sábado, 27 de novembro de 2010



Por Gustavo do Carmo


Amanhã o Tudo Cultural completa 5 anos de existência. Ele não nasceu aqui no Blogspot, mas no Blog-se, um servidor do grupo Comunique-se que está contaminado por vírus e, por isso, recomendo não visitar o endereço original www.tudocultural.blog-se.com.br .

Ainda bem que eu não uso mais o Blog-se. Já tinha parado de atualizar lá, em 2008, quando acabou o limite de postar imagem. Todo o conteúdo está com segurança, para mim e o leitor, aqui no Blogspot, onde ainda tenho 92% de espaço livre para postar fotos, incluindo o Guscar.

Bem, eu queria agradecer aos 400 visitantes diários e também aos internautas do Brasil, Portugal, Estados Unidos, Alemanha, França, Espanha, Rússia, Reino Unido, Vietnã, Canadá, Suiça, Israel, Austrália, Holanda, Dinamarca, Moçambique, Grécia e Áustria, que acessam o Tudo Cultural para se divertir com os meus contos, as resenhas e os vídeos do Dudu Oliva, as crônicas do Amadeu do Ed Santos, os trechos do romance do Miguel Angel e os selos postais do João Paulo Simões.

Alguns curtiram as dicas literárias e os comentários sobre política internacional da Rosilene Camara e os poemas do Samuel da Costa. Estou com saudades de suas participações e ainda espero por vocês, que, por mim, continuam na família (equipe é muito corporativo, frio) Tudo Cultural.

Também sinto saudades dos poemas e crônicas da Lunna Guedes, das prosas poéticas da Rachel, dos contos da Érica dos Anjos e dos cursos do Alex Giostri. Estes estão com as portas sempre abertas.

Agradeço pelas dicas culturais sugeridas pela Sheila Fonseca e o Elias Hatab e a confiança depositada pela assessoria do Bebeto Cantor. Obrigado, também, às pessoas que deixaram comentários no blog, cujos nomes já não posso mais citar pela quantidade imensa nesse tempo todo.

A festa de aniversário dos cinco anos do Tudo Cultural, infelizmente, não vai ser hoje e nem amanhã. No próximo sábado, dia 4, vou postar uma série de entrevistas comigo e com os quatro colaboradores: Dudu, Miguel, João e Ed.

Então, até lá.

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quinta-feira, 25 de novembro de 2010


João Paulo Simões

Continuando mais um pouco sobre a História do selo Brasileiro, após os “Olhos de boi”, seguiram-se os selos conhecidos como “Inclinados” (1844), depois os “Verticais” ou “Olhos de cabra” (1850) – todos ainda sem picotagem e na cor preta –, e os “Coloridos” ou “Olhos de gato” (1854)...

A segunda série de selos brasileiros foi emitida em 1/07/1844, com 7 valores (todos na cor preta) e é conhecida pelo nome de “INCLINADOS”. Valores faciais: 10, 30, 60, 90, 180, 300 e 600 réis.

Represento aqui o selo com o valor facial 10.
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terça-feira, 23 de novembro de 2010

14x21cm / Gauche sobre cartão.
Ilustração e layout para capa de romance




copyright: Miguel Angel
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segunda-feira, 22 de novembro de 2010


Texto e fotos: Divulgação


Acontece hoje no Cine Odeon a premiação da mostra competitiva de cinema de curta metragem Curta Criativo. A competição realizada pelo sistema FIRJAN chega a sua 10ª edição com 200 inscritos e premiará nas categorias ficção, animação e documentário os novos expoentes do cinema de curta metragem brasileiro.


O curta Cem Miséria, que participa da competição, narra através de um documentário ficcional a visão de onze cariocas, que dão suas inusitadas opiniões a respeito ‘daquilo’.



O ator Elias Hatab, que participa do elenco e assina a direção de fotografia, conta que o trabalho de filmagem do curta foi rápido e extremamente prazeroso “Filmamos em lugares bastante conhecidos pelos cariocas, como a Lagoa e a Cobal do Humaitá e fizemos 09 dos 10 quadros em apenas um dia, o que para nós foi uma surpresa! Me diverti muito fazendo, porque trabalhar no que eu amo é muito bom, agora trabalhar com os amigos é melhor ainda!” revela Elias.

