sábado, 31 de março de 2018

Por dudu oliva




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quinta-feira, 29 de março de 2018




João Paulo Mesquita Simões



Após os candeeiros a petróleo espalhados pelas cidades em finais do século XIX, surge a eletrificação do país, primeiro nas grandes cidades e, depois, nos meios rurais.

Essa eletrificação iniciou-se no pós-guerra, no início dos anos 50 do século XX.

Hoje, com o país todo eletrificado, surgem, além da já existente "Eletricidade de Portugal - EDP" outras, com preços competitivos face à EDP.

Assim, o mercado regulado que existia até então, passou a ser liberalizado, e cada família ou empresa, poderá escolher aquele que melhor se adequa à sua bolsa.

Os CTT, emitiram um bloco comemorativo da Eletricidade no dia 19 de março, "emissão de quatro selos e um bloco filatélico com um selo de €2,00, que representam as várias técnicas de obter electricidade hoje em dia, e no bloco um pouco de história. E assim temos imagens da Energia Éolica na Serra das Meadas, em Lamego, numa foto de ullstein bild/Getty Images, e o aproveitamento Hidroeléctrico do Alqueva, no Rio Guadiana (Moura/Portel), a descarga da barragem, numa foto de Alamy/Fotobanco. No selo com o valor facial E20g, para o correio europeu, podemos ver os painéis solares da Central Fotovoltaica da Amareleja, numa fotografia de Bloomberg/Getty Images, e no selo de I20g, para o correio internacional fora da Europa, a Central Geotérmica da Ribeira Grande, na Ilha de São Miguel, nos Açores, com foto de Alamy/Fotobanco.


A imagem de fundo do bloco mostra cartazes publicitários antigos para a utilização de aparelhos eléctricos, numa foto do CDFEDP - Centro de Documentação da Fundação EDP, um amperímetro, com foto da colecção Património Energético/Fundação EDP, um cartaz da CRGE - Companhias Reunidas de Gás e Electricidade, e o Edifício dos Quadros da Central Tejo (1930), com foto do CDFEDP. O selo mostra o edifício da Central Tejo, hoje Museu da Electricidade, e o novo edifício do MAAT - Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia, em Lisboa, numa foto de J.M.F. Almeida/Getty Images, mostra também uma lâmpada, numa foto de blackred/Getty Images, e o interior da Central Eléctrica de Tavira (c. 1920), com imagem obtida pela Casa de Fotografia Andrade.

Esta emissão tem trabalho de design gráfico do Atelier Design&etc/Hélder Soares, e impressão dos Correios da Bélgica - Bpost." In: http://www.numismatas.com/phpBB3/viewtopic.php?t=26709


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quarta-feira, 28 de março de 2018


de Miguel Angel 


Agitada, entrou no banheiro, trancou a porta, ficou na frente do espelho, observou seu rosto refletido por alguns segundos; de repente deu-se um tapa no rosto. Ai! Doeu!. (É pra doer sua puta! Pra deixar essa cara de pau vermelha de tanto apanhar. Como pode ter gostado daquilo?)
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terça-feira, 27 de março de 2018



Ela encara o teto. Suas irregularidades. As marcas, as sombras que o abajur aceso ao seu lado e as luzes da cidade vindas da janela acima de sua cabeça fazem. Estava assim já fazia uns bons dez minutos. Piscou duas vezes.

Cuidadosamente, para não acordar o homem que estava dormindo ao seu lado, sentou-se na beirada da cama. Alcançou o maço de cigarros em cima do criado mudo. Retirou um e o pôs na boca. Pegou o isqueiro. Acendeu. Deu uma baforada.

Se fosse julgada por cada uma das coisas ruins que fez durante sua vida, não sairia mais da prisão. Deixou que a fumaça saísse pelas narinas e boca.

