segunda-feira, 2 de março de 2009

DICA DA SEGUNDA - A ARTE DE RECUSAR UM ORIGINAL


Texto: Divulgação
Introdução de Gustavo do Carmo

Como todo aspirante a escritor, já fui recusado por várias editoras. Eu tenho até uma coleção das famosas cartas de recusa, inclusive uma de Portugal. Curiosamente fui rejeitado pessoalmente pela editora que publica o livro que é a Dica da Segunda desta semana: A arte de recusar um original (Rocco, 144 páginas, formato 12,5x20cm, 25 reais).
Enfrentei uma fila enorme para pegar o crachá de identificação para entrar no edifício onde fica a nova sede da Rocco, no Castelo, junto com um forte vento que vinha da Baía da Guanabara, depois meia hora de chá de cadeira para ouvir que eles não publicavam contos.
Estas são apenas algumas das dificuldades que as grandes editoras impõem para não publicarem os livros que não são dos amigos ou não foram escritos por celebridades. As outras são o excesso de normas e a obrigação de enviar o material impresso pelo correio. Até que a Rocco está facilitando um pouco e agora está pedindo o envio de CD ou disquete. Mas enviar por e-mail ficaria bem melhor.
Voltando às cartas, escritas naquele padrão elogioso que não tem nada ver com o que o editor avalia, eu ainda não tinha imaginado uma resposta mais sincera, mas o escritor canadense Camilien Roy, sim. Ele brincou com a situação dos ingênuos escritores (eu, inclusive), criou 99 formas diferentes de rejeitar projetos de autores iniciantes e as reuniu no livro A arte de recusar um original, traduzido por Pedro Karp Vasquez.
Com elementos próprios da paródia e da sátira, ele revela como uma crítica pode destruir os sonhos de um animado e esperançoso escritor.

Não existe autor que não tenha sido recusado ao menos uma vez e existem milhares que o foram dezenas de vezes. Existem inclusive recusas que se tornaram célebres, como a de Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust, por André Gide – erro que ele passou o resto da vida se penitenciando por ter cometido.

Se a recusa é inevitável, o melhor é estar preparado para lidar com ela, seja em que ponta da indústria literária você estiver. Camilien Roy imagina diferentes respostas negativas de editores ao original recebido: há a do editor frustrado e desiludido que não aguenta mais receber romances ruins; o preguiçoso, que sequer lê o que lhe mandam mas já o recusa de pronto; o furioso, que agressivamente dispensa a obra do pobre escritor; o analítico, que se perde em muitas linhas para uma simples negativa; e o paternalista, que diz “não” mas tenta impedir o destinatário de desanimar na carreira literária. Há ainda versões mais surpreendentes, como uma carta de recusa escrita de forma poética, em forma de texto teatral e até mesmo em forma de romance épico.

A arte de recusar um original é um divertido exercício que mostra como é dura a vida de um aspirante a escritor que deseja estrear na literatura. Mas, mesmo depois de ler este livro, quem ainda quiser se arriscar, com certeza sabe o que quer, o que não quer dizer que irá conseguir: experimente mandar seu original, e aguarde suas próprias cartas. Boa sorte!

3 comentários:

Tiana de Souza disse...

Gostei do Texto. Também tenho umas dessas cartas de recusa.

Giovani Iemini disse...

putz, é uma decepção, de qualquer forma!

FRIZERO disse...

Ter seu original rejeitado faz parte de se tornar um escritor. Grandes autores foram recusados. Não há demérito nisso - a visão do editor é muito baseada no mercado editorial, e um mercado como o brasileiro, de um país onde não se lê, justifica os filtros todos que as grandes editoras colocam. Infelizmente.

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