terça-feira, 29 de abril de 2008


"Na rua escura" Óleo sobre tela_80X100cm

Foram três os que saíram de repente da escuridão da obra em construção e dois a agarraram. O terceiro andava na frente, reconduzindo-os até o abandonado casebre do vigia. Mão na sua boca; voando entre os braços deles; fechou os olhos; permaneceu com eles fechados, mesmo quando voltou a sentir o chão sob os pés, e o calor da luz de uma vela sobre seu rosto.
- Babacas! Não é ela! Puta que o parió!
- Tem certeza?
- Tá me gozando? Não conheço a pilantra? Isso que dá junta de pentelhos.
- Merda, cara! Fazê o quê agora?
- Manda a dona embora, moleque.
- Pra caguetar a gente? Se reconhecé depois?
- Fazê o que, neguinho? Já fodeu. Vai matá?
- Sei lá. Por aí.
- Xápralá, vai. Melhor abandoná o campo e dá o fora.
- Quem garante que a velha não vai dá a ficha da gente?
- Ela vai? Aí, dona. Nem abre os olhos. Tá vendo alguém? Não, tá certo? É assim que vai ser. Não viu nem aconteceu nada, tá bom? Simbora, pentelhinhos, deixa ela aí.
- E a pistoleira? Se ainda aparecer?
- Fóda-se. Outro dia. Por hoje chega, mermão. Sujou. Fechou o expediente. Vamo’nessa.
- Tonce. Como é que é? Apago a velha?
- Neguinho. Tô falando com quem, caralho? Falei, va-mo-ne-ssa, porra! Tá vendo não, pivete, que a dona aí não tá com nada? Nem percebendo o que acontece.
- Sei não, bicho, periga cair em cana causa duma dona dessas. Posso usar a faca. Rapidinho. Sem barulho, nem nada.
- Olh’aqui, neguinho. Quem manda nesta merda? Tamo junto nessa, ou não? Que foi que eu falei?
- Tá limpo. Fica puto, não, Líder. Tá legal. Só não entendo as firula por causa duma dessas’aí. Pô, nem estrupo, nem nada? Assim, sem lucro. Eu tó na maior pendura, cara. Afim de comer a velha. Tu não, Gordo?
- Até comia.
- Tá vendo? O Gordo tá comigo.
- Tu também, Gordo? Puta que o pariu!
- Que "comia". Não que "matava".
- É rebelião dos pentelhos, é? Olh’aqui, se a gente comê a muiê, aí é que piora. Se deixar queto, vai dedar o quê? Se ela chamá os tira, vão até gozar na cara dela. Sacaram? Fica o dito pelo não dito. Só o susto e a corrida. Ninguém aprontou nenhuma. E tu, sua merda, fica de olho fechado que não mandei abrir! Tá querendo morré?
- Tá sim. Tá provocando.
- Tetão tem aí a velhinha, heim? Deixa passá a mão.
- Tá legal, se quiser comê, come. Eu tó fora e me evadindo do local. Noite de merda! Puta que os parió!
- Quanto fuzuê por uma dona dessas, porra. Tem coisa que nintendo que se passa na cachola desse cara.
- Passa, neguinho babaca, que eu bolei a jogada e a bola é minha. Tá ligado? Por que é de lei homem se vingar d’uma filha da puta que te mete os corno com teu pai, enquanto a gente tá dormindo no xilindró. Não vim cá pra matar gente que nunca vi, neguinho. Saco cheio dessa merda. Tá ligado? Então? Já falei. Tó em curso. Adiós, galera. Os moleque façam o que quisé com a dona. Se estupra, mata, é com vocês. Nem conheço a banda. Indo!
- Onde cê vai? Caralho, cara chato! Peraí, Líder, só uma trepadinha, cinco minutinhos. Três! Só isso. Não é mais pra sangrar, não! Né, Gordo? Vá lá, fala com ele.
- Eu não. Vai tu.
- Gordo bundão!
- Não enche o saco, neguinho. Pega logo na velha e vamo’nessa.
- Começa aí, vai, Gordo. Eu seguro o bagulho.
- Depois de tu.
- Gordo bundão! Até parece veado.
- Tu é cú mesmo, heim, baixinho! Dando onda e depois fica enchendo. Fôda-se! Tá ligado? Come sozinho a velha.
- Ué! Vai embora, Gordo? Peraí, galera! Porra, assim num dá. Vou comê a muié sozinho? E qual a graça? Quem vai segurar o bagulho? Volta aqui Gordo puto! São uns veados. Saco! E a culpa é tua, velha filha da puta! Posso te cortar, se eu quiser, tá sabendo? Aquele panaca não t’aqui pra te defender, velha escrota. Tá sabendo? Vai se preparando que vô te comê. Se abrí a porra desses olho, aí que tu vai conhecé quem te mata. Sem um pio, sarnenta! Vá logo com isso! Levanta as sáia e tira as calcinha. Vira aí, bota as mão na parede e põe o rabo pra fora. Abre essa bunda. Aííí, bundão gostoso tem a velha. E grita não, putona! Olha aqui a faca. Isso, assim mesmo que gosto. Gemer pode, que eu gosto, mas baixinho. Gostoso. Tá gostando, puta? Diz que sim! Se mexe, bruxa! Assim, assim que vou gozar. Vou gozar. Tô gozando, putona. Ah, coisada boa! Ah! Ei, essa é minha faca! Me dá ela aqui, velha escrota. Ai, caráio! Viu o que fez? Olh’aqui, tu me cortou a feize! Xi, vou te matar, filha da. Ai, porra, que tá fazendo? Ai! Mas. Peraí, velha! Pára com isso. Não empurra! Ei, tu me derrubou, sua vaca! Quer me matar, velha louca? Me dá essa faca que te perdôo, vai. Ai, minha mão! Que é isso, dona, cortou os dedo! Sai de cima de mim, filha d’égua! Sai! Ai! Galera! Gordo! Acode que a louca tá me matando! Ai! Mas. Mas, que merda. Pára, muié. Pára com isso, porra! Pirou. Ai, abre a porra desses olhos pra tu ver. O sangue no peito! Olh’aqui! Tá vendo? Ai, não tá vendo que. Que. Que tá me matando. Pára. Louca. Velha. Mãaaaae!
Ela levantou e jogou a faca sobre o corpo ainda estertorante.
- E, velha, é essa filha da puta de tua mãe, neguinho escroto!
Depois de se arrumar e chutar na cara do morto, saiu do casebre. Limpou o sangue dos sapatos mergulhando os pés numa poça de água. Quando chegou em casa, o primeiro que fez foi olhar-se no espelho.
- Velha, eu heim? Ainda dá pro gasto, viu? Moleque safado. Tsc!
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segunda-feira, 28 de abril de 2008


Texto: Gustavo do Carmo e Divulgação

Lya Luft fez muito sucesso com o ensaio Perdas & Ganhos, publicado em 2003 e que vendeu 600.000 exemplares. Logo depois sua coletânea de crônicas Pensar é Transgredir foi comprada por 215.000 leitores.

Atualmente colunista da revista Veja, a escritora retorna à ficção, depois de nove anos, com a antologia de contos O Silêncio dos Amantes (Editora Record, 160 páginas, 28 reais), com vinte textos sobre o que as pessoas deixam de dizer para as outras que amam, incluindo casais, ex-cônjugues, pais e filhos.

Segundo a divulgação, Lya Luft mais uma vez nos surpreende com histórias ligadas por alguns de seus temas prediletos desde os primeiros livros: a incomunicabilidade e o silêncio entre pessoas que se amam ou deviam se amar, os conflitos familiares, a busca de um sentido da vida, rancores, incompreensão, mas também magia e amor nos relacionamentos.
Um casal supera as dores do passado e encontra um novo caminho bastante singular; a rotina não permite enxergar o drama de quem está ao nosso lado; a mágoa e a revolta explodem numa libertação violenta; o preconceito em relação ao diferente pode ser mortal; a superficialidade impede de viver um verdadeiro amor; a morte revela o valor da vida: todos somos tocados pelo mistério.

