sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O vídeo de sfribeiro03 faz uma reflexão muito interessante sobre a liberdade e me inspirou apensar sobre isto.



LIBERDADE É...

TUDO.

NADA.

Preferir ficar na gaiola.

Decidir voar sem medo de se esborrachar nas rochas.

Estar só.

Curtir com os amigos.

Amar a quem quiser.

Não amar ninguém.

Sonhar.

Gostar de viver os pequenos momentos do cotidiano.

Ser um indivíduo livre significa ter escolhas.

Enfim, a liberdade se molda a partir do olhar de cada ser.
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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011


O tempo e o vento passaram, mas a nostalgia ficou

Texto: Gustavo do Carmo


Remakes de novelas já não eram novidade na televisão brasileira em 1986. Mas a Rede Globo inovou e regravou a primeira novela do seu já rico acervo. A escolhida foi Selva de Pedra, original de 1972. Escrita por Janete Clair, que faleceu em 1983, a trama de Cristiano e Simone foi adaptada por Regina Braga e Eloy Araújo. Hoje, 24 de fevereiro de 2011, a estreia do remake de Selva de Pedra está completando exatos 25 anos.

Substituindo Roque Santeiro, a trama contava a história do jovem Cristiano Vilhena (Tony Ramos), um tocador de bumbo para o pai Sebastião (Sebastião Vasconcelos), pastor evangélico na cidade de Duas Barras, interior do estado do Rio de Janeiro. Ele se envolveu em uma briga que provocou a morte do playboy arruaceiro Gastão Neves (Marcelo Ibrahim, que morreu meses depois da novela). Testemunha do crime, a artista plástica Simone Reis (Fernanda Torres) percebeu que Cristiano era inocente e encobertou o rapaz. Os dois se apaixonaram.

Ao mesmo tempo em que fugiu da cidade por causa do crime, Cristiano foi para a capital fluminense em busca de melhores oportunidades de vida na selva de pedra. Já tinha um emprego garantido no estaleiro do tio Aristides Vilhena (Walmor Chagas). Também interessada em promover a sua carreira nas artes, Simone o acompanhou. Os dois se casaram. O casal foi morar na pensão da alegre ex-vedete Fanny (Nicete Bruno), onde moravam o simpático palhaço Pipoca (André Valli) e o malandro mau-caráter Miro (Miguel Falabella).

No estaleiro, Caio (José Mayer) viu com maus olhos a chegada do seu primo. Ele temia que Cristiano ocupasse o seu lugar e lhe roubasse a noiva Fernanda (Christiane Torloni), outra grande acionista da empresa. Foi exatamente isso que aconteceu. Miro estimulou a ambição de Cristiano e o incentivou a romper com Simone para casar com Fernanda e obter as ações e a administração do estaleiro. Cristiano quase se casou com a noiva do primo.

No entanto, Simone, abandonada pelo marido, sobreviveu a um acidente na estrada Rio-Petrópolis. Na verdade, uma perseguição tramada por Miro para tirar Simone do caminho. Ela foi dada como morta, assumiu a identidade da irmã falecida Rosana Reis e fugiu para Nova York. Cristiano se sentiu culpado e abandonou Fernanda no altar, que jurou vingança e o denunciou à polícia pelo crime em Duas Barras.

Quando voltou ao Brasil, Simone foi sequestrada e mantida em cativeiro por Fernanda. Livre, ao ser reconhecida pelo amado, Simone o repudiou, o culpando pelo acidente e ameaçou não inocentá-lo, já que a polícia já estava em seu encalço. Miro morreu, Fernanda foi internada no hospício e tudo ficou em paz. O casal Cristiano e Simone fizeram as pazes no julgamento dele pelo homicídio de Gastão e ela o inocentou.

A segunda versão de Selva de Pedra também teve no elenco Stênio Garcia, como Mestre Pedro, funcionário do estaleiro e amigo de Cristiano, Tássia Camargo (a filha de Pedro, Joana), Maria Zilda, Otávio Augusto, Roberto Battaglin, Yara Lins, Iara Jamra, Suzana Faini, Beth Goulart, Deborah Evelyn, Aracy Cardoso, Henri Pagnocellis, Odilon Wagner, entre outros.

