domingo, 30 de agosto de 2009

Por Ed Santos

- chegou?
- SIM ...
- almoçou tudo?
- TUDINHU
- que mulé isperta!!!
- ESPERTA NÃO, CUM FOME
- faz sentido.
- FIZ TBM EXAME P/ RENOVAR MINHA CARTA, MOSTREI MEUS OLHINHOS P/ DOTÔ
- e foi?
- FOI. ELE TESTO MEU ZOINHU, MINHA PEGADA, MINHA AGACHADA MINHA LEVANTADA E MINHA PRESSÃO !!!!
- e cê ainda pagou???
- ACREDITA ?????????????
- só vendo!
- O PIOR E QUE EU TIVE QUE COLOCAR O DEDO UM MOOOTE DE VEZES NUM TROÇO LÁ QUE ACHO QUE ERA MUITO VELHO E NÃO TINHA SENSIBILIDADE SUFICIENTE ATE DESISTIU E TIVE QUE TROCAR DE DEDO
- ai, ai ai, ai ai...
- É, NÃO É FACIL ...
- mas e o resultado, passou?
- AH PELO MÉDICO SIM , ESTOU APTA
- beleza. isso quer dizer que voce fez tudo direitinho...eficiente no desempenho...
- PELO MENOS O QUE PRECISA TAVA TUDO BOM, EM PLENAS CONDIÇOES DE USO
- agora é só sentar e engatar a marcha.
- SEM TROCAR ATE EU QUERER PARAR
- quem decide quando parar é vc...
- AH MEU DEUS......... VOU ATE ALI E JA VOLTO
- ok.
- VOU ME RECOMPOR... ME DEU UM CALOR RSRSRS
- voltou?
- ESTOU AQUI
- nao falou mais nada...
- ACHEI MAIS PRUDENTE RSRSRS... ACALMAR OS ANIMOS
- ok. se vc acha melhor...
- VC NÃO ACHA ?
- não.
- AIAIAIA... QUE NÃO SONORO !
- com todas as (tres) letras.
- ATÉ AMANHÃ
- até.
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sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Por dudu oliva

Ela me olhava pela janela. Estava malhando, podia sentir sua respiração ofegante sob o véu. Escancarei a janela, queria que visse o meu corpo musculoso. Quando nos encontrávamos no metrô, ela não dizia nada, mas, o corpo falava tudo. Tentava se esconder ainda mais naquele véu colorido. Será que ela sabe a dança do ventre? Perguntava-me sempre. Via algumas aulas na academia, ficava com tesão de ver as mulheres remexerem as barrigas definidas e com piercing nos umbigos. Será que ela queria dançar para mim. Sempre ouvi que os olhos são o espelho da alma. Podia ver seus olhos em chamas sob o véu colorido.

Ficamos alguns meses assim. Abria a janela e ela se escondia na escuridão do seu apartamento. Porém, um dia, a campainha tocou. Fui atender sem camisa, estava suado. Tive uma surpresa. Era ela toda coberta com um vestido que parecia uma manta espessa. Fez um gesto para eu me sentar. Começou a se despir, mas continuou com o véu. Atrás de tantos panos, havia a típica roupa das dançarinas da dança do ventre. Pegou na bolsa um cd e colocou no som. Eu não sabia se estava maluco ou se era realidade o que acontecia. Ela transbordava sensualidade, ao fazer movimentos desta dança milenar. Senti-me um califa.

Quando terminou, veio à minha direção. Sentou no meu colo. Percebi que estava segurando um pequeno frasco. Sem dizer uma palavra, me fez beber um líquido doce. A partir daí, não me lembro mais de nada.

Acordei no sofá. Estava coberto com o edredom e numa das mãos estava com o véu colorido. Fiquei atordoado. O que teria acontecido? Liguei a TV, como sempre fazia de manhã. Há primeira coisa que vi, um vagão todo retorcido e em chamas. Quando a repórter disse a localidade do atentado, senti um calafrio. Sempre passava por ali, para trabalhar e encontrava a mulher misteriosa do véu multicolorido. Minha mente estava confusa. Comecei a fazer conexões, quando a repórter disse que os sobreviventes e testemunhas viram, minutos antes, uma jovem coberta por véus entrar no vagão do metrô, segundos depois, aconteceu há explosão. Não podia ser! Dias depois, a suspeitas se concretizaram. Era ela. Maldita!! Por que fez isso? Poderíamos ter nos conhecido melhor. Mas era uma mulher-bomba, preferiu a missão a eu. Tempos depois, percebi que estava precipitado com a conclusão. Ela me salvou. Não queria que eu pegasse o metrô.

