quinta-feira, 31 de março de 2011


João Paulo Mesquita Simões


Manuel Lopes da Fonseca nasceu em Santiago do Cacém, em 1911. Fez os estudos secundários em Lisboa, tendo-se dedicado desde cedo ao jornalismo. Em 1925 publicou num semanário de província os seus primeiros versos e narrativas. Iniciou se em poesia com a colectânea Rosa dos Ventos (1940) e na ficção, com os contos Aldeia Nova (1942). Ligado ao neo realismo, evoluiu no sentido de um regionalismo crescente, ligado ao seu Alentejo natal, retratando o povo desta região e a miséria por ele sofrida. Contestatário e observador por natureza, a sua escrita era seguida de perto pela censura. Colaborou em várias publicações, de que se destacam as revistas Afinidades, Altitude, Árvore, Vértice, O Pensamento, Sol Nascente, Seara Nova, os jornais O Diabo e Diário e fez parte do grupo do Novo Cancioneiro. Escreveu, para além das obras referidas, os volumes de poesia Planície (1941), Poemas Completos (1958), Poemas Dispersos (1958), os contos O Fogo e as Cinzas (1951), Um Anjo no Trapézio (1968), Tempo de Solidão (1973), Crónicas Algarvias (1986), e os romances Cerromaior (1943), e Seara de Vento" (1958). Colaborou também no jornal A Capital em 1986, com as Crónicas Algarvias. Preparou ainda a Antologia de Fialho de Almeida (1984). Manuel da Fonseca faleceu em 1993.

(In: http://www.truca.pt/ouro/biografias1/manuel_fonseca.html)
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terça-feira, 29 de março de 2011

