quinta-feira, 28 de abril de 2011



João paulo Mesquita Simões


Manuel Lopes da Fonseca nasceu em Santiago do Cacém, em 1911. Fez os estudos secundários em Lisboa, tendo-se dedicado desde cedo ao jornalismo. Em 1925 publicou num semanário de província os seus primeiros versos e narrativas.
Iniciou se em poesia com a colectânea Rosa dos Ventos (1940) e na ficção, com os contos Aldeia Nova (1942). Ligado ao neo realismo, evoluiu no sentido de um regionalismo crescente, ligado ao seu Alentejo natal, retratando o povo desta região e a miséria por ele sofrida. Contestatário e observador por natureza, a sua escrita era seguida de perto pela censura.
Colaborou em várias publicações, de que se destacam as revistas Afinidades, Altitude, Árvore, Vértice, O Pensamento, Sol Nascente, Seara Nova, os jornais O Diabo e Diário e fez parte do grupo do Novo Cancioneiro.
Escreveu, para além das obras referidas, os volumes de poesia Planície (1941), Poemas Completos (1958), Poemas Dispersos (1958), os contos O Fogo e as Cinzas (1951), Um Anjo no Trapézio (1968), Tempo de Solidão (1973), Crónicas Algarvias (1986), e os romances Cerromaior (1943), e Seara de Vento" (1958). Colaborou também no jornal A Capital em 1986, com as Crónicas Algarvias. Preparou ainda a Antologia de Fialho de Almeida (1984). Manuel da Fonseca faleceu em 1993.
(In: http://www.truca.pt/ouro/biografias1/manuel_fonseca.html)
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terça-feira, 26 de abril de 2011


Assista uma apresentação audiovisual inédita do romance A CENA MUDA, de Miguel Angel Fernandez
Clique no link e divirta-se:
http://www.slideboom.com/presentations/343990
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segunda-feira, 25 de abril de 2011

Texto: Divulgação
Foto: Gustavo do Carmo


Em Invisível, de Paul Auster (Companhia das Letras, R$ 49,50), Adam Walker recorda os acontecimentos da primavera e do verão de 1967, quando era um jovem poeta e estudante de letras na Universidade Columbia, Nova York. Quarenta anos depois, os fatos incontornáveis daquele ano, em que se vivia a Guerra Fria e a crescente oposição à Guerra do Vietnã, somam-se a eventos pessoais decisivos, que vão acompanhá-lo até o fim da vida.

Ele rememora o estranho encontro em uma festa e a posterior relação tumultuada que desenvolveu com dois estrangeiros: o suíço Rudolf Born, professor visitante de relações internacionais na mesma Universidade Columbia, e sua enigmática e sedutora companheira, a francesa Margot. O professor Born propôs ao jovem poeta financiar um projeto de revista literária, acalentando a ideia de ter sua biografia escrita por Walker.

Embora intrigado com a rápida simpatia que despertou no casal, a oferta era boa demais para ser recusada. Aos poucos, porém, Walker passou a desconfiar das intenções de Born, uma combinação de raivoso analista político, intelectual cínico e dândi espirituoso.Um evento imprevisto e trágico fez com que a relação entre o estudante prodígio e o enigmático professor se tornasse áspera e, depois, doentia, levando a história de ambos a Paris.

A narrativa de Adam Walker, hoje com mais de sessenta anos, porém, mostra-se incapaz de dar conta da complexidade dessa história revisitada nos meandros da memória e nos limites da linguagem.Vozes de outros personagens ganham o primeiro plano: Jim, antigo colega de Adam, que se tornou James Freeman, escritor de sucesso, a quem Walker recorre para que lhe ajude a terminar a narrativa; a irmã Gwyn, por quem ele sente um irresistível desejo incestuoso; Cécile, enteada francesa de Born, que manteve um diário dos tempos em que conheceu e se apaixonou por Walker. Em Invisível, narradores e formas narrativas se alternam, acelerando o ritmo da leitura e reservando descobertas e mudanças de rumo para as últimas frases do livro, deixando o leitor sem fôlego.

