quinta-feira, 29 de abril de 2010

João Paulo Mesquita Simões

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domingo, 25 de abril de 2010

Por Ed Santos



Quero estar deitado, sempre
Colado no calor do teu ventre
E apreciar ludicamente
toda a diferença entre o dia e a noite.
Quero ao amanhecer traçar o meu destino,
finito que seja, mas quero tê-lo, brincando.
Quero ver a chuva morna cobrir o campo,
e nela poder descansar.
Quero o belo da noite,
E depois do limite do dia,
pro teu colo poder regressar.
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sábado, 24 de abril de 2010

Microcontos de Gustavo do Carmo




Pirataria


Fez muito sucesso com a sua biografia. Logo depois foi condenado por plágio. Tinha uma vida tão medíocre que era considerada uma pirataria.


Plágio


Orgulhava-se da sua melhor obra. Mas foi acusado de plágio: a sua obra era uma linda menina que achava ter tido com a sua esposa e que registrara como sua.


Trabalho


Após uma discussão seu pai teve um infarto e morreu. A irmã não o perdoou: "Você matou o papai!". A discussão era porque o filho balzaquiano queria trabalhar como vendedor e o pai e a irmã não o deixaram.


Rede Social


Queria resgatar os seus antigos contos publicados numa rede social. Só conseguiu achar no best-seller de um novo grande talento da literatura que não era ele.



Feio


Ele tinha enorme atração sexual e afetiva pelas cegas. Achavam que elas não veriam sua fealdade. A primeira que ele conquistou o rejeitou só pelo bafo que sentiu.


Onda


Tirou onda de balconista de botequim para um programa de TV. No dia seguinte implorou por um emprego ao português dono do estabelecimento.


Falido


O jornalista desempregado queria escrever sobre uma empresa extinta para um jornal voluntário. Pediu uma sugestão ao pai: — Pai, diz aí uma empresa que já faliu. — A nossa loja.



Lutadora


Fotografou uma lutadora bem gata. Levou uma surra. Ficou sem as fotos e o equipamento.


Proposta


Tiveram o melhor dia e a melhor noite do namoro. No dia seguinte, ela quis terminar tudo porque recebeu uma proposta para trabalhar em São Paulo.



Demitido


Descobriu que estava demitido quando chegou na empresa normalmente para trabalhar e foi expulso pelo segurança.



Reunião


De tanto ouvir a mãe o tio falando do reencontro das famílias de ambos os pais, o menino sonhou com o mesmo entre os seus. Cresceu e esteve para se casar. Realizou o sonho de reunir as famílias dos pais divorciados. Mas não teve festa porque a noiva o abandonou no altar para ficar com seu amigo.
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sexta-feira, 23 de abril de 2010

Por dudu oliva 










    
  Max, um garoto problemático e não consegue lidar com seus sentimentos. Depois de ter raiva da mãe que leva um namorado para casa e a distância da irmã mais velha, o menino se traveste de lobo e briga com a mãe, fugindo de casa em seguida. No meio da mata, encontra um barco e, à deriva, chega a uma ilha estranha, cheia de monstros.
  O filme faz uma travessia dos sentimentos humanos, apesar de ser considerado infantil, muitos adultos irão se identificar com muitas passagens do longa metragem. Até porque, muitas vezes não somos educados para lidar com os sentimentos e há muitos adultos imaturos emocionalmente, que consequentemente veem suas relações amorosas e de trabalho prejudicadas, devido a esta falta de equilíbrio em controlar os sentimentos. 
  Os monstros representam os sentimentos humanos. Somos bichos também, apesar da nossa pretensa racionalidade. Os monstros não estão fora da gente, muito pelo contrário e o filme mostra muito bem este fato. A história como na vida não há o maniqueísmo e a vitimização do protagonista, ninguém é culpado de nada. O filme mostra que precisamos lidar com nossas feras internas e respeitar o espaço do outro. Muitas vezes é difícil desviar o olhar do nosso umbigo, porém é necessário. 




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quinta-feira, 22 de abril de 2010

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João Paulo Mesquita Simões

Um vídeo interessante, embora em inglês, mas que nos mostra o processo da feitura do selo.

Espero que apreciem!

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terça-feira, 20 de abril de 2010

de Miguel Angel

(...) Nessa aventura nunca sonhada pela menina, o medo começava a virar terror de desconhecidos pesadelos. Chegando ao topo da escada, Iracema teve de soltar a garota para empurrar com as duas mãos a tampa que fechava uma estreita passagem. Ao abri-la, forte luz e mistura de perfumes as invadiu. Iracema desapareceu por ela. Entrando pela abertura discreta do assoalho do banheiro, ela era observada por um Ricardo Alvarenga nu, apoiado na borda de ampla banheira por onde escapavam vapores e aromas de sais. No sorriso debaixo do bigode e no olhar úmido tremiam e brilhavam sincopadamente a luxúria e o desprezo. Iracema, de cócoras, tentando não olhar para ele, hesitou, temerosa de falhar nas incumbência do patrão e nas quais nunca conseguira habituar-se. Mas os poucos segundos que demorou foram demais. Na penumbra da escada, o tempo era outro: esperando pela tia que demorava a voltar, a menina sentiu de repente seu novo terror crescer mais que o medo de apanhar e apavorada quis voltar para casa. Vacilou para se livrar do pirulito que segurava, e tentou descer apoiando-se na úmida parede apenas com uma mão. Iracema já esticara o braço pela abertura, e vendo-a afastar-se degraus abaixo, gritou: "Fica quieta, moleca!"
Tudo em dez segundos: o grito de Iracema ecoando nas paredes do poço aumentou o pavor da pequena fugitiva. Tentando olhar para o alto, em direção à tia, foi caindo sem um grito, ouvindo-se somente o ruído do corpo batendo nos degraus, até chegar ao chão e ficar imóvel. Em silêncio, um estertor final apertou o pirulito com mais força.

