sexta-feira, 29 de julho de 2011






Por dudu oliva




Não é novidade para ninguém que as redes sociais são simulacros da vida real. Tem pontos positivos, mas negativos como a discriminação de classes. Isso é percebido nos conceitos que fazem entre o ORKUT e o FACBOOK. O primeiro é considerado “povão”, enquanto o segundo é “cool”. Percebe-se o processo de defasagem entre os pobres e os ricos que sempre aconteceu na História. Os ricos acompanham o que acontece no momento em relação à moda e as novas tecnologias, já os pobres vivenciam o passado.

No início, quando os computadores eram muitos caros e a Internet um artigo de luxo( principalmente há 10 anos), os abastados frequentavam redes sociais e formavam os grupinhos de pessoas que eram conectadas às ultimas notícias da evolução da tecnologia. A Internet está se popularizando e cada vez mais as pessoas estão se integrando às novas mídias sociais; em seguida, certas pessoas acham que a “inclusão de digital” significa “mal gosto de pobre”.

Sempre ouço comentário de que como o Orkut é frequentado pela grande parte de brasileiros, houve uma migração para o FACEBOOK. Existem comentários que o Orkut morreu e que só é frequentado por pessoas pobres, exibicionistas e cafonas que mandam mensagens spams de gostos duvidosos. Fico a pensar se a sociedade nunca irá evoluir? Extirpar estes pensamentos elitistas do planeta. Eu, muitas vezes, me pego com essas ideias, a nossa identidade é construída a partir dos outros e que nos antecedem por gerações. Porém, preciso ser forte.

A questão de classe é um mal que vai perdurar por bastante tempo ainda. Ela é inerente à natureza humano desde os primórdios. Entretanto, não deixarei de ter ORKUT só porque uma meia dúzia de pessoas “cults” o detona.
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quinta-feira, 28 de julho de 2011

