terça-feira, 30 de junho de 2015

TEXTO : WEVERTON GALEASE

Imagem retirada de partiubrincar.wordpress.com

Um catálogo de produtos encartado em um jornal ou uma visita a uma loja de brinquedos podem levar pais a uma espantosa constatação: brincar nunca foi tão caro.
É impressionante o preço médio dos produtos e como os mesmos somente se mostram acessíveis à maioria da população graças ao artifício do pagamento parcelado. Brinquedos fabricados em produção seriada, permitindo-lhe uma drástica redução dos custos, porém com valores literalmente exorbitantes e até injustificáveis.
O pior é que as crianças são bombardeadas diariamente, em especial através da televisão, por meio dos diversos canais infantis disponíveis, com campanhas publicitárias envolventes que despertam nos pequenos dois sentimentos quase incontroláveis: o desejo, consciente e ligado ao objeto, e o impulso, inconsciente e associado a uma representação mental.
Como resultado disso, os adultos sentem-se cerceados, de modo que o máximo que conseguem é impor limites, ensinando seus filhos a fazerem escolhas, a partir do argumento de que não se pode ter tudo o que se deseja. Mas há outras lições e reflexões possíveis…
Mas diga-me quando foi que viu mais recentemente uma criança jogando futebol com os colegas, empinando pipa, brincando de esconde-esconde, bolinha de gude, queimada ou pega-pega? 
Hoje vivemos encastelados em edifícios ou condomínios, porém isolados, pouco compartilhando com aqueles que moram no entorno. Nossas agendas densas e o tempo cada vez mais curto, fazem-nos terceirizar o lazer. Assim, os jovens vivem aficionados a equipamentos eletrônicos, hipnotizados por seus videogames, tablets e smartphones, enquanto os mais novos são entregues a uma miríade de brinquedos temáticos que proporcionam prazer de curto prazo. O brincar, tão essencial à formação psicossocial e motora, tornou-se sinônimo de consumismo.
Mais do que rememorar brincadeiras do passado, precisamos resgatar a simplicidade imanente à natureza infantil. Crianças divertem-se com desenhos feitos com papel e lápis, com pequenas obras de arte feitas a partir de materiais recicláveis, com histórias contadas ao pé do ouvido. Em última instância, tudo o que querem é companhia, carinho, afeto e atenção. Tudo isso não nos custa nada, sendo o que efetivamente pode entreter, ensinar e edificar valores para toda a vida.
Se não mais, estamos criando crianças robôs...
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segunda-feira, 29 de junho de 2015



Crônica de Gustavo do Carmo

Você coloca um ponto final no seu sonhado romance e... aí depende. Se você for famoso ou amigo íntimo, parente ou cônjugue de algum editor de editora, a obra já estará nas livrarias em no máximo um mês. Mas se for um mero desconhecido e estiver querendo publicar o seu primeiro livro vai ter que esperar muito mais tempo... para ter uma resposta. E provavelmente negativa.
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sábado, 27 de junho de 2015

TEXTO E FOTO DA CAPA: GUSTAVO DO CARMO 


No final de 2013, li no caderno Prosa e Verso do jornal O Globo uma matéria sobre o livro Parc' Royal - Um Magazine na Belle Epoque Carioca, de Marissa Gorberg, editado pela G. Ermakoff. Já em janeiro do ano seguinte, "me dei" o livro como presente de Natal atrasado. 

O título conta a história do Au Magazin Parc' Royal, uma ampla loja de departamentos administrada pelo imigrante português José Vasco Ramalho Ortigão, filho do escritor José Duarte Ramalho Ortigão, que funcionou no Centro do Rio de Janeiro entre os anos de 1873 e 1943, quando foi extinta por causa de um incêndio. 
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sexta-feira, 26 de junho de 2015

Por dudu oliva




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segunda-feira, 22 de junho de 2015


Getty Images


Conto de Gustavo do Carmo

Entrou triunfante na igreja. Realizava o seu sonho de infância: se casar vestida de branco, de noiva. O futuro marido era idealmente bondoso, bonito e rico. A música não estava escolhida. Era uma surpresa que o noivo faria.

