terça-feira, 29 de junho de 2010

de Miguel Angel

Quando Elvira lhe mostrou os sapatos novos, Osvaldo Gonçalves percebeu que deviam ser caros, mas não fez nenhum comentário.

Semana seguinte, estreou uma fina blusa que parecia de seda, mas ela disse que não era. Que ele não entendia dessas coisas e se já tinha encontrado algum serviço para ele.

Três dias depois, sentiu um perfume diferente quando ela o beijou ao sair para o serviço. Perfume novo. O outro tinha acabado. Ainda bem, perfume de pobre é horrível e ela estava farta dele.

À noite, quando ela chegou um pouco mais tarde que de costume, com o cabelo ainda úmido, não comentou nada.

Serviu a janta por ele mesmo esquentada, mas ela se recusou a comer. Disse que já tinha comido qualquer coisa por aí e lhe perguntou se já tinha encontrado serviço.

Numa noite, enquanto assistiam à TV, ela comentou que a tela era pequena demais.

No dia seguinte, Osvaldo acordou bem cedo, como vinha fazendo durante os seis meses na condição de desempregado. Preparou o café da manhã, cuidando não fazer muito barulho, para não acordar Elvira.

Desde uma semana atrás, os horários dela tinham mudados; agora não mais precisava trabalhar de manhã. Dormia até o meio-dia. Ao levantar, vestia-se rapidamente, comia alguma fruta e saia. Depois do início desse novo horário, passara a perceber, misturado com o cheiro do chiclete, bafo de bebida quando o beijava de leve ao chegar. Morta. A patroa exigindo demais dela. Mas pelo menos aumentara seu salário. Daria até para comprar um televisor maior. Que achava?

Ele respondeu com um “Hi, tem coisa queimando na cozinha”.

Quando, dias depois, chegou a entrega do televisor enorme, deduziu que devia ter custado bastante, até demais, mesmo com salário aumentado por causa do novo horário.

Ao chegar às duas da manhã e ver o aparelho na sala, Elvira deu um gritinho e sentou-se na sua frente, trocando de canais e divertindo-se como uma criança. Até dormir na poltrona, meia hora depois.

Morta.

E nada perguntara a respeito dele ter achado algum serviço.

Fazia já algum tempo parecia ter esquecido disso.

Naquele domingo, Osvaldo acordou bem mais cedo que de costume, para vê-la chegando, cambaleante, e pé ante pé, fazer “psiú!” para o chaveiro do carro que a patroa agora lhe emprestava e escorregara ruidosamente de sua mão.

Depois, quando foi até o quarto, a viu jogada sobre a cama, nua, dormindo profundamente. Morta.

Jogadas sobre a cadeira, viu as roupas íntimas que acabara de usar e notou mais uma vez, que, além de parecerem sempre novas, eram elegantes e deviam ter custado muito caro.

Como as tantas que agora tinha guardadas no guarda-roupa.

Murmurando uma alegre canção de ninar, foi à cozinha preparar o café da manhã, sem barulho, para não acordá-la.

Coitada.

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domingo, 27 de junho de 2010

Por Ed Santos




AO LADO DIREITO DO PALCO DORIVAL, SENTADO EM SEU ESCRITÓRIO. EM SUA FRENTE, MESA COM DUAS CADEIRAS PARA VISITAS, UMA PEQUENA MESA LATERAL QUE SERVE DE APOIO AO COMPUTADOR E UMA IMPRESSORA. ATRÁS DELE, UMA ESTANTE CHEIA DE LIVROS E OBJETOS. UM PEQUENO PORTA-RETRATOS SOBRE SUA MESA. ELE ESTÁ DIGITANDO E O TELEFONE TOCA.

AO LADO ESQUERDO DO PALCO, LUZ DIRETA EM UMA CABINE TELEFÔNICA. LÁ UM DITÃO FALA AO TELEFONE. AO LADO ALGUMAS PESSOAS NUM PONTO DE ÔNIBUS DISTRAÍDAS.



DITÃO __Fala aí neguinho, beleza?

DORIVAL __Fala Ditão, beleza?

DITÃO __Então cê vai conseguir terminar o trabalho pra mim?

DORIVAL __Vou sim. Tá tudo firmeza.

DITÃO __Me fala o preço, meu.

DORIVAL __Tá tudo certo mano. Cê fica me devendo essa.

DITÃO __Vê aí quanto que é que eu sei que dá mó trampo.

DORIVAL __Num precisa por nenhum conteúdo não né? É só estética?

DITÃO __Precisa colocar nas normas da ABNT, fazer um resumo e deslocar alguns parágrafos como citação. Você vai precisar das referências bibliográficas?

DORIVAL __Pode mandar. Vou ver se já deixo no ponto de impressão. Cê precisa levar quando?

DITÃO __Até o fim de março. Mas eu preciso mostrar uma prévia pro professor.

DORIVAL __Então, mas quando cê mostra?

DITÃO __Só tô esperando você botar aí nas normas que eu já posso mostrar.

DORIVAL __Então vâmo ver se já dá pra semana que vem.

DITÃO __Beleza não precisa se comprometer não, quando você tiver um tempo cê me fala. Geralmente essas coisas atrasam pra caramba na facul. Vou te mandar a bibliografia.

DORIVAL __Falô! Acho que até terça já tá na mão.

DITÃO __Beleza então.

DORIVAL __Valeu.

DITÃO __Abraço.