Reconciliados no último capítulo da novela, Cristiano e Simone passearam felizes para sempre pelo navio fabricado no estaleiro ao som de Demais, de Verônica Sabino, uma das músicas marcantes da trilha nacional da novela. A outra foi Perigo, de Zizi Possi, tema de Fernanda. Rock and Roll Lullaby, tema do casal vivido por Francisco Cuoco e Regina Duarte em 1972, voltou de forma instrumental na criativa abertura, em que prédios altos e espelhados brotam do chão, refletindo a imagem do elenco e finalizando com um mosaico aéreo de Tony Ramos. Da trilha internacional, destaque para Yes (Tim Moore), I'll never be Maria Magdalena (Sandra) e Sweetest Taboo (Sade).

Wálter Avancini dirigiu a nova Selva de Pedra até o 20º capítulo. Depois, foi substituído por Denis Carvalho. Ambos tiveram a ajuda de Ricardo Waddington e José Carlos Pieri. A novela terminou no dia 22 de agosto de 1986, totalizando 160 capítulos. Foi substituída no início da semana seguinte por Roda de Fogo.

Janete Clair se inspirou no romance Uma Tragédia Americana, de Theodore Dreiser. O livro já tinha originado o filme Um Lugar ao Sol, de George Stevens, com Elizabeth Taylor. A novela original de 1972 tinha, além de Cuoco e Regina, Carlos Vereza no papel de Miro, Dina Sfat no papel de Fernanda e Carlos Eduardo Dolabella como Caio.

Selva de Pedra foi um dos remakes mais fiéis ao original da televisão brasileira. Teve suas mudanças de atualização, mas não houve invenção de tramas e nem mudança de rumo dos protagonistas para atender a donas de casa paulistas. A cena em que Simone foi desmascarada não registrou os 100% de audiência de 1972, mas o remake marcou demais o telespectadores adultos e crianças, como eu, na época.

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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011


Texto: Sheila Fonseca
Foto: Divulgação

A Dica da Segunda está de volta em 2011 com o compositor Carlos Colla, que se apresenta com o show “As canções que eu fiz para o Rei” nos dias 25 e 26 de fevereiro (sexta e sábado), na CAIXA Cultural Rio de Janeiro. O show divulga o cd homônimo recém lançado, que é uma coletânea onde estão reunidas as melhores músicas compostas por Carlos Colla e que foram gravadas por Roberto Carlos, e também revelar ao grande público essa faceta do compositor, que possui ao todo 44 músicas gravadas pelo Rei.

O repertório conta com 20 músicas e o público poderá conferir sucessos imortalizados na voz de Roberto Carlos como ‘Se o amor se vai’ de Carlos Colla e Roberto Carlos; ‘Bye bye tristeza’ de Marcos Valle e Carlos Colla; ‘Tímida’ de Carlos Colla e Roupa Nova; ‘Sonho por Sonho’ de Carlos Colla e José Augusto; ‘Falando sério’, ‘Quantos momentos bonitos’, ‘Mais uma vez’, ‘Sonho lindo’ e ‘A namorada’ composta em parceria com Mauricio Duboc.

As apresentações na CAIXA Cultural serão as primeiras da turnê de divulgação do novo cd e prometem uma noite de muito romantismo “Prometo aos que irão assistir ao show, uma noite de encantamento, poesia, músicas e grandes histórias sobre as canções que escrevi e que foram sucessos na voz de Roberto Carlos”, revela o compositor.

O show terá a participação de duas revelações do cenário musical: a cantora de pop rock, Maria Clara, e a cantora de samba Gabriela Melim, ambas com apenas 16 anos.

Carlos Colla é um compositor consagrado nacional e internacionalmente, tendo mais de 2.000 músicas catalogadas. Gravou um DVD, em 2009, no casa de shows Vivo Rio (RJ), para comemorar seus 50 anos de carreira, patrocinado pela Petrobras, para um público de mais de 2.000 pessoas. Já atuou como produtor de grandes ícones da música como o cantor mexicano Luiz Miguel e o grupo Menudo, tendo também o título de compositor mais gravado pelo rei Roberto Carlos.

É o compositor mais solicitado pelos cantores brasileiros e já foi gravado diversas vezes por nomes como Sandra de Sá, Alcione, Emílio Santiago, Joanna, Claudia Leite, Daniel, Elymar Santos, Fabio Junior, José Augusto, Angélica, Xuxa, Simone, Zezé de Camargo e Luciano, Wando, Wanessa Camargo, Roberta Miranda, Leonardo, Chitãozinho e Xororó, Bruno e Marrone, Julio Iglesias, Sérgio Reis, Roupa Nova, Maria Bethânia, entre outros artistas.

Em 2010, Colla teve mais uma demonstração de reconhecimento de seu trabalho ao receber pelas mãos da cantora Sandra de Sá o prêmio da festa nacional da música em Canela (RS).