Blush, sombra e pancake se misturaram às lágrimas do seu rosto provocadas não pela emoção do acontecimento tão sonhado. E sim a decepção de ver a igreja silenciosa e vazia.
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domingo, 21 de junho de 2015

                      COMEÇOU (13:38 - 21 DE JUNHO) OFICIALMENTE O INVERNO 2015
                                                      
 POR WEVERTON GALEASE : Não se trata de um 'Roteiro do Vinho', mas preparei algo especial para os leitores do 'Tudo Cultural', vamos celebrar a estação mais charmosa do ano! O inverno!

  Com a chegada do inverno apreciamos pratos 'típicos' mais quentes, como fondues, sopas, risotos...
  Mas para caprichar no clima, um bom vinho é necessário para acompanharmos nas refeições.
  Aqui vos deixo dicas destes pratos com o acompanhamento do vinho!



 Clássico Fondue de queijo – O Fondue é um prato originário da Suíça que geralmente mistura queijos derretidos gruyère e emmental. Ele deve ser harmonizado com um vinho branco da uva Chardonnay, que é mais leve com um sabor que não se contrapõe ao gosto marcante do queijo
 Fondue de Chocolate – Para esta versão de fondue o ideal é que seja servido com um licor de sabor doce e intenso.
 Sopas em geral – Sopas são bem harmonizadas com vinho tinto leve, de sabor fresco e frutado
 Cassoulet de feijão branco – Por ser um prato muito encorpado e “macio” ele pede combinações que tenham a uva Merlot, também encorpada que nos remete a uma sensação mais aveludada no paladar.
 Joelho de Porco – Por se tratar de um prato um pouco mais gorduroso a harmonização pede um toque refrescante que encontramos no vinho branco das uvas Sauvignon Blanc (acidez) e Viognier (corpo), de preferência os de guarda que passaram por barris de carvalho na elaboração e possuem um toque “defumado”.
 Puchero –Este prato muito apreciado na Europa é a versão espanhola do cozido português. Por ser um prato feito com carne suína, grão de bico, feijão branco, batata etc, ele pede um vinho com textura média a encorpado, preferencialmente feito com uvas Cabernet Sauvignon.
 Polenta com ragu de cordeiro – Para este prato o ideal é que seja servido com vinhos feitos da uva Merlot, pois são frutados, “macios” sem perder o sabor e presença para acompanhar o ragu.
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TEXTO: GUSTAVO DO CARMO
MONTAGEM COM FOTOS DE DIVULGAÇÃO DA SAMSUNG E DA ÚNICA EDITORA


Desde o dia 19 de maio estou lendo A Teoria de Tudo, biografia do físico britânico Stephen Hawking, escrita pela sua ex-mulher Jane Hawking e publicada no Brasil pela Única Edirora. O livro foi adaptado para o cinema e indicado ao Oscar este ano nas categorias filme, atriz (Felicity Jones), roteiro adaptado, trilha sonora e ator (Eddie Redmayne), mas só ganhou com este último. Mais detalhes da sinopse veja aqui

O Google Play foi bem generoso com a sua amostra da versão eletrônica: liberou quatorze capítulos, que integram a primeira parte. Eu estou no oitavo capítulo e na página 94. Até agora ainda não precisei comprar o final do livro. 
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sexta-feira, 19 de junho de 2015


Por dudu oliva

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quinta-feira, 18 de junho de 2015




João Paulo Mesquita Simões


É nestas feiras de rua, as chamadas feiras das velharias, que encontramos peças filatélicas valiosíssimas. 
Embora o filme não nos mostre, recorro muitas vezes a estas feiras em busca "daquele" selo.
Quem vende, geralmente são pessoas já com alguma idade, filatelistas eles também, e que levam alguns álbuns para estas feiras.
Esta é de Coimbra. Muitas mais há espalhadas pelo país e, geralmente, ou no primeiro ou último fim de semana de cada mês, realizam-se numa praça, numa rua, onde os transeuntes desfilam, comprando aquilo que mais apreciam.
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terça-feira, 16 de junho de 2015

Por Weverton Galease

Beirando os 70 anos, a cantora diz não sentir essa idade, mas também, respirando músicas durante 50 anos, fazem com que ela seja levemente 'madura'.

