sábado, 25 de junho de 2011


Por Gustavo do Carmo


Observado
Odiava ser observado. Foi preso quando tentava destruir o quadro de Mona Lisa no Museu do Louvre.


Assassino
— Matei! Matei, sim, porque ela era muito bonita e me hipnotizava com os seus olhos verdes! Queria ver algo de feio nela! Confessou o louco que teve que pagar apenas pelo prejuízo da loja por causa do manequim que ele havia quebrado.


Passarinho
Estava a caminho de uma exposição das pinturas de Pablo Picasso quando levou uma surra de uma gangue de pitboys. Sentiu-se o passarinho sendo comido pelo gato.


Grito
Era tão assustador que pôde ouvir claramente O Grito na exposição de arte.


Abaporu
Comeu tanta vitamina para ganhar músculos que as suas pernas incharam, ficando maiores do que a cabeça. Envergonhado do grupo, refugiou-se no deserto ao lado de um cactus.


Embriagada
Embriagaram-na para relaxar. A virgem não ia para o abate e sim para uma sessão fotográfica de fotos nua.


Caveira
Fez a sua caveira. O professor de anatomia adorou o trabalho do artesão.


Relógio
Algo pingou do relógio. Não estava em uma pintura de Salvador Dalí. Era a goteira do teto da sua casa.

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quinta-feira, 23 de junho de 2011



João Paulo Mesquita Simões



Fez no dia 18 de Junho um ano que faleceu o Prémio Nobel da Literatura José Saramago.
Trancrevo aqui um artigo retirado do sítio da TSF, bem como o selo emitido em 1998 aquando da entrega do Prémio Nobel a José Saramago.


A cerimónia de deposição das cinzas do prémio Nobel da Literatura português decorre hoje, às 11:00, em frente à Casa dos Bicos, em Lisboa - um dos três vértices do triângulo geográfico da vida do autor de «O Ano da Morte de Ricardo Reis», segundo Violante Saramago Matos.

«Faz todo o sentido que esteja ali, à frente da Fundação, conduzindo-a, afinal, do ponto de vista emocional, do ponto de vista do conjunto das suas ideias, que ficam expressas. Como a Pilar disse, já não é possível perguntar 'o que é que tu achas disto?', mas seguramente será possível, em tudo aquilo que ficou, encontrar uma resposta que ele mereça, que, atendendo aos enormes desafios que temos pela frente, esteja à altura das necessidades, uma resposta que não nos envergonhe perante aquilo que foi o seu trabalho e, sobretudo, o seu pensamento», disse a filha do escritor, que hoje assistirá à cerimónia.

Quanto à simbologia de Lisboa, oliveira da Azinhaga e terra de Lanzarote, Violante Saramago Matos afirmou tratar-se de «um triângulo cujos vértices só podiam ser esses».

As cinzas do escritor vão ser depositadas junto à árvore que o viu crescer. Vítor Manuel da Guia, presidente da junta de freguesia da Azinhaga do Ribatejo, disse tratar-se de uma «árvore da terra» que se junta a um «filho da terra».
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sexta-feira, 17 de junho de 2011

Por dudu oliva


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quinta-feira, 16 de junho de 2011

João Paulo Mesquita Simões

A Secção Filatélica da Associação Académica de Coimbra, é um orgão da Univesidade de Coimbra, onde os estudantes e habitantes da cidade podem associar-se.
O obbjectivo é que o Coleccionador compre, venda, troque as suas espécies filatélicas entre os colegas, ou adquira à própria Associação.
Desde selos portugueses a estrangeiros, passando por temáticas das mais variadas espécies, tudo é possível encontrar na SF/AAC.
Deixo-vos aqui um artigo que encontrei na Internet sobre a AAC e a sua Secção Filatélica.


Pela segunda vez realizam-se, em Coimbra, as Jornadas de História e Filatelia. Conjuntamente com o Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra (CEIS20), a Secção de Filatelia apresenta trabalhos e palestras relacionados com o mundo dos selos
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“A ideia básica das jornadas é pegar num selo e dar a um investigador para que este apresente um trabalho com base nesse mesmo selo. Tudo isto numa perspetiva histórica e científica”. Quem o diz é Nuno Cardoso, tesoureiro da Secção Filatélica da Associação Académica de Coimbra (SF/AAC).