Um trecho:

"Apertei a mão dele pela primeira vez na primavera de 1967. Na época eu era estudante do segundo ano na universidade Columbia, um garoto ignorante, cheio de apetite por livros e com a crença (ou ilusão) de que um dia eu seria bom o bastante para poder me chamar de poeta, e, como eu lia poesia, já havia encontrado o seu xará no inferno de Dante, um morto que se esgueirava entre os últimos versos do canto 28 do Inferno."


SOBRE O LIVRO

Invisível
Autor: Paul Auster
Tradutor: Rubens Figueiredo
Companhia das Letras
2010
Formato (a x l): 21x14 cm
280 páginas
Preço sugerido: R$ 49,50

Semana que vem: Lembranças de um Tempo Fantástico, de Hélio Costa
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domingo, 24 de abril de 2011


Por Gustavo do Carmo


Revisão: Orlando Castor



O comercial de televisão anunciava um ovo de chocolate com trufas, castanha de caju, coco e marshmallow. Era de uma marca de chocolates finos. E caros. Fui à sua loja ver o preço. Custava 120 reais.


Decidi comprá-lo para presentear alguém na data. Queria conquistar uma garota de quem eu gostava na faculdade. Paguei no cartão de débito. Para a minha condição financeira médio-pobre, foi como fazer uma extravagância. O ovo vinha numa caixa média que eu mandei embrulhar para presente.


Esperei ansiosamente pela quarta-feira da Semana Santa para lhe dar o ovo. Ela faltou. Levei o chocolate ainda sem dona para casa. Guardei-o um pouco na geladeira e depois na prateleira do meu quarto.


Esperei ainda mais ansioso pela segunda-feira pós-Páscoa. O que seria um caro e agradável presente antes da Páscoa virou um caro e atrasado presente depois. Chegou, pela segunda vez, o grande dia. Ela foi.


Coração disparado. Ia ao seu encontro no pátio da faculdade, mas ela começou a conversar com amigas. Prefiro entregar o presente para ela sozinha. O que só consegui na sexta-feira. Na terça ela faltou, na quarta fui eu e na quinta ela não desgrudou das amigas de novo.


Procuro-a como um louco que persegue mulheres. Fiquei até com medo de realmente ser confundido com um. Mas Fulana é uma moça gentil e educada. Quando a abordei na porta do banheiro feminino, que fica num corredor deserto e escuro, e lhe ofereci o ovo de 120 reais ela respondeu, até sorrindo com a reclamação que fez:


— Obrigada. Mas já estou cheia de ovo de Páscoa lá em casa. Estou precisando emagrecer e ainda me enchem de ovo. Meu namorado me deu um de 20 quilos, imagina!


— Imagino. Mas você é magra. Se ficar mais magra do que já é vai ficar com anorexia.


— Que nada. Olha o meu culote. Estou me sentindo gorda. Mas obrigada pelo carinho.


— Ah, mas pode ficar com ele. Dá de presente pra alguém.


— Não precisa. Lá em casa já está todo mundo entupido de chocolate. Meu namorado é franqueado dessa loja mesmo. A gente tem vários lá em casa. Um beijo.


Não quis insistir mais para não aborrecê-la. Ela voltou para o grupo de amigas no pátio. Eu voltei para casa. Esse ovo de chocolate recheado de quatro sabores me custou 120 reais. E agora descubro que eu comprei do namorado dela. Não quis mais comê-lo. Muito menos levar o doce sem dono para casa.


Na rua, dei o ovo para um mendigo solitário. Que me agradeceu emocionado. Ia embora quando fui chamado e convidado para comer com ele, que não teve Páscoa. Eu tive a minha, com meus pais e minha irmã. Fiquei aliviado pelo meu ovo de chocolate de 120 reais ter servido para deixar alguém feliz.


Aos leitores, uma Feliz Páscoa!

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sexta-feira, 22 de abril de 2011



Por dudu oliva









Os bons livros apesar da forma e do gênero possuem a essência da boa literatura. O livro MACACOS ME MORDAM é um livro infantil que a minha irmã leu para filha e me emprestou, pois achou interessante principalmente para os adultos.


O autor utiliza as lendas folclóricas para contar as aventuras do macaco malicioso e esperto, que sempre dá volta na onça. O macaco não é um herói dos clássicos dos contos de fadas: forte, viril e valente. Pelo contrário, ele usa a astúcia para se defender da onça. A mensagem das seis histórias mostra que a inteligência supera a força.