Com coragem e delicadeza, Lya Luft nos provoca a vermos sob um novo prisma o nosso cotidiano, pressentindo a imprevisibilidade, que o torna mais rico. "Ser humano, com toda a miséria e grandeza que isso significa, não é apenas precisar de amparo e consolo, mas também enxergar, abaixo da superfície e atrás das paredes, novas possibilidades de viver e se relacionar." - completa a autora.

O último trabalho de Lya na ficção foi o romance O Ponto Cego, de 1999. A estréia no gênero foi nos anos 80 com Reunião de Família.

O Silêncio dos Amantes seria um ensaio, segundo a autora. Mas, ao escrever, ela acabou criando personagens e o livro quase se tornou um romance. Mas as histórias acabaram sendo fragmentadas.
Para mais informações, clique na capa do livro.
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domingo, 27 de abril de 2008

Regina foi abordada na saída da boate, às sete da manhã. As olheiras acusavam que a noite foi intensa, e o prazer também. Trabalhar era sua vida, mas o sonho ainda ia se tornar realidade. Adorava viver seu personagem, e o prazer, este era o da representação.

Ele perguntou onde ficava a Caio Prado, e ela disse: - Logo ali. Primeira esquerda, no farol.

Ela desapareceu subindo no ônibus, sem perceber que ele a fitara até o fim de seus passos curtos, e só então dobrou a esquerda.

No primeiro drink estava o desejo de revê-la e sugar-lhe até revelá-la. Ela aparece.

- Acho que já te vi hoje né?

- É. Eu também. Dormiu bem?

- Dormi. A tarde toda. E você? Achou a Caio Prado?

- Achei. Não sou daqui. Moro no interior, e vim procurar uma coisa, mas acabei achando outra.

- Preciso ir. Meu show é agora.

Regina estava acostumada com os olhares masculinos, mas nunca ninguém botara tanto reparo nela como aquele cara. Algo que nunca tinha vivido. E chamou sua atenção. Seria coisa do interior? Subiu no palco para sua apresentação, e sabia que seria difícil tirar os olhos dele. A cada movimento, cada passo de sua dança sensual, ela insinuava que havia percebido a intenção real do tal cara da roça.

- Betinho! Manda um cheeseburger, que tô virada de fome!

Enquanto matava quem tava matando-a, Regina percebe que está sendo observada, e que ele não tirava o olho. Sentiu-se numa sessão paparazzi.

Depois do lanche, saiu e foi ao camarim. Quando voltou, ele a esperava no corredor, e agarrou-a sem uma palavra sequer. Um beijo que só os dois souberam a intensidade.

- Betinho! Um Martini aqui pra moça! – E voltando-se à ela – Você parecia um anjo com aquele vestido azul.

- Minha saia era marrom! E a blusa era bege! – Disse ela, desanimada. Ele não havia prestado tanta atenção assim.

- O de hoje de manhã era azul. Com três botões atrás. E naquele saltinho, ficou perfeita. Se bem que, por si só, não há a necessidade de adornos.
O olhar de Regina entregou. Ela adorou o comentário.

Desde então, toda noite de show da Regina, ele ia até a boate. Já havia se mudado definitivamente para a capital, e íntimo de Betinho, pedia pra entregar bilhetes com poemas e mandava decorar com flores o camarim de Regina. Ela não conseguia esconder a satisfação de ser cortejada como se tivesse passando de mini-saia em frente a um campo de futebol de várzea, ou num canteiro de obras.
Naquela noite, ele abandonou o Martini e foi de uísque caubói:

- Te quero hoje! Você não sai daqui a não ser que seja comigo! Teu corpo é meu!
Apesar do frio, Regina corou a face e não conseguiu dizer não. Aquela noite aconteceu seu último show. Estava de partida pra uma outra turnê.

Engraçado como o amor de esposa e diferente de amor de amante. Ele agora só amava Regina como esposa…

Agora era cuidar da casa, dos filhos… A vida lá fora acabou e o sonho se perdeu. A Caio Prado ficou longe.
De noite, ao esperá-lo em casa, Regina sentada na frente do espelho lembra das noites, dos preparativos para o show, maquiagem. Lembrava dos olhares masculinos, como a tirar-lhe fotografias. Mais pra raios-X de tão profundas. Das cantadas mil e dos bilhetes que Betinho entregava – Vinícius, a Vinícius de Moraes, quanta saudade. Saudades das flores no camarim. Do Martini que a conduziu ao amor verdadeiro. Que pena.

A estrela passou a brilhar num único e diferente céu, e seu resplendor foi abafado.

Romance com Martini, flores no camarim e Caio Prado, nunca mais.
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sábado, 26 de abril de 2008

Por Gustavo do Carmo, via e-mail


Na segunda passada, dei o filme 3 Efes como a Dica da Segunda. Hoje apresento uma entrevista com o seu diretor Carlos Gerbase.

Portoalegrense, Gerbase é cineasta, escritor, músico, membro da Casa de Cinema de Porto Alegre e professor de cinema da PUC-RS. Além de 3 Efes produziu os filmes Tolerância e Sal de Prata, seus maiores sucessos. Como músico, foi baterista e vocalista da banda de rock Replicantes nos anos 80. Aventurou-se na literatura com a antologia de contos "Comigo, não!", de 1987 e seu último foi o romance "Professores", lançado no ano retrasado. O mais vendido foi o didático “Cinema: direção de atores”.


Por que a idéia de lançar o filme em quatro mídias diferentes (cinema, dvd, tv e internet)?
A idéia veio da constatação que num lançamento tradicional (começando pelas salas e deixando “janelas” entre as mídias) o filme não teria a menor chance. Aliás, quase nenhum filme brasileiro tem. Assim, comecei a negociar com todos os segmentos que mostraram interesse pelo filme (que estava em seu primeiro corte), já falando em lançamento simultâneo. A receptividade foi excelente. Foram esses contratos de pré-venda que me permitiram finalizar com qualidade e chegar às salas do sistema RAIN.

3 Efes é uma história original ou é adaptação de algum outro texto?
É uma história original, que já escrevi pensando em rodar com baixíssimo custo.

Dos livros que você publicou, qual(is) deu(deram) maior satisfação de escrever? E qual o mais vendido?
O mais importante, literariamente falando, é o romance “Professores”. O que mais vendeu foi “Cinema: direção de atores”, que está na segunda edição.

Entre os seus trabalhos (filmes, livros e o roteiro da minissérie Memorial de Maria Moura), qual o mais importante?
Acho que ainda é o filme “Inverno”, em super-8, porque nele comecei meu trabalho mais autoral e ousado.

Os seus três últimos filmes têm cenas de sexo e nudez, mesmo que a edição suavize a cena. Nesta nova fase do cinema nacional, que acabou com a imagem de "pornochanchadas" que os filmes brasileiros tinham, alguma atriz ainda resiste a tirar a roupa para os seus filmes?
Sempre converso a respeito quando faço o convite. Explico detalhadamente como vai ser a cena e pergunto se há algum problema com nudez ou simulação de ato sexual. Se há, é melhor dispensar o ator, ou a atriz, ou verificar se há algum outro papel disponível para ele/ela. Respeito, acima de tudo, o que as pessoas querem fazer, para que elas façam com prazer. Depois, ensaio essas cenas como todas as outras, de modo que, no set, não haja qualquer problema ou constrangimento. Sei de atrizes que não gostam, ou não querem, fazer cenas com nudez. Acho que isso limita um pouco as suas carreiras. Mas é um problema delas, e não meu. Depois que estou com o elenco escolhido, sei exatamente o que posso pedir de cada um.

Alguma atriz deu muito trabalho para fazer essas cenas?
Nunca tive problemas nesse campo, pelas razões listadas acima.

Agora falando do 3 Efes. Segundo a divulgação do filme, fasma é uma palavra grega que significa "viver em sociedade". Mas qual outra definição você daria?
“Fasma”, na semiótica, seria o signo. Nas teorias de narrativa, a capacidade de representação. Na psicologia, a imaginação.