A ideia, que surgiu no ano passado “no encontro de interesses entre o CEIS20 e a secção filatélica”, repete-se este ano amanhã, 2 de junho na Sala de Conferência dos CEIS20, durante todo o dia: novos investigadores, novos selos e uma palestra a título de encerramento vão marcar esta iniciativa, onde a entrada é livre. Entre a organização conta-se Isabel Valente, presidente da Secção Filatélica da AAC, e Rui Pita, membro do CEIS20. Nuno Cardoso lembra ainda que este ano vai ser editado um CD com os trabalhos apresentados no ano anterior.

Admitindo a dificuldade em aproximar as pessoas à filatelia, Nuno Cardoso diz que o principal objetivo destas jornadas é “mostrar que a filatelia e que os filatelistas são também investigadores” e, ao mesmo tempo, “juntar a investigação e o colecionismo nesta vertente de que na nossa perspetiva a filatelia retrata o mundo”.

Quanto a expectativas, Nuno Cardoso espera que os “investigadores que vão apresentar os seus trabalhos se sintam realizados e que o público goste de ouvir as palestras”.




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domingo, 12 de junho de 2011


Gustavo do Carmo

Hélio e Hérica foram feitos um para o outro. Hélio levou anos para se convencer disso. Conheceram-se na pós-graduação de cinema. Hérica ainda namorava o terceiro namorado quando iniciou o curso. Hélio era virgem. Virgem de tudo: boca, sexo e experiência de vida.

Ele passou trinta anos sem ter uma única namorada. Só teve decepções amorosas. Amores platônicos. Viu primos, amigos e irmã se casarem e terem filhos. Culpavam-no por nunca sair de casa e nem frequentar danceterias. Como se fosse fácil conquistar uma mulher em uma boate. Odiava o ambiente escuro, piscante e barulhento das discotecas. Ele não se sentia obrigado a frequentar isso só para conquistar alguém.

Também o culpavam pela sua aparência física desleixada. Mesmo assim, Hélio não tinha nenhuma vontade de se esforçar para ser vaidoso. Nunca deixava de tomar banho, mas não queria ter mania de limpeza. Passava desodorante, mas ele vencia rapidamente por causa do calor. A barba só fazia de quinze em quinze dias ou, nos tempos da faculdade, de três em três. Tinha horror a espremer espinhas. Doía muito.

Também nunca trabalhara na vida. Era sustentado pelo pai, mas não tinha coragem de procurar um emprego. Hélio era um medroso. A pós-graduação era a chance de fazer uma ocupação para a sua família não dizer que ele era vagabundo. Sua única oportunidade de fazer amigos e... namorar. Se tivesse sorte, conseguir um emprego.

O novo curso era a sua décima-terceira tentativa de alcançar os seus objetivos. Das anteriores, os amigos não deixaram contatos ou o desprezaram. Inclusive as moças. Depois de seis meses, conheceu melhor os novos amigos. Inclusive Hérica, que, aliás, foi a última com quem ele fez amizade. Ela parecia ser a mais antipática. Era a única que morava na zona sul do Rio, onde ficava a faculdade. Ah! Claro! Hélio era suburbano de Olaria.

Um dia, por acaso, Hélio foi a única companhia de Hérica para o almoço de um sábado de aula. Era antevéspera de feriado e os amigos mais próximos de ambos haviam faltado. Conversaram bastante. Hérica falou de sua experiência profissional, do término do seu namoro. Hélio de sua vida frustrada e imatura. A conversa esquentou. Hélio e Hérica trocaram selos.

Na aula seguinte, quinze dias depois, com a turma novamente cheia e os colegas mais próximos de ambos presentes, Hélio já estava preparado para um tratamento distante por parte de Hérica. Já se conformava com a frieza natural dela. Estava enganado.

Hérica lhe procurou e o convidou para se sentar perto dela. No intervalo para o café, não se desgrudou dele. Uma outra colega dele, mais íntima, sentiu ciúmes. Não que Hélio não quisesse a companhia de Hérica, mas ele ficou com medo de decepcioná-la. Contou-lhe todos os seus defeitos, como se estivesse a preparando para o pior.