Dentre o projetos para 2011, estão o seu primeiro livro “A namorada” – romance sobre a trajetória de um dos muitos personagens que Carlos Colla cria para compor –, um musical intitulado “Copacabana”, que promete exaltar as belezas da cidade maravilhosa, além da divulgação do novo cd.


“As Canções que eu fiz para o Rei” – Show do compositor Carlos Colla

Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Teatro Nelson Rodrigues

Datas: 25 e 26 de fevereiro de 2011

Horário: 19h30

Duração: 1h e 30min

Classificação etária: 12 anos.

Endereço: Av. República do Chile, 230, Centro (Próximo ao Metrô: Estação Carioca)

Informações: (21) 2262-8152

Ingressos: R$ 10,00 (inteira) R$ 5,00 (meia)

Funcionamento da bilheteria: de terça a sexta, das 13h às 20h; sábado, domingo e feriado, de 15h às 20h.

Capacidade: 388 lugares (sendo 2 para cadeirantes)

Acesso para portadores de necessidades especiais

Acesse a programação da CAIXA Cultural: www.caixa.gov.br/caixacultural


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sábado, 19 de fevereiro de 2011

Por Gustavo do Carmo



Rotina
Convidou o amigo da praça para fazer algo diferente para fugir da rotina. A coisa diferente passou a ser a nova rotina dos dois aposentados.


Amor Proibido
Casal de idosos foi impedido de manter relação amorosa. Fugiram com o pouco dinheiro que tinham. Mas não foram longe. As pernas de ambos incharam. Voltaram pro asilo.


A Rosa
Sonhava ver o seu amor platônico entrar no altar para casar com ele ao som de "A Rosa" de Pixinguinha. Anos depois usou a mesma música na trilha do seu casamento com uma idosa que conheceu no asilo.


Filho ingênuo

Só dava prejuízo para os seus pais com a sua falta de emprego e vida romântica e ingênua. Deu ainda mais prejuízo quando levou uma bala perdida e ficou tetraplégico. Idosos, sem força e solitários, seus pais o mataram.


Nome

O velho impôs ao filho o seu nome feio no neto e o proibiu de deixar o menino chamar-lhe de avô. Quando o rapaz questionou ouviu: —Quem sustenta você, seu filho e sua namorada sou eu!

Banda
O velho de 85 anos mandou o filho de 50 parar de ver a banda passar e dar um jeito na sua vida.

Seguro
Seu Seguro não morreu de velho. Foi atropelado por um trem aos 104 anos.

Devagar
Devagar se vai ao longe! Disse o idoso dirigindo o seu Romi-Isetta. Encerrou a volta ao mundo no Rio de Janeiro com o carro que comprou 0 km em 1958.

Cova
Todas as noites via o pai cavando um buraco no quintal da casa. Um dia perguntou o motivo. O ancião disse que estava cavando a própria cova.
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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011


Por dudu oliva


Os contos deste livro confirmaram ainda mais a teoria de que a realidade é composta por várias camadas e as quais a gente num irá revela-las cem por cento.

Também, mostra que o eu e o outro não são tão separados, a fronteira é imperceptível e muitas vezes móvel. Isto significa que somos frágeis, contraditórios, maravilhosos e marginais. Os personagens dos contos vivem conflitos e tentam encontrar caminhos para sobreviver em um mundo conservador.



Morangos Mofados provoca pensamentos, é uma mordida na maça proibida. Além de ser uma viagem às periferias, tuneis e poços das profundezas da alma humana.

Mesmo nos dias de hoje, é um livro à margem. Pois, se difere da superficialidade instantânea que impera na nossa sociedade. Como Clarice Lispector tem o coração selvagem, os dois se diferem da grande maioria que vive mecanizada pelo cotidiano.

Admiro personalidade assim, que têm um olhar peculiar sobre as grandes e pequenas coisas. Às vezes, quebro rochas para assimilar o que desejam dizer. Em algumas ocasiões quero desistir, mas tem algo dentro de mim que mantem a chama da curiosidade.

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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011


João Paulo Mesquita Simões



Embora conhecido e catalogado, este Selo com sobrecarga "REPUBLICA"e respectiva taxa em Escudos invertida, foi impresso na cor castanha.