O que te motivou a reunir numa mesma história, temas como fome, vida em sociedade e sexo?
Foi uma brincadeira (mais ou menos séria) com a tal teoria dos 3 Efes, que existe mesmo, e é de autoria do meu primeiro professor de cinema, Aníbal Damasceno Ferreira.

Por que os três "efes" são o apetite do homem?
Porque eles são a base para que o ser humano exista, enquanto ser biológico individual, enquanto espécie e enquanto segmento de uma base social.

Explicando o significado dos Três Efes para o público, amigos, parceiros e patrocinadores, logo vem à cabeça a palavra Fome, Fasma e Foda (falando palavrão mesmo). Enfrentou alguma resistência ou crítica ao falar o sinônimo chulo da palavra sexo?
Substituí “foda” por “sexo” porque era exatamente assim que o professor Aníbal Damasceno procedia em suas aulas.

Em qual meio o filme obteve melhor média de audiência?
Foi na Internet. Mais de 150 mil pessoas já assistiram ao filme.

Qual meio está te trazendo mais lucro?
Todos os meios foram quase que igualmente lucrativos.

Como está sendo o retorno financeiro geral da estratégia?
Muito bom. Aconteceu o previsto: as pessoas escolhem onde e como ver. Mas é importante destacar que o filme só se tornou viável devido ao seu custo muito baixo (cem mil reais).

Até quando o 3 Efes estará na internet?
O contrato com o Terra é de 2 anos, mas provavelmente vamos prorrogar.

Pretende levar o filme para as livrarias?
Não.

Pretende lançar outro filme com a mesma estratégia?
Sim, contanto que a produção também seja parecida.

Qual será o seu próximo trabalho? E em que fase de produção ele está?
Tenho dois projetos aguardando concursos federais. Se eles receberem alguma dotação orçamentária, ótima. Se não, já vou começar a pensar numa produção semelhante aos 3 Efes.

Qual o último recado para os leitores do blog?
Chamo a atenção para o novo site da Casa de Cinema de Porto Alegre – www.casacinepoa.com.br – que tem muitas novidades, entre elas um blog com textos de minha autoria, mais Jorge Furtado, Giba Assis Brasil e Luciana Tomasi.
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sexta-feira, 25 de abril de 2008

Ana nunca deixou de amar Pedro, que casou com outra. Anos depois, ele a procurou. Ana não o recebeu. Pela janela, viu-o desaparecer ao dobrar a esquina.
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http://dudv-descarrego.blogspot.com/
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quinta-feira, 24 de abril de 2008





Muito antes do aparecimento do selo, as cartas circulavam pelo Mundo postas simplesmente no correio, recebendo um carimbo nominal da estação expeditora. Caso esse carimbo não existisse, o que era raro, era designado manualmente o nome da localidade. A correspondência era paga pelo destinatário e, no canto superior direito era colocado um selo fixo ou manuscrito, ou aplicado através de carimbo. Estes últimos tinham cor sépia. Também havia cartas pagas pelo remetente. Neste caso, o carimbo a aplicar era outro: FRANCA, ou PAGOU O PORTE.
Os serviços públicos isentos de pagamento, apresentavam ao centro em cima, as iniciais RS ou SNeR. Nas cartas registadas escrevia-se SEGURA.
Estas cartas são hoje valiosíssimas. Há coleccionadores que se dedicam só a este tipo de temática com álbuns muito valiosos.
Deixo aqui apresentados dois exemplos de duas cartas distintas. Uma segura de Alenquer para Azambuja de 13 de Maio de 1836, muito rara. Outra expedida normalmente de Coimbra para o Porto em 10 de Outubro de 1837.
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quarta-feira, 23 de abril de 2008





Boa Idéia
Por Gustavo do Carmo

Desde que surgiu em 2001, a Oi usa o mesmo padrão visual nos seus comerciais de televisão. A fotografia é num tom roxeado, esverdeado ou amarelado, de acordo com as cores do layout da empresa. E uma criança encerra o comercial dizendo o nome da operadora de telefonia. Além disso, o humor também sempre fez parte da comunicação. Com esse conceito, a Oi já produziu comerciais inteligentes, engraçados, polêmicos (como um que chamava consumidores de atrasados mentais, que foi tirado do ar pelo Conar), grandes campanhas (como a do Bloqueio Não) e também algumas bobagens.

De qualquer forma, esta imagem motivou o Grupo Telemar, que opera a telefonia fixa, inclusive pública, nos estados do RJ, MG, ES e alguns do Nordeste, a trocar, por causa das freqüentes reclamações que recebia, sua marca pela Oi, que, até então, era apenas a marca de telefonia celular do grupo. Foi criado, assim, o Oi Fixo.

Para a sua mais nova campanha de divulgação deste serviço, produzida pela NBS Comunicação, a Oi convidou a atriz Dira Paes, no momento grávida. No filme, ela comenta sobre sua gravidez e agradece à operadora por ter um telefone fixo a sua disposição quando precisasse receber ligações do marido e da mãe, ou ligar para a família depois que o bebê nascer e ainda pedir um jiló com acabate (desejo tradicional que as grávidas costumam ter nas horas mais impróprias) em domicílio.

O comercial não tem nenhum atrativo visual. É uma típica propaganda testemunhal. É simples como o slogan da marca (Simples Assim). Para alguns, pode parecer boba. No entanto, ela se revela criativa exatamente no final, quando ela mostra o folder e o copo do serviço de entrega 24 horas de jiló com abacate. A intenção não era essa, mas o filme acabou dando uma boa sugestão de abrir um negócio lucrativo para atender aos desejos das gestantes. Como ninguém pensou nisso antes?
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domingo, 20 de abril de 2008


Depois de encontrar dificuldades para fazer pesquisas na internet sobre diversas personalidades que admirava, o jornalista Sandro Fortunato decidiu criar um site só para falar deles. A ex-vedete e pioneira do naturismo no Brasil, Luz del Fuego, era uma dessas e foi a primeira a ganhar um site experimental de Sandro, hospedado no antigo Geocities. Isso foi em 21 de março de 1998. Quase um mês depois surgiu o definitivo Memória Viva, dedicado a biografia de personalidades já falecidas.

Em uma década, o site colecionou prêmios, indicações do iBest, foi destaque em todos os meios de comunicação e evoluiu. Primeiro tornou-se mais completo, com mais dados sobre seus biografados. Logo depois, materiais inéditos e raros passaram a ser o diferencial do Memória. Em 2005 se transformou em um portal, com mais biografias, notícias, fotos antigas e inovou ao resgatar matérias da saudosa revista de interesse geral O Cruzeiro, famosa entre os anos 30 e 70 do século XX. Não era uma reprodução escaneada da revista. Era como se fosse uma versão "online" da publicação se ela ainda existisse. Logo depois as revistas O Malho e Careta (ambas do início século passado) ganharam o mesmo trabalho. A novidade é a reprodução, em breve, da Realidade, antigo periódico da Editora Abril, que circulou entre 1965 e 1968.

Ontem o Memória Viva completou dez anos de atividade. E por isso, o Tudo Cultural o homenageia com a Dica da Segunda. Parabéns, Sandro!

Para acessar, clique na imagem abaixo ou nas revistas citadas. Em breve, entrevista com o criador do Memória Viva.

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No domingo de manhã, quando entrava em campo, ele se transformava. Ronaldo esquecia de tudo e de todos, e era futebol carne e osso. E sangue.

Dava a vida por uma partida. A diretoria do time sempre apostava nele, pois sabia que ele era pau pra toda obra, mesmo não jogando tão bem às vezes. Era daqueles que unia a raça e a determinação para alcançar a vitória. Os outros o viam como um líder. Mas como todo líder, com o tempo foi substituído. E o Roberval, se encarregou disso.

O Roberval não era arrogante, mas muito diferente do amigo, ele se achava o máximo. Suas entradas duras intimidavam qualquer adversário e a postura de guerreiro, saltava-lhe os poros. Mas tinha um defeito: se achava. E não percebia. Que pena.