Comemorando os 50 anos de carreira, Gal Costa ainda aposta em novas letras, lançou recentemente o álbum 'Estratosférica'. Considerado por ela uma ruptura desde o último álbum lançado, 'Recanto'.

Uma das principais vozes femininas da música brasileira, fugiu do clichê e do lugar comum, saindo de uma zona de conforto na MPB, apostando no novo e diferente.

Gal Costa abre o recente álbum com o rock 'Sem medo Nem esperança' , escrito para ela pelo poeta Antonio Cícero e musicado por Arthur Nogueira.

Gal pediu aos produtores Kassin e Moreno Veloso, para que enlouquecessem nos arranjos das canções e não fossem 'caretas', passando longe do tradicional. Se tornando uma mistura de MPB, rock e pop, deixando para trás rótulos tradicionais. As 15 letras para este disco saíram de um grupo de 150 letras. Certo é, que Gal Costa está mirando e fisgando o público mais jovem.

Figura feminina importante e libertária em um momento em que o país passava por um dos períodos mais duros com o regime militar, Gal Costa não se considera militante de algum movimento, no entanto acredita que faz política através de sua arte, ao levar felicidade musical às pessoas.

O site da cantora apresenta um resumo deste projeto galcosta.com.br

'Sua relação com a TV...ou melhor, com a TV Globo'

Gal Costa esteve no 'Fantástico' à 40 anos atrás, para apresentar um de seus maiores sucessos, 'Baby', em 1975, ao lado dos consagrados Caetano Veloso e Gilberto Gil. A cantora já esteve diversas vezes nos estúdios, para gravar os antológicos clipes do programa, chegando a passar dez horas de gravações em um único dia. Agora, volta ao programa para comemorar e apresentar seu novo trabalho, como já citado acima, um projeto diferente, mas que conta com o charme da MPB, com músicas de autoria de Caetano Veloso, Criolo, Milton Nascimento, Marisa Monte, Arnaldo Antunes, Tom Zé, entre outros.

                                            GAL COSTA (BABY - FANTÁSTICO 1978)

GAL COSTA, EM CLIPE PARA O FANTÁSTICO (NADA MAIS, 1985)



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segunda-feira, 15 de junho de 2015


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Conto de Gustavo do Carmo



Em um sebo imundo e escuro na Praça Tiradentes, cercado por revistas antigas e empoeiradas, Evair agachou-se muito de mau jeito para folhear as raridades que estavam ao pé da estante, praticamente no chão. Tinha que encontrar, entre duas pilhas de quase um metro de publicações com mais de quarenta anos, reportagens ou anúncios sobre uma loja de eletrodomésticos existente na época, já extinta atualmente.

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sexta-feira, 12 de junho de 2015

Por dudu Oliva


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quinta-feira, 11 de junho de 2015

João Paulo Mesquita Simões






Os dinossauros são, de entre os organismos extintos, aqueles que pelo seu porte, enormes dimensões e


características muito singulares, mais inflamam a curiosidade dos paleontólogos e de outros cientistas, bem como do público em geral. Os achados fósseis portugueses do Jurássico são de uma enorme importância científica, revelando uma riqueza e diversidade ímpares de diferentes espécies de dinossauros (entre herbívoros e carnívoros), comparativamente à maioria dos países europeus. A seleção proposta pelo biólogo e ilustrador científico Fernando Correia, centrada nos grandes predadores jurássicos cujas evidências fósseis foram encontradas em Portugal, não só se mostra adequada, como foi figurada com pormenor, fidelidade, rigor e clareza, no que à atualidade científica se refere. A sua figuração anatómica ilustrada, como hipótese gráfica reconstitutiva de cada espécie, não só é cientificamente correta (com valor documental), como esteticamente apelativa e impactante. Esta emissão filatélica é uma excelente forma de divulgação internacional da ciência e arte científica lusas, projectando com qualidade o nome dos CTT, bem como o da paleontologia e da ilustração paleontológica que se fazem em Portugal.


