aparar as suas pontas e não deixar as madeixas armarem. Somente o Fred podia pintar, alisar e fazer a escova. Além de tudo, era o seu único confidente. Só aceitava conselhos pessoais dele.

Quando chegava ao salão, os outros cabeleireiros a assediavam como abelhas, mas Zuleide só aceitava o Fred. Marcava horário somente com o Fred. Se ele atrasava, esperava. Quando não podia aparecer, voltava para casa (frustrada) e agendava um outro dia. Só fazia as unhas ou a depilação depois do corte pronto, pois tinha medo de perder a vez, já que o seu trabalho era muito concorrido. Fred atendia Zuleide em seu salão na Avenida Nossa Senhora de Copacabana.

Era um homem moreno, alto e forte. Pele e barba lisa como bunda de neném. Cabelos bem aparados. Casado, tinha três filhos. De origem humilde, foi procurar emprego em um pequeno salão no Engenho de Dentro, que pertencia a duas irmãs.

Estava desempregado, prestes a ser despejado com a mulher e os ainda dois filhos pequenos. Pediu uma oportunidade para varrer o chão do salão. Ao ser flagrado cortando perfeitamente o próprio cabelo em um dos intervalos do serviço, ganhou uma oportunidade para cuidar do cabelo de uma cliente - amiga das patroas - que serviu de cobaia. O corte chanel ficou perfeito. A mulher não só tornou-se fiel como recomendou os serviços de Frederico para as amigas, entre elas, Zuleide. Frederico foi promovido a cabeleireiro e passou a ser apelidado pelas donas e as clientes de Fred. Fez vários cursos na área de estética e beleza para se aperfeiçoar e regularizar a sua nova profissão.

Zuleide morava no Engenho de Dentro. Era uma moça muito bonita, morena como Fred, que tinha cabelos cacheados antes de alisá-los com o seu cabeleireiro preferido. Publicitária, também foi promovida a diretora, o salário aumentou e ela se mudou para Ipanema. Apesar disso, manteve-se fiel ao trabalho de Fred. Aparecia toda a semana com o seu carro luxuoso na porta do salão no bairro do subúrbio.

A violência da cidade aumentou. O trabalho de Zuleide também. Tornou-se difícil para ela manter a fidelidade a Fred. Depois de um assalto que sofreu ao voltar do salão onde o amigo trabalhava, Zuleide ficou com medo de aparecer no Engenho de Dentro com o seu carro importado zero-quilômetro. Tratou de arrumar um emprego para ele em uma rede de salões de beleza em Copacabana, onde podia ir a pé.

Com muita tristeza, Fred deixou as antigas patroas, que se transformaram na mãe que ele perdeu cedo. Em cinco anos, Fred se destacou no novo local de trabalho e conquistou também a clientela de artistas e profissionais liberais renomados. Ganhou prêmios e muito dinheiro. Ficou rico.

Abriu o seu próprio salão de estética e beleza. O negócio prosperou. Tornou-se concorrido. Zuleide, claro, foi a sua primeira cliente. Porém, teve de se conformar em ser obrigada a marcar hora com o amigo, pela primeira vez. A moça ficou chateada no início, mas depois aceitou. Mas passou a ter ciúmes do cabeleireiro com outras clientes. A esposa também. Manicure do salão, cismou que o marido a estava traindo com Zuleide quando o via conversando alegremente com a cliente. Só tirou a idéia da cabeça, por um tempo, quando foi surpreendida com um jantar romântico e uma lingerie. Engravidou do terceiro filho.

Já Zuleide era tão obcecada pelo tratamento capilar de Fred que tinha pavor só de pensar na morte dele. Chegou até comentar durante uma sessão de pintura:

— Ai, Fred. Se você morrer eu nunca mais cortarei o cabelo na minha vida.

— Ih, deixa de bobagem, Zu. Eu tenho tantos cabeleireiros talentosos. Se você quiser eu te indico o René.

— Não. Só aceito cortar o cabelo com você. Se acontecer o pior, aí sim eu aceito a sua sugestão.

— Xi, vamos mudar de assunto? Detesto falar em morte.

Aconteceu o que Zuleide mais temia. Fred foi alvejado por seis tiros no peito, caindo inerte no asfalto frio pelo sereno das onze da noite. Saía do salão após um dia movimentado de trabalho e lucro. Estava se dirigindo para o carro estacionado em um rotativo na Constante Ramos quando sentiu o primeiro estampido quente em seu peito, vindo de alguém que havia tocado as suas costas. A féria do dia foi roubada.