de Miguel Angel

(...) E pensar demais na vida cansa. Voltar para cama era melhor. Sua “família” o esperava.
Apagou o sorriso que despontava ao ouvir o barulho
característico da porta da rua se fechando. Sacudiu de novo o saliente e, ao virar-se para sair, bateu no nariz o odor catinguento de desconhecido por perto. Retesou os músculos das pernas e braços, pronto para o bote ou para a fuga, como bicho instintivo. Perfilou na porta entreaberta, espiando.
Viu dois broncos já entrando no quarto, olhando tudo sem querer fazer barulho. Um preto buchudo e um branco bufento, cochichando entre eles, caçando com atenção. De orelha e olhos acesos, ferrou os dentes e lembrou num estalo da faca enterçada escondida debaixo do colchão. Amiga sempre disposta para um “chega-pra-lá” nos inimigos também dispostos.
Ladrões? Ou da lei? Macacos não tinham a catinga destes.
Nem a fuça. Escondeu a sua detrás da porta, aguardando
oportunidade. Assim, em pêlo, sentia o abafamento do desamparo,
boca amargosa aumentava insegurança, mas estava disposto
a vender caro lá o que fosse os dois estavam querendo
comprar. E, à guisa de pagamento, a lambedeira de palmo e
meio de um e o facão do outro garantiam disposição de compra.
- A vaca tá dormindo, cadê o preto sujo?
Assinalou na direção do banheiro, o preto. Cuidadoso, vindo
na sua direção, o branco. O outro se apartando, desapareceu
da visão. O bafo chegou perto entrando pela fresta da porta
semicerrada. Apertou-se detrás dela, segurando respiração,
entreabriu os dedos dos pés preparando pulo de gato selvagem,
fechou os punhos até afundar as unhas nas palmas,
alargou as ventas. A mão do outro segurou a borda da porta,
viu as unhas sujas tão perto da cara que arreganhou os dentes
disposto a arrancar pedaço. O desconhecido terminou de
abrir a porta encostando de leve no corpo, teve de se apertar
ainda mais contra a parede.
- Aqui num tá - garantiu ao outro, encostando-se no batente
da porta escancarada.
- Se tivesse cê já taria morto, sua besta! Deve ter saído para
comprar alguns teréns. Vai voltá logo. Deixar sozinha uma cadela
gostosa como esta é que num vai. Nuinha e eu na pindura.
- Que tá aprontando aí, Moitão?
- Quem anda com preto só pode ser puta. A madame aqui
gosta de preto. E eu sou um, uai!
- Deixa disso, nego, óia, o crioulo vai aparece pra já.
- Ué, cê faz o serviço assim que assoma o nariz pela porta.
Tição de merda precisa de dois, não. O pato preto, assim que
vê a gente, vai se cagar todo. E eu tô ocupado agora. Tá com
medo do preto, Corintiano?
- Medo, eu? Já meti faca nas costas... nos peitos de muito
preto safado...
Magda acordou murmurando: - Que está fazendo’.’ É amigo
dele? Aonde ele foi? ...
- Nem amigo do chifrudo! Eu como quieto as putas deles,
então fecha o bico e abre as coxa, vai vê só o que tô querendo
fazê. Vem cá, branquela. Assim, abre bem que minha rola tá
queimando. Coisada mais boa... te mexe bem. Tá gostando
que é uma lindura, não é puta?... Corintiano, seu merda, tá
olhando o quê? Vai fica de tocaia na porta da rua, infeliz. Pode
ir esquentando, depois vai sê tua vez... assim, mulher! Aperta
mais. Te mexe, sacode essa bunda!
O chamado Corintiano foi se afastando do banheiro em direção
à porta do quarto. Sem deixar de olhar para a cama, arrumou
o saco entre as pernas. Tão compenetrado com o espetáculo,
nem percebeu alguém saindo de trás, acocorado junto
com a sombra, e deslizando nos calcanhares com silêncio de
gato e prontidão de pulo, sem contudo deixar de vigiar o outro
homem. De relance, enxergou-o em cima de Sinhá, com as calças
enroladas prendendo os tornozelos e bunda de fora, saracoteando
desvairado. Ela em silêncio, garra cravada nas costas
dele, parecia estar gostando: “Que tipa, essa mulher!”
Antes do Corintiano chegar à porta, ainda sem tê-lo visto
abaixado atrás dele, grudado no chão, desembestou numa
corrida relâmpago e em dois pulos chegou até a cama, certeiro
meteu a mão debaixo do colchão e retirou-a como raio já empunhando
a faca. O chamado Moitão ficou apalermado, sem atinar
nada, deu uma olhada no seu membro no instante de alcançar
a culminância. Parecia saber ser o último: gozou entre
as pernas dela ao mesmo tempo da garganta ser furada de lado
a lado. Com movimento brusco fez a faca sair pela frente, rasgando
a cartilagem da tiróide. Pendurado por fio de veia, o
pomo-de-adão converteu-se em torneira por onde o sangue,
saindo em golfadas, espalhava-se sobre a cama, lambuzando
o corpo de Sinhá. Horrorizada, sufocando grito, apertou a boca
com as mãos; a cabeça do caipora pendeu para um lado, depois
para o outro, num sinal inútil de negativa. Procurando
com o olhar o autor daquilo, esbugalhou os olhos tentando
fixar a figura inquieta e anuviada ao lado; esta desembainhou
a faca da garganta e, veloz, voltou a enterrá-la, agora num dos
olhos aboticados que o miravam. Tudo tão rápido que o tal
Corintiano, apoiado lá na porta, mal pôde limpar o fio de baba
pendurado na boca aberta ao ver aquele demônio preto, nu e
enfurecido furar o outro olho do companheiro, sempre o vigiando
de esguelha. Concordou com sua covardia: aquilo era
muita fúria para seu saco nessa hora murcho, e só pensou em
sair dali. Para já. E o fez aos trancos, cozinha, portas e barranco
abaixo.
O “demônio” viu pelo canto do olho apenas o rasto difuso da
fuga desembestada, enquanto arrancava a faca do último olho
do inimigo. E Sinhá, imóvel debaixo do corpo ainda convulso
do negro já morto, parecia estar dormindo na poça de sangue
se espalhando como lençol de seda vermelha, cobrindo o semblante,
grudando as grandes pestanas. Ensangüentando o verde de seus olhos.
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(do romance A Cena Muda, de Miguel Angel Fernandez)
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domingo, 27 de março de 2011


Por Gustavo do Carmo


O nosso amigo e colaborador Ed Santos está tão ocupado com o seu novo empreendimento comercial que não está tendo tempo para postar suas crônicas dominicais no Tudo Cultural. Não quero substitui-lo, mas algumas circunstâncias me obrigam. Portanto, enquanto ele não vem, vou retomar a resenha literária, que mudará de dia quando ele voltar.

Será uma resenha diferente. Vou destacar os pontos fortes e fracos de cada livro, embora possa ser acidamente sincero em algumas avaliações. Começo com Como se não houvesse amanhã - 20 contos inspirados em músicas da Legião Urbana, organizado por Henrique Rodrigues para a Editora Record.

O escritor carioca teve a ótima ideia de reunir dezenove fãs confessos da banda brasiliense liderada por Renato Russo e encomendar a eles contos inspirados em suas músicas, especialmente Eduardo e Mônica, Faroeste caboclo, Será e Que país é este. A paixão pelo grupo musical era o pré-requisito para participar da antologia.

Além do próprio organizador, também fã, estão presentes Alexandre Plosk, Ana Elisa Ribeiro, Carlos Fialho, Carlos Henrique Schroeder, Daniela Santi, João Anzanello Carrascoza, Manoela Sawitzki, Marcelo Moutinho, Mariel Reis, Maurício de Almeida, Miguel Sanches Neto, Nereu Afonso, Ramon Mello, Renata Belmonte, Rosana Caiado Ferreira, Sérgio Fantini, Susana Fuentes, Tatiana Salem Levy e Wesley Peres.