Torvosaurus (148-153 m.a)

O Torvosaurus é o maior predador terrestre conhecido que alguma vez viveu em Portugal e, na verdade, em toda a Europa. Este predador teria um crânio com mais de um metro, 5 vezes mais que o crânio de um humano. O Torvosaurus pesaria 4 a 5 toneladas, ou seja, cerca de 10 vezes mais que um touro de grande porte. Este dinossauro gigantesto alimentar-se-ia provavelmente dos grandes herbívoros que existiam no Jurássico superior de Portugal: o Estegossauro Miragaia ou dinossauros ornitópodes. Apesar do tamanho colossal conhecem-se também os seus embriões, raríssimos achados que podem ser vistos no Museu da Lourinhã. Os embriões de Torvosaurus são os embriões do dinossauro carnívoro mais primitivo que se conhece.


Ceratosaurus (148-153 m.a)

O Ceratosaurus foi um dinossauro predador de grande porte que existiu em Portugal e nos Estados Unidos há cerca de 150 milhões de anos, no Jurássico Superior. O Ceratosaurus teria cerca de 5 a 7 metros e provavelmente alimentava- se de grandes dinossauros herbívoros ou mesmo de fauna ripícola (como crocodilos que aqui também viveram). Não se conhece nenhum elemento do crânio em Portugal, mas a anatomia de vários elementos dos membros são muito semelhantes aos conhecidos na América do Norte, daí que se pense pertencerem ao mesmo género. Os espécimes da América do Norte têm uma bossa na parte dorsal do crânio fazendo este género facilmente reconhecível.


Allosaurus (150-155 m.a)

O Allosaurus é um dos grandes predadores mais conhecido em Portugal. Conhece-se o crânio, dentes, vértebras e muitos outros elementos do seu esqueleto. Mais uma vez, também se conhecem esqueletos de Allosaurus na América do Norte; porquê? Pensa-se que havia uma grande proximidade geográfica com as zonas mais a Oeste da Europa (ou seja, na Ibéria) e o continente Americano. Por esta altura, o grande continente Pangeia ainda se estava a fragmentar. Por outro lado, existem algumas diferenças anatómicas entre os Allosaurus americanos e os portugueses. Este facto leva os paleontólogos a pensar que, ou na altura a ilha Ibéria se tinha separado da América do Norte há pouco tempo (geológicamente falando), ou a América do Norte ainda estava colada à Ibéria mas os estratos geológicos são de alturas ligeiramente diferentes nos dois países.
Ricardo Araújo



Dados Técnicos

Emissão  - 2015 / 05 / 04
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Fernando Correia
Agradecimentos
Ricardo Araújo
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etiquetas  - 55 x 30 mm
Impressão  - offset
Impressor - Litho Formas
Bilhetes Postais
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Sobrescritos de 1.º dia / FDC
DL – €0,56
Pagela  - €0,70



In: www.ctt.pt


Nas imagens, temos a série de etiquetas e respetivos blocos.
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terça-feira, 9 de junho de 2015

Conto de Weverton Galease


 Sentado em um trem, numa viagem turística, Carminito ao lado da janela, em um desses vagões onde dois passageiros viajam em poltronas 'enfrentadas', estão separados apenas por uma pequena mesa, avista um homem grande, rosado, chegando e ocupando aquele espaço à sua frente.