No banheiro, Alvarenga entendeu tudo antes da menina atingir o chão.
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Fragmento do capítulo: "SÃO PAULO, CEMITÉRIO DO CAFÉ. / "CAIPIRÃO RUBIÁCEA", PIERRE E SUA LÍNGUA NORDESTINA. / CONSPIRAÇÃO DE TENENTES E PAULISTAS "CARCOMIDOS" Do romance de Miguel Angel Fernandez "A CENA MUDA"

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domingo, 18 de abril de 2010

Por Ed Santos



Eles eram como unha e carne. Não se desgrudavam um do outro. Tudo o que iam fazer, faziam sempre juntos. O lugar em que habitavam não era dos piores, mas mesmo assim aprenderam a pisar, em curtos passos, nos locais que lhes ofereciam menores riscos. Eles sempre viveram ali, mas tinham, vez por outra, que buscar outros caminhos.     Era impossível, por questões de logística, viverem apenas do que tiravam dali. Então iam buscar subsistências em outros terrenos.
Aí veio a gravidez, e com isso o casal começou a repensar a vida. Os objetivos já não eram mais os mesmos, e a necessidade de mudarem-se pra outro local, tornou-se fato, porém pareciam super preparados para a nova etapa. Engraçado é que nunca sequer, pensaram em procriar – deve ser coisa de instinto -, e sem obstáculo algum, foram tocando, e aguardavam a surpresa e novidade.
Providenciaram um cantinho muito generoso para o visitante. Um belo dia, eis que a cria chega, e mais uma vez movido pelo instinto, o pai resolve sair para buscar alimento. Deu-se então o primeiro dilema: aquele rato nunca havia saído sozinho de casa. O mundo fora daquele porão úmido e escuro seria fatalmente agressivo para ele. Teve medo.
Mas com a felicidade lhe estampando a cara bigoduda, e incentivado pela companheira, que acabara de parir, botou as patas pra fora da toca, antes de dar o passo fundamental de sua aventura solitária. Ao olhar pra trás, notou que o bebê procurava o peito da mãe fervorosamente, então lembrou-se que como os humanos, era mamífero. Não sabia se estava feliz porque o pequeno roedor estava se alimentando, ou por não ter tido a necessidade de sair dali sem companhia.
Quando já estava na hora de recolher-se, pôs-se a pensar em como seria os próximos dias daquela família, que habitava aquele lugar inóspito e que teve sua rotina alterada por um novo e miúdo hóspede.
No frio cortante que fazia naquela noite, ele não teve dúvida e foi sem medo, então, em busca de agasalho para o inverno. Mesmo sabendo que desse mundo nada levaria, nem sua casa, nem seu alimento, nem sua família, ficou triste. Coitado é o filho do rato, que nasce pelado.
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sábado, 17 de abril de 2010

Por Gustavo do Carmo


Matou uma família. À sangue frio. Estuprou a mulher, a filha adolescente e o caçula de onze anos. Degolou o avô e estourou a cabeça do chefe que chegara cansado e rendido do trabalho. Mulher e filhos sobreviveram fisicamente, mas a moral e o prazer de viver de ambos também foram dizimados. O vagabundo fugiu para o seu barraco na Favela do Canário Pelado.

Zé Perygozo (com y e z, mesmo) foi preso dois meses depois da sua festa de 18 anos, dada pelo pai adotivo, líder comunitário e alheio ao crime do filho. A chacina da família foi cometida um dia depois do aniversário. Já era maior de idade e podia responder como adulto. Foi mandado para a prisão, mas os assistentes sociais defensores dos direitos humanos o mandaram para uma cela especial, pois sua vida corria risco porque estuprara uma criança.


Como não tinha uma carceragem só pra ele, o colocaram junto com um universitário acusado de injúria racial. O jovem, mal interpretado num momento de raiva pelo segurança burocrático de um museu, tentou fazer amizade com Zé. Teve o relógio roubado e foi esganado. O meliante rasgou as roupas de sua nova vítima. O menino foi encontrado de cueca, pendurado pelo pescoço e pelas roupas amarradas no cano d’água da cela.


Zé Perygozo foi apenas uma inocente “testemunha” do suicídio do universitário, mas não escapou da condenação por 16,5 anos pelo duplo homicídio da família pagadora de impostos. O julgamento foi realizado três anos depois do crime. Período que Zé cumpriu inteiramente na Casa de Custódia para onde foi transferido. No ano seguinte, ganhou progressão de pena por ter cumprido um sexto dela e apresentado bom comportamento. Saiu com uma Bíblia nas mãos.


Zé Perygozo foi assistido na sua saída da prisão por um casal de assistentes sociais. Um casal chamado Culpa e Remorso, que o tentava dissuadir da vida de crimes. Os dois não saíam do seu pé. Zé Perygozo também era teimoso. Não cedia nunca. Até que se estressou e estuprou a Culpa e obrigou o Remorso a assistir a cena. Depois, os acertou no coração com sua Divina, a pistola de estimação com o qual sempre andava, matou a família do início e não se separou nem na cadeia. Abandonada, só a Bíblia.


Zé Perygozo voltou para a sua favela e foi recebido como herói. O pai havia morrido do coração quando o filho foi condenado. Perygozo preferiu assumir a Boca do Tráfico da favela.

Zé Perygozo sentiu saudades do trabalho de campo. Como um apresentador de telejornal que sente saudades das reportagens de rua, o traficante foi até a Marginal e roubou um carro médio importado da Argentina. Sortudo, apostou numa vítima indefesa e não se preocupou com a película escura do vidro. Como agradecimento pela entrega fácil do carro, engatilhou sua Divina na cabeça da professora.


Aliviado, curtiu pela última vez sua Divina que não foi páreo para a Magnum da Justiça, ex-assaltante de banco, ex-vereadora e ex-policial convertida ao evangelho, que expulsou os traficantes da Favela do Canário Pelado e assumiu a liderança da comunidade, promovendo a paz e a tranquilidade até as águas de março fecharem o verão, quando o antigo lixão foi devastado por um temporal.
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sexta-feira, 16 de abril de 2010

Por dudu oliva

O Sábio

Aquele que conhece os outros é sábio.
Aquele que conhece a si mesmo é iluminado.

Aquele que vence os outros é forte.
Aquele que vence a si mesmo é poderoso.

Aquele que conhece a alegria é rico.
Aquele que conserva o seu caminho tem vontade.