Os ganhadores do Curta Criativo, além de terem a oportunidade de subir no palco para receber uma homenagem de profissionais importantes do cinema nacional, irão ganhar inúmeros prêmios. O concurso reservou R$ 54 mil em dinheiro para as três categorias. Há ainda estágios remunerados nas produtoras Urca Filmes, Multishow, Conspiração Filmes além de prêmios em revelação, preparação e limpeza de película.

Quem apresenta a noite de premiação é o ator Michel Melamed que está participando da série “Afinal, o que querem as mulheres?”. Outros profissionais do cinema como, Lucy Barreto, Rosane Svartman e Steve Solot também estão confirmados para o evento de premiação.

O ator e diretor de fotografia Elias Hatab

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sábado, 20 de novembro de 2010

Por Gustavo do Carmo

Corria exasperado, como se sem destino, como se sem origem. Apareceu do nada na Praia de Botafogo. Muitos pensavam que era um morador de rua. A sua pele negra criava o preconceito daqueles transeuntes que também acharam que ele era um assaltante. Mas ele estava bem vestido.

Não com traje de gala, claro. Mas com calça jeans e camiseta novas. “Ah! Mas assaltante também anda bem vestido. Não veem os presidiários? Usam até roupas de marca”, insistiam os racistas. Mas o caderno, um livro e algumas apostilas expostas na sua mochila aberta, quase se arrebentando de tão pesada, dissiparam as desconfianças. “Deve ter roubado de alguém”. “E bandido rouba livros e cadernos?”, retrucou um outro. O pedestre apressado foi definitivamente absolvido pela justiça urbana. Era apenas um estudante, que pode ser de qualquer cor. Da mesma forma que um louro de olhos azuis com terno Armani também pode ser um bandido.

E o pedestre exasperado estava realmente apressado. A essa altura já estava na Marquês de Olinda, empurrando qualquer um que aparecia na frente. Não importava se era adulto, mulher, criança ou idoso. A desconfiança inicial voltara, mas também logo foi dissipada e o coitado do apressado absolvido novamente. Outros pensaram até que ele fosse a vítima. Mas não havia ninguém atrás dele. Nem bandido, nem mesmo a polícia ou alguma quadrilha rival, como ainda pensavam enrustidamente os preconceituosos de plantão.

Não corria mais. Flutuava. Litros de suor brotavam de seu couro cabeludo e escorriam da testa para baixo. A mesma coisa ocorria no centro do seu tórax igualmente abstruso. A calça jeans e a camiseta novas compradas a prestação na Leader Magazine estavam ensopadas.

O pedestre exasperado e realmente apressado se chamava Alfredo. Morava na Penha. Viajou no 484 achando que era o 485 e ainda estava atrasado para a prova do concurso público para o Banco do Brasil, para o qual tinha estudado até se esgotar e garantia saber todas as questões. Tropeçou no bueiro de ventilação do metrô já na Muniz Barreto. Ficou caído por quinze segundos, mas se levantou. O portão da faculdade onde Alfredo faria a porta se fechou.

O estudante e pedestre que corria exasperado, como se sem destino, como se sem origem ao aparecer do nada na Praia de Botafogo, onde muitos pensavam que ele era mendigo e assaltante por ser preto, mas foi absolvido pela mochila com cadernos, livros e apostilas porque bandido não rouba livro, pois na verdade estava apressado e atrasado, ficou de fora.

Mas o segurança da faculdade, gente boa, que também era negro e tratava os irmãos de cor como irmãos de pai e mãe, o deixou entrar e fazer a prova. Foi aprovado no concurso em primeiro lugar. Ganhou a tão sonhada estabilidade.

Este conto foi a minha homenagem ao Dia da Consciência Negra.
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Foto: Foto Search - http:///www.fotosearch.com.br

Por Gustavo do Carmo


Despedida de solteiro

Fez a sua própria despedida de solteiro: alugou 15 filmes eróticos e comprou no sebo 20 Playboys para ficar sozinho em casa. O casamento só foi realizado dois meses depois dele se recuperar de um infarto.