Os vinte contos têm o mesmo título das músicas. Em ordem de apresentação: Será (Daniela Santi), Ainda é cedo (Nereu Afonso), Por enquanto (Renata Belmonte), Acrilic on canvas (Henrique Rodrigues), Eduardo e Mônica (Rosana Caiado Ferreira), Tempo Perdido (Tatiana Salem Levy), Música Urbana 2 (Sérgio Fantini), Andrea Doria (Ana Elisa Ribeiro), Que país é este (Alexandre Plosk), Faroeste caboclo (Carlos Fialho), Há tempos (Carlos Henrique Schroeder), Pais e filhos (João Anzanello Carrascoza), Quando o sol bater na janela do seu quarto (Susana Fuentes), Monte Castelo (Wesley Peres), Meninos e Meninas (Miguel Sanches Neto), Sereníssima (Ramon Mello), Vento no litoral (Marcelo Moutinho), Giz (Manoela Sawitzki), Música de trabalho (Mariel Reis) e Sagrado Coração, de Maurício de Almeida.

Nem todos os contos me agradaram. Muita reflexão, poesia demais e narrativa arrastada de alguns contos são os motivos. Por outro lado, destaco Será, Faroeste Caboclo e Meninos e Meninas. Por enquanto, Há tempos, Pais e filhos e Giz me emocionaram. Eduardo e Mônica e Que país é este me decepcionaram. Ainda é cedo, Monte Castelo e Sereníssima sequer li direito, tamanha complexidade do texto. Senti a falta de um conto inspirado na música Quase sem Querer.

A capa, mostrando um disco de vinil e o associando a uma órbita, é simples e criativa mas não chega a ser bonita. A diagramação é boa. As letras são fáceis de ler e as páginas levemente amareladas relaxam. O livro custa R$ 32,90 e tem 160 páginas. Custo de vinte centavos por página ou 4,86 páginas por cada real gasto.


Pontos fortes:
+ Proposta do livro
+ Índice com os contos divididos por álbuns do grupo
+ Melhor conto: Será
+ Boa surpresa: Faroeste Caboclo


Pontos fracos:
- Falta de um conto inspirado em Quase sem querer
- Textos complexos de alguns contos
- Pior conto: Sereníssima
- Decepção: Eduardo e Mônica

Veredicto por contos:

Será: Adorei
Ainda é cedo: Não entendi
Por enquanto: Me emocionei
Acrilic on canvas: Gostei
Eduardo e Mônica: Esperava mais
Tempo perdido: Me emocionei
Música urbana 2: Não entendi
Andrea Doria: Não gostei
Que país é este: Não gostei
Faroeste caboclo: Gostei
Há tempos: Me emocionei
Pais e filhos: Me emocionei
Quando o sol bater na janela do seu quarto: Não gostei
Monte Castelo: Não gostei
Meninos e meninas: Gostei
Sereníssima: Não entendi
Vento no litoral: Mais ou menos
Giz: Me emocionei
Música de trabalho: Mais ou menos
Sagrado coração: Não entendi


Avaliação Geral: ***

SOBRE O LIVRO

Como se não houvesse amanhã
Organizador: Henrique Rodrigues
Record
2010
Formato (a x l): 21x14 cm
160 páginas
Preço sugerido: R$ 32,90

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sexta-feira, 25 de março de 2011

por dudu oliva




O clipe da música me chamou a atenção. Numa casa antiga e de pessoas antiquadas, a cantora chega com sua aparência andrógena. Ela liga retroprojetor, mas no início os moradores da casa não ligam, pois estão imersos em seus mundinhos. Mas, ao longo do clipe eles vão descobrindo as maravilhas de outros mundos, através do retroprojetor.
Depois de assistir o clipe, comecei a pensar sobre o que é realmente viajar. Têm pessoas que vão para outros lugares, porém só ficam na superfície, não se aprofundam na cultura local. Só querem comprar objetos para mostrar que viajaram. Ler um livro, assistir um filme ou ouvir música pode ser formas de viajar, também.
Para mim, um verdadeiro viajante é aquele que sai de si e imerge no outro, para descobrir sensações novas e conhecimentos desconhecidos. O que importa não é o deslocamento de corpos, mas de almas.



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Tradução da música:



Viaje Viaje
Acima dos velhos vulcões,
Deslizando tuas asas sob o tapete voador,
Viaje, viaje,
Eternamente.
Das nuvens até os pântanos,
Do vento da Espanha à chuva do Equador,
Viaje, viaje,
Voe até as alturas.
Acima das capitais, das idéias fatais,
Das idéias fatais,
Olhe o oceano...



Viaje, viaje,
Mais longe que a noite e o dia, (viaje, viaje)
Viaje, viaje,
No espaço inaudito do amor.
Viaje, viaje,
Sobre a água sagrada de um rio indiano (viaje, viaje)
Viaje (viaje)
E jamais retorne...



