quarta-feira, 31 de agosto de 2011



Lembrarei de teus olhos.

Eu gosto tanto de ti.
Não me reconheça por isso.
Eu sinto que já estiveste aqui.
Não me esqueça de uma vez.
Eu gosto de estar ao teu lado.
Não me conheça totalmente.
Eu me sinto bem perto de ti.
Não me esqueça para sempre.

Eu gosto tanto de ti.
Deixe nossos olhos se encontrarem.
Eu gosto tanto de tua companhia.
Permita que eu veja teu rosto.
Eu sinto contigo tanta alegria.
Nunca me deixe absorto.
Eu gosto tanto do teu cabelo.
Deixe-me tocá-lo de vez em quando.

Eu gosto tanto de ti.
Não sei porque gosto tanto.
Não me diga o porquê.
Fiquemos assim, silenciosos
de olhos nos olhos.
Não me deixe falar.
Fale para que eu a ouça.
Eu gosto tanto da tua voz.

Eu gosto tanto de ti.
Não fique longe.
Eu gosto tanto do teu rosto.
Permita que eu seja carinhoso.
Eu gosto tanto de teu carinho.
Deixe-me ver teus braços encostados.
Eu gosto tanto do teu andar.
Não se esqueça que eu gosto.

Eu gosto tanto de ti.
Eu admiro tanto
tua capacidade
de fazer-me sorrir.
Eu gosto tanto de ouvir-te.
Eu admiro tanto
tua simplicidade
de estar perto de mim.

Eu gosto tanto de ti.
Reconheça-me ao encontrar-me.
Finja que eu já estive aí.
Não me esqueça quando eu sair.
Eu gosto tanto de estar contigo.
Conheça-me gradativamente.
Eu me sinto bem ao teu lado.
Não me esqueça para sempre.
                                                         
                                                             Rogerleo.
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quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Sons incompletos.

O inicio pode ser o fim
que ninguém pretende
aos poucos, sem vacilo,
alcançar feliz depois
do fim que fora inicio.

O inicio pode ser planejado
no futuro do fim que virá
aos poucos, vacilante,
alcançando os objetivos
no início não pretendidos.

Gotas, depois do início
produzem um som completo
que se completa com o vacilo
dos objetivos não planejados.

Gotas, caem em sincronia
de qualquer torneira
ou da torneira de metal
escurecido pelo tempo.

Gotas, depois do fim
iniciam a propagação
de sons formadores
de objetivos que ninguém
pretende alcançar
aos poucos, sem vacilo.

Depois do início, gotas
transformam a existência
da torneira de objetivos,
que eram sincrônicos,
em sons incompletos,
que vacilantes, completam
o fim não pretendido.

Rogerleo.
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O Tudo Cultural dá as boas vindas a mais um colaborador: Igor Gomes, poeta cujo pseudônimo é Rogerleo, tem 17 anos. A partir de hoje, vai postar poemas todas as quartas-feiras aqui no blog.

Igor tem uma vida difícil, pelo que conta na sua biografia. Nascido em Belém no dia 8 de setembro de 1993 às 21:40h, em uma quarta-feira aliás. Fruto de uma gravidez acidental, a qual quase resulta em aborto. Porém nasceu de nove meses, e ainda assim há quem o considere anormal.

Depois de um mês de seu primeiro aniversário, sua mãe viajou, levando-o consigo, para a vila Recreio do Piriá, que fica na ilha de Marajó, a fim de dá-lo aos seus avós, e assim fez. A avó se chama Maria Lopes de Souza, mais conhecida por “Cantária”, devido cantar quando prepara a comida no fogão a lenha. O avô se chamava (morreu de câncer no esôfago no dia 10 de janeiro de 2006 às 8:00h). Enéas Vieira da Cruz, no entanto era conhecido por “Nenéca”.

Os avós o criaram até os 14 anos. A partir daí, Igor foi para Belém, morar com a mãe que o pariu, e estudar. Foi então, em Belém que o moleque começou a escrever os seus primeiros poemas, os quais impulsionaram outros que deram forças para o surgimento de mais outros, sendo estes provocadores do delineamento de outros mais, e assim sucessivamente.

Igor atualmente cursa Engenharia Mecânica na UFPa (Universidade Federal do Pará). Gosta de literatura, mas não há literatura admirada por ele tanto quanto a matemática.

As idéias desorientadas ao acaso surgidas em na mente de Rogerleo, serão logo organizadas em um papel em branco ou de outra cor, com pauta ou sem pauta, para que todas as quartas (quartas-feiras poéticas) sejam postados poemas quaisquer neste blog.

Bem-vindo, Igor!
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sábado, 20 de agosto de 2011


Por Gustavo do Carmo


Justiça
A justiça casou-se com o amor. Tinham algo em comum: eram cegos. A relação não deu certo. O amor encontrou a justiça, que era advogada, na cama, se esfregando com o dinheiro.