Por conta disso, não costuma confiar em ninguém. Se tivesse pai e mãe, provavelmente não confiaria neles. Mas mesmo assim, acabou se apaixonado por aquele homem deitado na mesma cama que ela estava sentada agora. Não foi à primeira vista, já que o tinha visto nas várias fotos da pasta que o cliente que a contratou lhe deu.

Era para ser uma simples execução.

Ele vira-se na cama, mas continua dormindo. Ela coloca o cigarro na beirada do criado mudo. Levanta-se e vai até o banheiro. Encara sua versão ao contrário. Lava o rosto. Sai de lá e começa a se vestir. Pega sua mochila. Tira de lá uma garrafa de uísque. Toma um gole. Fecha e a coloca na mochila novamente. Calça as botas. Termina o cigarro.

Vai até a mochila novamente. Tira de lá uma arma. Contorna a cama. Para e olha o homem, que dorme tranquilamente.

Ele suspira.

Ela aponta.

Atira.

A bala entra pela bochecha esquerda e atravessa o crânio.

Dá dois passos perto dele. O observa por alguns segundos. Contorna a cama novamente, pega o maço de cigarros, o isqueiro e a mochila, e sai do quarto de hotel.

Não podia deixá-lo viver. Outra pessoa faria seu trabalho. Além do mais, ela era uma pessoa que cumpria com a sua palavra.
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segunda-feira, 26 de março de 2018



Crônica de Gustavo do Carmo

Quando eu era jovem, lembro de um comercial da década de 90, em que um homem de 40 anos dizia algo assim: “Quando eu tinha 18 anos, todo mundo ria da minha namoradinha de 40. Agora que eu tenho 40, quero ver alguém rir da minha namorada de 18”.

Desde os dez anos sempre gostei de mulheres mais velhas e lutava pelo direito de homens se casarem com mulheres nascidas antes deles. Sou fruto de um casamento em que a minha mãe é nove anos a mais de vida que o meu pai. Achava (e ainda acho) indecente uma mulher jovem casada com um velho.
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sexta-feira, 23 de março de 2018

Por duduoliva



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quinta-feira, 22 de março de 2018


João Paulo Mesquita Simões



Celebrou-se ontem o dia Internacional da Poesia.
Para comemorar a efeméride, apresento desta vez, um selo de Cabo Verde. Pertence a uma emissão de 1971, e retrata um grande poeta daquele país Lusófono: Jorge Barbosa.

Jorge Vera-Cruz Barbosa nasceu na Ilha de Santiago, Cabo Verde, em 1902. Faleceu em Cova da Piedade, Portugal, em 1971. Foi funcionário público. Um dos membros mais importantes do movimento Claridade.
Publicou: Arquipélago. São Vicente: Cabo Verde, 1936; Ambiente. Praia: Cabo Verde, 1941. Caderno de um Ilhéu. Lisboa: 1956.

VOCÊ: BRASIL

Eu gosto de você, Brasil,
porque você é parecido com a minha terra.
Eu bem sei que você é um mundão
e que a minha terra são
dez ilhas perdidas no Atlântico,
sem nenhuma importância no mapa.
Eu já ouvi falar de suas cidades:
A maravilha do Rio de Janeiro,
São Paulo dinâmico, Pernambuco, Bahia de Todos-os-Santos.
Ao passo que as daqui
Não passam de três pequenas cidades.
Eu sei tudo isso perfeitamente bem,
mas Você é parecido com a minha terra.

E o seu povo que se parece com o meu,
que todos eles vieram de escravos
com o cruzamento depois de lusitanos e estrangeiros.
E o seu falar português que se parece com o nosso falar,
ambos cheiros de um sotaque vagaroso,
de sílabas pisadas na ponta da língua,
de alongamentos timbrados nos lábios
e de expressões terníssimas e desconcertantes.
É a alma da nossa gente humilde que reflete
A alma das sua gente simples,

Ambas cristãs e supersticiosas,
sortindo ainda saudades antigas
dos sertões africanos,
compreendendo uma poesia natural,
que ninguém lhes disse,
e sabendo uma filosofia sem erudição,
que ninguém lhes ensinou.