Matou milhares de pessoas inocentes, mas, salvou a minha vida. Senti ao mesmo tempo culpa e uma felicidade de estar vivo.
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quinta-feira, 27 de agosto de 2009


Por

João Paulo Mesquita Simões


O centeio cultiva-se ainda hoje nas terras frias de Trás-os-Montes, unica das poucas regiões que o produz e vende para a panificação. Aqui, onde os moinhos de rodízio ainda sobrevivem, os padeiros preferem utilizar a farinha do moleiro por esta conferir um sabor especial à massa. O pão de centeio é escuro, com um miolo bastante compacto, na medida em que este cereal contém menos glúten do que o trigo. Amassado só com massa velha, o pão grande, ou o “pão de quilo”, predominante na região, mantém-se fresco durante muito tempo, sem perder quase nenhum dos atributos que possui ao sair do forno.

(In: Pagela dos CTT)
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terça-feira, 25 de agosto de 2009

por Miguel Angel

Borges, José Francisco Isidro Luís
Escritor e autodidata, nascido na cidade de Buenos Aires, então capital da Argentina, em 1889. Não é conhecida a data da sua morte, dado que os jornais — gênero literário da época — desapareceram ao longo de vastos conflitos de que os historiadores regionalistas hoje nos dão conta. As suas preferências foram para a literatura, a filosofia e a ética. Aquilo que do seu trabalho chegou até nós informa-nos suficientemente sobre o primeiro ponto, ao mesmo tempo que deixa entrever incuráveis limitações.

(Esta foi uma irônica biografia que Borges escreveu dele próprio, como se fosse o verbete de uma futura enciclopédia, a ser publicada em 2074 em Santiago do Chile, na qual seria tratado como um escritor secundário. Nesse verbete, sequer seu próprio nome estaria bem escrito...em vez de Jorge Francisco Isidoro Luis Borges, apareceria como José Francisco Isidro Luis Borges. E além disso, em vez de seu ano real de nascimento, 1899, apareceria "1889". Na parte de 'comentários' desta postagem, o futuramente apócrifo verbete completo).


“A memória é uma forma de esquecimento”, costumava provocar o escritor Jorge Luis Borges (1899-1986), cujo maior sonho, afirmava, era o de ser esquecido por seus leitores. O desejo de Borges não pode ser cumprido pelos argentinos, que nesta segunda-feira dia 24 celebram os 110 anos de seu nascimento em Buenos Aires.

O autor de “O Aleph”, “O informe de Brodie”, “Ficções” e “História Universal da Infâmia”, com seu estilo conciso e erudito – além de opiniões polêmicas e olhar irônico sobre a vida - marcou a literatura argentina e mundial do século XX.

Borges é atualmente figura “pop” (ele aparece em camisetas e pôsteres, que recordam sua obsessão pelo tempo, punhais e labirintos) até virou personagem de comic. Não é à toa que – em alusão a outro mito argentino - já foi chamado popularmente de “o Maradona da literatura”.

Borges, como personagem principal do comic policial noir-surrealista "Perramus", de Alberto Breccia. Borges retorna, como detetive, à procura do sorriso de Gardel.

(por Ariel Palacios, correspondente em Buenos Aires de O Estado de S.Paulo. Master em Jornalismo pela Universidad Autónoma de Madrid/Jornal "El País".

Para ouvir Borges, ver e saber mais
Aqui
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domingo, 23 de agosto de 2009

Por Ed Santos

No 1.º minuto do momento final o Relógio da Praça atravessou solenemente a cidade em direção ao bairro mais longínquo, onde apoderou-se à força do ponto de ônibus, com a intenção de terminar para sempre com o reino do sofrimento e da angústia malcriada.
No 2.º minuto do momento final três vândalos tomaram um monomotor de assalto e levaram ao ponto mais alto da cidade, um letreiro com frases obscenas. Vendo aquilo, a torre de transmissão de telefonia móvel calou-se ao ser interrogada pela veracidade dos fatos.
No 3.º minuto do momento final uma comitiva de psiquiatras obesos praticaram uma sessão de análise simultânea com um aparelho de barbear de baterias arriadas.
No 4.º minuto do momento final a polícia interrogava uma família de surdos-mudos que descobriram o segredo do simbolismo de Leonardo da Vinci.
No 5.º minuto do momento final um bando de esquimós nômades com suas vestes decadentes desfilou silenciosamente diante da sacada da Sociedade Protetora dos animais.
No 6.º minuto do momento final a mulher do professor de matemática aumentou a prole e deu a luz novamente na fila da casa lotérica.
No 7.º minuto do momento final todas as revistas com fotos do astro pop foram transformadas em unhas pintadas de vermelho roídas.
No 8.º minuto do momento final a única roupa transparente foi usada na rua para cobrir a abundante nudez.
No 9.º minuto do momento final fecharam-se as portas da realidade.
No 10.º minuto do momento final uma revoada de pombos sofrendo de diarréia podia ser vista ao longe.
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sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Por Gustavo do Carmo Crédito da Foto: Sofia Simões - http://br.olhares.com/a_gravida_ii_foto1992735.html

Positivo: Imaginou-se feliz ao saber que seria pai do filho da sua amada. Ao mesmo tempo o seu amor platônico sorria para o marido, mostrando-lhe o teste positivo para gravidez.