— Deixa disso, Hélio! Para de bobagem! Eu confio em você! Eu estou apaixonada! Confessou Hérica.
— Eu também estou! Mas não acredito que o namoro vá para frente.
— Eu acredito! Quer apostar?
— Quero! Não vai durar uma semana.
— Pessimista! Bobo! Eu aposto vinte anos.
— E você é otimista demais! Duvido que vá me aguentar durante esse tempo todo. Eu sou preguiçoso, relaxado, desatento e enrolado. Em compensação, sou simpático, honesto e sincero.
— Eu sei. Mas se fosse outra mulher, já teria fugido com tudo de ruim que você me falou de si próprio.
— Não é uma propaganda negativa. É uma precaução. Quero o bem das pessoas. Não quero que se arrependa depois.
— Eu sei, eu sei.
— E se você se mudar para São Paulo?
— Eu não vou me mudar. Se eu mudar você vai comigo.
— Então você quer namorar comigo, mesmo? Se a gente for pra cama e você terminar, não quero que fique me acusando de ter te usado só para te comer ou arrumar emprego. E eu não vou mudar meu jeito de ser. Não vou para São Paulo. Não frequento discotecas. Só saio para ir a restaurantes, cinema, teatro e shopping. No dia dos namorados você me lembra de pedir presente e escolhe o que quer. Sou esquecido. Fiquei tanto tempo sem namora...

Hélio foi calado por um longo beijo de língua. Testemunhado por todos na faculdade. Ouviram-se aplausos.

Um mês depois, Hélio e Hérica foram para a cama. Hélio perdeu a virgindade. Mais duas semanas, Hélio já estava trabalhando na produtora de teatro do pai de Hérica. No ano seguinte se casaram. A pós já havia terminado. Passaram-se os anos. Tiveram dois filhos: uma menina (Heneida) e um menino (Heitor). Houve algumas crises de ciúmes dos dois lados. Quase romperam, mas faziam as pazes, sempre com lua-de-mel.

Hélio já tinha perdido a aposta de Hérica no início do namoro. Ela também. Chegaram aos cinquenta anos de casamento, com quatro netos: dois de cada filho.

Hélio e Hérica foram feitos um para o outro. Hélio levou cinquenta anos para se convencer disso. Na semana seguinte, Hérica pediu o divórcio. Percebeu que já tinha ficado com Hélio por trinta anos além da conta.

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quinta-feira, 9 de junho de 2011

João Paulo Mesquita Simões


Numa conversa informal que tive com uma pessoa, entre muitos assuntos, falou-se de coleccionismo.

Ao dizer que coleccionava selos e que tinha um blogue, a minha interlocutora disse-me que no emprego onde está, lhe aparecem muitas cartas ainda seladas, coisa pouco vulgar hoje em dia.

Mas felizmente que ainda as há!

Desta conversa ainda fiquei a ganhar, pois a senhora vai-me arranjar esses selos.

Depois do que falei aqui sobre a extinção do selo e perante este episódio, será este último um caso isolado, ou estaremos a voltar ao selo colado nas cartas?

É uma incógnita. Mas não deixa de ser um fenómeno interessante e digno de ser estudado. Até que ponto o selo consegue vencer as Novas Tecnologias.

É um caso para ser acompanhado estatística e históricamente.

Nós filatelistas, deveríamos contribuir para esse estudo e divulgá-lo em publicações sobre o tema e outras, de forma a que chegue ao público em geral.

A melhor fonte estatística, são os CTT. Esses, como detentores do selo, são os mais interessados em vendê-lo e saber dizer se tem havido aumento ou decréscimo na venda de produtos filatélicos. Depois, cabe-nos a nós filatelistas, darmos também o nosso contributo.
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segunda-feira, 6 de junho de 2011




Introdução: Gustavo do Carmo

Sinopse: Divulgação



Ex-correspondente da Rede Globo em Nova York, hoje repórter especial da emissora no Rio, e também apresentador do Espaço Aberto Literatura, do canal pago Globo News, o jornalista Edney Silvestre enveredou-se no ramo da literatura e lançou, em 2009, o romance Se eu fechar os olhos agora, vencedor do Prêmio Jabuti de melhor romance, o que motivou a sua editora, a Record, a boicotar a premiação por ter perdido a categoria geral para o último livro de Chico Buarque, Leite Derramado.



Polêmicas à parte, o romance teve inspiração em uma frase pensada por acaso pelo autor, que há trinta anos desejava escrever um livro policial. O texto começa exatamente com "se eu fechar os olhos agora". Na história, ambientada nos anos 60, dois meninos de 12 anos - Paulo e Eduardo - encontram um corpo de uma linda mulher, morta e mutilada, à beira de um lago de uma cidade da antiga zona cafeeira fluminense. Assustados, eles comunicam o fato à polícia e acabam sendo tratados como suspeitos. Só são soltos quando o frágil marido da vítima confessa o crime.



