sexta-feira, 28 de outubro de 2011

por dudu oliva




Crônica que fiz sobre o assunto:


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quarta-feira, 26 de outubro de 2011



Voando, deslizando.

Minha mãe disse que já sou homem
e posso voar, à procura de diamantes
escondidos nas nuvens deslocadas
pelos ares de intensos transparentes.

Minha mãe disse que já posso deslizar
as mãos nas pernas finas da menina
passeante das tardes à frente da casa
embaixo do  único viaduto dessa cidade.

Ah, minha mãe, você é tão ingênua
quanto aquela bola de sabão
que viaja sem rumo pelos ares,
passando pertos das nuvens
onde se escondem os diamantes.

Ah, minha mãe, você é tão ingênua
quanto aquelas  bolas de sabão...
Você desconhece que já fujo
da casa embaixo do viaduto
e saio por aí, voando, deslizando...

Vôo sem rumo que nem um ingênuo,
menino acriançado de visão embaçada,
deslizando minhas mãos pequenas
que procuram as pernas da menina
feia, azeda, mas quisera linda comigo.

Vôo sem rumo por aí, mãe.
Vou à procura de diamantes
escondidos nas nuvens
deslocadas pelos ares
dessa cidade não nossa.

Vôo sem rumo, minha mãe.
Vou à procura de diamantes
para dá-los àquela menina
passeante à frente da casa,
e só assim, deslizar minhas mãos
em suas finas pernas infantis.

Pois, mamãe, já sou homem.
Já sou homem, como diz.
E viajar pelos ares,
deslizar nas pernas,
foi o que sempre quis.


                                                           Rogerleo.
                                               

                                                                                                                                                                    

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sábado, 22 de outubro de 2011


Gustavo do Carmo



Enviou o melhor texto num concurso literário que dava como prêmio a publicação de um livro e o nome na mídia. Apostou nos seis números da Mega-Sena acumulada em 200 milhões de reais. Era o melhor candidato para aquela vaga que pagava vinte mil reais por mês. Conquistou a mulher mais bonita do seu bairro.

Ele não sabia que a inscrição para o concurso já estava encerrada. Encontrou a casa lotérica fechada. Chegou atrasado para a entrevista. A única coisa que conquistou foi a simpatia da vizinha, que já estava casada, grávida e de mudança para São Paulo. Chegou tarde demais em todas as oportunidades.  
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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Por DUDU OLIVA




No miniconto o fundamental é sugerir, proporcionado a quem for ler o compromisso de desvendar que está por de trás das entrelinhas.  Pois, este gênero sugere algo mais, que não está escrito, mas subliminarmente. O guatemalteco Augusto Monterroso é citado como autor do mais famoso miniconto, desenvolvido com apenas trinta e sete letras: Quando acordou o dinossauro ainda estava lá. O estadunidense Ernest Hemingway é autor de outro surpreendente miniconto. Com vinte e seis letras, mostra uma história de tragédia familiar: Vende-se: sapatos de bebê, sem uso.


Tentativa de crônica: http://cronicas-ideias.blogspot.com/2011/10/por-esses-dias.html


links:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Miniconto

http://www.veredas.art.br/

http://microcontosdocarlos.blogspot.com/

http://www.cartacapital.com.br/tecnologia/microcontos-na-era-do-twitter

http://www.youtube.com/watch?v=8O5GTMK7Lhg&feature=player_embedded

http://www.youtube.com/watch?v=ya3AtzKEVLY

http://www.youtube.com/watch?v=MY4kk8wBnGg&feature=player_embedded

http://www.youtube.com/watch?v=VFaCb2BUfVE

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quinta-feira, 20 de outubro de 2011



João Paulo Mesquita Simões


O fado é um estilo musical português. Geralmente é cantado por uma só pessoa (fadista) e acompanhado por guitarra clássica (nos meios fadistas denominada viola) e guitarra portuguesa.


Origem
A palavra fado vem do latim fatum, ou seja, "destino", é a mesma palavra que deu origem às palavras fada, fadario, e "correr o fado".
Uma explicação popular para a origem do fado de Lisboa remete para os cânticos dos Mouros, que permaneceram no bairro da Mouraria, na cidade de Lisboa após a reconquista Cristã. A dolência e a melancolia, tão comuns no Fado, teriam sido herdadas daqueles cantos. No entanto, tal explicação é ingénua de uma perspectiva etnomusicológica. Não existem registos do fado até ao início do século XIX, nem era conhecido no Algarve, último reduto dos árabes em Portugal, nem na Andaluzia onde os árabes permaneceram até aos finais do século XV.


