terça-feira, 5 de abril de 2011

regando com saliva e lágrimas de gratidão

de Miguel Angel

Magda oferece cálice de champanhe a Jandira, que o pega sem ver, cativada pelos seios nus na sua frente. Depois, sem Jandira perceber, Magda enche a sua, observando o pó branco
diluir-se no frisante da bebida, a seguir bebe longo trago e deposita a taça sobre o criado mudo. Depois encosta o corpo por trás de Jandira e no abraço desabotoa-lhe a frente da blusa.
Saboreando com lentura o momento, beija-a na nuca, provocando
em Jandira arrepios que sempre sentia com duas coisas
neste mundo: champanhe e a boca úmida de Magda. Fecha
os olhos pressentindo o que vinha em seguida: as mãos
dela nos seus peitos, libertando-os carinhosamente do sutiã,
apertando e arranhando de leve os mamilos. Sem ver a outra
bebericando atrás dela, vira-se preparada para beijar, e, ao fazê-lo, surpreende-se ao sentir vindo da boca de Magda o líquido agridoce entrando na sua. Engole e depois mordisca a língua inquieta dentro de sua boca. Os mamilos de ambas estão endurecidos, entretanto, é Jandira lambendo os da outra, brincando de morder ao sugá-los. Ela ama aqueles seios brancos mais que aos seus.
- Cet amour. Cet amour qui faisait peur aux autres(*) - Magda
murmura e Jandira gosta, mesmo sem entender direito. Sabe
que é amor. E com amor vai descendo pelo corpo, beijando e
lambendo até o umbigo perfumado, brinca de penetrá-lo com a
língua, Magda gosta disso, lhe faz rir e rindo se joga na cama
de pernas abertas, descansando os pés nos ombros de Jandira,
que, entre elas, se assusta com o que a boca sente debaixo da
calcinha; olhando Magda e seu sorriso encantador, começa a
adivinhar: sem pressa, quase num afago, vai tirando a calcinha
preta, beijando o que vai desnudando, até encontrar o colar
de pérolas emaranhado nos pêlos; com os dentes, vai resgatando-
o pérola a pérola. Ao retirá-lo de vez, ouve a voz profunda,
séria, amorosa: "Feliz aniversário, Jandira, ma petite".
Após colocar o colar no pescoço e de um gole esvaziar a taça
de Magda, Jandira acaba de lhe tirar a calcinha. Engasga um
emocionado "obrigada, Magda, por mais este presente" e
mergulha entre suas pernas, regando com saliva e lágrimas de
gratidão aquilo que também é seu.
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(*) Este amor. Este amor que da medo aos outros.
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Extraído do romance A CENA MUDA de Miguel Angel Fernandez

Um comentário:

Joao Paulo Mesquita Simoes disse...

Belo livro, este!
Abraços!

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