João Paulo Mesquita Simões


Naquela manhã de Sábado, o Teclas e os seus pais, saíram de casa na zona da Mealhada até à Figueira da Foz onde moravam os avós do Teclas.
De cabelo espetado e louro, óculos redondos naquele semblante esguio, o Teclas, no seu corpo magro, vestia uma T-shirt preta com uma caveira na frente, umas calças de ganga coçadas e rasgadas e umas sapatilhas Adidas.
Munido do seu telemóvel, amigo inseparável e do seu Mp4, assim que entrou no carro, ligou o aparelho ao rádio, fazendo ecoar o batuque no seu interior.
- É fixe esta música, não é? – perguntou o Teclas aos pais.
- Zeca! Desliga isso! É insuportável! – exclamou o pai.
O Teclas, resignado, lá desligou o seu Mp4 do rádio do carro e enfiou os fones nos ouvidos e fez a viagem dentro do seu pequeno mundo.
Chegados à Figueira, aproveitaram o bom tempo para irem até à praia. O Teclas estava desejoso de ir para os avós, pois queria que o avô lhe ensinasse tudo sobre os selos.
Ao serão, e já depois de estarem bem instalados na casa dos avós, o Teclas contou ao avô o que se tinha passado naquela semana e a sua curiosidade pela Filatelia.
- Bem, Zeca. Se queres de facto saber como nasceu a Filatelia no Mundo, tens muito que ouvir! – disse o avô.
- “Tá-se” bem! Podes começar. Não me importo de apanhar seca.
- Mas que linguagem Zeca! – retorquiu o avô. – Bem vou então contar-te como tudo começou. A sua descoberta deve-se ao inglês Rowland Hill, que foi o grande reformador postal.
Conta-se que este homem se encontrava de passagem numa pousada escocesa quando o carteiro entrou e entregou uma carta à estalajadeira que disse que não podia ficar com ela por custar dois xelins, ser pobre e não poder pagar. Então, Hill pagou aquela quantia.
A mulher agradeceu-lhe, mas disse que tinha gasto escusadamente aquele dinheiro, pois era da família que vivia longe e cada um escrevia uma linha. Como ela sabia quantos eram naquela família e lhes conhecia a letra, sabia que estavam todos bem.
Hill pensou no caso e propôs uma taxa fixa e que os expeditores enviassem as suas cartas em pequenos sacos que, com um bocadinho de cola a toda a volta, depois de humedecida se aplicava. Mas esta ideia não foi aceite porque o público achou aquilo ridículo e os sacos tiveram de ser todos queimados. As pessoas só deram valor à etiqueta que acompanhava o saco porque lhe via comodidade.
Para ver o seu plano concretizado, Hill abriu um concurso entre artistas e homens da ciência, tendo aparecido 2600 planos e 1000 desenhos. Como não ficou satisfeito com os estudos apresentados, esboçou ele mesmo um projecto com o perfil da Rainha Vitória tendo no topo a palavra Postage e em baixo a inscrição da taxa. Confiou a sua execução a um gravador que copiou o perfil da monarca e cunhou de uma medalha já feita em sua honra.
Assim e por ser negro, chamou-se Penny-black e custava um dinheiro.
Estava apresentado o primeiro selo do Mundo que circulou a partir de 1 de Maio de 1840. Estava também lançado o que viria a ser o mais potente sinal posto na mão de alguém.
O sucesso foi enorme em Inglaterra e outros países lhe seguiram o exemplo. As máquinas não davam vazão perante tanta procura.
Presentemente calcula-se que em todo o Mundo circulem 50 biliões de selos. De entre eles, uns quatrocentos milhões não chegam aos serviços indo directamente para os álbuns dos coleccionadores.
- Que história bué da fixe! Então e como surgiram os selos portugueses?
- Os nossos selos surgiram uns anos mais tarde em 1852 e promulgados pela rainha D. Maria II. Mas só em Julho do ano seguinte saíu uma emissão de selos de D. Maria II idêntica à que tinha saído em Inglaterra – o mesmo perfil inspirado na rainha Vitória. O desenho foi confiado a um artista, Francisco Freire, que segue as directrizes combinadas e depois enviado para a gravação. Depois de feita e aprovada a gravura, é fabricada multiplicando assim as chapas da gravura em folhas de cinquenta ou cem unidades cada uma, sendo depois entregues à Casa da Moeda. O selo de D. Maria II não tem qualquer taxa, pois poderia circular em cartas de qualquer valor. Foi feita uma matriz muito maior do que o seu tamanho normal para ser retocada minuciosamente até ficar pronta. Exactamente como o Penny-Black.
- Amanhã conto-te mais sobre a Filatelia. Agora vou fazer companhia aos teus pais e à tua avó, que daqui a pouco são horas de deitar.


Fragmento do livro juvenil "Teclas o Filatelista" de João Paulo Mesquita Simões
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sábado, 23 de julho de 2011


Por Gustavo do Carmo



Mal
Cachorro faz mal à moça, que contraiu raiva do seu fiel cão Pixote.


Mal 2
Cachorro faz mal à moça pela segunda vez. Na terceira, descarregou um revólver no tal cachorro: o canalha do seu ex-namorado.


Grito
Matou o cão de guarda da transportadora onde trabalhava ao gritar com ele. Não foi demitida. Ganhou um marido.


Devaneio
Tinha um cachorro chamado Devaneio. Um dia, o cão contraiu raiva e ele teve que domá-lo e sacrificá-lo. Tarde demais. O dono já estava contaminado pelo Devaneio.


Pulga
Tirou uma pulga atrás da orelha do seu cão Pixote.


Dia de cão
Teve um dia de cão. A socialite comemorou radiante o aniversário de sua “yorkshire”, sua filha.


Cão que ladra
Ladrava, ladrava, ladrava e mordeu o dono. Acabou com a conversa fiada de que cão que ladra não morde.


Manga
Seu cão Pixote adorava chupar manga. Todos achavam a cena uma fofura.