Sobre o Ganges ou o Amazonas,
Entre os negros, entre os sikths, entre os amarelos,
Viaje, viaje,
Em todo o reino.
Sobre as dunas do Saara,
Das ilhas Fiji ao Fujiyama,
Viaje, viaje,
Acima das cercas,
Acima dos arames farpados,
Dos corações bombardeados,
Olhe o oceano...



Viaje, viaje,
Mais longe que a noite e o dia, (viaje, viaje)
Viaje, viaje,
No espaço inaudito do amor.
Viaje, viaje,
Sobre a água sagrada de um rio indiano, (viaje, viaje)
Viaje (viaje)
E jamais retorne...



Acima das capitais,
Das idéias fatais,
Olhe o oceano...



Viaje, viaje,
Mais longe que a noite e o dia, (viaje, viaje)
Viaje (viaje)
No espaço inaudito do amor.
Viaje, viaje,
Sobre a água sagrada de um rio indiano, (viaje, viaje)
Viaje (viaje)
E jamais retorne...


http://letras.terra.com.br/desireless/10518/traducao.html
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quinta-feira, 24 de março de 2011




João Paulo Mesquita Simões


Antónia Adelaide Ferreira, empresária vinhateira portuguesa, nasceu em 1811. Ficou famosa por se ter dedicado ao cultivo do vinho do Porto e introduzindo notáveis inovações. Nasceu numa família abastada do Norte com créditos no cultivo da vinha para vinho do Porto. O pai, José Bernardo Ferreira casou-a com um primo, mas este não se interessou pela cultura da família e delapidou alegremente parte da fortuna. Adelaide teve dois filhos e quando ficou viúva com 33 anos despertou nela a sua verdadeira vocação de empresária. Sabe-se que a "Ferreirinha", como era carinhosamente conhecida, se preocupava com as famílias dos trabalhadores das suas terras e adegas. Com o apoio do administrador José da Silva Torres, mais tarde seu segundo marido, Adelaide Ferreira lutou contra a falta de apoios dos sucessivos governos, mais interessados em construir estradas e comprar vinhos a Espanha. Lutou contra a doença da vinha, a filoxera e deslocou-se a Inglaterra para se informar de meios mais modernos de combate à moléstia, bem como processos mais sofisticados de produção do vinho. A "Ferreirinha" investiu em novas plantações de vinhas em zonas mais expostas ao Sol, não descurando as plantações de oliveiras, amendoeiras e cereais. A Quinta do Vesúvio, a mais famosa das suas propriedades era por ela percorrida e vigiada de perto. Em 1849 a produção vinícola era já de 700 pipas de vinho. Mercê de bons acordos, grande parte dos vinhos foi exportada para o Reino Unido, ainda hoje o primeiro importador de Vinho do Porto. Quando faleceu, em 1896, deixou uma fortuna considerável e perto de trinta quintas. No Douro para o mundo passou a lenda da sua tenacidade e bondade. A RTP exibiu uma série a ela dedicada, em 2004, da autoria de Francisco Moita Flores.




In: www.oleme.pt
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sábado, 19 de março de 2011


Gustavo do Carmo

Nada mais dá certo para Gentil. Não consegue arrumar uma namorada, um emprego, muito menos ganhar dinheiro com o que escreve. Seu blog literário na internet é um fracasso. Os pais são separados, mas ainda moram juntos, brigando o tempo todo, fazendo os filhos de intérpretes, se unindo apenas para fazer cobranças a Gentil. Eles querem porque querem que o filho faça um concurso público. Qualquer um que seja. Mesmo o mais humilhante. Gentil é irredutível e não faz. Aliás, faz, mas não estuda. E ainda assim, só faz quando é coagido pelo pai, que lhe ameaça cortar o dinheiro.

Os amigos também sumiram. Aliás, amigos não. Colegas de escola, faculdade e pós-graduação. Ninguém o procura mais. Quando Gentil procura eles dão uma desculpa e encurtam a conversa. Na maioria das vezes não retornam as ligações. Rompeu até com o amigo com quem conversava pela internet, pois descobriu que teve um conto plagiado por ele, produtor de cinema, além de não aguentar as mentiras que ele contava.

Não é por falta de tentativa que Gentil não consegue as coisas. Já esteve muito próximo de conquistá-las. Uma vez, ainda com pouco mais de vinte anos, esteve perto de ter um jantar romântico com uma amiga da primeira faculdade. Na entrada do prédio dela, ao ter a prudência de comunicar sua chegada ao porteiro, ficou sabendo que ela estava discutindo violentamente com o ex-marido. Gentil educadamente foi embora e nunca mais a procurou.

Na busca por um emprego de jornalista, Gentil também ficou, várias vezes, muito próximo de conseguir, mas sempre morria na praia, ou melhor, na entrevista. Já o seu blog só tem um visitante diário que parece o mesmo: ele.