O nascimento do fado em Lisboa
Na segunda metade do século XIX, surge em Lisboa, embalado nas correntes do romantismo, uma melopeia que tanto exprimia a tristeza unânime de um povo e a desilusão deste para com o ambiente instável em que vivia, como abria faróis de esperança sobre o quotidiano das gentes mais desfavorecidas e, mais tarde, penetrava ainda nos salões da aristocracia, tornando-se rapidamente uma expressão musical nacional.
Porém, a sua origem histórica, sem grandes aprofundamentos, tem (de uma forma errada em ambos os casos) para uns autores filiação mourisca ou africana, e para outros surge como importação do Brasil, sob o espectro da tradição do lundum, que terá encontrado a expressão máxima com o acompanhamento da guitarra.
As tabernas, primordialmente, eram palco de encontros de fidalgos, artistas, trabalhadores das hortas, populares e estrangeiros, que se reuniam em noites de fado vadio, ou seja, o fado não profissional.
A primeira cantadeira de fado de que se tem conhecimento foi Maria Severa Onofriana. Cigana e prostituta, de família da mesma estirpe, cantava e tocava guitarra nas ruas da Mouraria, especialmente na Rua do Capelão. Era amante do Conde de Vimioso e o romance entre ambos é tema de vários fados.
Mas é com início do século XX que nasce Ercília Costa, uma fadista quase esquecida pelas vicissitudes do tempo, que foi a primeira fadista com projecção internacional e a primeira a galgar fronteiras de Portugal.
Os temas mais cantados no fado são a saudade, a nostalgia, o ciúme, as pequenas histórias do quotidiano dos bairros típicos e as lides de touros. Eram os temas permitidos pela ditadura de Salazar, que permitia também o fado trágico, de ciúme e paixão resolvidos de forma violenta, com sangue e arrependimento. Letras que falassem de problemas sociais, políticos ou quejandos eram reprimidas pela censura.





Selo de Alfredo Marceneiro

Alfredo Marceneiro nasceu na freguesia de Santa Isabel em Lisboa, e foi-lhe posto o nome de baptismo de Alfredo Rodrigo Duarte.
Era filho de uma família muito humilde, oriunda do Cadaval. Com a morte do pai teve que deixar a escola primária. Começou então a trabalhar como aprendiz de encadernador para ajudar o sustento da sua mãe e irmãos.

Desde pequeno, sentia grande atracção para a arte de representar e para a música. Junto com amigos começou a dar os primeiros passos cantando o fado em locais populares começando a ser solicitado pela facilidade que cantava e improvisava a letra das canções.

Um dia, conheceu Júlio Janota, fadista improvisador, de profissão marceneiro que o convenceu a seguir esse ofício que lhe daria mais salário e mais tempo disponível para se dedicar à sua paixão.

Alfredo Marceneiro era um rapaz vaidoso. Andava sempre tão bem vestido que ganhou a alcunha de Alfredo Lulu. Era, também, muito namoradeiro. Apaixonou-se por várias raparigas, chegando a ter filhos com duas delas. As aventuras terminaram quando conheceu Judite, amor que durou até à sua morte e com o qual teve três filhos.

Em 1924, participa no Teatro São Luiz, em Lisboa, na sua primeira Festa do Fado e ganha a medalha de prata num concurso de fados.

Nos anos 1930, Alfredo Marceneiro trabalhou nos estaleiros da CUF, onde fazia móveis para navios. Dividia o seu tempo entre as canções e o trabalho. A sua presença nas festas organizadas pelos operários era sempre motivo de alegria.

Em 3 de Janeiro de 1948, foi consagrado o Rei do Fado no Café Luso.

Reformou-se em 1963, após uma carreira recheada de sucessos, numa grande festa de despedida no Teatro São Luiz.

Dos muitos temas que Alfredo Marceneiro cantou destaca-se a Casa da Mariquinha, de autoria do jornalista e poeta Silva Tavares.

Faleceu no dia 26 de Junho de 1982 com 91 anos, na mesma freguesia que o viu nascer.

No dia 10 de Junho de 1984, foi condecorado, a título póstumo, com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique pelo então Presidente da República Portuguesa, General Ramalho Eanes.


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sábado, 15 de outubro de 2011

Por Gustavo do Carmo



Para-quedismo
Amava a sensação de liberdade que o para-quedismo lhe dava. Ficou preso a uma cadeira de rodas depois de uma falha no para-quedas.