E gosto dos seus sambas, Brasil, das suas batucadas.
dos seus cateretês, das suas todas de negros,
caiu também no gosto da gente de cá,
que os canta dança e sente,
com o mesmo entusiasmo
e com o mesmo desalinho também...
As nossas mornas, as nossas polcas, os nossos cantares,
fazem lembrar as suas músicas,
com igual simplicidade e igual emoção.

Você, Brasil, é parecido com a minha terra,
as secas do Ceará são as nossas estiagens,
com a mesma intensidade de dramas e renúncias.
Mas há no entanto uma diferença:
é que os seus retirantes
têm léguas sem conta para fugir dos flagelos,
ao passo que aqui nem chega a haver os que fogem
porque seria para se afogarem no mar...

Nós também temos a nossa cachaça,
O grog de cana que é bebida rija.
Temos também os nossos tocadores de violão
E sem eles não havia bailes de jeito.
Conhecem na perfeição todos os tons
e causam sucesso nas serenatas,
feitas de propósito para despertar as moças
que ficam na cama a dormir nas noites de lua cheia.
Temos também o nosso café da ilha do Fogo
que é pena ser pouco,
mas — você não fica zangado —
é melhor do que o seu.

Eu gosto, de Você, Brasil.
Você é parecido com a minha terra.
O que é é tudo e à grande
E tudo aqui é em ponto mais pequeno...
Eu desejava ir-lhe fazer uma visita
mas isso é coisa impossível.
Eu gostava de ver de perto as coisas
espantosas que todos me contam
de Você,
de assistir aos sambas nos morros,
de esta cidadezinha do interior
que Ribeiro Couto descobriu num dia de muita ternura,
de me deixar arrastar na Praça Onze
na terça-feira de Carnaval.
Eu gostava de ver de perto um lugar no Sertão,
d de apertar a cintura de uma cabocla — Você deixa? —
e rolar com ela um maxixe requebrado.
Eu gostava enfim de o conhecer de mais perto
e você veria como é que eu sou bom camarada.

Havia então de botar uma fala
ao poeta Manuel Bandeira
de fazer uma consulta ao Dr. Jorge de Lima
para ver como é que a poesia receitava
este meu fígado tropical bastante cansado.
Havia de falar como Você
Com um i no si
— “si faz favor —
de trocar sempre os pronomes para antes dos verbos
— “mi dá um cigarro!”.

Mas tudo isso são coisas impossíveis, — Você sabe?
Impossíveis”.



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quarta-feira, 21 de março de 2018



de Miguel Angel 

Depois de dias de saques e degolas, fuzilamentos e violações, a fazenda de D. Eduardo Antunes teve o azar de cruzar o caminho do coronel paraguaio Barrios, condutor da bem sucedida invasão. Avistando a sede da fazenda, o coronel ordenou a tropa avançar pela propriedade, cercar todo gado à vista e invadir a casa sede. Sem nenhum oponente de monta, a missão foi concluída em poucas horas; o mandante estrangeiro foi chegando à residência, encontrando-a quase coberta pela fumaça dos incêndios nos pastos, estrebarias e manjedouras; a um canto do edifício, alguns prisioneiros, a maioria de pretos idosos, já reunidos em grupo, esperam apreensivos. O coronel deteve seu cavalo à frente da sede a contemplar o sucesso da empreitada. Subitamente, do seu interior, surgiu um homem encanecido, de garrucha e peito aberto se postando na sua frente e, apontando a arma ao comandante, ordenou raivoso:
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terça-feira, 20 de março de 2018



É mil oitocentos e poucos. Um forasteiro entra em um bar. Usa um poncho em que esconde seu coldre com duas pistolas carregadas. Ele acha que os outros não sabem disso, mas a verdade é que qualquer homem que vive ali sabe que pelo menos uma carregada é necessária. Ele chega ao balcão, tira o chapéu, o coloca sobre a superfície de madeira e diz.