Cachorro Morto
Chutou cachorro morto. Foi mordido pelo animal, que estava apenas morto de cansaço.
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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Por Dudu Oliva 


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quinta-feira, 21 de julho de 2011



João Paulo Mesquita Simões

Coube aos Correios de Portugal, o Prémio Asiago – Itália, na categoria Turismo 2010, à série de selos portuguesa, ELEVADORES PÚBLICOS DE PORTUGAL da autoria de Eduardo Aires.
Considerado o “Óscar” da filatelia, o Grande Prémio Asiago de Arte Filatélica foi criado em 1971 e é organizado conjuntamente pelo circuito Filatélico e Numismático “Sete Comune”, o Ministério da Promoção Turística de Itália e a autarquia de Asiago, com o alto patrocínio da Presidência da Republica de Itália.

O Prémio distingue a Arte Filatélica do Mundo e este é já o 6º Grande Prémio Asiago que os CTT recebem (emissão “Europa CEPT 1977” (selo de 4$00), emissão “ECO 92”, emissão “EUROPA 2004 – Férias” - Selo de Portugal, emissão “Água um bem a preservar”, 2006 - Selo com torneira e emissão “Os selos e os sentidos” – olfacto, gosto, tacto, audição e visão, 2009.”

In: http://cfportugal.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=565:ctt-venceram-o-41o-premio-asiago-internacional-de-arte-filatelica&catid=1:website&Itemid=44
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sábado, 16 de julho de 2011

Por Gustavo do Carmo

Toca o telefone de um apartamento de classe média no Rio de Janeiro. O dono da casa, cansado depois de um dia cheio de trabalho, quase dormindo, vai atender. Um silêncio no outro lado da linha e um ruído de escritório. Enfim, uma mulher de sotaque paulista fala:

— Eu queria falarr com o senhorr Jacinto Rego Aquino Leite?

— É ele. Rosna.

— Boa tarrde, Jacinto. Quem está falando é Renata do provedorr Sampa OnLine. O senhorr pode estar nos dando alguns minutos da sua atenção?

— Não. Minha filha. Não posso. Cheguei cansado do trabalho e estou quase dormindo. Estou de pé desde as cinco da manhã.

— Senhorr, esta ligação é imporrtante.

— NÃO QUERO ASSINAR NADA, PORRA!!!

E Jacinto desliga o telefone na cara da atendente de telemarketing. Um minuto depois, o telefone volta a tocar. Jacinto atende de novo. Esperava a ligação de sua mulher e seus filhos, que não estavam em casa. Nova pausa e novo ruído de escritório. Uma nova voz feminina, mas com o mesmo sotaque paulista, anuncia:

— Eu queria falarr com o senhorr Jacinto Rego Aquino Leite?

Jacinto bate o telefone no gancho. Novo toque, nova pausa, novo ruído, nova atendente e o mesmo sotaque:

— Eu queria falar com o senhorr Jacinto Rego Aquino Leite?

— JÁ DISSE QUE NÃO QUERO ASSINAR NADA!

— Quem está falando é Helga do provedorr Sampa OnLine. O senhorr pode estar nos dando alguns minutos da sua atenção?

— Vou dar. Vocês já me tiraram o sono mesmo e espero que me deixem em paz se eu te atender.

— Muito obrigado pela atenção, senhorr Jacinto. Você tem internet em casa?

— Tenho.

– E qual é o provedor?

— Não te interessa.

— Estou ligando para informar do plano Super Gold Plus com 10 gigas de velocidade e quinze contas de e-mail. E o senhorr só vai estar pagando uma taxa de adesão de trinta reais e mensalidades de 59,90.

—Não, obrigado. No momento eu não estou interessado.

— Senhor, é muito importante que você aceite esta proposta. É para o bem da sua família.

— Vem cá! Você está me obrigando a comprar um serviço que eu não quero?

