terça-feira, 24 de março de 2020


Ao chegar na rua de Lívia, Marcelo já estava na metade do segundo cigarro seguido.
Ele entrou e viu que ela tinha dormido no sofá, toda torta.
Na cozinha, ele deixou o saco de pães sobre a pia e resolveu fazer outro café. Pegou um novo coador, pôs duas colheres de pó, encheu a jarra de água, colocou-a na cafeteira e ligou. Pegou seu celular e colocou alguma música. Aleatório. Sabia que quando viesse uma música que ele não quisesse escutar naquela hora iria mudar, mas gostava da sensação de não saber qual seria a próxima música.
Pegou uma das toalhas menos suja e a estendeu.
Dois copos, umas facas, duas colherinhas, a tabuinha de descanso, o saco de pães, a margarina, o açúcar, o pedaço de queijo que estava guardado numa tupperware sem tampa.
Sentou-se para esperar o café ficar pronto.
Sentia que a dor de cabeça estava voltando, então tentou não pensar nisso para não piorar.
Uma das músicas que ele tinha no celular, mas que nunca escutava começou a tocar. Porém seus braços estavam pesados, sonolentos. Ele deixou que ela continuasse.
Ficou ali sentado, olhando para o nada, com os olhos querendo fechar. Quis fumar mais um cigarro. Lembrou-se de que estava querendo parar. E além disso, Lívia não gostava que ele fumasse em casa.
Idiota.
Murmurou baixinho para si mesmo, dando um risinho de deboche, ao pensar no atendente da padaria.
Espreguiçou-se.
Estava sonolento. A xícara de café que tomara não fizera o efeito que ele esperava.
Abriu o saco e tirou um pão. Cortou-o na metade. Pegou uma delas e passou margarina. Fez uma canoa e deu uma mordida. Até que não estava ruim.
A cafeteira começou a roncar.
Estalou.
Todo o café estava passado.
Levantou-se e trouxe a jarra para a mesa.
Colocou metade em cada copo, açúcar e mexeu com a colherinha.
Pegou os dois e foi em direção à sala.


Nono capítulo do conto de Lucas Beça


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segunda-feira, 23 de março de 2020


Por Gustavo do Carmo


Voltavam do dia mais feliz de suas vidas. Ivanhoílson carregava a sua agora esposa Maria Amélia no colo. Seu corpo malhado no Batalhão do Corpo de Bombeiros, onde trabalhava, lhe daria totais condições de segurar a amada com tranqüilidade. Mas o peso do vestido de noiva, que devia ter uns dez quilos de renda e cinco de cristais, além do cansaço acumulado com a ansiedade pelo grande momento, a preparação, a chegada na igreja, o atraso, os quarenta e cinco minutos da cerimônia, as duas horas de recepção dos convidados, as oito horas de festa na Marina da Glória e o grau elevado de álcool no sangue tornaram a tarefa árdua.
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quinta-feira, 19 de março de 2020




João Paulo Mesquita Simões





Os CTT - Correios de Portugal, lançaram ontem a público, uma emissão de selos alusiva aos 500 Anos da Passagem do Estreito de Magalhães.

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terça-feira, 17 de março de 2020


Marcelo acendeu outro cigarro. Esse ele não iria jogar no quintal de nenhuma senhora, por mais chata que fosse.
Parou na frente da banca de jornal do quarteirão e ficou lendo as manchetes.
Vai levar um?
Naa. Deixa pra outro dia.
Esse sim estava com as pernas sendo quebrada, pensou. Fez um aceno mais ou menos para o jornaleiro e continuou a andar. Passou pelo ponto de ônibus e diminuiu o passo, para contemplar por alguns segundos a mais as mulheres que estavam ali, para mais um incrível sábado de trabalho.


Oitavo capítulo do conto de Lucas Beça


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segunda-feira, 16 de março de 2020



Conto de Gustavo do Carmo

(I)

Na escola, Olímpio só tirava nota dez. Sempre passava de ano sem precisar fazer prova final. Ficava satisfeito e orgulhoso. Para a alegria dos pais e inveja da irmã mais velha.

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quinta-feira, 12 de março de 2020

João Paulo Mesquita Simões





Já há bastantes anos, que escrevo para o Tudo Cultural, e sempre com o mesmo tema: A Filatelia.