Gentil convenceu-se de que é vítima de alguma maldição. Tenta imaginar se foi praga rogada por algum ex-namorado da sua mãe ou ex-namorada do seu pai, se foram alguns amigos invejosos, de alguma cigana que ele rejeitou na rua ou mesmo se foi a rigorosa diretora falecida do colégio onde ele estudou no primeiro grau.

Convencido e cismado, resolveu procurar uma mãe-de-santo numa vila escondida no bairro de subúrbio onde mora. Pagaria tudo o que tinha e o que não tinha para descobrir, desfazer e até devolver o serviço que lhe fizeram. Ainda bem que Mãe Teodorica da Majestade não cobrava tanto. Apenas cinqüenta reais pela consulta e cem pelo serviço, se necessário.

Na consulta, Mãe Teodorica identificou um Exu Tranca-Texto incorporado. Mas disse que o serviço para destruir seria impossível, pois o encosto foi evocado por ele mesmo. Em outras palavras, a culpa pelo insucesso profissional e sentimental de Gentil era dele.

Como boa vidente, a mãe-de-santo descobriu que Gentil não luta pelas suas oportunidades. Foi indelicado com outra potencial garota e até com a mesma mulher casada quando a reencontrou, só falava besteira nas entrevistas, não é disciplinado, é burocrático, escreve mal, não tem criatividade, é ingrato e pedante com os amigos, não ajuda ninguém, é preguiçoso, preconceituoso, cria polêmicas desnecessárias e ainda obrigou os pais (mesmo que involuntariamente) a continuarem juntos por puro egoísmo financeiro.

Gentil educadamente deixou a tenda de Mãe Teodorica da Majestade, mas perdeu a gentileza ao ficar resmungando sobre ela. Foi procurar outra mãe-de-santo para tentar tirar a maldição que fez com que ele tivesse nascido uma pessoa tão ruim.
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sexta-feira, 18 de março de 2011

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quinta-feira, 17 de março de 2011

João Paulo Mesquita Simões

António Alves Redol (Vila Franca de Xira, 29 de Dezembro de 1911 - Lisboa, 29 de Novembro de 1969), foi um escritor, considerado como um dos expoentes máximos do neo-realismo português.

Biografia


Cedo começou a trabalhar dada a natureza modesta da sua família. Parte para Angola, aos 16 anos, procurando melhores condições de vida, regressando a Portugal três anos depois. Junta-se ao Movimento de Unidade Democrática (MUD), que se opunha ao regime do Estado Novo, e filia-se no Partido Comunista, escrevendo artigos no jornal O Diabo.

Introduziu o neo-realismo em Portugal com o romance Gaibéus (1939), nome dado aos camponeses da Beira que iam fazer a ceifa do arroz ao Ribatejo, em meados do século XX. Daí em diante, a sua obra revela uma grande preocupação social, velada ainda assim, dada a censura e à perseguição política movida pelo regime de Salazar aos opositores, e mormente aos simpatizantes do PCP, como era o caso. Chegou mesmo a sofrer prisão política tendo sido torturado.

O seu último romance, Barranco de Cegos, de 1962, é considerado a sua obra-prima e afirma a sua nova fase, em que a intervenção política e social é posta em segundo plano, dando lugar a um centramento nas personagens e na sua evolução psicológica, de cariz existencial.

Obras Literárias


Gaibéus (1939)
Marés (livro) (1941)
Avieiros (1942)
Fanga (1943)
Os Reinegros (1945)
Anúncio
Porto Manso (1946)
Ciclo Portwine (composto de três romances: Horizonte Cerrado (1949), Os Homens e as Sombras (1951) e Vindima de Sangue (1953) )
Olhos de Água (1954)
A Barca dos Sete Lemes (1958)
Uma Fenda na Muralha (1959)
Barranco de Cegos (1962), considerada a sua obra-prima.
A vida Mágica da Sementinha
Constantino, Guardador de Vacas e de Sonhos


(in: Wikipédia)
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terça-feira, 15 de março de 2011