Contava vantagem de tudo, principalmente no que diz respeito ao seu desempenho nos gramados (se é que podemos chamar os campos de várzea de gramados). “Você pensa que carregar um time nas costas é fácil?”. Essa sempre era a resposta quando lhe perguntavam algo sobre as partidas. Ele se achava! Era ele e mais dez, desde o dia em que o Ronaldo o levou pra estear no time.

Na estréia o Roberval até que jogou bem. Foi até elogiado pelo goleiro, que só não tomou um gol por intervenção do estreante. No vestiário ele diz ao técnico: “Acho que pra uma estréia, joguei muito bem, aliás, mantive o nível. Pena que o resto do time não tenha dado o mesmo sangue que eu.”.

O Ronaldo escutou, os outros não. Se tivessem escutado, com certeza iriam questionar. Onde já se viu, um cara que se acha a última bolacha do pacote, soltar as suas logo na estréia.

O técnico do time, sempre polido, disse ao Roberval que ele fora trazido pelo amigo num momento tranqüilo, de jogos amistosos, e pediu pra ele manter a forma e procurar se entrosar com o grupo antes do campeonato do bairro começar, mas o cara continuou em cima dos tamancos: “Pode deixar que até lá eles acertam a jogar do meu lado!”.

A cada domingo o resultado das partidas se alternavam entre derrotas, empates e algumas vitórias, e o Ronaldo já ia se arrependendo de ter apresentado o “amigo” (assim mesmo entre aspas, porque com um amigo desses, quem precisa de inimigos) pra jogar no time. O Ronaldo não se sentia mais à vontade, e também percebeu que os colegas estavam estranhos com ele.

Foi difícil, mas ele percebeu que o Roberval era o responsável pelo mal estar geral, tanto que numa conversa com o colega, o Roberval lhe disse pra não se importar não que ia ser difícil, mas com o tempo o resto do time ia se acostumar a jogar no seu estilo. Vê se pode!

Olha, eu tenho uma enorme inveja das mulheres porque conseguem andar sobre um calçado com aquele baita salto. Na maioria das vezes fininho, fininho. Mas não consigo ver nenhuma qualidade numa pessoa que não desce do salto.

Então, vamos tomar cuidado, porque quanto mais alto estamos, maior é o tombo! O Roberval, não demorou muito foi limado do time... Pelo próprio amigo que o levou. E o salto nem era tão grande assim, eram apenas as travas de uma chuteira.
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sábado, 19 de abril de 2008

Por Gustavo do Carmo

Quando eu decidi ser escritor, a primeira coisa que eu escrevi foi um conto de cinco laudas que contava a história de um jovem universitário que tentava se matar e foi salvo por uma jornalista que o empregaria anos depois. Tinha o título de Após a Decepção. Isso foi em 1998.

Depois comecei a escrever uma segunda história, que acabou se estendendo para um romance. Tive outras idéias para escrever. Mas faltou vontade. Vieram alguns problemas pessoais e eu precisava terminar a faculdade de jornalismo. Além disso, me dediquei a transformar o primeiro conto Após a Decepção no romance Notícias que Marcam (título parecido com o eu cheguei a usar no conto, só que no singular), que eu publiquei no ano retrasado.

Na penúltima Bienal do Livro, em 2005, o Globo Online lançou um blog voltado para novos autores que podiam ter seus textos publicados. Isso me motivou a voltar a escrever. Nasceram os contos Indecisos e Os Seios da Minha Namorada. Pena que não foram publicados no tal blog. Eram muito grandes. Para os padrões deles. Porque para mim já eram suficientes. Suficientes para se tornarem os meus favoritos e me incentivar a me dedicar de vez aos contos.

Ainda me lembrava das antigas idéias e outras surgiram. Fui escrevendo mais contos, já depois do lançamento do livro. Enquanto eram poucas e eu não chegava aos trinta anos dava para guardar na cabeça. No final de 2006 entrei em uma oficina literária na Cândido Mendes e, a partir de então, me motivei a escrever ainda mais. Por conta disso e pela necessidade de reservar a minha memória para coisas do dia-a-dia, ficou impossível guardar na cabeça todas as idéias que chegavam. Então recorri a um hábito que todos os escritores fazem: anotá-las num caderno.

Passei a levar um pequeno caderno e uma caneta em qualquer lugar que eu ia. Principalmente ao shopping, quando esperava a minha irmã sair do cabeleireiro ou acompanhar a minha mãe na fisioterapia. Mesmo se eu tivesse que segurar o caderno na mão. Não cabia no bolso. A não ser o da jaqueta. Mas não fazia frio todo dia. As idéias vinham sem querer e eu precisava do caderno por perto para não perdê-las. Algumas não tiveram a mesma sorte. Quando tinha a oportunidade de anotar já haviam sumido da memória. Em um ano e meio preenchi um caderno inteiro. Comecei outro. Agora acredito que tenho idéias demais. Para contos.

Porque agora decidi escrever crônicas como esta. Até então eu era resistente às narrativas do cotidiano. Mas me rendi ao gênero. As idéias vieram devagarzinho e mais uma vez precisei anotá-las para dar conta. Este tema, aliás, já é o segundo da lista do caderno. O primeiro deu origem à crônica Transporte Solidário Carioca. Quem sabe eu passe a escrever poemas e comece a anotar as idéias? Uma coisa é certa: vou começar a anotar os assuntos que eu tenho para conversar com os amigos, os sites que eu preciso visitar e as tarefas que eu preciso fazer. Porque a idade também está aumentando e isso é mais um motivo para recorrer ao caderninho de idéias.
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sexta-feira, 18 de abril de 2008

Venda meus olhos e segure minha mão. Não quero testemunhar os sete anjos tocarem as trombetas, anunciando o fim. Perfurem meus tímpanos. Ficarei mais tranqüila, na ignorância.
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quinta-feira, 17 de abril de 2008

“Um erro, em gramática, é um solecismo; em teologia pode chegar a ser uma heresia; em poesia chama-se “pé-quebrado”; em música é uma desafinação ou fífia; em pintura é causa de riso; em arquitectura, de ruína; no comércio pode invalidar um contrato; em filatelia pode valer uma fortuna.”

Autor desconhecido




O Homem, desde sempre sentiu necessidade de comunicar. Fosse através do som, de sinais de fumo, da fala, da escrita, era necessário comunicar.
Ora, para comunicar de uma terra para a outra, mesmo a curta distância, era necessário haver alguém que transportasse o documento escrito ou fazer passar a mensagem de alguém para outro alguém, estivesse onde estivesse.
A estes homens, chamavam-se os mensageiros que, como o nome indica, transportavam a mensagem.
Ao longo dos tempos a mensagem foi evoluindo, os meios de a fazer circular também evoluíram, dando origem a uma sociedade mais aberta, mais próxima.
Hoje, estou em Portugal a editar este Blogue para que todos vós o possais ler aí no Brasil. O meio que estou a utilizar, é o e-mail. Em segundos, esta pequena página feita no Word, vai estar disponível na Internet. Mas poderia fazê-lo de outra maneira. A tradicional! Tradicional para o tema que estou a tratar aqui. Mas já “ultrapassada” para muitos.
Nesse caso, teria de pôr este artigo num envelope, colocar-lhe um selo, um destinatário e ir ao Correio deixar o envelope.
É sobre esse pequeno rectângulo chamado selo, que vos irei falar mais detalhadamente todas as quintas-feiras.
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segunda-feira, 14 de abril de 2008


Da primeira vez que falou, alguém gritou: "Pára com esse berreiro, garoto!"
Da segunda vez disse alguma coisa, e ouviu gritarem: "Vai pra escola e aprende a falar, moleque!"
Depois, toda vez que falava, ouvia dos outros:
"Que tá falando menino? Cala a boca que é muito criança!"
Então trocou palavras por assobio:
Logo de madrugada na ponta do bico, o assobio despertava com ele.
"Pára, que não ouço o galo cantar!" - a mãe no quarto.
E o papagaio, ciumento cordial, imitava no bico, tentando o assobio.
"Pára, que vai confundir o coitado" - a mãe na cozinha.
Ela dizia o tempo todo: "menino, pára que vai chamar as galinhas"
Mas o garoto não queria parar. No assobio, o cantar e o falar.
Se perguntar, ele respondia com assobio.
Se cantarem, ele, assobiante, a acompanhar.
Se pensar, nem pensar!
Que o ressabio confundia o assobio. "Menino pára com esse ruído que não ouço o leite a ferver!"
Mas que biquinho magoado é esse na boca do constante assobiador?
"Mas o assobio não era um pequeno vento com música?" - pensava o menino.
Vento pequeno traz tempestade.
E a mãe gritava tempestade:
"Menino, pára com isso e fala!"
Para quê, se assobiando falava melhor?
"Que algazarra! Sai já daqui!"
Então pegou desgosto, pegou assobio que ninguém gostava, e foi-se embora!