Gongo
Foi salvo do rebaixamento pelo Gongo.  Gongo era o apelido do juiz que apitou o jogo da última rodada.


Piloto
O piloto de Fórmula 1 foi rápido no abastecimento.  Sua esposa odiou a proeza.




Tenista
De tanto matar mosquito com a raquete elétrica, o aposentado acabou virando tenista profissional na categoria Masters.



Com muito orgulho!
Era um filho da puta com muito orgulho! Foi criado num bordel e virou árbitro de futebol.
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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

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quinta-feira, 13 de outubro de 2011





João Paulo Mesquita Simões


Na passagem do décimo aniversário do Euro, os CTT, além da emissão lançada já conhecida, emitiram também um sobrescrito com os dois selos da emissão do Euro e uma moeda de dois euros.

A estes sobrecritos, chamamos sobrecritos com moeda.

A moeda faz parte integrante do sobrescrito e, neste caso, realça mais o seu valor dado que além dos selos sobre a Moeda Única, existe também essa mesma moeda na União Europeia.

Concereteza outros países tiveram a mesma iniciativa de Portugal. Mas o que me interessa focar aqui, é aquilo que se faz cá dentro.

A imagem mostra um sobrescrito de primeiro dia com moeda, emitido pelos Correios de Portugal.
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sábado, 8 de outubro de 2011

Gustavo do Carmo 


Delcir era um homem inteligente. Uma enciclopédia ambulante. Conhecia todos os pensamentos e seus filósofos desde a antigüidade. Salivava fórmulas matemáticas. Vomitava teorias sociais. Arrotava estratégias de investimento e marketing. Lia livros de quase mil páginas em apenas meia hora por causa da leitura dinâmica que aprendeu sozinho. Seja em qual idioma fosse. Sabia de mais coisas do que o narrador desta história. 

Com a sua inteligência fenomenal dava palestras sobre tudo. Auto-ajuda, motivação empresarial, gestão de recursos humanos, análise de mercado, tendências culturais, sociologia e fazia até preleção para time de futebol em véspera de estreia de Copa do Mundo. Cobrava dez mil reais por hora, e ainda era concorrido. Claro que enriqueceu com isso. Já tinha um patrimônio de oito milhões de reais. 

Trabalhava como consultor empresarial em uma multinacional de informática. Ganhava um salário de cento e cinqüenta mil reais. Ao ordenado da empresa e o que recebia pelas palestras somava ainda dois mil e quinhentos reais todo mês dando aula em diversos cursos de graduação, pós-graduação, mestrado, doutorado, MBA e politécnicos em faculdades de Economia, Administração, Turismo, Direito e Comunicação. Delcir graduou-se em todos os cursos em que dava aula. 

Além da riqueza material, também era saudável e feliz. Malhava todas as manhãs na academia do prédio da cobertura triplex onde morava, no Leblon. Aos sábados praticava judô. Já era faixa preta. Aos domingos, pesca submarina. Era casado com Lidiane, uma bela morena de olhos verdes, barriga tranquinho e seios naturais bem fartos. Tinha acabado de saber que seria pai. 

Um dia, tudo mudou. Teve um bom fim de semana. Fora campeão de um torneio internacional de judô no sábado. Fez uma excelente pesca no domingo. Malhou com vontade na manhã de segunda-feira. Por volta das nove, esqueceu-se de um índice. Cinco minutos depois, de uma cotação. Mais quinze, não conseguia fazer uma planilha. Já não sabia o que era um plano de marketing. 

Acreditou que seria excesso de trabalho. Começou a pensar em pedir umas férias. Estava trabalhando demais. Consultou um amigo que comentou: os lapsos poderiam ser excesso de informação no cérebro. Desmarcou todos os compromissos para ir ao médico. Este confirmou todos os palpites. 

Não poderia tirar férias, principalmente das universidades porque estava no meio do período letivo. Mas pediu uma licença. Antes, tentou dar uma de suas inúmeras aulas. Não conseguiu. Esqueceu-se de todo o conteúdo programático. Não soube explicar nada. Isso se repetiu em todos os cursos que costumava lecionar. Os alunos, mesmo os mais imaturos de início de faculdade, solidarizaram-se com o professor. Mas ficaram perplexos com a queda de rendimento de Delcir. Tinha umas vinte palestras pré-agendadas. Depois que deu um branco total e sair vaiado em cinco delas, cancelou o restante. 

Antes de ficar um mês em casa ainda levou cinco ipons relâmpagos nas aulas de judô e quase se afogou durante a pesca submarina. Para completar a série de problemas, a esposa romântica mudou de comportamento. Tornou-se frígida e agressiva. 