DITÃO SAI SOCANDO O AR EM COMEMORAÇÃO. PARECE QUE ESTÁ DANDO TUDO CERTO. AS PESSOAS NO PONTO DE ÔNIBUS OLHAM E NÃO ENTENDEM NADA DO QUE ESTÁ ACONTECENDO. NO OUTRO CANTO DO PALCO, DORIVAL DESLIGA O TELEFONE, OLHA PRO PORTA-RETRATOS.

DORIVAL (Balbuciando) __Só estou fazendo isso por vocês. Só por vocês.



APAGAM-SE AS LUZES.
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sábado, 26 de junho de 2010

Conto de Gustavo do Carmo

No dia seguinte, um sábado de sol convidativo para a praia, os dois foram muito cedo a um clube em Botafogo para ela fazer o tão sonhado teste. Era quase meio-dia quando foram chamados pelo treinador: um senhor louro forte e de gênio mal-humorado. Não que ele fosse de fato. Era apenas um técnico exigente.


— Você quer mesmo ser jogadora de vôlei?


— Sim, quero muito. Respondeu uma ansiosa Michelle.


— O senhor é pai dela? Perguntou a Agostino.


— Não. Sou amigo do pai dela.


— Então, o senhor é o descobridor dela? Seria um empresário dela?


— Bem, é o que eu pretendo ser.


— Então vamos lá.


O treinador louro foi para o fundo da quadra, carregando quatro bolas: duas na mão e duas embaixo do braço. Envolvendo o seu pescoço, um cordão com o apito prateado. Antes de deixar a menina no outro lado da rede e pedir gentilmente que Agostino se sentasse na arquibancada, avisou que mandaria quatro bolas fortes para a menina devolver.


Lançou a primeira. A bola passou rente à menina, que ficou parada em posição de recepção. Gritou lá do fundo:


— PRESTA ATENÇÃO, MENINA!


Jogou a segunda e Michelle quase pegou. Na terceira ela nem se mexeu. A quarta ela acertou. A cesta de basquete no alto. Compreensivo, ao mesmo tempo irritado, o técnico aproximou-se da menina e recomendou:


— Você está muito tensa, minha filha. Vai descansar na arquibancada que mais tarde eu te chamo. Você como jogadora de vôlei joga muito bem basquete, mas se estivesse jogando basquete não ia acertar a cesta. Vai relaxar que eu preciso treinar o meu time.


Quando voltou frustrada para reencontrar Agostino, Michelle pediu para voltar pra casa. O amigo de seu pai fez questão que ela esperasse pela segunda chance, já que o treinador havia anunciado isso.


— Então não me dirija a palavra quando eu estiver concentrada. Disparou de forma ríspida e com voz embargada.


Depois de uma hora de silenciosa espera, na qual Michelle sequer olhou nos olhos do amigo de seu pai, a menina foi chamada pelo treinador a voltar para a quadra. Paternalmente, o profissional perguntou:


— Está mais calminha agora, minha filha?


— Acho que estou.


— Então segura. É a sua última chance. Vou te jogar mais bolas para te dar mais chances.


E o técnico jogou. Foram seis. As quatro primeiras caíram no chão sem que Michelle fizesse um único movimento. Na penúltima ela se jogou na bola, mas não conseguiu salvá-la. A última bateu em seu nariz. Não quebrou por pouco.


Impaciente, o técnico gritou:


— Não dá, minha filha! Não dá! Você tinha tudo para ser uma menina talentosa! Cadê o seu empresário?


Cabisbaixa e já enxugando as primeiras lágrimas, o treinador aproximou-se de Agostino e disse, com um pouco de dó:


— Olha, me desculpa. Você viu que eu dei duas chances para ela, mas ela não salvou uma bola! Lamento dizer isso, mas sua pupila é MUITO RUIM! Mande ela treinar mais! Tenham boa sorte e me deixem trabalhar!


Michelle deixou a quadra e o clube furiosa e aos prantos. Agostino a seguia tentando consolá-la. Chamou o técnico de grosseiro, de estressado e de sem visão. Incentivou a não acreditar nas palavras negativas. Quando convidou a menina para tentar mais uma vez, em outro clube, levou o fora definitivo:


— ME DEIXA EM PAZ! NUNCA MAIS ME DIRIJA A PALAVRA E NEM ME PROCURE NA SUA VIDA!


— Deixa eu te levar para casa então. Não posso deixar você ir sozinha. Prometo que eu não troco uma palavra com você.


Quase uma semana depois Agostino acabava de despejar areia do carrinho para o mestre de obra quando ouviu um “Desgraçado! Eu vou te matar, filho da puta!”. Achou que era na rua, mas quando virou-se para ver atrás de si, levou uma bofetada.


Enquanto um assustado Agostino se recompunha do soco que levou, Elielton gritava:


— SEU PILANTRA! EU TE DISSE PARA NÃO MEXER COM A MINHA FILHA!!!


— Mas o que eu fiz?


O pai de Michelle começa a cobrir o ex-amigo de pescoções enquanto dizia:


— E ainda é cínico! Filho da puta!


Quando Agostino se preparava para reagir, tentando devolver o soco, Elielton sacou da cintura da calça uma peixeira e, com ela em riste, ameaçou, entre os dentes:


— Eu vou te matar, seu desgraçado. Mexeu com a minha filha, mexeu comigo!


Os outros peões largaram a obra e correram para assistirem à briga. Agostino tentou se defender:


— Eu não fiz nada com a Michelle! Eu juro pela minha mãe!


— Mentiroso! Você fez sim! Mas eu te ajudo a se lembrar: Você humilhou a minha filha e a deixou chorando!


