domingo, 31 de maio de 2009

Por Ed Santos

Quando conheci o Zé Carlos, não sabia que um dia iria escrever algo sobre ele, logo o Zé que não tem muita coisa pra ser apresentada. Mas como o espaço me permite, então vamos lá.

O Zé Carlos eu conheci quando entrei numa pequena empresa onde trabalhei. Ele era um cara legal, sempre prestativo e dominava as atividades que exercia. Tinha um carinho especial por sua cadeira. Quando alguém por acaso pegava a cadeira do Zé, mesmo sem intenção, ou sem perceber, o Zé virava uma fera. Nosso supervisor uma vez trocou todo o mobiliário do escritório. Mandou comprar tudo novo, padronizado e enviou todo o mobiliário antigo para uma instituição de caridade do bairro. Só ficou a cadeira do Zé Carlos. Ele não largou a cadeira de jeito nenhum, e quase foi mandado embora por isso, mas o supervisor relevou. Afinal era apenas uma cadeira.

Depois de algum tempo, eu e o Zé Carlos passamos a ser amigos mais próximos. Saíamos pra tomar uma cervejinha às sextas-feiras após o expediente, jogávamos futebol juntos, íamos almoçar no mesmo lugar. Uma vez precisei pedir a moto dele emprestada e ele me passou logo as chaves sem ao menos perguntar se eu sabia pilotar. Gente boa o Zé. Até que um dia fui transferido para outro departamento em outro prédio e ficamos um bom tempo sem nos ver.

Numa reunião de trabalho, encontrei um colega em comum que havia trabalhado com a gente, e perguntei do Zé Carlos. O cara disse que ele tava numa pior. Tinha sofrido um acidente de moto. Um carro passou o sinal vermelho e acertou o Zé em cheio. Já havia uns oito meses que ele estava afastado. Passou.

Outro dia eu torci o joelho descendo as escadas e tive que ir no ortopedista, e não é que encontrei o Zé Carlos lá? A princípio não havia reparado naquele cara na cadeira de rodas com a cabeça toda enfaixada, mas depois olhando bem o reconheci. Trocamos algumas palavras sem sentido e depois daquelas perguntas óbvias sobre o estado de saúde de cada um, o Zé diz:

- Cara, eu num sei como sai dessa! A única coisa que me recordo é que eu ia indo até devagar, mas o cidadão infelizmente não respeitou o farol. Não deu tempo nem de frear. Só acordei no hospital, doze horas depois. Já operado e com um montão de tubo entrando no meu nariz e na minha boca.

- E depois disso? – perguntei curioso.

- Depois? Depois é isso aqui que você tá vendo. Olha amigo, você não imagina como é ruim ficar nessa cadeira. Aliás, hoje eu sinto falta é da minha cadeira lá no escritório, aquilo sim era cadeira. Sem esse negócio de roda. E ainda por cima duas rodas, parece que tô em cima duma moto de novo.

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sexta-feira, 29 de maio de 2009

Por dudu oliva


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quinta-feira, 28 de maio de 2009

Por

João Paulo Mesquita Simões



Estávamos sobre o regime do Estado Novo. Salazar era ministro das Colónias.

A ideia que era preciso transparecer ao Mundo, era que Portugal era unido, possuía colónias e que, desde sempre, colonizámos outros povos, constatando a natureza orgânica e indivisível do Império.

A política colonial dos anos 30 era flanqueada por uma propaganda ideológica com duplo objectivo. De um lado, protegia-se por meios jurídicos o domínio colonial; por outro lado, fazer ver aos Portugueses a ideia de um Portugal grande, uno e indivisível.

Durante as décadas de 30 e 40, realizaram-se várias iniciativas propagandistas visando a encenação de Portugal como uma nação colonial imperial. Assim, surgem eventos desta natureza um pouco por todo o mundo e também em Portugal.




Relativamente ao nosso país, teve lugar na cidade do Porto entre os dias 19 de Junho e 30 de Setembro, a 1ª Exposição Colonial Portuguesa, com representação das Províncias Ultramarinas de Cabo Verde, Timor, São Tomé e Príncipe, Angola, Guiné, Moçambique, Índia e Macau.

Os CTT, entusiasmados por um antigo coronel de nome Jaime Ramalho e também para assim propagandear a Exposição, emitiram uma série de selos desenhados por Almada Negreiros e gravura de Arnaldo Fragoso, representando o busto de uma indígena africana. Impressos na Casa da Moeda, em papel liso médio com denteado 11,5, circularam até completa extinção em 1 de Outubro de 1945.


(Baseado em Livros Electrónicos vol. II de Carlos Kulberg)

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segunda-feira, 25 de maio de 2009

Texto: Gustavo do Carmo
Cartaz e Ficha Técnica: Divulgação





Estreou nos cinemas de todo o país, na última sexta-feira, Budapeste, adaptação do diretor Walter Carvalho do romance de Chico Buarque, que recentemente lançou o seu novo livro Leite Derramado.