Podemos visualizar aqui então dois erros - a inversão da sobrecarga e a cor castanha, quando o original é alaranjado.
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sábado, 12 de fevereiro de 2011

Gustavo do Carmo



A fita na qual o pai gravou as primeiras palavras da filha mais velha registrou o desabafo conjugal de Sofia. Ela dizia, aos prantos, depois do marido ter recusado o seu convite de ir ao cinema naquele domingo de verão, que ninguém a acompanhava em seus passeios. Previu que a menina, ainda bebê, seria a sua fiel companheira em qualquer lugar que fosse.

Foi apenas uma falsa previsão feita no calor da emoção provocada pela discussão. A filha cresceu, se tornou uma mulher independente, já casada e lhe deu netos. Sofia só não imaginava que o seu filho mais novo, nascido dois anos depois daquela gravação, seria o seu maior companheiro.

Só que não era Manfredo quem acompanhava a mãe. Dona Sofia era quem acompanhava o caçula. Quando menino de colo ele queria ir ao parquinho jogar bola e era a mãe quem o levava. Dona Sofia estava presente em todas as festinhas escolares do filho e, também, nos torneios de futebol mirim do clube do bairro.

Sofia era a única presença garantida no vestiário do time. Os companheiros encarnavam, a senhora ficava constrangida, mas Manfredo nem se importava. Afinal era ele quem insistia. Sempre com o mesmo pedido:

— Vamos comigo, mãe?

Para acompanhar Manfredo ao médico e passear no shopping, Sofia não se importava. Ao primeiro, só ia porque tinha a certeza de que homem só vai ao médico acompanhado de uma mulher. Mas o constrangimento aumentava quando o filho insistia que ela o acompanhasse nos passeios com os amigos. E ele já tinha quinze para dezesseis anos. Quando a mãe não podia ir, Manfredo tinha a sua alternativa: também não ia.

Assim que o seu menino se transformou em um homem adulto, aos dezoito anos, Dona Sofia teve esperanças de que ficaria livre dos convites do filho. Pura ilusão. Ainda teve que acompanhá-lo nas noitadas, viagens com os colegas da faculdade e até na entrevista de emprego.

Manfredo foi aprovado e começou a trabalhar aos vinte anos como estagiário de uma agência de publicidade. Como, se a mãe não larga do pé dele? Felizmente, neste dia deixou a mãe esperando na recepção.

E é este o segredo para Dona Sofia acompanhá-lo em todos os lugares que ia sem atrapalhar: ela ficava apenas na espreita. Manfredo não precisava da companhia permanente da mãe. Só a sua proximidade no local já bastava para deixá-lo tranqüilo.

Foi assim que ele marcou o nosso primeiro encontro. Nos conhecemos num bate-papo na internet e começamos a conversar. Depois de alguns meses de muita conversa e namoro virtual, sugeri que precisávamos nos ver pessoalmente. Manfredo propôs um bar num shopping. Ele descreveu para mim, sem mentir, todas as suas características físicas: branco, cabelos pretos e cacheados, olhos verdes, óculos de aro fino, altura média e um pouquinho de barriga. Manfredo também me disse que estaria com uma camiseta azul.

Chegou o dia. Eu ansiosíssima para conhecê-lo. Levei um susto quando vi um rapaz com as mesmas características dele entrando no bar acompanhado de uma senhora baixinha, gordinha, de óculos e cabelos tingidos de louro, aparentando uns setenta anos. Caramba! Será que ele trouxe a mãe para o nosso primeiro encontro? Eu estava sentada na cadeira da copa do bar e este homem sentou-se na mesa com a mãe. Fiquei aliviada. Por pouco tempo.

Cinco minutos depois, eu tinha me virado de frente para o balcão e de costas para a entrada e as mesas quando alguém me tocou. Era ele. Manfredo. O mesmo rapaz que eu conheci na internet. O mesmo que chegou ao bar acompanhado da mãe. Ele só me reconheceu porque eu era a única morena clara de cabelos longos, lisos e pretos, olhos levemente puxados e seios médios sentada sozinha no balcão.

Por pouco não joguei o drink na cara dele. Mas ele era tão bonito que fiquei com pena. E também apaixonada. Na nossa primeira conversa física, ele sequer mencionou a mãe. Nos beijamos. Somente uma hora depois ele decidiu me levar à sua mesa e me apresentar à Dona Sofia, que se tornou presença constante em todos os nossos encontros.

Um dia, já íntima da família e com dois anos de namoro, criei coragem e perguntei a Dona Sofia, na lata, porque o filho sempre a levava em todos os lugares que ia. Não que eu não gostasse dela, me desculpei assim. Mas falei com sinceridade que em alguns casos a presença dela era inconveniente. Ela me respondeu que ele, desde criança, sentiu-se superprotegido pela mãe e que ficou com pena da tal fita que ouviu aos seis anos de idade. Ela tentou afastar-se do filho. Mas ele a convidava sempre com a mesma pergunta:

— Vamos comigo, mãe?