de Miguel Angel
(...)
O dia inteiro marcharam atrás da caravana sem alcançá-la. Exaustos e a noite chegando, suspenderam a caminhada e se aconchegaram sob uma árvore. Tião providenciou lenha e acendeu uma fogueira, o calor e a fadiga o ninaram até o desmaio. Perto dele, o doutor, insulado em si mesmo, parecia dormitar.
Tião acordou com os gritos de Machado que a poucos passos, de braços abertos e olhos fixos no céu, clamava:
- As estrelas! "Queres pegar estrelas cintilantes porque no alto as enxergas?" Você as vê? Uma tempestade de luzeiros cai da noite e eu vôo no escuro infinito, amigo. E o mundo me aperta e meu coração açoita e... ai! quanto me sufoca!
Emudeceu de súbito, e, como alucinado, procurou em torno algo perdido. De sua boca escancarada, foi surgindo um som especioso que se tornou um grito rouco de animal que não tem nome; dobrou os joelhos e estirou-se no chão, os olhos esgazeados prosseguiram girando nas órbitas em descontrole, os braços iniciaram um tremor espasmódico que se disseminou para suas mãos e pernas a contorcer o corpo todo, como se montado no lombo ilusório de cavalo raivoso a sacudi-lo em convulsões elevando-o acima do solo; as palavras mergulhavam na espuma de sua boca a asfixiá-lo em remoinho incongruente. Era o paroxismo do colapso temido.
Meio oculto atrás da árvore, Tião tudo via, e nada entendia. Só o pavor que sentia era certo, como o corpo do doutor se retorcendo sobrenatural, iluminado pela fogueira e, de pronto, oscilou num voar vagaroso em torno dela.
- São Sebastião das flecha que estás no céu junto ao Pai-Filho e o Espírito Santo, acode este negro pecador. - rezava o aterrado faxineiro. Abraçando seu chapéu, sentou-se Tião debaixo da árvore desse lugar malfadado e quando o fogo se apagou e a noite cobriu tudo que podia se ver, abateu de vez sua valentia e soluçou igual moleque largado no meio de floresta inominável; porque escutou o pio do mocho na mata escura, lobrigou bestas aterrorizantes a espioná-lo, e assim, amedrontado quão criança, perto do desmaio, minguou até dormir.
A claridade do céu nublado e as aves revoando aos pios acordaram Tião tão angustiado como dormira.
- Onde o nhô doutor? - nas cinzas que circundam a fogueira procurou-o. - Quem garante não pegou fogo e virou cinza? Macumbas são poderosas! E aquilo não é coisa do demo? Teria o capeta levado pros infernos o coitado? - Sozinho nesta terra ignorada - Vai pr'onde, Tião? - O negro alforriado por servir a pátria, experimentava o peso do desamparo aumentando nas suas pernas. Deu um manotaço nas águas que assomaram nos seus olhos estrábicos, quando, num instante, vindo de cima, outra água escorregou em chuvisqueiro. - Que quer? O céu também chora com dó de Tião. - recolher os teréns e pôr-se a andar. - Pr'onde? Pra lá? Pra cá? Ih, negro cafifento! Não sabe lhufas! - E sedento inicia caminhada sem direção, mas em vinte passos, dá de frente num riacho. Desvencilha-se dos teréns e se queda imóvel observando atentamente o homem sentado na beirada... - É o bom doutor que esta lá! - e segura uma vara a espera de peixe? - Que vara essa sem anzol ou isca? Ih! pobrinho do nhô que perdeu juízo. - Tião, temendo que sua inesperada presença possa assustar o homem e venha cair na água, se acerca silencioso até a margem e enquanto enche o cantil, repara de viés no doutor bem perto dele.
- Pronto. Podemos ir. Amém. - Disse Tião, quase rezando, olhando para o céu e ao doutor alternadamente; lança a sacola com os pertences perto de seu dono; sem explicação, como se esperando por isso, o doutor se endireita, joga fora a vara, bota a casaca de civil encontrada na mochila e começa andar. Tião o segue, com receio de alegrar-se à toa.
- Graça, meu São Sebastião das flecha!
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Do romance "Sobre Moscas e Aranhas de Guerra" de Miguel A. Fernandez
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sábado, 12 de março de 2011


Por Gustavo do Carmo


Chantagem
Era uma mulher de dignidade. Preferiu confessar a sua traição conjugal ao marido a cair na chantagem do amante. Foi escurraçada de casa e as fotos da celebridade nua foram divulgadas mesmo assim.


Assédios
Chorou no chuveiro por ter sido molestada pelo seu professor de Filosofia, velho, gordo e careca. Chorou de inveja da desafeta molestada pelo professor de Sociologia: moreno, alto, bonito e sensual.


Mensagens
Depois da noite de amor inesquecível a mulher casada falou para o jovem amante recém-desvirginado:

— Não me procure nunca mais! Eu amo o meu marido!
— Tudo bem.

No dia seguinte, a mulher casada deixou 50 mensagens na secretária eletrônica do jovem.

Aborto
— Não me procure nunca mais! Eu amo o meu marido! — Mas você está grávida de mim. —Estava. Já abortei. — Então, tá. Discutiram a mulher casada e seu amante.

Nua
Quis tocar a campainha do namorado que morava no 603. Assim que a porta abriu tirou o sobretudo que revelou sua nudez. O aposentado tarado do 601 ficou encantado com o corpo da bela mulher cega.

Desejo
— Amor! Tô com desejo de comer joelho. Implora a mulher grávida para o marido. — Não vou sair nessa madrugada. E nem vem com chantagem que é com essa cara mesmo que ele vai nascer.