“Uma rodada pra todo mundo! Acabei de roubar um banco e tô cheio da grana!”

Todos brindam, gritam e assobiam, exceto três homens, que se levantam e encaram o forasteiro. Ele arregala os olhos. O mais baixo dos três tem uma estrela sobre o colete.

“Calma! Calminha pessoal... É brincadeira. Brincadeirinha.”

Eles tornam a se sentar, mas ainda de olho nele. Os outros resmungam e lamentam a rodada não acontecer.

“Ei, mas que lamúria toda é essa? A rodada ainda está de pé!”

Eles voltam a brindar, gritar e assobiar. Alguns se levantam e vão encher os copos no balcão.

“Mas eu também quero putas! Pelo menos duas.”

Uma das prostitutas desce pela escada, o encarando seriamente.

“Que tal um pouco de respeito?”

Continua a encará-lo.

“Desculpa senhorita, não vai acontecer novamente.”

Ela levanta a cabeça, ainda séria, mas depois o pega pela mão e leva-o para cima.
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segunda-feira, 19 de março de 2018

Por Gustavo do Carmo


É com imenso prazer e enorme satisfação que a Modern Tech vem comunicar o falecimento do nosso desprezível funcionário Henrique Drähm.

Ele nos deixou (graças a Deus) na última quarta-feira, ao se jogar do oitavo andar de sua residência, que aliás, pertencia à nossa empresa. Tinha trinta e cinco anos de vida e dez de razoáveis serviços prestados ao nosso grupo, líder de mercado na América Latina no segmento de automação comercial.

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domingo, 18 de março de 2018





                                         Conto de Weverton Galease

  Numa tarde chuvosa, tomando seu café da tarde, Tales foi incomodado por seu pai, que em voz agressiva disse;

- Moleque, tem uma loja na cidade vizinha, que está contratando, eu conheço o dono, se chama Vasco, vai lá conversar com ele, e vê se consegue esse emprego!

  Após ouvir o pai, Tales apenas confirmou as informações, pedindo para seu pai repetir o que disse. Logo, o moleque respondeu quase que sussurrando que iria no dia seguinte, mesmo sendo um sábado, já que a loja fechava ao meio-dia.
  No dia seguinte, seu pai já havia ido para o trabalho, enquanto Tales se arrumou e foi de ônibus até a cidade vizinha. Chegando lá, com aquela coragem de preguiçoso, procurou pelo dono da loja. Ao ser recebido por aquele senhor de uns sessenta e tantos anos, de bigode branco, pouco cabelo; viu que o ambiente já seria meio hostil, alguns rapazes trabalhavam lá, e quando passavam por Tales, baixavam a cabeça e nem um 'bom dia' diziam.
  Muito ocupado, o senhor Vasco, pediu o currículo do moleque, pausadamente, analisou à frio, com a ponta da caneta riscando todo o papel, olhou para Tales, e disse;

- Você já enganou quem com esse currículo? Isto é um currículo? Você diz aqui que tem experiência em quê?

  O moleque com a aparência de assustado, engasgou com o ar, sem saber o que dizer, pois, até então, o contratante estava na razão, Tales nem havia trabalhado na vida ainda, aquilo no currículo era mera história. Mesmo assim, Tales respondeu improvisando, o senhor com muita frieza, rebatia, dizendo que o moleque nunca havia trabalhado.

  Tales, começou a ficar nervoso, e quase querendo ir embora, mas pensou no que iria dizer a seu pai, e então, sem argumentos, permaneceu ali. Foi quando Vasco começou a descrever para que estava contratando.

  Se o moleque achava que o ambiente estava hostil, nem imaginou onde isto iria dar sequência...