A cada vez, o tom da pergunta era ainda mais carente. E acabava ficando piedosa. Procurou até um psicólogo para curar a mania do filho. Mas não adiantou, ela mesma confessou que já estava dependente da companhia de Manfredo. Se sentia sozinha e abandonada pela filha independente e o marido que pediu o divórcio. O terapeuta só serviu para diminuir o constrangimento. Foi o clínico quem sugeriu que Dona Sofia ficasse apenas por perto e não participar ativamente dos compromissos de Manfredo.

Por um bom lado, isso ajudou a controlar os desejos sexuais de Manfredo, pois eu também só queria transar depois do casamento que aconteceu em três anos. Manfredo já estava formado em publicidade e trabalhando como diretor de criação da agência. Ganhava bem. Assim que foi promovido, contratou Dona Sofia como sua secretária.

Casamos no Outeiro da Glória numa cerimônia muito bonita e uma festa bastante luxuosa. Chegamos e saímos da igreja e da recepção num Jaguar. Papai, que era rico, também colaborou para a elegância da festa. Fomos passar a lua-de-mel em Dubai.

Não me surpreendi, mas não gostei quando encontrei Dona Sofia no avião e depois na recepção do hotel sete estrelas. Tivemos a nossa primeira noite de amor, três anos depois de nos conhecermos naquele bar do shopping. Tive cinco orgasmos e gemi de prazer como uma leoa. Por sorte, nenhum dos hóspedes e funcionários hotel ouviu. O quarto tinha bom isolamento acústico. A exceção foi Dona Sofia, que assistiu a tudo no quarto como uma espectadora de filme pornô.
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Por dudu oliva

Eu me sinto assim toda hora. Não quero ter preconceitos e me percebo tendo vários pensamentos e ideias conservadoras. Desejo viver em plena liberdade, mas adoro conforto e nem me consigo imaginar fazendo necessidades fisiológicas no mato.

Sou tolo, pois tropeço na minha hipocrisia de achar que sou diferente dos demais. Entretanto, nunca desistirei de arrancar dentro de mim preconceitos e a falta de ética que assolam o meu país por gerações.

Observo as pessoas ao redor e elas sempre tropeçam no próprio ego. Não quero isto para mim. Sou um indivíduo somente e que tenta ser alguém melhor.

Não serei mentiroso de dizer que não ligo para conforto, mas ao longo da minha vida procuro algo mais que posição social. Estou à espera de uma revelação.

Nem estou parado, caminho na busca de me realizar em todos os sentidos.

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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011




João Paulo Mesquita Simões


Como já foi referido noutros artigos filatélicos, Portugal passou a ser um país republicano em 5 de Outubro de 1910.
Durante o golpe de Estado, circulavam selos com a figura do monarca D. Manuel II.
Ora, estando o país a viver numa república, não fazia sentido o selo circular com a figura do anterior rei de Portugal.
Que fazer então, se não havia selos da República Portuguesa?
Criou-se uma sobrecarga designada "REPÚBLICA" que foi colocada em todos os selos que tinham sobrado do tempo da Monarquia.
Assim, o selo de D. Manuel, passou a ter a sorbecarga "REPÚBLICA".
Também este selo saíu com erro.
Se repararem na imagem, há um deslizamento da figura do monarca para baixo. Não está centrado com a serrilha do selo.


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sábado, 5 de fevereiro de 2011


Por Gustavo do Carmo

Olhou a foto de sua ex-colega da faculdade de jornalismo e ex-amor platônico no jornal. Ela aparecia sorridente, radiante e... grávida, ao lado do marido milionário, jovem empresário do ramo do entretenimento. A velha conhecida aparecia na coluna social mais importante do mais importante jornal do país.

Furioso, Ivan amassou o jornal, transformando-o em uma bola disforme de papel sujo. Não suportava ver os antigos conhecidos por cima, ricos e famosos, enquanto ele era sempre cobrado pelo pai para tomar um rumo na vida.

Não que Ivan não quisesse nada com a vida. Ele não queria viver eternamente dependendo do dinheiro do pai. Mas era um rapaz tímido, sem sorte e sem contatos. Contatos para colocá-lo no mercado de jornalismo ou das artes, onde sonha em fazer carreira.