Um outro pedreiro interveio na discussão e perguntou:


— Que isso, Agostino? Você andou molestando a filha do Elielton?


— Eu não molestei nunguém!


— Eu não falei que você a molestou! Eu falei que você a humilhou! Levou ela para fazer teste de vôlei sem estar preparada e ela foi reprovada. Agora não quer mais jogar vôlei. Está morrendo de vergonha! Chora o dia inteiro!


— Eu só queria ajudá-la! Não fiz por mal!


— Não fez por mal, mas fez errado! Eu e minha família não temos dom para sermos artistas. Se eu que sou pai não gostei de ser humilhado, imagina a minha filha, que só tem doze anos! Você vai me pagar pela humilhação que fez a minha menina passar! Eu fiquei chateado com você quando foi comigo, mas perdoei. Mas com a minha filha eu não perdoo. Finalizou com um golpe da peixeira que acertou apenas o ar, por pouco não feriu Agostino.


Este se cansou das ofensas do companheiro de trabalho mal-agradecido e reagiu desabafando:


— Ah! Quer saber? Vocês são dois ingratos! Realmente eu errei, sim! Errei ao ver um talento que vocês dois não tinham! Passem bem!


Agostino pediu demissão.

Continua...

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sexta-feira, 25 de junho de 2010

Escrito por Dudu Oliva


Pelo twitter fiquei sabendo de um incêndio no Parque da Catacumba no Rio de Janeiro. O acidente pode ter sido provocado por um balão. 

No momento, não se pode julgar se foi realmente um balão. Como soube a notícia em tempo real pelo twitter, não há no momento provas concretas. Porém, o suposto incêndio provocado por balão levou-me a pensar sobre a modernidade e as culturas tradicionais. 

Mesmo vivendo numa metrópolis, onde existem nomes estrangeiros espalhados por todo canto, há manifestações que resistem ao tempo e que provocam tragédias no espaço urbano. A cidade do Rio de Janeiro cresceu espremida entre as montanhas e o mar, em consequência deste fato, a mata atlântica foi quase extinta. Além dos ricos de acontecer desastres com aviões ou helicópteros.

O ritual de fazer um balão ao longo das décadas é uma herança cultural que se contrapões com os novos pensamentos e a lei. A eterna dialética do antigo e o nove. Como solucionar isto? Intensificar ainda mais programas educativos? Fiscalizar? Como derrubar um cerimonial tão antigo?

Realmente relativizar não soluciona o problema. Há necessidade de tomar atitude, mesmo que sejam equivocadas. Eu acho uma besteira soltar balão, entretanto o outro pode reviver histórias e lembranças ao praticar esta atividade, mesmo sendo criminosa. Por outro lado, as mudanças climáticas provocados pela poluição têm reflexos ao planeta. Como já mencionei no texto anterior( Desafio): Tudo bem que precisamos relativizar e compreender não existe uma opinião única das coisas; todavia, como pensar numa nação, sem englobar pessoas em um mesmo sonho de ver um país desenvolvido? O planejamento familiar é um dos fatores fundamentais para a prosperidade de uma nação. 

Uma mudança cultural demora bastante, mesmo com a overdose de informações que explodem nos meios de comunicação. Precisa-se refletir profundamente. Em muitas ocasiões minha cabeça está tão cheia, que precisa esvaziá-la um pouco. Jogar fora ideias ou modelos entranhados no meu inconsciente e que me antecedem por gerações. 
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quinta-feira, 24 de junho de 2010

João Paulo Mesquita Simões



Foi com grande pesar que na passada sexta-feira os Portugueses e, de uma maneira geral o Mundo, receberam a notícia da morte de Saramago.
Escritor muito "sui generis", deixa um legado importante na nossa Literatura.
Há quem o compare a Pessoa pelos heterónimos e a Kafka, por estar adiantado do mundo real.
Contudo, José Saramago, era um escritor cujos textos não agradavam a todos.
Uma página, podia ser na sua obra, uma só frase.
Confesso que não é fácil a sua leitura. É preciso gostar,
dada a sua forma tão própria de abordar os problemas.
Saramago nasceu na aldeia ribatejana de Azinhaga, concelho da Golegã, no dia 16 de Novembro de 1922. Seus Pais emigraram para Lisboa ainda ele não tinha três anos de idade, tendo toda a sua vida decorrido na capital, mas deslocando-se com frequência à sua terra natal. Fez os estudos secundários, não podendo continuar por dificuldades económicas.O seu primeiro emprego foi serralheiro mecânico, tendo exercido outras profissões como desenhador, funcionário da saúde e previdência social, editor, tradutor, jornalista. Editou o seu primeiro livro “Terra do Pecado” em 1947, voltando só a publicar novamente em 1966. Colaborou como crítico na Revista Seara Nova”.Em 1972 e 1973, fez parte da redacção do jornal “Diário de Lisboa”. Entre Abril e Novembro de 1975 foi director-adjunto do “Diário de Notícias”. Desde 1976 que vivia exclusivamente do seu trabalho literário.Dos livros que escreveu ao longo deste tempo, destacam-se o “Memorial do Convento”, “O Evangelho Segundo Jesus Cristo” “A Caverna” entre outros.A Academia Sueca distinguiu-o com o Prémio Nobel da Literatura em 1998.Os C.T.T. dedicaram-lhe um bloco com desenho de João Machado, 40x30,6mm em circulação desde 15 de Dezembro de 1998.
Faleceu no dia 18 de Junho com 87 anos, vítima de leucemia aguda e problemas pulmonares.
Uma perda para Porugal, para a Lusofonia, para o Mundo e, sobretudo, para a Literatura.
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OLHA QUE ISSO AQUI É BOM DEMAIS

Por Gustavo Carvalho do Carmo

Dia 24 de junho é dia de São João, o santo mais comemorado pelas cidades do interior do Brasil e o dono da festa junina mais popular. E foi nesta mesma data, há vinte e cinco anos, que a Rede Globo colocou no ar o primeiro capítulo de Roque Santeiro, uma novela rural que marcou época na história da teledramaturgia brasileira. No entanto, a história de Roque Santeiro foi uma segunda tentativa da emissora de produzir uma novela baseada na peça de Dias Gomes, O Berço do Herói (1963).

