sábado, 6 de setembro de 2008

UMA CENSURA POSSÍVEL?

Por Gustavo do Carmo


Um dia, um amigo reclamou comigo que eu divulguei a peça Os Produtores, com o Miguel Falabella, como a Dica da Segunda do Tudo Cultural. Ele disse que o meu blog deveria ser mais alternativo, mais underground. Achou que eu dei cartaz demais para um evento que já era amplamente divulgado pela mídia.

Como todo bom ouvidor, concordei e respeitei a sua opinião, como todo leitor merece, reservando-lhe o direito de sugerir e reclamar. Entretanto, eu divulgo livros, filmes, eventos e cursos que eu gosto e quero compartilhar com os meus leitores. Mas estou aberto a sugestões de qualquer visitante. Basta me pedir. Inclusive desse amigo, a quem esclareci esta posição.

Pois bem. Meses depois esse amigo me enviou, por e-mail, um recorte escaneado em jpeg do Jornal do Commercio. Um breve clipping com uma reportagem na imprensa sobre o filme roteirizado e dirigido por ele - estrelado por uma famosa atriz que ultimamente tem feito muitos papéis coadjuvantes - que está para ser lançado no circuito.

Logo me ofereci para divulgar o filme no meu blog, como a Dica da Segunda(-feira). Respondi ao e-mail pedindo o cartaz oficial do filme, a sinopse, ficha técnica com o elenco e duração. Se possível algum depoimento da atriz e do diretor que eu achava ser meu amigo. Me propus até a entrevistá-los. Pedi isso tudo por e-mail. Ele gastaria apenas alguns quilobytes da caixa de itens enviados e algum tempo para procurar. Não pedi ingresso vip para a família inteira, não pedi presente, brindes e nem mordomia nenhuma.

Eis que ele me respondeu que o contrato com a produtora ou distribuidora o impedia de me enviar o release. Disse que o meu blog não tinha o perfil para divulgação. Mas eu não queria patrocínio. Não ia cobrar nada de dinheiro. Queria apenas divulgar voluntariamente o trabalho de um amigo. Apenas pedi que ele me ajudasse a divulgar o Tudo Cultural, sem obrigação nenhuma. Respondi educadamente tudo isso para ele, achando estar desfazendo um mal-entendido de que talvez eu quisesse anunciar o filme como publicidade.

Assim que chegou setembro, data prevista para a pré-estréia ou o próprio lançamento, refiz a solicitação. Ele repetiu as supostas justificativas contratuais e ainda as requintou com o argumento de que rejeitaram uma entrevista para o jornal O Dia porque não era do público deles. Além disso, disse que o Tudo Cultural foi vetado por causa do baixo número de hits (acessos). Tudo bem. Não desminto nenhuma informação. Só fiquei com uma dúvida.

Eu querendo divulgar o filme, com toda a boa vontade, sem exigir nenhuma remuneração financeira, sou proibido? O meu blog vai denegrir a imagem do filme? Eu queria apenas dar a sinopse da produção e ilustrar com o cartaz. Não ia fazer nenhuma crítica.

Será que se eu pesquisasse, colocasse o cartaz e escrevesse com as minhas próprias palavras e os devidos créditos à divulgação eu seria processado?

Seria se eu disponibilizasse um vídeo com a íntegra do filme, copiasse os depoimentos e não desse crédito nenhum ou desse a mim mesmo, e inventasse uma entrevista fictícia. Mas não. Queria apenas divulgar o filme, ajudando um amigo, ou melhor, um ex-amigo. E ele me negou informações.

Queria porque não quero mais. Ele e sua produtora ou distribuidora que fiquem com a arrogância dos veículos de comunicação de primeira linha. Só não venham depois culpar o alto preço dos ingressos, a ditadura de Hollywood, a falta de incentivo do governo e da iniciativa privada, a falta de interesse e cultura do público, etecetera e etecetera se o filme não durar uma semana em cartaz.

Eles não são obrigados a me conceder entrevista e nem mesmo a me enviar o material. Mas me senti ofendido, traído, humilhado, discriminado, censurado e boicotado por um falastrão que se fez de amigo. Depois vem reclamar na divulgação que enfrentou dificuldades para captar recursos para a produção. Seu filme intelectual de esquerda, com uma atriz que deve ter atuado por pena, favor ou em troca de um cachê parcelado em vinte vezes, me mostrou, só na divulgação, que além do sonho por Cuba, a censura e a discriminação também são possíveis.

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