Ele apenas sonhava. Enquanto os outros realizavam. Cheios de amigos influentes e moradores da zona sul, os antigos colegas faziam o que gostavam. E eram atendidos em seus desejos. Eram sempre procurados. E facilmente conseguiam o que queriam. Restava-lhes apenas desenvolver seus talentos.

Já Ivan era esquecido pelos que se diziam amigos e tinha que procurar desconhecidos para mendigar uma oportunidade. Tinha que procurar um emprego humilde. Conviver com pessoas humildes. E freqüentar lugares humildes e ermos. Com muitos habitantes de caráter duvidoso.

Ele só tinha medo, insegurança e ansiedade. Quando tinha oportunidade, as deixava escapar nas mãos. Paralisava. E fracassava. Depois era apontado como o próprio inimigo de si mesmo.

Com tantos fracassos acumulados e desorientado, se entregava fácil. Deixou de lutar por oportunidades desconhecidas e ficou em casa, esperando pelas respostas dos poucos contatos que fazia. Algumas até prometiam oportunidade, mas ficavam só na promessa. Outros pareciam mudar de idéia com qualquer comentário que Ivan fazia sem querer.

Estagnado, deprimido e preguiçoso Ivan passou a ser acusado pelo pai de fazer corpo mole e esperar a oportunidade cair do céu. A irmã mais velha, diretora de uma estatal e bem-sucedida, o acusava de se fazer de vítima. A mãe só rezava e contradizia na hora de defender o filho.

Das doze horas do dia em que ficava no computador, seis eram dedicadas ao lazer, quatro aos seus blogs de algumas visitas, mas pouco retorno pessoal e financeiro e uma hora com contatos atrás de oportunidades que nunca vinham.

Como toda pessoa de pouca sorte, Ivan era sempre flagrado pelo pai nas horas em que estava de bobeira, como no momento em que acabava de amassar o jornal depois de ver a ex-colega.

— Iiiiih! Qual é o chilique agora? Perguntou mal-humorado o pai.

— Nada, pai! Nada. Respondeu, impaciente.

— Mas eu sei o que é! Tá reclamando da vida, né? Não fez o que eu falei. Não se anima a se dedicar aos estudos para um concurso público, não quer trabalhar lá na loja comigo. Agora fica aí vadiando. A vida tá passando, meu filho! Dá um jeito logo senão você não me terá mais.

— Ah, pai! Não enche! Tô cansado de ouvir a mesma coisa.

Reagiu,invocado, deixando a sala onde estava com o jornal e indo para o seu quarto. Voltou e pegou a bola de jornal e a levou com os seus trinta e dois anos para o quarto, onde bateu a porta.

Desfez a bola de papel e voltou a observar a foto da ex-colega sorridente, radiante e grávida. A cada minuto que passava, seu ódio invejoso aumentava.

—Tomara que perca o bebê, seja abandonada pelo marido e fique pobre! Praguejou.

Rasgou definitivamente o jornal e ligou a televisão do seu quarto. Sintonizava um canal de notícias em que aparecia o cara que estava sempre ao seu lado na faculdade, fazendo um comentário econômico em um estúdio. Localizado em São Paulo.

Ivan odiava São Paulo. Tinha ciúme do estado vizinho ter mais recursos e atrair mais atenção da mídia e dos investimentos do país. Ver o cara que dizia ser seu amigo, mas que só o procurava no seu aniversário foi a gota d’água. A televisão foi jogada longe.

Pulou na cama aos prantos e aos gritos de QUE ÓDIO! QUE ÓDIO! QUE ÓDIO! O estouro da televisão que caiu perto da janela chamou a atenção de sua bondosa mãe, que tentou consolar o filho:

— O que foi, meu filho?

— Ai, mãe! Todos os meus colegas da faculdade estão se dando bem. Ganhando dinheiro. Aparecendo na mídia. Viajando. Casando. Tendo filhos. Só eu que estou nessa merda de vida, merda de bairro, imaturo, dependendo do meu pai, sendo cobrado, sendo humilhado.

— Ah, meu filho! Eles se esforçaram, correram atrás.

— E eu? Não me esforcei? Não estudei junto com eles? Não publiquei um livro?

— Mas você não correu atrás, meu filho!

— Tá bom, mãe. Eu estou sempre errado, então. E eles estão sempre certos. Eles não tiveram pai e mãe que não conhecem ninguém, editora que os sacanearam, nunca moraram no subúrbio. Pelo contrário: tiveram vários amigos, sempre moraram na zona sul, eram de família rica, todo mundo valoriza eles. Não quero discutir mais isso. Eu vou falar com a minha psicóloga que me põe pra cima, melhor do que você.