O Vestido

Flagrou sua noiva com o vestido do casamento. Disse que essa superstição era bobagem. Foi empurrado para fora do quarto pela sogra, com tanta força involuntária, que ele se desequilibrou, rolou da escada, quebrou o pescoço e morreu.


Famílias

De tanto ouvir a mãe e o tio falando do reencontro das famílias de ambos os pais, o menino sonhou com o mesmo entre os seus. Cresceu e esteve para se casar. Realizou o sonho de reunir as famílias dos pais divorciados. Mas não teve festa porque a noiva o abandonou no altar para ficar com seu amigo.


A Rosa

Vivia imaginando sua amada entrar na igreja para casar com ele ao som de "A Rosa", de Pixinguinha. Quando descobriu que ela era casada, passou a odiar a música.




Infiel

O quarentão ingênuo realizou o sonho de se casar com a sua amada. Sem ciúmes, ele viu a esposa no computador e perguntou compreensivo:

— Está conversando com um dos seus fãs?
— Não. É com o meu amante mesmo!


Gordinha

Casou-se com uma gordinha linda e sexy. Depois do terceiro filho, viu que ia morrer ao lado de uma obesa horrenda e velha.


Ensaio

Tirou fotos nua e sensual. As imprimiu numa revista exclusiva e deu de presente de aniversário para o marido. Este nunca mais transou com a mulher. Trancou-se no banheiro da suíte todas as noites.


Café na cama

No dia do seu aniversário, sua mulher lhe trouxe o café na cama. Estava nua. Ele descobriu que estava cego.

Emprego

Achou que o casamento lhe traria um emprego. Viveu 25 anos aturando a sogra e a mulher gorda lhe chamando de vagabundo.


Cartório

Por causa de um erro no registro do cartório o casamento de Ana e Mário nunca foi legal. O marido ficou isento do divórcio da relação de aparências e livre para se casar com a amante que mantinha há 30 anos.

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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

João Paulo Mesquita Simões


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domingo, 14 de novembro de 2010

Por Ed Santos

Sinto-me com a necessidade de vida



Sinto que essa falta me degola a alma


Sinto que tudo isso quer dizer que vida é paz,


E é disso que preciso.


Não que esteja me sentindo mal,


Também não sinto falta da vida,


Nem da morte, talvez.


Não, não sinto tudo isso não,


Mas estou quase.


Penso que agora, resta a singela beleza da esperança


Que envolta ao ar que respiro,


Me acumula fé.

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sábado, 13 de novembro de 2010

Gustavo do Carmo

Créditos da foto: Foto Search

O casal Drähm chega a um restaurante na Barra da Tijuca uma hora depois do combinado com os amigos Klaus e Karine Smirnoff. Envergonhado com o atraso, Benvindo se desculpa aos dois amigos:

— Pô, gente! Vocês me desculpem. Meu carro enguiçou e tivemos que vir de ônibus. No caminho pegamos um engarrafamento monstruoso. ­
— Ah, mas vocês vieram, não é verdade? Perdoa Karine.
— Sentem-se aí, eu vou pedir um drink para a gente. Nós chegamos faz meia-hora. Diz Klaus.

Benvindo e Derlaine sentam-se à mesa. Depois de acomodados e já com o drinque na mesa, Benvindo ainda comenta:

— A gente não teria enfrentado esse engarrafamento e chegaríamos bem mais cedo se a minha querida parceira não inventasse de se enfeitar toda para vir pra cá.
— É verdade, pessoal. Mas eu gosto de me arrumar e ficar bem bonita. Não sou como certas pessoas que saem por aí de camisa amarrotada, colarinho sujo e desodorante vencido. Justifica Derlaine.