Chuva
— Está chovendo homem! Aleluia! Gritou a mulher encalhada para a amiga. Não puderam aproveitar porque, além de gays, os para-quedistas estavam em serviço.
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quinta-feira, 10 de março de 2011



João Paulo Mesquita Simões
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sábado, 5 de março de 2011


Gustavo do Carmo

Felisberto adorava carnaval. Não para pular em bailes e blocos, embriagar-se com amigos e dançar até acabar com as lindas foliãs. O carnaval de Felisberto era na frente da televisão, assistindo aos desfiles das escolas de samba.

Tinha obsessão pelos trajes mínimos e até ausentes das destaques, musas de alas, madrinhas e rainhas de bateria das escolas. Babava quando via um corpo seminu mal escondido pela fantasia. Principalmente se o corpo fosse de uma morena de olhos verdes que tivesse seios grandes.

A intenção de Felisberto era assistir a todas as escolas. Mesmo que varasse a madrugada. Não só as do Rio de Janeiro, onde nasceu e morava, como também as de São Paulo. O carnaval de Salvador e Recife ele não gostava muito porque só tinha música. As cantoras do trio elétrico e as meninas que pulavam em volta ficavam muito vestidas.

A preparação para o carnaval de Felisberto começava sempre na segunda-feira anterior, quando ia ao supermercado reforçar o estoque de refrigerantes e batatas fritas. Queria se manter acordado para assistir aos desfiles da primeira a última escola que atravessasse a avenida. Claro que raramente Felisberto conseguia. Na maioria das vezes dormia na metade.

Acordava decepcionado. Se lamentava por ter perdido aquelas belezuras. Só se acalmava quando via o compacto dos desfiles na tarde seguinte. Não saía de casa antes da quarta-feira de cinzas, quando comprava todos os jornais e revistas que traziam fotos dos desfiles. Ia diretamente à seção das mulheres bonitas. Mesmo assim, ainda guardava um pouquinho de tristeza porque ver pelas fotos não era a mesma coisa do que ao vivo pela televisão.

Felisberto começou a gostar de carnaval ainda criança, quando frequentava as matinês dos bailes. Fantasiava-se de batebola e brincava com o primo, o vizinho e alguns amiguinhos que fazia no clube. Aos doze anos, enjoou. Passou a ficar em casa mesmo, assistindo aos desfiles, primeiro com parentes e, depois, apenas com os pais. Começou a avaliar, a curtir os sambas-enredo e acompanhar a apuração para ver as escolas campeãs, as rebaixadas e as que sobem.

Quando entrou na puberdade, aí sim, as mulheres seminuas ou mesmo nuas se tornaram as melhores atrações para Felisberto. Quando passava o carnaval, seguia a sua vida normal. Estudou, fez faculdade, se formou em economia, estagiou, virou gerente de banco e se casou.

Conheceu Djenane no banco onde estagiou, foi efetivado e promovido a gerente. Ela era a caixa e trabalhava apenas para pagar a faculdade de direito. Foi a sua primeira namorada. No início do romance, saíam para passear todos os dias. Como todo bom casal. Exceto no carnaval.

No primeiro em que já namorava, fez questão de avisar a Djenane que ele não saía de casa, de jeito nenhum. Carnaval, para ele, era sagrado. Na verdade, sagrados eram os desfiles. E ele fazia questão de assistir sozinho. Não queria a presença dos pais, muito menos da namorada. Nem ligava para ela durante a noite.

Djenane ficou com ciúmes no primeiro ano. Mas relevou nos dois anos seguintes, até o primeiro carnaval depois do casamento (se casaram no mês de novembro anterior). No segundo ano, Djenane queria dar uma ótima notícia para o marido. Já estava farta da paixão de Felisberto pelas mulheres do desfile e decidiu na hora sagrada mesmo. Disse que estava grávida. Felisberto sequer deu atenção. Quando soube, na quarta-feira de cinzas, pulou de alegria e beijou a mulher, que já o tratou friamente.

No terceiro ano, Felisberto sequer ajudou a mulher a cuidar do filho Felipe. O menino chorava de fome e o pai não desgrudava da televisão. Sorte que o bebê tinha a mãe. No carnaval seguinte, Djenane prometeu se vingar.

Felisberto, como em todos os anos, não desgrudava da televisão para ver os desfiles. E, como sempre, dormia na metade da madrugada. Até que, de repente, ele acordou e viu logo de cara uma bela mulher, morena clara, olhos verdes, seios muito fartos e naturais. Totalmente expostos. Fantasia só no tapa-sexo de paetê, no glitter que brilhava o corpo e no esplendor da cabeça. Era a rainha de bateria da sua escola favorita.