O pai entrou no quarto aos berros:

— Quebrou a televisão, né? Vai ficar sem ela, pois eu não vou comprar outra, hein!

— Não enche, pai!

***

Ivan se arrumou para sair e foi para o Largo do Machado, onde ficava o consultório de sua psicóloga, com quem havia marcado horas antes das discussões com os pais. Lá, desabafou todos os seus problemas e angústias. Reclamou dos antigos colegas, mais bem-sucedidos do que ele. E confessou os pensamentos maldosos que tinha para eles.

A profissional não o acusou de não correr atrás dos seus sonhos. Mas pediu:

— Não pense assim. Não deseje isso para eles. Isso pode se voltar contra você.

— Mas eu não agüento mais ver os outros se dando bem, enquanto comigo dá tudo errado. Olha aqui — ele mostra um outro jornal, diferente do que rasgou, para a analista — esse cara que assinou essa matéria estudou comigo. Não queria nada com a faculdade. Vivia no bar da esquina tomando chope e fazendo brincadeiras de mau gosto comigo. Isso tudo do primeiro período até a formatura. Agora assina a matéria de primeira página de jornal? O que foi que eu fiz para merecer isso?

— Calma, você não fez nada de errado. Não se culpe. Teve paciência e está esperando. Você ainda vai conseguir colher o que está plantando. Mas não deseje mal aos seus colegas. Quando desejar alguma oportunidade pense: “Eu vou conseguir. Eu vou vencer.” Pense positivo, para te trazer energias positivas. Se pensar negativo para os seus colegas a energia negativa que sobrar voltará contra você.

***

Ivan voltou pra casa pensando na sugestão da psicóloga. Parecia aceitá-la. Olhou o jornal com a matéria assinada pelo seu desafeto, sorriu bondosamente e disse sozinho, no ônibus, ignorando o senhor que o encarava espantado:

— Eu quero ver você crescendo ainda mais.

Em casa, de madrugada, deitado no sofá da sala, reviu na TV a cabo o programa com o seu ex-amigo em São Paulo. Desta vez, não quebrou a televisão. E nem mudou de canal, como costuma fazer quando vê suas jornalistas preferidas transferidas para São Paulo ou quando não gosta de uma notícia. Encarou o seu velho amigo e lhe disse:

— Você ainda vai apresentar esse telejornal, amigo!

Dormiu. Foi acordado carinhosamente pelo pai no sofá para terminar de dormir na cama. Acordou para mais um dia de cobranças paternas e ostentações dos ex-amigos. Assistiu ao noticiário da TV a cabo, leu o jornal, tomou café da manhã e foi trabalhar no computador. Primeiro, leu as notícias do dia e depois pesquisou informações para escrever um texto para o seu blog. Em seguida, escreveu alguns contos.

Antes de desligar o notebook para ir almoçar foi chamado por um amigo que conheceu pela internet.

Beltrano diz: Acho que aquela proposta para trabalhar em São Paulo vai sair.

Ivan diz: Boa sorte. Vou almoçar.

Mais uma vez adiou seu almoço para atender uma amiga, que não fazia contato há meses, que lhe mandou um link para uma longa matéria de jornal elogiando o filme baseado no conto dela. Um conto que Ivan conheceu em primeira mão, quando foi praticamente obrigado por ela a revisar.

Mais tarde ficou sabendo que ela também estava se lançando na carreira musical, num grupo de pop rock brasileiro com sete homens, sendo ela a vocalista. Ivan ignorou e desligou o computador. Não praguejou, mas também não abençoou a obra. Foi almoçar.

***

Dois meses depois, a rotina de Ivan era a mesma. Até que ele leu no jornal uma notícia: sua ex-colega de faculdade sorridente, radiante e grávida havia perdido o bebê durante uma briga, por ciúmes, com o marido rico.

Ele a flagrou com outro homem na cama. Já estava desconfiado de sua infidelidade, quando, com a ajuda de um detetive, descobriu o apartamento onde ela se encontrava com o amante. Possesso, sacou o seu canivete suíço e desferiu um golpe na barriga da moça radiante que foi salva pelo bebê morto. Ficou uma semana na U.T.I. , mas saiu sem seqüelas, triste, pobre e estéril.