Segunda tentativa porque menos de dez anos antes, no dia 27/08/1975, o locutor Cid Moreira era obrigado a ler no Jornal Nacional um editorial em que anunciava o veto da censura à novela que estrearia meia hora depois. A Censura Federal acusava a novela de ofender a moral, a ordem pública e os bons costumes, além de criticar a Igreja. Com 10 capítulos prontos para ir ao ar e mais 30 gravados, a produção teve de ser cancelada, e Janete Clair, esposa de Dias Gomes, teve de escrever Pecado Capital às pressas enquanto Selva de Pedra era reprisada.

O triângulo amoroso formado por Roque Santeiro, Viúva Porcina e Sinhozinho Malta foi interpretado na versão censurada por Francisco Cuoco, Betty Faria e Lima Duarte, respectivamente. Não foi à toa que os mesmos atores encarnaram o motorista de táxi Carlão, a operária Lucinha e o empresário Salviano Lisboa em Pecado Capital.

Uma década depois, o Brasil já era governado por José Sarney há dois meses e, embora a censura só fosse abolida na Constituição de 1988, já estávamos em uma fase mais democrática. Então, a novela foi liberada. Porém, foi reproduzida desde o começo com outro diretor (saiu Daniel Filho para a entrada do quarteto formado por Gonzaga Blota, Marcos Paulo, Jayme Monjardim e Paulo Ubiratan). O próprio Dias Gomes ganhou o reforço de Aguinaldo Silva e mais dois colaboradores como Joaquim Assis e Marcílio Moraes (que escreveu Essas Mulheres para a Record). Entre o trio de protagonistas, somente Lima Duarte continuou para fazer Sinhozinho Malta (só que agora de bigode). O personagem-título foi interpretado por José Wilker e Regina Duarte fez da espalhafatosa Porcina um dos seus mais marcantes trabalhos.

A novela se passava na cidade fictícia de Asa Branca, no Nordeste brasileiro, onde o coroinha Luís Roque Duarte que, com a sua habilidade de modelar imagens de santos tinha o apelido de Roque Santeiro, era assassinado ao defender a cidade do bandido Navalhada. Depois de fazer supostos milagres, Roque passou a ser considerado pelo povo da cidade como santo e Asa Branca faturou com o turismo religioso. Mas o que ninguém sabia era que o novo "padroeiro" da cidade voltaria vivo e disposto a acabar com a farsa.

Quem não gostou nada da volta de Roque Santeiro foram o Padre Hipólito (Paulo Gracindo), o comerciante Zé das Medalhas (Armando Bógus) e o fazendeiro Sinhozinho Malta. Os dois primeiros temiam a queda do turismo na cidade com a derrubada do mito e Malta porque mantinha um romance com Porcina, uma rica mulher que ficou conhecida como a viúva do Roque sem nunca ter casado com ele, jogada de marketing inventada pelo fazendeiro. Naturalmente forma-se um triângulo amoroso. Mas a verdadeira noiva de Roque era Mocinha (Lucinha Lins), a filha do prefeito Abelha (Ary Fontoura) e da beata Pombinha (Eloísa Mafalda), e que se manteve virgem esperando pela volta do amado desaparecido. Mocinha também era a musa do esquisito Professor Astromar Junqueira (Ruy Rezende).

A pacata cidade ainda foi agitada pela chegada de Matilde que abriu no lugar da Pousada do Sossego a boate Sexus com a suas meninas Ninon e Rosaly, vindas do Rio de Janeiro. Não precisa nem dizer que Dona Pombinha e o Padre Hipólito foram os primeiros a se manifestarem contra a casa noturna. Outro burburinho foi provocado pela chegada do cineasta Gérson do Valle (Ewerton de Castro) e sua equipe de produção do filme sobre a história de Roque Santeiro, estrelado por Roberto Mathias (interpretação memorável do cantor Fábio Júnior) no papel do falso santo. Nos intervalos das gravações, Mathias aproveitava para se envolver com a verdadeira Viúva Porcina, com Tânia (filha rebelde de Sinhozinho Malta) e Dona Lulu (esposa de Zé das Medalhas).

A novela também abordou a Reforma Agrária, defendida por Tânia e o Padre Albano (Cláudio Cavalcanti), o que provocava a divisão da Igreja com o liberal Albano de um lado e o conservador Hipólito do outro.

Além de Lima Duarte, Milton Gonçalves, Elisângela, Luiz Armando Queiroz, Tony Tornado, Ilva Niño, Luís Carlos Barroso trabalharam nas duas versões. Milton (Padre Hipólito virou o promotor público Lourival) e Elisângela (era Tânia virou Marilda, mulher de Roberto Mathias) trocaram de personagens. Os restantes mantiveram Tito, Rodésio, Mina e Toninho Jiló, respectivamente. A curiosidade é que Barroso ainda estava na pré-puberdade na primeira versão. Outros atores foram revelados na segunda versão como Cláudia Raia, Alexandre Frota e Maurício Mattar.