— Nós da Sampa OnLine não estamos te obrigando a nada, senhorr. Queremos apenas o bem-estar da sua família, assim como o seu.

— Eu não vou assinar nada! Me deixa em paz com esse seu sotaque nojento.

— Senhorr, informamos que a sua família está em nosso poder. Se o senhorr não assinar o plano Super GoldPlus com 10 gigas de velocidade e quinze contas de e-mail, com taxa de adesão de trinta reais e mensalidades de 59,90 nós vamos estar degolando sua mulher e seus dois filhos.

— Eu quero que você prove!

— Um minuto, por favorr. Nós vamos estar transferindo a ligação.

Música clássica de espera. Entra ruído de gritos. SOCORRO! ME TIRA DAQUI!!! PAIÊÊÊ!!!! ME TIRA DAQUI!!!!

— Jacinto! Assina logo esse provedor! Eles não estão brincando! Eles vão matar a gente!

PARA OUVIR NOVAMENTE A MENSAGEM, DIGITE 1. PARA VOLTAR AOS NOSSOS ATENDENTES, DIGITE 2. PARA ENCERRAR A LIGAÇÃO, DIGITE 3.

Jacinto digita o 2 e implora já nervoso.

— Tá bom, tá bom! Eu assino o plano! Mas quero provas de que eles estejam vivos. Essa mensagem é gravada.

— Infelizmente, não podemos dar garantias, senhorr.

— Então como eu faço para assinar o plano? Pelo amor de Deus!

— Eu vou estar transferindo a ligação para o setor de compras. A Sampa OnLine agradece a sua atenção e tenha uma boa tarrde.

Nova música clássica de espera. Entra uma voz masculina sem sotaque:

BEM-VINDO À CENTRAL DE COMPRAS DA SAMPA ONLINE. NO MOMENTO TODOS OS NOSSOS SERVIDORES ESTÃO OCUPADOS. AGUARDE UM INSTANTE QUE TEREMOS IMENSO PRAZER EM ATENDÊ-LO. TENHA ACESSO A TODAS NOTÍCIAS DE SÃO PAULO E DO RESTO DO MUNDO COM O SAMPA NEWS, O PORTAL DE NOTÍCIAS DA SAMPA ONLINE. VOCÊ GOSTA DE CINEMA? COM O SAMPA CINE VOCÊ TEM DICAS E CRÍTICAS DE TODOS OS FILMES EXIBIDOS EM SÃO PAULO. COM O SAMPA ONLINE VOCÊ FICA BEM INFORMA...

PARA ADQUIRIR O PACOTE BÁSICO, COM 1 GIGABYTE DE VELOCIDADE, DIGITE 1. PARA ADQUIRIR O PACOTE PLUS, COM 2 GIGAS DE VELOCIDADE, DIGITE 2. PARA ADQUIRIR O PACOTE SUPER, COM 3 GIGAS. DIGITE 3. PARA ADQUIRIR O PACOTE SUPER SILVER, COM 4 GIGAS, DIGITE 4. PARA ADQUIRIR O PACOTE SUPER GOLD, COM 5 GIGAS, DIGITE 5. PARA ADQUIRIR O PACOTE SUPER GOLD PLUS, COM 10 GIGAS, DIGITE 6...

Jacinto digitou o número 6. A gravação foi interrompida para informar:

