sábado, 9 de maio de 2015

TUDO NA CABECEIRA - O QUE EU JÁ LI: O HOMEM VOLKSWAGEN


TEXTO: GUSTAVO DO CARMO | CAPA: DIVULGAÇÃO 


Biografia do executivo Wolfgang Sauer, que foi presidente da Bosch e da Volkswagen do Brasil e na América Latina, O Homem Volkswagen - 50 Anos de Brasil foi a terceira biografia de personalidade da indústria automobilística que eu já li. As outras duas foram a de Lee Iacocca, famoso ex-presidente da Ford e da Chrysler nos Estados Unidos, e a do herdeiro do império Fiat, Gianni Agnelli. 



O alemão Wolfgang Franz Josef Sauer nasceu em Stuttgart há 85 anos. Vivia com os pais e duas irmãs uma vida de classe média, pois seu pai era diretor de uma empresa de carvão. Mas quando ele morreu, Wolfgang, aos quatro anos, e sua família entraram na pobreza. Aos nove anos, a Segunda Guerra Mundial começou e a família Sauer precisou se esconder em abrigos antiaéreos. Aos 14 começou a trabalhar, justamente numa mina de carvão. Na escola, foi um aluno medíocre, a ponto de um diretor dizer para a sua mãe que ele não teria um bom futuro. Aos 16 anos, deixou a mãe e as irmãs para trabalhar em uma distribuidora de peças em Portugal. Se saiu tão bem no serviço que recebeu uma proposta da alemã Bosch para ir trabalhar na Venezuela, onde fez a empresa crescer. 

Em 1961 chegou ao Brasil para ocupar um cargo de diretoria na Bosch, em Campinas. Sauer também cresceu a filial brasileira. Com ideias ousadas e uma grande visão de futuro chegou à presidência não só das operações locais como também da divisão da América Latina da maior indústria de autopeças do mundo. Construiu a nova fábrica da empresa alemã. 

Em 1973 levou o seu talento para a Volkswagen, onde ficou na presidência até 1993. Ajudou a desenvolver o Gol, conseguiu interromper a greve liderada pelo então sindicalista Luís Inácio Lula da Silva após difícil negociação, teve a ideia de exportar o Passat para o Iraque - na famosa triangulação entre Volkswagen, Petrobras e o governo de Saddan Hussein - e também foi o responsável por exportar o Voyage para os Estados Unidos com nome de Fox, e o Santana para a China. Ah! E também articulou a criação da malfadada parceria com a Ford na Autolatina. Depois que largou o grupo Volkswagen se dedicou à sua empresa de consultoria e a construir uma fábrica de semicondutores. Se apaixonou tanto pelo Brasil que se naturalizou brasileiro. 

Em linguagem clara, bem organizado e narrado em primeira pessoa, misturado com depoimentos de vários amigos (sinalizados pelas aspas), o livro é bom de ler e fácil de assimilar as histórias. Mas os diálogos que aparecem confundem um pouco. Também notei alguns momentos de autopromoção exagerada. Mas confesso que me emocionei com ele quando soube da morte de sua mãe. Com exceção da sua infância e pré-adolescência, foca mais na sua vida profissional e empresarial do que na vida pessoal, detalhando os bastidores dos seus grandes projetos e grandes negociações. Alguns não deram certo, como o Projeto Pará, uma fazenda no meio da Amazônia. 

Publicado pela Geração Editorial, em 2012, o livro tem prefácio do ex-ministro da Fazenda Antônio Delfim Netto, do designer da Rede Globo Hans Donner - cujo país de nascença, a Áustria, tem grande identidade com a sua Alemanha - e do jornalista Salomão Schvartzman. Pena que Sauer não poderá mais atualizar a sua biografia. Ele morreu em 2013. 

Foto: Isto É Dinheiro

O Homem Volkswagen foi o último livro digital que eu comprei na livraria Gato Sabido, que encerrou as suas atividades no mês passado. A empresa já devia estar em dificuldades quando demorei para conseguir baixá-lo. Recorri a vários sites de defesa do consumidor.  

Avaliação
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O homem Volkswagen – 50 anos de Brasil
Autor: Wolfgang Sauer
Gênero: Biografia
Formato: 15,5 x 23 cm
Págs: 528 + caderno de fotos
Peso: 0,658kg
ISBN:9788581300962
Preço: R$ 58,00 (R$ 26,91 em e-book no Google Play) 

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