terça-feira, 28 de janeiro de 2020


Marcelo acordou no meio da madrugada. Sentou-se na beirada da cama. Uma dor de cabeça começava a querer aparecer. Comprimiu os olhos e isso não ajudou. Coçou os cabelos bagunçados. Levantou-se.
Pôs os chinelos e começou a andar. Ouviu um crack e parou.
Merda!
Abaixou-se, ainda no escuro.
Tateou o chão e achou os óculos partido em dois. Passou a mão e percebeu a lente direita trincada.
Como que você veio parar aqui?
Foi em direção ao banheiro. Acendeu a luz. Deixou os óculos partido em cima da pia. Começou a mijar.
Deu descarga e parou em frente a pia, apoiando o corpo sob os braços esticados. Arregalou os olhos, mas logo deixou que voltassem à posição sonolenta. Pressionou o rosto com as pontas dos dedos. As olheiras estavam fundas. A barba por fazer. Dois pelos nasceram na ponta do nariz.
Caralho, viu...
Lavou as mãos. Secou-as. Pegou as duas partes. Antes de apagar a luz e sair do banheiro olhou fixamente o espelho por um instante.


Primeiro capítulo do conto de Lucas Beça


Próximo capítulo
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segunda-feira, 27 de janeiro de 2020


Crônica de Gustavo do Carmo
Publicada em 30/09/2019
Publicada originalmente em 26/09/2016


Relembrando o passado, fico pensando nas discussões que eu tive na vida, nas verdades que eu deveria ter falado e nas atitudes que eu deveria ter tomado. Me calei. Fiquei inerte para evitar maiores constrangimentos ou mesmo retaliações. Entre muitos exemplos, aqui vou contar alguns deles.

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quinta-feira, 23 de janeiro de 2020


João Paulo Mesquita Simões


Entrados que estamos em 2020, começam a aparecer um pouco por todo o Mundo, as emissões flatélicas para este ano.

Portugal não é exceção, e surge com uma emissão da Ilha da Madeira de selos auto-adesivos no passado dia 8 de janeiro.

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terça-feira, 21 de janeiro de 2020



Bebi demais um dia. Saí pra fumar um cigarro antes de ir trabalhar e um amigo apareceu lá. Não falava com ele há uns 6 anos. Até mais.
Ele me convidou pra tomar umas depois do trabalho.
Disse que sim. Não ia fazer porra nenhuma mesmo.
Cheguei na casa dele depois do serviço, umas 7 da noite. Estava recém escurecendo.
A casa parecia meia acabada, mas dava pro gasto.
A mãe dele tinha se mudado com o padrasto quando ele tinha uns 20 anos e ele ficou morando ali.
Hesitei por um momento, mas apertei a campainha. Demoraram para atender.
Uma mulher de uns 30 anos abriu a porta e me viu no portão.
Era muito bonita, mas de um jeito estranho. Não era do tipo mulher capa de revista, sabe? Bom, sei lá.
- Você é o Pedro?
- Hã... sim. Sou eu.
Ela fechou a porta. Abriu novamente, trazendo um molho de chaves.
Sorriu para mim ao se aproximar.
Deu a impressão de não sorrir com frequência.
Abriu o portão.
Estendi a mão.
- Prazer, eu disse. Você é namorada do Carlos?
Ela me cumprimentou meio sem jeito.
- Sim, sim. Sou sim. Daniela.
Tentei sorrir, mas não deu muito certo.
Ela tinha uma mão quente.
Tentei não olhar diretamente para o decote, mas não consegui.
Ela soltou a minha mão e se afastou.
- Pode entrar.
- Hã, obrigado.
Entrei e caminhei pela calcadinha até a casa.
- Ele acabou de ir pro banho. Já já ele sai.
- Ok.
Pedi licença para entrar na casa, que estava com a porta aberta.
Senti cheiro de omelete.
- Já comeu? Quer um pouco? Acabei de fazer, disse ela apontando para a frigideira.
- Não, obrigado. Não estou com fome.
Ela pegou um prato e colocou o omelete nele.
- Pode sentar, fica à vontade.
Fiz o que pediu, por educação.
Dava para ouvir o barulho do chuveiro ligado.
Ela se sentou no sofá. Começou a comer sem cerimônias. Na TV passava um desses canais de clipes, com a música Don’t Speak, do No Doubt.
- Escutava muito essa música, ela disse, ainda mastigando.
Um pedaço do omelete ficou no canto de sua boca.
Indiquei para ela e ela demorou alguns segundos antes de entender.
Levantou-se e pegou um guardanapo. Limpou a boca. Passou a língua sobre os lábios.
- Ah, esqueci de te oferecer alguma coisa pra beber.
- Não, estou bem.
- Não, quer alguma coisa? Coca, café...? acho que o café acabou.
- Humm, pode ser Coca.
Ela abriu a geladeira e se abaixou para pegar a garrafa.
Parecia que estava sem calcinha sob o vestido. Ou eu só tive a impressão.
Colocou metade do copo pra mim e para ela.
- Obrigado.
- De nada, disse, sentando-se novamente no sofá.
Ficamos em silêncio.
Ela parecia entretida com os clipes e a comida.
Fiquei bebericando o copo de Coca. Olhei para a decoração da sala. Não tinha muitos móveis, só o necessário.
A TV era de umas 32 polegadas.
Pensei, Caraio, o que eu to fazendo aqui?
Resolvi quebrar o silêncio.
- Então... hã... como conheceu o Carlos?
Ela me olhou por alguns segundos. Tomou um gole de coca.
- Eu era amiga da irmã dele.
- Sério?
- É. Um dia ela me convidou pra ir no cinema e ele foi junto. A gente conversou e...
Não terminou a frase.
Balancei a cabeça.
- Entendi.
Ela me olhou bem séria. Como se me analisasse.
- E você? São amigos próximos? Ele nunca me falou de você até ontem.
- Mais ou menos... a gente estudava junto. No... colegial, eu acho. Ou foi na oitava série? Não lembro direito.
- Humm.
Ela levantou as sobrancelhas.
Terminou de comer.
- Tem certeza que não quer? Posso fazer outro.
- Não, obrigado.
Ela colocou o prato numa mesinha. Tomou o resto da Coca. Passou a mão em seu cabelo.
Imaginei-a tirando a blusa. Olhando para mim, enquanto tirava o sutiã, mordendo o lábio inferior.
Ela começava a me parecer familiar.
- Você não me é estranha. Te conheço de algum lugar.
- Acho que não. Cheguei na cidade há uns dois anos só.
- Nossa...
- Pois é. Vim cuidar da minha avó.
- Então você vinha pra cá antes?
- Muito pouco. Acho que vim aqui só umas 3 vezes.
Ela se ajeitou no sofá, esticando as pernas.
Que pernas.
Parecia desinteressada na minha conversa.
Voltei a ficar em silêncio.
Trocou de canal.
O chuveiro parou de funcionar.
Voltei a imaginar ela sem o sutiã. Parecia um bom passatempo. Ela tirava o vestido lentamente.
- Pedro?
- Hã?
- E aí, como é que tá?
Carlos vinha minha direção. Estava colocando a jaqueta.
Levantei e o cumprimentei.
- Tudo bem, cara.
- Vamo aí?
- Vamos sim.
Deixei o copo na mesinha perto do prato dela.
- A gente já vai, ele disse pra ela.
- Ok.
Deram um beijo demorado. Depois mais um selinho.
Ela ficou me olhando enquanto eu o acompanhava.
- Bom, até mais, eu disse, acenando pra ela.
- Até.
Ela deu um sorriso e depois voltou a encarar a televisão.