O que achei interessante é que usando a estrutura da fábula, o livro descreve a luta da sobrevivência dos homens. Nós não temos força bruta como os elefantes, leões entre outros, mas temos inteligência que faz a gente se adaptar na adversidade. O macaco da história é o reflexo do homem.


Através a esperteza, queremos driblar a força da natureza e dos Deuses. Somos atrevidos e construímos artifícios para suprir a falta de força bruta.


Realmente, o livro me fez viajar e a refletir muito sobre a condição humana e a nossa relação com o meio ambiente. Mesmo que o texto seja escrito para crianças, os adultos aprenderão muito. Porque a verdadeira literatura não é segmentada, ela essencialmente una.
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segunda-feira, 18 de abril de 2011


Por Gustavo do Carmo

Estreio mais uma seção no Tudo Cultural. A Tudo na Cabeceira mistura dica literária com relato dos livros que eu vou ler. A fila de livros esperando a minha leitura está tão grande que vai render pauta para muitas semanas. Caso a fila se acabe, já que eu estou tentando evitar comprar mais livros, vou indicar os livros que eu quero muito ler e ainda não comprei. Depois, finalmente, indicarei os livros com histórias interessantes. Esta é a ordem de prioridade da seção.

Acabando de ler os livros, farei a análise dos pontos fortes e fracos, na seção quinzenal que eu inaugurei no final do mês passado. A Tudo na Cabeceira pretende ser semanal e todas as segundas.

E o livro que abre a nova coluna é Seu Toninho - Vida e Alma da Cantareira, escrito a quatro mãos por Yukie Takata e o colaborador do Tudo Cultural, Ed Santos. Juro que não é um jabá para a equipe do Tudo Cultural. É apenas uma feliz coincidência.

Seu Toninho - Vida e Alma da Cantareira é a biografia de Antônio Cassalho, que há mais de cinquenta anos é guarda-florestal da Serra da Cantareira, em São Paulo. É um projeto independente em parceria com a editora As Américas.

Um trecho:

"Seu Toninho mora e trabalha na Cantareira desde 1956. Não tira férias para usufruir ao máximo o parque do qual já é parte integrante. Todas as pessoas que o encontram fazem questão de cumprimentá-lo por ser uma figura muito conhecida e respeitada.

Autodidata e muito observador, aprendeu desde cedo a imitar o som dos pássaros.Usa essa habilidade para entoar cantatas em parceria com as mais diversas espécies de animais, em harmonia com o grunhido assustador dos bugios, o farfalhar das folhas secas no chão que prenunciam o rastro dos caçadores, o pisar dos policiais e as pegadas das pacas e das onças pintadas.

As atividades de Seu Toninho são inúmeras: além de ter seu trabalho diário como guarda-florestal no Parque Estadual da Serra da Cantareira, ele ministra palestras sobre a flora brasileira e a sobrevivência na selva, participa de eventos em parceria com outros órgãos, como o Corpo de Bombeiros, ou ensina a sua experiência em outros parques da cidade ou do Estado de São Paulo."

SOBRE O LIVRO

Seu Toninho - Vida e Alma da Cantareira
Autor: Yukie Takata e Ed Santos
As Américas
2010
Formato (a x l): 21 x 14 cm
116 páginas


Próxima segunda: Invisível, de Paul Auster.
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sábado, 16 de abril de 2011


Por Gustavo do Carmo


Emprego

Achou que o casamento lhe traria um emprego. Viveu 25 anos aturando a sogra e a mulher gorda lhe chamando de vagabundo.




Casamento

Achou que o emprego lhe traria um casamento. Trabalhou por 25 anos sentindo o bafo do chefe mal humorado. Morreu virgem. Nunca teve tempo para arrumar uma namorada.



Hércules

Hércules só tinha um emprego, mas fazia 12 trabalhos duros por dia.



Portas

Todas as suas portas no mercado de trabalho estavam fechadas. Arrombou uma por uma.



Confusão

Explicitou o dever de casa para o filho e foi a um show de sexo explicado com os amigos. O estresse do trabalho a contragosto confundiu sua cabeça.



Herança

Foi obrigado a assumir o negócio do pai. Teve tanto trabalho que foi impedido de ir a uma entrevista de emprego para a profissão que tanto sonhava.