Voltou ao trabalho com diversas queixas de falhas de projetos, relatórios e afins. Só não foi demitido porque o diretor da empresa, seu amigo, ainda confiava nele. Mas perdeu o crédito quando errou uma estratégia mais uma vez. Ganhou uma última chance, porém, não deixou de ser punido. Foi rebaixado a assistente e seu salário caiu para cinqüenta mil reais. 

Envergonhado, começou a faltar às aulas nas universidades onde lecionava. Algo que nunca fazia. Foi suspenso por um mês. O azar continuou no esporte. No judô, foi rebaixado à faixa marrom. Desistiu definitivamente da pesca submarina. 

Delcir ainda teve que presenciar um fenômeno surreal. A gestação do seu filho no ventre de sua esposa começou a regredir até o óvulo ser desfecundado. Por pouco não enlouqueceu. Lidiane, obviamente, o culpou pela regressão da gestação e exigiu o divórcio. 

Voltou a morar na casa dos pais, em Olaria. Consultou um psiquiatra. Deitado no divã, desabafou todos os problemas que estava enfrentando nos últimos dois meses. A princípio, o analista prescreveu um remédio e recomendou repouso com o diagnóstico de estresse crônico e excesso de informação. Assustou-se e mudou de idéia quando soube da regressão da gravidez da mulher e percebeu alguns sinais de comportamento infantil em seu paciente. Tratou de encaminhá-lo a um ex-professor e especialista em problemas paranormais. Delcir já estava convicto de que a sua vida estava andando para trás como um cassete rebobinando. Tentou voltar à sua rotina normal. 

Não conseguiu. Foi demitido da empresa de consultoria, de todas as faculdades e não teve mais nenhum convite para palestras. Ninguém queria saber de vida decrescente, comprovada cientificamente ou não. Já não sabia de nada do que aprendeu. Levava uma semana para ler uma única página de revista. No judô foi sendo rebaixado de faixa aos poucos. Em dois meses voltou a usar a branca. 

Os oito milhões e seus apartamentos, carros luxuosos, iates e outros patrimônios começaram a desaparecer. Foram vendidos pelos seus pais, já que Delcir também não sabia mais fazer negócios. O dinheiro das vendas foi gasto para pagar o tratamento contra a regressão. O restante sumiu num passe de mágica. 

Em cinco meses voltou a ser um analfabeto. Já estava com uma idade mental de três anos. Os amigos desapareceram. Para eles, Delcir nunca existiu. Tentou procurar os coleguinhas do primário. Todos adultos, a maioria ignorou. Alguns ficaram assustados com o problema e com pena do rapaz. 

Um médium, consultado pelos desesperados pais de Delcir, encontrou a causa do problema. O ex-executivo fora vítima de um feitiço espiritual rogado contra ele pelo antigo namorado de sua bela ex-esposa. Pai Tetê já tinha um antídoto. Era tarde. Delcir não andava mais e passou o resto da sua vida decrescente chorando e chupando o dedo como um bebê recém-nascido, prestes a voltar para a encubadora. 

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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

João Paulo Mesquita Simões


João Paulo surpreende-nos neste livro na forma inédita de abordar o mundo do colecionismo. Não é comum encontrar na ficção o tema abordado com a mestria proporcionada na presente obra. Para além, da parte da ficção do nosso “Teclas”, o herói deste livro, transmite-nos muitas informações, dos caminhos a seguir para quem pretenda encontrar no colecionismo um modo de aprender um pouco mais do mundo que o rodeia. A filatelia é aqui abordada numa vertente cultural, sendo esta, a motivação do verdadeiro colecionador. Esta circunstância do livro valoriza-o significativamente.
Incentivar os jovens e os menos jovens em despertarem o gosto pelo colecionismo é uma atitude nobre. Devo referir, que muitos dos nossos museus tiveram origem de quem se interessa por reunir objetos, de os estudar e ordenar. Este livro vai também neste sentido. Certamente quem tiver a curiosidade de o ler verá de uma forma diferente esta atividade cultural.
A Filatelia é sem dúvida uma forma por excelência de colecionismo. O selo postal, depois de observado com mais atenção transmite-nos quase sempre, uma parte significativa da cultura de um povo, e por isso, o torna uma preciosidade divulgadora da sua cultura. Preparar uma coleção, exige da parte do colecionador um grande esforço de investigação despertando no paciente filatelia o gosto pelo saber. A filatelia proporciona-nos este gosto através do labor de uma coleção.
João Paulo desenvolve neste livro, por vezes, uma linguagem muito próxima da utilizada por alguns dos nossos jovens, o que revela a sua atenção à forma como os jovens utilizam a língua portuguesa. Sabemos, se não a utilizarem no seu grupo, poderão ser afastados dele. Com muita sabedoria, João Paulo, consegue levar-nos igualmente a uma reflexão sobre o valor da filatelia, sendo esta, uma boa opção, que nos leva ao conhecimento. Aconselho vivamente a leitura deste livro.