Bilionário: Imaginou-se brincando com o filho que teve com a sua amada, grávida do segundo. Ao mesmo tempo o seu amor platônico subia ao altar com um bilionário paulista.



Cartório: Imaginou-se feliz indo ao cartório com o cunhado e o melhor amigo como testemunhas do registro do filho que teve com a mulher amada. Ao mesmo tempo ela sentia as primeiras contrações e correu com o marido para a maternidade.
Foto: Sempre desejou em tirar uma foto da namorada e da irmã grávidas e juntas. Realizou o sonho. Só não sabia que as duas esperavam um filho do seu cunhado.


Reencontro: Queria muito engravidar. Fez até tratamento. Acabou reencontrando a mãe que não via desde que ela tinha cinco anos.



Padrasto: Queria muito ter um filho. Contentou-se em ser um paizão para o filho de sua namorada, mesmo ele odiando crianças dos outros.



Etapas: Vai à boate. Conversa com um rapaz. Beija na boca. Vai ao motel. Tira a roupa. Fazem sexo. Engravida. Se casa. Põe aliança no dedo. Exibe ela e o filho como troféus. Os paqueradores ingênuos que se danem.



Plágio: Orgulhava-se da sua melhor obra. Mas foi acusado de plágio: a sua obra era uma linda menina que achava ter tido com a sua esposa e que registrara como sua.



Vírus: Queriam muito ter um filho. Depois de muitas tentativas, o marido perguntou: _ E aí, amor: engravidou? _ Não! Contraí um HPV de você!


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Por dudu oliva

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quinta-feira, 20 de agosto de 2009


Por

João Paulo Mesquita Simões


A domesticação dos cereais, ocorrida há dez mil anos, e a sua transformação em pão, tiveram um impacto decisivo na história da humanidade. Foi graças a este alimento de elevado valor nutritivo que as comunidades puderam subsistir e desenvolver-se ao longo dos séculos, desde as antigas civilizações do Médio Oriente e do Mediterrâneo até hoje.

Hoje em dia, a nossa alimentação é mais rica, mais diversificada; o pão já não é a principal fonte de calorias e proteínas, mas continua a estar presente em todas as nossas refeições e chega às nossas mesas em grande variedade. Os pães tradicionais, ligados a uma região e por vezes a uma cidade específica, mantêm, no seu fabrico, um conjunto de gestos herdados do passado. Reconhecem-se pela forma, gosto, textura do miolo e aspecto da côdea. Cada pão conta uma história, todos fazem parte da “Cultura do Pão”.



Pão da Mealhada (Beira Litoral)

Este pequeno pão de trigo de aspecto arredondado, pontuado por quatro bicos que fazem lembrar uma flor, é também conhecido como “pão da Bairrada” por ser um dos típicos acompanhantes do leitão assado, especialidade da região. Depois de duas horas a levedar, tendem-se as bolinhas e, com uma tesoura, corta-se a parte superior em forma de cruz, com o objectivo de abrir a massa e deixar escapar o gás que se criou durante a fermentação, tomando o miolo mais compacto e com um sabor característico.
(In: Pagela dos CTT)


No passado dia 10, os CTT da Mealhada, levaram a cabo uma exposição filatélica e de outra formas de coleccionismo, onde o tema foi o pão.Esta emissão saiu a 28 de Julho e os Filatelistas da região, felicitam os Correios de Portugal por esta iniciativa. Mais uma a juntar há História Filatélica do concelho.
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terça-feira, 18 de agosto de 2009