Encontra e se esconde na floresta.
De repente diferente, fica mágica quando ele assobia.
E assim descobre o encanto de ser ouvido e dançado.
Todos em festa na floresta, os galhos a dançar, dos ramos as folhas a cair, roçam de pontinha o chão verde, dão passinhos para ouvir melhor o conserto do assobio concertando o silêncio.
Os passarinhos sem ciúme rodopiam trinando, acompanhando o novo amigo trinador.

"Onde, o assobiador, dona?"
"Cadê aquele menino?"
"Onde será que se meteu?"
"Não volta mais, dona?"
"Ih, a floresta comeu! Será?"
"A calada dentro da casa e o menino longe dela"
"Ai, como dói esse sossego!"
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Texto: Gustavo do Carmo e Divulgação

A dica desta segunda é o filme 3 Efes, dirigido pelo diretor gaúcho Carlos Gerbase. Os três efes são a fome, o sexo (o f correspondente é o famoso palavrão) e o fasma, palavra grega que tem a ver com vida em sociedade.

Representam a necessidade do homem e estão ligados aos personagens da história, protagonizada pela jovem universitária Sissi (Cris Kessler), que trabalha como operadora de telemarketing para ajudar o pai, viúvo e desempregado. Como nunca tem dinheiro, ela vive com fome. Uma amiga diz que está ganhando muito fazendo programas, e a moça começa a pensar nessa possibilidade para aumentar a renda. Sua tia Martina (Carla Cassapo), cozinheira de mão cheia, também anda desgostosa com a vida. A mulher, que faz pratos elaborados, começa a convidar um catador de papel (Paulo Rodrigues) para dividir a refeição. Da mesa para a cama é só um passo. O marido Rogério (Leonardo Machado) mal tem tempo para ela, pois está cheio de problemas na agência de publicidade onde trabalha. Ele não sente muita fome, mas o sexo passa a ter um papel fundamental quando é obrigado a virar amante de sua chefe para garantir o emprego.

O longa 3 Efes foi rodado em Porto Alegre em apenas 20 dias, entre dezembro de 2006 e janeiro de 2007. Carlos Gerbase trabalhou com uma equipe formada por universitários do curso de Cinema, que usaram uma câmera mini-DV e um kit de luz portátil nas gravações. O elenco é formado por novatos, como a protagonista Cris Kessler e o papeleiro vivido por Paulo Rodrigues. Outros atores já haviam trabalhado com o diretor antes. Ana Maria Mainieri atuou em Tolerância e Carla Cassapo, Leonardo Machado e Fábio Rangel fizeram pequenos papéis em Sal de Prata.

3 Efes foi lançado há quatro meses em quatro mídias simultâneas: cinema, televisão, dvd e internet. Segundo Gerbase, a estratégia permite a "democratização" do cinema nacional. E isso não é uma novidade. Nem no Brasil. Há dezenove anos Cacá Diegues lançou "Dias Melhores Virão" no cinema e na televisão aberta. E Domingos Oliveira, mais recentemente, apresentou o seu filme "Carreiras" da mesma forma.

No cinema 3 Efes já saiu de cartaz. Na televisão já foi exibido pelo Telecine em dezembro. O DVD pode ser encontrado em algumas locadoras. Na internet, foi feita uma parceria com o portal Terra e foi dividido em cinco partes e é o meio que teve maior audiência: mais de 150 mil pessoas já assistiram. Para ser mais um espectador, basta clicar no cartaz do filme.

Veja o Making Of e a Ficha Completa.

Em breve, entrevista com o diretor Carlos Gerbase.

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domingo, 13 de abril de 2008

Ed Santos


Uma amiga esses dias me contou a seguinte história:
“Pensei que era porque eu era mulher, mas prestando bem atenção, percebi que não acontece só comigo não, graças à Deus! A coisa é generalizada, e acontece com qualquer um.

Porque quando você está parado no farol, sempre tem um que buzina quando acende a luz verde? Não é incrível a coincidência? Pode prestar atenção. Acendeu o verde uma buzina toca. Isso quando não tocam várias ao mesmo tempo.

Estava eu indo pra casa depois de ir ao mercado, calma e tranqüilamente. Botei lá um CD do Caetano: ‘Fonte de mel nos olhos de gueixa...’, adoro o Caetano, e fui em disparada. Virei a esquina e mais um cinqüenta metros um semáforo fechado. Tudo vermelho. Parei, olhei no retrovisor, arrumei o cabelo e pensei que deveria procurar um dermatologista, pois minha pele estava horrível.

Cantarolava em dueto com o Caetano, mas com os olhos firmados na sinaleira. Engraçado como nessa hora você percebe as coisas. Vê os detalhes ao seu redor. A calça que o garoto estava usando tinha um buraco no joelho, mas só numa perna a outra estava normal, percebia-se que ele havia feito aquilo de propósito, ou rasgou sem querer, mas não era o modelo da calça. Onde já se viu, uma calça rasgada apenas numa perna? As paredes daquele bar estão precisando de uma mão de tinta... À minha esquerda os carros saem de uma via transversal e entram na via onde estou parada, mas a quantidade de carros é tanta que quando o semáforo fica verde, eu ando apenas uns dez metros e paro de novo. Tome mais buzinaço no ouvido. O Caetano se estivesse ao vivo pararia o show e teria pedido silêncio.

Já estava na terceira música do CD, mas ainda sem pressa e muito atenta ao trânsito. Era o segundo farol fechado que eu encontrara no caminho, e agora devia ter uns três ou quatro carros na minha frente. O verde aparece de novo, e o indelicado que estava atrás de mim dispara aquele som terrivelmente ensurdecedor. Poxa, não percebe que não adianta buzinar? Tá tudo parado! Enfim saímos e até com progresso, mas havia um último semáforo até que eu saísse daquela via e seguisse pra casa. Agora o percurso tinha se transformado numa via de duas pistas, e o cara que havia buzinado pra mim no semáforo anterior estava ao meu lado. Olhou pra mim, deu um sorriso e acenou com a cabeça. Eu aumentei o rádio e arrumei o cabelo de novo, e me distraí com os acordes da música que acabara de começar: ‘Debaixo dos caracóis dos seus cabelos...’, a trilha sonora daquele dia estava perfeita.

O farol abriu e quando olhei pro lado novamente, o cara deu um sinal de tchau no mesmo momento em que outro carro buzinou pra ele acordar e seguir. Quando foi sair, deixou o carro morrer, e ficou lá atrás. Simplesmente engatei uma primeira e saí olhando pelo retrovisor e ouvindo dois sons diferentes, um era o som das buzinas que soavam enlouquecidas para o cara que estava lá atrás atrapalhando o trânsito, o outro era mais uma vez o Caetano cantarolando no meu ouvido: ‘Alguma coisa acontece no meu coração, que só quando cruzo a Ipiranga e a Avenida São João...’. Vai entender esse trânsito louco, né?”
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sábado, 12 de abril de 2008

Gustavo do Carmo

O jornal do fim de noite de um famoso canal de televisão exibia uma matéria sobre pessoas que faziam compras em supermercados, malhavam na academia, faziam tratamento de pele e marcavam consulta até com o dentista. Tudo de madrugada.

