domingo, 1 de junho de 2008

Copo-de-leite

Por Ed Santos


Domingo passado fui à feira, e havia um cara vendendo plantas numa banca. Algo diferente para quem sai de casa pensando em comprar frutas, verduras, peixe, e comer um pastelzinho. Rosas, flores de vários tipos e cores, árvores frutíferas e as tais leguminosas. Ao passar em frente àquela banca, ouvi alguém comentar que o dia da árvore era comemorado em 21 de setembro por ser próximo ao início da primavera.

Pensei nessa coisa de meio ambiente, reciclagem, preservação, etc., e percebi a real importância da natureza em nossas vidas.

Vejam bem, não que eu seja um idealista, ou um modelo e exemplo de cidadão, mas acho que me senti importante pra natureza, assim como ela é pra mim. Sou importante sim. Do meu jeito, preservo a natureza. Não lavo a calçada com a mangueira, deixo juntar várias peças de roupa pra lavá-las de uma vez, não demoro no banho, e procuro fazer coleta seletiva de lixo. Procuro ser responsável, e faço pelo menos a minha parte.

Sejamos justos: nossos atos são tão importantes pra natureza, quanto ela é importante pra nós. É uma troca. E não vá pensando que estamos em situação confortável. Não estamos. Vejam só a importância do dono da banca de flores. Já pensou se ele não tivesse as flores pra vender? Independente do motivo, um é importante pro outro e isso inclui as outras pessoas também.

E quando você dá flores pra sua namorada ou pra sua esposa em datas festivas? Também não é importante pra elas? (Nesse caso, não. Na realidade é mais importante elas receberem flores em qualquer data, e sem qualquer motivo.)

- Amigo, gostaria de presentear minha esposa, o que você sugere?
- Do que ela gosta?
- Ora, de flores em geral. Mas não queria levar um desses ramalhetes com uma dúzia de rosas vermelhas. Muito “brega”.
- Ah, tá. É alguma data especial?
- Não, apenas quero presenteá-la.
- Poxa! Muito difícil dar flores pra alguém sem motivo nenhum.
- É que minha esposa é muito importante pra mim. E eu quero vê-la mais contente. Sempre.
- Ah, tá! Olha, o que acha desse copo-de-leite aqui?
- É lindo, né? Quanto custa?
- Pro senhor vou fazer um precinho camarada.
- Obrigado amigo. Vou levar.
- Faço um arranjo com essas fitas aqui?
- Sim. Pode fazer.
- E um cartão, quer?
- Legal. Escreve aí: “Para minha eterna flor, com carinho. Beto.
- E o nome dela no envelope, não vai por?
- Sim. “Para Margarida”.
- Margarida? Ela tem nome de flor.
- Por isso que ele é minha eterna flor!
- Ah, tá.

Comprei a planta, e levei-a pra casa. Minha mulher adorou, lógico. Tivemos um dia maravilhoso. Se não tivesse encontrado a tal banca na feira, talvez não teria tido um dia como aquele.

Quando a gente se preocupa com o outro, temos o mesmo em troca. Somos energicamente ligados e tudo o que fazemos, recebemos de volta. Com a natureza não é diferente. Eu procuro fazer minha parte, não maltratando a natureza, e ela me retribuiu com aquele copo-de-leite. Então, que tal se nós cuidássemos mais dela? Se nós fizermos isso, com certeza ela vai cuidar mais da gente. Aí nossos filhos quando estiverem adultos e irem à feira, poderão trazer um copo-de-leite pra quem eles gostam. Poderão ainda ter nos olhos o reflexo da beleza das flores quando chegar a primavera...

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