Uma novela rural como Roque Santeiro fez a Globo mudar a estratégia musical e lançar dois discos nacionais em vez das tradicionais trilhas nacional e internacional. Santa-Fé, cantada por Moraes Moreira foi a música de abertura da novela. Roque Santeiro, de Sá e Guarabira era o tema da cidade. Isso Aqui Tá Bom Demais (Dominguinhos e Chico Buarque) era tocada para Sinhozinho Malta enquanto a romântica Dona do grupo urbano Roupa Nova era o tema da Viúva Porcina. Também marcaram como tema "De Volta Pro Meu Aconchego" (Elba Ramalho), "Mistérios da Meia-Noite" (Zé Ramalho), "Sem pecado e Sem Juízo" (Baby Consuelo) e "Chora Coração" (Wando).

Roque Santeiro teve 209 capítulos e encerrou-se no dia 21 de fevereiro de 1986. Foi reprisada duas vezes. A primeira na extinta "Sessão Aventura" em 1991 e a última no apropriado "Vale a pena ver de novo" em 2000.


Fonte de consulta: www.teledramaturgia.com.br

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terça-feira, 22 de junho de 2010

Fauna, flora & concreto



Repousa minha amada...

A fina flor de aço e de concreto!

Repousa e aflora!

Minha inexata flor

No vai e vem

No fim do século...

Aflora a fina flor!

De concreto e de aço

Vive em descompasso

Vive e morre

No aço

No concreto

E aflora

A fina flor

Em descompasso

No fim do século

Que cresce em descompasso

Em meio ao nada

No vazio

A fina flor de aço e de concreto

No fim de tudo

No fim do século

É o Fauno...a regar

A minha divina flor

De aço...

E de concreto

Que cresce

Em descompasso

Que nasce e cresce na fauna!

Dormi e perece

Na fauna e no concreto

A linda flor

De aço e de concreto

Inexata flor

A fina flor de aço

E de concreto

Que nasceu no nada

No vazio

No aço

E no concreto

A minha inexata flor

Samuel da Costa é poeta em Itajaí
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de Miguel AngelDa primeira vez que falou, alguém gritou:
"Pára com esse berreiro, garoto!"
Da segunda vez disse alguma coisa, e ouviu gritarem:
"Vai pra escola e aprende a falar, moleque!"
Depois, toda vez que falava, ouvia dos outros:
"Que tá falando menino? Cala a boca que é muito criança!"
Então trocou palavras por assobio:
Logo de madrugada na ponta do bico, o assobio despertava com ele.
"Pára, que não ouço o galo cantar!" - a mãe no quarto.
E o papagaio, ciumento cordial, imitava no bico, tentando o assobio.
"Pára, que vai confundir o coitado" - a mãe na cozinha.
Ela dizia o tempo todo: "menino, para que vai chamá as galinhas"
Mas o garoto não queria parar. No assobio, o cantar e o falar.
Se perguntar, respondia com assobio.
Se cantarem, ele, assobiante, a acompanhar.
Se pensar, nem pensar!
Que o ressabio confundia o assobio.
"Menino pára com esse ruído que não ouço o leite ferver!"
Mas que biquinho magoado é esse na boca do constante assobiador?
"Mas o assobio não era um ventinho com música?" - pensava o menino.
Vento pequeno traz tempestade.
E a mãe gritava tempestade:
"Menino, pára com isso e fala!"
Para quê, se assobiando falava melhor?
"Que algazarra! Sai já daqui!"
Então pegou desgosto, pegou assobio que ninguém gostava, e foi-se embora!

Encontra e se esconde na floresta.
De repente diferente, fica mágica quando ele assobia.
E assim descobre o encanto de ser ouvido e dançado.
Numa festa de floresta, os galhos a dançar, dos ramos as folhas a cair, roçam de pontinha o chão verde, dão passinhos para ouvir melhor o conserto do assobio concertando o silêncio.
Os passarinhos sem ciúme rodopiam trinando, acompanhando o novo amigo trinador.

"Onde, o assobiador, dona?"
"Cadê aquele menino?"
"Onde que se meteu?"
"Não volta mais, dona?"
"Ih, a floresta comeu! Será?"
"A calada dentro da casa e o menino longe dela"
"Ai, como dói esse sossego!" - chora mãe...
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domingo, 20 de junho de 2010

Por Ed Santos



Minha mulher sempre pede pra comprar salsa na feira, mas não tenho a menor idéia da diferença entre salsa e coentro. A receita fica alterada, mas não perdemos o almoço de domingo por causa de um detalhe tão pequeno como esse. Pior seria se eu não soubesse a diferença entre a palavra “sem” e o numeral “cem”. Se não soubesse diferenciar os termos, talvez não estivesse escrevendo estas linhas. Quero agradecer ao patrão pela oportunidade de me expressar aqui no TUDOCULTURAL, porque SEM ele, eu não chegaria ao post número CEM. Se perceberem ou contarem, este texto tem 100 palavras.
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sábado, 19 de junho de 2010

Samuel da Costa é o novo colaborador do Tudo Cultural. Ele vai participar todas as terças (apesar dele ter postado nesta sexta) com os seus poemas. O blog estava precisando de um poeta. Bem-vindo, Samuel.
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Conto de Gustavo do Carmo

A partir desta semana e nas próximas vou postar somente este conto Difícil Talento aqui no Tudo Cultural. Eu já havia iniciado a série, mas caí no equívoco de alternar com crônicas e outras histórias, inéditas ou não. Vieram as férias, o reinício do ano e acabei não terminando a história, que foi republicada em dez capítulos no blog Literário - www.pbondaczuk.blogspot.com .