Não é uma notícia que se deve comemorar. E Ivan não comemorou. Mas sentiu uma ponta... de satisfação lá dentro. No mesmo dia, ficou sabendo que o seu ex-colega foi demitido do programa de economia que apresentava em São Paulo. Voltou ao Rio para se tratar do alcoolismo. Descobriu a informação por uma rede social.

Uma nota ao lado da notícia policial sobre o ex-amor platônico, informava a prisão de um jornalista por tráfico de drogas. Precisou pesquisar na rede social o nome do tal jornalista detido: era o que escrevia no tablóide esportivo, o mesmo que o humilhava na faculdade. Aquele repórter que Ivan mostrou para a psicóloga.

Ligou o computador. Releu a notícia da briga da ex-colega ex-grávida e também ficou sabendo que o filme baseado no conto de sua ex-amiga saiu de cartaz por falta de bilheteria, além do grande prejuízo que quebrou a produtora. A decepção da moça foi tão grande que ela entrou em depressão e largou o grupo, sendo substituída por uma cantora profissional mais talentosa do que ela.

Na mesma hora, seu amigo virtual o chamou pelo chat:

Beltrano diz: Aquele emprego em São Paulo subiu no telhado.

Ivan diz: Que pena.

Ao mesmo tempo, o telefone da casa de Ivan tocou para lhe dar uma notícia. Ele estava sozinho.

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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Por dudu oliva

Um dos grandes problemas quando resolvo escrever uma crônica é o tema. Como posso desenvolver meus textos de uma forma original?

Por exemplo, as enchentes e deslizamentos de terra que acontecem todos os anos no verão. A ordem do discurso remete às palavras chaves especulação imobiliária, politicagem e falta de planejamento urbano. Em qualquer parte, todos falarão as mesmas palavras e sem querer repetirei a mesma coisa.

Como já sabem, não sou um bom cronista. Aliás, já escrevi isso nos meus primeiros posts. Não consigo dar um traço bacana nas minhas crônicas e elas acabam um amontoado de palavras vomitadas no blog. E não tenho uma gama de assuntos atraentes para argumentar. Tenho a sensação que estou sempre me repetindo ou andando em círculos.

Também, dizer o que todo mundo já sabe, não vale a pena e o silêncio, pode ser uma maneira de protesto num mundo que é imperado pelo barulho.

Outra dificuldade que tenho é o desfecho da crônica. Não sei como vou terminá-la. Fico pensando e reescrevendo. Na realidade, penso que o motivo de não conseguir acabar é porque o texto ainda não está pronto. Está verde ainda.

Terminarei por aqui. Um dia, concluo...

Encontrei um belo texto que define de uma maneira lírica a crônica e que concordo bastante. Parece que foi escrito por Eça de Queirós:

O Valor da Crónica de Jornal



A crónica é como que a conversa íntima, indolente, desleixada, do jornal com os que o lêem: conta mil coisas, sem sistema, sem nexo, espalha-se livremente pela natureza, pela vida, pela literatura, pela cidade; fala das festas, dos bailes, dos teatros, dos enfeites, fala em tudo baixinho, como quando se faz um serão ao braseiro, ou como no Verão, no campo, quando o ar está triste. Ela sabe anedotas, segredos, histórias de amor, crimes terríveis; espreita, porque não lhe fica mal espreitar. Olha para tudo, umas vezes melancolicamente, como faz a Lua, outras vezes alegre e robustamente, como faz o Sol; a crónica tem uma doidice jovial, tem um estouvamento delicioso: confunde tudo, tristezas e facécias, enterros e actores ambulantes, um poema moderno e o pé da imperatriz da China; ela conta tudo o que pode interessar pelo espírito, pela beleza, pela mocidade; ela não tem opiniões, não sabe do resto do jornal; está nas suas colunas contando, rindo, pairando; não tem a voz grossa da política, nem a voz indolente do poeta, nem a voz doutoral do crítico; tem uma pequena voz serena, leve e clara, com que conta aos seus amigos tudo o que andou ouvindo, perguntando, esmiuçando.

A crónica é como estes rapazes que não têm morada sua e que vivem no quarto dos amigos, que entram com um cheiro de Primavera, alegres, folgazões, dançando, que nos abraçam, que nos empurram, que nos falam de tudo, que se apropriam do nosso papel, do nosso colarinho, da nossa navalha de barba, que nos maçam, que nos fatigam... e que, quando se vão embora, nos deixam cheios de saudades.



Eça de Queirós, in 'Distrito de Évor
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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011


João Paulo Mesquita Simões


Selo de D. Luis de 1893, com sobrecarga "PROVISÓRIO" em dupla impressão.
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