O filme conta a história do ghost-writer José Costa (Leonardo Medeiros), que voltando de um congresso, faz uma escala inesperada em Budapeste, sem saber uma palavra de húngaro. Numa livraria, ele conhece a bela Kriska (Gabriela Hámori, atriz húngara). É ela quem lhe ensina a língua nativa que, segundo dizem, "é a única que o diabo respeita".



Costa acaba se apaixonando pela cidade e por Kriska. Passa a ficar dividido entre o Rio e Budapeste. Aqui, ele é casado com a famosa apresentadora de TV Vanda (Giovanna Antonelli). A "ponte-aérea" entre os dois países muda a sua vida e faz com que ele aprenda uma nova cultura, reveja os seus valores e se sinta um estrangeiro em seu próprio país.


A trama pode ser entendida como uma experiência vivida por Chico Buarque e o protagonista, seu alter-ego. Budapeste também tem no elenco Paola Oliveira, Débora Nascimento, Ivo Canelas, além das participações especiais de Paulo José e do próprio Chico.



SOBRE O FILME:



Budapeste

Gênero: Drama

Distribuição: Imagem Filmes

Duração: 113 minutos

Direção: Walter Carvalho

Produção e Roteiro: Rita Buzzar

Co-produção: Peter Miskolczi (Hungria) e Leonel Vieira (Portugal)

Direção de Fotografia: Lula Carvalho

Direção de Arte: Marcos Flaksman

Edição: Pablo Ribeiro

Figurino: Kika Lopes

Trilha sonora: Leo Gandelman
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domingo, 24 de maio de 2009

Por Ed Santos


Uma das coisas que eu não faço questão nenhuma de fazer é fazer a barba. Quando a gente tem lá uns treze, quatorze anos, não vê a hora de tirar aqueles pelos que incomodam tanto. Como se não bastasse as espinhas e os cravos no rosto, a gente ainda tem que conviver com uns pelos na cara. Muito chato.

Lembro de quando eu era moleque. Naquele tempo eu e o Carlos estudávamos no Senai. Só garotos da mesma faixa etária, entre 13 e 16 anos. No prédio em que eu estudava éramos bem uns 600. Isso já tem muito tempo, foi um pouco antes de eu conhecer a Marilda. Eu estudava no SENAI e logo depois de formado entrei na mesma empresa que ela trabalhava.

Eu tinha uma vontade enorme de ter meu próprio aparelho de barbear. Tinha a mania de ficar olhando meu pai fazer a barba dele naquele ritual de colocar aquela lâmina com corte nos dois lados num aparelho, devidamente acomodada e fixada para depois deslizar sobre aquela espuma em seu rosto. Meu pai fazia a barba quase todo dia e eu ficava só observando e pensando em como seria a primeira vez que eu iria utilizar aquele aparato. Já tinha uns pelos espalhados pelo rosto, mas meu pai dizia que eu só deveria fazer a barba quando os pelos do bigode começarem a ficar sobre o lábio superior. Então esperei. Esperei até a hora certa. Certo dia meu pai chegou do trabalho e disse:

- Amadeu! Hora de fazer a barba!

Sacou de um aparelho descartável e pediu pra que eu lavasse bem o rosto e espalhasse a espuma deixando o excesso. Então me deu o aparelho.

- Vai. Começa pela costeleta e vai descendo até o queixo. Cuidado pra não se machucar. Não precisa apertar que a lâmina faz o serviço. Tá novinha.

Quando menos eu esperei tava lá eu com o rosto lisinho feito bunda de neném Mas todo orgulhoso. Tinha feito a barba pela primeira vez. Apesar do orgulho, achei que fiquei esquisito, afinal, aquele bigodinho que foi mantido por muito tempo havia sumido, e depois como seria conviver sem ele e com as pessoas olhando pra mim e me  achando esquisito. Fiquei numa dúvida cruel, não sabia se tinha gostado ou não de fazer a barba pela primeira vez. O pior é que eu não sabia que teria que conviver com isso pelo resto da vida. A não ser que eu optasse por não fazer a barba. Já pensou o tamanho?

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sexta-feira, 22 de maio de 2009

Por dudu oliva

Remexendo em arquivos antigos, sempre encontro textos incompletos e ideias soltas. Ai quero escrever novamante e o posto outra vez no blog. Sempre estou retornando, sou cíclico. A cada regresso aprendo coisas novas.


OUTROS OLHARES( publicado no blog 19/03/2008)
Augusto Monterroso (1921-2003)

“Nasceu em 1921, na Guatemala. Em 1944, mudou-se para o México e, depois de muito observar a fauna daquele país e de outros, se convenceu de que "os animais se parecem tanto com o homem que às vezes é impossível distingui-los deste".
Dele disse o escritor russo que se criou nos Estados Unidos, Isaac Asimov: "Os pequenos textos de A ovelha negra e outras fábulas, de Augusto Monterroso, aparentemente inofensivos, mordem os que deles se aproximam sem a devida cautela e deixam cicatrizes. Não por outro motivo são eficazes. Depois de ler "O macaco que quis ser escritor satírico", jamais voltei a ser o mesmo."