O salão amanheceu aberto, mas sem atendimento. Apenas para os funcionários desolados comunicarem o triste acontecimento às clientes. Zuleide se desesperou. Fez questão de ir ao velório e ao enterro do cabeleireiro fiel e amigo. Comportou-se como a viúva. Chorou abraçada ao caixão. Fez escândalo. Assustou até as antigas patroas de Fred, que já estavam bem velhinhas. A verdadeira viúva aceitou, contrariada, as condolências dadas por Zuleide também aos três filhos de Fred, igualmente inconsoláveis. Os meninos estavam começando a trabalhar com o pai. O rapaz, como cabeleireiro e a moça como atendente. O menino mais novo não estava presente na capela. Ficou brincando na casa da avó materna, sem saber que vai crescer órfão.

Zuleide passou um mês de luto. Mandou até tingir algumas roupas de preto. Assim ia para o salão do amigo falecido e cortava o cabelo com René, um jovem humilde que teve a mesma trajetória de Fred, a quem também pediu um emprego. Mas René não conseguiu agradar a Zuleide, que detestou o seu trabalho e dos outros nove cabeleireiros do Freds Coiffeur.

Mudou de salão. Tentou cortar em Ipanema. Em um shopping da Barra, em Botafogo. Até na zona norte. Voltou a cortar no salão das ex-patroas de Fred, no Engenho de Dentro, já sob nova direção. Não se acertou com nenhum.

A polícia suspeitou de assalto, da viúva por causa de ciúmes e de René, homossexual apaixonado pelo patrão. Todos provaram inocência. As investigações chegaram até Zuleide, através da denúncia feita por René que, indignado pela humilhação que levou da nova cliente, se vingou, contando, em depoimento, o comportamento exagerado da antiga cliente no velório. Também acharam as suas digitais na pistola com silenciador. Zuleide confessou tudo.

Matou porque descobriu que Fred desmarcou um horário com ela só para atender a sua ex-melhor amiga, que lhe roubou o seu noivo, único homem por quem se apaixonou.


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sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Uma mulher está sentada em uma circunferência com as pernas cruzadas, seu rosto é da mesma forma geométrica, porém, menor. Do seu lado esquerdo, paralelamente, há um outro círculo do mesmo tamanho do rosto.

O jovem artista fixou o olhar no quadro, deslumbrou-se com a harmonia das formas e se especializou em pincelar formas geométricas. Até hoje, quando espia sua Musa, a imaginação eclode e, às vezes, sonha que está entre os seus pequeninos seios retangulares.
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quinta-feira, 20 de novembro de 2008


Determinou-se por decreto de 31 de Março de 1921, que entrassem em vigor a partir de 1 de Abril, os novos portes internacionais estabelecidos pelo acordo de Madrid. Foram também na mesma data, elevados os portes para o Ultramar. Nesse sentido, os correios tiveram de alterar as cores dos selos correspondentes às taxas dos novos portes e bem assim criar novos valores. Impressos tipograficamente na Casa da Moeda que utilizou papel liso, papel acetinado, e papel cartolina, de procedências diversas e não tendo as mesmasdimensões, imprimindo-se assim, folhas de 100, de 180, e de 200 selos, sendo os denteados 12x11,5 e 15x14.


(Baseado em Selos de Portugal Álbum II de Calos Kulberg)


Uma folha incompleta do meu álbum de selos.
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quarta-feira, 19 de novembro de 2008



Simpático e interessante o primeiro comercial do Novo Focus. Simpático pela música Happy Together, da banda The Turtles, cantada em coro por todos os funcionários da Ford, desde o projetista tendo a idéia no chuveiro até os vendedores da concessionária, passando antes pelos operários da fábrica, o engenheiro do túnel de vento e o piloto de testes. E interessante por mostrar, exatamente, o processo de desenvolvimento de um automóvel: da concepção à venda.
A proposta do anúncio é mostrar o nível de satisfação com o Novo Focus.

O conceito permanece no segundo filme, Dublê, mas esse tem uma mensagem complexa, só entendida depois de várias exibições. Neste episódio, mais curto, o Focus é estrela de um filme de ação, mas a produção exige um dublê para a cena de explosão prevista no roteiro. Dublê para o Focus. A produção é boa, mas não é tão carismática quanto o primeiro filme. A criação é da JW Thompson.


