sábado, 5 de junho de 2010

MICROCONTOS - MORTE

Por Gustavo do Carmo


Velório
Comiam, bebiam, riam e cantavam. Estavam no velório do colega complexado da faculdade, que se suicidou. Iriam ficar livres dele. Era muito chato e pedante.

Matemático
Era um ótimo e requisitado matemático. Sofreu enfarte no meio da rua e foi enterrado como indigente. Na cova rasa, uma cruz o identificava apenas pelo número 4687.

Funcionário Fantasma
Tornou-se um verdadeiro funcionário fantasma quando, um dia, deixou o seu paletó na cadeira e abotoou um de madeira ao ser atropelado. Voltou só para assombrar o chefe da repartição.

Extrema-unção
No leito de morte pediu a sua extrema-unção. Pedido negado. Esqueceu-se que fora excomungado há 40 anos.

Amigas de infância
Riram. Riram à vontade. Se divertiram como duas amigas de infância no velório do marido de uma e amante da outra.

Poço
Atirou-se no poço quando os pais lhe contaram que ela iria ser apresentada ao noivo que lhe arrumaram. Morreu sem saber que o escolhido foi o garoto por quem estava apaixonada na escola.

Pandemia
Desejava muito ser famoso. Deprimido com o fracasso, ambicionou até ser a primeira vítima brasileira de uma nova pandemia. Seu óbito foi registrado como o 57.681°.

Sacrifícios
Realizou o sonho de ter uma noite de amor com a sua amada platônica. Depois descobriu que ele estava na lista dos 10 sacrifícios que ela fez antes de morrer de câncer.

Vingança
Conseguiu se vingar dos seus desafetos os destruindo moralmente. Mesmo tendo morrido como um passarinho.

Acidente
Matou 40 pessoas. Todas por acidente. Foi contratado pela máfia siciliana.

Um comentário:

Joao Paulo Mesquita Simoes disse...

Esta semana, o pessoal virou todo para a Tragédia!
Muito bom, Dudu!

Abraços!

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