sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Um conto de terror natalino...

Por Dudu Oliva

Foi tudo tão estranho que nem sei se  vou  reproduzir  os  fatos fielmente.   

Nesse dia, o calor era insuportável.  Todo mundo tomava  banho  de  mangueira  para  se  refugiar.  Tinha a sensação de que minha mente iria se dissolver.   Um cheiro  de  fossa  pairava  no  recinto.  No calor tudo apodrece rapidamente e era insuportável o  cheiro  de  suor, mesmo  disfarçado  com  desodorantes e  perfumes.  O céu azul e  sem nuvens  tornava-se uma maldição.


Ao anoitecer, a ceia estava  preparada  e  o ar-condicionado ligado. Era um oásis para gente.

Todavia, quando a noite avançava,  o aroma de putrefação  invadia  o ambiente.  Não adiantava fugir da realidade.  De súbito, ratos, baratas, moscas  e formigas  dominaram   a  casa  por um  átimo  de   segundo,  devorando qualquer  coisa  que  vissem. 

As lembranças desse dia ainda estão vivas em mim. Consigo ver nitidamente as criaturas nojentas comendo a ceia em cima da mesa, depois, avançando em todo mundo e os gritos. 

Consegui sair da casa  e  corri  o mais rápido  que  pude.  O mundo que eu conhecia era outro.   Vi ondas de criaturas repugnantes transformando a  cidade em  ruínas  e  o cheiro  de podridão  cada vez mais forte.    

De repente,  meu corpo virou  uma pequena  montanha  de   bosta.

***

- Pronto, já contei  uma história  de  terror natalino.  Pra  cama,  já!
- Não tive medo,  ela  não  valeu.
-  Estou  sem inspiração.
-   Pois é, uma  história super  boba.
-  Vai  dormir  logo.
-  Tá... Espera!   Sinto  um cheiro  esquisito  e  vi algo  passar  rapidamente  pela porta. 
-   Realmente,   que  cheiro fedido é este?
-  Tem um rato  enorme  na árvore  de Natal!
-  Que  nojento! 
-  Precisa  matá-lo.
- Acho melhor a gente se  trancar  no quarto  e  ligar o ar.   Neuza vem amanhã e dará um jeito  nele.

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