domingo, 24 de maio de 2009

AS HISTÓRIAS DO AMADEU - BARBA

Por Ed Santos


Uma das coisas que eu não faço questão nenhuma de fazer é fazer a barba. Quando a gente tem lá uns treze, quatorze anos, não vê a hora de tirar aqueles pelos que incomodam tanto. Como se não bastasse as espinhas e os cravos no rosto, a gente ainda tem que conviver com uns pelos na cara. Muito chato.

Lembro de quando eu era moleque. Naquele tempo eu e o Carlos estudávamos no Senai. Só garotos da mesma faixa etária, entre 13 e 16 anos. No prédio em que eu estudava éramos bem uns 600. Isso já tem muito tempo, foi um pouco antes de eu conhecer a Marilda. Eu estudava no SENAI e logo depois de formado entrei na mesma empresa que ela trabalhava.

Eu tinha uma vontade enorme de ter meu próprio aparelho de barbear. Tinha a mania de ficar olhando meu pai fazer a barba dele naquele ritual de colocar aquela lâmina com corte nos dois lados num aparelho, devidamente acomodada e fixada para depois deslizar sobre aquela espuma em seu rosto. Meu pai fazia a barba quase todo dia e eu ficava só observando e pensando em como seria a primeira vez que eu iria utilizar aquele aparato. Já tinha uns pelos espalhados pelo rosto, mas meu pai dizia que eu só deveria fazer a barba quando os pelos do bigode começarem a ficar sobre o lábio superior. Então esperei. Esperei até a hora certa. Certo dia meu pai chegou do trabalho e disse:

- Amadeu! Hora de fazer a barba!

Sacou de um aparelho descartável e pediu pra que eu lavasse bem o rosto e espalhasse a espuma deixando o excesso. Então me deu o aparelho.

- Vai. Começa pela costeleta e vai descendo até o queixo. Cuidado pra não se machucar. Não precisa apertar que a lâmina faz o serviço. Tá novinha.

Quando menos eu esperei tava lá eu com o rosto lisinho feito bunda de neném Mas todo orgulhoso. Tinha feito a barba pela primeira vez. Apesar do orgulho, achei que fiquei esquisito, afinal, aquele bigodinho que foi mantido por muito tempo havia sumido, e depois como seria conviver sem ele e com as pessoas olhando pra mim e me  achando esquisito. Fiquei numa dúvida cruel, não sabia se tinha gostado ou não de fazer a barba pela primeira vez. O pior é que eu não sabia que teria que conviver com isso pelo resto da vida. A não ser que eu optasse por não fazer a barba. Já pensou o tamanho?

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