Recomeço, então, da primeira parte, continuando, nas próximas quatro semanas (estimadas).






Agostino já estava acostumado a ouvir um “não”. Mas nunca desistia. Já procurava outro coitado para revelar o seu talento para qualquer coisa: cantor, cantora, ator, atriz, jogador de futebol, jogadora de vôlei, artista plástico, bailarina, etc.

Ele mesmo sonhava em ser escritor. Nunca escreveu nada. Pelo menos que alguém soubesse. Rabiscava algumas letras em um papel de pão. Depois guardava tudo na gaveta e voltava para a realidade.

Agostino nasceu em Tacaimbó, agreste de Pernambuco, em uma família pobre. Apesar da condição econômica era um menino inteligente e extrovertido. Aos dezoito anos veio para o Rio de Janeiro com os pais e o irmão. Começou trabalhando como peão de obra.

Meses depois, no serviço, viu um colega cantar uma música do Luiz Gonzaga e adorou. Precisou insistir com o cantor amador para que ele gravasse uma fita com os seus sucessos. Depois de muita resistência, Elielton aceitou gravar cinco músicas. Agostino correu para a uma gravadora em um dia de folga. Imaginava-se ganhando uma polpuda comissão de 10% do novo talento que descobriu.

Esperou cinco horas para mostrar a fita ao diretor. Pensou em desistir quando imaginou que o sucesso do seu novo talento poderia enfraquecer a sua amizade, pois Elielton ficaria famoso e o trocaria por um empresário mais influente e menos honesto. Agostino decidiu entregar a fita.

— Você está de gozação comigo? Bufou o mal-humorado diretor. — Isso aqui é um desrespeito à memória do Rei do Baião. Ele nunca desafinou e maltratou tanto o acordeão assim! Esse cara é muito ruim!

Os aspirantes a cantor e empresário deixaram o prédio da gravadora humilhados. Nem a fome que passaram no Nordeste os humilhou de maneira tão assaz. O medo de Agostino perder a amizade de Elielton tornou-se real. Não por causa do sucesso, mas motivado pela vergonha. Agostino ficou sozinho na Praça Mauá.

Na obra onde trabalhava, passou a ser ignorado por Elielton, que começou a desviar o olhar para Agostino. Ficaram uma semana sem se falar. Até que na segunda-feira seguinte, o ex-aspirante a Rei do Baião procurou o aspirante a caça-talentos para lhe pedir que buscasse sua filha na escola ao final do expediente, pois sua sogra havia morrido e ele precisava viajar a Campina Grande para acompanhar o enterro.

— Agostino, tu quer me ajudar mesmo? Então busca a minha filha na escola pra mim, por favor? Já tá tudo combinado com ela, que não quer ir ao enterro.
— Quando eu te ofereci ajuda não gostou. Depois ficou me virando a cara. Agora precisa de mim? Eu não deveria te ajudar não, mas como tenho muito carinho pela sua filha, eu vou te ajudar.
— Ah! Obrigado! Você caiu do céu. Mas vá lá o que você vai fazer com a minha filha, hein? É a minha menina preferida.
— Vai desconfiar de mim, eu não vou! Tá achando que eu vou abusar da sua filha? Ofendeu-se Agostino.
— Não. Está bem. Desculpa. Mas busca ela na escola para mim. Por favor?
— Está bem. Eu busco.

No final da tarde, Agostino foi buscar Michelle no colégio onde ela estudava, no Méier. A menina de doze anos estava na aula de Educação Física e Agostino acomodou-se na primeira fila da arquibancada do ginásio escolar.

A turma de Michelle jogava vôlei. Agostino chegou no exato momento em que a filha do amigo salvava um ponto adversário. O aspirante a empresário encantou-se com o desempenho da menina. Viu nela uma nova jogadora da Seleção Brasileira. Imaginou-a em Olimpíada, Mundial e Grand Prix. Sempre ganhando medalha de ouro.

Foi despertado da sua utopia pelo apito do professor, que naquela partida também era juiz e treinador. O time de Michelle perdeu por três sets a zero e as colegas olhavam de cara amarrada para a menina. O professor a consolava por ter deixado a bola cair no chão e confirmar o matchpoint.

Agostino levantou-se da arquibancada, desceu à quadra e anunciou:

— Seu pai me pediu para vir te buscar hoje.
— É. Ele falou.
— Sinto muito pela morte da sua avó. Você não quis ir ao enterro dela?
— Obrigada. Não. Não gosto dessas coisas fúnebres. Podemos mudar de assunto?
— Sim, claro. Eu te vi jogando na aula. Você joga muito bem.
— Fala sério, né? Você não viu a besteira que eu acabei de fazer? Deixei cair uma bola fácil no chão. As meninas do meu time quase me bateram.
— Isso acontece. Todo mundo erra. Você gosta de jogar vôlei?
— Gosto. Tenho sonho de ser jogadora profissional. Mas acho que jogo tão mal que eu estou quase desistindo.
— Deixa de bobagem, menina. Você não pode dar valor aos seus críticos. Eu estou querendo te levar amanhã no clube para fazer um teste.