O casal Smirnoff se entreolha com cara de nojo. Benvindo esclarece:

— Não tenho culpa se o desodorante vence antes de encerrar o expediente de trabalho, né? Principalmente o trabalho duro como o meu de ficar fiscalizando o movimento da livraria (tanto pessoal quanto financeiro). Aliás, ele já está vencido antes de chegar ao trabalho, pois a gente vive numa cidade quente, mas tem que andar sempre bem arrumado, passa horas no banco do carro preso no engarrafamento e ao cinto de segurança que amarrota a roupa enquanto a sua esposa está em casa gastando luz com o ar condicionado e de pernas pro ar.
— Não. Não é bem assim. Realmente a gente vive numa cidade quente. E é por isso que eu ligo o ar condicionado no início da tarde, pois eu estou morta de cansaço depois de um dia inteiro na cozinha e na área lavando e passando roupa, já que o patrão dispensou a empregada para economizar. Só não economiza pra outra e no futebol com os amigos. No Maracanã é todo domingo e toda quarta à noite. E ainda tenho que cuidar de um menino mimado, uma solteirona de trinta anos imatura e uma mulher que vive discutindo com o marido.
— Com tanta dureza no trabalho a gente tem que se divertir, né? Mas eu me divirto com qualquer um: amigos, filhos, sozinho. Eu chamo a esposa para relaxar também, mas ela não quer. Fica de frescura. Mesmo assim, essa diversão dá muita despesa. É filho criança, é sonho da filha do meio querer ser escritora, é filha mais velha pedindo dinheiro emprestado para saldar as dívidas do marido. Lá em casa a gente precisa cortar alguns gastos desnecessários: a tv a cabo nós reduzimos o pacote, lanches fora de casa nós cortamos, economizar na luz, no telefone, luz, água, brinquedos só no aniversário do menino.
— Meu marido é mesmo muito econômico. Tão econômico que não troca nem o carro 1.0 que não tem ar condicionado e fica com aquela coisa velha enguiçada na garagem. E ainda sai com qualquer um. Se bobear tem qualquer uma.

Klaus interrrompe a discussão sutil do casal Drähm e propõe:

— Amigos, a conversa está tão agradável, mas vamos pedir o nosso prato, né? Afinal viemos aqui para comer.
— Claro. Você já decidiu o que vai pedir, Derlaine?
— Já.

Durante o almoço, os casais voltam a conversar. Retomam o assunto. Desta vez é Karine quem lembra que os amigos vieram de ônibus.

­— O ônibus em que vocês vieram estava muito cheio?
­— Lotado. Responde Derlaine. ­
­­— Por que não vieram de táxi?
— Fazer o quê? O senhor economia precisa conter as despesas, né?
Antes de Benvindo dar a sua resposta Klaus sai em sua defesa:
— Karine, que mal tem eles virem de ônibus? É melhor pagar cinco reais no ônibus executivo do que pagar 40 de táxi.
— Ah! Economia é com o meu marido mesmo. Só que naquele dia a gente foi de lotação.
— A gente estava atrasado.
— Atrasado ao meio-dia para comprar eletrodoméstico numa loja que fecha a noite?
— Você sabia muito bem que na liquidação a concorrência era grande. Tinha que chegar bem cedo mesmo.
— Ah é! Vocês acreditam que o Klaus me fez ir até o subúrbio só para comprar uma televisão de plasma porque achava que tinha 90% de desconto?
— A gente também foi uma vez,né Bem? Mas era tudo enganação.
— Pois é. Só o meu marido e pobre que acreditam nisso. E pobre era o que mais tinha lá. Aliás, tinha uma favelada folgada disputando uma máquina de lavar comigo. Vai ver não tinha nem condições de comprar. Conta Karine.
— Gente racista e preconceituosa é dureza, meus amigos. Essa pessoa que acabou de falar é tão preconceituosa e arrogante que nem o rapaz do frete que nos levaria para casa com a maior boa vontade aguentou, e nos expulsou do caminhão dele. Tivemos que andar da Copacabana até o Leblon a pé. Imagina andar naquele calor com uma lavadora nas costas. E eu que tive que carregar. Além do aparelho estar com defeito, fiquei uma semana com dor na coluna.
— Até que o carreteiro aguentou bastante, diz Derlaine antes de soltar uma gargalhada.
— Mas o seu marido te aguenta mais, Dedé. Principalmente as suas chantagens emocionais. Responde Karine. Eu que o diga. E isso desde os tempos da escola.
— Aprendi a fazer isso que vocês acham que é chantagem com a Karine, que fazia sempre com os meninos com quem ela ficava no colégio. Ela era apelidada de A Dondoca Mimada de Olaria. Comenta Derlaine depois de beber um gole de vinho.
— Mas eu era mais popular do que você na escola. Só não era no seu bairro, pois eu nunca fui apelidada de A Fera da Penha. Não que você tenha matado e queimado a filha de alguém. Você só era feia.