de Miguel Angel


Agitada, entrou no banheiro, trancou a porta, ficou na frente do espelho, observou seu rosto refletido por alguns segundos; de repente deu-se um tapa no rosto. Ai! Doeu!. (É pra doer sua puta! Pra deixar essa cara de pau vermelha de tanto apanhar. Como pode ter gostado daquilo?) Nem pode? Deu-se outro tapa. (Coisa de duvidar, sua pervertida? Onde já se viu gostar daquilo, de... estupro?) Eles foram bonzinhos. Outro tapa, desta vez na testa. (Tira isso da cabeça sua desmiolenta!) Um deles, caboclinho, lembrou o Nestor. (Que te largou pela filha do patrão dele, desgraçada?) Mas aquilo foi sem querer, foi a família dele que mandou, se meteu no meio. (Meteu? Sei o que ele andou metendo em você atrás do muro, burra!) Ele era bom pra mim. Acreditei. Ainda acredito nele, o Nestor; foi a família, a irmã, a Leonor que nunca gostou de mim. (E tu ainda acredita depois das humilhações e de todo esse tempo, infeliz? É boboca mesmo, merece outro tapa, pra largar de ser...) Eles nem machucaram nem nada. (Então gostou, piranha?) Depois do medo, do susto... Carinhosos. Papinho rapidinho quando se foram. O caboclinho até beijou na boca. Tão assim, tão... Nestor. (Olh’aqui, se chorar vai apanhar de novo!) Nada, já chorei tudo. (Mas tu me saiu uma putinha, viu?) Se ama e faz, é pecado? é putaria? Não! (Como é? Olha que te dou outro tapa, sua cadelinha! Agora vai lá! Não tá ouvindo que tão te chamando? Tadinho do Nestorzinho.) - Tô indo meu filho!
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domingo, 16 de agosto de 2009

Por Ed Santos

(Baseado em papos reais)


- oi, Pedro
- fala patrão!!!
- fala.rs...não to conseguindo acesso ao programa que vc me mandou
- quando vc faz login, aparece "olá, paulo", ou algo semelhante no canto superior esquerdo... logo abaixo, aparece "minha URL...
- a extensão é o login?
- no meu caso é... não sei se vai ser no seu...
- deixa eu ver
- blz,
- consegui
- blz. abri por aqui também e vi que deu certo... eu já tinha cadastro lá, mas nunca usei. meu filho que me lembrou hoje... acho que não vou usar muito não.
- é, eu também quase não devo usar...pode ser interessante, pois preciso divulgar minhas coisas
- é... é um recursso... mas diz aí... como está a produção dos vídeos
- ah, tá parada o último conto que eu gravei foi um episódio do “Homens na cozinha”, um projeto novo que deve ir ao ar ainda esse semestre pela TV aberta e que vai brigar com os programas da manhã
- e não tem mais nenhum inédito guardado?
- inédito só tenho 3 que ainda tá na fase se préprodução... CE sabe... difícil de arrumar eum banque
- ah.. eu acho que tá bom os 3 mas a falta de grana é muito ruim...
- escrevi um roteiro chamado “Por que sou diferente dos meus pais?”
- possivelmente não é a mesma resposta, mas tenho certeza que meus filhos também fazem essa pergunta...kkkkk
- como assim? não entendi?
- essa pergunta... meus filhos também devem fazer...
- ah tá entendi. Parece que em casa sou um alienígena.. meus filhos nem olham pra mim direito... o que será que eu fiz de errado na criação deles.
- então é um bom tema
-o arquivo tá grande, né?
- pode crer...
- mas parece que está andando se estiver com pressa pode cancelar
- d e v a g a r r r r r. . .
- eu estou procurando um outro...vê se pede senha
- pediu.
-pois é. tem cadastro no divshare?
- disculpa a inguinorânça!!! não conheço... mas já tô fazendo uma tour...
- ok
- parece legal...
- se cadastrou?
- anhã... mas não tenho muito material "pesado pra deixar lá" uso o "docs" do google pors textos.. é ótimo e suprime o leva-e-trás do pen drive...
- mas é perigoso alguém invadir e copiar o arquivo e além de te obrigar a conectar na internet sempre que for manipular seus vídeos arquivo, digo aqui mesmo eu estou usando a rede sem fio que não sei de onde vem só sei que pega bem a beça
- puts!
- se cair agora vou ficar sem internet, pois estou sem tv a cabo e internet mexeram no receptor lá em cima por causa de uma obra que estão fazendo no terraço do prédio e não sei se não religaram ou danificaram outra enganação é esse ponto extra das tvs por assinatura
- esse eu ainda não precisei...
- digo o ponto extra gratuito quem venceu foi a mafia das tvs pagas
- sacanagem... e é só mais uma.
-o download do vídeo está quase acabando curioso que pra essa semana eu mandei pra produtora e ainda nada
- foi a tal da censura. Virtual. chegou o arquivo... peraí..
- tá
- legal!!! gostei da dinâmica das informações. meu... vou sair... o sono bateu...
- ok boa noite, até a próxima
- abraço... até
- até.
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sábado, 15 de agosto de 2009

Gustavo do Carmo


Crédito da foto: http://elaseeunomeio.blogspot.com/2009_03_01_archive.html

Meus pais discutem todos os dias desde que eu nasci. Mas não se separam, apesar das ameaças da minha mãe e da relação extra-conjugal do meu pai. Eu tento entender porque eles brigam tanto, mas continuam casados. Já especulei com a minha avó, meus tios e primos de ambos os lados. Só que todos ou colocam panos quentes, fingindo não acreditar, ou simplesmente desconhecem a briga deles.