Foi agraciado, em 2000, com o Prêmio Príncipe de Astúrias de Letras. Um dos escritores latinos mais notáveis, Monterroso tem predileção por contos e ensaios. "O dinossauro", uma de suas obras mais célebres, é considerado o menor conto da literatura mundial: "Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá". Augusto Monterroso faleceu em fevereiro/2003.”(http://www.releituras.com/amonterroso_menu.asp)

EL ESPEJO QUE NO PODÍA DORMIR
Había una vez un espejo de mano que cuando se quedaba solo y nadie se veía en él se sentía de lo peor, como que no existía, y quizá tenía razón; pero los otros espejos se burlaban de él, y cuando por las noches los guardaban en el mismo cajón del tocador dormían a pierna suelta satisfechos, ajenos a la preocupación del neurótico.


Havia um espelho que, diferente dos outros, que tinha a consciência de que só era um espelho através de um olhar humano, e que sem ele, não era nada. Enquanto os outros espelhos dormem imersos na ignorância, o espelho neurótico não consegue dormir.
Está fábula mostra a relação de alteridade, o qual parte do pressuposto de que todo o interage e interdepende de outros indivíduos. A existência do só é permitida mediante um contato com o outro.

La Oveja negra
En un lejano país existió hace muchos años una Oveja negra.
Fue fusilada.
Un siglo después, el rebaño arrepentido le levantó una estatua ecuestre que quedó muy bien en el parque.
Así, en los sucesivo, cada vez que aparecían ovejas negras eran rápidamente pasadas por las armas para que las futuras generaciones de ovejas comunes y corrientes pudieran ejercitarse también en la escultura.


Em um país muito distante, havia uma ovelha que foi fuzilada e que depois fizeram uma estátua homenageando-a. A história se segue e outras ovelhas negras foram executada; depois, fizeram estátuas para elas.
Há uma ironia nesta fábula, que mostra como os valores mudam através do tempo e dos interesses. Principalmente, na História da humanidade, quantas personalidades eram consideradas ruins e que depois foram glorificadas com estátuas ou bustos depois de cem anos.


LA BURRO Y LA FLAUTA

Tirada en el campo estaba desde hacía tiempo una Flauta que ya nadie tocaba, hasta que un día un Burro que paseaba por ahí resopló fuerte sobre ella haciéndola producir el sonido más dulce de su vida, es decir, de la vida del Burro y de la Flauta.
Incapaces de comprender lo que había pasado, pues la racionalidad no era su fuerte y ambos creían en la racionalidad, se separaron presurosos, avergonzados de lo mejor que el uno y el otro habían hecho durante su triste existencia.


O encontro inusitado ente o burro e a flauta. O animal toca o instrumento, porém a racionalidade, em muitas ocasiões uma camisa de força, separam-nos. A moral da fábula é que precisamos nos guiar pela fantasia e o lirismo, se não ficamos presos pela razão.


Sites dos textos do autor

http://www.patriagrande.net/guatemala/augusto.monterroso/


http://www.ciudadseva.com/textos/cuentos/esp/monte/am.htm
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quinta-feira, 21 de maio de 2009

Por
João Paulo Mesquita Simões
Um aspecto do Salão dos Bombeiros Voluntários da Pampilhosa, onde decorreu a 17 Mostra


Outras formas de coleccionismo: Crachats e emblemas de Portugal e do Mundo sobre Bombeiros


Outro ângulo do salão dos B.V.P


A minha temática de Escutismo




O segundo placard com a minha temática de Escutismo



O meu painel com parte da minha colecção da História do Automóvel



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domingo, 17 de maio de 2009


Fui citado ontem pelo Marcelo de Mello em sua coluna no caderno Zona Norte do Jornal O Globo. Fui o único a acertar o desafio que ele propõe todas as sextas-feiras em seu blog no portal Bairros.com.

Eu respondi que a foto de cima em 1972 era da Avenida Teixeira de Castro, em Bonsucesso. O que valeu a citação foi porque eu lembrei que essa foto já tinha sido publicada na mesma coluna e neste mesmo formato "Ontem e Hoje" em 2003. Por isso, o Marcelo destacou a minha fidelidade. Obrigado, Marcelo!
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Por Ed Santos

Pela manhã como de costume, eu estava vendo o noticiário da TV e a moça do tempo disse: “a temperatura continua amena e não deve haver nenhuma alteração durante o dia. Na capital, o dia permanece ensolarado como ontem. No interior as temperaturas sofrem uma pequena variação devido uma frente fria que vem do sul, mas as chuvas não devem aparecer. No litoral o tempo continua bom, propício aos esportes náuticos e para o banho. Já na região serrana, as temperaturas apresentam queda no fim da tarde, podendo chegar à nove graus”. Fiquei pensando em como ela havia chegado àqueles resultados. Pesquisas e mais pesquisas, equipamentos de última geração, satélites e medidores espalhados pelos mais diversos cantos deste mundão de meu Deus.

Como não devemos acreditar muito na meteorologia, saí de casa preparado para as quatro estações do dia. Sim porque não existem mais as quatro estações do ano, e o sertão já virou mar, seguindo a profecia da música. Só esqueci de uma coisa.

- Voce pegou o guarda-chuva?