Michelle se aborreceu com a proposta e falou rispidamente:

— Olha só, apesar do senhor ser amigo do meu pai, eu não te conheço bem e não posso ficar saindo com você. Eu quero ir direto pra casa hoje, amanhã e sempre. Se está usando isso para me seduzir eu vou te denunciar por pedofilia, tá?
— Não, fique tranquila. A minha intenção é a melhor possível. Confia em mim que eu vou te ajudar a realizar o seu sonho. Por favor. Eu sei que essa proposta é digna de desconfiança. Eu quero apenas te levar para fazer um teste em um grande clube. Tenho a certeza de que será aprovada.
— Está bem. Vou pensar. Vou tomar um banho no vestiário e depois o senhor me leva pra casa. Uma colega minha vai com a gente, tá? Ela vai dormir comigo lá em casa.
— Claro, sem problemas.

Apesar de muito madura para os seus doze anos, Michelle ainda tinha a ilusão infantil de se tornar jogadora de vôlei profissional. Mesmo não sendo uma boa jogadora. Aceitou o convite do colega de trabalho de seu pai, que ia passar o final de semana viajando.

Agostino tinha a fisionomia típica de um nordestino: cabeça quadrada, cabelo preto repartido ao meio jogado para trás. Não era bonito, mas tinha boa aparência. Enfim, não tinha cara de um maníaco sexual. Já Michelle, no frescor dos seus 12 anos, começava a apresentar os seios em crescimento e tinha uma beleza mestiça de um nordestino de olhos verdes com uma índia de cabelos lisos e olhos puxados. Não despertava nenhuma fantasia em Agostino, que queria apenas descobrir um novo talento no vôlei.

Continua...
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sexta-feira, 18 de junho de 2010

COPA DO MUNDO

A copa do mundo é o evento,

Mas famoso e mais caro do planeta.

Enquanto milionários correm em campo,

Fazendo belas jogadas.

E nas arquibancadas. ..

Só sentam-se pessoas abastadas!

Enquanto isso neste mesmo país...

Existem pessoas levando uma vida desgraçada!

Não sei por que acontece essa grande diferença;

Regimes ditando regras e pregando as suas crenças.

Enquanto em nosso planeta

Existem homens, se dizendo inteligentes.

Matam gente todo dia, até mesmo inocente.

Quando não morrem de fome!

Por viverem desnutridos:

Por isso ficam doentes

Vivaldo Terres é poeta em Itajaí

vivaldoterres@yahoo.com.br

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Re-visão (O fim da Mecanografia)

Não vou re-visar meus textos.

E desafiar a gramática!

Ignorar as normas...

Exilar-me no meio do nada...

Viver no vazio!

Render-me ao consumismo instantâneo.. .

Cultuar heróis fabricados.. .

Heia...

Quero dar ‘’um viva’’ a comunicação de massa...

E praticar a sub-literatura!

Espalhar cópias fotostáticas por ai...

Insignificâncias sub-terrâneas. ..

...que ninguém vai entender!

Rebeldias literárias que ninguém lê.

Vou invadir o mundo pagão!

Devorar suas reservas naturais...

Nutrir meu ódio cristão.

Me banhar em ouro negro!

Dar ‘’um viva’’ à pirataria pós-moderna!

Heia tempos pós-modernos. ..

Viva a mecanografia dos tempos modernos!!!

Heia armas de destruição de massa!

Sobras da loucura do século passado...

Sobras escondidas que ninguém...

...encontrou!

Sombras da tecnocracia que mata!

Ipi!

Ipi

Hurra!

Vou me esconder nas matas!

Armar-me...

Seqüestrar políticos, militares, empresários.. .

Toda a corja capitalista e autoritária!

Quero prestar minhas homenagens.. .

...aos deuses antigos!

Mortos-vivos a caminhar pela selva!

A perambular no inferno verde!

Imensidão verde que ninguém entende.

Vou ficar na frente da T.V!

E ver o impensável.

Golpes de marketing...

...engendrados nos laboratórios dos comunicólogos!

Vampiros virtuais!

Bruxos da pós-modernidade. ..

Neo-alquimistas cibernéticos!

Que fazem a mentira virar verdade!

Que faz o branco virar negro

E o negro virar branco!

Eita!

Não vou me formar...

E vender coisas que não existem!

Produtos virtuais!

Ferramentas pós-modernas!

Já nascidas ultra-passadas!

Vou espelhar vírus virtuais...

Agentes dos caos...

Escondidos em juras de amos.

Eia!

Eia!

Oh!

Vou-me micro-processar

Vou prostibular minha imagem!

Peregrinar pelo ciber-espaço. ..

E por a venda aquilo que não tenho!

Expor aquilo que não sou...

Eia.

Eia.

Oh.

Eita vidas nas pós-moderniade!

Movidas a doces que matam...

De festas embaladas há drogas sintéticas!

Massa dissoluta a frita neurônios.

Deuses bacantes na pós-modernidade!

Vou assistir a processos burocráticos. ..

Que não dão em nada!

Processos digitalizados

Empoeirados!

Normatizados!

Que vão dar no vazio!

Vou ver audiências públicas

Falatório dos demagogos...

Arenas de embates combinados

Circo de hoje.

Televisionado. ..

Radiofonados. ..

Palcos dos nada!

Eia.

Eia.

Viva a telegrafia sem fio!

Cabos de fibra óptica postados...

Em alto mar,

Rios de informações...

A se perder nas inutilidades diárias...