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segunda-feira, 17 de novembro de 2008


Ela não foi da minha época. Morreu cinco anos antes de eu nascer. Mas a sua história de ousadia e polêmicas é conhecida por todas as idades. E agora está mais acessível no livro Leila Diniz - Uma revolução na praia, escrito pelo jornalista do O Globo Joaquim Ferreira dos Santos para a série Perfis Brasileiros, publicada pela Companhia das Letras (286 páginas, R$ 39,00).

Leia o texto de divulgação:


A história da mulher brasileira não pode ser escrita sem um capítulo inteiro dedicado a Leila Diniz (1945-72). Filha de um líder do Partido Comunista, ela foi protagonista da primeira produção de novela da Globo, em 1965; participou no cinema das comédias de Domingos Oliveira e dos filmes experimentais de Nelson Pereira dos Santos, no ciclo do desbunde. No teatro, estava na revista tropicalista Tem banana na banda.


Leila teve um currículo de realizações artísticas expressivas em sua curta trajetória de 27 anos, mas nada se compara à contribuição que deixou para a história do comportamento feminino. Com sua espontaneidade e alegria, convicta na dedicação de se mover apenas pelo prazer e pela liberdade, ela ajudou a traçar um novo papel para a mulher na sociedade brasileira. Sempre sem discurso, sem palavras de ordem, sem colocar o homem como inimigo do projeto.


É nesse contexto, de uma autêntica revolucionária, sobrevivente também de uma infância dramática, que o jornalista Joaquim Ferreira dos Santos apresenta a biografia da atriz, em um novo lançamento da coleção Perfis Brasileiros, coordenada por Elio Gaspari e Lilia M. Schwarcz. Desde a adolescência, em que Leila perambula pelos bares de Copacabana e Ipanema, até os dias em que foi julgada, num programa de TV, e condenada como nociva à sociedade, o autor conta as grandes passagens da vida da atriz.Na célebre entrevista concedida ao Pasquim (1969), figura de toalha amarrada na cabeça, escandalizando a sociedade e o governo militar por seus inúmeros palavrões e suas posições avançadas sobre sexo e comportamento. Em 1971, grávida, mostra a barriga na praia, mudando a moda e os modos. No teatro rebolado, vestia-se de vedete, maiô cheio de plumas.


Abandonada pelas feministas, tachada de alienada pela esquerda e de vagabunda pela direita, Leila foi afastada da TV Globo, porque no entender da autora Janete Clair não havia papel de prostituta nas novelas seguintes. Sem trabalho, aceitou o convite para participar de um festival de cinema na Austrália. Na volta, morreu num acidente de avião, deixando uma filha de sete meses e o Brasil de luto.


Um extenso caderno de fotos, e uma cronologia com os principais acontecimentos no Brasil e no mundo, mostram tudo sobre a "moça que", nas palavras de Carlos Drummond de Andrade, "sem discurso nem requerimento soltou as mulheres de vinte anos presas ao tronco de uma especial escravidão".


Eu já comprei o meu.
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domingo, 16 de novembro de 2008

Por Ed Santos

A relação dos dois já não era mais a mesma. Culpa dela que largou todo o sonho da adolescência e foi cuidar da profissão. Eles tinham compartilhado uma vida inteira desde sempre. A união acima de tudo e de todos. Ele o eterno servidor, ela a gestora. Era assim que queriam.

Quando se conheceram na década de oitenta, ela com quinze ele dezesseis, estavam descobrindo o rock nacional. Blitz, Ultraje a Rigor, Camisa de Vênus, Paralamas do Sucesso e Legião Urbana. Os ídolos iam sendo cada vez mais conhecidos e venerados. Passavam os dias embalados pela simplicidade dos acordes e pelos compassos enxutos. Ela vivia dizendo que Acrilic on Canvas era a música da sua vida. Aquela letra tinha tudo a ver com sua história até aquele momento.


O Eduardo e a Mônica eram as referências para os dois, não pelo perfil, mas pela fantasia, pelo enredo. Queriam ter um final feliz. Diferente do final da música, queriam levar os filhos pra viajar nas férias, sim. Sem recuperação.

Casaram cedo. Queriam curtir a vida e estudar, e o fizeram. Ele, foi ser contador, ela dona de casa. Ele trabalhava num escritório no centro da cidade e rotineiramente almoçava num restaurante por quilo que era divino. Sabe aqueles restaurantes que têm comida com gosto de comida caseira? Quase todos os restaurantes do centro servem comida com gosto de comida caseira. Pelo menos pra ele.