 Carminito tranquilo, pensava que não apareceria mais ninguém para ocupar as outras poltronas, seria uma viagem sonolenta. No entanto, a poucos segundos da máquina iniciar os trabalhos para a viagem, vai chegando um casal, que não tinham mais que trinta anos. Ele é alto e muito magro, tem o cabelo caracolado, e usa um par de óculos com armação grossa, que não se encaixam muito bem ao seu fino rosto. Ela, muito branca, chega ali abraçada a um ramalhete de rosas vermelhas, usando um casaco marfim, seu cabelo marrom escuro combinava em um contraste com sua pele.
  
 De mãos dadas, a mulher mantinha firmemente um sorriso perpétuo, e de vez em quando, jogava palavras ao ar. Carminito não chegou a se importar com a mulher falando alto, com seu par, e passou a prestar atenção no que ocorria, a mulher falava sem olhar para os lados, sentada à frente de seu namorado, parecia direcionar seus olhos para cima dos olhos de seu acompanhante, foi aí que Carminito aprofundou mais sua percepção aos belos olhos azuis da mulher, notou uma enorme ilha preta naquele olhar. 

  Carminito então cutuca o homem à sua frente, dizendo-lhe :
- Você percebeu isso? Nota-te, o ramalhete, com espinhos cortados, pétalas da mais macia textura, que sorte a dessa linda mulher, ter um companheiro que à conduz sem agressividade.
  O homem então olhou firme para Carminito, e replicou :
- Uma bela viagem, mas veja como se sente leve esta moça, veja, estamos aqui jogando conversa fora, carregados de uma semana estressante no trabalho, reparando-a, enquanto ela escuta o leve barulho da chuva, sente a maciez das pétalas de rosas, e firme na segurança em conversar com seu namorado, marcada pelo belo sorriso, direcionado à paisagem desta viagem, mesmo que não possa ver tudo isso. A vida é bonita em todos os sentidos!
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segunda-feira, 8 de junho de 2015



Microcontos de Gustavo do Carmo




Pipoqueiro
De tanto ser chamado de pipoqueiro pela torcida do seu time, o jogador de futebol pendurou as chuteiras e comprou uma carrocinha de pipoca. 


Fome de bola
Estava com fome de bola. Na miséria, o ex-jogador de futebol teve que se contentar com o resto de uma lasanha que achou no lixo. 

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sábado, 6 de junho de 2015


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sexta-feira, 5 de junho de 2015

Por dudu  oliva




Mais um mico celebre feito por mim!!! Ao invés de escrever cUrtidas, coloquei cOrtidas em um título de um vídeo que produzi!!!




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quinta-feira, 4 de junho de 2015

João Paulo Mesquita Simões


No próximo dia 8 de junho, data em que se assinalam os 75 anos do Portugal dos Pequenitos idealizado porBissaya Barreto, os CTT Correios de Portugal, lançam este carimbo comemorativo.


O Parque do Portugal dos Pequenitos, mostra Portugal Continental e Ultramarino, incluíndo Macau, Brasil e Timor, a uma escala pequena, ao tamanho da Criança.

Um parque temático localizado em Coimbra, um espaço lúdico, que conta a nossa História, com casas de todas as regiões de Portugal Continental e Ultramarino, museus, onde a Criança aprende a História do seu país e do que foram as ex-colónias portuguesas.
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quarta-feira, 3 de junho de 2015