Seja humilde, e permanecerás íntegro.

Curva-te, e permanecerás ereto.

Esvazia-te, e permanecerás repleto.

Gasta-te, e permanecerás novo.

O sábio não se exibe, e por isso brilha.

O sábio não se faz notar, e por isso é notado.

O sábio não se elogia, e por isso tem mérito.

E, porque não está competindo,
ninguém no mundo pode competir com ele.

Autor: Lao Tsé- TAO TE KING

Texto retirado do blog:

http://idealiapolaris.blogspot.com/
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quinta-feira, 15 de abril de 2010

João Paulo Mesquita Simões



Este artigo, é um excerto do “Boletim do Clube Filatélico de Portugal” nos seus números 31/32 de 1952.

Dizia assim:



Pela primeira vez na rádio portuguesa:

Rádio Ribatejo inaugurou uma secção filatélica semanal.

Depois da Imprensa, a Rádio. Pela primeira vez em Portugal, Rádio Ribatejo que o Sr. Capitão Jaime Varela dos Santos dirige com tanta proficiência e espírito de sacrifício, inaugurou uma secção filatélica, em cujo primeiro número o Sr. Dr. Vasconcelos Carvalho, presidente do nosso Clube, proferiu as seguintes palavras:

Atrazada até há pouco, em relação à maioria dos países estrangeiros, a filatelia portuguesa desenvolveu-se gradualmente nos últimos dez anos e entrou agora numa fase de extraordinário desenvolvimento e prestígio, para o que são de salientar três factores essenciais: O bom senso, o bom gôsto de alguns homens de dinheiro, os leilões filatélicos, e a acção persistente e entusiástica do Clube Filatélico de Portugal. (...).

Pela primeira vez na Rádio portuguesa, Rádio Ribatejo, seguindo o exemplo dos grandes países, inaugura hoje uma página filatélica, brilhantemente dirigida por Filipe Domingos.

Agradecendo a honra imerecida de me ter escolhido para fazer a abertura, expresso a Filipe Domingos e a Rádio Ribatejo a gratidão de todos os filatelistas portugueses. E faço votos porque o exemplo frutifique (...) e prestigie a filatelia portuguesa que em Setembro de 1953 comemora o primeiro centenário do nosso selo postal, com uma Exposição Internacional e um congresso da Federação Internacional de Filatelia, que a Lisboa trarão alguns dos mais ilustres filatelistas de todo o mundo.


Depois de Gutenberg, da Rádio, temos hoje a Internet, grande contributo para a divulgação da Informação sobretudo a partir daquilo que dizemos nos Blogues.

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Por Gustavo do Carmo

A novela que mais representou os costumes urbanos e cariocas da década de 1980 está completando, hoje, 25 anos. No dia 15 de abril de 1985 foi ao ar, às seis da tarde, na Rede Globo o primeiro capítulo de A Gata Comeu. Escrita por Ivani Ribeiro e dirigida por Herval Rossano, era um remake de A Barba Azul, exibida onze anos antes pela extinta TV Tupi. Esta foi estrelada pelo casal Eva Wilma (Jô Penteado) e Carlos Zara (Professor Fábio).

A Gata Comeu foi protagonizada por Christiane Torloni que vivia a rica, mimada e sonâmbula Jô, uma bela mulher que já tinha sido noiva sete vezes, mas nunca conseguiu amar os seus pretendentes, fazendo-os de gato e sapato. Já Fábio era um simples professor de escola primária interpretado por Nuno Leal Maia. Ele organizou uma excursão com seus alunos, entre eles o seu filho mais velho, Cuca, a uma ilha paradisíaca no Rio de Janeiro. A viagem foi patrocinada pelo empresário Horácio Penteado (Mauro Mendonça), pai de Jô. Por causa de um temporal, o iate emprestado por Horácio foi desviado para uma ilha deserta sem nenhuma comunicação. Fábio sofreu não só com o acidente da excursão como também com os chiliques de Jô, os ciúmes de sua noiva Paula e os roubos feitos por pescadores. Quem também aprontava era o divertido casal Gugu e Tetê, interpretados por Cláudio Corrêa e Castro e Marilú Bueno. Os dois brigavam como cão e gato, mas se amavam. Quando Tetê ficou grávida de Gugu no meio da novela, começou a ter desejos mirabolantes como carne de macaco (alimento deles na ilha) e pirulitos coloridos.

De tanto brigarem também, Fábio e Jô, de volta à cidade, acabaram se apaixonando. Prestes a se casarem, eram vítimas das armações da agora ex-noiva Paula (Fátima Freire) e da irmã postiça e invejosa Gláucia (Bia Seidl), respectivamente. Tanto fizeram que Jô acabou se acidentando. Meses depois, após pensar que o pai tinha se suicidado, Jô perdeu a memória e se esqueceu do grande amor da sua vida. Para ajudá-la a se lembrar dele, Fábio reorganizou, a pedido dela, a excursão feita no início da novela.

No núcleo coadjuvante, destaque para as crianças que formavam o "Clube dos Curumins" (entre eles os hoje conhecidos Danton Mello e Juliana Martins) e o jovem triângulo amoroso formado por Tito (Jayme Periard), Babi (Mayara Magri) e Zé Mário (Élcio Romar) que se fingia de cego e usava o nome de Braguinha para conquistar a filha mais velha e mal-humorada do casal Gugu e Tetê. Havia também outros dois picaretas na novela e eram interpretados pelos saudosos Luiz Carlos Arutin e Laerte Morrone. O primeiro era Oscar, o aposentado tratado a pão-de-ló pela esposa Conceição (Dirce Migliaccio), mas que saía escondido para azarar algumas garotas nas praias da zona sul. Já Vitório era um pobre garçon que fingia ser o Conde di Parma para conquistar Gláucia (Bia Seidl), irmã postiça e arrogante de Jô. Mas ele acabou se apaixonando por Ivete (Nina de Pádua), filha de Oscar. Temos que lembrar também dos personagens de Roberto Pirillo (Tony) e Eduardo Tornaghi (Rafael) que moravam juntos com Zé Mário e Vitório. O primeiro era metido a galã e acabou casando com Paula. O segundo era o ex-namorado de Jô e um ator que recusava convites de televisão em defesa do teatro. A Gata Comeu foi um dos primeiros trabalhos de José Mayer, Bia Seidl e a estreia de Deborah Evelyn.