- Não.

- Então volta lá e pega.

- Mas ouvi a moça do tempo falar que vai fazer sol o dia inteiro.

- Só você mesmo pra acreditar na moça do tempo né?

- Mas ela falou.

- Volta.

Lá fui eu de volta pra casa. O pior ficou pro fim da tarde. Caiu um toró daqueles e tive que comprar uma sombrinha no camelô por cinco reais, mais uma capa de chuva transparente, por mais um real. Dois minutos depois percebi que havia feito o mais rápido investimento da minha vida, e também tive o mais rápido prejuízo: a sombrinha quebrou e a capa de chuva enroscou numa grade.

Diante dessa situação, e com a enorme chuva caindo no nordeste e a seca ferrenha no sul (quem diria), ainda tenho que conviver além de tudo, com o receio de a qualquer momento ser abatido pelo vírus da tal da gripe suína.

Tá difícil mesmo de acreditar na moça do tempo. Amanhã quando eu sair de casa, boto na mochila uma bermuda, uma jaqueta, um guarda-chuva e uma malha leve pra usar na hora do almoço. Marquei com o pessoal do escritório pra irmos almoçar naquela pensãozinha perto do centro. Vamos comer uma feijoada pra provar que de gripe suína a gente não tem medo. E ao chegar em casa à noite, depois de ficar parado no trânsito por três horas por causa da chuva, tomo um chá de limão que minha mãe me ensinou e quero ver gripe alguma me pegar; Aaaa...tchim!!!

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sábado, 16 de maio de 2009

Por Gustavo do Carmo

Até despontar Fernando Inácio, Francisca Patrese era a melhor apresentadora do Jornal das Oito da TVNEWS. Era segura, tinha credibilidade, além de isenta e transparente.

Começou a trabalhar como repórter de rua. Em seis meses assumiu interinamente a bancada do Telejornal Local da Manhã. Com a mesma rapidez virou âncora titular da tal edição e a da Tarde. No ano seguinte, tornou-se uma das apresentadoras do Jornal das Oito. Dividia a bancada com o veterano jornalista Júlio Orestes.

Roubou a atenção do público com o seu talento. E o espaço do companheiro de bancada. Francisca Patrese assumiu a apresentação solitária do jornal, além do cargo de editora-chefe.
Com a chegada de Francisca à bancada, a audiência do Jornal das Oito duplicou. Triplicou quando ela assumiu o comando total. E caía quando ela era substituída nos finais de semana, feriados, faltas e férias. Isso começou a preocupar a emissora, que diminuiu a sua folga semanal, mas compensou sua nova estrela com um aumento de salário.

Foram testados dez substitutos. Entre estes, cinco foram contratados só para cobrir Francisca. O primeiro foi o seu antecessor e antigo companheiro de bancada, Júlio Orestes. Não tinha mais a mesma credibilidade do passado. Principalmente depois que foi descoberto recebendo propina de um deputado cassado por corrupção. Só durou uma semana. Desligou-se da emissora logo depois.

Vieram outros interinos. Homens e mulheres. Reeditaram a dupla de âncoras. Um casal. Dois homens. Duas mulheres. Tentaram de tudo. Nada adiantou. A volta de Francisca neste meio tempo era um alívio para a diretoria da emissora. A audiência voltava a subir.

E o estrelismo de Francisca subia também. Com o seu carisma conquistou o carinho dos fãs. Mas o sentimento não era nada recíproco. Ela raramente respondia aos e-mails dos telespectadores. Mandava a produção fazer isso. Na redação era antipática. Gritava com os câmeras, produtores e estagiários. Esnobava os colegas, que tinham ciúme do tratamento dado pela diretoria a ela. Os homens apostavam que ela subiu na emissora por causa do teste do sofá. As mulheres destilavam inveja. Seus únicos amigos eram, exatamente, os diretores do jornalismo e o dono da emissora.

Mesmo assim, Francisca continuava como o trunfo do canal. Até chegar o jovem repórter Fernando Inácio. Depois de dois anos atuando como repórter de praça, ganhou a chance de substituir a famosa âncora por uma semana quando ela precisou faltar para cuidar da mãe doente.

Francisca não teria com o que se preocupar. Afinal, ela era a estrela da emissora e sua presença representava mais audiência e mais patrocinadores. O que a TVNEWS não imaginava era que Fernando mantivesse a audiência do Jornal das Oito. No dia seguinte, o índice duplicou. Só voltou ao normal quando Francisca reassumiu a apresentação.

Exatamente por ter registrado um novo recorde de audiência para o jornal, Fernando foi efetivado como co-apresentador. Ao lado de Francisca na bancada. A estrela da emissora logicamente não gostou. Ficou nervosa no primeiro dia com o novo parceiro. Gaguejou, atravessou a locução do colega, chamou a matéria errada, suou frio. Nunca havia passado por essa experiência. Nem nos seus tempos de estagiária. Abandonou a bancada antes do fim do telejornal. A câmera estava fechada em Fernando. Mas foi possível ver o ruído de irritação e a famosa âncora fugindo transtornada. Virou hit na internet.