Os garotos decidem, por conta própria, investigar o caso e contam com a ajuda de um senhor, Ubiratan, que mora no asilo da cidade, um ex-preso político da ditadura Vargas, que esconde a motivação para seu interesse no assunto. Dele, os meninos ouvem um aviso que marca o começo de um turbilhão de acontecimentos surpreendentes: “Nada neste país é o que parece.”

Em pouco tempo, eles percebem que a mulher tem uma estranha ligação com os homens mais importantes da cidade e que seu passado é nebuloso, repleto de mentiras. A investigação irá desvendar ainda um perverso painel em que violência sexual, racismo, corrupção e espúrias alianças políticas — que tentam a qualquer custo manter o poder — se misturam, numa época em que o Brasil caminha para a industrialização. Para os meninos, será um terrível caminho de amadurecimento e chegada à vida adulta, ainda no início da adolescência.



Edney Silvestre, que já havia lançado três livros de crônicas e participado de algumas coletâneas, construiu uma trama eletrizante e comovente, repleta de referências a um dos momentos mais importantes do cenário político e cultural do Brasil e do mundo. Com uma linguagem culta e refinada, o autor expõe com crueza a maldade humana, e é capaz de mergulhos psicológicos de imensa sensibilidade, sem deixar de contextualizar seus personagens social e historicamente. Transitando por gêneros tão distintos quanto o policial, o histórico e o romance de formação, Se eu fechar os olhos agora, que levou seis anos para ficar pronto, é uma leitura vertiginosa, que retrata a essência da nossa sociedade.


O livro foi um best-seller e frequentou a lista dos mais vendidos por algumas semanas pouco depois do lançamento.



Um trecho:



"Se eu fechar os olhos agora, ainda posso sentir o sangue dela grudado nos meus dedos.E era assim: grudava nos meus dedos como tinha grudado nos cabelos louros dela, na testa alta, nas sobrancelhas arqueadas e nos cílios negros, nas pálpebras, na face, no pescoço, nos braços, na blusa rasgada e nos botões que não tinham sido arrancados, no sutiã cortado ao meio, no seio direito, na ponta do bico do seio direito.



Eu nunca tinha sentido aquele cheiro pungente antes, aquele cheiro que ficaria para sempre misturado ao cheiro das outras mulheres, das que conheci na intimidade, que invadiria o cheiro de outras mulheres e que para sempre me levaria de volta a ela. Aquela mistura de perfume doce, carne cortada, suor, sangue e - o mais próximo que consegui perceber, até hoje - sal. Como se sente quando próximo ao mar. Como quando adere à pele. Não os grãos do sal - mas a poeira invisível e olorosa do sal em dias úmidos."



SOBRE O LIVRO:



Se eu fechar os olhos agora

Autor: Edney Silvestre

Editora: Record

2009

Formato (a x l): 14 x 21 cm

304 páginas

Preço sugerido: R$ 34,90



Próxima semana: Furacão Elis, de Regina Echeverria


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sábado, 4 de junho de 2011


Gustavo do Carmo

Junto com a mãe, Miro sofreu muito com a mania de economizar do pai, Seu Setembrino. Era um homem ranzinza, autoritário e extremamente pão-duro. Dona Agnes contou que, quando o filho era bebê, o marido a obrigava a reutilizar as fraldas descartáveis. Só permitia a troca se não tivesse mais jeito de lavar, nem de remendar os rasgos, que eram costurados com linha e agulha emprestada da vizinha porque Setembrino não deixava comprar.
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quinta-feira, 2 de junho de 2011

João Paulo Mesquita Simões


1979 - ANO INTERNACIONAL DA CRIANÇA

Desenhos: José Luís Tinoco

Impressão: Offsset na INCM

Folhas de: 5 X 10 Selos

Circulação: De 1 de Junho 1979 a 31 de Dezembro de 1983




Por ter sido comemorado ontem em Portugal o Dia da Criança e como só publico à quinta-feira, não queria deixar passar a data em branco com esta emissão de 1979. A todas as Crianças e sobretudo àquelas que o não foram, mas que por via das circunstâncias tiveram de se tornar adultas enquanto crianças.
A todas as Crianças que vivem no seio das guerras e manejam como adultos as armas que lhes são dadas para as mãos.
A todas as Crianças que não tiveram tempo de o ser porque a Vida lhes foi ceifada.
A minha homenagem!


DIREITOS DA CRIANÇA


Para quem queira consultar, deixo aqui o link

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