Agora mesmo a minha mãe chamou o meu pai de cachorro! E o meu pai reclamou que ela nunca está satisfeita com nada e que só sabe gastar. A minha mãe devolve que ele tem mania de economizar, mas abre o bolso para a amante. Meu pai ironiza que a amante está sendo obrigada a economizar também, que por isso estão brigados e ele está aqui em casa obrigado a aturá-la.

Depois de todas as discussões minha mãe passa o dia inteiro chorando. E o meu pai fazendo contas. Quando a discussão esquenta, sou obrigado a separá-los para não chegarem a agressão física.

Quando não estão discutindo, ficam se alfinetando. Cresci com os dois falando mal um do outro. Cada um com a sua versão. Também sirvo de intérprete. Mas, quando me canso, deixo eles se virarem para se comunicar. Aí sim eles se dão bem.

Ainda procuro entender porque os meus pais brigam tanto. Nunca acreditei nessa história de que não se separaram por minha causa como já me disseram. Se a minha mãe quisesse já teria pedido o divórcio e o meu pai saído de casa.

Tem horas que eu me pergunto como eu fui concebido se eles sempre brigaram. Mas foi pelo mesmo motivo que eu concluo agora porque eles brigam tanto: no fundo eles se amam.
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sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Por Dudu Oliva



– Cada um sente a seu modo. Não me venha mais desmerecer a minha. Pode continuar a contar histórias de tragédias alheias e que comparadas a minha vida, vivo num mar de rosas. O que sabe sobre mim? O que se passa aqui dentro? Guarde para você os conselhos e comentários que só digo bobagens ou faço tempestades em copo d´água. Não sabe, mas tento arrancar tudo de ruim dentro de mim; é uma luta constante. BASTA de justificativas, não preciso dá-las. Vou embora para nunca mais voltar. Fique tranquila, não sou suicida. A partir de agora, não desabafarei com ninguém para não escutar as mesmas ladainhas que sou fresco ou que não tenho nada para fazer. Ninguém está dentro de mim. Se outras pessoas sofrem horrores, me compadeço por elas. Entretanto, tenho as minhas dores e ninguém tem o direito de diminuí-las. Muitos podem achar que estou olhando para o meu próprio umbigo, imaginem o que quiser. Não perderei o meu tempo de explicar, cada um sabe de si.



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A cortina caiu:



APLAUSOS E VAIAS


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"preocupe-se mais com a sua consciência do que com sua reputação,
pois a sua consciência é o que você é, e a sua reputação o que os outros pensam sobre você... e o que eles pensam é única e exclusivamente problema deles".
Carol Herling - Jornalista

Enviaram este trecho no comentário em meu outro blog.
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quinta-feira, 13 de agosto de 2009


João Paulo Mesquita Simões


O Administrador Geral dos Correios de Portugal, Engº Couto dos Santos, iniciou uma série, que seria a apresentação dos pitorescos e tradicionais costumes e trajos populares. Embora já tivessem sido aprovados dez desenhos, e tendo-se concluído as suas gravuras, entendeu a Junta Nacional de Educação recusar este projecto, o que fez parar tal emissão.
Protestaram os CTT, invocando o prejuízo com as despesas já efectuadas.
Assim, foram autorizados a fazer esta emissão com os dez desenhos já concluídos.
Foram impressos na Casa da Moeda sobre papel liso, em folhas de dez selos com denteado 11,5.
A emissão dos selos, foi a seguinte:
Dois milhões de selos verde escuro com o valor facial de $04 representando a mulher da Nazaré, cujo desenho é de Roque Gameiro e gravura de Guilherme Santos; 3,2 milhões de selos de $05 representando a Tricana de Coimbra, com desenho de Raquel Roque Gameiro e gravura de Gustavo e Almeida; 2 milhões de selos de $10 lilás violeta, representando o Saloio de Lisboa desenhados por Raquel Roque Gameiro e gravura de Renato Araújo; 6 milhões de selos de $15 verde amarelo, representado a Peixeira de Lisboa, desenhados por Raquel Roque Gameiro e gravura de Marcelino Norte.
Emitiram-se tembém 2 milhões de selos de $25 lilás violeta representando a Mulher de Olhão, desenhados por Álvaro Duarte de Almeida e gravura de Gustavo de Almeida Araújo; 20 milhões de selos de $40 verde claro representando a Mulher de Aveiro, desenhados por Álvaro Duarte de Almeida e gravura de Guilherme Santos; 800 mil selos de $80 azul claro, representando a Mulher da Madeira e desenhados por A. Duarte de Almeida e gravura de Arnaldo Fragoso; 800 mil selos de 1$00 vermelho, representando a Vianesa em desenho de Raquel Roque Gameiro e gravura de Arnaldo Fragoso e, para terminar, emitiram-se 1,4 milhões de selos de 1$75 azul escuro representando o Campino Ribatejano, desenhado por Raquel Roque Gameiro e gravura de Arnaldo Fragoso. 300 mil selos de 2$00 laranja, é o ultimo selo desta série, representando a Ceifeira do Alentejo, desenhado por Raquel Roque Gameiro e gravura de Guilherme Santos.