Francisca Patrese ganhou uma suspensão de uma semana (ou gancho, no jargão jornalístico). Desta vez, sua ausência não fez falta para os telespectadores. Fernando Inácio tornou-se o titular do Jornal das Oito. Quando voltou do castigo, ao saber que tinha perdido os postos de âncora principal e editora-chefe, além de ser obrigada a voltar para a reportagem externa, Francisca jurou vingança.

A primeira providência foi borrifar um forte perfume barato no cenário antes do jornal começar. Ela sabia que Fernando era alérgico e queria provocar um constrangimento ao vivo do rival.
Quase conseguiu. O novo âncora chegou a dar um espirro e alguns tossidos no ar.

Estrategicamente o jornal foi interrompido com aquele tradicional selo informativo de problemas técnicos e entrou um intervalo comercial de três minutos enquanto Fernando tomava o seu remédio e a produção borrifava os seus olhos vermelhos com água e ajeitava a maquiagem. Voltou a apresentar normalmente, superando com a sua elegância habitual a adversidade de saúde pela qual acabara de passar. Só não conseguiu disfarçar a vermelhidão dos olhos.

Em sua casa, Francisca dava gargalhadas quando via Fernando tossir e espirrar na abertura do telejornal. Chamou a atenção do marido e dos filhos. Acreditava que ninguém descobriria. Ledo engano. No dia seguinte foi demitida por justa causa e pessoalmente pelo dono da emissora. O desespero e a sede de vingança por ter perdido a vaga de estrela do noticiário a fez esquecer que a redação era monitorada por câmeras de segurança. Um recurso tão óbvio que até as crianças sabem disso.

E-mails ameaçadores vindos do endereço eletrônico de Francisca começaram a entrar na caixa de mensagens de Fernando. Ele ignorou. Depois apareceram os torpedos. E também os telefonemas com voz feminina. O jovem jornalista não deu queixa. Até sua esposa grávida receber uma encomenda com duas aranhas venenosas.

Pelo remetente, a polícia prendeu Francisca Patrese, a ex-apresentadora do Jornal das Oito da TVNEWS. Ela foi indiciada por ameaça e tentativa de homicídio. Acusação da qual saiu absolvida.

Durante o processo, a polícia investigou e identificou que o verdadeiro autor das ameaças por telefone, e-mail, mensagens de celular, e os aracnídeos peçonhentos era o veterano âncora Júlio Orestes. Mesmo desligado da emissora tinha informantes lá dentro. Um deles ouviu o juramento de vingança feito por Francisca, de cabeça quente, quando do seu afastamento do telejornal. Orestes contratou um hacker para invadir o computador de Francisca e enviar os e-mails. O celular foi clonado. E as aranhas saíram de um instituto de pesquisas biológicas depois de um funcionário receber uma propina. Tudo que o aposentado jornalista queria era se vingar de Francisca por ter lhe tirado o seu posto de âncora que ocupava há trinta anos.

Júlio Orestes foi preso e condenado por corrupção ativa, ameaça e tentativa de homicídio. Francisca ganhou uma indenização com a qual abriu uma produtora e criou um programa feminino num horário local comprado para ser exibido no meio da madrugada de quarta-feira. Já Fernando perdoou Francisca pelo desodorante no estúdio, única culpa que a colega teve, e tornou-se o seu único e verdadeiro amigo. A primeira ajuda que ele pediu foi como recuperar o seu posto de âncora, perdido para uma bela e jovem repórter que o substituiu definitivamente por causa dos índices de audiência.
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sexta-feira, 15 de maio de 2009

Por Dudu Oliva 


Uma pessoa me perguntou se eu estava bem. Fiquei sem ação de responder. Pra mim, acho que estou num caminho de amadurecimento e descoberta do que quero realmente fazer; mas, para o outro, não sei se isto significa estar bem com a vida. Confesso que impulsivamente não quero decepcionar o outro; desejo mostrar que sou um vencedor. Existem momentos que estou bem e outros que estou ruim. Dias que quase flutuo e outros que pareço carregar um peso de uma tonelada. Finalmente, apesar de tudo, gosto de ser eu e vou levando a minha vida irritante e ao mesmo tempo bela. 
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quinta-feira, 14 de maio de 2009



Por

João Paulo Mesqita Simões



Um pequeno parêntesis na História da Filatelia, para falar um pouco da 17ª Mostra Filatélica, inaugurada dia 4 de Outubro e que decorreu até dia 12 no salão dos Bombeiros Voluntários da Pampilhosa, nas comemorações do seu 82º Aniversário.

Esta Mostra, além da parte Filatélica que é vasta e rica em temas, engloba também outras formas de coleccionismo. Assim, podemos ver quadros com insígnias e crachats de quase todo o mundo da temática “Bombeiros”, rádios antigos, grafonolas, gravadores de cassetes, medalhas, moedas e notas de Portugal e de outros países, medalhas e miniaturas de carros de bombeiros.Ao centro do salão, encontram-se os placards com os selos. Selos que nos falam da Natureza, da pesca do bacalhau, do Escutismo, dos Automóveis, das marcas postais… enfim, um sem número de temas alusivos ao coleccionismo, onde também participei com a minha temática de Escutismo e Automóveis.