Lavagem
A culpada pela lavagem de dinheiro foi a empregada, que não tirou as notas do bolso da calça do patrão ao jogá-la na máquina de lavar.


Vendaval
Morreu soterrado por um vendaval de dinheiro que escapou de sua mão.


Gastador
Era um gastador de tudo. De dinheiro a sola de sapato. Gastou uma bala de revólver pela única vez.


Tempestade
Com o vento plantou as sementes. Colheu uma tempestade de dinheiro.


Descartável
Era descartável. Tinha amigos descartáveis. Amores descartáveis. E uma vida descartável até ganhar dinheiro com lixo reciclado.


Comprar
O português pão-duro e mal-humorado entrou em uma loja virtual e se revoltou com os botões: "Ora, pois! COMPRAR! COMPRAR! COMPRAR! Só se fala em comprar!"


Paz
Era tão indesejado que a sua morte trouxe a paz e prosperou a economia mundial.


Índice
Jornalista econômico, comemorou a queda do índice de falências no país. Só lamentou que o pequeno comércio do seu pai que o sustenta não estivesse neste índice.


Navalha
Meu cartão de crédito é uma navalha. Cortei o pescoço do garçom com ele quando a compra foi recusada.
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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Por Dudu Oliva




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sábado, 13 de agosto de 2011

Por Gustavo do Carmo


— Filho, você não vai se inscrever no concurso para o Tribunal de Contas?

— Pra quê, se eu já publiquei vinte livros, dos quais quinze ficaram na lista dos mais vendidos durante cinco anos, ganhei diversos prêmios literários, entre eles um Pulitzer, um Booker Prize e o Nobel de Literatura, sendo o primeiro brasileiro a obter tais nomeações? Além de tudo isso, os meus direitos autorais já me renderam cinco milhões de dólares.

— Acontece que depois de tudo isso o senhor não escreveu mais, seus livros já foram esquecidos pelo mercado, ninguém se lembra mais de você e ainda gastou os seus cinco milhões em excentricidades. Já faz trinta anos que perdeu tudo o que arrecadou e voltou a viver às custas da nossa aposentadoria. Eu e sua mãe já passamos dos cem anos e não temos mais como te sustentar. O senhor faça o favor de estudar para um concurso público ou arrumar um emprego qualquer porque eu não vou mais sustentar vagabundo!

E aos setenta e cinco anos, o ex-escritor Paladino Gonçalves se inscreveu no concurso público para auxiliar administrativo do Tribunal de Contas. Ficou em quadragésimo lugar. Quase foi chamado. Perdeu a vaga, no critério de desempate, para um candidato cinco meses mais velho.

O Tudo Cultural deseja um Feliz Dia dos Pais aos seus leitores e seus pais.

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sábado, 6 de agosto de 2011

Gustavo do Carmo

Sou pároco há quarenta anos de uma igreja do subúrbio do Rio de Janeiro. Faço casamentos, batizados, unções dos enfermos e, claro, missas dominicais, comemorativas e fúnebres. Também reservo um dia para as confissões. Toda quarta-feira aqui na paróquia.

Antigamente, as confissões eram mais movimentadas. Havia fila enorme de pessoas. A maioria era de senhoras, mas tinha muito homem também. Hoje, com a internet e suas redes sociais, onde os jovens (e até idosos) confessam seus pecados para todo o planeta, a igreja vive vazia. Tanto que eu estou tirando esta programação da agenda, deixando apenas para marcar com o fiel. Se houver muita procura, eu retomo a atividade.

Costumo ouvir pecados como “traí meu marido”, “dei um tapa na minha filha” e “parei de falar com o meu irmão”. “Menti para a minha mãe ou minha filha” é o que eu mais ouço. Já ouvi também alguns “furtei um pote de manteiga do supermercado para alimentar meu filho”, “furtei um batom numa butique”, “furtei um boneco de brinquedo”. Até assaltantes de banco e homicidas se confessaram comigo. Também ouvi mulheres se dizendo apaixonadas por mim.

Nunca entreguei nenhum criminoso para a polícia. Dou apenas as penitências religiosas, como mandar rezar dez ave-marias, quinze pais-nosso, oito credos e dez salve-rainhas no altar. Para os crimes, quer dizer, para os pecados mais graves eu mando o pecador rezar cem orações de cada. Demora, mas acho que ele vai sair purificado.

Até que um dia, na última quarta-feira reservada regularmente para confissões, depois do desabafo de uma senhora que escondeu que tinha câncer para a irmã mais velha, ouço a voz grave e sussurrante de um homem querendo tirar um grande peso na consciência. Abriu o pedido com o velho clichê:

— Padre, eu pequei!

— Sim, meu filho. Qual foi o seu pecado?

— Eu não sei como contar.

— Então não conte, meu filho.

— Mas eu preciso contar. E muito!