A Gata Comeu não conquistou a geração 80 e as crianças que hoje beiram ou já passam dos trinta só pela sua história simpática, divertida e positiva. A trilha sonora até hoje é lembrada por seus fãs. No disco nacional (nenhum brasileiro sabia na época o que era CD), a novela era embalada pelo tema de abertura COMEU, composta por Caetano Veloso, mas interpretada pelo Grupo Magazine, de Kid Vinil; por AMIGO DO SOL, AMIGO DA LUA, música emocionante de Benito diPaula, tema de Fábio; SÓ PRA O VENTO, de Rittchie, cantada para Jô e TIPO ONE WAY para Babi do grupo Ciclone, uma não-vingada cópia nacional dos Menudos, febre da época. Entre as músicas estrangeiras, ícones da década como Freddie Mercury (I WAS BORN TO LOVE YOU), Men at Work (EVERYTHING I NEED), Bryan Adams (HEAVEN), Mick Jagger (JUST ANOTHER NIGHT), Manhattans (FOREVER BY YOUR SIDE), Jim Diamond (I SHOULD HAVE KNOWN BETTER - conhecida no Brasil como "Melô do Bombeiro") e até outra imitação dos Menudos: os argentinos Tremendo (WE CAN CHANGE THE WORLD). Uma curiosidade da trilha sonora foi que o disco internacional chegou às lojas com a música CRAZY FOR YOU, de uma Madonna ainda jovem, mas por motivos contratuais teve que ser substituída por SMOOTH OPERATOR da romântica e charmosa Sade.

Reprisada várias vezes, inclusive recentemente pelo canal a cabo Viva, a Gata Comeu pode continuar sendo reprisada sempre, mas como a Rede Globo adora regravar novelas, torço para que a história de Ivani Ribeiro entre para esta lista composta  pela própria e também por Roque Santeiro, Selva de Pedra, Mulheres de Areia, A Viagem, Irmãos Coragem, Anjo Mau, Pecado Capital, Cabocla, Éramos Seis, Ossos do Barão, Escrava Isaura, Sinhá Moça, O Profeta, Paraíso, Tititi, contemporânea de A Gata Comeu, Guerra dos Sexos, O Astro, Gabriela, Saramandaia, o Rebu e Sassaricando (rebatizada de Haja Coração).

Parabéns a todos os atores, diretores e outros membros da equipe desta marcante novela que terminou no dia 18 de outubro do mesmo 1985.



Fontes de consulta:


- www.teledramaturgia.com.br

- Almanaque dos Anos 80 (Luiz André Alzer e Mariana Claudino)
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domingo, 11 de abril de 2010

Por Ed Santos



Há quem diga que inspiração vem de dentro, do espírito. Outros afirmam que inspiração é dom. Não consegui chegar à nenhuma conclusão.
        O fato é que podemos nos inspirar em vários momentos de nossas vidas. Em momentos tristes ou em momentos felizes, não importa, cada um em seu momento certo. Resta aprender a identificá-los. O local que ocorre também varia. Pode ser no banheiro ou na varanda de um hotel de frente pro mar, no trânsito, etc. Este texto mesmo é um exemplo. Ele surgiu enquanto eu lia uma matéria sobre a vida de Pixinguinha, compositor do sucesso “Carinhoso”. Estava eu numa praça de alimentação debruçado sobre os escritos, e li que o maestro era um exímio compositor e que se tornou referência em seu estilo, o chorinho, graças ao seu poder de criação. Em determinado momento da leitura, lembrei que recebi um texto sobre a história da música “Flor de Lis” . Segue o texto:
       
“Djavan teve uma mulher chamada Maria, os dois teriam uma filha que se chamaria  Margarida, mas sua mulher teve um problema na hora do parto e ele teria que optar por sua mulher ou por sua filha....
Ele pediu ao médico que fizesse tudo que pudesse para salvar as duas, mas o destino foi duro e a mulher e a filha faleceram no parto.
Agora é possível ‘sentir’ a letra da música.
Conhecendo esta breve história passamos a ouvir a música sob novo contexto, entendendo como a dor pode ser transformada em poema e arte.

Flor de Lis

Valei-me, Deus!  É o fim do nosso amor
Perdoa, por favor, eu sei que o erro aconteceu.
Mas não sei o que fez, tudo mudar de vez.
Onde foi que eu errei?
Eu só sei que amei, que amei, que amei, que amei.
Será talvez que a minha ilusão, foi dar meu coração,
com toda força, pra essa moça me fazer feliz,
e o destino não quis, me ver como raiz de uma flor de lis.
E foi assim que eu vi nosso amor na poeira, poeira.
Morto na beleza fria de Maria.
E o meu jardim da vida ressecou, morreu.
Do pé que brotou Maria, nem Margarida nasceu.
E o meu jardim da vida ressecou, morreu.
Do pé que brotou Maria, nem Margarida nasceu.”

        Como vemos, pouco importa o momento da inspiração. O importante é o resultado que ela cria, a ponto de transformar emoção em lógica. Não posso afirmar a veracidade do texto, mas digo que após lê-lo, passei a ouvir a música e interpretá-la de um jeito diferente. Você não?
Esse poder das pessoas de interagirem com o acaso é que me faz acreditar cada vez mais que todos podemos superar à tudo. Até mesmo a morte. Mesmo que seja apenas em poesia.
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sexta-feira, 9 de abril de 2010

Por dudu oliva

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quinta-feira, 8 de abril de 2010

João Paulo Mesquita Simões


A Igreja Católica comemou no passado dia 2, o quinto aniversário da morte de João Paulo II.
Foi, de facto, um homem que marcou o seu Pontificado e, sobretudo, admirado pelas outras Religiões.
Na época, eu escrevia para o jornal "Diário de Coimbra" e publiquei o artigo que transcrevo abaixo.