Um dos entrevistados, freqüentador de um supermercado que funcionava durante 24 horas, era Dionísio, um jovem rapaz, na faixa dos vinte e cinco anos. Ele disse para a repórter que trabalhava o dia inteiro e só tinha tempo para fazer compras depois da meia-noite. No final da matéria voltou para acrescentar que era mais prático e tranqüilo comprar no horário alternativo.

De fato, Dionísio só tinha tempo para resolver os seus problemas de madrugada. Mas não trabalhava exatamente o dia inteiro. Jornalista formado, fazia "clipagem", ou seja, buscava o que saía na imprensa sobre o cliente da produtora e criava um álbum com as matérias publicadas. Seu turno era das quatro às dez da manhã. Deixava o escritório na Tijuca, andava uns dez minutos e pegava o ônibus. Chegava ao apartamento, em Copacabana, em pouco menos de uma hora, dependendo do trânsito. Por volta do meio-dia ia almoçar (ou jantar) e, depois, finalmente dormia. Acordava às oito da noite. Fazia o seu desjejum enquanto muita gente jantava. Começava o seu dia quando os vizinhos chegavam do trabalho, exaustos, o que era percebido pelo movimento de entrada na garagem do prédio.

Fazia os trabalhos que levava para casa. Duas horas depois saía à rua. Passava no caixa eletrônico do banco e em seguida no jornaleiro, onde comprava as primeiras edições dos cinco principais informativos e também das duas publicações esportivas. Era mais pelo trabalho, ao qual se dedicava muito, do que para o lazer. Após algumas voltas no calçadão da praia, entrava na loja de conveniência e fazia um lanche que servia de almoço para não mexer na cozinha de madrugada e acordar os vizinhos do apartamento em frente. Finalmente ia ao supermercado e fazia as compras da semana.

Não eram todos os dias que Dionísio visitava o supermercado. Somente às quintas-feiras. As segundas eram reservadas para a academia, as terças para o dentista ou o tratamento de pele, na quarta tinha novamente a academia e às sextas ele ficava em casa por causa do movimento noturno no bairro. No sábado à noite, viajava para Conceição de Macabu, onde nasceu, foi criado e ainda moram os pais. Voltava para o Rio segunda-feira de manhã.

Acostumado com a rotina na capital, dormia o dia inteiro e só acordava à noite na cidade pequena, onde tudo fechava cedo. Os bares e restaurantes funcionavam até, no máximo, às duas horas da manhã. Dionísio não gostava de beber e os restaurantes eram muito fracos. Ficava perambulando pela casa durante cerca de quinze horas. Angustiava-se. Morria de saudades dos pais, mas não via a hora de voltar ao apartamento alugado no Rio de Janeiro, ao seu trabalho de clipping e às atividades comerciais da madrugada.

Dionísio achou o emprego na internet. Tinha o sonho de morar e fazer sua vida no Rio, mas precisava trabalhar. Chamado para a entrevista, passou e foi aprovado. Fizeram uma festa em casa. No entanto, os pais ficaram tristes porque o filho precisou se mudar e eles não podiam ir. A mãe, costureira, tinha os seus clientes e o pai tinha um bazar que não podia ficar abandonado. Ainda assim, seria bom para Dionísio morar sozinho e ganhar experiência de vida. O pai ainda ajudou o filho a alugar um apartamento de dois quartos na Tijuca, perto do trabalho.

Na empresa, o primeiro material que reuniu foi muito elogiado por um cliente, ex-participante de reality-show. Depois outra aprovação de uma petrolífera multinacional. A mesma opinião teve uma ONG de educação. Dionísio passou a ser mais procurado. Com isso, a sua responsabilidade aumentou. Pediu e ganhou um aumento. Com ele, depois de alguns meses, entregou o apartamento na Tijuca e alugou outro na Rua Constante Ramos, em Copacabana, também de dois quartos, realizando outro antigo sonho: morar perto da praia.

Nos primeiros dias de trabalho, Dionísio tentou manter uma vida normal. Mas chegava em casa tão cansado que acabava dormindo e só acordando às oito da noite. Aí notou que precisava fazer o trabalho que trouxera e se viu sem tempo para sair na rua e fazer atividades básicas como ir ao supermercado, à banca de jornal, ao dentista, além de aproveitar a cidade do Rio de Janeiro.

Um dia, viu no jornal da televisão uma primeira matéria sobre os serviços dia e noite. Se interessou tanto que decidiu procurá-los. Começou freqüentando uma loja de conveniência, ainda na Tijuca. Depois procurou um dentista. Marcou a primeira consulta para uma da manhã. Já na terceira, o profissional desistiu porque foi assaltado ao voltar pra casa e parou de trabalhar de madrugada. Dionísio teve que procurar outro para o seu horário incomum. Só achou em Copacabana. Quando o supermercado que freqüentava na zona norte também deixou de atender à noite, Dionísio decidiu se mudar. Já estava viciado em resolver seus problemas urbanos de madrugada. Tanto que recusou a oferta da dona da empresa de transferir o seu expediente para o horário comercial.

Um dia ele foi dispensado. Não soube se foi por corte no pessoal ou a diretora percebeu alguma coisa errada nele. Apesar de dedicado, Dionísio teria deixado de incluir uma matéria importante sobre um cliente. Uns disseram que Dionísio já começara a trabalhar demais. Estaria tão ansioso para aproveitar as atividades noturnas do comércio que já não dormia mais. Uma moça teria visto seus olhos vermelhos e logo achou que era por causa de drogas. Um colega o encontrou em uma drogaria de plantão, às três da madrugada, na Tijuca, perto do escritório. Houve várias versões sobre a demissão de Dionísio. O fato é que o rapaz não se importou. Nem quis voltar para Macabu. Preferiu continuar em Copacabana, mesmo.

Por três meses cumpriu o ritual que estava acostumado a fazer. Aparentemente estava tudo normal. Era como se Dionísio ainda trabalhasse na produtora de clipping. A partir do quarto mês, o pai não quis mais pagar o aluguel. Era uma forma de pressioná-lo a voltar para o interior. Depois de alguma resistência, acabou cedendo. Entregou o apartamento no Rio de Janeiro e voltou para a cidade natal.

Tentou manter a mesma rotina de quando era clipista na Tijuca. Queria comprar os sete jornais, as duas revistas, ir à academia, ao supermercado, ao dentista e à esteticista. Não conseguiu porque tudo isso só funcionava durante o dia, sob a luz do sol, que Dionísio já rejeitava. Parecia um vampiro que temia virar pó com a claridade. Já andava de óculos escuros pela casa fechada com cortinas, assustando os pais e as freguesas da mãe. Ficava o dia inteiro sem dormir e só saía na rua à noite, na cidade já deserta. Vivia na farmácia de plantão, comprando estimulantes sem necessidade, virando assunto na cidade, envergonhando os pais.

O pai perdeu a paciência e tentou impor um limite. Ou Dionísio voltava a trabalhar ou seria expulso de casa porque não ia sustentar vagabundo. Logo se apiedou e ofereceu o bazar para ele trabalhar. Dionísio não tinha vergonha da fonte de sustento da família, mas quando adolescente só queria trabalhar como jornalista. Agora, já maduro, até aceitou ajudar o pai. Desde que trabalhasse de madrugada.

Como um empresário visionário, propôs que o bazar funcionasse 24 horas e ele tomaria conta. Seu Osmar, pai de Dionísio, recusou imediatamente. Disse que não ia dar lucro e que era perigoso, pois a farmácia já fora assaltada. Dionísio, então, pediu à mãe que lhe ensinasse a costurar (algo que ele odiava quando criança) e propôs adiantar as encomendas enquanto ela dormia. Dona Maria Lúcia estranhou, mas acabou aceitando.

Dionísio costurou por algumas semanas. Estava indo bem. Ganhava até elogios das freguesas da mãe. Eis que o pai voltou a procurá-lo para dizer que lhe tinha arranjado um emprego de vigia noturno. O rapaz aceitou na hora, antes de Seu Osmar perguntar se ele tinha certeza, pois era um emprego perigoso.