Ela que nunca tinha trabalhado, vivia fazendo cursinho de astrologia, artesanato. Às vezes ia pra academia e tinha aulas de inglês duas vezes por semana. Num dia ao sentar prum lanche no shopping, recebeu um cartão de uma senhora. “Me liga” disse a mulher, e retirou-se. Ela deu mais um gole no capuccino.

Passou a ficar por muitos dias longe do companheiro. Ossos do ofício. Do novo ofício, que se tornou único e responsável pela alteração da rotina.


Num domingo pela manhã ele foi buscá-la no aeroporto. Ela desembarcou feliz por retornar e pediu um abraço. Ele foi logo dizendo: “Fico triste quando você demora pra voltar. O Junior diria que ‘é só você que me provoca essa saudade vazia’. Parece que suas viagens nunca têm fim. Deixa essa vida pra lá. Não quero mais esse negócio de você longe de mim”.
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sábado, 15 de novembro de 2008

Por Gustavo do Carmo

Saía da minha faculdade em Botafogo. Eu já sou formado em jornalismo há quase vinte anos, voltei para estudar publicidade e me formei há treze, mas de repente voltei a estudar não sei pra quê. Caminhava pela Muniz Barreto, entrei na Marquês de Olinda e num passe de mágica saí na Barata Ribeiro, em Copacabana. Juro que eu não bebi.
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sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Uma jovem entra no recinto, não olha para ninguém. Vai direto ao caixão, onde jaz um rapaz forte e belo. Não se aproxima muito, diz aos gritos:
– Leva pro inferno "este momento magnífico" !!!

Vai embora deixando todos perplexos.

Dias antes:
Depois de fazer amor, Alfredo diz para Cláudia:
– Este momento é tão magnífico que eu queria congela-lo para que fosse minha única lembrança de vida.Cláudia achou linda a declaração. Ficou mais um pouco na cama com seu amor e foi embora para casa.

No dia seguinte, recebe uma ligação de uma amiga:

– Alfredo se jogou do apartamento.
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quinta-feira, 13 de novembro de 2008


Tendo sido alterada a equivalência do escudo com o franco-ouro, por decreto de 31 de Agosto de 1917, e os portes em 1918 e 1919 com vista às dificuldades dos correios, motivadas pela Grande Guerra, foram estabelecidas novas taxas para os diversos portes.

Para manter as cores referentes a cada porte, conforme o determinado pela UPU, sofreram estas, alteração em relação às taxas. Foram impressos tipograficamente na Casa da Moeda, em folhas de 100 e 180 selos com denteados 15x14 e 12x11,5 utilizando papel pontinhado em losangos, papel porcelana colorido, papel liso (fino médio espesso), papel acetinado (médio espesso), papel cartolina, papel azulado fino, e papel amarelado. Foram emitidos 133.570.000 selos de 1 centavo castanho, 5.800.000 selos de 1-1/2 centavos verde escuro, 88.029.820 selos de 2 centavos amarelo laranja, 9.200.000 selos de 3 centavos carmim, 41.200.000 selos de 3-1/2 centavos verde claro, 84.230.000 selos de 4 centavos verde claro, 10.600.000 selos de 5 centavos bistre, 900.000 selos de 6 centavos lilás rosa, 9.100.000 selos de 7-1/2 centavos azul escuro, 400.000 selos de 12 centavos cinzento violeta, 200.000 selos de 13-1/2 centavos azul cinzento, 141.760 selos de 14 centavos azul sobre amarelo, 2.000.000 selos de 20 centavos castanho sobre salmão, e 900.000 selos de 30 centavos castanho sobre amarelo.


(In: Carlos Kulberg: Selos de Portugal - Álbum II - 1910 / 1953)


Uma folha do meu álbum de selos com a série ainda incompleta.
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terça-feira, 11 de novembro de 2008

Este é o número de visitas ultrapassado anteontem. Foram 10 mil desde fevereiro deste ano, quando trouxe o Tudo Cultural para o Blogspot. Até abril ainda dividi a atualização com o Blog-se. E agora já são 10.100 visitas.

Meus agradecimentos a todos que nos visitaram nesses nove meses. Claro que não foram 10.100 pessoas, pois o contador conta as nossas próprias visitas em todas as páginas. Como eu descarto os meus próprios acessos, fiz as contas e cheguei a cerca de 8.800 visitas efetivas. Estimando uns 10% de visitantes fiéis, devo ter uns 880 amigos.