Conto de Lucas Beça
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segunda-feira, 20 de janeiro de 2020


Por Gustavo do Carmo
Republicado em 23/09/2019
Publicado originalmente em 14/02/2009


Toca o telefone. Depois de muita espera, é atendido por uma voz jovem.

— Alô?

— Alô, boa tarde? Eu queria falar com a Neyla Beatriz?

— É ela mesma.

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terça-feira, 14 de janeiro de 2020



Encontrei um antigo amigo no cartório. Estava lá pra reconhecer firma de uns papéis da prefeitura. Trocamos algumas palavras.
Conversamos sobre uma amiga que tínhamos em comum. Nós dois tínhamos uma queda por ela.
Ele disse, é... parece que ela tá grávida.
Eu disse, é mesmo?
É, ele disse. Depois: ah, mas é bobagem, bobagem...
Saí do cartório e vi ela arrumando a vitrine de uma loja de roupas.
Ela me viu. Não me cumprimentou.
Acho que não me reconheceu.


Por Lucas Beça
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segunda-feira, 13 de janeiro de 2020


Microcontos de Gustavo do Carmo
Coletânea publicada em 11/03/2019


Desajeitado
Era tão desajeitado que, quando foi abraçar a esposa grávida, apertou sua barriga e provocou o aborto do que poderia ser seu único filho.


Notícia
Corria atrás da notícia. Mas a notícia corria dele. Só dava barrigada.

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quinta-feira, 9 de janeiro de 2020


João Paulo Mesquita Simões



No passado dia sete, comemorou-se o Dia do Colecionador.


Como o único colecionador deste Blogue sou eu com a Filatelia, venho falar-vos um pouco sobre o assunto.

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terça-feira, 7 de janeiro de 2020



Abri um comércio. É um mercadinho, bar, algo assim. Estava meio pra baixo, sem muito o que fazer e então decidi fazer isso. Não sei se foi a melhor decisão. Mas foi o que eu fiz. E já fiz. Até que eu tinha dinheiro o suficiente. Viajei por algumas cidades do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Fiz uns bicos, economizei um pouco.
Cheguei na minha cidade natal há uns seis meses. Arrumei um lugar pra morar, e depois do ócio, consegui com um amigo um prédio por um preço bacana. O salão estava pra alugar fazia tempo e era do tio dele.
Ainda estou no começo, então o movimento é pouco. Mas está indo.


Por Lucas Beça
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segunda-feira, 6 de janeiro de 2020


Conto de Gustavo do Carmo
Publicado em 02/09/2019


Tudo estava dando certo para Suélio, depois de tanto sofrimento com cobranças familiares. Até suicídio ele tentou. Já estava com quarenta anos, ainda morando com os pais e escrevendo no próprio blog que não dava retorno, quando foi procurado por um antigo colega de faculdade, que arrumou-lhe um emprego de publicitário, profissão que ele sempre sonhou exercer. Meses depois, também conseguiu uma namorada, uma colega do seu trabalho, com quem já estava noivo e iria se casar.
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quinta-feira, 2 de janeiro de 2020


João Paulo Mesquita Simões


Fugindo à tradição de apresentar aqui selos de Portugal e Brasil, hoje, deixo um selo da Malásia que, até agora, penso ser o único representativo da mudança de ano.

Entrámos da década dos anos vinte do século XXI. A todos os Leitores, colegas, e em especial para o Gustavo do Carmo, Autor deste Blogue, quero deixar os meus votos de um Feliz Ano Novo para todos, com muita saúde, paz, sucesso e algum dinheiro.


 
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quarta-feira, 1 de janeiro de 2020


A seção Campeões de Audiência traz os textos mais acessados de 2019 entre todos os publicados este ano por mim e por cada colaborador. O campeão de audiência do ano no geral não será nomeado duas vezes. Dentro da sua categoria será escolhido o segundo mais lido.

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