Viva a ‘’Blogosfera’’.

Ambiente aonde reina coisas inúteis...

Bobagens digitalizadas a se amontoar no vazio.

Viva a comunicação via-satélite. ..

Viva o espaço cibernético!

Viva os...

...diários on-line que ninguém lê!

Ipi!

Ipi!

Hurra!

Viva aos cartões de memórias.

Megabytes de inutilidades!

Eita telefonia móvel...

Rede viva de coisas fúteis!

Inutilidades que ficam velhas...

Rápido!

Viva o...consumismo vazio!

De objetos da moda!

Coisas inúteis...

Que nada valem...

Eita rostos estampadas nas revistas de moda.

Grifes!

Marcas!

Modelos vivos.

Fugazes...

Anorexos...

Bulimicos...

Descartáveis. ..

Inúteis!

Peças ocas da produção em massa...

Viva toda a produção em larga escala...

A consumir o planeta

A exaurir o globo

Eia....

Eia...oh

Viva a luta de classes

Massa dissoluta

A protestar contra organismo

Internacionais!

Pirataria-terceiro mundista!

Eita trabalho escravo!

Ipi!

Ipi hurra!

Viva o Fordismo de hoje!

Viva o Toyotismo do amanhã!

Viva toda a onda globalizante. ..

A esmagar culturas!

Sub-verter valores

A super-aquecer o globo!

Eia!

Eia!

Oh!

Toda a uma sociedade!

Interligada. ..

Massa humana...

A caminhar por ai!

Mundo globalizado. ..

Interligado e dividido

Eia!

Eia!

Oh!

Viva a crise financeira mundial...

A derrubar governos...

Eita escândalos no parlamento.. .

Mesadas re-passadas

Mês a mês

Escondias nos slip...

Eia!

Eia!

Oh!

Vivo as pandemias mundializadas!

E todo um alfabeto de novas doenças...

Produzidas nos abatedouros. ..

Da produção em massa...

Viva os socorres aos bancos...

E hastear a bandeira!

Up a July Roger!

Viva a pirataria cibernética.. .

Vou distribuir arquivos virtuais!

Vou distribuir o que não é meu...

Under a July Roger!

Quero ‘’baixar’’ a arte virtual...

Vou pilhar toda a arte que puder...

Eita...uma garrafa de rum!

Under a July Roger

Eita.

Eita.

Eita são mil olhos postados em mim!

Heia são mil olhos eletrônicos.. .

Invadindo & destruindo a minhas...

Liberdades individuais!

Eia!

Eia!

Eia!

Viva a geração modernista!

Caricaturas massificadas. ..

Que nada valem!

Viva o pós-modernismo. ..

Viva as promessas dos políticos

Que nada valem

Eia

Eia

Oh

Das doenças infectos contagiosas. ..

A traçar o continente negro!

A devorar os guetos metropolitanos. ..

Vidas pós-modernas. ..

Heia

Heia

Heia megalópoles.. .

Vivas os intercâmbios criminosos.. .

Cartéis narco-assassinos globalizados!

Crimes mundializado. ..

Viva os sigilos bancários!

Viva os paraísos fiscais...

Vivas as fraudes...

Relatórios falsificados

De orçamentos super-faturados!

Manipulados!

Eia DNA...

Eia ciência Florence!

Eia ciência que mata,

Eia ciência que cura.

Massa humana...

Scum a cruzar fronteiras!

Ruínas vivas...

Sem nome,

Sem passado,

E sem futuro,

Farrapos dos novos tempos,

Vítimas das loucuras modernas!

Vitimas de ódios antigos!

Das verdades que mata...

Dos foguetes teleguiados

E tanques informatizados. ..

A cruzar fronteiras

Toda a cultura imposta...

Artificial

Atemporal

Viva a Meca-nografia

De hoje

Do ontem

E do amanhã...

Viva um futuro incerto...

Não planilhado.. .

Eia conferências de paz

Que não dão em nada...

Cartas marcadas

Por interesses belicistas

E toda a fúria de auto-carro.. .

Que passa gritando!

Toda a fúria de um Formula 1...

Que em pedaços, esfola crânios!

Toda a fúria de um exército invasor...

A bombardear cidades!

A destruir culturas,

Saquear museus!

Eita AK47

Eita Uzi...

Eita Fn Browning!

Eia...eia... oh!

Viva as Magnum!

Vivas as Ponto 30...

Salve as Ponto 40...

Salve as Ponto 50!

A varar blindados...

A derrubar aera-naves!

Salve todas as guerrilhas urbanas.

Embrenhadas na selva de pedras.

Tá... Tá...

Tá...

Pá... Pá... Pá... Pá...

Salve... Salve... Salve!

Salve todas as guerrilhas urbanas.

Bandos armados...

Siglas assassinas o noticiários da T.V

E estampar s páginas dos jornais

Das revistas...

Eita tribunais de exceção!

Micro-ondas nos altos dos morros...

Viva...viva. ..viva!

A vida moderna!

Viva o consumo imediato...

E todo o capitalismo voraz;

Eita século vinte um

E suas torres que caem

Todo ódio étnico...

Políticos

E religioso

De embargos

A atingir inocentes

De acordos internacionais não cumpridos...

Eita eminência de conflito nuclear

Nações equilibradas pelo terror

Eita mentiras online

Carne barata espalhada virtualmente!

De antístite manchados

Por crimes sexuais

E toda a Meca-nografia de hoje

Do ontem...

E do amanhã!

Samuel da Costa é poeta em Itajaí
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