Sei que no Brasil, a Filatelia é considerada ciência e, em Portugal, é um hobbie.
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terça-feira, 10 de março de 2020


Marcelo atravessou o portão da casa de Lívia. Tirou um cigarro do bolso da jaqueta e acendeu. Soltou a fumaça e começou a andar. Uma mulher de terninho colado no corpo passou por ele. Ele virou a cabeça para dar uma olhada. Ao voltar para frente uma senhora que estava colocando o lixo pra fora o olhou com desaprovação.
Ao passar por ela ouviu-a dizer.
Você devia se envergonhar. Você e aquela sua namorada.
Ele parou, virou-se e olhou a senhora fixamente. Apenas suspirou e continuou a andar. Tirou o cigarro da boca e mesmo faltando mais da metade para queimar jogou-o no quintal dela.
Ouviu-a xingando baixinho enquanto virava a esquina.
Atravessou a avenida e entrou na padaria. Sentou-se no banquinho.
Na televisão suspensa o jornal da manhã passava os gols da semana. Ficou assistindo por um momento até que um dos atendentes aproximou-se.
Bom dia. O que vai querer?
Hã... Tem pão fresco?
Tem sim chefia. Acabou de sair.
Tá, então me vê meia dúzia.
O que mais?
Vê uma cerveja também.
Cerveja?
É... cerveja, vem em lata, garrafa, eu quero uma lata, se não for incômodo.
O homem olhou feio para Marcelo.
Mas é que... são seis da manhã.
E?
E eu acho que você não devia...
Marcelo suspirou. Não acreditava que estava levando sermão do cara da padaria.
Olha aqui, você vai ali no freezer, pega uma latinha de cerveja pra mim e depois vai lá e pega meia dúzia de pão, ok? Se eu quiser tomar uma cerveja às seis da manhã ou às três da tarde num sábado, o problema é meu. Pode ser?
Olha, eu não quero me meter na sua vida nem nada, mas às vezes você vem aqui e toma cerveja de manhã, antes de ir pro trabalho, acho que seria melhor...
Vou te cortar agora. Posso te fazer uma pergunta?
O homem hesitou.
Hã... sim.
Qual o meu nome?
Hã...
É, não sabe né?
Não, acho que não.
Pois é. E você vem aqui me dar lição de moral me dizer que eu estou abusando do álcool? Sério mesmo?
Ah... não, não, é que... mas você também não sabe o meu.
Eu sei. É Jonas. Toda vez que você faz merda aqui o seu patrão grita lá do outro lado: “Ô Jonas, vem aqui fazfavor”. Talvez eu deva chamar ele agora.
Não, não, não, por favor, eu já vou trazer a sua cerveja.
Valeu.
Marcelo virou-se para a tevê novamente, balançando a cabeça. Agora estava passando os gols do jogo que ele assistiu na noite passada.
Mas olha só quem está aqui. Se não é o grande Marcelo!
O senhor deu dois tapinhas amigos nas costas de Marcelo com a mão esquerda, enquanto a direita estava estendida.
Marcelo o cumprimentou.
Opa, tudo bom Irajá, como é que tá?
Tudo certo.
Irajá encostou-se no balcão.
E aí, viu o jogo ontem?
Pior que eu vi.
Caraio, esse seu time, hein?
Ah, mas não adianta, seu Irajá. É aquilo que eu falo. Não tem meio de campo.
Pior que é. E aquele técnico? Tirar aquele meia argentino aos 30 do 1º tempo. Pô, pelo menos deixa o cara terminar o primeiro tempo.
É, mas vai falar isso pra ele. O cara é maluco.
O atendente colocou a lata de cerveja no balcão. Irajá olhou para a lata e ficou em silêncio, desviando o olhar.
E pro senhor?
Ah, 10 pãezinhos.
10 pãezinhos.
O atendente repetiu o pedido e saiu de perto. Marcelo abriu a latinha.
Vai uma?
Não, não. deixa pra outra hora.
Eles ficaram em silêncio. Marcelo tomou o primeiro gole e pôs a lata de volta no balcão.
Então, e aquele ataque, hein, Marcelo?
Nem me fale. São ruim pra cacete. E o meio de campo não consegue fazer a bola chegar nos atacantes, aí perde, erra o passe, dá de bandeja pro outro time e toma-lhe contra-ataque.
É, o gol saiu de contra-ataque.
Marcelo tomou outro gole.
Não adianta, Irajá, desse jeito não vai subir não.
Pior que é mesmo.
O atendente trouxe os dois sacos de pão. Colocou o do Marcelo no balcão e entregou nas mãos o do senhor Irajá, junto com a comanda.
Só isso mesmo?
Só. Só isso. Brigado.
O atendente saiu. Outro cliente havia chegado.
Bom, vô indo lá, Marcelo.
Os dois apertaram as mãos.
Falou.
O senhor foi em direção ao caixa. Havia apenas uma pessoa na fila, então foi embora rapidamente. Marcelo ficou observando-o enquanto tomava sua cerveja.
Ao terminá-la Marcelo amassou a lata e jogou-a no lixo embaixo do balcão.
Levantou-se e chamou Jonas com a mão.
Mais alguma coisa?
Não, só isso mesmo.
Jonas entregou a comanda a ele. Marcelo pegou o saco e andou em direção ao caixa.
Ao chegar sua vez, ele deu a comanda e disse.
Me vê um caixa de fósforo também.
Qual?
Da mais barata mesmo.
O caixa entregou o fósforo.
Vai cigarro hoje também?
Não, ainda tem bastante. Tô tentando parar.
Pô, aí você me quebra as pernas.
Disse o caixa dando uma risada.
Marcelo apenas sorriu.
Pagou e saiu da padaria.