João Paulo II

Morreu um homem bom.
Foi com grande pesar que a Comunidade Católica mundial recebeu a notícia já esperada, da morte do Papa mais popular dos últimos tempos. Político, religioso, foi ele quem conseguiu dentro do seio da Igreja Católica, unir outras religiões tendo sido mesmo o primeiro papa a entrar numa Sinagoga e numa Mesquita. Politicamente, ajudou a desmembrar o Comunismo da Europa de Leste. Homem dotado de um espírito jovem, reformulou algumas ideias dentro da Igreja, sendo conservador quanto à questão do aborto.
Foi chamado o Papa Peregrino por ter sido o Chefe da Igreja que mais deslocações fez ao estrangeiro – o equivalente a trinta voltas ao Mundo!
Era adorado pelos jovens até à casa dos trinta anos, pois sabia dialogar com eles e, devido ao seu longo pontificado de vinte seis anos e meio, foi o único papa conhecido no meio juvenil.
Karol Jóseph Wojtyla, nasceu a 18 de Maio de 1920 na Polónia. Foi sempre uma criança amável e bondosa. Fez os seus estudos eclesiásticos no seu país e a 16 de Outubro de 1978 foi eleito o primeiro papa não italiano em 455 anos e o primeiro papa eslavo da História. Fez 482 canonizações e 1338 beatificações onde se incluem os Pastorinhos Jacinta e Francisco. Veio a Portugal pela primeira vez a 12 de Maio de 1982 agradecer a Nossa Senhora de Fátima de quem era grande devoto, o ter salvo de um atentado na Praça de São Pedro no Vaticano no ano anterior. Conseguiu cumprir os três sonhos do seu Pontificado: o fim do Comunismo na Europa de Leste, ter estado na Terra Santa e entrar no terceiro Milénio. João Paulo II morre um mês antes de completar os oitenta e cinco anos vítima de uma paragem cardíaca, uma septicemia e uma infecção urinária.
Os selos aqui apresentados são da sua visita ao nosso País desenhados por José Cândido e Litografados na Imprensa da Maia. É uma série de três valores do qual destaco o valor mais baixo – 10$00 – e que circularam de 13 de Maio de 1982 até 31 de Agosto de 1989. O outro selo pertence a uma colecção do Vaticano alusiva aos vários papas que por aquele Estado passaram.
Um Homem que marcou profundamente a História.
Descansa em paz, Karol Wojtyla!
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terça-feira, 6 de abril de 2010

de Miguel Angel

CAP. 1
COMEÇOU NA SEGUNDA-FEIRA

Foi na segunda-feira, ainda estava acamado, mas a febre e as dores no corpo todo haviam passado. Estava mais era fingindo para não ir à escola. Então ela entrou no quarto quase às escuras, devagar, cuidando para não fazer barulho, procurando algo. Ele fingiu que dormia, mas a observava entre-pestanas. Ela revirou alguns objetos, e quando se preparava para sair:
- Que tá procurando Ivone?
- Hi, acordei você? Desculpa.
- Já tava acordado.
- Ainda bem. Sabe aquela revistinha que você me mostrou?
- A de sacanagem?
- Deixa disso, menino, que teu pai não saiba. Esquece o que falei, vai.
- Mas foi ele que me deu.
- Não acredito. Mesmo?
- Pergunta pra ele.
- Eu, hein? Não quero que ele saiba que eu sei disso.
- Que que tem?
- Não é direito. Sei lá, uma mulher da minha idade vendo essas coisas com um menino.
- Menino? Já tenho treze! Gostou daquelas fotos, né, malandrinha?
- Sei lá. De algumas. Das outras não. Muito indecentes. Nossa! Mesmo na minha idade nunca vi... assim... coisas assim.
- Já fez igual aquelas que ce gostou?
- Pensei, só.
- Em fazer?
- Eu não! Que é isso menino? Eu não, uma colega daqui do prédio queria ver.
- Vem cá Ivone. Olha só como este papo tá me deixando.
- Nossa, menino! Que é isso? Se cobre. Todo nu aí com febre e gripe, sem coberta!
- Me cobre você, Ivone.
- Pode deixar. Mas. Nossa, que é isso aí, moleque.
- Uma coisa dura. Mexe nele pra você ver.
- Eu não! Vai! Bota as pernas pra dentro das cobertas. Deixa eu arrumá essa cama. Solta minha mão, menino. Que é isso? Nossa. Não é mesmo que tá bem duro. E quentinho. E grandinho para um moleque como você.
- Mexe nele Ivone, vai.
- Eu não! Onde já se viu? Deixa eu te cobrir direito... Hum... Assim que se faz?
- Agora dá um beijinho nele.
- Eu não!... Pronto, já dei.
- Lambe ele, Ivone, bota na boca.
- Eu não!... Hum. Assim?
- Isso, Ivone. Não sai daí. Não tira, chupa, chupa. Mais um pouquinho. Gostoso. Vou gozar, Ivone. Caracas! Vai, Ivone. Não para agora! Aaah!
- Acabou? Posso te cobrir agora? Pronto. Mas que menino assanhado. As coisas que faz gente fazer.
- Adorei Ivone. Você tem que aprender bastante, mas tá no caminho. Eu vou te ensinar mais coisas gostosas depois. Quer?
- Eu não! Olha aqui. Que ninguém saiba dessas indecências que você me obrigou a fazer, viu?
A resposta foi um sorriso na boca e um pequeno desmaio na cochilada.
Depois de limpar o chão com o pano que levava no bolso do uniforme, Ivone saiu do quarto em silêncio.
No corredor, ela murmura:
- Me ensinar? Moleque babaca. Isto é apenas o começo. Vou te viciar de mim! Depois vamos ver.

(Continua no Cap. 2: Terça feira)
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segunda-feira, 5 de abril de 2010

Entrevista concedida por e-mail a Gustavo do Carmo
Perfil por Sheila Fonseca



Um mergulho no universo cênico



Mutação, corpo, som e movimento. Esses são os instrumentos utilizados por Elias Hatab no processo da arte de atuar, ao qual o jovem ator carioca se entrega com profundidade.