(Baseado em "Livros Filatélicos" de Carlos Kulberg).


A emissão aqui apresentada, foi retirada do site http://www.filsergiosimoes.com/, casa filatélica a quem compro as minhas emissões.

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domingo, 9 de agosto de 2009

Por Ed Santos

Quero mesmo é poder ficar o resto da vida rodeado de paz e ar puro. Numa casa avarandada e dois metros de altura o muro. No mínimo.
Sentar-me a ouvir os pássaros e poder me distanciar da vida. Ficar a observar a cria em sua vontade preferida. Alegria.
E quando isso acontecer, não será preciso nada mais. Só será preciso tempo pra adornar meu cais. Quero.
O barco pode seguir disperso sem leme, à toa. De preferência não vou ir nem na popa nem na proa. Timão.
Da minha vida tenho o rumo, tenho a cria e já me basta.

A cria como anda? Ora, basta olhar pra varanda!

Feliz Dia dos Pais!!!
PAZ!
ES

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sábado, 8 de agosto de 2009

Por Gustavo do Carmo



(I)

Ao contrário dos pais de suas amigas, o pai de Glorinha sempre tinha tempo para ela. Brincava nos sábados e domingos, mas cobrava os deveres de casa e estudos durante a semana. Asdrúbal levava e buscava a filha no colégio todos os dias. Glorinha tinha orgulho, mas ao mesmo tempo, uma preocupação: “Por que papai é tão diferente das minhas coleguinhas?” Aos treze anos descobriu que o seu pai nunca trabalhou na vida. Mesmo casado, com filhos e com quarenta anos na cara ainda era sustentado pelo pai rico, avô de Glorinha, que pagava todos os estudos da neta. Ficou envergonhada.


(II)

O pai de Afonsinho trabalhava tanto que mal tinha tempo para o filho. Saía de manhã cedo e chegava tarde da noite. Só tinha uma época do ano em que seu Geovane se dedicava integralmente ao filho. Era nas suas férias, todo mês de abril. Um dia, Afonsinho chegou da escola e encontrou o pai em casa, de camiseta e short.

— Oi, pai. Você entrou de férias de novo?
— Não, meu filho. Papai foi despedido do emprego.


Esta é a minha homenagem ao Dia dos Pais, comemorado amanhã. Meus cumprimentos aos pais de todos os nossos leitores.
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sexta-feira, 7 de agosto de 2009


Por dudu oliva

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quinta-feira, 6 de agosto de 2009










João Paulo Simões








A ideia destes selos, surge em 1926, quando primeiramente se pensou em emitir uma série que duraria até 1941. Tendo estas séries terminado com a Independência de 1928, pensou-se, em 1938, na presente série. Foi traçado um plano da emissão em 1939 que foi dividida em quatro desenhos representando Fundação, Descobrimentos, Restauração e Exposição.
Circularam de Junho de 1940 a Setembro de 1945.




Exposição do Mundo Português
Realizou-se em Lisboa, de 23 de Junho a 2 de Dezembro de 1940, estando presentes todas as Províncias Ultramarinas Portuguesas, bem como indígenas inseridos no seu espaço natural, como se parte do seu habitat natural, tivesse sido trazido para o Continente.
O desenho da emissão é de Jaime Martins Barata, inspirada na maqueta do recinto da Exposição. Gravura a talhe doce de José Armando Pedroso e Renato Araújo, foram impressos no Banco de Portugal, sobre papel liso, fino ou médio em folhas de cinquenta selos com denteado 12 x 11,5.




Estátua equestre de D. João V





Já foi mencionada neste blogue a biografia deste monarca.
Resta dizer que o desenho é de Henrique Franco, gravura a talhe doce de Renato Araújo, impressos também no Banco de Portugal em papel liso, fino ou médio, com denteado 11,5 x 12 em folhas de cinquenta selos com o valor de $15 azul esverdeado e $35 verde amarelo.