Reproduzo aqui o envelope comemorativo da efeméride e respectivo carimbo, com uma particularidade interessante.O selo adoptado foi feito na página dos CTT na Internet no espaço reservado ao “meuselo”. Que quer isto dizer. Quer dizer que qualquer cidadão comum, pode ir à página dos CTT e fazer o seu próprio selo com as imagens que bem entender. São impressos em folhas, e tornam-se exemplares únicos, podendo circular livremente nas cartas.

Neste caso, foi adoptada uma imagem de uma viatura antiga dos B.V.P. que ainda circula – o Packard de 1926.
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segunda-feira, 11 de maio de 2009


Texto: Divulgação

Ditado pelo espírito Leonel, Gêmeas têm como cenários o interior do Mato Grosso e as cidades do Rio de Janeiro e Brasília. No enredo, duas irmãs gêmeas recém nascidas são vendidas pela mãe e, assim, separadas ao nascer. O pai das crianças, ao descobrir a negociata, é assassinado ao tentar evitá-la. A trama, a partir dessas fatalidades, é repleta de situações aparentemente eventuais que vão moldando a vida de mãe e filhas até que o inevitável reencontro acontece.

A história, que começa em meados da década de 80, mostra como a espiritualidade pode interferir em nossa vida terrena e nos ensina que as casualidades, sincronicidades e coincidências nada mais são do que a aplicação das leis cósmicas e perfeitas que Deus criou para nos auxiliar na trajetória da nossa evolução. A falta de conhecimento sobre a espiritualidade, no entanto, muitas vezes impede que tenhamos uma visão mais real da vida e do quanto ela é generosa, sempre favorecendo o nosso crescimento. Afinal, a vida colabora com nosso desenvolvimento, mas exige que cada um faça a sua parte.


Sobre o livro:

Título: Gêmeas - Não se separa o que a vida juntou
Autora: Mônica de Castro
Editora: Vida e Consciência
Formato(axl): 21x14 cm
Páginas: 520
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domingo, 10 de maio de 2009

Por Ed Santos


Na semana em que me mudei pra casa onde moro atualmente, revivi algumas sensações que me haviam fugido e que eu nunca percebi que tinham feito parte da minha vida tão intensamente. Depois de montar armários e prateleiras, colocar luminárias e tomadas, desembalar louças e guardar tudo em seu devido lugar, o que me restou foi instalar o chuveiro, o que eu deveria ter feito primeiro, pois por algum tempo faltou energia na rua. Mas não me importei, enchi o pneu da bicicleta e pus-me a pedalar pelas alamedas e quadras arborizadas do bairro. O fim de tarde era muito bonito e a temperatura amena era bastante acolhedora.

O passeio à princípio tinha a intenção de ser apenas um exercício para queimar algumas calorias e manter o condicionamento físico, mas a paisagem era tão interessante e bela que as pedaladas passaram a ser mais lentas. Enquanto pedalava, lembrei que no início da minha adolescência tinha vontade de trabalhar no centro de São Paulo, ter tudo por perto, a Avenida Paulista era um sonho de consumo. Já pensou ser Office-boy no centro? Agora estava ali num bairro totalmente arborizado e que me fez ter a certeza de que havia tomado a decisão correta de me mudar.

Dobrei uma esquina e senti um cheiro familiar de lenha queimando que me fez voltar ao passado. Ao sentir aquele cheiro recordei das muitas férias escolares que ia passar na casa de minha avó no interior de Sergipe. Lá ela cozinhava e no fim das tardes preparava tapioca de coco. Eu e um primo saíamos pra vender as tapiocas e quando retornávamos minha avó sempre deixava algumas delas pra gente saborear à beira do fogo e escutando aquelas histórias que os sertanistas tão bem conhecem, muitas delas de assombração, daquelas que deixam a gente assustados e com medo na hora de dormir.

Na outra esquina, mais uma surpresa. Um vaga-lume. Não lembro quando havia visto o último até aquele momento e meu filho, hoje com 13 anos só conheceu um aqui.

Naquele dia voltei pra casa acompanhado de uma revoada de papagaios barulhentos – que hoje me acordam pela manhã – e com a certeza de que este lugar é muito bom pra se morar. A minha escolha não poderia ter sido melhor. Hoje, voltando pra casa após o trabalho, senti o cheiro de feijão cozido e escutei o som de uma panela de pressão ao fundo, e automaticamente a lembrança foi de novo lá atrás pra fortalecer os laços que tive. E que tenho.

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sábado, 9 de maio de 2009

Por Gustavo do Carmo



Sentados na mesa de um bar no subúrbio dois amigos conversam.

— Tá esperando o quê pra aceitar o pedido, Adonir?

— Coragem, Feliciano.

— Está com medo de quê, rapaz!

— Dela mudar de idéia.

— A Salustiana te ama, cara! E, pelo que eu sei, ela não é mulher de mudar de idéia repentinamente. Vai por mim, Adonir. Aceita logo essa declaração de amor que ela te mandou por e-mail.