- Não tente dar a volta em mim. Não adianta trabalhar certo um ou dois dias e depois começar a jogar os parafusos pela janela. Outro dia peguei um funcionário meu jogando os parafusos pela janela. Então, não quero que você faça isso! - exclamou irritado Vasco

- Pelo que eu vi aqui, você nunca trabalhou, e me trouxe esse suposto currículo. Já começou mau tentando passar a perna em mim. Eu conheço seu pai, sei que ele é gente boa, mas você não me parece nada disso. - seguiu Vasco, esculhambando o moleque.

  A irritação de Tales era tanta, que já estava quase a chorar. Mas já cansado de ouvir tanta asneira, perguntou ao senhor se ele havia alguma chance de ser contratado. Vasco apenas resmungou;

- Quer trabalhar? Espera! Se eu achar necessário te ligo!

  Tales voltou para casa, tentou explicar a sua mãe como foi a entrevista de emprego, falou tudo que ocorreu. Sua mãe ficou até sem reação. Mas na segunda-feira seguinte, foi até a loja de parafusos, com seu filho claro, comprou dez quilos de parafusos e cinco quilos de pregos, abriu a sacola, e espalhou tudo no chão da entrada da loja, e dizendo;

- Tá aí os parafusos que você disse que meu filho iria jogar pela janela! Sem noção! Paranoico! Deve ser por tanta asneira que você fala, que seus funcionários tem esse tipo de reação. Vá com seus parafusos pra China, seu senhor treco!
 
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sexta-feira, 16 de março de 2018

Por dudu oliva



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quinta-feira, 15 de março de 2018

João Paulo Mesquita Simões






Espalhada um pouco por todo o mundo, a Comunidade Islâmica está também presente em Portugal. 
Na comemoração dos seus cinquenta anos, os CTT - Correios de Portugal, emitem uma coleção com bloco, que sairá amanhã dia 16 de março.

A série é composta por quatro selos e um bloco.

A entrada da Mesquita em Lisboa, a Purificação do Corpo,a Oração e o pátio interior da Mesquita, são as imagens que constituem os selos. Quanto ao bloco, mostra-nos ao exterior da mesquita central e a Sala de Oração.

Foi em 1968, que um grupo de estudantes Muçulmanos oriundos das ex- colónias portuguesas, sentiu a necessidade de formar uma associação e de arranjar um local onde pudessem reunir e fazer as suas orações.

Em 1985, inaugurou-se a primeira fase da construção.



Fonte: Imagem retirada de https://www.ctt.pt/ctt-e-investidores/comunicacao-e-patrocinios/media/noticias/ctt-celebram-50-anos-da-comunidade-islamica-em-lisboa-com-emissao-filatelica




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quarta-feira, 14 de março de 2018

de Miguel Angel (in memoriam)


Não tem essa de homem incapaz de matar.
Dependendo de hora e lugar, homem vira bicho, mata, e se for preciso, come o inimigo. Como os índios. Odiava índios. E matador covarde, aproveitador de mulher tonta.

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terça-feira, 13 de março de 2018



Um rapaz espera o ônibus que o levará para casa depois de um longo dia. Teve que ficar mais tarde para ajudar na limpeza da lanchonete em que trabalha e perdeu a carona pra casa.

Ali, sozinho, às onze horas da noite, no ponto de ônibus, ele desviava o olhar em busca de alguma atividade suspeita. Os carros paravam no semáforo e sua imaginação começava a trabalhar. Já se via no porta-malas de um carro encardido indo pra não se sabia onde.

Ele olhava no relógio e tentava respirar fundo. Havia apenas uma senhora com uma bengala resmungando na outra ponta do banco. Ela se transformava em uma bruxa e tirava de sua bolsa um líquido gosmento e jogava nele. Ele estremeceu quando a imagem passou por sua cabeça.

Onze e três, onze e quatro, onze e cinco... Cada minuto demorava uma eternidade para passar. Ele não sabia que horas passaria o próximo ônibus. Tentava não pensar em coisas ruins. Mas não conseguia.