Um jato de vinho jorra sobre o vestido de Karine.

— Ai, me desculpa, minha querida.
— Pode deixar, eu já ia comprar outro vestido mesmo.
— Você ainda tem dinheiro para comprar vestidos caros? Pensei que vocês estavam falindo. Pergunta Benvindo.
— A família Smirnoff passa por dificuldades, mas ela consegue se reerguer. É assim desde os tempos do vovô. Ele a minha avó quase passaram fome na época da Segunda Guerra Mundial. Mas deram a volta por cima, abriram uma indústria de alimentos que o meu pai herdou e a tornou uma das maiores do país. Gaba-se Klaus.
— Mas aí o filho torrou tudo com mulher e farra. E o que sobrou divide com a Karine, que foi a única mulher que restou. Diz Benvindo, antes de soltar uma gargalhada.
— Pô, Benvindo! Pra que tanto humor ácido? Você sabe muito bem que eu fui contratado por uma multinacional, estou montando uma firma de contabilidade e estou atendendo a sua livraria em processo de falência.
— Gente, mas vocês sabem que o contribui para a decadência de um negócio é o desvio de dinheiro dos contadores, das comissões abusivas deles e da inadimplência dos clientes? Tem uma senhora de origem Smirnoff que comprou vinte livros e deu três cheques pré-datados sem fundo. Acho que é a sua mãe, não é, Klaus?

O garçom interrompe a conversa dos casais de amigos:

— Vocês desejam a sobremesa?
— Você quer, querida? Pergunta Klaus.
— Não. Estou me sentindo gorda.
— Então nos traz a conta, por favor.
— Ok. Diz o garçom.
— Mas eu pensei que você estivesse com anorexia. Comenta Benvindo.
— Eu nunca tive anorexia. Eu só não queria ficar pançuda como você.
— Vamos mudar de assunto. Estamos trocando farpas desde que chegamos aqui. Sugere Klaus. — Como é que vão os filhos? Estão dando muito trabalho?
— Filho sempre dá trabalho. Isso a gente tem que se conformar. O Gabrielzinho tá estudando muito, a Irene está batalhando pra ser escritora e a Tássia está dando duro no Banco do Brasil e discutindo com o marido dela. Responde Derlaine.
— Por isso que optamos por não ter filhos. Para a gente criar e depois quando casam ficar servindo de mediador de briga de casal? E quando eles estão pequenos e começam a ficar pedindo tudo que veem?
— E ainda tem aqueles que chegam aos trinta anos e não largam do teu pé e nem do seu dinheiro. Não têm nem competência para batalharem a vida sozinhos. Completa Karine.
— Mas mesmo assim os amamos e fomos abençoados. Graças a Deus não nascemos estéreis como algum de vocês. Afirmou Benvindo.
— Amor, vamos embora? Pede Karine.
— Não liga pra eles não, Karine. Você não pode ter filhos, mas podemos ter sexo todos os dias. Você é muito mais gostosa do que a Derlaine. Nós já ficamos antes de nos conhecermos. Quando ela começou a falar de filhos eu caí fora.
— Ben, acho que a estéril é a Karine. O Klaus é impotente, mesmo. Foi bom ele tocar no assunto. Estava pra te falar isso.
— Sem problemas, meu amor. Eu também tenho que confessar que já tirei uma casquinha da Karine. O problema é que ela só tinha casca. Carne mesmo, não tinha nada.
— E você tinha cascão e gordura demais. Me senti sufocada. Pelo seu peso e pelo mau-cheiro. Completa Karine.

O garçom traz a conta.

— Gente, temos que ir mesmo. Hoje teremos um sarau na casa da minha irmã. A conversa estava tão agradável. Precisamos nos encontrar mais. Se despede, Klaus.
— Nós também, não é Derlaine? Eu ainda tenho que ir à livraria hoje.
— E eu tenho uma pilha de roupas das crianças pra passar. Então até a próxima.