— Sim, vou aceitar.

Mal Adonir entrou em casa, vindo do bar com o amigo Feliciano, o telefone toca.

— Alô? Eu queria falar com o Adonir?

— É ele.

— Oi, Adonir. Aqui quem fala é a Salustiana.

— Oi, Salustiana. Que bom que você me ligou, meu amor. Eu estava mesmo querendo falar com você. Eu reconheci a sua voz, mas fiquei com medo de ser outra pessoa e passar um vexame.

— Nossa, por que passar vexame? O que você queria dizer de tão grave assim?

— É sobre aquele e-mail que você me mandou anteontem.

— Que e-mail? Eu não mandei e-mail nenhum anteontem.

— Se não foi anteontem então foi quando? Você estava se declarando para mim. Eu também estou apaixonado por você. Eu tentei disfarçar o meu sentimento para não te magoar. Não conseguia dormir sufocado por tanta paixão. Eu te amo, Salustiana!

— Ah! Agora eu lembrei. Foi um e-mail que eu mandei há oito meses e você não me respondeu. Nossa! Como o seu provedor é lento, hein? Somente agora ele chegou pra você?

— É que ele foi filtrado pelo anti-spam da merda do meu provedor. Ele libera os spans e bloqueia as mensagens sérias. Você me perdoa, tá? O pedido ainda está de pé?

— Agora é tarde demais. Na época eu fiquei chateada com a sua demora. E você podia ter me ligado também, né? Mania de só querer conversar pela internet! Acaba não saindo de casa. Agora já esqueci e te perdoei. Eu só estou te ligando para avisar que eu conheci um jornalista inglês no carnaval, ele reapareceu no mês passado e me pediu em casamento. Aceitei e vou morar em Londres com ele. Ele me arrumou um emprego lá. Eu te liguei também porque ainda quero continuar a sua amiga.

— Está bem. Parabéns! Boa viagem.

A voz de Adonir ao se despedir da amiga era um balbucio. Desligou o telefone e ligou para o provedor. Já esperava uma hora para cancelar a assinatura quando a ligação caiu.
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sexta-feira, 8 de maio de 2009

Por Dudu Oliva


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quinta-feira, 7 de maio de 2009



Por

João Paulo Mesquita Simões



António Óscar de Fragoso Carmona nasce em Lisboa a 24 de Novembro de 1869. É filho de Inácio Maria Machado de Morais Carmona e de Maria Inês de Fragoso Côrte-Real. Casa com Maria do Carmo Ferreira da Silva a 3 de Janeiro de 1914, de quem tem três filhos. Morre a 18 de Abril de 1951 na sua casa do Lumiar em Lisboa, ainda no exercício das suas funções. Os seus restos mortais encontram-se no Panteão Nacional.

Terminado o curso de Cavalaria, é colocado na Escola Prática de Equitação em Vila Viçosa, sendo sucessivamente promovido até Marechal, o que acontece em 1947. Até ao golpe de 28 de Maio de 1926, ocupa a pasta da Guerra e participa também como Promotor de Justiça em vários julgamentos militares resultantes de revoltas do final da I República.

A par do cargo de secretário do Ministro da Guerra de Pimenta de Castro, durante a I República opta por uma posição política neutral que lhe permita manter boas relações com os diferentes sectores políticos. Em 1923, tem uma curta passagem pelo Ministério da Guerra no Governo liderado por Ginestal Machado, sendo o único membro do executivo sem qualquer ligação partidária.

Com o golpe militar de 28 de Maio de 1926, decide intervir para pôr fim à I República, rapidamente assumindo a liderança dos acontecimentos. Presidente da República eleito por decreto de 1926, recorre às urnas dois anos depois para legitimar o seu poder. Após criar condições e permitir a ascensão de Oliveira Salazar nos governos da Ditadura, vê-se por este ultrapassado. Em 1935 é eleito Presidente da República de acordo com as regras da nova Constituição, cumprindo mandatos sucessivos e acabando mesmo por morrer durante o exercício das suas funções.




Relativamente ao selo apresentado na edição anterior, há ainda um aspecto a salientar que é o erro.

Já falei nos erros em Filatelia e que são vários. Nesta emissão, também o selo de 40 centavos apresenta erro conforme mostra a imagem.
Selo não denteado no lado esquerdo, tendo sido separado da folha grosseiramente e ainda atingido outro selo desse lado.
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domingo, 3 de maio de 2009

Por Ed Santos


-       Então tá. É só apresentar isso aqui no balcão do aeroporto né?

-       Isso. Mas chegue uma meia hora antes pra não ter problema.

-       Ok. Obrigado Gorete!

-       Não tem de quê, senhor Amadeu. Boa viagem.

-       Até logo.

Saí correndo todo ansioso. Queria ir logo pra casa arrumar as malas, e o meu celular toca:

-          Alô!

-          Oi pai. É a Flavinha. Cê tá aonde?    

-            Oi filha. Vim comprar minha passagem pro Rio de Janeiro. Tá tudo bem?

-         Mais ou menos, pai. O Catatau sumiu! Desde ontem não aparece. Falou que ia num velório e de lá ia ver a mãe dele, mas já devia ter chegado.