Sétimo capítulo do conto de Lucas Beça


Primeiro capítulo
Próximo capítulo
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segunda-feira, 9 de março de 2020



Microcontos de Gustavo do Carmo 

Grudada
A música grudou na sua cabeça igual chiclete. Teve que raspar os cabelos. 

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quinta-feira, 5 de março de 2020



João Paulo Mesquita Simões




Analisemos a imagem acima:


Uma mini-folha, com dois blocos de cores diferentes, representando o mesmo motivo: O Armistício.

O conjunto das duas cores, dá o bloco da imagem abaixo.
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terça-feira, 3 de março de 2020


Eles entraram. Ela entrou na sala e deitou-se no sofá. A casa estava uma bagunça.
Marcelo entrou na cozinha. O bule estava cheio de café frio. Colocou-o no fogão e acendeu a boca.
Você tem alguma coisa pra dor de cabeça?
Vê se tem aí no armarinho do canto.
Sua dor de cabeça tinha piorado.
Ele achou uma maleta branca cheia de remédios. A maioria das cartelas com apenas uma ou duas pílulas. Achou uma de aspirina.
Me traz dois pra mim também.
Tinha quatro na cartela.
Destacou todos.
Encheu um copo de água, bebeu metade com dois comprimidos e levou o resto para Lívia.
Aqui.
Valeu.
Ela sentou-se lentamente e desajeitada. Pegou o copo e os remédios.
Depois de tomá-los devolveu o copo a Marcelo.
Ele sentou-se ao seu lado.
E aí?
E aí...
Ficaram em silêncio.
Ela se esparramou no sofá. Olhou para ele.
O que fez de bom ontem?
Nada. Cheguei do trabalho, pedi uma pizza, assisti o jogo, fui dormir...
Humm.
Ela colocou a cabeça na guarda do sofá e as pernas no colo de Marcelo.
Tirou o salto com os pés.
Nada folgada você, né?
Naa.
Ele colocou as mãos sobre as pernas dela. Ainda segurava o copo.
E esse óculos aí? Tomou um sacode por aí?
Ah, eu acabei pisando nele sem querer.
Ela riu.
Tonto.
Ele fez o mesmo.
Faz uma massagem. Daquele jeito que você sabe fazer.
Depois.
Ela fez biquinho.
Ele sorriu. Enquanto ia colocar o copo na mesinha de centro para começar a massagem, Marcelo ouviu o café fervendo derramar.
Ai, merda. Esqueci do café!
Levantou-se e foi correndo apagar o fogo.
Pegou duas xícaras, colocou açúcar e derramou café fervido nelas.
Ô. Quer?
Disse erguendo uma das xícaras um pouco.
Deixa aí na mesinha.
Ela estava mexendo em sua bolsa. Marcelo ficou de pé, a observando.
Depois de um tempo ela tirou a chave lá de dentro.
Olha aqui! Tava dentro do bolsinho.
Ele apenas levantou as sobrancelhas.
Você vai ficar bem por um minuto?
Eu não sou criança.
Então tá. Eu vou na padaria comprar pão pra gente tomar café.
Ela fez que sim com a cabeça e ele saiu. Ela ficou vendo ele sair enquanto segurava a xícara de café fervido com as duas mãos.


Sexto capítulo do conto de Lucas Beça


Primeiro capítulo
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segunda-feira, 2 de março de 2020



Conto de Gustavo do Carmo

— Oi! Posso ler a sua mão? Pediu a cigana para o pedestre que abordou numa praça do bairro do subúrbio onde morava.
— Não. Respondeu Jenoíno secamente.
— Olha que eu te rogo uma praga para sete gerações, hein!
— Já estou cheio de pragas. Cansei de recusar ciganas querendo ler a minha mão.
— Eu sei. Renovo para mais sete.
— E duvido que você seja cigana de verdade. Para mim é uma mendiga com vestido de festa junina.

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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

João Paulo Mesquita Simões












Continuando o artigo da passada semana, deixo-vos imagens do nosso aniversário.
Almoço, seguido de um leilão de cartas filatélicas, e escolha dos melhores selo e carimbo de 2019.
Tudo isto, dentro de um ambiente acolhedor, fraterno. 
No fim, cantaram-se os parabéns. 