Oportunidades

Quando era vivo perdeu oportunidades de emprego e namoro por causa de sua insegurança. Morreu e perdeu a oportunidade de ir para o céu. Pereceu no purgatório.



Telefone

— Filho! Telefone pra você! Depois de um minuto, a mãe pergunta: — E aí, filho? Oferta de emprego? — Não. Mais uma ameaça de morte.



Pressentimento

A irmã queria impedi-lo de ir naquela reunião porque tivera um pressentimento ruim. Ele atendeu ao seu pedido. Não aconteceu nada de grave e ele perdeu uma ótima oportunidade de emprego.

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domingo, 10 de abril de 2011


Por Gustavo do Carmo


Imagina o Tony Ramos tendo um branco no meio de uma peça de teatro. E que esse branco se torne permanente, sem nenhuma capacidade para improvisar, a ponto de acabar com a sua carreira. Este é o drama vivido por Simon Axler, protagonista do romance A Humilhação, de Philip Roth (Editora Record).

Simon, um sessentão e grande talento de sua geração, perde a magia, o talento e a autoconfiança. Sobe ao palco e fica sem saber o que fazer, se sente um louco e imagina as pessoas rindo dele. Como resultado, o público o abandona, a mulher larga dele e nem o seu agente consegue convencê-lo a retomar o trabalho.

Ele se interna em uma clínica e, durante as atividades terapêuticas, conhece uma mulher que flagrou o marido molestando a filha e teve uma crise nervosa. Aparentemente recuperado, vai morar recluso em uma casa no interior dos Estados Unidos. Ele recebe a visita de Pegeen Stapleford, filha de um antigo casal de amigos, que vai morar com ele. Assumidamente lésbica e ainda sofrendo perseguição de uma ex-namorada, a moça seduz Simon, que recupera o prazer de viver e enlouquece de paixão pela moça já de quarenta anos de idade. Os dois realizam diversas fantasias e passam a enfrentar a resistência dos pais de Pegeen.

Dividido em três capítulos, o livro tem um enredo envolvente e um texto claro e objetivo. Peca apenas pela descrição detalhada de cenas de sexo. A diagramação é simples. A leitura é rápida. São apenas 102 páginas que custam caro relativamente: 34 reais (33 centavos por página ou três páginas por cada real pago).

Pontos Fortes

+ Ótima trama
+ Texto objetivo

Pontos Fracos

- Descrição de cenas de sexo
- Poucas páginas para o seu preço

Avaliação geral: ****

SOBRE O LIVRO

A Humilhação
Autor: Philip Roth
Tradutor: Paulo Henriques Britto
Companhia das Letras
2009
Formato (a x l): 21x14 cm
102 páginas
Preço sugerido: R$ 34,00

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sábado, 9 de abril de 2011


Gustavo do Carmo

Viu seu sangue jorrar do pescoço como um chafariz de praça. Seu corpo agonizava como uma barata envenenada pelo inseticida. Salviano contorcia-se desesperado. Sentiu pena de si mesmo e se contorceu junto com ele.

Correu para o próprio corpo como se quisesse assistir um irmão gêmeo atropelado. Foi contido pela mão macia e branca de uma bela mulher de vestido tomara-que-caia branco – quase revelando os seus seios fartos e naturais - olhos verdes, cabelos compridos lisos e negros, que lhe diz asperamente:

— Não! Pra lá você não volta!

— Mas eu preciso voltar!

— Agora você quer voltar? Na hora de fazer o que fez você não pensou nisso.

— Mas eu me arrependi.

— Agora é tarde. Vai ter que aceitar o que fez e vir comigo.

— Mas por que eu não posso voltar?

— Porque quando alguém nos chama, temos que vir buscar e não podemos retornar sozinhos.

— Mas por quê? O ser humano não tem o direito de se arrepender?

— Em primeiro lugar, há uma despesa muito grande quando somos chamados fora da hora. Deixamos de atender os enfermos, os idosos e aquelas pessoas que nos chamam através da extrema-unção para cuidar de casos como o seu. Em nosso estatuto, quem nos chama não pode mudar de idéia. Somente quando ocorre algum ferimento acidental. Então analisamos a gravidade do caso e a missão do acidentado.