Passou a ouvir mentalmente suas músicas favoritas. Seu cachorro tinha mastigado seu fone e ainda não tinha dinheiro para comprar um novo. Também não adiantou. As únicas canções que vinham a sua mente eram tristes.

Ele acabara de fechar os olhos para lembrar alguma música alegre quando um toque em seu ombro quase resultou em um ataque cardíaco. O cheiro de álcool e fedor de não tomar banho inundou o seu nariz. Arregalou os olhos e pôs a mão no coração acelerado.

Em sua frente estava um bêbado infeliz de pernas bambas.

“Ô menino... Não dá pra arrumar dois real, não... ?”

O bêbado fechou os olhos e foi caindo em cima do rapaz. Conseguiu apoiar-se no banco. O rapaz se encolheu e continuou com os olhos arregalados, quando o indivíduo se apoiou em seu ombro e começou a vomitar.

Depois de se limpar com a manga de camisa, lentamente o embriagado sentou-se ao lado do rapaz. Ele tentou se afastar e quase caiu no chão.

“Desculpa, moço... Mas me arruma só dois real, vai...”, disse o bêbado e deu um sorriso desdentado. A barba suja não ajudava em nada sua aparência.

“N-n-não posso. S-s-só tenho o dinhier-r-ro da passagem.”

O rapaz estava tão assustado que gaguejava.

Íh! É gago! Há-há! Desculpa, desculpa. Por favor, estou te pedindo...”

O ônibus acabara de parar na sua frente. Se não fosse a senhora dar o sinal, passaria e ele teria que esperar pelo próximo. Isso se tivesse um próximo.

Ele saiu correndo de perto do bêbado e entrou no ônibus. Após se sentar, todos se afastaram dele por conta de seu novo aroma.
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segunda-feira, 12 de março de 2018


Microcontos de Gustavo do Carmo 



Contos
Queria resgatar os seus antigos contos publicados numa rede social. Só conseguiu achar no best-seller de um novo grande talento da literatura que não era ele.


Rompidos
Rompeu com o único amigo que tinha. Agora compartilha os seus pensamentos que falaria a ele em uma rede social na internet.

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domingo, 11 de março de 2018

 CONVIDADO(A) DO MÊS - MÔNICA RAOUF EL BAYEH*



Há alguns problemas na fofoca. O primeiro é que raramente termina onde começou. Fofocas são Gremilins. Lembra deles? Crescem com a saliva. Se multiplicam. Se espalham. Se transformam. Envenenam. Mentem. Causam prejuízos irreparáveis.


O segundo é que quem traz, leva também. A mesma pessoa “amiga” que fala de fulano para você, vai falar de você para fulano. Portanto, cuidado. Todo cuidado é pouco.


O terceiro é que há pessoas que são como cobras. Elas armam o bote. Quando você vê, já caiu. Olha seu print passeando em grupos de WhatsApp. Vai desmentir? Vai se explicar? Gravações e prints são piores que batom na cueca. Não há desculpas cabíveis.


Na fofoca, como na vida, vale a lei do retorno. Tudo o que vai, volta. Uma espécie de castigo celestial ou energético. Seja por pena. Por fé. Por ética. Ou só pelo prazer de ficar em paz no seu canto, não julgue. Não divulgue. Desvie. Evite.


Quando Paulo me fala de Pedro, seu mais de Paulo que de Pedro. Pode ser que você nunca saiba se a história contada era mesmo daquele jeito. Ou se ela sequer aconteceu. Uma coisa você pode ter certeza, da personalidade de quem te conta. O jeito fofoqueiro de ser traz em si um gosto por maldades.


Eles gostam de ver o circo pegar fogo. Pouco se importam com as consequências que isso pode gerar. Abra o olho. Você está convivendo com uma pessoa perigosa. De moral esquisita. Todo cuidado é pouco.

Segue aqui o manual antifofoca para você ter na gaveta. No bloco de notas do celular. Nos documentos do laptop. Sempre à mão, ajudando a fechar a boca. Afinal, em boca fechada não entra mosca.