O casais Smirnoff e Drähm se despedem. Karine e Derlaine trocam dois beijos no rosto e abraços. Klaus e Benvindo trocam abraços e apertos de mão. Saem do restaurante sem pagar a conta.
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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

João Paulo Mesquita Simões

Geralmente, quando há exposições mundiais de filatelia, é usual os correios do país anfitrião, enviarem aos coleccionadores inscritos nos Correios, um passaporte filatélico.
Nesse passaporte constam os países representantes da exposição.
O objectivo, é preencher todo o livrinho com os selos de cada país e respectivos carimbos.
Tendo o passaporte completo, com os selos de abertura e encerramento da exposição, ficamos com uma peça muito valiosa, cobiçada por muitos coleccionadores e que atinge grandes valores monetários.
Aqui vos deixo imagens do passaporte da Exposição Mundial de Filatelia "Portugal 2010" realizada em Lisboa de 1 a 10 de Outubro.






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domingo, 7 de novembro de 2010

Por Ed Santos

Antes do exato momento da explosão, havia uma essência muito agradável no ar. As pessoas estavam conversando normalmente, sem preocupação alguma, sem pensar se o futuro do país iria depender daqueles trocados que estavam investindo, isso mesmo as pessoas estavam investindo alto cada um na sua satisfação pessoal. A conversa agradável e a alegria de estarem entre amigos era infinitamente superior à preocupação com algum tipo de catástrofe. O bar havia sido inaugurado apenas dois meses antes, mas foi o suficiente para que as gêmeas armassem a vingança. Quando elas perderam o concurso de beleza para a Anita, não ficaram tristes, mas ficaram putas da vida quando descobriram a armação. Tiveram que conviver com esse sentimento de terem sido passadas pra trás. O tempo passou e agora estão aqui, juntas dentro do carro branco uma segurando o dispositivo, outra com o dedo no “Power”. O que fazer, detonar ou não?
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sábado, 6 de novembro de 2010