E ainda tem gente que me nega informações dos filmes que produz porque diz que o blog tem poucas visitas.
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Novo número da revista de micronarrativas portuguesa Minguante com o meu microconto O Aviso. O próximo tema é Superstição e os textos até 200 palavras podem ser enviados até o dia 15 de janeiro.

Leia também os contos do nosso colaborador Dudu Oliva
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segunda-feira, 10 de novembro de 2008



A Dica da Segunda desta semana é o excelente programa Marcas que Amamos, um documentário sobre a história das marcas mais famosas do país, de diversos segmentos, com seus comerciais marcantes que foram os responsáveis pelo sucesso das mesmas.

O programa é exibido pelo canal Ideal TV, do grupo Abril e exclusivo dos assinantes da TVA (Canal 70 no Rio de Janeiro).

Leia o texto do site do canal:

A história da construção de uma marca brasileira, com enfoque especial para a área de comunicação, marketing e publicidade. Os executivos das marcas mais amadas pelos brasileiros, e os publicitários responsáveis pela comunicação dessas marcas contam, através de depoimentos individuais, a história da construção da marca desde o lançamento no Brasil até os dias atuais.

Horários de exibição nesta semana, que vai falar sobre a Sadia:

Domingo 9 de Novembro às 20:30hs.
Segunda-feira 10 de Novembro às 02:00hs.
Segunda-feira 10 de Novembro às 10:00hs.
Segunda-feira 10 de Novembro às 23:00hs.
Terça-feira 11 de Novembro às 19:00hs.
Quarta-feira 12 de Novembro às 06:00hs.
Quinta-feira 13 de Novembro às 15:00hs.

Clique no logo do programa para ver o vídeo compacto de outros episódios.

Para ver a grade e outros programas da emissora acesse http://www.idealtv.com.br/
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domingo, 9 de novembro de 2008

Por Ed Santos


Saímos da aula e fomos petiscar alguma coisa ali no bar em frente à faculdade, aquele recém-inaugurado que de longe parecia ser bem interessante, e era. A Dani à princípio não queria ir, precisava levar o carro pro marido que tinha campeonato de futebol. Umas mesinhas de madeira com cadeiras de dobrar, uma área externa nos fundos perto do lugar que a dona avisa “tem música ao vivo toda sexta”. Entramos e eu já fui logo pedindo pra baixar o som e por uma musiquinha mais suave. Queríamos bater papo e o som alto não ajudava. Entre um gole e outro, conversamos sobre os mais variados assuntos, desde a desorganização das aulas até a necessidade de manter nosso grupo de estudos ativo mesmo após o término do curso.

A Silvia volta rindo do banheiro do lugar:

- Gente! Tem uma luz verde lá que não ilumina nada. Tive que deixar a porta aberta!

- Deixa eu ir lá ver – disse levantando o Luiz, que além de trabalhar no Banco do Brasil, é poeta nas horas vagas.

Ficamos ali por pouco tempo “molhando as palavras”, como se dizia tempos atrás, e de repente a Dani que até aquele momento estava só ouvindo, vira e pergunta:

- Pessoal, posso desabafar?

- Fala Dani! “Somos todos ouvidos” – falei, usando outro termo já bastante utilizado.

- Então. Preciso me abrir com alguém. De uns dois meses prá cá tenho visitado uma instituição que prega o equilíbrio emocional, e tal. O lugar é muito legal e eu me sinto muito bem lá. Depois das seções saio me sentindo uma outra pessoa sabe, leve mesmo e o negócio ta sendo muito bom pra mim. Só que um dia desses fui falar com a grã-mestre. Ela tinha me chamado pra dizer que eu já tava preparada pra me iniciar numa outra fase. Eu achei legal e tal, e disse que eu precisaria usar uma medalhinha pra me identificar como membro daquela nova etapa. Aí ela falou que precisaria de trezentos reais pros custos da tal medalha. Você acha?

- Caramba! Trezentos reais? – perguntei.

- Você acredita? Tô indignada!

- Mas e aí? Não tem nenhuma conversinha pra facilitar, tipo umas parcelinhas? – perguntei novamente com ar de provocação.

- Nada. Ela até disse pra eu usar meu décimo terceiro. Mas aí eu disse que já está comprometido. Ai ela falou que tinha certeza que eu ia conseguir até o dia 20. Não é um absurdo?