INFORMAMOS QUE É PRECISO ESPERAR TODO O MENU PARA ESCOLHER A SUA OPÇÃO. BEM-VINDO À CENTRAL DE COMPRAS DA SAMPA ONLINE. NO MOMENTO TODOS OS NOSSOS SERVIDORES ESTÃO OCUPADOS. AGUARDE UM INSTANTE QUE TEREMOS IMENSO PRAZER EM ATENDÊ-LO. TENHA ACESSO A TODAS NOTÍCIAS DE SÃO PAULO E DO RESTO DO MUNDO COM O SAMPA NEWS, O PORTAL DE NOTÍCIAS DO SAMPA ONLINE. VOCÊ GOSTA DE CINEMA? COM O SAMPA CINE VOCÊ TEM DICAS E CRÍTICAS DE TODOS OS FILMES EXIBIDOS EM SÃO PAULO. COM O SAMPA ONLINE VOCÊ FICA BEM INFORMADO. SAMPA NEWS ECONOMIA. TODAS OS INDICADORES FINANCEIROS PARA VOCÊ E O SEU NEGÓCIO. COTAÇÃO EM TEMPO REAL DA BOLSA DE VALORES DE SÃO PAULO E DO RESTO DO MUNDO. SAMPA NEWS ESPORTE. SAIBA DE TUDO QUE ACONTECE EM TODAS AS DIVISÕES DO CAMPEONATO PAULISTA DE FUTEBOL E MAIS MODALIDADES ESPORTIVAS DE SÃO PAULO.

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Novamente Jacinto digitou 6. Novo aviso:

INFORMAMOS QUE É PRECISO ESPERAR TODO O MENU PARA ESCOLHER A SUA OPÇÃO. BEM-VINDO À CENTRAL DE COMPRAS DA SAMPA ONLINE. NO MOMENTO TODOS OS NOSSOS SERVIDORES ESTÃO OCUPADOS. AGUARDE UM INSTANTE QUE TEREMOS IMENSO PRAZER EM ATENDÊ-LO. TENHA ACESSO A TODAS NOTÍCIAS DE SÃO PAULO E DO RESTO DO MUNDO COM O SAMPA NEWS, O PORTAL DE NOTÍCIAS DO SAMPA ONLINE. VOCÊ GOSTA DE CINEMA? COM O SAMPA CINE VOCÊ TEM DICAS E CRÍTICAS DE TODOS OS FILMES EXIBIDOS EM SÃO PAULO. COM O SAMPA ONLINE VOCÊ FICA BEM INFORMADO. SAMPA NEWS ECONOMIA. TODAS OS INDICADORES FINANCEIROS PARA VOCÊ E O SEU NEGÓCIO. COTAÇÃO EM TEMPO REAL DA BOLSA DE VALORES DE SÃO PAULO E DO RESTO DO MUNDO. SAMPA NEWS ESPORTE. SAIBA DE TUDO QUE ACONTECE EM TODAS AS DIVISÕES DO CAMPEONATO PAULISTA DE FUTEBOL E MAIS MODALIDADES ESPORTIVAS DE SÃO PAULO.

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Pela terceira vez, apertou 6.

VOCÊ ESCOLHEU A OPÇÃO 6. PARA CONFIRMAR A COMPRA DO PACOTE SUPER GOLD PLUS, COM 10 GIGAS DE VELOCIDADE, TAXA DE ADESÃO DE TRINTA REAIS E MENSALIDADES DE 59,90 DIGITE 1. PARA VOLTAR AO MENU INICIAL, DIGITE 2.

Após 4 cliques no número 1, porque a ligação voltou ao início por ele não ter esperado a opção 5 do menu de desligar, a gravação pediu:

DIGA O SEU NOME COMPLETO EM VOZ ALTA.

— Jacinto Rego Aquino Leite.

O QUÊ? NÃO ENTENDI. REPITA O SEU NOME EM VOZ ALTA.

Finalmente, depois de cinco horas e de ditar oito vezes cada o endereço, telefone residencial, telefone comercial, referências, CPF, identidade, título de eleitor, PIS, carteira de trabalho, certificado de reservista, etcetera e etcetera, Jacinto ouviu:

— Obrigado por assinar o plano Super GoldPlus com 10 gigas de velocidade e quinze contas de e-mail, com taxa de adesão de trinta reais e mensalidades de 59,90 da Sampa OnLine. Sua família será entregue em horário comercial e se chamar a polícia, nós voltaremos para matá-los.