1- Nem sim, nem não. Muito pelo contrário.

- Sabe o fulaninho? Foi pego em flagrante.
Claro que você vai querer detalhes. Eu também iria. É armadilha. Não caia nessa. O pior peixe é o que morre pelo ouvido.
Corte com delicadeza. Não ponha fogo na fogueira. Lembre que hoje o rabo é dele. Amanhã vai ser o seu. Comente um neutro:
- Ah, coitado. Poxa, que chato.
Comentários pouco cruéis são pura água fria na fervura. Têm a capacidade de murchar os fofoqueiros. Eles vão procurar melhores ouvintes. Dessa vez você foi salvo.


2- Mantenha a neutralidade.

Não escolha lados. Não tome partidos. Entenda que todos sempre, em algum momento, têm razão. E que toda história tem sempre, pelo menos dois lados. Aquele é só um deles. E ainda pode estar bem distorcido.


3- Tenha desculpas na manga.

Diga que o celular está tocando. Que você está atrasado. Estava no meio do caminho. O chefe chamou e você tem que correr. Enterro da tia de uma prima. Qualquer coisa. Já sabe que a pessoa gosta de uma treta, não seja pego desprevenido. Já chegue de ré. Pronto a sair de perto sempre que possível.


4- Colecione bons assuntos.

Uma forma de fugir de fofoca é ter bons assuntos na mente. A novela da véspera. O tempo que passa tão rápido. O calor insuportável. O frio insuportável. Filmes em cartaz. Vale tudo.
Piadas ajudam muito. Descontraem. Divertem. Sem causar vítimas. Viu que a fofoca vai começar? Seja rápido. Saque as melhores piadas, os mais interessantes assuntos. E desvie a conversa sem dó.
Se ninguém rir, não se ofenda. Ria sozinho. E pronto. A próxima fofoca vai ser sobre você, o péssimo contador e piadas. Nem ligue. Fofocas são fogo de palha. Na mesma chama que acendem, apagam.


5- Fuja.

Pessoas peçonhentas não querem só te informar. Elas não são boazinhas. Não se iluda. A fofoca é a isca. Elas te pescam. E você, bobão, confiante, crente que abafa, começa a contar o que sabe. De seu e dos outros.
Só há uma forma certa de se proteger de fofoqueiros: a distância. Percebeu a aproximação? Nem pense duas vezes. Fuja. 



*Mônica Raouf El Bayeh, carioca. Mãe de dois filhos e oito livros. Professora, psicóloga especialista em adolescentes, adultos, famílias e casais. 

Autora do blog Poesia Toda Prosa.

Colunista do Jornal Extra online - blog Um Dedo De Prosa.

Membro da Academia Poética Brasileira. 


Twitter @monicabayeh
EXTRA ONLINE - blog UM DEDO DE PROSA https://extra.globo.com/mulher/um-dedo-de-prosa/
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sexta-feira, 9 de março de 2018

Por  dudu oliva






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quinta-feira, 8 de março de 2018


João Paulo Mesquita Simões



Quatro artistas, palcos diferentes. Deram voz a outras mulheres, cantando, rindo, chorando... Uma homenagem neste Dia da Mulher.




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quarta-feira, 7 de março de 2018



de Miguel Angel (in memoriam)



Sim, estava na hora de morrer. Amanhã veria como seria. Lera na Bíblia sobre isso e dizia horrores sobre o pecado do suicídio. Mas pecado maior não era estar nessa estrada... – Estrada? – ve-re-da estreita e barrenta pejada de insetos e pássaros berrando aloprados, seu nariz a escorrer, doendo o corpo todo, com vontade de... – de morrer! Poderia morrer nesse momento? Ó se morreria! Esticou as rédeas e o cavalo relinchou baixinho, mal-humorado, depois cabeceou recuperando a folga das rédeas e desobediente continuou a marcha.
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