Descobriu seu interesse pelas artes cênicas aos 14 anos quando à convite de um amigo foi assistir a uma aula do curso livre de teatro, do professor Vivaldo Franco, no teatro Zimbiensky, na Tijuca.“Fui de início despretensiosamente e simplesmente me apaixonei. O Vivaldo era um professor maravilhoso e ali eu percebi que era o que eu buscava. Nós fizemos o curso e ao final encenamos uma peça infantil chamada A Caminho de Belém e aquela experiência de palco foi maravilhosa.” diz o ator.


No ano seguinte, entrou no ensino médio e pressionado pelas obrigações com estudo fez uma pausa “Nunca sofri tanto em toda a minha vida (risos). Era complicado assistir televisão, ir ao cinema ou ao teatro e sentir que não era eu quem estava ali. Foi duro, mas ao mesmo tempo essa aferição foi fundamental para que eu tivesse a certeza de que era aquilo que eu realmente queria para a minha vida, que esse era o caminho real. Foi um amadurecimento importante.” conta Elias.


Quatro anos depois retornou ao teatro em um curso de interpretação ministrado pelo ator Yuri Gofman.Trabalhando em um escritório de sua tia, por sugestão dos tios de que seria interessante uma formação, ingressou na faculdade de Gestão Empresarial, na Universidade Veiga de Almeida, mas ao término do 1º período, deixou a faculdade e retornou ao teatro.Fez inúmeros cursos, workshops com profissionais renomados de artes cênicas, dentre eles Daniel Ghilveder, Régis Faria, Flávio Colatrello e em seguida ingressou na CAL (Casa de Artes de Laranjeiras) no Curso de Formação de Atores.Já participou de diversos espetáculos teatrais como Cabaré - A Vida Como Ela É, Bodas de Sangue, Nem Tudo está no Timing, A volta da Velha senhora, O Espelho Encantado, dentre outros.


Participou da webnovela ‘Pela Primeira Vez’, em 2009.
Em cinema participou do filme High School Music – O Desafio, da Disney e da Total Filmes, que entrou em cartaz em fevereiro de 2010.

Seu trabalho mais recente em teatro é a esquete ‘O Acre’, baseada na obra ‘Tudo no Timing’, do dramaturgo norte-americano David Ives, que vem sendo encenada em eventos diversos eventos na cidade do Rio de Janeiro como Araka, Corujão da Poesia, Arte em Andamento e Pitada.

A esquete é parte integrante de um projeto de Elias Hatab, cuja proposta é a encenação de esquetes e realização de pequenas intervenções teatrais em eventos multiartísticos, multiculturais ou abertos, em que as pessoas possam ter acesso e se socializar com a linguagem teatral de uma maneira mais próxima. A intenção é remover a formalidade do espaço teatral tradicional e o distanciamento do palco, permitindo assim, que se promova uma popularização do teatro e uma troca de experiências com o público.


Ao Tudo Cultural, Elias fala sobre o início de sua carreira, seus trabalhos, seus personagens, projetos e preferências culturais.


Elias, foi muito difícil conseguir a sua primeira oportunidade no teatro?
A primeira peça que fiquei em cartaz, foi por acaso uma peça de final de curso. Nosso professor/diretor, Vivaldo Franco, montou "A Caminho de Belém" e conseguiu uma temporada de 1 mês no Teatro Ziembinski.

Você sofreu mesmo quando ficou fora das artes cênicas ou foi só uma brincadeira (risos)?
(faz uma pausa para pensar)
Não cheguei a morrer, nem entrar em depressão por causa disso, mas era bem chato não poder fazer o que eu amo.

Como surgiu o convite para fazer parte do elenco do filme High School Musical?
Um produtor me chamou para fazer o teste e eu passei.

Fale-nos sobre o seu personagem no filme e como você se compara ao personagem original norte-americano?
Não tem como comparar a versão americana com a brasileira. São bem diferentes.

De qual história de "A Vida como ela É" (de Nelson Rodrigues) você mais gosta?
O Desgraçado, mas sou meio suspeito para falar porque a encenei na CAL (Casa de Artes de Laranjeiras).

Como é ou são os seus personagens na peça Cabaré - A vida como ela é?
Fiz três quadros nessa peça. Um deles foi "Uma Senhora Honesta", junto a Ana Maria Lima e Felipe Miguel, no qual interpretei o Valverde, um homem hilariante e completamente submisso à esposa, e o Narrador. A outra foi "O Desgraçado", junto com o Felipe Miguel, alternei entre o Pimentel, Narrador e o Dr. Ribas. O terceiro quadro e não menos importante foi uma participação na cena "Selvageria" como um vizinho fofoqueiro, esse foi muito divertido.

Por que levar as histórias de Nelson Rodrigues para o formato de cabaré?
Nelson, assim como o Cabaré, não tem pudor em mostras algumas verdades...

Atuar em uma novela na internet é muito diferente de atuar na televisão? Tem alguma característica da web que exige uma forma de trabalho diferente?
Não sei, pois nunca fiz TV. Mas acho que não deve ser muito diferente, a linguagem é a mesma: vídeo. E, nos dois formatos, a proposta é fazer um trabalho de dramaturgia.

Como tem sido o retorno do seu projeto de encenação de esquetes e realização de pequenas intervenções teatrais em eventos multiartísticos, multiculturais ou abertos, como a esquete 'O Acre'?
É muito bom poder mostrar um trabalho que você construiu com os amigos.
Eu, o Felipe Miguel e a Cecília Vaz estamos muitos felizes de poder compartilhar essa história maravilhosa.

Tem algum projeto mais próximo de produzir uma peça inteira?
Eu adoro escrever e penso nisso sim, mas não para agora.

Está satisfeito com a sua carreira ou planeja vôos mais altos?
Penso sempre em crescer e aprender na profissão.

Tem planos de concluir sua faculdade de Gestão Empresarial?
Acho que não. (risos)

Qual papel você mais gostaria de fazer?
Um Hamlet, talvez. Nunca tinha parado para pensar nisso, boa pergunta. (risos)

Qual o seu gênero preferido na arte cênica?
Comédia, sem dúvida.