-          Cê não vai perder muita coisa se ele não voltar né filha?

-          Pai!

-          Desculpa, foi só um comentário.

-          Muito do besta por sinal.

-           Tá bom filha. Tô indo pra casa. Te ligo de lá pra saber como vão as coisa tá?

-          Tá. Beijo.

-          Beijo.

Minha filha podia ter tido mais sorte na vida. Por que não foi arrumar outro cara qualquer? Basta eu ser um azarado. Cadê a chave que eu nunca acho?

Fui logo abrindo as portas e nem dei por mim que a Marilda não tava em casa. Devia ter ido no mercado, é só isso que ela sabe fazer. Mas já era tarde, e fui dormir. Eu ia acordar cedo no outro dia pra ir pro aeroporto. O Carlos ia me levar. Quanto a Marilda, eu falaria com ela quando acordasse.

No outro dia, pulei da cama e a Marilda já tinha levantado e saído de novo. Não deu nem tempo de eu falar com ela. Bom quando eu chegar lá no Rio eu ligo. Ela também não tá dando nenhuma importância.

O vôo foi tranqüilo, nenhum problema. Fui muito corajoso pra viajar de avião, ainda mais sozinho. Sempre tive medo, mas deu tudo certo. A cidade maravilhosa me aguarda!

No hotel, tudo do bom e do melhor, fui me chegando, deixei as malas e já botei uma sunga pra ir pra piscina. Meu Deus! Como faz calor nesse terra! Trim!!!!! Maldito telefone!

-          Alô!

-          Oi pai! Tô muito preocupada. O Catatau ainda não apareceu e nem ligou.

-          Sei. Liga pra tua mãe.

-          Já liguei. Ela não tá em casa. Pai o que eu faço?

-          Fica calma minha filha o Catatau logo logo aparece, ele sempre aparece. Agora deixa eu desligar que eu vou tentar falar com a tua mãe.

-          Tá.

-          Tchau.

A Flavinha que me desculpe, mas nada vai estragar minha merecida viagem. Vou desligar o telefone e curtir essa viagem, como se fosse a última coisa que faria na minha vida. Nada vai me irritar, nem tirar minha tranqüilidade. Nada. Nem o sumiço do Catatau.

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sábado, 2 de maio de 2009

Por Gustavo do Carmo


Crédito da foto: Camila Fontes - http://br.olhares.com/era_para_ser_um_dia_normal_foto438898.html

(I)

Na escola, Olímpio só tirava nota dez. Sempre passava de ano sem precisar fazer prova final. Ficava satisfeito e orgulhoso. Para a alegria dos pais e inveja da irmã mais velha.

Apesar de tanto sucesso na educação, Olímpio cresceu e se tornou um rapaz tímido, ingênuo e infeliz. Mas ainda conservava um pouco da inteligência que tinha. Ou achava que tinha.

Um dia, decidiu vasculhar o seu armário totalmente bagunçado atrás das provas que guardava desde a primeira série do primário. Mexe aqui, remexe ali, encontrou uma pasta preta e empoeirada, repleta de antigas provas. Ao conferir as questões, que hoje lhe parecem ridículas de tão fáceis, mas cabeludas na época, percebeu que errou a maioria delas. Se fossem corrigidas por professores mais rigorosos ou por ele mesmo, tiraria 5,0 ou menos em todas elas. Nas provas em que tirou nota sete, mereceria um zero. Por ter sido um bondoso e comportado aluno, concluiu que os professores lhe davam dez só para agradar.


(II)

Aos quinze anos, Olímpio quis ser cozinheiro. Inventou umas receitas malucas de pratos, sobremesas, sucos e coquetéis. Deu para os pais, a irmã e as primas provarem. Todos achavam uma delícia. Mas não terminavam de comer. O jovem sentiu que as pessoas lhe elogiavam só para agradar.


(III)

Aos vinte anos decidiu ser escritor. Já não confiava mais na irmã que ia criticar do mesmo jeito. Então, mostrou o rascunho de um romance para os pais, que adoraram. Dois anos depois conseguiu publicar o romance, pagando pela edição. Os amigos compareceram ao lançamento. Depois de lerem, todos disseram ter adorado.

Mas o livro ficou encalhado. Um jornal fez uma crítica humilhante. Chamando o livro de descrição da imbecilidade e o autor de imaturo para baixo. Olímpio chegou à conclusão de que os elogios da família e dos amigos foram só para agradar.


(IV)


Um dia, Olímpio se estressou no trabalho. Brigou com um colega que foi promovido em seu lugar. Empurrou o homem que se desequilibrou e caiu de costas na janela aberta. Morreu na hora. Olímpio foi preso e condenado por homicídio doloso. Ninguém apareceu no presídio para lhe visitar. Nem para agradar.
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sexta-feira, 1 de maio de 2009

Por Dudu Oliva


Estou no fronte, não sei o que fazer. Todos lutam por um ideal, eu ainda não encontrei o meu. A cada dia as balas e os bombardeios vêm ao meu encontro e observo, inerte, a tudo.

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