Era uma sexta-feira. Jacinto passou o final de semana inteiro tenso e em claro, esperando pelo horário comercial, no qual seria libertada a sua família. Acabou dormindo de tão cansado. Foi acordado na segunda-feira pela esposa, que subiu com o jornal, que tinha na capa a manchete: “Sequestro eletrônico é a nova modalidade de crime no Brasil.” No subtítulo: “Golpe que começou em São Paulo e está chegando ao Rio de Janeiro é praticado por operadoras de telemarketing para vender seus produtos”. Estava acompanhada do instalador terceirizado da Sampa OnLine.

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quinta-feira, 14 de julho de 2011

João Paulo Mesquita Simões




Um exemplo de como a Filatelia está viva e se pretende incutir no espírito dos jovens o gosto por este hobbie.
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sábado, 9 de julho de 2011


Conto de Gustavo do Carmo

Os ratos serpenteavam no meio-fio. Baratas passeavam pelos bueiros. Os pardais piscavam ávidos para multar motoristas que avançassem o sinal. Os meninos de rua cheiravam cola sem cerimônia. Um deles desfilava com a sua pistola prateada como um vampiro sedento pelo sangue de suas vítimas, especialmente motoristas de carros de luxo.

Dona Marta e Regina caminhavam pela rua do subúrbio, sem medo de nada disso. Pareciam protegidas, pois ninguém as ameaçava. Só um velho tarado parou na sua frente, abriu o sobretudo que o cobria e exibiu o seu pênis longo e flácido. Elas nem se importaram. O malandro com a canivete escondida, perguntou para onde elas iam, foi ignorado e não reagiu.

As duas mulheres não se assustaram nem com o camburão da polícia correndo na contramão da rua e com o tiroteio que começou a pipocar minutos depois. Continuavam observando a cena na alta madrugada: a dupla de travestis que fazia ponto na rua, o barrigudo careca caído bêbado na calçada, o grupo de jovens voltando da festa às gargalhadas, a prostituta se deixando possuir pelo cliente e os primeiros trabalhadores no ponto de ônibus. A lua começava a perder força com o azul ciano do céu.

Tudo o que Regina queria era comprar a primeira fornada do pão que saía às cinco da manhã na padaria do bairro. Reconstituindo um momento que viveu aos sete anos, quando a sua mãe, Dona Marta, a levou para esperar o pão sair quentinho.

Naquela época, o estabelecimento era mais simples e a cidade mais calma, sem pardais, menores armados e tiroteios. Mas já tinha drogas, sexo, bêbados, malandros e tarados. Trinta e cinco anos depois, Dona Marta, já uma frágil anciã, levava a filha para atender um pedido nostálgico, que poderia ser o último, pois Regina já fora desenganada pelos médicos que diagnosticaram um tumor cerebral.
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Conto de Gustavo do Carmo

Quando completou dez anos de vida uma tradição iniciou-se para Miraela. A cada três anos ela visitava a rodoviária da cidade onde nasceu, no interior do estado do Rio de Janeiro. E o passeio não era nada agradável. Terminava sempre em lágrimas provocadas por tristes despedidas.

O pai foi tentar a sorte em São Paulo. Nunca mais deu notícias. Depois, a irmã mais velha foi trabalhar em Belo Horizonte. Aos dezesseis anos abraçou, emocionada, a amiga de infância, que foi morar em Porto Alegre. O primeiro amor partiu com destino a capital, onde embarcaria para estudar nos Estados Unidos. Estava com vinte e dois anos quando viu a mãe ir embora para São Paulo encontrar-se com o novo namorado e, juntos, voarem para Paris.

A rodoviária deixou de ser o amargo passeio onde Miraela se despedia de pessoas tão queridas em sua vida para se tornar o seu árduo sustento. Trabalhou na bilheteria de uma empresa de ônibus. Durante quarenta anos testemunhou, por inúmeras vezes, as mesmas despedidas que viveu.