UMA CANÇÃO CONTEMPORÂNEA DO EXÍLIO
Crônica de José Milton Castan Jr.*

Alex levanta a mão, mas o garçom não o vê.
            Volta-se para o seu celular.
            Levanta os olhos, e agora não encontra o garçom.
            Absorto no que lê pela tela do celular, sua atenção é requisitada pelos versos, ecoados no som ambiente do restaurante, da música de Jobim: Vou voltar, vou deitar à sombra de uma palmeira que já não há...
            Chama o garçom que passa ao seu lado, que não lhe atende. Julga-o incompetente.
            Tenta voltar aos versos que estava lendo no celular (Alex lia “Canção do Exílio” de Gonçalves Dias – um texto que tem inspirado vários poetas e escritores por diversas épocas), e que curiosamente tal qual a música, também falava de palmeiras e sabiás, mas não consegue. Seus olhos passam seguir perigosamente o garçom. Se pudesse pularia em seu pescoço..., e pula! Agarra o garçom com tanta força, que são necessários alguns minutos e três ou quatro clientes para livrarem o pobre garçom. Resultado: horas na delegacia.
            Alex seguia por tempos difíceis. Talvez as férias na próxima semana servissem para se recompor. Pensou viajar, mas detestava estar com muita gente. Possível que visitasse a mãe, e pela enésima vez postergou.
            Sozinho em seu apartamento teve uma ideia:
Iria se exilar!
Alex solteiro convicto e sempre excêntrico. Quase esquisito, se não. Entre suas esquisitices havia declarado que ao morrer queria que no caixão seus pés estivessem cruzados.
Colocou seu plano de exílio em ação. Usaria suas férias e um mês exilado. Iria pular para fora deste mundo!
Chamou um marceneiro, que sem entender cumpriu o pedido de Alex em abrir um buraco na porta de entrada do seu apartamento e prover uma portinhola onde passasse um marmitex. Contratou a entrega de 30 marmitex, um por dia. Deixou pago e com ordens para empurrarem o marmitex pela portinhola sempre ao meio dia e jamais baterem à porta. Pediu ao entregador que não falasse com ninguém na entrada do prédio, e que usasse o cartão de acesso para as entregas.
Informou à portaria do prédio que iria viajar durante o mês todo. As correspondências ele pegaria quando voltasse.
Pregou em todas as janelas madeirites, de forma que nenhuma luz pudesse entrar no apartamento.
Começou seu exílio numa sexta feira à noite desligando a chave geral do apartamento. Desligou o celular. Amanheceu no sábado resfriado. Sempre que saía de férias era assim.
Alex havia providenciado uma única vela para as emergências. Acendeu e procurou algum remédio. Não tinha. Resignou-se. Pela tarde ardia em febre. Passou a noite delirando. No domingo deitado no sofá da sala escutou a portinhola abrir. Havia comido nada. Sentia-se muito fraco. Seu projeto estava em perigo. A situação piorava. Porém na segunda feira pela manhã a febre ia cedendo. Buscou o marmitex; estava estragado. Esperou até o meio dia para poder comer pela primeira vez.
Os dias foram se passando e a única referência de tempo era a abertura da portinhola. Mais um pouco havia perdido completamente noção dos dias. Contou quantos marmitex já havia recebido. Faltavam ainda vinte. A escuridão do apartamento o incomodava. Sentiu medo e tristeza. Sentiu solidão como jamais havia sentido. Chorou como jamais havia chorado! Turbilhões de pensamentos invadiam sua mente e os dias se arrastavam. Teve tempo para repassar toda a sua infância. E de tanto pensar encontrou respostas para as perguntas que jamais havia feito.
Percebeu que já não entregavam mais marmitex. Finalizava seu exílio.
Antes de sair, acendeu o toco de vela e escreveu:
Canção do Exílio Contemporâneo
Não encontre-me à morte,
Meio só e sem valor;
Apartado de meu eu
Rareando na mesma dor.
...
Vivo agora falsamente,
Em tais máscaras filós.
É preciso compreender:
Ontem hoje, e sem nós.

            Alex em trapos: ele e suas roupas. Sai e vai até o restaurante. Precisa se desculpar com o garçom, e de longe o vê caminhando com dificuldade entre  mesas, meio atarantado. Alex assusta-se ao perceber o garçom bem mais velho que parecia no dia da briga. Culpa-se infinitamente. A dor da realidade o esmigalha: teria sido suficiente compreendê-lo como um senhor senil ao invés de julgá-lo como um garçom incompetente!

            Cruzam-se em olhares. Surpreende-se novamente: o garçom lhe sorri. Meio sem jeito retribui. Valeu o autoexílio!