- Relaxa. Não fica indignada não. Pra tudo se dá um jeito – disse a Silvia, calada até o momento e inquieta com o celular que não parava de tocar - era uma chamada a cobrar de uma pessoa que ela não conhecia.

- Então, mas não tem nenhuma conversa? – perguntei.

- Conversa? Só se for igual a que você teve com sua esposa agora pouco no telefone? Era pra ela que você TVA ligando né?

- Não. Eu tava falando com meu filho.

- Ah tá. Pensei que era com ela. Se fosse, tava igualzinho ao meu marido: “que é? Já vou! Não sei!”. Seco! Nossa tô de saco cheio de selinho. Faz tanto tempo que não dou beijo de língua...

Pra você ver como nesses papos de boteco a gente conversa sobre vários assuntos ao mesmo tempo, e que eles são ótimos pra refletir. Cheguei à conclusão que a Dani não tinha problema nenhum, nem com a medalhinha, nem com a falta de beijo de língua. Pior seria se precisasse pagar trezentos reais pra beijar, né Dani?

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sábado, 8 de novembro de 2008

Por Gustavo do Carmo

Victor já nasceu um vencedor. Foi o primeiro bebê do ano e por isso seus pais ganharam um bom prêmio de um fabricante de fraldas. Também o elegeram a criança mais bonita de Bonsucesso, da cidade do Rio de Janeiro, do estado da Guanabara e do Brasil.

Aos quatro anos foi a mesma coisa. Nunca perdeu um concurso infantil de beleza em sua vida. Quando entrou para a escola, no ano seguinte, participou e ganhou um concurso de desenho.

Aos oito, entrou na escolinha de futebol. Sem posição de linha no time, virou goleiro. Não tomou um gol enquanto jogava e ganhava concursos de redação e olimpíadas de matemática no primeiro grau colegial.

A adolescência chegou junto com uma miopia galopante e espinhas borbulhantes. A beleza campeã foi embora com a infância. Deu lugar a fealdade. Mesmo assim, Victor não deixou de ser um vencedor. Participou brincando de uma competição de homem mais feio do país. A decisão dos jurados foi unânime.

Aos vinte, entrou para a faculdade de direito. Até então, jogava no time do colégio de ensino médio, várias vezes campeão invicto dos torneios inter-colegiais, além de ter passado por todas as categorias de base do futebol de campo. Quase se tornou um jogador profissional. Encerrou a carreira sem tomar um gol.

Cinco anos depois estava formado como advogado. A fealdade foi embora junto com as espinhas expulsas por um tratamento de pele e a miopia exorcizada por uma cirurgia ocular. Ainda como estagiário, ganhou o seu primeiro processo cível. Primeiro de muitos.

Aos quarenta anos de idade venceu o milésimo processo por danos morais. Mudou para a vara criminal. Virou promotor e advogado de defesa. Condenou - e também absolveu – os injustamente acusados, loucos varridos e facínoras.

A beleza já voltara quando casou-se com Sofia, sua primeira namorada fixa. Na adolescência, feio como era, não ousou paquerar ninguém. Mesmo assim, conquistou Orlaine Regina, a empregada de sua casa que era dentuça, queixo pontudo, nariz rebaixado e olhos fundos. Claro que Victor fugia dela. E mais uma vez se saiu vencedor. Tão logo livrou-se das espinhas e do óculos virou um galã de cinema. Um conquistador nato. Sofia foi apenas a vigésima moça bonita que passou pelo seu currículo, digo, seu caminho. Com ela teve duas filhas: Laureane e Vitória.

Comemorava o seu aniversário de quatro décadas e meia quando veio a sua primeira derrota. No campeonato entre amigos de futebol society perdeu a sua invencibilidade de goleiro. Mas isso não abateu Victor. Seu time ganhou por 4 a 1. Um mês depois, levou três gols e o inédito duplo revés: o jogo e o torneio. Mas isso não o abateu.

Victor perdeu a sua invencibilidade profissional anos depois. Era um julgamento difícil. Atuou na defesa de um fazendeiro influente que matou um inimigo político a sangue frio. Mesmo com sua competência, o pistoleiro foi condenado por unanimidade não só por homicídio, como também por grilagem de terras. Apesar das ameaças que sofreu dos capangas do réu, o advogado não se intimidou. Mudou-se com mulher e filhas para a fria Noruega.