Aposentada, já tinha filhos, genros, noras e netos quando embarcou no primeiro ônibus que saiu da rodoviária. Não se despediu de ninguém.
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sexta-feira, 8 de julho de 2011

Por dudu oliva


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sábado, 2 de julho de 2011


Conto de Gustavo do Carmo


Desde os tempos da escola primária, Nestor sempre se apaixonava por alguma menina. Nunca era correspondido. Aos dez anos, os seus sonhos eram apenas roubar um beijo inocente da amada da vez. Antes de se declarar, as garotas já paravam de falar com ele. Principalmente quando os amigos e amigas descobriam.

Nestor não era feio. Pelo contrário. Tinha cabelos castanhos claros, repartidos ao meio, jogados para trás. Era bochechudo, mas não era gordo. Muito tímido, também. Mas as meninas não viam a sua beleza perfeitamente porque ele ficava escondido atrás de uns óculos fundo de garrafa, de armação quadrada.

Veio a puberdade e, com ela, as acnes, a barbicha e a voz grossa. A beleza de Nestor foi embora mas a timidez e a miopia, não. Esta cresceu ainda mais, junto com a altura do corpo. As meninas continuavam fugindo e ignorando. Nesta fase adolescente, os sonhos já eram mais eróticos. A inocência do primeiro beijo deu lugar ao desejo de ver outras partes do corpo das moças, além das pernas.

A concorrência também já era maior, pois todas as mais bonitas tinham namorados. Eram homens feitos, alguns fortes, outros narcisistas, metidos e antipáticos. Iam buscar suas namoradas no colégio de segundo grau e, na saída, as exibiam como reluzentes troféus.

Das paixões platônicas de Nestor, uma se achava muito nova para namorar. Outra o achava muito novo e também não queria namorar tão cedo. Três o achavam muito pirralho, não queria namorar cedo e ainda o achavam feio. Duas tinham todas essas opiniões e já tinham namorado. Uma já era casada.

E foi por causa desta que Nestor, pela primeira vez na sua vida, quis morrer. Chorou até vomitar. Fez greve de fome, ameaçou cortar os pulsos, se jogar pela janela, enforcar-se e vários outros ensaios de tentativas de suicídio. Mas acabou se conformando.

Estava no início da faculdade quando “perdeu” esta mulher por quem queria morrer. Amadureceu. Passou a sempre tentar descobrir primeiro se alguma mulher já estava comprometida antes de se interessar por ela. Era para evitar grandes traumas amorosos. Como praticamente todas já tinham dono, ficou anos sem se apaixonar.

Os seus sonhos com as mulheres já iam além de descobrir seios, bundas e virilhas das mulheres. O desejo agora era possuí-las em longas horas de sexo. Ao mesmo tempo, Nestor sonhava em casar e ter filhos com elas. Sonhava com a companhia delas em todas as ocasiões, como festas de aniversário, churrascos, casamentos e até em internações e enterros.

Tinha uns vinte e dois anos e não usava mais óculos de lentes grossas - operou a miopia - quando tentou se apaixonar mais uma vez. O alvo era uma moça muito bonita que atendia a todos os requisitos de beleza dos homens e também de Nestor. Além de tudo, era um amor de pessoa. Simpática e prestativa. Era também uma mulher muito discreta. Se era noiva, casada ou tinha namorado, não demonstrava. Não usava aliança – um bom repelente contra homens ingênuos apaixonados - em nenhum dedo das mãos. Se descobrisse que ela era enamorada, noiva ou casada, não seria o fim do mundo. Assimilaria o choque, levantava a poeira e partiria para outra.

