segunda-feira, 30 de setembro de 2019



Crônica de Gustavo do Carmo


Relembrando o passado, fico pensando nas discussões que eu tive na vida, nas verdades que eu deveria ter falado e nas atitudes que eu deveria ter tomado. Me calei. Fiquei inerte para evitar maiores constrangimentos ou mesmo retaliações. Entre muitos exemplos, aqui vou contar alguns deles.

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quinta-feira, 26 de setembro de 2019

João Paulo Mesquita Simões



17 de setembro de 1979 - Portugal, após a Revolução de Abril de 1974, leva a cabo a construção de um Serviço Nacional de Saúde justo para todos os Portugueses que, até à data, estava nas mãos dos particulares e dos serviços médico-sociais das Caixas de Previdência.

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quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Gonadotrofina coriônica.
É a essa substância que o segundo tracinho do teste de gravidez comprado na farmácia reage e Roberta descobre que está grávida. Seu sorriso de lábios finos divide seu rosto e vai de uma olheira a outra. Quando então ela conta a Paulo, seu marido, a alegria se torna completa. Após 7 anos de casados, superando as crises e tudo que advém do pacto de uma relação séria, agora eles verão os frutos de seus esforços. E eu falei frutos porque no hospital eles são informados de que são gêmeos.
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terça-feira, 24 de setembro de 2019



Se você entrar no Café Literário, verá uma enorme parede de dois metros e meio de altura com uma estante embutida recheada de livros, dos mais diversos conteúdos. Ali só se vende café comum em caneca (não têm copos de plástico para viagem) por dois reais e chá mate por um (gelado ou quente, à sua escolha). Você pode pegar qualquer livro e passar o tempo que quiser em um dos puffs ou mesas, desde que compre um dos itens acima. Se quiser levar um dos livros, é só pagar um real, não importa qual seja o livro. Se quiser devolver, o próximo café ou chá é de graça.


Américo entrou no Café e pediu um chá gelado. Foi até a estante e pegou um livro qualquer. De crônicas. Assim poderia ler alguns dos textos sem se comprometer a ler o livro todo.
Sentou-se em uma das mesas e poucos minutos depois um dos funcionários trouxe seu chá. Na caneca havia um desenho de um buldogue andando de skate. Ele sorriu ao ver isso.
Fora Jéssica, sua namorada, que pediu para que ele a encontrasse ali naquela hora.
Ele leu uma, duas... Quando estava na metade da terceira crônica aleatória, Jéssica entrou no Café. Tinha uma expressão séria. Ele começou a ficar preocupado.


- Olha. Eu... Acho melhor eu ir logo... – Ela pegou a bolsa e saiu, sem olhar para trás.
- Claro, claro... – disse ele sem emoção, segundos enquanto ela desaparecia de sua vista, dobrando a esquina.
Ficou encarando o livro de crônicas sobre a mesa. A capa era rosa e o título e o nome do autor em branco, atrás a silhueta de uma cidade cheia de arranha-céus, como aquela em que ele vivia.
Levantou-se e ao fazer isso derrubou a caneca, derramando o resto do líquido sobre o livro.
- Ah, eu-- Desculpa-- Mas que merda.
Uma das funcionárias aproximou-se dele com um pano de prato. Colocou-o sobre o líquido, absorvendo-o.
- Eu, eu-- Pode deixar-- Eu pago o livro.
- Ei, tudo bem – ela colocou a mão sobre seu ombro.
Ele respirou fundo. Sentou-se novamente.
- Posso perguntar o que aconteceu? Quer que eu chame alguém? Parece tão pálido.
Ela pôs as costas da mão sobre a sua testa.
- Não parece quente.
- Não, eu tô bem. Eu só... – deu um sorriso amarelo. – Só a minha namorada que me deu um pé na bunda.
- Ah... Nossa, eu sinto muito.
Ela parou. Depois pegou o pano de prato e o livro ainda encharcado de chá.
- Posso fazer alguma coisa pra você?
- Não, não...
Ele tirou uma nota de cinco.
- Aqui, fica com o troco. Eu... Eu preciso tomar um pouco de ar.
Saiu do Café.


- Então, foi assim.
Ana ficou alguns segundos em silêncio. Os dois estavam na sala do apartamento de Américo, sentados no sofá. Na televisão passava um jornal qualquer.
- Nossa... Seca assim, desse jeito?
- Desse jeito.
- Olha, eu já levei pé na bunda até por telefone e não foi tão ruim assim.
- Pois é...
Ele se levantou.
- Quer alguma coisa?
- Não, tô bem.
Entrou na cozinha. Ana ficou sentada no sofá. Ele encheu um copo com água. Tomou um gole. Parou na porta da cozinha. Encostou-se no batente.
- Mas o pior foi ela ter escolhido justo aquele Café.
- É mesmo, lá é bem legal.
- Agora toda vez que eu entrar lá eu vou lembrar daquela filha da puta.