Rui Pais de Carvalho

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sábado, 1 de outubro de 2011

Gustavo do Carmo


“Homem ateia fogo na casa de uma escritora e uma pessoa morre. É preso e condenado a dezoito anos de prisão. Quando sai entra numa universidade e leva uma vida feliz e tranquila ao lado da esposa. Dez anos depois, o filho da escritora decide se vingar do incendiário e arruinar a sua felicidade”. Gostei da história. Vou comprar esse livro. 

Depois pego outro e leio a sua sinopse na orelha: “Uma sociedade define o destino de todos os seus membros, inclusive, com quem casar”. Bom. Vou levar esse também. “Uma é cafetina. A outra é uma funcionária de um iate. E a terceira é uma aristocrata britânica. Três mulheres querendo se vingar de um impiedoso bilionário”. Esse vai. Logo, vejo uma capa bonita, com uma mulher igualmente bela. Leio a sinopse: “...tem certeza de que é única. Uma mistura perfeita entre humano, centauro e deusa”. Não. Esse fica. Muita fantasia pro meu gosto. 

Estou na trigésima sinopse. Já escolhi o livro de um autor nacional consagrado, que conta a história de dois homens completamente diferentes, que acaba levando para o confronto entre Deus e o Diabo. De mais um autor estrangeiro, achei um interessante romance em que um centenário cego conta a história de um filho de ferroviário que tem duas paixões – o violino e a química. Mas tem que abandonar as paixões para cuidar dos pais na Bulgária comunista. 

A conta da livraria já está em dois mil reais. Levei ainda mais umas cinco biografias. A primeira, o relato da vítima de um sequestro que ficou dez anos em cárcere privado de um pedófilo. A segunda, de uma famosa escritora, que custa quase oitenta reais. A terceira de uma conhecida atriz, mãe de uma também atriz mais bonita do que com talento. O quarto livro é a autobiografia de um ex-presidente da República, famoso por ser pão-duro. Por isso, é caro. Aproveitei e peguei a história do seu adversário político também. 

Antes de sair da livraria, coloquei no carrinho dois livros que eu queria há muito tempo. Só não havia comprado antes porque eram muito caros e também não os achava nos sebos. São dois romances históricos de um jornalista português, apresentador de um telejornal que é exibido até aqui no Brasil. Um se passa na época do Descobrimento da América e outro na Segunda Guerra Mundial. Ou é a Primeira? 

Estou me esquecendo de levar mais algum livro? Ah! Vou completar a minha coleção de um famoso e polêmico dramaturgo brasileiro de quem gosto muito. Ele já morreu faz mais de trinta anos, mas seus contos sobre adultério são marcantes. 

Quando vou saindo da livraria, vejo a seção de novos autores e fico mais um tempo. Encontrei o livro de um amigo, que só é novo de fama, mas já tem bastante experiência de vida. Aliás, um não. Dois. Um de contos sobre lances fatais e outro de crônicas sobre o tempo. Pra fechar, finalmente, achei um romance que promete: “Jovem descobre que a garota por quem está apaixonado vai se casar e tenta o suicídio por atropelamento, mas é salvo por uma bela repórter de televisão. Seis anos depois, eles se reencontram e ela o emprega como colega na sua empresa, já decadente”. Será que é bom? Vou levar. 

Preciso ir logo para a seção de eletrônicos. Aproveito para comprar quatro notebooks dos bons (pra mim, minha irmã, meu pai e meu cunhado), dois celulares novos (um pra mim e outro pra minha mãe) e um tablet, um brinquedo novo, bom para ler livros e acessar a internet. Será que tem necessidade? Ah! Vou levar assim mesmo! Preciso aproveitar a oportunidade. 

Passo no caixa. Gastei 40 mil reais em livros e gadgets. Ainda sobraram dez mil dos direitos autorais de um conto que eu vendi para um produtor teatral. Vou depositar na poupança. Satisfiz meus desejos de compra. Acordei de um sonho de consumo.
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