Mas não era bem assim. Nestor já estava cegamente apaixonado por Natanaelle. Ao descobrir que ela estava começando a namorar um amigo seu da faculdade, levou um balde de gelo. Sim, de gelo. Porque doeu tanto pela temperatura da água congelada quanto pelo impacto da pedra em sua cabeça. Não agrediu ninguém. Nem com socos e pontapés. Nem com xingamentos humilhantes. Apenas cortou relações com os dois. Sem comunicá-los. O novo casal nem se preocupou com o rompimento e sequer tentou uma reconciliação com o fiel amigo Nestor, que jurou sobre a bíblia nunca mais se apaixonar por ninguém na sua vida. Cansou de ser rejeitado e de querer ser exclusivo. Decidiu que ia virar amante, se pudesse. Se antes ele não queria dividir seus amores com outros homens, agora estes são quem terão que dividir suas esposas com ele.

Esposas porque as meninas que interessavam a Nestor já eram mulheres e a maioria casada. As moças agora eram troféus de seus maridos, que já não eram majoritariamente garotões musculosos, vaidosos, narcisistas e antipáticos. Na fase adulta de Nestor, seus concorrentes eram empresários quarentões, ricos e, alguns, gordos e carecas.

Nestor sempre gostou de mulheres mais velhas ou equivalentes à sua idade. Com o tempo, passou a se interessar por moças mais jovens do que ele, algumas até com uma década de diferença. Mas foi mesmo uma quarentona que ele conquistou. Conheceram-se no banco onde trabalhavam. Ele como caixa. Ela, gerente.

Sophia era uma mulher madura, alta, de cabelos lisos e negros, pele clara e enxuta, seios siliconados e barriga lipoaspirada. Mãe de três crianças, sendo duas meninas e um garotinho de dois anos caçula e temporão. Encantou-se rapidamente pela simpatia e o sorriso tímido de Nestor.

Estava cansada do casamento, mas não podia largar o marido e os filhos, os quais amava demais. No entanto, resolveu tirar uma folga dos rebentos por um dia. Numa sexta-feira, deixou as três crianças na casa da irmã solteira e decidiu convidar Nestor para sair depois do expediente. Estava preparada para os rodeios do rapaz aparentemente virgem e suas desculpas para evitar o assédio da mulher casada.

Convicto de sua nova ideologia sentimental, Nestor surpreendeu Sophia com um sonoro “Já é!”. O fato de ela ser bem casada já não lhe importava mais. Queria arriscar e sequer pensou se o marido era um ciumento doentio ou um corno convencido.

Para não dar bandeira a possíveis colegas fofoqueiros que poderiam dar com a língua nos dentes ao seu marido, Sophia disfarçou e saiu antes do banco. Nestor teve que ir de ônibus encontrá-la em um barzinho na Lapa. Beberam juntos à tardinha e a noite inteira. Primeiro conversaram sobre o trabalho no banco, no Méier. Depois sobre a vida de cada um. Sophia falou do seu casamento e dos filhos. Nestor, de suas frustrações românticas. Terminaram a noite arrulhando como pombinhos.

Sophia levou o colega para a sua casa na Lagoa. Já sabendo que Nestor era virgem, não foi com muita sede ao pote. Mais uma vez, Nestor a impressionou com tanta maturidade sexual que Sophia até desconfiou da virgindade do rapaz.

Não se importou com uma possível mentira de Nestor. Estava tão feliz com o prazer extraordinário que nunca havia tido com o marido, com o domínio de seu corpo pelo rapaz, que não quis estragar o clima com discussões sobre a experiência do novo amante.

Encontraram-se mais vezes. Duas, três, cinco, dez. Todas com o mesmo apetite sexual. Nestor tornou-se o amante oficial de Sophia. O garanhão. O garoto de programa pessoal e gratuito. Era isso que ele desejava depois de tantas decepções amorosas e ingênuas.

Um dia, o marido descobriu a relação extra-conjugal de Sophia. O tímido Nestor realizou os sonhos eróticos da pós-adolescência. Só não conseguiu realizar o sonho de casar e ter filhos com uma mulher que o acompanhasse em todas as ocasiões, como festas de aniversário, churrascos, casamentos e até em internações e enterros.

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sexta-feira, 1 de julho de 2011

POR DUDU OLIVA






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