— Ora, não me venha com essa filosofia de conglomerado empresarial. Eu me arrependi do que fiz. Ainda assim o meu caso foi um acidente.

— Foi acidente sim. Responde a bela mulher, com sarcasmo. Você esperou a sua família sair de casa, se trancou no quarto e escreveu um bilhete de despedida. Tudo premeditado para evitar que alguém descubra e te socorra a tempo. E ainda vem dizer que está arrependido?

— Não importa se eu premeditei ou não! Quero voltar para o meu corpo antes que não dê mais tempo.

— É exatamente pra isso que eu estou te enrolando.

— Que besteira é essa? Está gozando da minha cara?

— Você é quem está, querido.

— Escute: eu não vou com você de jeito nenhum!!!! Não vou!!!! Entendeu? Eu tenho que voltar para o meu corpo! Eu não posso deixar os meus pais e os meus irmãos. Eles vão sofrer.

— Pensasse neles antes de fazer o que fez! Por que nos chamou então?

— Eu não chamei ninguém.

— Sem saber chamou, sim. E também quis chamar a atenção deles. E realmente conseguiu.

— Está certa. Eu consegui. Mas agora eu me arrependi e quero voltar. Dei só um cortezinho no pescoço. Dá pra me recuperar se você me deixar. Quero voltar para o meu corpo e gritar por socorro.

— Impossível, meu querido. Você rompeu a jugular. Do jeito que espalhou sangue não teria como voltar, mesmo se eu deixasse. Ficaria agonizando por dias no hospital e não escaparia. Olhe para este espelho.

Salviano fica horrorizado com o tamanho do seu corte. O seu quarto já era uma piscina rasa de sangue. Chora ainda mais arrependido.

— E se eu não for com você?

— Vai ficar vagando como um zumbi, sem corpo e sem poder influenciar ninguém na terra, pois você não vai ouvir nada. Só vai enxergar vultos em um ambiente sombrio, sujo, fedido e úmido.

— E se eu for?

— Terá uma eternidade de paz, luz, felicidade e ainda poderá voltar para a terra de vez em quando para pedir perdão aos seus pais.

— Só isso?

— O que você quer mais? Não está satisfeito em apenas ir para um mundo de paz apesar do que fez?

— E o que eu fiz foi errado?

— Claro que foi. Tirar a vida sem a vontade de Deus é condenável.

— Não acho. Para mim é um ato de coragem e dignidade. Não é a toa que no Japão essa atitude é bem vista.

— Estamos no Brasil. Cada país tem a sua cultura. Mas, infelizmente, são as regras. E o seu erro não foi apenas o seu suicídio e sim o seu arrependimento tardio depois que eu tive que vir, às pressas, para te buscar.

— Afinal, quem é você? A Morte?

— Diria que sou uma representante divina. Olha, o seu tempo já acabou. Você não pode mais voltar porque já está morto. Daqui a pouco a polícia vai chegar para arrombar a porta e encontrar o seu corpo. Eles já foram acionados porque você se esqueceu que tem vizinhos morando em baixo. Foram eles quem denunciaram porque o seu sangue vazou para o apartamento deles. Seus pais também vão entrar desesperados. E então? Vem comigo ou não? Já sabe o que vai te acontecer se você não vier.

— Eu posso te pedir uma coisa? Eu sei que não mereço.

— Tudo bem, mas você vem.

— Vou. Fazer o quê, né? Não pude me arrepender do que fiz. Responde Salviano, resignado, enxugando as lágrimas. Achei você tão bonita, posso ficar com você na eternidade?

Depois de alguns segundos de hesitação, a bela mulher respondeu:

— Está bem. Você vai viver a sua eternidade ao meu lado e nunca vou me separar de você.

A representante divina transformou-se em uma velha decrépita e gorda com quem Salviano foi obrigado a viver eternamente para aprender a nunca mais cair em tentação.


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sexta-feira, 8 de abril de 2011

Por dudu oliva






Por que desvirtuamos o mundo tão perfeito das leis e das palavras? Por que estragamos tudo? São perguntas que ainda não sei respondê-las, mas tenho a certeza que existe o caos dentro da gente e que tem um poder de destruição imensurável. Confesso que não quero saber o quanto posso ser destrutivo e rezo para que esse dia nunca chegue.