Quem mais te ajudou e influenciou na sua carreira? Se for alguém do meio artístico, cite alguém da sua família e vice-versa.
Minha família sempre me ajuda. Quem mais me influencia são alguns atores brasileiros, tipo: Fernanda Montenegro, Tony Ramos e Glória Pires.

Perguntas pessoais: Gosta de ler? Gosta de escrever? Já escreveu algum roteiro? Qual seu livro preferido? Música? Peça? Filme? Novela ou programa de televisão? Quais os seus ídolos em cada gênero cultural?
Adoro ler. Adoro escrever. Tenho vários textos inacabados, mas estou trabalhando neles. Meu livro preferido: todos da série do Harry Potter, cresci lendo esse livro.
Música predileta é a Pop. Peça... Clasdestinos, gostei muito dessa peça.
Filme: Hair. Novela: A Favorita, que novela!!!!

Algum recado para os leitores do Tudo Cultural ou aspirantes às artes cênicas?
Estudem muito, é sempre o melhor caminho. Entrar no mercado de trabalho sem estar preparado eu não acho muito bacana.

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domingo, 4 de abril de 2010

Sábado à tarde o menino chora
cansado de tanto penar, pede

que o Hawai seja aqui.

Explica que teme os dias

mas eles aparecem, passam e somem.

Com a barba rasteira e o suor frio levanta e segue

Rota traçada e destino longo

Estrada esburacada com policiais corruptos sob os farois à noite

Pane no motor e lá se foi o sonho.

Quando fica tarde não existe saída nem de emergência

Acorda menino, antes que durma.
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sábado, 3 de abril de 2010

Por Gustavo do Carmo






Venha para São Paulo! Deixe o Rio pra lá! O Rio é a capital da bala perdida, dos arrastões, da morte gratuita. O Metrô daí não serve. Vive lotado. As pessoas morrem sufocadas. E o trem, então? É uma sucata. Anda sem maquinista. As pessoas são chicoteadas. E quando perdem a paciência: sai de baixo! Quebram tudo! Quebram a cidade inteira.



O Rio não presta! São Paulo é a cidade do futuro! Cidade cosmopolita. Bela e maravilhosa. É lindo andar na cidade de SÃO PAULO! Em São Paulo se come melhor. As pessoas trabalham sorrindo. É uma cidade alegre e limpa.



O Rio de Janeiro é sujo. Roubam-se placas e óculos de estátuas. Picham-se prédios e monumentos. A cidade cheira a lixo e a esgoto. A impressão que a gente tem é que o Rio é uma cidade que nasceu pra dar tudo errado. São três séculos de ocupação irregular.

Virei a casaca? Logo eu, o mais bairrista dos cariocas? Aquele que não vê os problemas da cidade e que nunca vai crescer por causa disso? O bairrista infantil, romântico e utópico? Não. As declarações de amor a São Paulo e de ódio ao Rio foram todas irônicas.

Aliás, sem ironia. É a mensagem que a imprensa nacional, inclusive a carioca, quer passar do Rio de Janeiro. Bombardeia as cabeças fracas e hipnotizáveis com notícias sobre todo tipo de violência urbana ocorrida no Rio de Janeiro. Principalmente nos jornais locais. E, para completar a lavagem cerebral, um comercial de São Paulo está sendo exibido nos intervalos desses informativos. O Brasil todo cabe em São Paulo. Convidando, aparentemente, para fazer turismo, mas a intenção real é incentivar a migração para o estado vizinho.

São Paulo pode até exibir comerciais do turismo carioca (embora nunca tenha visto nas vezes em que estive lá), mas desconheço algum comercial da Cedae, do Rio Sul, Norte Shopping ou do Barra Shopping e da Oi Fixo. Aquele comercial da Claro que enaltecia o Rio de Janeiro foi exibido em São Paulo? Claro que não.

Mas muitas vezes, nós, cariocas somos bombardeados por anúncios da Sabesp, do Shopping Itaquera, Telefónica (a fixa de São Paulo, não a antiga celular que atuava no Rio antes da Vivo) e até Magazine Luiza, estrelado pelo Faustão, que vive fazendo merchandising da rede de eletrodomésticos. Já o Luciano Huck faz merchan de outra rede, a Ricardo Eletro, mas pede desculpas pela loja não existir em São Paulo. Por que o Faustão não faz o mesmo pela Luiza por não ter no Rio? Até a Oi fez questão de anunciar para todo o Brasil que chegou a SP.

Voltamos a apresentar o noticiário. O RJTV tem até um comentarista para esmiuçar ainda mais a violência urbana no Rio. A rádio Bandnews virou a verdadeira rádio-patrulha. Noventa por cento das vezes que os locutores anunciam “Chamada agora do Rio de Janeiro: Cem policiais fizeram hoje uma operação na Favela da Chatuba, atrás de traficantes!”. Como se só existissem traficantes e favelas no Rio, né? Logo depois, entra a vinheta: “NA RÁDIO MAIS VELOZ DO BRASIL, SÃO PAULO 300 MILHAS! FÓRMULA INDY!”

Em São Paulo também tem violência. Jogam-se crianças do alto de um prédio, ex-namoradas são feitas como reféns por dias e depois assassinadas, pessoas são metralhadas no cinema, pessoas são abatidas com tacos de beisebol pelas costas e o PCC domina a cidade por um dia, fechando mais de 20 presídios e delegacias num dia de protesto e sequestrando até jornalista. Chegaram ao cúmulo de obrigar a Rede Globo, como resgate, a abrir vinheta de plantão para o bandido expor as suas ideias. Cidade onde médico esquarteja paciente e um médico estupra mais de 60 pacientes!



Mas isso logo é esquecido. Só lembram do helicóptero abatido por traficantes no Rio de Janeiro, sede das olimpíadas de 2016, que teria comprado o direito de sediar, já que não tem condições, pois São Paulo é melhor.

Até os problemas de São Paulo são melhores. Em São Paulo tem terremoto, quedas de avião e helicóptero. Coisa chique. Tragédias de Primeiro Mundo. Os engarrafamentos são enfrentados com prazer e alegria. Ninguém é assaltado. Não é assaltado porque não divulgam.

Cariocas e fluminenses, vamos fazer como o bom paulista, que ama e defende a sua cidade, o seu estado. Eu gosto de São Paulo, mas não suporto este imperialismo que está acabando com o Rio.