Por Gustavo do Carmo

De repente as pessoas passaram a me ver com pena. Entre eles meus filhos e meus netos mais velhos. Os meus netos mais novos e os meus bisnetos, tão imaturos, riem de mim pelas costas. Na minha frente, apenas sorriem, mas percebo que é um sorriso irônico.
De repente meus filhos começaram a me desmentir. Aliás, só tenho um filho ainda vivo. Os outros dois já morreram. Também me toquei que os meus irmãos, com os quais ainda converso muito, já morreram. Enfim, me toquei que eu estou falando sozinho.
Outro dia o meu neto do meio, aspirante a escritor, quase perdeu a paciência comigo quando lhe alertei que a ditadura do Estado Novo iria censurar o conto que ele escreveu.
—Vovô. Não estamos mais no Estado Novo. Estamos na democracia.
— Ah, é. Agora que eu me lembrei. Estamos no governo JK, né?
—Não vô. O governo JK acabou há cinqüenta anos. Quem governa agora é o PT.
Eu ouvi PC e gelei. Os comunistas tomaram o poder, mesmo! Quase ensaiei um escândalo para sair do Brasil. Mas nem forças pra gritar eu tenho mais. Meu neto me corrigiu. Disse em voz mais elevada que era pê-tê, de tatu. Partido dos Trabalhadores. Se é que de trabalhador, esse partido só tem o nome, eu comentei.
Meu neto concordou um pouco comigo. Está vendo? Não estou tão caduco assim. Mas depois ele me explicou passo a passo: que o PT teve que fingir que era de direita para assumir o poder. Que hoje vivemos numa democracia (bem falsa, aliás), que já derrubamos um presidente corrupto, já elegemos duas vezes o mesmo presidente no primeiro turno. Aliás, o que é primeiro turno? Na minha época isso queria dizer turno de horário. Meu neto me explicou que candidato que não obtém cinqüenta por cento mais um voto tem que disputar o segundo turno com o segundo mais votado no tal primeiro turno.
Meu neto me deu uma folga. Ou se deu uma folga? Pedi para a minha nora me levar na Galeria Cruzeiro. Queria ir num restaurante no terraço de lá. Ela, que é mineira, desconhece esse lugar aqui no Rio e quase me levou para Copacabana. Se confundiu com a Galeria Menescal. Meu filho, seu cunhado (ela é viúva de um filho falecido) a socorreu dizendo que a Galeria Cruzeiro não existe mais há mais de cinqüenta anos. Porra, tudo acabou há mais de cinqüenta anos nesse país? Será que eu fiquei em coma e estou acordando no século XXI? Meu filho prometeu me levar na Galeria Menescal. Menos mal.
Minha família, que no início desse relato me olhava com pena, agora me olha com preocupação. Preocupação com o meu estado de saúde. Eu me sinto bem. Mas as besteiras que eu tenho falado aqui estão lhes preocupando. Não são só minhas besteiras, não. Outro dia saí sozinho e me perdi. Levaram doze horas para me encontrar.
Eu fui dar uma volta pelo bairro e, ao invés de entrar no prédio, fiquei procurando o casarão onde eu morava com os meus pais. Claro que o casarão foi demolido e eu me desesperei. E ainda paguei mico perguntando por ele para os jovens moradores da rua. Quando fui localizado pelo meu neto mais velho, eu ainda pedi para visitar o Cardoso. Só não sabia que o meu amigo de infância havia morrido há dez anos.
Agora me bateu uma preocupação. Meu neto do meio estava escrevendo um conto e eu estava com medo dele ser perseguido pelo Estado Novo. Realmente a ditadura do Vargas acabou. Estamos agora é no regime militar. Preciso avisar a ele. Ah, não! Me lembrei que estamos no governo Sarney, que a ditadura já acabou. Ou é o governo Fernando Henrique? Ih, será que foi aquele sapo barbudo do Lula que foi eleito? Se ele assumir, vai transformar o Brasil em um país de esquerda.
Apareceu o meu bisneto mais velho querendo conversar comigo. Ele tem uns nove anos de idade.
—Oi, vô.
— Oi, meu neto querido. Toma: mil cruzeiros para você comprar uma bala. Dei-lhe uma nota com as duas esfinges do Barão do Rio Branco.
— Vô, acorda! Esse dinheiro não vale mais nada.
— Como mil cruzeiros não valem mais nada??? Mil cruzeiros dá pra comprar até um chocolate importado.
— Vô, nossa moeda agora é o Real. Desde que eu nasci já era assim.
Agora fui eu que fiquei com pena do meu neto. Quer dizer, do meu bisneto. Ele acabou ficando com a nota de mil cruzeiros. Ele é um menino esperto e vai correr pra mostrar para os amiguinhos mais velhos as notas que seu avô usava. Mas se afastou de mim assustado.
Quanto a mim, meu filho me levou para fazer exame depois daquele susto que dei neles, mas não estou com Alzheimer. Estou ficando caduco mesmo. Agora, me dá licença que eu vou lá na banca comprar a última edição da revista O Cruzeiro e depois fazer as malas para viajar pra Nova York e visitar o World Trade Center.
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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Durante muitos anos tinha ideias e imagens em minha cabeça que não sabia como concretizá-las em forma de arte. Não sei desenha, nunca tive vontade de aprender a tocar um instrumento e não tiro foto muito bem.


Quando comei a blogar, fiz os meus primeiros esboços de contos e crônicas. Aí, quando comecei a ter computadores um pouco mais modernos, iniciei experiências de fazer filmes caseiros e curtos com a cam.


Muitas pessoas podem considerar que me exponho, porém, estou publicando minha expressão, não minha intimidade. Ela é sagrada para mim e está guardada num lugar bem seguro.
Passei muitos anos em silêncio, com medo do que as pessoas pensarão de mim. Não tenho mais receio. Sou adulto, responsável e nunca farei nada que possa me prejudicar e aos outros.


Publico textos e vídeos na internet não para ter seguidores, sucesso e grana. Na realidade, estou exercendo a minha individualidade
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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

João Paulo Mesquita Simões

Embora o Centenário do Escutismo já tenha passado, é sempre bom recordar este modo de vida do qual eu me orgulho de ter participado. Agora faço-o em selos...

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