terça-feira, 18 de setembro de 2018

Era diferente



Estou entrando naquela fase da vida em que as novas bandas não me agradam mais. Não me impressionam mais. Parecem todas iguais.

E volto pra aquelas velhas da adolescência. AC/DC, Foo Fighters, The Police, Guns, Dave Matthews, etc.

E quando uma dessas lança algo novo… sei lá. Parece estranho. Não é tão legal quanto era antes.

A minha relação com a música anda diferente. E não sei de quem é a culpa.

Se antes eu colocava um CD pra tocar e o escutava até o fim, depois colocava outro e às vezes voltava naquele primeiro, agora fico pulando de faixa em faixa.

A moda são as playlists.

Mas aí você coloca uma pra tocar e fica pulando de faixa em faixa até achar uma música legal.

Vivo adicionando álbuns na minha biblioteca que nunca escuto.

Às vezes chego a pensar: chega! Para com isso. Pega umas cem músicas e passa os próximos seis meses só escutando elas. Depois pega mais cem e faz a mesma coisa.

São muitas opções.

O acesso a tudo tira um pouco da intimidade com as músicas que você tinha em CDs ou no mp3 ou mp4 (tive uns três desses durante a adolescência). E você realmente escutava.

Mas também tem o fato de que toda essa “multi-tarefa milenial” trouxe a música para um patamar de plano de fundo.

Você põe a música lá e vai fazer outra coisa.

Lava a louça


Corre

Faz caminhada

Malha

Trabalha

Sei lá.

Lembro de simplesmente deitar na cama, colocar o fone e ouvir álbuns inteiros no meu mp4 velho.

Lembro dos recortes de jornal do meu time favorito quando ele jogava e ganhava. Punha todos dentro de uma pasta catálogo.

De rebobinar as fitas VHS

Gravar o filme do homem-aranha na globo, com dois anos de atraso do cinema

Da locadora e do ódio que sentia quando tinha que pagar pelo atraso.

De ligar pra alguém no celular.


Texto de Lucas Beça

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