Lá, mesmo casado, encantou-se por Danika, uma bela nativa de olhos azuis cor do mar e cabelos pretos nanquim, pele branca como gelo. Amiga de Laureane, a filha mais velha adolescente. Perdeu também a invencibilidade de conquistador. Desta vez, Victor se abateu. Literalmente com roleta russa, que acertou o alvo na primeira e última tentativa.
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sexta-feira, 7 de novembro de 2008

EU BLOGO

TU BLOGAS

ELE BLOGA

NÓS BLOGAMOS

VÓS BLOGAIS

ELES BLOGAM
http://porquevocbloga.blogspot.com/

PARTICIPAM!!
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quinta-feira, 6 de novembro de 2008


A Filatelia em Portugal, a partir de 1912, teve nova transformação assim como a nossa Economia. A moeda da Monarquia, foi substituída pelo escudo através do decreto de 11 de Maio de 1911 que dizia:“A unidade monetária passará a ser o escudo de ouro que conterá o mesmo peso de ouro fino que a actual moeda de mil reis em ouro”. Foi então aberto um concurso público em Fevereiro de 1911 para o desenho de um novo selo com a nova moeda. Concorreram vários artistas, tendo sido classificado em primeiro lugar Constantino de Sobral Fernandes (divisa “Pátria” “Ceres”). Era de facto um belo desenho, mas o gravador, experiente, não foi capaz de reproduzir fielmente um dos mais belos selos portugueses. Foram estes os primeiros selos apresentados com a nova moeda, em folhas de 100 selos com denteado 15x14, utilizando papel porcelana, papel esmalte, papel pontinhado em losangos, papel liso, papel acetinado, papel cartolina com espessuras várias. Foram emitidos em centavos de cores sépia, preto, verde-escuro, castanho, carmim, violeta, azul, bistre, ardósia, tijolo, lilás vermelho, castanho s/ verde, castanho s/ rosa, laranja s/ salmão e 1 Escudo verde escuro s/ azul.


(Baseado em “Selos de Portugal” Ed. Electrónica vol. II de Carlos Kulberg)


Uma reprodução do primeiro selo da República, aqui representado, com o valor de ¼ centavos pertencendo à minha colecção.
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quarta-feira, 5 de novembro de 2008


Silêncio agradável
Por Gustavo do Carmo

Na apresentação do seu livro mais recente, O Silêncio dos Amantes, a autora Lya Luft diz que a idéia inicial era escrever um ensaio como o seu best-seller Perdas e Ganhos. No entanto, ao perceber que os personagens ganharam vida própria, saltando e sacudindo braços e pernas, segundo ela que decidiu transformar o texto em romance. Mas ao notar idéias fragmentadas resolveu, enfim, fazer uma coletânea de contos, tendo como temas dominantes a incomunicabilidade e a solidão, que seriam o mote para o projeto inicial. A morte, o mistério e a beleza também estão presentes nos vinte contos.

Talvez eu tivesse uma opinião diferente se saísse um romance. Ou nem teria comprado se fosse um ensaio. Mas da maneira como saiu, o livro me agradou. E muito. Os contos são interessantes, emocionantes, concisos e de linguagem clara e objetiva, sem deixar de lado a qualidade literária com seus lirismos e metáforas, geralmente deixados de lado para tornar os textos mais compreensíveis.

Destacar os melhores textos é relatar quase todos do livro. Fazendo um esforço, sem me preocupar em ser injusto, destacaria O anão como o melhor deles. O silêncio dos amantes, que dá título a coletânea, e o inicial A Pedra da Bruxa também merecem referências. O aniversário e Uma em duas são os mais complexos.

Vou comprar o Perdas e Ganhos e tentar rever o preconceito que eu criei no início do segundo parágrafo.
SOBRE O LIVRO

O Silêncio dos Amantes
2008
Formato (a x l): 21x14
160 páginas
Preço sugerido: R$ 28,00
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segunda-feira, 3 de novembro de 2008


Há quase duas semanas, inaugurando o meu novo blog Curto e Cultural, falei da poeta Ana Cristina Cesar, que havia sido destaque do caderno Idéias e Livros do Jornal do Brasil.

Na matéria o jornal lembrava os 25 anos da morte da escritora e anunciava o lançamento, no último dia 29 de outubro, do livro Antigos e Soltos, uma coletânea dos seus textos e poemas dispersos, todos constantes do acervo que desde 1998 está sob a guarda do Instituto Moreira Salles, quem está editando o livro.