*José Milton Castan Junior já trabalhou como engenheiro mecânico durante 33 anos, nos mais variados cargos de chefia à presidência. Teve a oportunidade de conhecer 22 países, ministrando inúmeras palestras.
Porém a partir de 2010, insatisfeito com os resultados do mercado corporativo, iniciou o curso de psicanálise, foram três anos na 'Sociedade Brasileira de Psicanálise Contemporânea', dois anos no 'Instituto Carlos Mussato' dentre outros...
Além de atender clinicamente como psicanalista e psicoterapeuta, Castan é também professor em Neuropsicanálise, tida como nova ciência que aproxima neurociência e psicanálise. Também é integrante do Grupo de Estudos de Psiquiatria da Faculdade de Medicina PUC-SOROCABA.
Castan ainda foi o idealizador e colaborador para a 'Semana de Prevenção e Cuidados em Depressão' da Secretaria de Saúde da Prefeitura Municipal de Sorocaba.
Atualmente, exercendo sua escrita, Castan está quinzenalmente no maior jornal da Região Metropolitana de Sorocaba, interior do Estado de São Paulo, se trata do CRUZEIRO DO SUL, onde escreve crônicas tratando do cotidiano. ainda participa do programa "Mente Aberta - O Papo é Psiquê" na rádio Cruzeiro FM .
E a convite de Weverton Galease, é o convidado do mês de junho/2015.
Para mais informações sobre o trabalho de psicanálise de Castan, acesse psicastan.com.br
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terça-feira, 2 de junho de 2015

ESCRITO POR : WEVERTON GALEASE

FOTO DIVULGAÇÃO DO MONÓLOGO 'AUTOBIOGRAFIA AUTORIZADA'
   Paulo Betti, natural de Rafard (SP), cresceu em Sorocaba, cidade onde viveu até os 20 anos. Formado pela Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo, em 1975, foi professor da Escola de Arte Dramática da Universidade de Campinas, de 1977 a 1984, conquistou o prêmio norte-americano Distinguished Artist Fellowship Fulbright, em 1993, e atualmente é presidente da Associação Cultural Casa da Gávea, do Rio de Janeiro.

  Como ator teatral, Paulo Betti já atuou em 25 peças, entre elas 'O Pagador de Promessas', com direção de Cesar Oliveira; 'Aurora da Minha Vida', de Naum Alves de Souza; 'O Boca de Ouro', de Nelson Rodrigues, com direção de Emilio di Biasi. 
  
  Como diretor teatral trabalhou em 12 espetáculos, com destaque para 'Streap-Tease', de Slavomir Mrozek; e 'Feliz Ano Velho', de Marcelo Paiva e Alcides Nogueira; 'A Tartaruga de Darwin', de Juan Mayorga.
  
  Na televisão, participou de diversas novelas, séries e minisséries, desde 1977, além de ter feito narração de para programas televisivos, audiolivros e filmes. Recentemente consagrado pelo personagem 'Téo Pereira', na novela da Rede Globo, 'Império', em que deu um show de interpretação com o jornalista e blogueiro gay. 

  Completando 40 anos de carreira, Paulo Betti chega aos 62 anos de vida, realizando seu maior sonhos, segundo ele, um sonhos desde a adolescência, o monólogo 'Autobiografia Autorizada' leva aos teatros anotações em que fez nestes 40 anos de vivência artística e particular, em que vivia com seus 15 irmãos.

 Paulo Betti quer nos passar uma atração divertida e honesta, sobre sua intimidade, de origem humilde, de destaque no cenário artístico brasileiro.

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segunda-feira, 1 de junho de 2015


Conto de Gustavo do Carmo


Tinha jurado nunca trair a sua esposa da mesma forma que o seu pai traiu a sua mãe com três amantes. Mas Armando quebrou o juramento. Traiu Débora, que era atriz, com uma repórter que trabalhava com ele no jornal.

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