segunda-feira, 30 de junho de 2008

DICA DA SEGUNDA - HISTÓRIAS DA MANCHETE E TUPI

Por Gustavo do Carmo

No Rio de Janeiro, uma sucedeu a outra no canal 6, hoje ocupado pela Rede TV!. Mas foi da Imprensa Oficial de São Paulo a iniciativa de editar em livro a trajetória dessas duas saudosas emissoras que fizeram história na televisão brasileira.

A Manchete nasceu em 1983 e morreu há nove anos. De propriedade de Adolpho Bloch, marcou época com o seu jornalismo independente e sua dramaturgia de qualidade. As minisséries Marquesa de Santos e Dona Beija, sem falar da novela Pantanal, hoje reprisada com os mesmos sucesso e polêmica no SBT, foram os seus ícones.


Sua antecessora no Canal 6, a Tupi de Assis Chateaubriand não se destacou na dramaturgia. Ela inventou a teledramaturgia, principalmente o conceito de telenovela com Sua Vida me Pertence (de 1951) e produziu outras como Beto Rockfeller, Éramos Seis, Mulheres de Areia e A Viagem (a segunda, regravada pelo SBT e as duas últimas pela Globo nos anos 90), além de seriados como O Vigilante Rodoviário e Sítio do Picapau Amarelo. Também foi referência no jornalismo com o Repórter Esso. O outro pioneirismo foi exatamente ser a primeira emissora de televisão do Brasil. Em São Paulo, inaugurou o meio de comunicação mais importante do país em setembro de 1950. No Rio, chegou no ano seguinte, sediada no prédio do antigo Cassino da Urca.

O livro Tupi: Uma Linda História de Amor, é assinado pela atriz Vida Alves, protagonista do primeiro beijo na boca da telenovela brasileira (com Walther Forster em Sua Vida me Pertence) e hoje presidente do instituto Pró-TV.

"Começo aqui um momento gostoso de minha vida. Vou passar para o papel, com todo o meu amor, a história da implantação da televisão no Brasil. E isso é importante para mim e também para você que me lê. Por quê? Respondo com segurança: Porque nem eu nem você sabemos viver sem televisão e temos curiosidade sobre ela... ... Quem, como eu, carrega dentro de si essa história quase desde o começo da carreira profissional, ao colocá-la para fora o faz com sofreguidão, com entusiasmo. Aliás, para mim, que nos últimos 12 anos só faço tentar registrar a memória da televisão, como presidente da Pró-TV, falar e escrever sobre isso não é apenas dever. É missão. É prazer. É amor." ela diz no texto de divulgação.

Já o Rede Manchete: Aconteceu, Virou História foi escrito por Elmo Francfort, radialista, pesquisador, responsável pelo site Museu da Tv - http://www.museudatv.com.br/ e assessor da Presidência da Pró-TV. Ele diz na divulgação: "A Manchete deixou bem claro na história da televisão que aqui esteve para se transformar em uma grife de televisão de qualidade, de credibilidade, profissionalismo, capricho, criatividade e ousadia. Esteve na busca eterna de seus ideais, na superação dos limites e também acabou abusando, como poderão ver neste livro. Promoveu a cultura e o debate em suas coberturas, mas passou da mais tecnológica emissora do país à que precisava mais urgentemente da renovação dos seus equipamentos. Foi um cometa que passou pela história."

Ambos os livros fazem parte da Coleção Aplauso (já famosa por biografar grandes atores) da Livraria da Imprensa Oficial SP. Pode ser comprado por 30 reais em qualquer livraria e é a Dica da Segunda desta semana.

Mais informações: http://livraria.imprensaoficial.com.br/

Observação: Em São Paulo, a Manchete era transmitida no Canal 9, que foi originalmente concedido à TV Excelsior, que aqui no Rio pegava no 11. Esta concessão, por sua vez, foi vendida para Sílvio Santos montar a TVS. Para criar o SBT na sua cidade adotiva e lá radicar a matriz de sua emissora, o empresário carioca obteve como concessão o Canal 4, que era da Tupi. Este canal originalmente era o 3, mas como havia interferência técnica do 2 da Cultura, foi autorizada a mudança em 1960.

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