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terça-feira, 4 de agosto de 2009

de Miguel Angel 

Depois de dias de saques e degolas, fuzilamentos e violações, a fazenda de D. Eduardo Antunes teve o azar de cruzar o caminho do coronel paraguaio Barrios, condutor da bem sucedida invasão. Avistando a sede da fazenda, o coronel ordenou a tropa avançar pela propriedade, cercar todo gado à vista e invadir a casa sede. Sem nenhum oponente de monta, a missão foi concluída em poucas horas; o mandante estrangeiro foi chegando à residência, encontrando-a quase coberta pela fumaça dos incêndios nos pastos, estrebarias e manjedouras; a um canto do edifício, alguns prisioneiros, a maioria de pretos idosos, já reunidos em grupo, esperam apreensivos. O coronel deteve seu cavalo à frente da sede a contemplar o sucesso da empreitada. Subitamente, do seu interior, surgiu um homem encanecido, de garrucha e peito aberto se postando na sua frente e, apontando a arma ao comandante, ordenou raivoso:
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domingo, 2 de agosto de 2009

Por Ed Santos

Um objeto que nunca está no nosso alcance e que a gente nunca leva porque sempre esquece em algum lugar foi o responsável pelo início da amizade entre o Amadeu e o Carlos. Os dois trabalhavam na mesma empresa em Guarulhos e só se viam de passagem ou no intervalo do almoço, ou quando o Amadeu ia comprar cigarros e doces com o Sombra, um cara que trabalhava com o Carlos na fundição e que tinha de tudo pra vender no seu armário. Era com ele que o pessoal se abastecia. Lá se podia comprar desde cadeado, até graxa para dar aquela lustrada na botina com biqueira de aço.
A empresa estava instalada num terreno grande, num espaço onde deveriam caber uns dez campos de futebol ou mais, sem exageros. Ficava no final de uma rua sem saída, de terra batida, longa, e que recebia diariamente uma grande quantidade de ônibus fretados das empresas daquele pedaço. Isso tudo e a falta de manutenção geravam dois problemas: no tempo seco, um temido e avermelhado pó que impregnava a pele e os pulmões; quando chovia, um lamaçal digno do pantanal matogrossense. Talvez por esse motivo que as empresas ofereciam transporte coletivo para os funcionários.
Num dia chuvoso, o último de um período de cinco dias de chuva ininterrupta, o ônibus do Amadeu não passou no horário e o obrigou a tomar uma condução. No momento de descer do coletivo encontrou o colega, mas ainda não amigo, Carlos:
- E aí, muita chuva?
- Pois é. Logo hoje, além de perder a hora esqueci o guarda-chuva!
- Quer uma carona?
- Valeu.
O caminho foi longo. Além de molhados, os dois tiveram que desviar de inúmeros buracos e enfrentar o lamaçal e a fúria dos carros que lhes jogavam água a todo momento.
Chegaram os dois irreconhecíveis no vestiário. Banho tomado, uniforme vestido. Vamos pra lida! Durante o dia o Amadeu foi comprar cigarros com o Sombra lá na fundição e viu que ele tinha guarda-chuvas pra vender. Comprou um, pediu pro Sombra “pendurar” até o vale e foi encontrar o Carlos na sua bancada:
- Pra você!
- Por quê?
- Pra você usar, ué!
- Não quer mais me dar carona no seu?
- Não é isso. É que vou embora mais cedo e talvez você precise.
- Acho que ganhei um guarda-chuva e você ganhou um amigo! Quer um cigarro?
- Não. Já comprei no Sombra.
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sábado, 1 de agosto de 2009

Gustavo do Carmo

Crédito da Foto: j.DavidF. : http://br.olhares.com/garrafa_na_areia_foto525744.html



Caminhava pela orla de Copacabana. Tinha acabado de encontrar a mulher na cama com o seu melhor amigo. Foi espairecer a decepção na praia. Não sabia o que iria fazer sem a esposa que tanto amava.

Caminhava pela areia vazia em direção ao mar. Fazia frio e ninguém se arriscava a curtir uma praia. Tropeçou em uma garrafa. Não uma garrafa comum. De cerveja ou de refrigerante. Uma garrafa de licor. Um licor bem chique, pela aparência. De vidro verde. Cravejada de figuras em alto relevo e alguns brilhantes. Gorda em sua base, que se afinava até o gargalo. Uma rolha de couro a tampava.

Não acreditava mais em contos de fada e muito menos em gênio da garrafa. Só queria pensar em recomeçar a vida após a traição. Largou o recipiente e continuou o seu caminho para o mar. Quem o observasse acharia até que ele tentaria se afogar. Não pensava nisso. Só pensava na traição da mulher com o seu melhor amigo.