A corrupção é abordada por muitos especialistas como sendo consequência das Instituições da sociedade, que são altamente permissivas e frágeis aos interesses dos poderosos. Concordo que o meio externo influência as atitudes das pessoas, porém, não se pode negar que o ser humano tem uma tendência de burlar as normas. Somos corruptores e corruptíveis por natureza.



Entretanto, a reflexão nos leva a pensar possibilidades de não nos entregar aos jogos de interesses e buscar a ética, a fim de construirmos um mundo mais justo.
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quinta-feira, 7 de abril de 2011


João Paulo Mesquita Simões


As Novas Tecnologias e sobretudo as Redes Sociais, são um bom veículo de comunicação.

Há quinze dias mais ou menos, num Domingo à noite, andava eu no Facebook, quando comecei a conversar com um senhor também ele coleccionador de selos e fundador do Núcleo Filatélico da Mealhada, sobre a Filatelia.

Surgiu o convite de sua parte para eu escrever quinzenalmente para o Jornal da Mealhada.

Aceitei o convite, fiz um artigo e enviei para o jornal.

É esse artigo que reproduzo aqui hoje, embora com fraca qualidade, pois foi fotografado, uma vez que o meu scaner não está a funcionar. Desde já as minhas desculpas. Contudo, fica a intenção e, sobretudo, mostrar que ainda há jornais locais que se interessam por estes hobbies o que faz despertar o interesse nos leitores.

Julgo ser esse o objectivo do Jornal, o que eu congratulo desde já pela iniciativa.
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terça-feira, 5 de abril de 2011

de Miguel Angel

Magda oferece cálice de champanhe a Jandira, que o pega sem ver, cativada pelos seios nus na sua frente. Depois, sem Jandira perceber, Magda enche a sua, observando o pó branco
diluir-se no frisante da bebida, a seguir bebe longo trago e deposita a taça sobre o criado mudo. Depois encosta o corpo por trás de Jandira e no abraço desabotoa-lhe a frente da blusa.
Saboreando com lentura o momento, beija-a na nuca, provocando
em Jandira arrepios que sempre sentia com duas coisas
neste mundo: champanhe e a boca úmida de Magda. Fecha
os olhos pressentindo o que vinha em seguida: as mãos
dela nos seus peitos, libertando-os carinhosamente do sutiã,
apertando e arranhando de leve os mamilos. Sem ver a outra
bebericando atrás dela, vira-se preparada para beijar, e, ao fazê-lo, surpreende-se ao sentir vindo da boca de Magda o líquido agridoce entrando na sua. Engole e depois mordisca a língua inquieta dentro de sua boca. Os mamilos de ambas estão endurecidos, entretanto, é Jandira lambendo os da outra, brincando de morder ao sugá-los. Ela ama aqueles seios brancos mais que aos seus.
- Cet amour. Cet amour qui faisait peur aux autres(*) - Magda
murmura e Jandira gosta, mesmo sem entender direito. Sabe
que é amor. E com amor vai descendo pelo corpo, beijando e
lambendo até o umbigo perfumado, brinca de penetrá-lo com a
língua, Magda gosta disso, lhe faz rir e rindo se joga na cama
de pernas abertas, descansando os pés nos ombros de Jandira,
que, entre elas, se assusta com o que a boca sente debaixo da
calcinha; olhando Magda e seu sorriso encantador, começa a
adivinhar: sem pressa, quase num afago, vai tirando a calcinha
preta, beijando o que vai desnudando, até encontrar o colar
de pérolas emaranhado nos pêlos; com os dentes, vai resgatando-
o pérola a pérola. Ao retirá-lo de vez, ouve a voz profunda,
séria, amorosa: "Feliz aniversário, Jandira, ma petite".
Após colocar o colar no pescoço e de um gole esvaziar a taça
de Magda, Jandira acaba de lhe tirar a calcinha. Engasga um
emocionado "obrigada, Magda, por mais este presente" e
mergulha entre suas pernas, regando com saliva e lágrimas de
gratidão aquilo que também é seu.
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(*) Este amor. Este amor que da medo aos outros.
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Extraído do romance A CENA MUDA de Miguel Angel Fernandez
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