Fica a Dica da Segunda desta semana, lamentando apenas o seu alto preço de 70 reais.

Para mais informações clique na capa e acesse http://ims.uol.com.br/ims/publicador_preview.asp?id_pag=284#
Clique aqui para quem quiser opções mais baratas da autora.
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domingo, 2 de novembro de 2008

Por Ed Santos 

O Paulo chegou, me cumprimentou e foi logo ver o que estava sobre a minha mesa naquela semana. Sempre que ele aparece por aqui é a primeira coisa que ele faz. De tempos em tempos eu troco os livros que deixo lá. Conforme vou lendo, faço uma reposição e aproveito pra deixar um ou mais à mão. Apesar de não ser lá um leitor voraz, leio acima da média do brasileiro que é 4,7 livros por ano. A pesquisa também aponta que o brasileiro compra 1,1 livro por ano, e eu tenho que confessar que compro mais do que leio.

Havia deixado um Machado de Assis (Dom Casmurro), por conta do centenário da morte do escritor, dois volumes da coletânea Para Gostar de Ler (poesia e crônicas), e um Neruda (Confesso que Vivi). Ainda não li nenhum deles. Além desses, sempre levo um na minha pasta, (o que está lá é um Borges), e mais dois na cabeceira da cama (Poe e Carlito Cunha).

Como eu estava conversando com outro amigo, ele deu uma olhada nos livros pegou o do Neruda e fez cara de exclamação, tipo “isso sim é que é escritor!”. Mas ia saindo sem falar nada para não interferir na conversa, até que não resistiu:

- Esse livro é fantástico, já leu?

- Ainda não, estou curioso. – eu disse me interessando depois de despedir-me do colega com quem estava conversando.

O Paulo como sempre entusiasmado, utilizando as palavras de forma muito bem estruturadas no seu falar, fez uma resenha da obra e emendou uma das suas histórias:

- Meu, isso aqui é perfeito! Uma obra prima. Ele escreve a história da vida dele, das dificuldades que passou e alguns relatos desde a sua infância. Faz uma abordagem do verdadeiro Chile e mostra uma fotografia totalmente diferente da que conhecemos daquele país. Ele descreve a fantasia do lugar de uma forma muito delicada, que nos faz devorar as páginas. É um livro de memórias escrito por um poeta que marcou. Bom, Neruda é um escritor completo né? Tempos atrás, eu era diretor de uma associação cultural e política num bairro que morei que era muito ativa e tinha uma participação muito forte da comunidade. Coisa de trezentas pessoas por evento nos finais de semana. A casa vivia lotada, era muito bom. Então, aí tinha um evento em comemoração ao dia internacional da mulher e eu estava encarregado pra preparar um panfleto e distribuí-lo. Dois dias antes de ir pra gráfica e eu ainda não havia conseguido escrever uma só palavra, estava sem inspiração, e também não queria escrever nada com tom discursivo. Não queria que soasse como texto reivindicatório, queria algo mais poético, afinal era uma homenagem às mulheres. Levantei, deixei o computador de lado e fiquei de frente pra minha estante por um momento observando os volumes que tinha. Puxei um Neruda e abri. Meu, você não acredita! Parecia magia o negócio! Abri, e lá tava: “Cada Dia Matilde”. Era um poema que ele tinha escrito pra mulher dele. Um poema maravilhoso, e que claro eu usei pra botar lá no meu panfleto, lógico. O pessoal adorou, vieram me falar que era lindo e tal, e eu realmente achei fantástico. O Neruda é o máximo. Agora, esse livro aí, você tem que ler com a cabeça vazia, que também é muito bom. Merece uma rede numa varanda fresca.

- Então eu vou esperar as férias pra ler ele e mais outro que eu ainda nem comprei. Ele vai sair dessa mesa aqui e vai dar lugar pra outros. Muitos outros.

 

 CADA DIA MATILDE

Tradução de Anderson Braga Horta     

         
Hoje a ti: és esbelta

como o corpo do Chile, e delicada

como uma flor de anis,

e em cada ramo guardas testemunho

de nossas indeléveis primaveras:

Que dia é hoje? O teu.

E é o ontem amanhã, não sucedeu,

nenhum dia se foi de tuas mãos:

guardas o sol, a terra, as violetas

em tua breve sombra quando dormes.

E assim cada manhã

presenteias-me a vida.

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