— Então conte! Disse, em tom áspero de impaciência.

Não ouvi mais a voz dele. Saí do confessionário e vi um vulto moreno, alto e magro saindo correndo em direção à porta de saída da igreja.

Finalmente, tirei a quarta-feira da confissão do calendário da igreja. Quem quisesse que me procurasse na missa do domingo ou marcasse por telefone. De preferência na quarta-feira. Eis que na terça me liga um homem, com uma voz parecida com a do que tentou se confessar na semana passada. Marcou para quarta.

No dia combinado, não apareceu. Não havia ninguém pra confessar e segui a minha rotina. No domingo, duas senhoras marcaram. Uma depois da missa e outra por telefone. Todas aceitaram comparecer na quarta-feira.

Então, neste dia, após as senhoras confessarem os seus pecados, veio essa voz novamente, agora com hálito de chiclete de melancia. Sabia que era porque ele me ofereceu. Então, depois que eu recusei, ele repetiu o que tinha dito duas semanas atrás:

— Padre Altero (ele sabia o meu nome), eu pequei!

— Sim, meu filho. Qual foi o seu pecado?

— Eu não sei como contar.

— Pense bem. Eu dou um tempo pra você pensar.

Ficou em silêncio. Compartilhei com a sua falta de palavras por alguns segundos para tentar ajudá-lo a desabafar:

— O seu pecado tem a ver com mentira?

— Não.

— Destratou alguém?

...

— Destratou?

— Não quero falar disso agora.

E foi embora. Voltou no mês seguinte.

— Padre Altero, o que eu fiz foi muito grave.

— O que foi?

— Eu não sei como contar.

— Matou ou roubou alguém?

— Não.

— Violentou alguma mulher?

— Não.

— Criança?

— Nada.

— Cometeu algum incesto?

— Negativo.

Após cinquenta anos ouvindo confissões, chegou a vez de eu confessar que estou perdendo a paciência com este fiel. Sou conhecido na paróquia por ser uma pessoa calma e tranquila. Nunca levantei a voz para ninguém. Mas agora, como tudo tem a sua primeira vez, vou cometer o pecado da ira se esse cara não confessar o seu. Acabei me exaltando:

— Escuta aqui, meu filho! Você já está me irritando com esse pecado que você não quer contar! Vai contar ou vai ficar me fazendo de idiota?

Ouvi passos acelerados. Olhei para fora do confessionário e vi que o fiel do pecado misterioso fugiu com o meu destempero. No dia seguinte a este fato me ligaram pedindo para marcar uma confissão para sexta-feira. Era para uma senhora que só andava em cadeira de rodas. Abri uma exceção. E lá fui eu para a cabine. Esperei trinta minutos.

O tempo de absorver o ar e soltá-lo em bufo foi necessário para a mesma voz rouca, sussurrante e com bafo de chiclete de melancia me chamar.

— Padre Altero.

Desta vez ele não disse que pecou.

— Vou contar o meu pecado agora.

Impaciente, respirei aliviado e acabei soltando:

— Até que enfim! Então diga, meu filho.

— Na verdade, eu não pequei.

Calei-me diante desta revelação. Saí do confessionário e surpreendi o sujeito, um homem branco, cabelo moreno cortado a máquina, alto rosto redondo, queixudo e óculos fundo-de-garrafa. Agarrei-o pelo colarinho de sua camisa pólo.

— ESCUTA AQUI, MEU FILHO! HÁ MAIS DE UM MÊS VOCÊ VEM ME PERTURBANDO, FAZENDO PERDER O MEU TEMPO E ME ENCHENDO A PACIÊNCIA COM ESSE PECADO QUE VOCÊ NÃO QUER CONTAR!!!! OU VOCÊ CONTA LOGO ESSE SEU PECADO OU ARREBENTO A SUA CARA!!!!!

— O meu pecado foi ter mentido para o senhor. Eu sou detetive da polícia e você está preso por estelionato e falsidade ideológica. A minha tentativa de confessar era provocar a sua ira, um pecado capital, para te desmascarar. Sabemos que você não é padre coisa nenhuma, mas enganou essa paróquia durante dois anos.

O pecador, quer dizer, o policial tem razão. Eu nunca fui padre de verdade. Enganei a Arquidiocese. Também não me chamo Altero e sim Hélio. Muito menos tenho cinquenta anos de sacerdócio. Sou um comerciante falido que se fingiu de padre para sustentar a minha mãe doente com dinheiro das ofertas dos fieis. Menti para o policial, aos fiéis e para você, leitor.

As senhoras que viviam na igreja ficaram horrorizadas ao ver meu ataque de fúria e minha saída algemado pelos guardas. Na cela da casa de custódia rezei cinquenta ave-marias, cem pais-nosso e duzentas salve-rainhas como penitência para mim mesmo.

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sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Por dudu oliva



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