E lá foi Dionísio trabalhar como vigia da farmácia. Ganhou até uma arma, sem bala, pois servia apenas para assustar os ladrões. O turno de Dionísio era de meia-noite às seis da manhã. A farmácia ficava ao lado da sua casa.

Quando chegava, tomava banho antes do café da manhã que preparava para ele e a mãe. Já de óculos escuros, assistia à televisão e ajudava a mãe a fazer o almoço e também a costurar. Às quatro da tarde começava a fazer seu clipping... imaginário.

Não comprava os sete jornais faz tempo. Inventava tudo. Os pais começaram a ficar preocupados. Principalmente quando Dionísio começou a atender telefonemas inexistentes de clientes virtuais. Não os da internet, que ele tentava conseguir realmente, mas não tinha sucesso. Eram clientes criados por ele mesmo. Já começava a falar sozinho, organizando reuniões fantasiosas.

Uma noite, o dono da farmácia foi procurar o pai de Dionísio em sua casa. Ele não havia comparecido ao trabalho. Os pais e o patrão, amigo da família, o procuraram pela casa toda. Dona Maria Lúcia começou a se desesperar. Ainda mais quando o pai achou um bilhete curto e seco deixado pelo filho: “Fui para o Rio de Janeiro.” A primeira coisa que Seu Osmar fez foi procurar o revólver do dono da farmácia. Não estava lá. A sua pistola particular também não.

Dionísio chegou a Copacabana por volta das dez da noite. Entrou no supermercado que freqüentava quando morava no Rio. Ouviu pelo alto-falante o locutor anunciar que o estabelecimento estava encerrando as atividades do dia. O ex-clipista estranhou.

Perguntou a um segurança porque eles estavam fechando se o supermercado funcionava 24 horas por dia. O vigilante, um moreno forte e alto, disse que eles pararam de atender dia e noite depois de um assalto que sofreram. Dionísio se indignou. Sacou as duas armas que trouxe do interior e o rendeu.

Mesmo em desvantagem física, Dionísio obrigou o segurança a fechar as portas do supermercado e manteve todos os funcionários e fregueses como reféns. Gritando muito, completamente alterado, exigiu a presença de repórteres da mais famosa emissora de televisão. Ameaçou explodir o supermercado se alguém chamasse a polícia antes dele terminar o seu plano. Alguns fregueses cochichavam que Dionísio estava drogado, por causa dos seus olhos vermelhos. Mas ele não estava. Nem tinha tomado o estimulante. O que o entorpecia era a loucura mesmo.

Duas horas depois apareceu a equipe da imprensa. Uma repórter morena e bonita, de terninho amarelo, acompanhada do cinegrafista, um homem forte e moreno como o segurança rendido por Dionísio. Este autorizou a entrada apenas dos dois jornalistas e impôs as condições para liberar os fregueses e os funcionários do supermercado: produzir uma matéria sobre os serviços 24 horas na cidade do Rio de Janeiro. Assustados, os repórteres concordaram imediatamente. E começaram a entrevistar os freqüentadores, deveriam mostrar que estava tudo bem. Que era apenas uma pauta de rotina.

Dionísio atuou como o produtor da matéria desejada. Selecionou algumas pessoas. Escolheu um casal, um homem de cabelos grisalhos, o gerente e uma das caixas do supermercado para serem entrevistados. Ele mesmo também fez parte da matéria. Exigiu uma maquiagem para disfarçar os olhos vermelhos.

Dionísio disse para a repórter que trabalhava o dia inteiro e só tinha tempo para fazer compras depois da meia-noite. Depois de uma pausa na gravação, acrescentou que era mais prático e tranqüilo comprar no horário alternativo. Recomendou que este depoimento encerraria a matéria.

Satisfeito, Dionísio libertou os funcionários e os freqüentadores do supermercado. Todos estavam livres após quatro horas de tensão. Com exceção dos dois jornalistas, que continuaram com as duas pistolas apontadas por Dionísio. O clipista exigiu continuar a matéria na academia e, depois, nos consultórios noturnos do dentista e da esteticista.

Não deu tempo. No caminho para o carro da reportagem, Dionísio vacilou ao espirrar. Foi dominado pelo cinegrafista e surpreendido pela polícia, que o prendeu e o levou para a casa de custódia, sob a acusação de seqüestro, porte ilegal de armas e perturbação da ordem pública.

Condenado, foi cumprir a pena no manicômio judiciário. Lá, assistiu ao telejornal do fim de noite com a matéria sobre pessoas que faziam compras em supermercados, malhavam na academia, faziam tratamento de pele e marcavam consulta até com o dentista. Tudo de madrugada.

Dionísio era a estrela principal. Depois, começou a fazer o seu próprio clipping com as matérias verdadeiras sobre o seqüestro no supermercado publicadas na imprensa.
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O Tudo Cultural tem o prazer de anunciar mais dois nomes para a sua equipe.

Domingo estréia Ed Santos, escritor talentoso de São Paulo, que promete ser uma revelação na literatura com suas crônicas de ficção. Ed também é colaborador do jornal Cotidiano, de Ferraz de Vasconcelos.

E direto de Portugal vem o nosso primeiro colaborador estrangeiro: João Paulo Simões, que acessa o Tudo Cultural lá da terrinha (falta o desenho dos ursos polares se abraçando que o Patolino sempre coloca quando descobre acessos do exterior) Simões é especializado em filatelia, tem o blog Filatelicamente, e promete falar do assunto já a partir desta quinta-feira e semanalmente, aqui no blog.

Então, sejam bem-vindos Ed e João!
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sexta-feira, 11 de abril de 2008

é tudo mentira vivian, não belisquei a bunda da sua mãe, não chamei o seu pai de safado e seu irmão de veado, eu não fiz essas coisas vivian; tem que acreditar em mim, não tenho culpa que as pessoas não vão com a minha cara, vivian estou com dor de cabeça, vivian por que não está comigo agora? vivian fui sacaneado no trabalho, é mentira que fiz xixi na xícara de café do chefe, vivian eu te amo, onde você está? vamos mandar todo mundo se foder VÃO SE FODER VÃO SE FODER VÃO SE FODER VÃO SE FODER VÃO SE FODER VÃO SE FODER VÃO SE FODER VÃO SE FODER VÃO SE FODER VÃO SE FODER VÃO SE FODER; vivian não agarrei a sua melhor amiga, não chutei o seu cachorro, não tentei envenenar seu gato; não percebe que querem nos separar vivian, vivian não tem que acreditar em tudo o que dizem, você é muito influenciável vivian, vivian preciso de você vivian; estou sozinho vivian, todo mundo quer me fazer mal vivian, vivian não fiz nada do que as pessoas disseram vivian; vivian sabe qual é o meu problema é que sou inocente demais, as pessoas abusam de mim como você vivian, me abandonou vivian preferiu acreditar nestas pessoas que só querem me sacanear vivian; vivian você tem que ficar comigo vivian, vivian não é verdade que os meus pais têm medo de mim vivian, vivian eu era muito criança quando pus fogo na cama quando estavam dormindo vivian, só tinha dez anos vivian, queria fazer só uma brincadeira vivian; vamos fazer amor vivian, vivian escuto sirenes, vivian eu sou uma pessoa normal vivian; diz pra eles vivian, vivian, cadê você vivian; VÃO EMBORA, vivian fala pra eles vivian que não fiz nada de errado, vivian fala alguma coisa vivian, SUA VACA desculpa vivian; tirem as mãos de mim ME AJUDE VIVIAN...
***
http://dudv-descarrego.blogspot.com/

http://duduoliva.blog-se.com.br/blog/conteudo/home.asp?idblog=13757
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quarta-feira, 9 de abril de 2008