Djenane concedia uma entrevista coletiva. Foi a sensação do desfile. Aos repórteres, dizia que o marido não lhe dava atenção, a princípio no carnaval, depois durante todo o ano. Decidiu ser rainha de bateria para ser vista por Felisberto, pelo menos na época da folia, além de mostrar que não estava gorda e feia como ele achava. Para ela, o marido observava mais as mulheres nuas nos desfiles do que a esposa que tinha em casa. Por isso, resolveu desfilar sem roupa e posar da mesma forma para uma revista masculina que sairia em breve. Só assim ele lhe daria atenção. Completou que o esposo trabalhava tanto que nem percebeu a saída dela para os ensaios e a viagem para São Paulo fotografar para a revista. Sonolento, Felisberto reconheceu a ex-esposa.

Isso mesmo. Divorciou-se de Djenane e nunca mais na vida quis saber de carnaval. Passou a ter repulsa. Aos amigos, dizia que os desfiles de escolas de samba estavam muito industrializados. Iguais e comportados. Não tinham mais o charme e a sensualidade de antigos carnavais.

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quinta-feira, 3 de março de 2011

João Paulo Mesquita Simões




A festa moldada pelos parâmetros de uma sociedade rural e tradicional, que nos anos do êxodo rural da década de 60 parecia desaparecer, adquiriu, no final do século XX, outras expressividades. A década de 80 trouxe a revitalização de muitas festas, que apresentam novos contornos. Houve uma tomada de consciência, por parte das populações, do valor das tradições locais, do tão falado «património etnográfico» e da importância da defesa da autenticidade. Face à industrialização, à modernização e à crescente urbanização, as sociedades criam (ou recriam) celebrações, momentos de lazer que refazem identidades. Temos hoje em dia uma multiplicidade de novas formas festivas no mundo urbano e no espaço rural.
As festas dos Tabuleiros de Tomar e a Festa da Flor na Madeira, exemplos do ciclo festivo da Primavera, o São João do Porto, pertencente ao ciclo do Verão, e o Carnaval de Loulé, marcando o final do ciclo festivo do Inverno, possuem todas elas elementos herdados de uma longa tradição, a que se foram juntando caracterísiticas mais recentes que as transformaram em cartazes turísticos e símbolos identitários das várias localidades e regiões em que se celebram.
A festa dos Tabuleiros de Tomar, que se celebra de quatro em quatro anos, é uma forma de culto ao Divino Espírito Santo. Inicia-se no Domingo de Páscoa com a Festa das Coroas. As restantes cerimónias - que englobam o Cortejo dos Rapazes (também conhecido como Chegada dos Bois do Espírito Santo) , o Cortejo do Mordomo, a abertura das ruas ornamentadas, os Cortejos Parciais, os jogos populares, o Cortejo dos Tabuleiros e o Bodo (ou Pêza) - vão tendo lugar em dias marcados até ao mês de Julho. Os tabuleiros, oferendas para o Divino com trinta pães enfiados em canas e encimados por uma coroa com a Pomba do Espírito Santo ou pela Cruz de Cristo, são transportados pelas mulheres. No cortejo principal da festa estão representadas as dezasseis freguesias do concelho.
A festa da flor na Madeira, celebrada em Abril, é um exemplo de uma festa criada recentemente, reforçando aspectos lúdicos ligados ao turismo e recuperando temáticas mais antigas da celebração do rejuvenescimento primaveril da natureza. É também um caso em que se explora a beleza e o valor plástico da arte efémera que as flores constituem, patente nos carros dos cortejos, nos dançarinos disfarçados de flores, nos tapetes de flores pelas ruas, e na atribuição de prémios às montras mais bem decoradas.
O São João do Porto integra-se no ciclo festivo de Junho, em que a elementos vindos de uma longa tradição europeia se juntam novas componentes da festa. Nos bairros tradicionais encontram-se os arraiais e as cascatas do São João, com as fogueiras e os vasos de plantas aromáticas, como o manjerico e os ramos de cidreira e de limonete. Na noite de São João, considerada mágica por quantos a conhecem, plantas, fogo e água adquirem propriedades fantásticas e apotropaicas, relacionadas com a fertilidade, a saúde e a felicidade.Os alhos porros, claros símbolos sexuais, hoje em dia trocados pelos martelos, o lançamento de balões de ar quente e o fogo de artíficio à meia noite, junto ao rio Douro e à ponte Dom Luís, são marcos importantes da festa.
O carnaval de Loulé é um ex-líbris centenário da cidade, famoso pelo seu corso repleto de foliões, gigantones e cabeçudos, carros alegóricos, grupos de animação, escolas de samba e convidados célebres. Os carros alegóricos são o palco de encenações de sátiras políticas, sociais e desportivas, em que são revistos criticamente acontecimentos recentes da vida nacional. O desfile dos carros e a Batalha das Flores constituem dois momentos de destaque.

(In: www.ctt.pt)
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