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terça-feira, 25 de fevereiro de 2020


Lívia estava sentada na calçada, em frente à sua casa, com a bolsa jogada de um lado. Marcelo atravessou a rua, parou e encostou no poste, com os braços cruzados.
E aí?
Pô, que demora do caralho, viu.
Ele riu.
Eu acho que eu perdi a minha chave.
Deve estar aí na bolsa.
É, deve estar. Mas tem tanta coisa aí dentro que eu não achei.
Ele deu a mão para ajudá-la a se levantar.
Ela ficou de pé. Sentiu uma leve tontura. Apoiou-se em Marcelo. Começou a rir.
Você precisava tá lá, Marcelo. Tava bom demais.
Pois é, tô vendo.
Ajeitou a saia. Ele pegou a bolsa do chão.
Você não tem a cópia da chave que eu te dei?
Ela olhou para os lados. Ninguém na rua. O céu já estava azulado escuro. Voltou-se para ele, que a olhava fixamente.
Que foi?
Nada. Só que você não me deu chave nenhuma.
Quê? É lógico que eu te dei.
Ele não se conteve e começou a rir.
Seu idiota. Abre logo isso aí.

Quinto capítulo do conto de Lucas Beça


Primeiro capítulo
Próximo capítulo
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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Por Gustavo do Carmo


Chamou um táxi. Estava nua. Não inteiramente, mas com o corpo pintado de dourado e um tapa-sexo. Vinha do sambódromo. Arrasada por ter prejudicado o desfile da sua escola de samba. Safrane Camargo desfilara como madrinha de bateria da Interesseiros da Cidade de Deus, uma escola do segundo grupo.
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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

João Paulo Mesquita Simões


No próximo sábado, realiza-se em Coimbra o 55º Aniversário da Secção Filatélica da Associação de Estudantes de Coimbra.

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terça-feira, 18 de fevereiro de 2020


Lívia morava à três quarteirões da praça onde Marcelo estava. Enquanto andava, o sol começava a querer aparecer.
Foi pela avenida e passou por uma farmácia e uma lanchonete 24hrs. O cheiro dos hambúrgueres da lanchonete o fez sentir o vazio de seu estômago.
Continuou andando.
O celular apitou, avisando que havia recebido uma nova mensagem. Marcelo tirou-o do bolso, desbloqueou e viu a mensagem de Lívia. Dois emoticons de cocôs sorrindo.
Idiota.
Colocou o celular de volta no bolso.


Quarto capítulo do conto de Lucas Beça


Primeiro capítulo
Próximo capítulo
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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020


Conto de Gustavo do Carmo 
Publicado originalmente em 12 de março de 2008

Fazia oito horas que estava no shopping. Acompanhava a esposa que tentava fazer compras. Tentava porque em cada loja que ela entrava ficava uma hora experimentando vestidos e calçados. Não levou nenhum deles. Dizia que não ficavam bonitos nela. Mesmo provando mais de dez peças por boutique.

Até as seis primeiras lojas, Naldo a acompanhou. A partir da sétima, decidiu sentar-se no banco mais próximo ao lugar onde estivesse Sabrine. Não aguentava mais bater perna no shopping. Sabrine já não precisava e nem queria mais o marido ao seu lado, reclamando. Ela o autorizou a fazer o seu roteiro pelo shopping. Ele estava livre para ir a uma livraria, a uma banca de jornal, babar pelos aparelhos eletrônicos ou procurar alguma roupa ou acessório masculino.

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terça-feira, 11 de fevereiro de 2020


Pôs pó de café no coador, água na cafeteira, mas resolveu dar uma volta.
Colocou uma jaqueta velha sobre a camiseta e calçou o par de tênis. Não trocou a calça de moletom.
Andou até a praça próxima ao se apartamento. Sentou-se num dos bancos. Fechou os olhos.
O celular tocou. Era Lívia.
Alô?
E aí garotão? O quê ta fazendo?
O que eu to fazendo? O que você ta fazendo me ligando às 5 da manhã?
Ah, para de ser chato, meu.
Você tá bêbada?
Não.
...
Tá, tô bebáça sim! Há há há há!
Ai, ai, Lívia...
O quê? Vai me dizer que você não bebeu nada hoje?
...
Bom, são cinco da manhã, então... Não.
Ok, ok, senhor certinho.
Vamo tomar um café agora?
...
Tá, vamos.
Beleza, onde cê ta?
Tô aqui na frente de casa. Mas não to achando a chave.
Ok, já to indo aí.


Terceiro capítulo do conto de Lucas Beça


Primeiro capítulo
Próximo capítulo
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