E se a garrafa fosse uma peça rara do século XVI? E se nessa garrafa, Estácio de Sá tomou algum licor? Correu para a areia novamente e pegou de volta a garrafa verde. Pensou em procurar um antiquário e vendê-la. Poderia ganhar muito dinheiro com isso. Dinheiro suficiente para ficar muito rico. Comprar todas as mulheres que desejasse. Montar um harém.

Estava sonhando demais. Foi mais realista e achou que a garrafa poderia valer, ao menos, um dinheiro para pagar um apart-hotel onde passaria a morar.

Saiu da areia. Subiu ao calçadão. Parou. Olhou para a garrafa. Viu que estava embaçada. Poderiam ser cinzas de alguém. A garrafa, na verdade, seria uma urna mortuária. Quase jogou a garrafa longe. Desistiu quando imaginou que poderia ser um gás raro. Também poderia ser um vírus que se espalharia pelo ar e contaminaria toda a cidade com uma doença mortal. Ia jogar fora novamente. Mudou de idéia mais uma vez. Poderia vender a garrafa com a recomendação ao dono do antiquário de que não abrisse nunca.

A curiosidade foi mais forte e num gesto movido pela ambição, ansiedade e desejo de reencontrar outra mulher, puxou a rolha de couro da garrafa. O céu azul ficou roxo. Os sons dos carros passando pela Avenida Atlântica, das pessoas conversando e das ondas do mar foram substituídos por uma explosão seguida por um zumbido constante que parecia nunca terminar. Uma fumaça verde tomou conta da praia por uns cinco minutos. Depois disso, se dissipou, o zumbido sumiu, o céu voltou a ficar azul e o som ambiente voltou.

Assustado, procurou pela rolha de couro e não a achou. Levantou do banco e decidiu ir embora. Uma voz feminina lhe perguntou:

— O que deseja?

Voltou e viu uma bela loura vestida de odalisca, seios grandes e naturais, quase pulando do sutiã minúsculo.

— Quem é você?

— Sou o que você está pensando.

— Sem brincadeiras, tá? Já sou grande demais para acreditar em gênio da garrafa.

— Pois sou isso mesmo.

— Fala sério. Acabei ver a minha esposa na cama com o meu melhor amigo. Já disse que não tenho mais vontade para brincadeiras. Diga quem você é ou suma da minha frente!

— Sou o gênio da garrafa.

— Está bem. Vou fingir que acredito. Você vai me dizer agora que eu te salvei de uma maldição de uns dez séculos e, como prêmio, tenho direito a três desejos. Ironiza.

— Você é um bom adivinhador. Poderia ganhar muito dinheiro na loteria. Só errou na quantidade de desejos. Posso realizar cinco.

— Então tá. O meu desejo é mais simples. Posso te levar pra cama? Mas tem que ser em um hotel porque eu não tenho para onde ir.

— Não. Este desejo eu não posso te conceder. Agora só tem quatro.

— Posso ficar bem rico? Eu trabalho em um banco aqui no bairro, aturo um gerente muito chato, que não está satisfeito com nada que eu faço e me humilha na frente dos clientes. Quero me livrar dele.

— Desejos concedidos.

— Como estão concedidos? Não senti nada.

— Daqui a pouco você dá uma passadinha no banco e confere o seu extrato. Próximo desejo?

— Eu sou apaixonado por uma atriz da novela das oito. Tenho sonhos eróticos com ela o tempo todo. Transava com a minha ex-mulher pensando nela. Ela tem o mesmo corpo que o seu. Acho até que os seios são maiores do que os seus. Só que ela é morena. E nunca mostrou o seu corpo. Quero vê-la nua na minha frente.

— Concedido.

A bela atriz aparece como veio ao mundo. Como foi imaginada pelo homem que achou a garrafa. Seios maiores que os do gênio, auréolas grandes e rosadas. Farta vegetação na virilha.

— Posso transar com ela agora?

— Claro. Como já realizei todos os seus desejos, preciso ir embora. Adeus.

A moça da garrafa sumiu. A garrafa verde também sumiu. Um ano depois, o homem foi condenado por vários crimes de uma só vez. Mandante do assassinato do gerente do banco e do assalto a um carro forte, além de desvio de dinheiro, seqüestro, estupro, atentado ao pudor e constrangimento ilegal.

No presídio superlotado, arrependeu-se de ter feito todos esses pedidos e de ter desperdiçado o que poderia ter lhe salvado das acusações. O de realizar todos os seus desejos proibidos e sair impune.
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