Vamos cuidar e dar valor à nossa cidade, ao nosso estado e tentar resolver os problemas. Vamos parar de achar que em São Paulo é tudo melhor que o Rio. É tudo igual! Palavra de quem já esteve lá várias vezes. Até os problemas e sujeiras são os mesmos. O dinheiro é que transforma São Paulo e os paulistas em imperialistas e leva tudo para lá.

Vamos parar de mudar para lá antes de procurar todas as oportunidades no Rio. Como diz o ditado: Quem procura acha. Antes de falar mal da cidade/estado que vocês abandonaram, vejam o que vocês não fizeram por eles.

Deputados fluminenses, vamos criar mais leis protecionistas para o estado do Rio de Janeiro. Tentem impedir propagandas de produtos e serviços indisponíveis no Rio. Obriguem a mídia a moderar as desnecessárias notícias das mazelas do Rio. Se São Paulo esconde sua violência urbana por que o Rio tem que mostrar? E claro, vamos ignorar os maus e os ex-cariocas.

Vamos boicotar noticiários que só propagam o lado ruim do Rio e o lado bom de São Paulo. Assim, a mídia vai tomar jeito.

Ou São Paulo vai continuar sendo a Pasárgada brasileira e a cidade onde cabe todo o Brasil, principalmente os refugiados fluminenses, expulsos pelo afundamento na lama do Rio, que pode se tornar inabitável se a mídia não parar de enaltecer nossas mazelas e os bandidos, políticos corruptos e ex-cariocas.


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quinta-feira, 1 de abril de 2010



João Paulo Mesquita Simões

A música é relaxante. Também depende da música que ouvimos e do nosso estado de espírito.
Confesso que adoro música. Não o batuque que hoje nos habituámos a ouvir, mas sim aquela música suave e, sobretudo, naqueles dias de maior stress, um clássico sabe sempre bem ouvir.
Por isso hoje, trago-vos uma emissão de selos do bicentenário de Schumann e Chopin.
A descrição abaixo, foi retirada da Pagela dos Correios de Portugal.


Bicentenário do Nascimento de Fryderyc Chopin e de Robert Schumann

Nasceram em 1810, com escassos três meses de diferença, duas figuras de vulto da música clássica de todos os tempos: Fryderyc Chopin, natural de Zelazowa Wola, uma aldeola perto de Varsóvia, e Robert Schumann, nascido em Zwickau, cidade não longe de Leipzig, na Alemanha Oriental.
Pioneiros e notáveis expoentes da música romântica, numa época de transição em que ainda imperava o classicismo nas suas várias formas de expressão, a eles se deve o desenvolvimento de algumas composições de características formais inovadoras, bem como a exploração de sentimentos e experiências novos, fruto de uma relação mais apaixonada com a arte, que também encontramos na obra de Delacroix, ou de poetas como Goethe e Heine, cujas palavras inspiraram Schumann.
Filho de pai francês e mãe polaca, Chopin cedo se revelou como genial intérprete de piano, vindo também a tornar-se um dos maiores compositores para este instrumento. Influenciado pela música de Bach e pelas óperas do amigo Bellini, a sua principal influência, contudo, terão sido as canções e danças populares da Polónia natal. Aos 20 anos radica-se em Paris, onde se tornou um dos intérpretes mais populares entre a aristocracia e dos mais bem pagos. Aí conheceu, em 1837, a romancista George Sand, com quem viveu dez anos e que foi a principal inspiradora dos períodos mais profícuos da sua criação musical. Dois anos após a separação, morre, com apenas 39 anos, vitimado por doença pulmonar que há muito se vinha manifestando. O legado que nos deixou, constituído por 170 composições, na sua grande maioria para piano, influenciou músicos como Brahms, Fauré e Debussy, continuando a deliciar os melómanos contemporâneos.
Apreciador da música de Chopin era Robert Schumann que, a propósito das suas Variações sobre “La ci darem la mano”, de 1827, terá exclamado: “Que génio, meus senhores! Tiremos-lhe o chapéu!”. Filho de um escritor e editor, Schumann herdou o gosto pela leitura dos escritores românticos da época, faceta que haveria de se manifestar no gosto pela palavra, quer como compositor de canções plenas de lirismo, tendo por base poemas de autores do seu tempo, quer como crítico musical numa revista por si fundada em 1834 e dirigida durante dez anos. Após a morte do pai cursou Direito em Leipzig, mas foi a música que o fascinou, em especial a música para piano, instrumento que começou a tocar com lições de Friedrich Wieck. Mas cedo teve de abandonar a interpretação devido à paralisia num dedo, pelo que se dedicou exclusivamente à composição, sobretudo de obras para piano, instrumento que lhe serviu de meio de expressão do pensamento com sublime perfeição. Em 1833 contraiu uma depressão que se iria manifestar recorrentemente ao longo da vida e que, após tentativa de suicídio, o levou mesmo ao internamento num hospital de alienados, onde viria a morrer, em 1856, com 46 anos de idade.
Património cultural da Humanidade, a obra perene e de alcance universal destes dois génios da Música justifica plenamente que os Correios portugueses lhes dediquem a presente emissão filatélica comemorativa.


Dados Técnicos


Obliterações do 1º dia em:
Lisboa / Porto / Funchal / Ponta Delgada

Emissão:
2010 / 03 / 01

Selos:
€ 0,68 – 230 000
€ 0,68 - 230 000

2 Blocos:
Com um selo cada
2 x €2,00 – 2 x 60 000

Design: José Brandão / Elizabete Rolo
Fotos: Corbis, Robert-Schumann-Haus, Zwickau
Agradecimentos:
Robert-Schumann-Haus, Zwickau
Papel: 110g / m2
Formato:
Selos: 40mm x 30,6mm
Bloco: 125mm x 95mm
Picotagem:
13 x Cruz de Cristo
Impressão: offset
Impressor: CARTOR

Esta Emissão é impressa em papel FSC

Folhas:
with 50 copies

Sobrescritos de 1º dia:
C6 – € 0,55
C5 – €0,74

Pagela:
€ 0,70



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