Melhor para os mais jovens
Por Gustavo do Carmo

Publicado pela Ediouro, o Almanaque da TV é o penúltimo lançamento de uma franquia que começou há quatro anos com o Almanaque Anos 80. O sucesso foi tanto que gerou uma edição especial só de perguntas e respostas sobre a década bastante revivida atualmente. Dois anos depois, foi lançada a versão Anos 70. Semana passada, foi lançado o Almanaque Anos 90, do mesmo grupo editorial, mas agora assinado pelo selo Agir. A coleção também é composta pelos almanaques do Fusca, da Jovem Guarda e dos Quadrinhos.
O livro, escrito por Bia Braune e Rixa (dupla de redatores do Vídeo Show, da Rede Globo), como todo almanaque, tem textos curtos e objetivos, acompanhados de fotos (muitas fotos), contando histórias e curiosidades da televisão, o aparelho responsável por reunir, desde os anos 50, a família brasileira em um único cômodo. Seus capítulos são divididos por temas como a história do aparelho televisor, os primórdios da TV brasileira, apresentadores de programas de auditório, os reality shows que se tornaram a moda dos últimos anos, música, dramaturgia, tabus, musos e musas, humorísticos, programas infantis, jornalismo, sensacionalismo e a cronologia da TV no país

O público-alvo são os jovens que estão começando a ter o hábito de ler e pesquisar. Para eles o almanaque é altamente recomendado. Mas a impressão que se tem é que foi feito somente para eles. Os mais velhos e aqueles que já leram o outro livro do Rixa (também chamado Almanaque da TV, editado no início da década) e a coleção completa dos almanaques do grupo Ediouro, poderão lembrar de tudo e achar que faltou alguma coisa. Entre esses leitores, o almanaque pode provocar algum arrependimento de quem já comprou ou não despertar interesse em quem deseja comprar, pois não traz muita coisa nova. Na parte gráfica, o seu defeito é o tamanho das letras de alguns verbetes. Pequenos e juntos demais, dificultando a leitura de quem geralmente já tem a vista cansada, como este que vos escreve.

Mesmo assim, o Almanaque da TV não é um livro proibido para maiores de vinte e cinco anos. Pode ser até comprado para consultar de vez em quando e resgatar aquela informação que estava perdida na memória de quem já passou dos trinta anos.

SOBRE O LIVRO

Almanaque da TV
Bia Braune e Rixa
Ediouro
2007
Formato (a x l): 23x 20,8 cm
312 páginas
Preço sugerido: R$ 49,90

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terça-feira, 8 de abril de 2008



Resenha dos Almanaques Anos 80 e Anos 70
Publicada originalmente em 31 de outubro de 2006
Republicação com algumas alterações


O título da resenha parece óbvio, mas o que eu quero dizer é que os dois almanaques sobre décadas passadas foram escritos com lembranças diferentes, que se devem à idade que os autores tinham na época relatada. Para ser mais claro, digamos que enquanto um relembra a infância o outro é a juventude.

Já no subtítulo podemos ver as diferenças entre uma e outra. Os anos 80 são uma década muito divertida. Os 70 são muito doidos.

Primeiro a ser lançado, em 2004, o Almanaque Anos 80 pega carona no revival da chamada "década perdida" (rótulo condenado pelos dois autores Mariana Claudino e Luiz André Alzer e também por mim) que faz muito sucesso na televisão, na música e principalmente na internet. Crianças na época, os autores relembraram todos os ícones da década retrasada, abrindo com programas de televisão, infantis, brinquedos e guloseimas, que tiveram maior destaque no livro. Estilos e costumes também ganharam referências, mas foram para o final.
Já as lembranças e a organização do Almanaque Anos 70, foram mais maduras. Tanto que a também jornalista, a famosa Ana Maria Bahiana, que já tinha os seus vinte e poucos anos, teve o cuidado de dividir o livro em duas partes, de acordo com as duas fases que marcaram a década: a primeira metade, entre 1970 e 1974, dominada pelo confronto de dois estilos de vida - os caretas, os mais certinhos, e os desbundados, aqueles que só queriam diversão, paz e amor, mesmo enfrentando o regime militar. Já a segunda metade, entre 1975 e 1979, foi marcada pela discoteca e rock'n'roll. A televisão encerrou as duas fases do livro. Por causa da divisão, o Almanaque Anos 70 ficou bem mais volumoso do que os 80. São 416 contra 304 páginas.

O Almanaque dos Anos 80 se tornou um best-seller, o que gerou até um segundo livro, só de perguntas e respostas: o Jogo dos Anos 80. O sucesso motivou a Ediouro a apostar nos dez anos anteriores. E, de quebra, ainda surgiu o Almanaque do Fusca (Fábio Kataoka e Portuga Tavares). Mas as curiosidades sobre as décadas não param. Vem aí o Almanaque dos Anos 60, dos Anos 50 e também dos 90.
SOBRE OS LIVROS:
Almanaque Anos 80
Luiz André Alzer e Mariana Claudino
Ediouro
2004
23 x 20,8 cm (AxL)
304 páginas
Preço sugerido: R$ 49,00
Por R$ 33,90 no site da Saraiva
Almanaque Anos 70
Ana Maria Bahiana
Ediouro
2006
23 x 20,5 cm (AxL)
Preço sugerido: R$ 49,90
Por R$ 29,80 no site da Saraiva
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domingo, 6 de abril de 2008

Nos dias 12 e 13 de abril, sábado e domingo, vai acontecer a mais ambiciosa ação urbana de caráter artístico a ser realizada no Rio de Janeiro, há uma década ou mais. Uma seleção de dezoito artistas, representativa de diversas tendências da cena contemporânea carioca, irá ocupar um dos pontos de maior importância histórica da cidade – o Morro da Conceição, entre o Centro ea Zona Portuária – com instalações, intervenções e performances, além de oficinas de criação e outras atividades paralelas promovidas pela comunidade eas instituições presentes no local. O evento constituirá um legítimo happening cultural, inspirado no exemplo de Hélio Oiticica, propiciando a convivência entre artistas, comunidade e público visitante, num dos pontos mais privilegiados do patrimônio histórico da cidade.

SOBRE O EVENTO:

Horários: 12 e 13 de abril, sábado e domingo, manhã,tarde e noite em tempo contínuo.
Recepção: Casa da Cultura doMorro da Conceição, Adro de São Francisco (subir escadaria à altura da RuaSacadura Cabral, 73, Praça Mauá).
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sábado, 5 de abril de 2008

Por Gustavo do Carmo

Ser sincero é correr o risco de ser condenado ao fracasso.
Ser sincero virou motivo de piada. Tema de programa humorístico.
É preciso pedir aos outros para falar com sinceridade. Mas quando você pede, não é atendido. Tem aqueles que falam com sinceridade sem você pedir. Sem sequer ter pedido uma opinião. Mas, na verdade, estão é te julgando.
Seja franco. Confesse todos os erros que você cometeu. Vai perder a confiança de quem ouviu a sua confissão.
Se sinceridade fosse uma qualidade, os pais nos ensinariam desde cedo.
Eles ensinam a não mentir. Não a ser sincero.
Por isso reprovam quando você é sincero com uma tia gorda ou com um primo feio.
Ser sincero para a sociedade é ser infantil. Por isso que as crianças são as pessoas mais sinceras que existem.
Não exija sinceridade de um amigo. Muito menos uma satisfação dele. Vai achar que você está cobrando. E ninguém gosta de ser cobrado.
Advogado não pode ser sincero. Vendedor não pode ser sincero. Postulante de emprego, muito menos.
Por isso, a sinceridade não vende. Não vende porque não presta?Deve ser porque não serve. Sinceridade não vale a pena.
Por isso, temos que ser falsos. Falsos como a sociedade.
A gente finge que é sincero.
Para ser sincero é preciso ser corajoso.
Não ter medo de perder amigos, amores, empregos, oportunidades, negócios, confiança, dignidade.
Pois você se arrisca a tudo isso.
Ser sincero é correr o risco de ser condenado ao fracasso.

Sinceramente...
Este texto está uma merda.
Não sei onde eu estava com a cabeça para escrever esta reflexão da sinceridade.
E ainda republicar.
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sexta-feira, 4 de abril de 2008

A sombra:– Sinto sua presença, mesmo na escuridão.

A luz: – Eu também, quando estou na claridade.

O corpo: – Esquecem de um fator importante, vocês duas precisam de mim para se encontrar.

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http://dudv-descarrego.blogspot.com/
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