Conto de Lucas Beça
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segunda-feira, 23 de setembro de 2019


Por Gustavo do Carmo


Toca o telefone. Depois de muita espera, é atendido por uma voz jovem.

— Alô?

— Alô, boa tarde? Eu queria falar com a Neyla Beatriz?

— É ela mesma.

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quinta-feira, 19 de setembro de 2019

João Paulo Mesquita Simões


Emissão conjunta Portugal Espanha, comemorativa dos 500 Anos da Expedição de Fernão de Magalhães, saída a 12 de setembro.

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terça-feira, 17 de setembro de 2019



Fez o que prometeu a si mesmo.
Pelo menos a primeira parte.


Pensou por um momento antes de fazer merda do jeito que os amigos previram.


Estava precisando de um recomeço.


- O amor é uma coisa estranha para você?
- Por quê?
- Ah, sei lá. Tive essa impressão. Só isso.


Faltava pouco mais de três meses para sua primeira viagem de férias. Ainda estava esperando a ficha cair.


Por Lucas beça
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segunda-feira, 16 de setembro de 2019



Conto de Gustavo do Carmo


Enfim perdeu a virgindade. Até então tinha pavor de morrer sem ter se deitado com alguma mulher. E já estava com 35 anos. Perdeu as ilusões com um casamento, filhos e até um simples romance. 

Foi exatamente por este motivo que, depois do sexo (ardente e gostoso como um chocolate), Afonso propôs à bela primeira mulher com quem transou que não houvesse nenhum compromisso entre os dois.

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quinta-feira, 12 de setembro de 2019

João Paulo Mesquita Simões

Grito do Ipiranga. A 7 de setembro de 1822, D. Pedro declara o Brasil independente.

Em 1984, os CTT - Correios de Portugal, emitiram este selo comemorativo dos 150 anos da morte do monarca.


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terça-feira, 10 de setembro de 2019



Ana não sabia se sentia raiva ou decepção. Américo furou de novo. Sempre fazia isso. Ou não aparecia ou chegava atrasado. Ela e Júlio estavam saindo do cemitério. Vieram prestar homenagem ao quarto integrante do grupo.  Faziam isso todo ano. Era para Américo estar ali também.
- Nossa, é tão triste... Como que é possível, né?
- Bom, todos nós vamos morrer um dia, então... – ela disse a Júlio.
- Como é que é? Sério? Como assim todo mundo vai morrer?
- Você tá de brincadeira, né?
Ele a olhou seriamente.
- Sobre as pessoas...
- Morrerem? – ele parou. Sorriu – Mas é claro!
Rá! Rá! Rá! Só você mesmo...
- Só você mesmo digo eu, pra cair numa dessas.
- Bobo.
Eles continuaram a andar em direção à saída.
- Sabe, eu prefiro esses cemitérios do que aqueles com umas casinhas e tal...
- Por quê?
- Sei lá, eu me sinto meio esquisita. Parece uma cidade pra gente morta... Sei lá, é estranho.


“Droga, como é que eu fui esquecer?”, pensou Américo enquanto pegava do cabide o único blazer preto que ele tinha. Vestiu-o e percebeu que não tinha vestido a camisa, ainda estava com a camiseta do AC/DC que estava usando há dois dias.
- Merda!
Tirou o blazer e a camiseta e vestiu a camisa branca. Olhou para o relógio em cima da cômoda. Era pra ele estar lá meia hora atrás. Essa hora os dois já estariam quase saindo. Depois de se vestir, pegou a chave do carro. Tirou o celular do bolso e enquanto saía do apartamento mandou uma mensagem para Júlio dizendo que estava quase chegando.


Silêncio. Américo dirigia. Ana estava sentada no banco do passageiro e Júlio atrás. Américo olhou para ela, que estava com o rosto virado para fora. Ele voltou o olhar para a estrada.
- Então, como foi hoje?
Ana o olhou com a cara fechada, encarando.
- Desculpa Ana, é que...
- Nem começa, pelo amor de Deus! Todo ano a gente vem. É a única coisa que eu ainda te peço. A única!
- Poxa, Ana, isso acontece... – Júlio tentou amenizar.
- Ah, para com isso, não defende ele não. Ano passado ele também esqueceu.
Ela parou e mais uma vez o silêncio tomou conta.
- E nem pra entrar lá.
- Mas eles tinham já fechado.
Américo disse isso e não quis olhar nos olhos dela. Pelo canto viu que ela o estava encarando novamente. Depois tornou a olhar pela janela. Júlio tentou mais uma vez.
- Que tal a gente pedir uma pizza e esquecer isso tudo?


