domingo, 22 de junho de 2008

VIDA CORPORATIVA

Por Ed Santos

Existe coisa mais chata que uma reunião de negócios com o chefe? Daquelas em que devem ser apresentados todos os números, se as metas foram cumpridas e tudo o mais? Acho que o pior mesmo é o dia que antecede a reunião. Você tem que preparar a pauta, correr atrás de um monte de coisa. É um saco! E quando a reunião é numa terça-feira? Piorou, porque você tem que preparar tudo na segunda-feira, e cá pra nós, segunda-feira por si só também já é um saco!
Lembro, que depois das festas de final de ano e do carnaval, meu chefe enviou um e-mail convocando para a primeira reunião do ano. Era pra apresentar todos os números do ano passado. Ele queria saber se tínhamos atingido as metas anuais de vendas de todos os produtos da empresa, e adivinha pra quando foi marcada a reunião? Se você chutou terça-feira, acertou! Pra ser mais preciso, ele marcou pro dia 12 de fevereiro de 2008, a primeira terça-feira útil pós-carnaval.
O e-mail foi enviado na quinta, dia 31 de janeiro às sete da noite. Não havia mais ninguém no escritório. Na sexta, dia primeiro, o pessoal só foi ler as mensagens depois das dez, e só deram atenção aos textos relacionados à festa de Momo e aos convites para os bailes mil que entupiam as caixas-postais.
Nos dias de ressaca, ou seja, quarta-feira de cinzas, quinta e sexta, muita gente não foi trabalhar. Alguns emendaram, outros ligaram avisando que não conseguiram subir a serra e desligaram antes de terminar a ligação e os mais expertos já haviam agendado alguma visita com um cliente qualquer. Só o bobão aqui que pegou no batente. E o motoboy.
No escritório deserto, pude ligar a tv da recepção e deixá-la no volume máximo, desfilei de meias pelos corredores e travei uma batalha terrível com o computador numa partida de paciência que teimava em não terminar. No relógio já passam das três e meia: “Tchau Robocop!”, me despedi do motoboy, que tinha esse apelido por causa das várias peças de platina que tinha pelo corpo.
Na segunda-feira, já dia 11, fomos oficialmente avisados da reunião e saímos feito loucos à procura de números e dados. A apresentação precisaria ter alguns gráficos e o relatório deveria estar perfeito. Sai do escritório as oito, mas com a sensação de missão cumprida, e de que teria um ano cheio de trabalho pela frente.

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