Quase metade da pizza não foi tocada. Ninguém estava no clima para comida e conversa, mesmo sendo pizza. Ana e Júlio logo foram embora.
Júlio já estava apertando o botão do elevador quando Américo a chamou.
- Ana?
- Hã? – ela se virou. A raiva já havia passado agora.
Américo aproximou-se dela.
- Olha, eu... Eu realmente queria ter ido. Queria mesmo.
Ela respirou fundo. O abraçou.
- Eu sei.
Ficaram em silêncio depois do abraço. Ela passou a mão em seu peito.
- Ué, e a gravata?
- Pois é.
O elevador chegou e abriu as portas.
- Bom, tchau...
- Tchau, Ana.


Américo fechou a porta do apartamento e lentamente andou até o sofá. Largou-se nele e olhou fixo o teto. O cheiro da pizza na mesinha de centro ainda estava presente. Virou-se e viu que a garrafa de refrigerante estava aberta. Ele esticou o braço e a fechou. Voltou a encarar o teto.
- Mas que merda!


Conto de Lucas Beça
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segunda-feira, 9 de setembro de 2019


Microcontos de Gustavo do Carmo 


Doce
Era um doce. Tornou-se estúpido e agressivo para não atrair mais formigas e abelhas. 
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quinta-feira, 5 de setembro de 2019

João Paulo Mesquita Simões



Se fosse vivo, Freddie Mercury completaria hoje 73 anos.

Foi uma voz ímpar no Rock, e no conjunto que tinha: Os Queen.

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terça-feira, 3 de setembro de 2019



- 91
Tudo está muito bom, então perdão por escrever uma carta tão curta. É que eu estou bastante cansado.


- 92
Estou escrevendo essa carta no salão de café da manhã.
Se você pudesse ver tudo que tem aqui...
É possível se perder só aqui no meio de toda essa comida.
Caramba.
Desculpa, eu vou ter que repetir. Hahaha.
Escrevo mais tarde.


- 93
Apesar de estar muito bom e tudo mais, por incrível que pareça, nos últimos dias você vem aos meus pensamentos.
Quase metade das pastilhas já foram embora.


- 94
Mais um dia no café.
Mais um dia.
Não tenho muito o que dizer agora.


- 95
A Karen acordou com cólica hoje. Ficou lá no quarto do hotel.
Acho que vou lá ficar com ela. Eu já fiquei bastante tempo na piscina.
Estou escrevendo cartas demais.


- 96
Meu ex-chefe passa a maior parte do tempo bêbado.
Pelo menos ele conta piadas quando está assim.
Ele acabou de sair do quarto.
Estava aqui para ver se a Karen estava se sentindo melhor.


- 97
Eu não consigo dormir.
São três da manhã e estou aqui na varanda, fumando o cigarro eletrônico e escrevendo. Karen está dormindo.
A luz do luar em seu rosto a deixa ainda mais bonita.
Você vem a minha mente o tempo todo.


- 98
São quatro da manhã.
Já guardei a outra, e estou escrevendo mais uma.
Por quê?
Por que, meu Deus?
Droga!
Merda!
Eu semp


- 99
A Karen me viu escrevendo e quis saber o que era.
Pegou da minha mão, por brincadeira.
Depois vasculhou na minha mochila. Achou as outras.
Queria explicações.
Merda!
Porque que eu fui tão descuidado?
Discutimos.
Expliquei.
Ela não entendeu.
Não está falando comigo.
Estamos no mesmo hotel de beira de estrada.
Quando chegarmos em casa eu vou mostrar todas as outras cartas a ela.
Se ela quiser que eu pare, eu paro. Sem mais segredos.


- 100
Nunca pensei que chegaria a carta de número 100. Nunca pensei que ficaria sem você por mais de seis meses.
A Karen no fim entendeu.
Não quis ler as outras cartas.
Disse que seria invasão de privacidade.
É por isso que eu amo essa mulher.
Bom, isso e muito mais.
Foram vocês que me impediram de voltar a fumar.
Vocês que me mantiveram na sanidade.
Obrigado.
Acho que vou dar um tempo nessas cartas de qualquer maneira.
De novo, obrigado.


Última parte do conto de Lucas Beça
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